{"id":928,"date":"2012-11-04T21:41:25","date_gmt":"2012-11-05T00:41:25","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/fatosecorrelatos\/?p=928"},"modified":"2012-11-04T21:41:25","modified_gmt":"2012-11-05T00:41:25","slug":"a-dor-de-comecar-a-viver","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/fatosecorrelatos\/2012\/11\/04\/a-dor-de-comecar-a-viver\/","title":{"rendered":"A dor de come\u00e7ar a viver"},"content":{"rendered":"<p>Era sua primeira noite fora da barriga da m\u00e3e. Miguel come\u00e7ara a viver, efetivamente. Mas a verdade \u00e9 que j\u00e1 era de madrugada, e meu filho n\u00e3o parava de chorar. Um choro do\u00eddo. Seu intestino ainda est\u00e1 se acostumando, disseram as enfermeiras. Al\u00e9m disso, o som, o calor, o ritmo do sono&#8230; tudo isso \u00e9 intenso e novo. Eu diria at\u00e9 violento (pela intensidade do impacto).<\/p>\n<p>Coloco minha imagina\u00e7\u00e3o em curso e me vejo no lugar do Miguel. Por nove meses, seu \u201clar\u201d foi um ambiente perfeito (a barriga), que funcionava inteiramente para ele. Mas agora n\u00e3o. A vida \u00e9 muito mais complexa e cheia de fatores, movimentos e est\u00edmulos. Mesmo que a gente se esforce o m\u00e1ximo para diminuir o impacto para Miguel, n\u00e3o, o mundo n\u00e3o existe em fun\u00e7\u00e3o dele. N\u00e3o s\u00e3o os sorrisos, os abra\u00e7os ou aconchego da m\u00e3e. O que mais toca, de fato, o rec\u00e9m-nascido \u00e9 a dor. Come\u00e7ar a viver \u00e9 enfrentar a dor, uma dor persistente por diversos dias.<!--more--><\/p>\n<p>Apesar de nos angustiarmos quando os choros s\u00e3o mais intensos, ningu\u00e9m acha que as circunst\u00e2ncias s\u00e3o anormais ou injustas. Pelo contr\u00e1rio, somos repetidamente aconselhados a encar\u00e1-las como parte da chegada do beb\u00ea.<\/p>\n<p>Como conciliar esta realidade com a ideia de que viver bem \u00e9 t\u00e3o somente sentir prazer a qualquer custo?<\/p>\n<p>Os choros do meu filho me ensinaram que n\u00e3o devo fugir da dor, quando ela \u00e9 inevit\u00e1vel. A alegria \u00e9 mais real quando a dor j\u00e1 passou, e n\u00e3o quando n\u00e3o temos coragem de enfrent\u00e1-la.<\/p>\n<p>Dor e alegria fazem parte da vida que Jesus fez quest\u00e3o de nos ensinar a viver. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que ele j\u00e1 disse: \u201cno mundo tereis afli\u00e7\u00f5es, mas tende bom \u00e2nimo; eu venci o mundo\u201d (Jo 16.33). Para quem ainda se lembra, foi uma vit\u00f3ria regada a sangue.<\/p>\n<p>Se a vida come\u00e7a com a dor, eu diria que \u00e9 imposs\u00edvel continuar a viver sem a ben\u00e7\u00e3o do consolo \u2013 consolar e ser consolado. N\u00e3o \u00e9 por acaso que um dos nomes de Deus \u00e9 exatamente \u201cConsolador\u201d (Jo 14).<\/p>\n<p>Que alegria saber que Ele nos concede o privil\u00e9gio de, enquanto somos consolados, tamb\u00e9m consolar os sofredores do mundo. A experi\u00eancia com o Miguel \u00e9, sem d\u00favida, uma grande oportunidade para nos envolvermos visceralmente nesta miss\u00e3o.<\/p>\n<p><em>#Di\u00e1riodeMiguel<\/em><\/p>\n<p><em>04 de novembro de 2012<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era sua primeira noite fora da barriga da m\u00e3e. Miguel come\u00e7ara a viver, efetivamente. Mas a verdade \u00e9 que j\u00e1 era de madrugada, e meu filho n\u00e3o parava de chorar. Um choro do\u00eddo. Seu intestino ainda est\u00e1 se acostumando, disseram as enfermeiras. 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