{"id":1362,"date":"2018-11-10T12:30:16","date_gmt":"2018-11-10T15:30:16","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/gladircabral\/?p=1362"},"modified":"2018-11-12T07:50:00","modified_gmt":"2018-11-12T10:50:00","slug":"o-fim-da-i-guerra-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/gladircabral\/2018\/11\/10\/o-fim-da-i-guerra-mundial\/","title":{"rendered":"O fim da I Guerra Mundial"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/gladircabral\/files\/wilfre-owen.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1363\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/gladircabral\/files\/wilfre-owen-672x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"427\" height=\"650\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/gladircabral\/files\/wilfre-owen-672x1024.jpg 672w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/gladircabral\/files\/wilfre-owen-197x300.jpg 197w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/gladircabral\/files\/wilfre-owen-768x1170.jpg 768w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/gladircabral\/files\/wilfre-owen-732x1116.jpg 732w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/gladircabral\/files\/wilfre-owen.jpg 1000w\" sizes=\"auto, (max-width: 427px) 100vw, 427px\" \/><\/a>H\u00e1 100 terminava a I Guerra Mundial. Com ela foram enterrados para sempre muitos dos sonhos da modernidade. Ela tamb\u00e9m inaugura um s\u00e9culo novo de guerras diferentes, profundamente marcadas pelo uso da tecnologia &#8212; o avi\u00e3o para bombardeios, os gases venenosos, m\u00e1scaras para prote\u00e7\u00e3o, granadas de m\u00e3o, canh\u00f5es de longo alcance, tanques velozes e pesados, metralhadoras e o r\u00e1dio como ferramenta de comunica\u00e7\u00e3o. Toda uma gera\u00e7\u00e3o se perdeu durante a I Guerra Mundial &#8212; engenheiros, m\u00e9dicos, professores, advogados, agricultores, artes\u00e3os artistas e poetas. Sim, poetas.<\/p>\n<p>Muitos poetas foram enviados para os campos de batalha na It\u00e1lia e na Fran\u00e7a e na Alemanha. Entre eles, Rupert Brooke (1887-1915), Siegfried Sassoon (1886-1967), Isaac Rosenberg (1890-1918) e Wilfred Owen (1893-1918). Eles escreveram sobre suas experi\u00eancias nas trincheiras, o ru\u00eddo das bombas, o frio e a chuva, as noites iluminas pelos holofotes e sinalizadores, a saudade da fam\u00edlia, os amores imposs\u00edveis, as noivas distantes, as l\u00e1grimas das m\u00e3es.&nbsp; Entre eles, toca-me mais agudamente os poemas de Wilfred Owen. Aqui est\u00e3o dois poemas inesquec\u00edveis: &#8220;Hino a uma juventude condenada&#8221; e &#8220;Dulce et decorum est&#8221;, na tradu\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Moura Jr.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p><strong>HINO A UMA JUVENTUDE CONDENADA<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Que dobre de finados aos que morrem qual gado?<br \/>\n\u2013 Apenas a monstruosa c\u00f3lera dos canh\u00f5es.<br \/>\nApenas a gagueira dos fuzis disparados<br \/>\nPode tartamudear r\u00e1pidas ora\u00e7\u00f5es.<br \/>\nBasta de escarnec\u00ea-los; basta de prece e sinos;<br \/>\nNenhuma voz de luto que n\u00e3o seja o un\u00edssono<br \/>\nDos obuses gementes, dementes, mofinos;<br \/>\nE os clarins a cham\u00e1-los de condados tristonhos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Que velas cumprir\u00e3o o dever de despach\u00e1-los?<br \/>\nNos olhos dos meninos, n\u00e3o nas m\u00e3os, ser\u00e1 vista<br \/>\nA sacra e bruxuleante chama das despedidas.<br \/>\nA palidez das jovens lhes servir\u00e1 de p\u00e1lio;<br \/>\nSer\u00e1 guirlanda o afeto das almas resignadas<br \/>\nE cada anoitecer um baixar de persianas.<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p><strong>DULCE ET DECORUM EST<\/strong><\/p>\n<p>\u00cdamos arqueados, velhos mendigos sob um saco,<br \/>\nPernas bambas, tossindo como harpias, blasfemantes<br \/>\nNa lama, at\u00e9 aos clar\u00f5es nossas costas voltarmos<br \/>\nE arrastarmo-nos para nosso pouso distante.<br \/>\nAlguns seguiam dormindo. Outros sem seus coturnos.<br \/>\nSeguiam com os p\u00e9s em sangue, cansados, manquitolas,<br \/>\nCegos e mesmo surdos ao ru\u00eddo dos soturnos<br \/>\n5.9 a explodir \u00e0s suas costas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>G\u00e1s! G\u00c1S! Rapazes, r\u00e1pido! De imediato uma az\u00e1fama<br \/>\nE m\u00e1scaras s\u00e3o \u00e0s pressas colocadas, bem a tempo;<br \/>\nMas entre n\u00f3s algu\u00e9m grita e logo desanda<br \/>\nA debater-se como se houvera visgo ou inc\u00eandio\u2026<br \/>\nPude v\u00ea-lo atrav\u00e9s da emba\u00e7ada viseira<br \/>\nE da espessa luz verde como a afogar-se em mar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em todos os meus sonhos, ante minha impot\u00eancia,<br \/>\nVagarosamente ele submerge a sufocar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se em sonhos emba\u00e7ados tamb\u00e9m fosses capaz<br \/>\nDe seguir a carro\u00e7a em que foi colocado<br \/>\nE ver a contorcer-se os olhos do rapaz,<br \/>\nBrancos, e o rosto ca\u00eddo, como o de um pobre diabo,<br \/>\nSe pudesses ouvir, a cada sacudida,<br \/>\nVir dos podres pulm\u00f5es o sangue borbulhante<br \/>\nE obsceno como um c\u00e2ncer, amargo qual ferida<br \/>\nSem cura numa l\u00edngua sem culpa, nesse instante<br \/>\nN\u00e3o dirias, minha amiga, com t\u00e3o ardente f\u00e9<br \/>\nA crian\u00e7as que desejam sorver da gl\u00f3ria o gole<br \/>\nA vetusta mentira: Dulce et decorum est<br \/>\nPro patria mori.<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Encontre mais poemas neste site:&nbsp;<a href=\"https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/materia\/nas-trincheiras\/\">https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/materia\/nas-trincheiras\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 100 terminava a I Guerra Mundial. 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