{"id":946,"date":"2014-11-05T17:28:50","date_gmt":"2014-11-05T20:28:50","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/?p=946"},"modified":"2014-11-06T10:07:24","modified_gmt":"2014-11-06T13:07:24","slug":"a-visao-crista-do-estado-e-o-principe-moderno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/2014\/11\/05\/a-visao-crista-do-estado-e-o-principe-moderno\/","title":{"rendered":"O &#8220;Pr\u00edncipe Moderno&#8221; e a Vis\u00e3o Crist\u00e3 do Estado"},"content":{"rendered":"<p><em><br \/>\n<\/em>No \u00faltimo dia 03 de Novembro a comiss\u00e3o executiva do PT produziu uma <a href=\"http:\/\/www.pt.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/Resolu%C3%A7%C3%A3o-Pol%C3%ADtica.pdf\" target=\"_blank\">resolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica<\/a> sobre os rumos do partido a partir das elei\u00e7\u00f5es 2014. Observei, nas redes sociais, que ali se desenha uma radicaliza\u00e7\u00e3o da milit\u00e2ncia &#8220;sabendo que pouco tempo lhe resta&#8221; (ou muito, sob outro aspecto). Mas a radicaliza\u00e7\u00e3o na verdade \u00e9 um retorno aos fundamentos, n\u00e3o uma inova\u00e7\u00e3o.<em><br \/>\n<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/2014\/10\/27\/920\/\" target=\"_blank\">Num artigo anterior<\/a>\u00a0<a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/2014\/10\/27\/920\/\" target=\"_blank\">(&#8220;Sobre as intoxica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, e porque sou oposi\u00e7\u00e3o&#8221;)<\/a>\u00a0descrevi o governo atual como\u00a0servindo a\u00a0&#8220;um projeto hegem\u00f4nico muito maior, de uma absor\u00e7\u00e3o progressiva das for\u00e7as da sociedade civil para incorpor\u00e1-las em um processo historicista de revolu\u00e7\u00e3o social, pilotado pelo partido-estado&#8221;. Maior, digo, do que o cuidado com o pobre e o exclu\u00eddo. Ou, em outros termos, que &#8220;temos um estado inclinado a<i>possuir <\/i>a sociedade civil, sendo lentamente <i>possu\u00eddo <\/i>por um partido desde sempre <i>possu\u00eddo <\/i>por um sonho hegem\u00f4nico.&#8221;<\/p>\n<p>A resolu\u00e7\u00e3o de anteontem mostra com pureza cristalina que essa \u00e9 de fato a dire\u00e7\u00e3o do partido; pilotar um movimento trans e suprapartid\u00e1rio de integra\u00e7\u00e3o de for\u00e7as partid\u00e1rias de esquerda, movimentos da sociedade civil em todos os campos poss\u00edveis, das institui\u00e7\u00f5es do estado e, na medida do poss\u00edvel, de grandes empresas, em uma \u00a0pot\u00eancia pol\u00edtica central que levar\u00e1 \u00e0 consuma\u00e7\u00e3o o socialismo democr\u00e1tico. Nesse processo, realizar-se-\u00e1 uma &#8220;revolu\u00e7\u00e3o cultural&#8221; &#8211; confesso-me surpreso com o emprego dessa express\u00e3o no texto da resolu\u00e7\u00e3o &#8211; e se dobrar\u00e3o as for\u00e7as conservadoras. <!--more--><\/p>\n<p>Ao ler minhas cr\u00edticas a esse movimento &#8220;hegem\u00f4nico&#8221; alguns leitores se impacientaram, como se eu estivesse ignorando a hegemonia, por exemplo, \u00a0do PSDB \u00a0em S\u00e3o Paulo. Calma gente! &#8220;Hegemonia&#8221; aqui \u00e9 um \u00a0termo t\u00e9cnico para a esquerda democr\u00e1tica, e expressa um projeto de \u00a0totalismo pol\u00edtico que \u00e9 assim\u00e9trico em rela\u00e7\u00e3o a projetos de poder pol\u00edtico de outros partidos, que \u00a0desejam t\u00e3o somente atuar na arena pol\u00edtica e&#8230; ganhar um dinheirinho.<\/p>\n<p>Bem, o que temos aqui \u00e9 nada menos que o &#8220;Pr\u00edncipe Moderno&#8221; de Gramsci; o &#8220;partido&#8221; como grande movimento de esquerda democr\u00e1tica, e n\u00e3o no sentido de &#8220;partido registrado&#8221;, \u00e9 o pr\u00edncipe que com autoridade supramoral (isso mesmo, ignorando as moralidades tradicionais a atuando com vistas ao poder absoluto) obt\u00e9m a hegemonia cultural e implementa a reengenharia da sociedade em toda a sua extens\u00e3o. &#8220;Hegemonia&#8221;, nesse projeto, \u00e9 algo muito mais profundo e extensivo do que a longevidade do PSDB no poder; envolve a politiza\u00e7\u00e3o e ocupa\u00e7\u00e3o (sequestro, eu diria) da sociedade civil como um todo (engajar a educa\u00e7\u00e3o, movimentos sociais, igrejas, m\u00eddia, imprensa, etc).<\/p>\n<p>Seria isso motivo de preocupa\u00e7\u00e3o, se a nossa sociedade \u00e9, afinal, t\u00e3o injusta, e se j\u00e1 estamos sob a hegemonia do capital? Penso que sim; n\u00e3o vejo porque lutar contra dois gigantes seria mais f\u00e1cil do que contra um s\u00f3. A n\u00e3o ser que voc\u00ea considere um deles bom. N\u00e3o \u00e9 o meu caso.<\/p>\n<p>Gramsci descreveu o marxismo como &#8220;o historicismo absoluto&#8221;. O historicismo \u00e9 essa ideologia (cujas origens remontam a Giambattista Vico) que absolutiza \u00a0o processo hist\u00f3rico, e que considera todas as estruturas da sociedade \u00a0e da cultura como produtos da a\u00e7\u00e3o inventiva do homem. Nessa perspectiva a estrutura social \u00e9 vista como o resultado do processo hist\u00f3rico, carecendo de qualquer &#8220;base natural&#8221;, &#8220;lei natural divina&#8221; ou &#8220;ordem criacional&#8221;. Parece uma boa forma de desnaturalizar as injusti\u00e7as sociais; o problema \u00e9 que al\u00e9m de se fundar em uma dicotomia irracional entre base natural e cria\u00e7\u00e3o cultural, \u00e9 incompat\u00edvel com toda a vis\u00e3o crist\u00e3 da Cria\u00e7\u00e3o como o resultado da lei e da palavra divina.<\/p>\n<p>Os crist\u00e3os acreditam que Deus, por exemplo, estabeleceu a fam\u00edlia (por quais meios, n\u00e3o vem ao caso). E ela tem uma ordem dada. Mas para um historicista isso \u00e9 imposs\u00edvel. A fam\u00edlia como a conhecemos \u00e9 t\u00e3o somente um produto hist\u00f3rico, e o avan\u00e7o hist\u00f3rico implica sua muta\u00e7\u00e3o permanente. Se voc\u00ea se op\u00f5e ao processo hist\u00f3rico, cuja l\u00f3gica &#8220;n\u00f3s&#8221; (os materialistas hist\u00f3ricos&#8230; os hegelianos e os historicistas em geral) j\u00e1 \u00a0antecipamos, ent\u00e3o \u00a0voc\u00ea \u00e9&#8230; <em>reacion\u00e1rio<\/em>.<\/p>\n<p>De um ponto de vist\u00e3o Crist\u00e3o faz todo sentido imaginar que a historicidade seja uma dimens\u00e3o da cultura, mas n\u00e3o toda ela, e que a mudan\u00e7a progressiva da sociedade n\u00e3o implica em progressismo, nem em &#8220;revolu\u00e7\u00e3o cultural&#8221;. Afinal h\u00e1 coisas na cultura que s\u00e3o divinas e estruturais, em todos os campos da vida: fam\u00edlia, arte, sociedade, economia, ci\u00eancia, justi\u00e7a; e essas coisas tem de ser <em>discernidas e preservadas<\/em>, e n\u00e3o &#8220;revolucionadas&#8221; indiscriminadamente.<\/p>\n<p>&#8220;Mas isso n\u00e3o naturaliza a injusti\u00e7a&#8221;? N\u00e3o necessariamente. Pois tudo o que empobrece qualquer campo da vida precisa sim ser corrigido, e quem reconhece a realidade da Queda n\u00e3o negar\u00e1 isso. \u00c0s vezes at\u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria, para destravar o processo hist\u00f3rico. Mas a &#8220;revolu\u00e7\u00e3o total&#8221;, a absor\u00e7\u00e3o de todas as normas, institui\u00e7\u00f5es, valores e sistemas da cultura em um processo de ascens\u00e3o rumo ao &#8220;para\u00edso&#8221; humanista \u00e9 uma nega\u00e7\u00e3o da bondade da Cria\u00e7\u00e3o e da pecaminosidade humana.<\/p>\n<p>E porque temer a acusa\u00e7\u00e3o de &#8220;ingenuidade&#8221; e &#8220;naturaliza\u00e7\u00e3o&#8221;? O humanismo secular n\u00e3o tem nem mesmo uma pista sobre como correlacionar bem natureza e cultura, desde que decidiu &#8220;desnaturalizar&#8221; a ordem social para se livrar da vis\u00e3o Crist\u00e3 de sociedade! Quem tem feito isso melhor \u00e9 a turma do di\u00e1logo entre ci\u00eancia e religi\u00e3o &#8211; com a qual a esquerda iluminada n\u00e3o quer conversa.<\/p>\n<p>O problema do projeto petista n\u00e3o reside em sua luta para erradicar a pobreza e para aumentar a participa\u00e7\u00e3o popular na democracia brasileira. A &#8220;revolu\u00e7\u00e3o cultural&#8221; que as esquerdas seculares desejam \u00e9 muito mais do que isso, envolvendo <em>uma laiciza\u00e7\u00e3o completa da exist\u00eancia<\/em> (e n\u00e3o s\u00f3 do &#8220;estado&#8221;), como o pr\u00f3prio Gramsci pregou. O capitalismo faz isso? Sem d\u00favida. Marx est\u00e1 certo quando atribui ao Capitalismo um car\u00e1ter intrinsecamente revolucion\u00e1rio; o capitalismo de consumo ou de &#8220;hiperconsumo&#8221; (Lipovetski) \u00e9 escravo da ideologia do progresso e alimenta a cosmovis\u00e3o historicista. Isso justifica a revolu\u00e7\u00e3o conscientemente historicista pregada pela esquerda, pilotada por uma hegemonia do &#8220;partido-estado&#8221;? N\u00e3o sei como. Essa aula de l\u00f3gica eu cabulei.<\/p>\n<p>N\u00e3o me considero injusto nem descaridoso ao considerar o historicismo uma forma idol\u00e1trica de &#8220;culto ao processo hist\u00f3rico&#8221;, pois a idolatria \u00e9 isso: adorar as coisas que o homem faz. O historicismo conservador estava por tr\u00e1s do fascismo; o historicismo de esquerda, do marxismo-leninismo; o historicismo, associado ao nacionalismo, deu muni\u00e7\u00e3o \u00e0 ideologia do Apartheid. N\u00e3o \u00e9 flor que se cheire! Herman Dooyeweerd descreve a emerg\u00eancia desse \u00eddolo moderno em &#8220;No Crep\u00fasculo do Pensamento Ocidental&#8221;, que eu e o Rodolfo traduzimos. Vale conferir <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/conteudo\/no-crepusculo-do-pensamento-ocidental\" target=\"_blank\">(veja AQUI uma resenha publicada na Ultimato).<\/a><\/p>\n<p>N\u00e3o estou, naturalmente, acusando todo eleitor de esquerda de ser id\u00f3latra &#8211; e muito menos, inocentando o eleitor de direita. Estou, sim, acusando o projeto atual; a ideologia da esquerda latinoamericana. Quanto ao eleitor &#8211; e ao leitor &#8211; depende; depende de seu centro identit\u00e1rio. Se a posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica o define no \u00e2mago do ser, e se o seu compromisso com a revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 incondicional e relativiza todos os outros compromissos (inclusive com a Igreja e com a confiss\u00e3o de f\u00e9); se faz todo sentido para voc\u00ea uma leitura <em>historicista<\/em> do mundo e da vida, fazendo o cristianismo cl\u00e1ssico parecer a voc\u00ea algo tolo e dogm\u00e1tico, ent\u00e3o&#8230; penso que voc\u00ea deveria considerar seriamente essa possibilidade.<\/p>\n<p>Quanto aos\u00a0deuses pag\u00e3os, eles andam em bando. No caso dos projetos <em>petista<\/em> e, mais claramente, <em>psolista<\/em>, uma divindade menor serve \u00e0 maior: o estado serve ao processo hist\u00f3rico. \u00c9 seu arauto. O estado deve ser ampliado para que a revolu\u00e7\u00e3o cultural se complete; e ele \u00e9 ampliado, neste momento, pela coloniza\u00e7\u00e3o \u00a0pol\u00edtica da sociedade civil. Assim se constitui o &#8220;pr\u00edncipe moderno&#8221;. O problema \u00e9 que o pr\u00edncipe moderno \u00e9 um centro absoluto (ainda que n\u00e3o absolutista) para a sociedade como um todo. Mas para o Crist\u00e3o a sociedade como um todo n\u00e3o pode ter um outro centro, que n\u00e3o Jesus Cristo. <em>A converg\u00eancia do todo social em torno do &#8220;pr\u00edncipe moderno&#8221; \u00e9 incompat\u00edvel com a converg\u00eancia de todas as coisas em torno de Cristo<\/em>.<\/p>\n<blockquote><p>A converg\u00eancia do todo social em torno do &#8220;pr\u00edncipe moderno&#8221; \u00e9 incompat\u00edvel com a converg\u00eancia de todas as coisas em torno de Cristo.<\/p><\/blockquote>\n<p>Da\u00ed eu ter ressuscitado um texto anterior, &#8220;A Vis\u00e3o Crist\u00e3 do Estado&#8221;, a partir da leitura de um texto<em> introdut\u00f3rio<\/em> de pol\u00edtica. \u00c9 que considero o projeto do &#8220;Pr\u00edncipe Moderno&#8221; intrinsecamente incompat\u00edvel com uma vis\u00e3o do Estado que seja compat\u00edvel com o Cristianismo. O tom \u00e9 forte, em raz\u00e3o do momento; escrevi a uns anos atr\u00e1s, no calor de um debate. Embora deixe muitas quest\u00f5es em aberto (v\u00e1rias <a href=\"http:\/\/www.vidanova.com.br\/produtos.asp?codigo=783\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-963\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/files\/2014\/11\/estado_e_soberania_g.jpg\" alt=\"estado_e_soberania_g\" width=\"113\" height=\"158\" \/><\/a>al\u00e9m da minha compet\u00eancia), acho que \u00e9 \u00fatil para levantar a peteca; mas se voc\u00ea deseja algo realmente\u00a0rigoroso, por um especialista (e n\u00e3o por este pastor intrometido), recomendo fortemente a leitura de um livro do qual\u00a0a Associa\u00e7\u00e3o Kuyper de BH promoveu a publica\u00e7\u00e3o: <a href=\"http:\/\/www.vidanova.com.br\/produtos.asp?codigo=783\" target=\"_blank\">&#8220;Estado e Soberania&#8221;, de Herman Dooyeweerd<\/a>. Muito embora esse tamb\u00e9m seja uma exposi\u00e7\u00e3o apenas introdut\u00f3ria de sua teoria social.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p><strong>A VIS\u00c3O CRIST\u00c3 DO ESTADO<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cAi dos que descem ao Egito em busca de socorro e se estribam em cavalos; que confiam em carros, porque s\u00e3o muitos, e em cavaleiros, porque s\u00e3o mui fortes, mas n\u00e3o atentam para o Santo de Israel, nem buscam ao SENHOR! Pois os eg\u00edpcios s\u00e3o homens e n\u00e3o deuses; os seus cavalos, carne e n\u00e3o esp\u00edrito. Quando o SENHOR estender a m\u00e3o, cair\u00e3o por terra tanto o auxiliador como o ajudado, e ambos juntamente ser\u00e3o consumidos.\u201d (Is 31.1,3)<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 uma perspectiva crist\u00e3 do Estado? H\u00e1 quem pense que o cristianismo n\u00e3o tem nada que ver com Estado &#8211; nem com pol\u00edtica; que a religi\u00e3o n\u00e3o tem nada a ver com pol\u00edtica. N\u00e3o no sentido de que a religi\u00e3o n\u00e3o se mescle com a pol\u00edtica, pois isso sim, acontece sempre, mas no sentido de que a religi\u00e3o n\u00e3o deveria se misturar com a pol\u00edtica nem se intrometer em coisas de Estado. Alguns mais radicais sustentam, inclusive, que a verdadeira pol\u00edtica \u00e9 incompat\u00edvel com a religi\u00e3o.<\/p>\n<p>As raz\u00f5es para isso variam; uns pensam que a pol\u00edtica poderia macular a pureza da religi\u00e3o; outros entendem que a religi\u00e3o \u00e9 irracional e corrompe a racionalidade da boa pol\u00edtica. De um jeito ou de outro, os dois lados podem at\u00e9 chegar a uma esp\u00e9cie de cessar fogo pragm\u00e1tico: \u201ccada um no seu quadrado\u201d. Na igreja Deus \u00e9 Jesus; na c\u00e2mara, \u00e9 o Estado.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 quem realmente tome essa solu\u00e7\u00e3o pragm\u00e1tica como princ\u00edpio teol\u00f3gico\/ideol\u00f3gico \u2013 que Jesus nos leva para o c\u00e9u, e o Estado cuida de n\u00f3s aqui na terra. Portanto o bom crist\u00e3o deveria ver em um projeto de Estado secular a cura para as mazelas da sociedade.<\/p>\n<p>Mas ser\u00e1 isso poss\u00edvel? Que inten\u00e7\u00f5es t\u00eam o Estado moderno ao propor (ou impor) essa solu\u00e7\u00e3o \u00e0 religi\u00e3o? \u00c9 poss\u00edvel identificar a pol\u00edtica crist\u00e3 com uma aceita\u00e7\u00e3o tranquila dessa ordem de coisas?<\/p>\n<p><strong>A pol\u00edtica secular: religi\u00e3o em c\u00e1rcere privado<\/strong><br \/>\nTomemos como refer\u00eancia aqui, um fil\u00f3sofo contempor\u00e2neo; um franc\u00eas, (previsivelmente): Christian Delacampagne. N\u00e3o porque ele seja muito importante no campo (n\u00e3o \u00e9), mas porque representa bem o tipo de mentalidade que pretendemos p\u00f4r em quest\u00e3o. Podemos nos sentir gratos pela sua formula\u00e7\u00e3o sucinta e clara do problema: \u201ccomo o religioso, na sua ambi\u00e7\u00e3o de constituir o \u2018la\u00e7o\u2019 social por excel\u00eancia (esse \u00e9 o sentido do latim \u201creligio\u201d), pode coexistir com o pol\u00edtico, cuja ambi\u00e7\u00e3o \u00e9 an\u00e1loga?\u201d<sup>1<\/sup><\/p>\n<p>Delacampagne tenta lidar seriamente com o problema, perguntando se o poder pol\u00edtico \u201cdeve\u201d, e se \u201cpode\u201d se separar do poder religioso. A sua resposta \u00e0 primeira quest\u00e3o \u00e9 que ele deve se livrar da tutela religiosa, por uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia. Porque, segundo ele, a democracia depende, para funcionar, de uma abordagem pragm\u00e1tica das quest\u00f5es; um partido, por exemplo, deve representar os interesses de certo grupo, n\u00e3o uma verdade absoluta, que deva ser imposta a todos. A pol\u00edtica seria um jogo, cujas regras excluem a universalidade, mas a religi\u00e3o, por sua natureza, n\u00e3o pode respeitar essas regras. Ela atua a partir de absolutos, n\u00e3o de considera\u00e7\u00f5es meramente pragm\u00e1ticas. Com efeito, \u201cNa medida em que considera o pluralismo desej\u00e1vel, como deve fazer se quiser ser democr\u00e1tico, o poder pol\u00edtico deve opor-se \u00e0 simples ideia de \u2018partido religioso\u2019, isto \u00e9 \u2013 pois todas as religi\u00f5es tendem a formar partidos desse g\u00eanero \u2013 opor-se \u00e0 religi\u00e3o em geral.<sup>2<\/sup>\u201d<\/p>\n<p>Mas pode, a pol\u00edtica, separar-se da religi\u00e3o? Sim, desde que ela delimite com clareza as duas esferas. Para o fil\u00f3sofo, temos uma esfera \u201cprivada\u201d e uma esfera \u201cp\u00fablica\u201d, que ele define como \u201csociedade civil\u201d ou Estado. O caminho, seguido pelo ocidente, foi o de \u201cdar a extens\u00e3o mais vasta poss\u00edvel \u00e0 esfera \u2018p\u00fablica\u2019 (incluindo progressivamente nela a maioria das atividades sociais, de maneira a subtra\u00ed-las \u00e0 influ\u00eancia da religi\u00e3o).\u201d<sup>3<\/sup> O homem seria perfeitamente capaz de atingir a \u201cvirtude c\u00edvica\u201d necess\u00e1ria para manter todo o espa\u00e7o p\u00fablico funcionando bem, sem o aux\u00edlio da religi\u00e3o, que seria mantida na esfera da consci\u00eancia individual.<\/p>\n<p>E desde que a religi\u00e3o traz, dentro de si, a tend\u00eancia de lutar para recuperar a sua \u201cess\u00eancia\u201d, ou \u201cfundamento\u201d, \u00e9 imperativo que ela seja mantida em seu devido lugar; do contr\u00e1rio, o fen\u00f4meno universal e peri\u00f3dico do fundamentalismo amea\u00e7ar\u00e1 a pr\u00f3pria base do Estado Moderno, que seria, para Delacampagne, nada menos que \u201cuma verdadeira separa\u00e7\u00e3o entre o pol\u00edtico e o religioso\u201d.<sup>4<\/sup> Contra essas amea\u00e7as, ele enuncia seu \u201cprinc\u00edpio regulador\u201d: \u201c[&#8230;] que a toler\u00e2ncia mais ampla poss\u00edvel seja dada a todas as confiss\u00f5es \u2013 desde que nenhuma delas seja autorizada a intrometer-se no funcionamento das atividades sociais. Em resumo, desde que o Estado continue sendo a \u00fanica inst\u00e2ncia capaz de determinar aquilo que, no interior do espa\u00e7o p\u00fablico, \u00e9 ou n\u00e3o leg\u00edtimo.<sup>5<\/sup>\u201d<\/p>\n<p>O programa deste fil\u00f3sofo franc\u00eas \u00e9 claro como o meio-dia: a repress\u00e3o da express\u00e3o p\u00fablica da religi\u00e3o, e a garantia de sua manuten\u00e7\u00e3o na esfera privada, ou no c\u00e1rcere privado, para sermos claros tamb\u00e9m. Mantendo esse \u201cmonstro\u201d no c\u00e1rcere, veremos a liberdade e a pol\u00edtica florescerem na esfera p\u00fablica&#8230;<\/p>\n<p><strong>Contra a idolatria pol\u00edtica<\/strong><br \/>\nSomente a admiss\u00e3o t\u00e1cita de certa concep\u00e7\u00e3o totalista de Estado pode fazer algu\u00e9m ler as palavras de Delacampagne sem perceber que h\u00e1 algo muito problem\u00e1tico em seu argumento. O fil\u00f3sofo sup\u00f5e, em toda a discuss\u00e3o, uma continuidade sem saltos (quase uma identidade) entre \u201cesfera p\u00fablica\u201d e \u201cEstado\u201d, \u201csociedade civil\u201d e \u201cEstado\u201d, o que \u00e9 perfeitamente\u00a0falso. O p\u00fablico, e o civil, n\u00e3o \u00e9 o mesmo que \u201co pol\u00edtico\u201d. H\u00e1 uma diversidade de esferas al\u00e9m da esfera \u201cprivada\u201d e da esfera \u201cpol\u00edtica\u201d: h\u00e1 a moralidade, a arte, a economia, a ci\u00eancia e as rela\u00e7\u00f5es de sangue. Essas esferas comp\u00f5em o todo da vida social, mas s\u00e3o anteriores ao Estado, e n\u00e3o devem sua l\u00f3gica interna ao Estado. A pol\u00edtica e o Estado t\u00eam responsabilidade por apenas uma dimens\u00e3o da vida p\u00fablica, que \u00e9 a da justi\u00e7a. A dimens\u00e3o da arte, por exemplo, \u00e9 responsabilidade dos artistas e apreciadores da arte, e n\u00e3o do Estado.<\/p>\n<p>Mas, como Delacampagne observou, o Estado Moderno se constituiu por meio de uma expans\u00e3o na qual reprimiu a influ\u00eancia religiosa \u201cda maioria das atividades sociais\u201d, por meio do controle de cada uma delas, para garantir a sua \u201claicidade\u201d e eliminar nelas os absolutos religiosos.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que tudo isso j\u00e1 estava embutido na primeira pergunta do autor: quem produz o la\u00e7o social, por excel\u00eancia? Pode a religi\u00e3o e a pol\u00edtica conviverem, se tem a mesma ambi\u00e7\u00e3o? Uma pergunta deliciosamente reveladora, ao p\u00f4r diante de n\u00f3s a fant\u00e1stica pretens\u00e3o do Estado Moderno de se constituir no la\u00e7o social por excel\u00eancia, tragando as formas mais antigas de associa\u00e7\u00e3o humana em seu divino est\u00f4mago.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o h\u00e1, acima de qualquer d\u00favida, um conflito entre a pol\u00edtica e a religi\u00e3o! H\u00e1, na medida em que a pol\u00edtica deseja ser, ela mesma, a religi\u00e3o. O Estado Rousseauniano de Delacampagne, totalista e vigilante, cioso de sua secularidade, absoluta e indivisivelmente soberano, n\u00e3o passa de uma divindade concorrente com o Te\u00edsmo. A pol\u00edtica laica de Delacampagne \u00e9 mais uma das express\u00f5es da religi\u00e3o do humanismo secular, que pretende controlar cientificamente o homem, para garantir a sua liberdade \u2013 mesmo que, para tanto, tenha que torn\u00e1-lo seu escravo.<\/p>\n<p>A responsabilidade atribu\u00edda por Delacampagne ao Estado, de determinar sozinho o que \u00e9 leg\u00edtimo no espa\u00e7o p\u00fablico, \u00e9 absolutamente inaceit\u00e1vel. Dever\u00e1 o Estado decidir qual o m\u00e9todo cient\u00edfico leg\u00edtimo? E o que \u00e9 arte? E qual a melhor \u00e9tica sexual? Ou o que \u00e9 e o que n\u00e3o \u00e9 prejudicial \u00e0 fam\u00edlia? Ou se, afinal, precisamos de fam\u00edlias? Pode-se, naturalmente, objetar que o termo \u201cp\u00fablico\u201d, aqui, tem sentido restrito. Talvez, na mente do autor; mas n\u00e3o em seu argumento. De todo modo, o ponto \u00e9 que o Estado, e a pol\u00edtica, tem uma esfera pr\u00f3pria, que \u00e9 a esfera da justi\u00e7a. Compete ao Estado a justi\u00e7a p\u00fablica, e o que for estritamente necess\u00e1rio \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o dessa justi\u00e7a; e cabe \u00e0 pol\u00edtica a luta por sua representa\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o adequada.<\/p>\n<p>Essa forma de pensamento estatista me faz lembrar da saga fant\u00e1stica \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d, de Tolkien. A maldi\u00e7\u00e3o da Terra M\u00e9dia estava na exist\u00eancia do um anel, que concentrava todo o poder. Os te\u00f3ricos do Estado absoluto parecem n\u00e3o perceber \u2013 e isso fica maravilhosamente claro nas especula\u00e7\u00f5es de Delacampagne \u2013 que a religi\u00e3o, ironicamente, \u00e9 uma indispens\u00e1vel salvaguarda \u00e0 liberdade dos indiv\u00edduos e das diferentes esferas da sociedade, na medida em que fere Leviat\u00e3 no pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o, desmascarando as pretens\u00f5es teol\u00f3gicas do Estado de instaurar-se como Deus e Senhor da sociedade.<\/p>\n<p>Uma pol\u00edtica crist\u00e3 existe, assim, tendo obriga\u00e7\u00f5es para com Deus e para com o homem. Para com Deus, \u00e9 seu dever combater a idolatria pol\u00edtica. Li, em certa ocasi\u00e3o, a declara\u00e7\u00e3o de um grupo de crist\u00e3os (do \u201cMEP\u201d \u2013 Movimento Evang\u00e9lico Progressista), para os quais \u201ca vis\u00e3o crist\u00e3 do Estado \u00e9 de que o Estado n\u00e3o deve ser crist\u00e3o\u201d. Um princ\u00edpio importante, embora excessivamente concordista com a modernidade. Adverte muito bem contra a forma errada de interagir com o Estado, mas nada diz sobre a forma justa. Tornou-se assim politicamente corret\u00edssimo.<\/p>\n<p>Parodiando essa declara\u00e7\u00e3o, no entanto, eu diria que <em>a vis\u00e3o crist\u00e3 do Estado \u00e9, antes de tudo, que o Estado n\u00e3o deve ser Deus<\/em>. A tarefa teol\u00f3gica da pol\u00edtica crist\u00e3 \u00e9 a luta contra a idolatria pol\u00edtica; \u00e9 a luta pela reforma do Estado, para que ele se veja redimido de sua fome totalista, e se dedique \u00e0 sua tarefa divinamente ordenada, respeitando a soberania das outras esferas da sociedade.<\/p>\n<blockquote><p><em>a vis\u00e3o crist\u00e3 do Estado \u00e9, antes de tudo, que o Estado n\u00e3o deve ser Deus<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Sem d\u00favida, isso n\u00e3o diz tudo sobre a vis\u00e3o crist\u00e3 do Estado. <em>A igreja tem uma tarefa teol\u00f3gica, de combater a idolatria pol\u00edtica, mas tamb\u00e9m uma tarefa antropol\u00f3gica, de promover a justi\u00e7a pol\u00edtica<\/em>; isso significa que uma pol\u00edtica crist\u00e3 precisa, sem d\u00favida nenhuma, convocar\u00a0o Estado \u00e0\u00a0pr\u00e1tica da justi\u00e7a. Mas ela n\u00e3o poder\u00e1 realizar essa tarefa se colocar os carros na frente dos bois: cumprir a segunda t\u00e1bua da Lei, deixando de lado a primeira. N\u00e3o: combata-se a idolatria, e ent\u00e3o seguir-se-\u00e1 a justi\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>O Brasil: um pa\u00eds Politicamente id\u00f3latra<\/strong><br \/>\nNo universo verde-e-amarelo florescem as condi\u00e7\u00f5es adequadas a um Estado tir\u00e2nico. Em 2002 ou 2003, eu tive a oportunidade de assistir a uma entrevista sobre a atitude pol\u00edtica brasileira, veiculada pela Globo, do famoso antrop\u00f3logo brasileiro Roberto da Matta, que \u00e0 \u00e9poca j\u00e1 estava trabalhando como professor na universidade de Notre Dame, em Indiana. Da Matta, talvez sob o impacto da mudan\u00e7a cultural, fez uma breve compara\u00e7\u00e3o entre os norte-americanos e os brasileiros. Segundo ele, h\u00e1 uma n\u00edtida diferen\u00e7a de postura entre os dois povos; os americanos n\u00e3o constroem suas esperan\u00e7as sobre o Estado; a sociedade civil \u00e9 fort\u00edssima, no sentido de que as pessoas se organizam de modo volunt\u00e1rio e quase autom\u00e1tico para resolver seus problemas. O brasileiro, em contrapartida, raciocina em termos paternalistas, esperando que um \u201cpoder superior\u201d solucione suas dificuldades sem que ele precise agir diretamente. Como exemplo, ele apontou a tem\u00e1tica de certa escola de samba (j\u00e1 n\u00e3o me lembro qual), no carnaval daquele ano. O desfile inteiro apresentou as mazelas sociais do Brasil, denunciando a pobreza, a corrup\u00e7\u00e3o, etc; ao final, o \u00faltimo carro aleg\u00f3rico trazia uma imagem enorme de Lula, de bra\u00e7os abertos, representando a esperan\u00e7a para o futuro.<\/p>\n<p>E, enquanto aguarda com expectativa a vinda do seu \u201cCristo Redentor\u201d pol\u00edtico, o brasileiro cruza os seus pr\u00f3prios bra\u00e7os. Quando algu\u00e9m toma uma atitude e organiza algum projeto social, as pessoas dizem \u2013 pessoas do governo, empres\u00e1rios e cidad\u00e3os comuns \u2013 que a sociedade civil est\u00e1 entrando onde o Estado n\u00e3o est\u00e1 cumprindo o seu papel \u2013 ora, ningu\u00e9m duvida de que o Estado Brasileiro n\u00e3o cumpre o seu papel, mas a tarefa de construir uma sociedade justa \u00e9 da pr\u00f3pria sociedade, n\u00e3o do Estado. O Estado \u00e9 uma ferramenta do povo, n\u00e3o seu Pai.<\/p>\n<p>Eu diria, bem ao contr\u00e1rio, que precisamos agir r\u00e1pido, tomar a frente e desenvolver projetos de transforma\u00e7\u00e3o em todas as \u00e1reas da vida brasileira, antes que o Estado tome o controle delas! Os crist\u00e3os precisam fazer isso, n\u00e3o s\u00f3 porque a soberania de Deus precisa encontrar express\u00e3o em cada esfera da vida brasileira, mas tamb\u00e9m por que somente assim a nossa obriga\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para com Deus ser\u00e1 cumprida: a obriga\u00e7\u00e3o de desmascarar a idolatria pol\u00edtica e combater as pretens\u00f5es teol\u00f3gicas do Estado.<\/p>\n<p><strong>Alugar os eg\u00edpcios?<\/strong><br \/>\nNoutro dia desses a Norma Braga escreveu um provocativo texto para a Ultimato, intitulado <a class=\"link\" href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/revista\/artigos\/323\/por-que-nao-sou-de-esquerda%20braga\" target=\"_blank\">Por que n\u00e3o sou de esquerda<\/a>. Gerou muitas respostas indignadas. Bem, eu discordo de muita coisa que a Norma costuma dizer em suas defesas do conservadorismo. As raz\u00f5es s\u00e3o compreens\u00edveis para quem j\u00e1 leu algo do que publicamos sobre cristianismo e sociedade aqui na Ultimato.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 um ponto em que a Norma est\u00e1 cert\u00edssima, e sei que vou exasperar meus amigos socialistas, do tipo que se sente atra\u00eddo de um jeito ou de outro pelos estatismos: sim, o Estado n\u00e3o \u00e9 o Messias. Sim, o capitalismo \u00e9 id\u00f3latra. N\u00e3o, n\u00e3o podemos alugar os eg\u00edpcios para nos livrar dos ass\u00edrios. Chamar o Estado para nos salvar do mercado tamb\u00e9m \u00e9 idolatria. Pura e simples idolatria.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que o Estado deve zelar pela justi\u00e7a p\u00fablica. \u00c9 claro que deve intervir quando o sistema econ\u00f4mico se torna injusto. Mas o Estado n\u00e3o deve deter em suas m\u00e3os o projeto nacional. Porque o Estado n\u00e3o \u00e9 o pa\u00eds; o Estado n\u00e3o \u00e9 a sociedade; sua soberania \u00e9 limitada e n\u00e3o vem do povo, mas de Deus. E o mais essencial na vis\u00e3o crist\u00e3 do Estado \u00e9 exatamente que o Estado n\u00e3o \u00e9 Deus, nem deve cobi\u00e7ar o seu trono.<\/p>\n<p>Vamos esperar em Jesus Cristo. E que ele nos salve dos ass\u00edrios, dos eg\u00edpcios e dos israelitas que confiam na cavalaria de Fara\u00f3.<\/p>\n<p><strong>Notas<\/strong><br \/>\n1. Delacampagne, Christian, A Filosofia Pol\u00edtica Hoje. Rio de Janeiro: Zahar, 2001, p. 31.<br \/>\n2. Ibid, p. 34.<br \/>\n3. Ibid, p. 35.<br \/>\n4. Ibid, p. 39.<br \/>\n5. Ibid, p. 41.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No \u00faltimo dia 03 de Novembro a comiss\u00e3o executiva do PT produziu uma resolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica sobre os rumos do partido a partir das elei\u00e7\u00f5es 2014. Observei, nas redes sociais, que ali se desenha uma radicaliza\u00e7\u00e3o da milit\u00e2ncia &#8220;sabendo que pouco tempo lhe resta&#8221; (ou muito, sob outro aspecto). Mas a radicaliza\u00e7\u00e3o na verdade \u00e9 um [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":23,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[7642],"tags":[11691,5874,11703],"class_list":["post-946","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sociedade","tag-etica-e-comportamento","tag-politica","tag-teologia-da-cultura","count-0","even alt","author-guilhermevrc","last"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/946","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/wp-json\/wp\/v2\/users\/23"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=946"}],"version-history":[{"count":21,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/946\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":969,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/946\/revisions\/969"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=946"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=946"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=946"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}