{"id":1092,"date":"2014-10-15T00:45:01","date_gmt":"2014-10-15T03:45:01","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/gladircabral\/?p=1092"},"modified":"2014-10-16T19:51:21","modified_gmt":"2014-10-16T22:51:21","slug":"carta-de-um-escravo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/gladircabral\/2014\/10\/15\/carta-de-um-escravo\/","title":{"rendered":"Carta de um escravo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/gladircabral\/files\/2014\/10\/jordon.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-1093\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/gladircabral\/files\/2014\/10\/jordon.jpg\" alt=\"jordon\" width=\"306\" height=\"423\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/gladircabral\/files\/2014\/10\/jordon.jpg 306w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/gladircabral\/files\/2014\/10\/jordon-217x300.jpg 217w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/gladircabral\/files\/2014\/10\/jordon-108x150.jpg 108w\" sizes=\"auto, (max-width: 306px) 100vw, 306px\" \/><\/a>A foto ao lado \u00e9 do escravo fugido conhecido como Brother Jordan Anderson. Jordan havia sido escravo numa fazenda do Tennessee (USA) e foi liberto pelas tropas da Uni\u00e3o em 1864 e passou os restantes 40 anos de sua vida em Ohio. Ele vivia uma vida pacata e em total anonimato at\u00e9 que resolveu publicar, num jornal de Cincinnati, uma carta a seu antigo senhor, que havia pedido que ele voltasse \u00e0 antiga fazenda. Eis a carta publicada em 22 de agosto de 1865.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma tentativa de tradu\u00e7\u00e3o. A mat\u00e9ria saiu no Mail Online, da Associated Press. Est\u00e1 dispon\u00edvel no seguinte endere\u00e7o eletr\u00f4nico: \u00a0http:\/\/www.dailymail.co.uk\/news\/article-2174410\/Pictured-The-freed-slave-moving-letter-old-master-asked-work-farm.html<\/p>\n<p><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p><strong>Daytona, Ohio, 7 agosto 1865<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ao meu velho senhor, coronel P.H. Anderson, Big Spring, Tennessee<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Senhor:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Recebi sua carta e me alegrei em saber que o senhor\u00a0n\u00e3o se esquece do Jordon, e que me quer de volta para viver a\u00ed de novo, prometendo me tratar melhor do que qualquer outra pessoa poderia. Sempre me senti preocupado em rela\u00e7\u00e3o ao senhor. Pensei que os ianques iriam enforc\u00e1-lo a muito tempo atr\u00e1s, por abrigar os rebeldes que encontraram em sua casa. Suponho que eles nunca tenham ouvido sobre aquela vez em que o senhor foi ao coronel Martin para matar aquele soldado da Uni\u00e3o que foi abandonado pela companhia no est\u00e1bulo da fazenda. Embora o senhor tenha atirado em mim duas vezes antes de deix\u00e1-lo, eu n\u00e3o queria ouvir que algo ruim tenha lhe acontecido, e me alegro que o senhor ainda esteja vivo. Seria bom voltar ao querido e velho lar, e ver Maria e Martha e Allen, Esther, Green e Lee. Mande a eles o meu carinho, e diga a eles que espero encontr\u00e1-los num mundo melhor, sen\u00e3o neste. Eu teria voltado para ver voc\u00eas todos, quando ainda trabalhava no Hospital de Nashville, mas um dos vizinhos me disse que Henry planejava atirar em mim, se algum dia tivesse a chance.<\/p>\n<p>E gostaria de saber, com mais detalhes, quais as boas condi\u00e7\u00f5es que o senhor promete me dar. Eu estou indo razoavelmente bem por aqui. Ganho vinte d\u00f3lares por m\u00eas, mais comida e roupa; tenho um lar confort\u00e1vel onde moro com Mandy \u2013 os amigos a chamam Sra. Anderson \u2013; e as crian\u00e7as \u2013 Milly, Jane e Grundy \u2013 v\u00e3o \u00e0 escola e est\u00e3o aprendendo bem. O professor diz que Grundy tem voca\u00e7\u00e3o para ser pregador. Eles v\u00e3o \u00e0 Escola Dominical, e Mandy e eu frequentamos a igreja regularmente. Somos bem tratados pelas pessoas. \u00c0s vezes ouvimos algu\u00e9m dizer: \u201cAqueles negros ali eram escravos\u201d no Tennessee. As crian\u00e7as ficam chateadas quando ouvem essas coisas; mas eu digo a elas que n\u00e3o \u00e9 desgra\u00e7a nenhuma, l\u00e1 no Tennessee, pertencer ao coronel Anderson. Muitos negros teriam ficado orgulhosos, como eu ficava, de t\u00ea-lo como senhor. Agora, se o senhor escrever dizendo que sal\u00e1rio ir\u00e1 me pagar, poderei saber se ser\u00e1 melhor para mim voltar ou ficar aqui.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 minha Liberdade, que o senhor disse que posso ter, n\u00e3o tenho nada a ganhar voltando para a\u00ed, pois consegui meus documentos em 1864 com o magistrado do Marechal Geral do Departamento de Nashville. Mandy diz que teme voltar sem alguma prova de que o senhor est\u00e1 disposto a nos tratar com justi\u00e7a e bondade, e decidimos testar sua sinceridade e pedir que nos envie nossos sal\u00e1rios relativos a todos os anos que servimos ao senhor. Isso far\u00e1 com que esque\u00e7amos e perdoemos as velhas marcas, e confiaremos em sua justi\u00e7a e amizade no futuro. Eu o servi fielmente por 32 anos, e Mandy por 20 anos. A $ 25,00 ao m\u00eas para mim e $ 2,00 por semana para Mandy, nossos ganhos seriam algo em torno de $ 11.680,00. \u00a0Acrescenta-se a isso os juros pelo tempo que nossos sal\u00e1rios foram retidos, e deduzindo o que nos pagou pelas nossas roupas e pelas tr\u00eas visitas do m\u00e9dico a mim, e por arrancar um dente de Mandy, e o peso da balan\u00e7a vai nos mostrar o que nos cabe pela justi\u00e7a. Por favor, envie o dinheiro via Adam\u2019s Express, aos cuidados de V. Winters, Esq., Daytona, Ohio. Se o senhor se recusar em nos pagar por nosso trabalho fiel realizado no passado, teremos pouca esperan\u00e7a em suas promessas no futuro. Confiamos que o bom Criador abriu de fato seus olhos para ver os erros que o senhor e seus pais fizeram a mim e aos meus pais, ao fazer-nos trabalhar para o senhor de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, sem recompensa. Aqui eu ganho meus sal\u00e1rios todo s\u00e1bado \u00e0 noite, mas no Tennessee nunca havia dia de pagamento para negros, do mesmo modo como n\u00e3o se pagavam os cavalos e vacas. Certamente, haver\u00e1 um dia de acerto de contas para todos aqueles que defraudaram os trabalhadores nas fazendas.<\/p>\n<p>Em resposta \u00e0 sua carta, por favor diga se haver\u00e1 alguma seguran\u00e7a para minha Milly e Jane, que est\u00e3o agora crescendo, e s\u00e3o ambas muito bonitas. O senhor sabe o que acontecia com a pobre Matilda e a Catherine. Eu preferiria ficar aqui e passar fome \u2013 e morrer, se for necess\u00e1rio \u2013 do que ver minhas filhas passando vergonha pela viol\u00eancia e pela maldade dos seus senhores mais jovens. Por favor, diga se haver\u00e1 escolas abertas para crian\u00e7as negras na sua vizinhan\u00e7a. O grande desejo de minha vida agora \u00e9 dar \u00e0s minhas filhas uma educa\u00e7\u00e3o e ensin\u00e1-las h\u00e1bitos cheios de virtude.<\/p>\n<p>D\u00ea um abra\u00e7o ao George Carter, e agrade\u00e7a a ele por tomar a pistola da sua m\u00e3o quando o senhor estava para atirar em mim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Do seu velho servo,<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Jordon Anderson<\/strong><br \/>\n(Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.dailymail.co.uk\/news\/article-2174410\/Pictured-The-freed-slave-moving-letter-old-master-asked-work-farm.html#ixzz3GAyFPAWp\">http:\/\/www.dailymail.co.uk\/news\/article-2174410\/Pictured-The-freed-slave-moving-letter-old-master-asked-work-farm.html#ixzz3GAyFPAWp<\/a>)<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A foto ao lado \u00e9 do escravo fugido conhecido como Brother Jordan Anderson. 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