{"id":923,"date":"2012-10-30T11:27:11","date_gmt":"2012-10-30T14:27:11","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/fatosecorrelatos\/?p=923"},"modified":"2012-10-30T12:07:12","modified_gmt":"2012-10-30T15:07:12","slug":"os-primeiros-dias-do-resto-de-nossas-vidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/fatosecorrelatos\/2012\/10\/30\/os-primeiros-dias-do-resto-de-nossas-vidas\/","title":{"rendered":"Os primeiros dias do resto de nossas vidas"},"content":{"rendered":"<p>Miguel, nosso primeiro filho, nasceu na \u00faltima quinta-feira, dia 25, precisamente \u00e0s 8h03 da manh\u00e3. Amor, alegria, gratid\u00e3o&#8230; todos esses sentimentos vieram junto com o beb\u00ea, mas de um jeito diferente do que filmes e novelas tentam reproduzir. E foi isso que me surpreendeu. N\u00e3o era uma emo\u00e7\u00e3o arrebatadora, nem um amor repentinamente intenso. Sim, estes sentimentos est\u00e3o presentes, mas com um senso de alegre responsabilidade que misturou tudo. Amor e responsabilidade. Nem s\u00f3 leite, nem s\u00f3 caf\u00e9; caf\u00e9 com leite.<!--more--><\/p>\n<p>Dizer que a chegada do Miguel foi um \u201cgrande presente\u201d \u00e9 incompleto. Melhor dizer que foi como \u201cadentrar em uma grande jornada\u201d. Alice entrando no pa\u00eds das maravilhas. Os quatro irm\u00e3os descobrindo o reino de N\u00e1rnia. A diferen\u00e7a, no entanto, \u00e9 que o mundo no qual estou entrando \u00e9 muito mais real que o de qual sai.<\/p>\n<p>Eu, que sou mais te\u00f3rico que pr\u00e1tico, agora me vejo encontrando sentido em dar banho, trocar fraldas e a (dif\u00edcil) tarefa de segurar corretamente o Miguel. Estou aprendendo a valorizar mais o tempo (as mamadas s\u00e3o cronometradas e as noites em claro s\u00e3o mais longas) e a respeitar os limites da minha esposa.<\/p>\n<p>Em apenas tr\u00eas dias e tr\u00eas noites que Miguel chegou, ele est\u00e1 nos desarmando. Seja pelo amor que descubro a cada dia, seja pela responsabilidade de cuidar de um ser t\u00e3o fr\u00e1gil.<\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o quero muitas coisas, n\u00e3o preciso alimentar qualquer imagem irreal ou performance fabricada. Sou um inexperiente peregrino diante de sua maior jornada. Apesar de uma certa ansiedade pelo que vir\u00e1, a cada quil\u00f4metro percorrido sinto que mais me aproximo de casa, menos de ilus\u00e3o e mais de real. Quanto mais mergulho na tarefa (mesmo cansativa) de cuidar do Miguel, mais experimento a alegria que brota das coisas simples, dos gestos pequenos e cheios de significado.<\/p>\n<p>Sei que meu filho ainda me ensinar\u00e1 muito sobre beleza, poesia, alegria, amizade, depend\u00eancia, relacionamento com Deus. A crian\u00e7a esconde uma riqueza espiritual incr\u00edvel, e, pela gra\u00e7a de Deus, teremos uma vida toda pela frente. Mas eis a primeira li\u00e7\u00e3o que por ora aprendo: somos chamados para viver a realidade, enfrentar o descontrol\u00e1vel, suportar as dores e os inc\u00f4modos, rir do rid\u00edculo e valorizar o pequeno cotidiano. A realidade \u00e9 o solo f\u00e9rtil para o contentamento, pois este nos d\u00e1 a dimens\u00e3o exata da gratid\u00e3o. \u00a0A experi\u00eancia da paternidade \u00e9 uma das grandes oportunidades para descobrirmos isso.<\/p>\n<p>Sinto que estou vivendo \u201cos primeiros dias do resto de nossas vidas\u201d \u2013 n\u00e3o porque n\u00e3o os tenha vivido antes, mas porque meus olhos est\u00e3o mais atentos para viv\u00ea-los e apreci\u00e1-los continuamente. Quer dizer, n\u00e3o sem, de vez em quando, ser interrompido pelo choro do Miguel.<\/p>\n<p><em>Vi\u00e7osa, 27 de outubro de 2012.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel, nosso primeiro filho, nasceu na \u00faltima quinta-feira, dia 25, precisamente \u00e0s 8h03 da manh\u00e3. Amor, alegria, gratid\u00e3o&#8230; todos esses sentimentos vieram junto com o beb\u00ea, mas de um jeito diferente do que filmes e novelas tentam reproduzir. E foi isso que me surpreendeu. 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