{"id":782,"date":"2013-05-14T12:48:27","date_gmt":"2013-05-14T15:48:27","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/?p=782"},"modified":"2013-06-14T12:50:24","modified_gmt":"2013-06-14T15:50:24","slug":"a-ideia-crista-do-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/2013\/05\/14\/a-ideia-crista-do-estado\/","title":{"rendered":"A Ideia Crist\u00e3 do Estado"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/image\/plataforma\/2010\/julho\/plat_07_07_politica.jpg\" width=\"145\" height=\"190\" align=\"right\" border=\"0\" \/><em>\u201cAi dos que descem ao Egito em busca de socorro e se estribam em cavalos; que confiam em carros, porque s\u00e3o muitos, e em cavaleiros, porque s\u00e3o mui fortes, mas n\u00e3o atentam para o Santo de Israel, nem buscam ao SENHOR! Pois os eg\u00edpcios s\u00e3o homens e n\u00e3o deuses; os seus cavalos, carne e n\u00e3o esp\u00edrito. Quando o SENHOR estender a m\u00e3o, cair\u00e3o por terra tanto o auxiliador como o ajudado, e ambos juntamente ser\u00e3o consumidos.\u201d (Is 31.1,3)<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 uma perspectiva crist\u00e3 do Estado? H\u00e1 quem pense que o cristianismo n\u00e3o tem nada que ver com Estado &#8211; nem com pol\u00edtica; que a religi\u00e3o n\u00e3o tem nada a ver com pol\u00edtica. N\u00e3o no sentido de que a religi\u00e3o n\u00e3o se mescle com a pol\u00edtica, pois isso sim, acontece sempre, mas no sentido de que a religi\u00e3o n\u00e3o deveria se misturar com a pol\u00edtica nem se intrometer em coisas de Estado. Alguns mais radicais sustentam, inclusive, que a verdadeira pol\u00edtica \u00e9 incompat\u00edvel com a religi\u00e3o. <!--more--><\/p>\n<p>As raz\u00f5es para isso variam; uns pensam que a pol\u00edtica poderia macular a pureza da religi\u00e3o; outros entendem que a religi\u00e3o \u00e9 irracional e corrompe a racionalidade da boa pol\u00edtica. De um jeito ou de outro, os dois lados podem at\u00e9 chegar a uma esp\u00e9cie de cessar fogo pragm\u00e1tico: \u201ccada um no seu quadrado\u201d. Na igreja Deus \u00e9 Jesus; na c\u00e2mara, \u00e9 o Estado.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 quem realmente tome essa solu\u00e7\u00e3o pragm\u00e1tica como princ\u00edpio teol\u00f3gico\/ideol\u00f3gico \u2013 que Jesus nos leva para o c\u00e9u, e o Estado cuida de n\u00f3s aqui na terra. Portanto o bom crist\u00e3o deveria ver em um projeto de Estado secular a cura para as mazelas da sociedade.<\/p>\n<p>Mas ser\u00e1 isso poss\u00edvel? Que inten\u00e7\u00f5es t\u00eam o Estado moderno ao propor (ou impor) essa solu\u00e7\u00e3o \u00e0 religi\u00e3o? \u00c9 poss\u00edvel identificar a pol\u00edtica crist\u00e3 com uma aceita\u00e7\u00e3o tranquila dessa ordem de coisas?<\/p>\n<p><strong>A pol\u00edtica secular: religi\u00e3o em c\u00e1rcere privado<\/strong><br \/>\nTomemos como refer\u00eancia aqui, um fil\u00f3sofo contempor\u00e2neo; um franc\u00eas, (previsivelmente): Christian Delacampagne. N\u00e3o porque ele seja muito importante no campo (n\u00e3o \u00e9), mas porque representa bem o tipo de mentalidade que pretendemos p\u00f4r em quest\u00e3o. Podemos nos sentir gratos pela sua formula\u00e7\u00e3o sucinta e clara do problema: \u201ccomo o religioso, na sua ambi\u00e7\u00e3o de constituir o \u2018la\u00e7o\u2019 social por excel\u00eancia (esse \u00e9 o sentido do latim \u201creligio\u201d), pode coexistir com o pol\u00edtico, cuja ambi\u00e7\u00e3o \u00e9 an\u00e1loga?\u201d<sup>1<\/sup><\/p>\n<p>Delacampagne tenta lidar seriamente com o problema, perguntando se o poder pol\u00edtico \u201cdeve\u201d, e se \u201cpode\u201d se separar do poder religioso. A sua resposta \u00e0 primeira quest\u00e3o \u00e9 que ele deve se livrar da tutela religiosa, por uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia. Porque, segundo ele, a democracia depende, para funcionar, de uma abordagem pragm\u00e1tica das quest\u00f5es; um partido, por exemplo, deve representar os interesses de certo grupo, n\u00e3o uma verdade absoluta, que deva ser imposta a todos. A pol\u00edtica seria um jogo, cujas regras excluem a universalidade, mas a religi\u00e3o, por sua natureza, n\u00e3o pode respeitar essas regras. Ela atua a partir de absolutos, n\u00e3o de considera\u00e7\u00f5es meramente pragm\u00e1ticas. Com efeito, \u201cNa medida em que considera o pluralismo desej\u00e1vel, como deve fazer se quiser ser democr\u00e1tico, o poder pol\u00edtico deve opor-se \u00e0 simples ideia de \u2018partido religioso\u2019, isto \u00e9 \u2013 pois todas as religi\u00f5es tendem a formar partidos desse g\u00eanero \u2013 opor-se \u00e0 religi\u00e3o em geral.<sup>2<\/sup>\u201d<\/p>\n<p>Mas pode, a pol\u00edtica, separar-se da religi\u00e3o? Sim, desde que ela delimite com clareza as duas esferas. Para o fil\u00f3sofo, temos uma esfera \u201cprivada\u201d e uma esfera \u201cp\u00fablica\u201d, que ele define como \u201csociedade civil\u201d ou Estado. O caminho, seguido pelo ocidente, foi o de \u201cdar a extens\u00e3o mais vasta poss\u00edvel \u00e0 esfera \u2018p\u00fablica\u2019 (incluindo progressivamente nela a maioria das atividades sociais, de maneira a subtra\u00ed-las \u00e0 influ\u00eancia da religi\u00e3o).\u201d<sup>3<\/sup> O homem seria perfeitamente capaz de atingir a \u201cvirtude c\u00edvica\u201d necess\u00e1ria para manter todo o espa\u00e7o p\u00fablico funcionando bem, sem o aux\u00edlio da religi\u00e3o, que seria mantida na esfera da consci\u00eancia individual.<\/p>\n<p>E desde que a religi\u00e3o traz, dentro de si, a tend\u00eancia de lutar para recuperar a sua \u201cess\u00eancia\u201d, ou \u201cfundamento\u201d, \u00e9 imperativo que ela seja mantida em seu devido lugar; do contr\u00e1rio, o fen\u00f4meno universal e peri\u00f3dico do fundamentalismo amea\u00e7ar\u00e1 a pr\u00f3pria base do Estado Moderno, que seria, para Delacampagne, nada menos que \u201cuma verdadeira separa\u00e7\u00e3o entre o pol\u00edtico e o religioso\u201d.<sup>4<\/sup> Contra essas amea\u00e7as, ele enuncia seu \u201cprinc\u00edpio regulador\u201d: \u201c[&#8230;] que a toler\u00e2ncia mais ampla poss\u00edvel seja dada a todas as confiss\u00f5es \u2013 desde que nenhuma delas seja autorizada a intrometer-se no funcionamento das atividades sociais. Em resumo, desde que o Estado continue sendo a \u00fanica inst\u00e2ncia capaz de determinar aquilo que, no interior do espa\u00e7o p\u00fablico, \u00e9 ou n\u00e3o leg\u00edtimo.<sup>5<\/sup>\u201d<\/p>\n<p>O programa deste fil\u00f3sofo franc\u00eas \u00e9 claro como o meio-dia: a repress\u00e3o da express\u00e3o p\u00fablica da religi\u00e3o, e a garantia de sua manuten\u00e7\u00e3o na esfera privada, ou no c\u00e1rcere privado, para sermos claros tamb\u00e9m. Mantendo esse \u201cmonstro\u201d no c\u00e1rcere, veremos a liberdade e a pol\u00edtica florescerem na esfera p\u00fablica&#8230;<\/p>\n<p><strong>Contra a idolatria pol\u00edtica<\/strong><br \/>\nSomente a admiss\u00e3o t\u00e1cita de certa concep\u00e7\u00e3o totalista de Estado pode fazer algu\u00e9m ler as palavras de Delacampagne sem perceber que h\u00e1 algo muito problem\u00e1tico em seu argumento. O fil\u00f3sofo sup\u00f5e, em toda a discuss\u00e3o, uma identidade entre \u201cesfera p\u00fablica\u201d e \u201cEstado\u201d, \u201csociedade civil\u201d e \u201cEstado\u201d, o que \u00e9 patentemente falso. O p\u00fablico, e o civil, n\u00e3o \u00e9 o mesmo que \u201co pol\u00edtico\u201d. H\u00e1 uma diversidade de esferas al\u00e9m da esfera \u201cprivada\u201d e da esfera \u201cpol\u00edtica\u201d: h\u00e1 a moralidade, a arte, a economia, a ci\u00eancia e as rela\u00e7\u00f5es de sangue. Essas esferas comp\u00f5em o todo da vida social, mas s\u00e3o anteriores ao Estado, e n\u00e3o devem sua l\u00f3gica interna ao Estado. A pol\u00edtica e o Estado t\u00eam responsabilidade por apenas uma dimens\u00e3o da vida p\u00fablica, que \u00e9 a da justi\u00e7a. A dimens\u00e3o da arte, por exemplo, \u00e9 responsabilidade dos artistas e apreciadores da arte, e n\u00e3o do Estado.<\/p>\n<p>Mas, como Delacampagne observou, o Estado Moderno se constituiu por meio de uma expans\u00e3o na qual reprimiu a influ\u00eancia religiosa \u201cda maioria das atividades sociais\u201d, por meio do controle de cada uma delas, para garantir a sua \u201claicidade\u201d e eliminar nelas os absolutos religiosos.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que tudo isso j\u00e1 estava embutido na primeira pergunta do autor: quem produz o la\u00e7o social, por excel\u00eancia? Pode a religi\u00e3o e a pol\u00edtica conviverem, se tem a mesma ambi\u00e7\u00e3o? Uma pergunta deliciosamente reveladora, ao p\u00f4r diante de n\u00f3s a fant\u00e1stica pretens\u00e3o do Estado Moderno de se constituir no la\u00e7o social por excel\u00eancia, tragando as formas mais antigas de associa\u00e7\u00e3o humana em seu divino est\u00f4mago.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o h\u00e1, acima de qualquer d\u00favida, um conflito entre a pol\u00edtica e a religi\u00e3o! H\u00e1, na medida em que a pol\u00edtica deseja ser, ela mesma, a religi\u00e3o. O Estado Rousseauniano de Delacampagne, totalista e vigilante, cioso de sua secularidade, absoluta e indivisivelmente soberano, n\u00e3o passa de uma divindade concorrente com o Te\u00edsmo. A pol\u00edtica laica de Delacampagne \u00e9 mais uma das express\u00f5es da religi\u00e3o do humanismo secular, que pretende controlar cientificamente o homem, para garantir a sua liberdade \u2013 mesmo que, para tanto, tenha que torn\u00e1-lo seu escravo.<\/p>\n<p>A responsabilidade atribu\u00edda por Delacampagne ao Estado, de determinar sozinho o que \u00e9 leg\u00edtimo no espa\u00e7o p\u00fablico, \u00e9 absolutamente rid\u00edcula. Dever\u00e1 o Estado decidir qual o m\u00e9todo cient\u00edfico leg\u00edtimo? E o que \u00e9 arte? E qual a melhor \u00e9tica sexual? Ou o que \u00e9 e o que n\u00e3o \u00e9 prejudicial \u00e0 fam\u00edlia? Ou se, afinal, precisamos de fam\u00edlias? Pode-se, naturalmente, objetar que o termo \u201cp\u00fablico\u201d, aqui, tem sentido restrito. Talvez, na mente do autor; mas n\u00e3o em seu argumento. De todo modo, o ponto \u00e9 que o Estado, e a pol\u00edtica, tem uma esfera pr\u00f3pria, que \u00e9 a esfera da justi\u00e7a. Compete ao Estado a justi\u00e7a p\u00fablica, e o que for estritamente necess\u00e1rio \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o dessa justi\u00e7a; e cabe \u00e0 pol\u00edtica a luta por sua representa\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o adequada.<\/p>\n<p>Essa forma de pensamento estatista me faz lembrar da saga fant\u00e1stica \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d, de Tolkien. A maldi\u00e7\u00e3o da Terra M\u00e9dia estava na exist\u00eancia do um anel, que concentrava todo o poder. Os te\u00f3ricos do Estado absoluto parecem n\u00e3o perceber \u2013 e isso fica maravilhosamente claro nas especula\u00e7\u00f5es de Delacampagne \u2013 que a religi\u00e3o, ironicamente, \u00e9 uma indispens\u00e1vel salvaguarda \u00e0 liberdade dos indiv\u00edduos e das diferentes esferas da sociedade, na medida em que fere Leviat\u00e3 no pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o, desmascarando as pretens\u00f5es teol\u00f3gicas do Estado de instaurar-se como Deus e Senhor da sociedade.<\/p>\n<p>Uma pol\u00edtica crist\u00e3 existe, assim, tendo obriga\u00e7\u00f5es para com Deus e para com o homem. Para com Deus, \u00e9 seu dever combater a idolatria pol\u00edtica. Li, em certa ocasi\u00e3o, a declara\u00e7\u00e3o de um grupo de crist\u00e3os (do \u201cMEP\u201d \u2013 Movimento Evang\u00e9lico Progressista), para os quais \u201ca vis\u00e3o crist\u00e3 do Estado \u00e9 de que o Estado n\u00e3o deve ser crist\u00e3o\u201d. Um princ\u00edpio importante, embora excessivamente concordista com a modernidade. Adverte muito bem contra a forma errada de interagir com o Estado, mas nada diz sobre a forma justa. Tornou-se assim politicamente corret\u00edssimo. Rousseau, Delacampagne, Dawkins e a ala anti-religiosa do PT diriam am\u00e9m (talvez at\u00e9 um \u201cgl\u00f3ria a Deus\u201d).<\/p>\n<p>Parodiando essa declara\u00e7\u00e3o, no entanto, eu diria que a vis\u00e3o crist\u00e3 do Estado \u00e9, antes de tudo, que o Estado n\u00e3o deve ser Deus. A tarefa teol\u00f3gica da pol\u00edtica crist\u00e3 \u00e9 a luta contra a idolatria pol\u00edtica; \u00e9 a luta pela reforma do Estado, para que ele se veja redimido de sua fome totalista, e se dedique \u00e0 sua tarefa divinamente ordenada, \u00e9 respeitando a soberania das outras esferas da sociedade.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, isso n\u00e3o diz tudo sobre a vis\u00e3o crist\u00e3 do Estado. A igreja tem uma tarefa teol\u00f3gica, de combater a idolatria pol\u00edtica, mas tamb\u00e9m uma tarefa antropol\u00f3gica, de promover a justi\u00e7a pol\u00edtica; isso significa que uma pol\u00edtica crist\u00e3 precisa, sem d\u00favida nenhuma, educar o Estado para a justi\u00e7a. Mas ela n\u00e3o poder\u00e1 realizar essa tarefa se colocar os carros na frente dos bois: cumprir a segunda t\u00e1bua da Lei, deixando de lado a primeira. N\u00e3o: combata-se a idolatria, e ent\u00e3o seguir-se-\u00e1 a justi\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>O Brasil: um pa\u00eds Politicamente id\u00f3latra<\/strong><br \/>\nNo universo verde-e-amarelo florescem as condi\u00e7\u00f5es adequadas a um Estado tir\u00e2nico. Em 2002 ou 2003, eu tive a oportunidade de assistir a uma entrevista sobre a atitude pol\u00edtica brasileira, veiculada pela Globo, do famoso antrop\u00f3logo brasileiro Roberto da Matta, que \u00e0 \u00e9poca j\u00e1 estava trabalhando como professor na universidade de Notre Dame, em Indiana. Da Matta, talvez sob o impacto da mudan\u00e7a cultural, fez uma breve compara\u00e7\u00e3o entre os norte-americanos e os brasileiros. Segundo ele, h\u00e1 uma n\u00edtida diferen\u00e7a de postura entre os dois povos; os americanos n\u00e3o constroem suas esperan\u00e7as sobre o Estado; a sociedade civil \u00e9 fort\u00edssima, no sentido de que as pessoas se organizam de modo volunt\u00e1rio e quase autom\u00e1tico para resolver seus problemas. O brasileiro, em contrapartida, raciocina em termos paternalistas, esperando que um \u201cpoder superior\u201d solucione suas dificuldades sem que ele precise agir diretamente. Como exemplo, ele apontou a tem\u00e1tica de certa escola de samba (j\u00e1 n\u00e3o me lembro qual), no carnaval daquele ano. O desfile inteiro apresentou as mazelas sociais do Brasil, denunciando a pobreza, a corrup\u00e7\u00e3o, etc; ao final, o \u00faltimo carro aleg\u00f3rico trazia uma imagem enorme de Lula, de bra\u00e7os abertos, representando a esperan\u00e7a para o futuro.<\/p>\n<p>E, enquanto aguarda com expectativa a vinda do seu \u201cCristo Redentor\u201d pol\u00edtico, o brasileiro cruza os seus pr\u00f3prios bra\u00e7os. Quando algu\u00e9m toma uma atitude e organiza algum projeto social, as pessoas dizem \u2013 pessoas do governo, empres\u00e1rios e cidad\u00e3os comuns \u2013 que a sociedade civil est\u00e1 entrando onde o Estado n\u00e3o est\u00e1 cumprindo o seu papel \u2013 ora, ningu\u00e9m duvida de que o Estado Brasileiro n\u00e3o cumpre o seu papel, mas a tarefa de construir uma sociedade justa \u00e9 da pr\u00f3pria sociedade, n\u00e3o do Estado. O Estado \u00e9 uma ferramenta do povo, n\u00e3o seu Pai.<\/p>\n<p>Eu diria, bem ao contr\u00e1rio, que precisamos agir r\u00e1pido, tomar a frente e desenvolver projetos de transforma\u00e7\u00e3o em todas as \u00e1reas da vida brasileira, antes que o Estado tome o controle delas! Os crist\u00e3os precisam fazer isso, n\u00e3o s\u00f3 porque a soberania de Deus precisa encontrar express\u00e3o em cada esfera da vida brasileira, mas tamb\u00e9m por que somente assim a nossa obriga\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para com Deus ser\u00e1 cumprida: a obriga\u00e7\u00e3o de desmascarar a idolatria pol\u00edtica e combater as pretens\u00f5es teol\u00f3gicas do Estado.<\/p>\n<p><strong>Alugar os eg\u00edpcios?<\/strong><br \/>\nNoutro dia desses a Norma Braga escreveu um provocativo texto para a Ultimato, intitulado <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/revista\/artigos\/323\/por-que-nao-sou-de-esquerda%20braga\" target=\"_blank\">Por que n\u00e3o sou de esquerda<\/a>. Gerou muitas respostas indignadas. Bem, eu discordo de muita coisa que a Norma costuma dizer em suas defesas do conservadorismo. As raz\u00f5es s\u00e3o compreens\u00edveis para quem j\u00e1 leu algo do que publicamos sobre cristianismo e sociedade aqui na Ultimato.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 um ponto em que a Norma est\u00e1 cert\u00edssima, e sei que vou exasperar meus amigos socialistas, do tipo que se sente atra\u00eddo de um jeito ou de outro por ideais Rousseaunianos: sim, o Estado n\u00e3o \u00e9 o Messias. Sim, o capitalismo \u00e9 id\u00f3latra. N\u00e3o, n\u00e3o podemos alugar os eg\u00edpcios para nos livrar dos ass\u00edrios. Chamar o Estado para nos salvar do mercado tamb\u00e9m \u00e9 idolatria. Pura e simples idolatria.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que o Estado deve zelar pela justi\u00e7a p\u00fablica. \u00c9 claro que deve intervir quando o sistema econ\u00f4mico se torna injusto. Mas o Estado n\u00e3o deve deter em suas m\u00e3os o projeto nacional. Porque o Estado n\u00e3o \u00e9 o pa\u00eds; o Estado n\u00e3o \u00e9 a sociedade; sua soberania \u00e9 limitada e n\u00e3o vem do povo, mas de Deus. E o mais essencial na vis\u00e3o crist\u00e3 do Estado \u00e9 exatamente que o Estado n\u00e3o \u00e9 Deus, nem deve cobi\u00e7ar o seu trono.<\/p>\n<p>Vamos esperar em Jesus Cristo. E que ele nos salve dos ass\u00edrios, dos eg\u00edpcios e dos israelitas que confiam na cavalaria de Fara\u00f3.<\/p>\n<p><strong>Notas<\/strong><br \/>\n1. Delacampagne, Christian, A Filosofia Pol\u00edtica Hoje. Rio de Janeiro: Zahar, 2001, p. 31.<br \/>\n2. Ibid, p. 34.<br \/>\n3. Ibid, p. 35.<br \/>\n4. Ibid, p. 39.<br \/>\n5. Ibid, p. 41.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cAi dos que descem ao Egito em busca de socorro e se estribam em cavalos; que confiam em carros, porque s\u00e3o muitos, e em cavaleiros, porque s\u00e3o mui fortes, mas n\u00e3o atentam para o Santo de Israel, nem buscam ao SENHOR! 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