{"id":161,"date":"2012-02-08T16:28:48","date_gmt":"2012-02-08T19:28:48","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/?p=161"},"modified":"2012-08-19T22:27:16","modified_gmt":"2012-08-20T01:27:16","slug":"francis-schaeffer-para-o-seculo-21","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/2012\/02\/08\/francis-schaeffer-para-o-seculo-21\/","title":{"rendered":"Francis Schaeffer para o S\u00e9culo 21"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/files\/2012\/02\/FAS-III-pic-1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-163\" title=\"FAS (III) pic 1\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/files\/2012\/02\/FAS-III-pic-1-300x196.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"196\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/files\/2012\/02\/FAS-III-pic-1-300x196.png 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/files\/2012\/02\/FAS-III-pic-1-150x98.png 150w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/files\/2012\/02\/FAS-III-pic-1.png 320w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Na semana passada um dos mais importantes personagens evang\u00e9licos do s\u00e9culo XX fez o seu anivers\u00e1rio de cem anos: <em>Francis August Schaeffer.<\/em> Nascido em 30 de Janeiro de 1912 em Germantown, Pennsylvania, num lar completamente secularizado, Schaeffer viria a exemplificar uma esp\u00e9cie nova e, para muitos, incompreens\u00edvel de viv\u00eancia da f\u00e9 evang\u00e9lica, tornando-se o &#8220;ap\u00f3stolo dos intelectuais&#8221;, como foi descrito pela revista <em>Times <\/em>em 11 de Janeiro de 1960, e para muitos um profeta para o cristianismo do s\u00e9culo 21.<!--more--><\/p>\n<p>Haveria muito o que dizer sobre Francis Schaeffer e o impacto de sua obra hoje, e eu at\u00e9 pretendo faz\u00ea-lo em algum momento, mas vamos nos limitar dessa vez a uma pergunta sobre a sua relev\u00e2ncia. Schaeffer \u00e9, realmente, atual? Vale a pena ouvir de novo sua voz no mundo contempor\u00e2neo e no Brasil de hoje?<\/p>\n<p>Essa pergunta tem sido feita frequentemente por estudantes aqui em L&#8217;Abri, e acabei descobrindo que em boa parte das vezes ela n\u00e3o vem da cabe\u00e7a dos pr\u00f3prios estudantes &#8211; que via de regra, sentem-se muit\u00edssimo ajudados por Schaeffer. Na verdade o que acontece \u00e9 que eles leem Schaeffer mas ao cit\u00e1-lo s\u00e3o &#8220;informados&#8221; por alguns l\u00edderes mais antigos que Schaeffer teria sido &#8220;passado&#8221; &#8211; o que parece ser realmente uma situa\u00e7\u00e3o muito ir\u00f4nica: os novos considerando Schaeffer &#8220;atual&#8221;, e os antigos o considerando &#8220;ultrapassado&#8221;.<br \/>\n<strong><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Schaeffer Ultrapassado?<\/strong><\/p>\n<p>Estou com os que consideram Schaeffer crucial para a igreja evang\u00e9lica brasileira no s\u00e9culo XXI, e n\u00e3o se trata de provoca\u00e7\u00e3o saudosista; na verdade eu mesmo n\u00e3o perten\u00e7o \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de Schaeffer, nem \u00e0s gera\u00e7\u00f5es imediatamente posteriores. Eu acabei de chegar. Mas alguns dos primeiros leitores de Schaeffer, que reconheceram sua atualidade &#8211; h\u00e1 quarenta, trinta, vinte anos atr\u00e1s &#8211; agora est\u00e3o certos de que Schaeffer \u00e9 passado. &#8220;Schaeffer descrevia uma condi\u00e7\u00e3o ainda moderna, superada pela posmodernidade&#8221;, j\u00e1 ouvi. Alega-se que sua \u00eanfase na &#8220;verdade verdadeira&#8221; (true truth) denuncia uma vis\u00e3o racionalista da revela\u00e7\u00e3o, que ele seria biblicista, que tentar misturar religi\u00e3o com tudo seria &#8220;integrismo religioso&#8221;.<\/p>\n<p>Sem falar em outros problemas: sua explica\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria das id\u00e9ias no ocidente seria simplista, e particularmente suas cr\u00edticas ao dualismo de Natureza e Gra\u00e7a em Tom\u00e1s de Aquino e ao &#8220;salto irracional&#8221; de Soren Kierkegaard. Com base na redescoberta desses e de outros pensadores ou l\u00edderes culturais examinados por Schaeffer, alguns decidem &#8220;avan\u00e7ar&#8221;, dando &#8220;um passo \u00e0 frente&#8221;.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o li Schaeffer quando ele &#8220;foi relevante&#8221;; eu li agora, ontem. Mas cada vez mais cresce em mim a suspeita de que alguns de seus leitores antigos erraram tanto na compreens\u00e3o de Schaeffer como da transforma\u00e7\u00e3o da cultura ocidental na segunda metade do s\u00e9culo XX. Quando falava de &#8220;modernidade moderna&#8221; e do cruzamento da linha do desespero, Schaeffer n\u00e3o descrevia meramente o &#8220;fim&#8221; da modernidade, mas a nova configura\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou ali, e na qual estamos mergulhados agora. O que alguns chamam de posmodernidade, mas que \u00e9 melhor descrito com a express\u00e3o &#8220;hipermodernidade&#8221; \u00e9 exatamente a realiza\u00e7\u00e3o das profecias de Schaeffer sobre o colapso da identidade humana e a perda da imagem humana, do que o existencialismo foi apenas um est\u00e1gio inicial.<\/p>\n<p>E tem mais: Schaeffer \u00e9 relevante para o Brasil. E isso por uma raz\u00e3o at\u00e9 evidente: o evangelicismo brasileiro foi estruturado \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a do evangelicismo anglo-sax\u00f4nico, trazendo em seu DNA as mesmas fragilidades gen\u00e9ticas de seus pais. Gostando ou n\u00e3o somos herdeiros dos problemas que Schaeffer tentava curar, e agora que chegamos \u00e0 adolesc\u00eancia no Brasil, a mesma hist\u00f3ria est\u00e1 se repetindo em nossa pele. E enquanto a teologia evang\u00e9lica latino-americana n\u00e3o encarar esse fato, ela continuar\u00e1 irrelevante.<\/p>\n<p>Da minha posi\u00e7\u00e3o de novato nos debates teol\u00f3gicos, confesso n\u00e3o ver sentido algum em um velho te\u00f3logo ou l\u00edder evang\u00e9lico brasileiro dizendo que foi ajudado por Schaeffer, quando quase se tornou existencialista e mergulhou no absurdo, mas que agora ultrapassou Schaeffer e tornou-se&#8230; existencialista, para todos os fins pr\u00e1ticos! Acho que isso seria melhor descrito com a express\u00e3o &#8220;<em>retrocesso<\/em>&#8220;. Pois <em>nisso <\/em>o mundo n\u00e3o mudou, n\u00e3o passou por nenhuma revolu\u00e7\u00e3o: a hipermodernidade continua firme na mesma dire\u00e7\u00e3o, com a dissolu\u00e7\u00e3o dos universais, a cristaliza\u00e7\u00e3o de uma cultura de de prosperidade, bem estar e entretenimento, a pulveriza\u00e7\u00e3o individualista do homem, o fortalecimento de institui\u00e7\u00f5es de controle para compensar a falta de virtudes compartilhadas, e assim por diante.<\/p>\n<p>A bem da verdade, o mundo mudou com as transforma\u00e7\u00f5es do sistema de consumo, de informa\u00e7\u00e3o e de comunica\u00e7\u00e3o, principalmente pela internet, mas essas s\u00e3o <em>revolu\u00e7\u00f5es dentro da revolu\u00e7\u00e3o<\/em>. A verdadeira revolu\u00e7\u00e3o foi uma mudan\u00e7a espiritual muito maior que teve in\u00edcio no s\u00e9culo XIX com o colapso do projeto moderno anunciado pela filosofia, pela literatura e pelas artes e materializado mais recentemente no restante da estrutura das sociedades modernas.<br \/>\n<strong><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ainda a <em>&#8220;Mannishness&#8221;<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Sim, preciso dar exemplos. Quero come\u00e7ar com um ponto central das preocupa\u00e7\u00f5es de Schaeffer: o problema da <em>mannishness, a <\/em>&#8220;hombridade do homem&#8221;, ou mais precisamente a sua <em>hominalidade<\/em>. Segundo Schaeffer seria imposs\u00edvel preservar a imagem humana sem uma rela\u00e7\u00e3o expl\u00edcita e vital com o Deus de Jesus Cristo e da hist\u00f3ria B\u00edblica. Schaffer argumentou ao longo de suas obras apolog\u00e9ticas, como &#8220;O Deus que Interv\u00e9m&#8221;, &#8220;O Deus que se Revela&#8221;, &#8220;A Morte da Raz\u00e3o&#8221; e &#8220;Como Viveremos&#8221;, que a imagem elevada do ser humano acalentada pelo Renascimento do s\u00e9culo XIV era derivada do cristianismo, e que ao recusar a necess\u00e1ria conex\u00e3o entre essa imagem humana e a imagem divina em nome da autonomia absoluta, o homem moderno fracassaria &#8211; como de fato fracassou &#8211;\u00a0 em manter a dignidade do homem. No s\u00e9culo XIX teria emergido claramente a contradi\u00e7\u00e3o moderna entre a vis\u00e3o do homem como uma m\u00e1quina, fruto de processos naturais impessoais e objeto de manipula\u00e7\u00e3o tecno-cient\u00edfica, e o ideal de homem como indiv\u00edduo livre, capaz de se autodeterminar e de expressar a si mesmo na arte e na moralidade.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/files\/2012\/02\/homemm\u00e1quina.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-178\" title=\"homemm\u00e1quina\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/files\/2012\/02\/homemm\u00e1quina-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/files\/2012\/02\/homemm\u00e1quina-150x150.jpg 150w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/files\/2012\/02\/homemm\u00e1quina-80x80.jpg 80w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>O problema, segundo Schaeffer, \u00e9 que o homem,<em> ou \u00e9 m\u00e1quina impessoal, ou \u00e9 pessoal e livre<\/em>. Sendo comprometido, por um lado, com a vis\u00e3o moderna e cientificista de que o universo \u00e9 essencialmente impessoal (com o prop\u00f3sito de afirmar autonomia frente \u00e0 religi\u00e3o), mas ao mesmo tempo sentindo, desejando e afirmando em si mesmo a sua transcend\u00eancia pessoal e sua liberdade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza (afinal, a imagem divina continua presente nele), o homem moderno entrou em colapso, &#8220;deu tilt&#8221;, por assim dizer. Ele segue dois comandos contradit\u00f3rios. E a solu\u00e7\u00e3o escolhida no s\u00e9culo XX foi &#8220;cruzar a linha do desespero&#8221; e dar o &#8220;salto irracional&#8221;. Como? Procurando encontrar o sentido da vida em algum tipo de experi\u00eancia emocional, ou sensorial, ou numa expectativa ut\u00f3pica sem conex\u00e3o com a racionalidade. A espiritualidade continua presente, mas separada do campo da &#8220;raz\u00e3o&#8221;, e ao mesmo tempo sendo manipulada por uma elite que emprega uma racionalidade instrumental.<\/p>\n<p>O homem moderno &#8211; e agora, hipermoderno &#8211; vive portanto uma contradi\u00e7\u00e3o: sua vis\u00e3o da realidade nega a exist\u00eancia de liberdade, verdade e significado, mas ainda assim ele se lan\u00e7a em busca de experi\u00eancias que produzam algum tipo de significado e uma confirma\u00e7\u00e3o de que ele \u00e9 algu\u00e9m. O problema \u00e9 que essas experi\u00eancias n\u00e3o s\u00e3o avaliadas segundo um padr\u00e3o de verdade; assim todo tipo de experi\u00eancia \u00e9 considerado uma alternativa vi\u00e1vel, desde uma igreja evang\u00e9lica a uma balada, de um investimento no esporte ao consumo de drogas. Minha esposa teve uma professora na faculdade que era esp\u00edrita e marxista roxa, e ela n\u00e3o era uma exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Agora a pergunta: o que mudou? N\u00e3o \u00e9 verdade que o homem est\u00e1 cada vez mais alienado de si mesmo, e que o valor singular da pessoa humana \u00e9 simultaneamente afirmado (na pol\u00edtica dos direitos humanos, na educa\u00e7\u00e3o, no cinema, no entretenimento secular e religioso, no ide\u00e1rio pol\u00edtico professo) e sistematicamente negado (no individualismo atomizante das pol\u00edticas de direitos humanos, no reducionismo das <em>hard-sciences<\/em>, no sistema do capitalismo de consumo, na nova bio\u00e9tica, e no &#8220;entretenimento cult&#8221;)?<br \/>\n<strong><\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\nAinda <em>a &#8220;Linha do Desespero<\/em><\/strong>&#8221;<\/p>\n<p>V\u00e1rios desenvolvimentos mais recentes no campo das artes, do entretenimento, da pol\u00edtica, da moralidade p\u00fablica e da economia confirmam o quadro pintado por Schaeffer. Na academia, por exemplo, a contradi\u00e7\u00e3o entre o naturalismo determinista e o construtivismo social e antropol\u00f3gico em diversas ci\u00eancias humanas continua viva como sempre (e a propostas para supera\u00e7\u00e3o dessa lacuna continuam na ordem do dia). Vide a polariza\u00e7\u00e3o entre a interpreta\u00e7\u00e3o sociobiol\u00f3gica do humano e as abordagens feministas e a teoria Queer no estudos de g\u00eanero e sexualidade. Na pol\u00edtica temos o esfor\u00e7o do Estado em ampliar e proteger os direitos individuais, ao mesmo tempo em que a vigil\u00e2ncia e o controle estatal sobre a sociedade aumenta &#8211; um aspecto do processo de atomiza\u00e7\u00e3o social t\u00e3o bem descrito por Charles Taylor. Exemplos disso poderiam ser apontados e cada \u00e1rea da vida moderna.<\/p>\n<p>Mas em poucas \u00e1reas termos evid\u00eancia mais clara disso do que no campo do <em>entretenimento hipermoderno<\/em>. Um exemplo particularmente interessante para mim s\u00e3o as novas megafestas, ou neofestas, como a <em>Tomorrowland<\/em>, <em>Sensation<\/em> (<em>Skol Sensation<\/em> no Brasil), <em>Creamfields<\/em>, entre outras. O caso da <em><a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=vIuRrG-ZCDY\">Sensation <\/a>(cf. o link:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=vIuRrG-ZCDY\">http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=vIuRrG-ZCDY<\/a>) <\/em>\u00e9 emblem\u00e1tico: o nome \u00e9 muito direto, e tamb\u00e9m o programa das festas, com narradores e vinhetas destinadas a afirmar a possibilidade de transforma\u00e7\u00e3o humana, autotranscend\u00eancia, unidade humana e paz por meio de uma experi\u00eancia de libera\u00e7\u00e3o das puls\u00f5es mais fundamentais. Mas em cem por cento dos casos, essas experi\u00eancias s\u00e3o produzidas por meio de recusos altamente t\u00e9cnicos. E que isso aconte\u00e7a ao mesmo tempo em que o neoate\u00edsmo cresce no mundo \u00e9 uma clara confirma\u00e7\u00e3o de que as tens\u00f5es e tend\u00eancias apontadas por Schaeffer est\u00e3o cada fez mais definidas e influentes no mundo.<\/p>\n<p>E o mesmo n\u00e3o acontece no interior do movimento evang\u00e9lico? O cultivo da espiritualidade \u00e9 quase totalmente associado com experi\u00eancias de sensa\u00e7\u00e3o e excita\u00e7\u00e3o de massa, e ao mesmo tempo &#8211; de fato ao mesmo tempo! &#8211; boa parte dos novos l\u00edderes org\u00e2nicos do movimento evang\u00e9lico emprega abordagens tecnicistas para lidar com o desespero de seu p\u00fablico; e os mais intelectualizados acolhem interpreta\u00e7\u00f5es modernizantes do cristianismo, abandonando elementos fundamentais da f\u00e9 evang\u00e9lica como a cren\u00e7a na autoridade b\u00edblica, na soberania de Deus, na necessidade da expia\u00e7\u00e3o substitutiva, ou at\u00e9 mesmo seguindo op\u00e7\u00f5es absolutamente incompat\u00edveis com a f\u00e9 evang\u00e9lica, como o sistema de Paul Tillich, id\u00e9ias libert\u00e1rias e anarquistas (sejam elas de esquerda ou representantes do anarcocapitalismo), ou as velhas, insistentes e imposs\u00edveis s\u00ednteses de cristianismo e marxismo.<\/p>\n<p>A aceita\u00e7\u00e3o dessa ruputra doentia entre <strong>verdade <\/strong>e <strong>esperan\u00e7a, <\/strong>ou entre<strong> racionalidade e experi\u00eancia religiosa<\/strong> deixa \u00e0 mostra a condi\u00e7\u00e3o de desespero, de todos n\u00f3s, incr\u00e9dulos e crentes, no princ\u00edpio do s\u00e9culo XX. Todos sofrem de uma terr\u00edvel e id\u00eantica ansiedade: a <em>perda do real<\/em>; o sentimento de que tudo \u00e9 artificial, prec\u00e1rio e &#8220;n\u00e3o chega l\u00e1&#8221;; de que a verdade da universidade n\u00e3o \u00e9 a &#8220;minha&#8221; verdade, e que a &#8220;minha&#8221; n\u00e3o \u00e9 de ningu\u00e9m; e que a imagem que contemplamos o tempo todo talvez seja apenas a nossa pr\u00f3pria imagem refletida num espelho. Temos, sim, momentos de esquecimento que nos ajudam a sobreviver, mas de tempos em tempos somos de novo assaltados por essa n\u00e1usea tipicamente hipermoderna de que no fim <em>n\u00e3o h\u00e1 liga\u00e7\u00e3o entre esperan\u00e7a e racionalidade<\/em>. Ou voc\u00ea tem um, ou voc\u00ea tem o outro.<\/p>\n<p>Esses momentos de n\u00e1usea s\u00e3o, no entanto, momentos de realidade. N\u00e3o que o mundo seja realmente assim, mas que essa condi\u00e7\u00e3o escolhida por n\u00f3s \u00e9 insustent\u00e1vel. O homem vive em desespero porque insiste no caminho contradit\u00f3rio do humanismo secular, e mostra o seu desespero em cada salto irracional para encontrar significado, mas apenas <em>sente <\/em>o desespero quando v\u00ea em si a contradi\u00e7\u00e3o. E a tarefa numero um do apologista crist\u00e3o n\u00e3o seria provar a verdade do cristianimo, mas ajudar o homem hipermoderno a voltar para a realidade. E nesse ponto, a n\u00e1usea hipermoderna \u00e9 a melhor amiga do evangelista.<br \/>\n<strong><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ainda <em>&#8220;L&#8217;Abri<\/em><\/strong><em>&#8221;<br \/>\n<\/em><br \/>\n\u00c9 aqui que a <a href=\"http:\/\/www.labri.org\/brazil\/index.html\" target=\"_blank\">comunidade L&#8217;Abri<\/a> se encaixa. Os estudantes brasileiros de Schaeffer &#8211; como os americanos &#8211; tendem a conceb\u00ea-lo como sendo, basicamente, um apologista reformado, da escola pressuposicional, herdeiro de Cornelius Van Til, mas que introduziu modifica\u00e7\u00f5es (distor\u00e7\u00f5es, para alguns) tentando integrar o pressuposicionalismo com elementos de apolog\u00e9tica evidencialista tradicional.<\/p>\n<p>Pessoalmente considero essa discuss\u00e3o fascinante e teologicamente importante, mas sempre me sinto incomodado com a falta de perspectiva com que ela \u00e9 conduzida. Pois a apolog\u00e9tica de Schaeffer n\u00e3o era fundamentalmente um sistema teol\u00f3gico-filos\u00f3fico, mas um modo de vida, e por isso L&#8217;Abri era t\u00e3o importante. A comunidade L&#8217;Abri (&#8220;o abrigo&#8221; em franc\u00eas), fundada por Francis e sua esposa Edith Schaeffer na Su\u00ed\u00e7a em 1955 \u00e9, por assim dizer, a &#8220;encarna\u00e7\u00e3o&#8221; de sua apolog\u00e9tica, sendo imposs\u00edvel compreender um coisa sem a outra. E uma das id\u00e9ias constantemente cultivadas em L&#8217;Abri para comunicar essa conex\u00e3o \u00e9 a de &#8220;<em>realidade<\/em>&#8220;.<a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/files\/2012\/02\/Meal02pb.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-165\" title=\"Meal02p&amp;b\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/files\/2012\/02\/Meal02pb-199x300.jpg\" alt=\"\" width=\"199\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/files\/2012\/02\/Meal02pb-199x300.jpg 199w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/files\/2012\/02\/Meal02pb-99x150.jpg 99w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/files\/2012\/02\/Meal02pb.jpg 341w\" sizes=\"auto, (max-width: 199px) 100vw, 199px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Quando Schaeffer falava sobre &#8220;true truth&#8221; (verdade verdadeira) seu ponto n\u00e3o era apenas afirmar que existe verdade com &#8220;V&#8221; mai\u00fasculo dentro do discurso racional, ou que o cristianismo seja verdadeiro <em>porque <\/em>\u00e9 racional; a verdade para Schaeffer era antes de tudo a<em> realidade das coisas<\/em>. Por isso em L&#8217;Abri o termo &#8220;cosmovis\u00e3o&#8221; (worldview) nunca teve um lugar excepcionalmente importante. O cristianismo, segundo Schaeffer, n\u00e3o era t\u00e3o somente a melhor cosmovis\u00e3o, ou o &#8220;sistema&#8221; verdadeiro, mas um retorno \u00e0 realidade de Deus, do mundo e do homem. E realidade n\u00e3o \u00e9 algo que se possa mostrar meramente dentro de um discurso filos\u00f3fico ou apolog\u00e9tico. Realidade \u00e9 algo que precisa ser <em>demonstrado<\/em>. Um cristianismo aut\u00eantico e demonstr\u00e1vel na pr\u00e1tica \u00e9 o tema do best-seller &#8220;A Verdadeira Espiritualidade&#8221;, de Schaeffer, considerado pelos obreiros de L&#8217;Abri como a sua obra mais importante, superando todos os outros livros.<\/p>\n<p>Aqui entra o que Os Guiness (ex-obreiro de L&#8217;Abri) descreveu como &#8220;o segredo de L&#8217;Abri&#8221;: Edith Schaeffer. Ela n\u00e3o aparece muito nos livros de Schaeffer, mas sem ela n\u00e3o haveria Schaeffer, nem livros, nem L&#8217;Abri. Sua combina\u00e7\u00e3o de hospitalidade, alegria, vitalidade na ora\u00e7\u00e3o e trabalho duro faziam a alma do lugar e formaram o <em>ethos <\/em>das mulheres de L&#8217;Abri. E ela escrevia tamb\u00e9m; pouca gente sabe que seus diversos livros venderam quase um milh\u00e3o de c\u00f3pias! Edith nos deu uma das melhores descri\u00e7\u00f5es de L&#8217;Abri:<\/p>\n<p><em>Aqueles de n\u00f3s que desejam viver \u00e0 luz da exist\u00eancia de Deus, e que desejam levar vidas equilibradas sobre a base da verdade quanto ao que existe e tamb\u00e9m de quem n\u00f3s somos, devem estar conscientes de que a atmosfera e o ambiente ao nosso redor foi polu\u00eddo, e que precisamos de algum tipo de discernimento, algo talvez como como uma &#8216;m\u00e1scara de g\u00e1s&#8217;, para peneirar id\u00e9ias e compreens\u00f5es, de modo a n\u00e3o ficarmos pervertidos ou sufocados<\/em> (Duriez, Francis Schaeffer, p.133).<\/p>\n<p>A a finalidade de L&#8217;Abri \u00e9 <em>a demonstra\u00e7\u00e3o da realidade de Deus<\/em>, em dois sentidos: primeiro, por uma viv\u00eancia rica de significado, na qual verdade e esperan\u00e7a surjam reunidas. Por isso, mais do que um centro de estudos, L&#8217;Abri \u00e9 um centro de hospitalidade, no qual a pessoa \u00e9 recebida e considerada em sua integridade humana. Ao experimentar reflex\u00e3o, di\u00e1logo, comida, trabalho, beleza, arte, descanso, ora\u00e7\u00e3o no contexto da verdade crist\u00e3 total, a pessoa pode reconhecer o significado de ser integralmente humano na presen\u00e7a de Deus; e ao mesmo tempo percebe o qu\u00e3o insuficientes s\u00e3o os caminhos do homem para obter essa experi\u00eancia. Esse \u00e9 o lado, digamos &#8220;humanizador&#8221; de L&#8217;Abri; Hans Rookmaaker dizia que Cristo n\u00e3o veio chamar homens para se tornarem crist\u00e3os, e sim para tornar os crist\u00e3os humanos.<\/p>\n<p>Mas essa experi\u00eancia integrada da nossa humanidade n\u00e3o pode ser descoberta sem Deus. Por isso a verdade e a ora\u00e7\u00e3o s\u00e3o insepar\u00e1veis em L&#8217;Abri; como costumamos dizer, a pr\u00f3pria exist\u00eancia de L&#8217;Abri depende da ora\u00e7\u00e3o. Semanalmente todos os L&#8217;Abris realizam suas reuni\u00f5es de ora\u00e7\u00e3o apresentando pedidos espec\u00edficos e aguardando respostas espec\u00edficas &#8211; incluindo a pr\u00f3pria manuten\u00e7\u00e3o de L&#8217;Abri, j\u00e1 que por princ\u00edpio n\u00e3o temos um sistema de capta\u00e7\u00e3o de recursos. A hist\u00f3ria de L&#8217;Abri est\u00e1 recheada de respostas de ora\u00e7\u00e3o; e temos testemunhado disso no L&#8217;Abri Brasil, desde o in\u00edcio. Na primeira vez em que um representante de L&#8217;Abri internacional foi convidado para o Brasil n\u00e3o t\u00ednhamos um tost\u00e3o para pagar as passagens. Mais tarde Andrew Fellows, atual diretor internacional, relatou que o convite fora uma resposta \u00e0s ora\u00e7\u00f5es dele mesmo, h\u00e1 anos com a mente voltada para o Brasil; mas eles n\u00e3o tinham um tost\u00e3o para pagar as passagens. Na mesma semana, no entanto, sem saber de nada, algu\u00e9m telefonou para ele oferecendo uma ajuda financeira com um prop\u00f3sito absolutamente at\u00edpico: &#8220;a expans\u00e3o de L&#8217;Abri no mundo&#8221;.<\/p>\n<p>At\u00e9 hoje L&#8217;Abri mant\u00e9m a fragilidade porque essa \u00e9 a sua identidade. Schaeffer dizia que o L&#8217;Abri deve ser fr\u00e1gil o suficiente para fechar quando Deus n\u00e3o o quiser mais. N\u00e3o \u00e9 o tipo de trabalho que possa ou deva existir de forma autom\u00e1tica, mesmo que sua ess\u00eancia seja perdida. Literalmente n\u00e3o sabemos se L&#8217;Abri Brasil vai durar mais um ano, e \u00e9 assim que tem que ser; dependemos de Deus e das pessoas que ele levanta para apoiar o minist\u00e9rio.<\/p>\n<p>E por isso L&#8217;Abri n\u00e3o acabou com a morte de Schaeffer; porque, literalmente, Deus quis que L&#8217;Abri existisse por mais algum tempo (n\u00e3o sabemos quanto), e mesmo quando n\u00e3o houver mais L&#8217;Abri, aquilo que a comunidade representa nos onze centros espalhados pelo mundo continua sendo absolutamente essencial: a demonstra\u00e7\u00e3o da realidade de Deus. Essa demonstra\u00e7\u00e3o tem o poder de trazer as pessoas de volta \u00e0 realidade, da qual a sociedade hipermoderna sente uma sede imensa, mas da qual foge com todas as suas for\u00e7as. Essa demonstra\u00e7\u00e3o da realidade de Deus no pensamento, na espiritualidade, nos relacionamentos e na miss\u00e3o da igreja continua essencial, e continua um problema no cristianismo evang\u00e9lico contempor\u00e2neo, assim como foi em 1955.<br \/>\n<strong><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ainda a <em>&#8220;Verdade Verdadeira&#8221;<\/em><\/strong><\/p>\n<p>A perda da realidade est\u00e1 tamb\u00e9m por tr\u00e1s da atual crise evang\u00e9lica. O pr\u00f3prio Francis Schaeffer teve uma grande crise de f\u00e9 antes de iniciar o trabalho na d\u00e9cada de 50, quando ainda era um mission\u00e1rio do Conc\u00edlio Mudial de Igrejas Crist\u00e3s &#8211; uma organiza\u00e7\u00e3o fundamentalista que se opunha ao ecum\u00eanico &#8220;Conc\u00edlio Mundial de Igrejas&#8221;. Schaffer chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que o seu modo de pregar o evangelho, sem nenhum di\u00e1logo ou esfor\u00e7o de compreens\u00e3o do homem moderno era totalmente falho; ele estava comunicando &#8220;verdade sem amor&#8221;. A exist\u00eancia de L&#8217;Abri se deve em grande medida \u00e0 decis\u00e3o de manter Verdade e Amor inseparavelmente conectados; podemos at\u00e9 discutir intensamente com um descrente ou com um crente em crise, mas tudo mundo se essa conversa honesta for feita dentro da sua casa, num contexto de hospitalidade, e sabendo que no outro dia nos veremos novamente no caf\u00e9 da manh\u00e3.<a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/files\/2012\/02\/p\u00edlula1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-175 alignright\" title=\"p\u00edlula\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/files\/2012\/02\/p\u00edlula1.jpg\" alt=\"\" width=\"180\" height=\"177\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/files\/2012\/02\/p\u00edlula1.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/files\/2012\/02\/p\u00edlula1-80x80.jpg 80w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/files\/2012\/02\/p\u00edlula1-150x147.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 180px) 100vw, 180px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Nunca, no entanto, Schaffer entendeu que o amor genu\u00edno pudesse ser sustentado sem a &#8220;verdade verdadeira&#8221;, e isso sempre esteve no centro de sua agenda. Em uma confer\u00eancia pouco antes de morrer ele foi perguntado sobre qual seria a raz\u00e3o para ser crist\u00e3o, e sua resposta inequ\u00edvoca foi:<em> &#8220;h\u00e1 uma, e apenas uma \u00fanica raz\u00e3o para ser crist\u00e3o, e \u00e9 a convic\u00e7\u00e3o de que essa \u00e9 a verdade sobre o universo&#8221;<\/em> (Duriez, Francis Schaeffer, p. 109). Na verdade ele dizia isso sempre, como testemunha Udo Middelmann e outros obreiros de L&#8217;Abri.<\/p>\n<p>Schaeffer sabia o que dizia; seu caminho para a verdade n\u00e3o fora feito apenas de convic\u00e7\u00f5es aprendidas de outros. A crise de Schaeffer n\u00e3o foi causada apenas pela constata\u00e7\u00e3o de que o evangelho pregado pelos fundamentalistas carecia de amor e realidade, mas porque ele pr\u00f3prio sofreu d\u00favidas terr\u00edveis sobre a veracidade da f\u00e9 crist\u00e3. E em L&#8217;Abri ele sempre deixou claro que a d\u00favida era uma coisa boa. Uma vez com d\u00favidas, precisamos ir at\u00e9 o fim com elas &#8211; n\u00e3o podemos simplesmente coloc\u00e1-las de lado. Udo Middelmann observou mais de uma vez que Schaeffer n\u00e3o buscava apenas uma &#8220;perspectiva crist\u00e3&#8221;, mas a verdade, n\u00e3o a melhor teoria, mas um retorno \u00e0 realidade das coisas, e isso implicava fazer perguntas honestas, duvidar de forma honesta, manter-se vulner\u00e1vel. Mas sustentar tanto a cren\u00e7a como a d\u00favida apenas por raz\u00f5es pol\u00edticas n\u00e3o passava, para ele, de hipocrisia.<\/p>\n<p>Aparentemente uma parcela dos l\u00edderes evang\u00e9licos atuais se esqueceu da import\u00e2ncia da verdade, escorregando para uma ou outra forma de pluralismo, ou negociando s\u00ednteses perigosas entre a f\u00e9 evang\u00e9lica e a mente secular. Um exemplo not\u00e1vel foi o recente movimento &#8220;emergente&#8221; (hoje quase submerso). Alguns representantes da igreja emergente, inclusive no Brasil, chegaram a comentar publicamente que o tipo de \u00eanfase na &#8220;verdade&#8221; que Schaeffer destacava pertence a um momento passado, ainda moderno, o que revelou uma profunda incompreens\u00e3o de Schaeffer; a situa\u00e7\u00e3o descrita por ele como a &#8220;linha do desespero&#8221; \u00e9 exatamente a antecipa\u00e7\u00e3o do posmodernismo, que agora est\u00e1 na ordem do dia. A cobra que Schaeffer apontava j\u00e1 passou por n\u00f3s, e v\u00e1rios de n\u00f3s foram picados por ela. Apenas nesse sentido ele foi &#8220;ultrapassado&#8221;: \u00e9 que suas profecias se realizaram.<\/p>\n<p>Assim como o liberalismo teol\u00f3gico antigo, setores da neo-ortodoxia e teologias hermen\u00eauticas contempor\u00e2neas como a de Paul Tillich, agora os pr\u00f3prios l\u00edderes evang\u00e9licos praticam abertamente o &#8220;misticismo sem\u00e2ntico&#8221;, empregando os termos teol\u00f3gicos cl\u00e1ssicos mas atribuindo significados corrompidos pelo humanismo secular ou completamente novos. Isso acontece claramente com muitos te\u00f3logos evang\u00e9licos que se formaram em ci\u00eancias da religi\u00e3o nos \u00faltimos anos (sem preconceitos, j\u00e1 que essa \u00e9 a minha forma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m). E mesmo onde se alega a ades\u00e3o ao cristianismo hist\u00f3rico, a teologia crist\u00e3 \u00e9 reduzida e vinculada t\u00e3o somente a um conjunto min\u00fasculo de significados, associado a experi\u00eancias emocionais na adora\u00e7\u00e3o gospel, ou \u00e0 responsabilidade social da igreja no \u00e2mbito de uma interpreta\u00e7\u00e3o esquerdista da miss\u00e3o integral. Para muitos olhares atentos j\u00e1 temos sinais suficientes de que o movimento evang\u00e9lico perdeu a \u00fanica coisa que daria sentido e raz\u00e3o de ser a si mesmo: o pr\u00f3prio evangelho. O movimento vem sendo &#8220;esticado&#8221; entre o pluralismo teol\u00f3gico, a teologia da prosperidade, o \u00eaxodo dos sem-igreja (segundo o IBGE) e, agora, o crescente interesse por um retorno ao catolicismo romano.<\/p>\n<p>Uma das maiores necessidades da igreja evang\u00e9lica hoje \u00e9 a sua pr\u00f3pria reevangeliza\u00e7\u00e3o, mas para isso o pr\u00f3prio cristianismo precisa ser redescoberto em seu car\u00e1ter de &#8220;verdade total&#8221;. \u00c9 preciso n\u00e3o apenas recuperar a riqueza de significado da teologia protestante no contexto da piedade evang\u00e9lica, mas tamb\u00e9m estabelecer uma clara conex\u00e3o entre essa verdade e a realidade das coisas, desvelando seu sentido pr\u00e1tico e existencial. Para tanto precisamos <em>duvidar<\/em>, tanto da crendice \u00e0 direita (na &#8220;cultura Gospel&#8221; brasileira) como do cinismo \u00e0 esquerda (do pensamento evang\u00e9lico semi-liberal). Os l\u00edderes crist\u00e3os que desistem de ser evang\u00e9licos desistindo da &#8220;verdade doutrin\u00e1ria&#8221; e rindo da &#8220;ortodoxia&#8221; n\u00e3o s\u00e3o solu\u00e7\u00f5es, mas partes do problema.<br \/>\n<strong><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ainda a <em>Unidade de Natureza e Gra\u00e7a<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Segundo a cita\u00e7\u00e3o que fizemos de Schaeffer, o cristianismo \u00e9 uma verdade total. N\u00e3o apenas a verdade sobre Deus e a salva\u00e7\u00e3o, mas a verdade sobre o mundo, o homem, a cultura, o passado e o futuro. E em seu melhor momento, a f\u00e9 protestante manteve essa conex\u00e3o na forma de uma unidade de Natureza e Gra\u00e7a. Com isso Schaeffer quis dizer que para os reformadores a Gra\u00e7a n\u00e3o era um mero complemento \u00e0 uma &#8220;natureza&#8221; que seria basicamente boa e funcional. Sendo agostinianos nesse ponto, os reformadores reconheceram que a Queda afetou completamente a Natureza, e que mais que um complemento, a Gra\u00e7a deveria penetrar internamente e redimir toda a Natureza.<\/p>\n<p>Em outras palavras, a mesma mensagem monergista de uma salva\u00e7\u00e3o gratuita e completa desdobrou-se em uma afirma\u00e7\u00e3o do valor da revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica para todos os campos da vida, de forma integral. E essa perspectiva foi perdida pelo movimento evang\u00e9lico, principalmente a partir de suas ra\u00edzes pietistas que, n\u00e3o surpreendentemente, apresentavam tra\u00e7os pelagianos. J\u00e1 no s\u00e9culo XIX a no\u00e7\u00e3o de uma separa\u00e7\u00e3o entre a &#8220;vida religiosa&#8221; e a &#8220;vida secular&#8221; se tornara um lugar-comum no discurso evang\u00e9lico. Esse dualismo se alojou na teologia, na espiritualidade, e na missiologia evang\u00e9lica, sendo desafiado apenas depois da Segunda Grande Guerra, com figuras como Carl Henry, Francis Schaeffer, John Stott e, embora parcialmente, com o Pacto de Lausanne. Continuamos mergulhados at\u00e9 o pesco\u00e7o nisso, aqui no Brasil. H\u00e1, aqui e ali, te\u00f3logos que tentam lidar com o problema, mas a massa dos crentes vive exist\u00eancias completamente compartimentadas, isolando &#8220;vida espiritual&#8221; e &#8220;vida secular&#8221;.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia do cristianismo n\u00e3o como evas\u00e3o, mas como retorno \u00e0 realidade, depende desse cristianismo ser claramente <em>ensinado e praticado como unidade de natureza e gra\u00e7a<\/em>, com a gra\u00e7a penetrando todas as esferas da natureza. Isso envolve mais do que a &#8220;responsabilidade social da igreja&#8221;; envolve a viv\u00eancia est\u00e9tica, a vida intelectual, a experi\u00eancia comunit\u00e1ria, e tamb\u00e9m \u00e1reas sens\u00edveis como economia e pol\u00edtica. Mas para reconstruir essa rela\u00e7\u00e3o integral com o mundo que o cristianismo exige, \u00e9 preciso restaurar <em>o evangelho da Gra\u00e7a em sua integridade<\/em>, e para tanto ser\u00e1 preciso um retorno ao protestantismo primitivo, com sua \u00eanfase monergista na Gra\u00e7a salvadora de Deus. Esse era um ponto essencial, impl\u00edcito no chamado prof\u00e9tico \u00e0 igreja evang\u00e9lica em seu tempo; e embora com algum atraso, muitos agora reconhecem que essa \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o. \u00c9 o que vemos em iniciativas como Desiring God Ministries, The Gospel Coalition, Rede Atos 29, Editora e Confer\u00eancia Fiel, e na multiplica\u00e7\u00e3o de jovens pastores reformados em diversas denomina\u00e7\u00f5es evang\u00e9licas. Falta apenas os novos reformados compreenderem as implica\u00e7\u00f5es cosmol\u00f3gicas e culturais do monergismo, o que nem sempre acontece.<br \/>\n<strong><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/files\/2012\/02\/Francis-Schaeffer_IN2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-171\" title=\"Francis-Schaeffer_IN2\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/files\/2012\/02\/Francis-Schaeffer_IN2-300x220.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/files\/2012\/02\/Francis-Schaeffer_IN2-300x220.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/files\/2012\/02\/Francis-Schaeffer_IN2-150x110.jpg 150w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/files\/2012\/02\/Francis-Schaeffer_IN2.jpg 350w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Profeta ou Erudito? Que tipo de pensador era Schaeffer?<\/strong><\/p>\n<p>Alguns leitores de Schaeffer reconhecem sem dificuldade a realiza\u00e7\u00e3o quase prof\u00e9tica dos vatic\u00ednios de Schaeffer sobre o mundo atual, mas sentem-se incomodados com a aus\u00eancia de um rigor maior em suas teses; o maior inc\u00f4modo relaciona-se normalmente \u00e0s suas cr\u00edticas contra Kierkegaard, Hegel e Tom\u00e1s de Aquino. H\u00e1 quem descarte Schaeffer por conta delas.<\/p>\n<p>A cr\u00edtica \u00e0 cr\u00edtica de Schaeffer contra Kierkegaard \u00e9 sem d\u00favida v\u00e1lida; n\u00e3o \u00e9 totalmente claro que Kierkegaard tenha sido o respons\u00e1vel pelo &#8220;salto irracional&#8221; existencialista. Mas isso n\u00e3o importa tanto quando reconhecemos que o movimento existencialista realmente foi o primeiro a cruzar a &#8220;linha do desespero&#8221; que Schaeffer descreveu t\u00e3o bem. Talvez o principal respons\u00e1vel pelo existencialismo tenha sido F. W. J. Schelling (como argumenta Paul Tillich); talvez Kierkegaard tenha sido lido j\u00e1 no contexto irracionalista do existencialismo do s\u00e9culo XX e incorporado de forma err\u00f4nea; ou tenha sido alvejado por associa\u00e7\u00e3o, quando a neo-ortodoxia era atacada por separar o sentido da revela\u00e7\u00e3o dos fatos espa\u00e7o-temporais. Mas <em>que a &#8220;linha do desespero&#8221; estava l\u00e1, e que j\u00e1 estamos do outro lado dela, \u00e9 simplesmente um fato<\/em>. Hoje em L&#8217;Abri temos empregado Kierkegaard constantemente, e de forma criteriosa, ao lado de Schaeffer.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s alega\u00e7\u00f5es de Schaeffer de que Hegel teria sido o principal respons\u00e1vel pela nega\u00e7\u00e3o da ant\u00edtese entre verdade e falsidade, isso \u00e9 tamb\u00e9m bastante plaus\u00edvel. A l\u00f3gica dial\u00e9tica aplicada \u00e0 hist\u00f3ria fez exatamente isso; e pensadores posmodernistas atuais como <em>Richard Rorty <\/em>reconhecem publicamente que o historicismo de Hegel foi uma das principais fontes de sua convic\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o existe verdade dentro da hist\u00f3ria, mas apenas no processo hist\u00f3rico. O que falta para compreender Schaeffer aqui \u00e9 o entendimento do motivo subjacente \u00e0 dial\u00e9tica Hegeliana, que seria <em>a busca de uma l\u00f3gica capaz de superar o dualismo de Natureza e Liberdade <\/em>cristalizado em Immanuel Kant &#8211; um dilema central da filosofia alem\u00e3, tanto idealista quanto materialista. Foi a contradi\u00e7\u00e3o estrutural do pensamento moderno que levou \u00e0 crise da racionalidade, e Hegel representou uma das esta\u00e7\u00f5es dessa crise; o passo seguinte seria o existencialismo.<\/p>\n<p>O mesmo vale para a suspeita de que Tom\u00e1s de Aquino n\u00e3o seria respons\u00e1vel pelo dom\u00ednio do dualismo de Natureza e Gra\u00e7a &#8211; a separa\u00e7\u00e3o entre o campo da raz\u00e3o e do mundo &#8220;secular&#8221;, e o campo da f\u00e9 e das coisas sobrenaturais. A compara\u00e7\u00e3o entre Schaeffer e Tom\u00e1s mostra um desn\u00edvel em articula\u00e7\u00e3o e erudi\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande que \u00e9 f\u00e1cil suspeitar que Schaeffer pode ter sido simplista. Mas apenas se o leitor conhecer apenas Schaeffer e algo de Tom\u00e1s de Aquino; pois a diverg\u00eancia entre a concep\u00e7\u00e3o protestante primitiva de Natureza e Gra\u00e7a e a concep\u00e7\u00e3o Tomista a respeito \u00e9 uma observa\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica muito mais antiga que Schaeffer, e plenamente reconhecida na erudi\u00e7\u00e3o protestante como estando ligada <em>\u00e0 divergente apropria\u00e7\u00e3o do agostinianismo<\/em>. Os protestantes enfatizavam a prioridade da Gra\u00e7a de forma monergista, assim como a deprava\u00e7\u00e3o total do homem na Queda, e isso os levava a suspeitar de qualquer autonomia da natureza &#8211; seja em termos de racionalidade filos\u00f3fica, seja em termos de m\u00e9ritos para a salva\u00e7\u00e3o. E ainda que Tom\u00e1s tenha apenas herdado esse dualismo, ningu\u00e9m deu a ele uma forma mais filosoficamente bem articulada.<\/p>\n<p>Algo mais deve ser dito aqui, no entanto; as teses de Schaeffer sobre o dualismo de Natureza e Gra\u00e7a e de Natureza e Liberdade em Kant, Hegel e Kierkegaard, expostas de forma resumida em &#8220;A Morte da Raz\u00e3o&#8221; tiveram sua origem em uma escola muito maior e erudita de pensadores crist\u00e3os ligados \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o neocalvinista, do Estadista e Reformador holand\u00eas Abraham Kuyper. O <em>segundo homem de L&#8217;Abri <\/em>foi o fil\u00f3sofo e historiador da arte Hans Rookmaaker, que por sua vez foi disc\u00edpulo do jurista e fil\u00f3sofo holand\u00eas Herman Dooyeweerd, e temos boas raz\u00f5es para acreditar que grande parte da leitura de Schaeffer sobre esses assuntos foi derivada de Dooyeweerd via Hans Rookmaaker (al\u00e9m, \u00e9 claro, de Cornelius Van Til, professor de Schaeffer nos tempos de semin\u00e1rio).<\/p>\n<p>Dooyeweerd era um erudito enciclop\u00e9dico, membro da Academia Real Holandesa de Ci\u00eancias e presidente da v\u00e1rias sociedades cient\u00edficas em seu pa\u00eds; e ele descreveu tanto o dualismo tomista de Natureza e Gra\u00e7a como a orige<a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/files\/2012\/02\/crepusculo_g.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright  wp-image-180\" title=\"crepusculo_g\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/files\/2012\/02\/crepusculo_g-195x300.jpg\" alt=\"\" width=\"137\" height=\"210\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/files\/2012\/02\/crepusculo_g-195x300.jpg 195w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/files\/2012\/02\/crepusculo_g-97x150.jpg 97w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/files\/2012\/02\/crepusculo_g.jpg 325w\" sizes=\"auto, (max-width: 137px) 100vw, 137px\" \/><\/a>m e evolu\u00e7\u00e3o do dualismo de Natureza e Liberdade em obras mais simples como <a href=\"http:\/\/www.americanas.com.br\/produto\/7140627\/livro-no-crepusculo-do-pensamento-ocidental\" target=\"_blank\">&#8220;No Crep\u00fasculo do Pensamento Ocidental&#8221; (que traduzimos para o portugu\u00eas)<\/a>, em intermedi\u00e1rias, como &#8220;Roots of Western Culture&#8221; (Ra\u00edzes da Cultura Ocidental) e nas mais eruditas como &#8220;A New Critique of Western Thought&#8221; (Uma Nova Cr\u00edtica do Pensamento Ocidental) e &#8220;Reformation and Scholasticism in Philosophy&#8221; (Reforma e Escolasticismo na Filosofia). E al\u00e9m de Dooyeweerd, muitos outros eruditos protestantes da escola &#8220;<em>Wetsidee<\/em>&#8221; holandesa (a corrente filos\u00f3fica fundada por Dooyeweerd) se debru\u00e7aram sobre o tema com conclus\u00f5es semelhantes.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m deve pensar, portanto, que o ataque de Francis Schaeffer aos dualismos que corrompem a presen\u00e7a crist\u00e3 no mundo podem ser ignorados apenas pela falta de notas de rodap\u00e9 em seus livros; seus <em>insights <\/em>nesse campo se ap\u00f3iam sobre os ombros de alguns gigantes da erudi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 do s\u00e9culo XX, e para uma compreens\u00e3o mais profunda de Schaeffer \u00e9 essencial consultar suas fontes. A minha pr\u00f3pria consulta me tem feito confirmar a estrutura b\u00e1sica do argumento de Schaeffer.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida n\u00e3o se pode ler a obra de Schaeffer como se l\u00ea, por exemplo, Thomas Torrance, W. Pannenberg, Alister McGrath ou D. Carson, entre os te\u00f3logos atuais, ou Charles Taylor, Alvin Plantinga, Nicholas Wolterstorff ou Richard Swinburne, no caso dos fil\u00f3sofos crist\u00e3os atuais. Schaeffer n\u00e3o se encontra na lista dos grandes <em>eruditos <\/em>crist\u00e3os. Mas \u00e9 um erro l\u00ea-lo assim; ele jamais reivindicou essa posi\u00e7\u00e3o. O valor de Francis Schaeffer n\u00e3o est\u00e1 na meticulosidade de sua erudi\u00e7\u00e3o, mas em seu extraordin\u00e1rio <em>insight <\/em>espiritual, muitas vezes comunicado de forma imprecisa e question\u00e1vel, mas ainda assim, imensamente esclarecedor. Schaeffer \u00e9 <em>um mestre de espiritualidade com uma abordagem genuinamente p\u00f3s-iluminista<\/em>; talvez um dos poucos que temos assim. Ele escreve sobre espiritualidade crist\u00e3 e evangeliza\u00e7\u00e3o genu\u00edna no mundo de hoje, em termos de como esse mundo funciona, confrontando a mente moderna\/hipermoderna e mostrando com clareza a verdade do evangelho. Sob esse ponto de vista, continua sendo uma preciosidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n<p>Colin Duriez,<em> Francis Schaeffer: an authentic life<\/em>. Nottingham: InterVarsity Press, 2008.<br \/>\nBruce A. Little, <em>Francis Schaeffer: a mind and heart for God<\/em>. P&amp;R Publishing, 2010.<br \/>\nMichael S. Hamilton, <em>The Dissatisfaction of Francis Schaeffer.<\/em> Christianity Today, March 2997. (Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.christianitytoday.com\/ct\/1997\/march3\/7t322a.html\" target=\"_blank\">http:\/\/www.christianitytoday.<wbr>com\/ct\/1997\/march3\/7t322a.htm<\/wbr><\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na semana passada um dos mais importantes personagens evang\u00e9licos do s\u00e9culo XX fez o seu anivers\u00e1rio de cem anos: Francis August Schaeffer. Nascido em 30 de Janeiro de 1912 em Germantown, Pennsylvania, num lar completamente secularizado, Schaeffer viria a exemplificar uma esp\u00e9cie nova e, para muitos, incompreens\u00edvel de viv\u00eancia da f\u00e9 evang\u00e9lica, tornando-se o &#8220;ap\u00f3stolo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":23,"featured_media":163,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[116,8229],"tags":[11694,5563,26832,6051],"class_list":["post-161","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","category-labri","tag-apologetica","tag-francis-schaeffer","tag-labri","tag-teologia","count-0","even alt","author-guilhermevrc","last"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/wp-json\/wp\/v2\/users\/23"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=161"}],"version-history":[{"count":15,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":167,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161\/revisions\/167"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/wp-json\/wp\/v2\/media\/163"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=161"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=161"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/guilhermedecarvalho\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=161"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}