{"id":986,"date":"2013-12-24T21:43:15","date_gmt":"2013-12-25T00:43:15","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/gladircabral\/?p=986"},"modified":"2013-12-25T18:13:10","modified_gmt":"2013-12-25T21:13:10","slug":"2531-a-manjedoura-e-a-cruz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/gladircabral\/2013\/12\/24\/2531-a-manjedoura-e-a-cruz\/","title":{"rendered":"25\/31 | A manjedoura e a cruz?"},"content":{"rendered":"<p><b><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/gladircabral\/files\/2013\/12\/manger.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-987\" alt=\"manger\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/gladircabral\/files\/2013\/12\/manger.jpg\" width=\"259\" height=\"194\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/gladircabral\/files\/2013\/12\/manger.jpg 259w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/gladircabral\/files\/2013\/12\/manger-150x112.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 259px) 100vw, 259px\" \/><\/a>Leia: Mateus 2.1-8, 13, 14; 27.32-44<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O menino descansa na manjedoura. At\u00e9 ent\u00e3o, as vaquinhas e boizinhos encontravam ali o alimento. At\u00e9 ent\u00e3o, o cheiro da cana cortada, do capim gordura, o cheiro da palha. Agora, um beb\u00ea rec\u00e9m-nascido adormece num momento profundo de paz e perfuma o ambiente. Sua m\u00e3e e seu pai sorrindo ao redor, o sil\u00eancio das estrelas, o acalanto. Perplexos, pastores de ovelhas juntam-se aos reis magos a contemplar o menino.<\/p>\n<p>Trinta e tr\u00eas anos depois, aquele menino seria pregado a uma cruz. N\u00e3o mais um menino, mas um homem cansado e sedento, suado e sangrando, condenado pelos governantes e religiosos pelo crime de postular-se o Messias, o salvador de Israel. De maneira complexa e misteriosa, pode-se dizer que o significado pleno da manjedoura se encontra nos cravos e espinhos da cruz.<\/p>\n<p>O que h\u00e1 de comum entre a manjedoura e a cruz? O que h\u00e1 de diferente? Tanto a manjedoura quanto a cruz foram feitas do mesmo material, a madeira, o vegetal, a vida. Ambas foram constru\u00eddas como objetos r\u00fasticos, obra de carpintaria, sem o fino acabamento da marcenaria, sem os refinamentos da marchetaria. Utens\u00edlio barato, aquela manjedoura recebeu sobre si, surpresa, o mais caro tesouro da hist\u00f3ria humana: o menino Jesus. Depois disso, a manjedoura continuaria a ser o objeto an\u00f4nimo que sempre foi, sem nunca virar souvenir, sem nunca tornar-se rel\u00edquia de colecionadores.<\/p>\n<p>A cruz, s\u00edmbolo de morte e maldi\u00e7\u00e3o, lugar de desprezo e mis\u00e9ria completa, mesmo que acostumada \u00e0 agonia e \u00e0 morte carregou, horrorizada, o mesmo tesouro de salva\u00e7\u00e3o de gra\u00e7a, o corpo ferido e cortado de Jesus. Ela sim, de s\u00edmbolo de morte, passaria a significar reden\u00e7\u00e3o, e seus supostos fragmentos virariam rel\u00edquia nas m\u00e3os de in\u00fameros colecionadores.<\/p>\n<p>Todavia, nem a manjedoura poderia conter o Filho de Deus, embora desejasse, nem a cruz poderia prend\u00ea-lo ou limitar seu poder, embora n\u00e3o desejasse. Mas ele estava ali, visitando a hist\u00f3ria, tornando-se o centro das aten\u00e7\u00f5es de todos os que ouviram sua voz.<\/p>\n<p>A manjedoura ouviu o choro da crian\u00e7a, o riso da m\u00e3e e o canto dos p\u00e1ssaros. A cruz ouviu o gemido de dor do condenado, o choro da mesma m\u00e3e e o sil\u00eancio de Deus. A manjedoura atra\u00eda os animais para alimento; a cruz atraiu insetos e abutres, mas alimentou a humanidade de reden\u00e7\u00e3o e perd\u00e3o. A manjedoura parece marcar o in\u00edcio da hist\u00f3ria, mas \u00e9 apenas continua\u00e7\u00e3o de uma hist\u00f3ria que vem desde a funda\u00e7\u00e3o dos s\u00e9culos. A cruz parece marcar o fim da hist\u00f3ria, mas \u00e9 apenas o in\u00edcio da nossa grande salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para ser posto numa manjedoura \u00e9 preciso primeiro ser abra\u00e7ado. Para ser posto na cruz \u00e9 preciso primeiro abrir os bra\u00e7os. Entretanto, na cruz Jesus estava abra\u00e7ando a humanidade inteira.<\/p>\n<p>A manjedoura \u00e9 o lugar da d\u00e1diva, em que o menino recebe presentes dos magos do oriente. A cruz \u00e9 o lugar da pilhagem, onde as vestes de Jesus s\u00e3o repartidas como despojos de guerra. A manjedoura e a cruz, entretanto, unem-se como espa\u00e7os nos quais Deus nos presenteia com seu filho amado. A manjedoura e a cruz denunciam a exclus\u00e3o social e espiritual que marca nossa hist\u00f3ria. Elas testemunham do modo misterioso como Deus nos acolhe em si.<\/p>\n<p>Singela manjedoura, rude cruz \u2013 distantes de pal\u00e1cios, quart\u00e9is e lugares de poder. Objetos de desprezo, talvez, dos que se tornam senhores e reis. Entretanto, imperadores em geral e soberanos de todas as eras tremem diante da manjedoura e diante da cruz. Como disse certa vez Dietrich Bonhoeffer,<\/p>\n<blockquote><p>Para os grandes e poderosos deste mundo, h\u00e1 apenas dois lugares diante dos quais lhes falta a coragem, lugares que temem no mais profundo de suas almas e evitam: a manjedoura e a cruz de Cristo. Nenhum dos poderosos ousa se aproximar da manjedoura, nem mesmo o rei Herodes, pois \u00e9 ali que os tronos tremem, os poderosos caem, os soberanos perecem, porque Deus est\u00e1 do lado dos humildes. Ali a riqueza de nada vale, porque Deus est\u00e1 com os pobres e famintos, mas os ricos e opulentos Ele despede de m\u00e3os vazias. Diante de Maria, a jovem serva, diante da manjedoura de Cristo, diante de Deus em humildade, os poderosos nada conseguem; n\u00e3o t\u00eam direitos nem esperan\u00e7a; eles s\u00e3o julgados. (in\u00a0<i>God is in the Manger<\/i>)<\/p><\/blockquote>\n<p>Neste dia especial, ou\u00e7a esta obra-prima de Corelli, o <i>Concerto de Natal<\/i>, Opus 6 n. 8. <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=XFQ2oTYp5Z8\">http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=XFQ2oTYp5Z8<\/a> Ou\u00e7a. Medite. Ore. Compartilhe.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as v\u00e3o gostar destes dois videos:<\/p>\n<p>O primeiro tem Sixpence None the Rich cantando, &#8220;Silent Night&#8221;. <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=N6ml_YbgJsQ&amp;list=PL82FC3F62FD972915\">http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=N6ml_YbgJsQ&amp;list=PL82FC3F62FD972915<\/a><\/p>\n<p>O segundo traz Sara Groves cantando &#8220;O holy night&#8221; <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=--XhSOpbb4Q&amp;list=PL82FC3F62FD972915\">http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=&#8211;XhSOpbb4Q&amp;list=PL82FC3F62FD972915<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"right\">Jo\u00e3o Leonel &amp; Gladir Cabral<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leia: Mateus 2.1-8, 13, 14; 27.32-44 &nbsp; O menino descansa na manjedoura. At\u00e9 ent\u00e3o, as vaquinhas e boizinhos encontravam ali o alimento. At\u00e9 ent\u00e3o, o cheiro da cana cortada, do capim gordura, o cheiro da palha. 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