{"id":1971,"date":"2021-09-20T08:46:13","date_gmt":"2021-09-20T11:46:13","guid":{"rendered":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/fatosecorrelatos\/?p=1971"},"modified":"2021-09-20T08:46:13","modified_gmt":"2021-09-20T11:46:13","slug":"meu-coracao-esta-no-afeganistao-conta-missionaria-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/fatosecorrelatos\/2021\/09\/20\/meu-coracao-esta-no-afeganistao-conta-missionaria-brasileira\/","title":{"rendered":"\u201cMeu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 no Afeganist\u00e3o\u201d, conta mission\u00e1ria brasileira"},"content":{"rendered":"<p>Ela tem 57 anos e morou por 7 anos no Afeganist\u00e3o. Provavelmente, ainda estaria l\u00e1 se n\u00e3o tivesse voltado ao Brasil no final de 2016 para um tempo de descanso; per\u00edodo esse que foi prolongado por quest\u00f5es de sa\u00fade. Quando estava prestes a voltar ao Afeganist\u00e3o, veio a pandemia. O pa\u00eds asi\u00e1tico agora vive dias de desespero, desde que o Talib\u00e3 retomou o controle em 15 de agosto de 2021.<\/p>\n<p>Professora h\u00e1 muitos anos, ela &#8211; que n\u00e3o quer se identificar &#8211; exerceu sua profiss\u00e3o em favor do reino de Deus, dando treinamento a professores, dirigindo uma escola e um projeto educacional com mulheres e meninas. <em>\u201c<\/em>Em todos os lugares onde trabalhamos, t\u00ednhamos o objetivo de construir relacionamentos, ouvir as pessoas, andar com elas, compartilhar\u00a0 hist\u00f3rias\u201d, conta.<\/p>\n<p>Confira a seguir a entrevista completa com a professora brasileira chamada por Deus para aben\u00e7oar as mulheres afeg\u00e3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>1. Quanto tempo voc\u00ea morou como mission\u00e1ria no Afeganist\u00e3o? Qual era basicamente o seu trabalho l\u00e1? Voc\u00ea pensa em voltar para l\u00e1?<\/strong><\/p>\n<p>Fui para o Afeganist\u00e3o em 2009, enviada pela minha igreja, com o apoio de uma organiza\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria. Voltei para o Brasil no final de 2016 para um per\u00edodo habitual se descanso e acabei n\u00e3o voltando.\u00a0 Sou professora, com muitos anos de profiss\u00e3o. No Afeganist\u00e3o trabalhei com educa\u00e7\u00e3o, oferecendo treinamentos para professores, dirigindo uma escola e um projeto com meninas e mulheres. Nesse projeto as mulheres de diversas idades, tinham aulas de ingl\u00eas, artes, inform\u00e1tica, sa\u00fade, exerc\u00edcios f\u00edsicos e refor\u00e7o nos estudos escolares. Em todos os lugares onde trabalhamos, t\u00ednhamos o objetivo de construir relacionamentos, ouvir as pessoas, andar com elas, compartilhar hist\u00f3rias\u2026 Quando voltei, descobri que teria que ficar no Brasil para tratamento de sa\u00fade. Depois, percebi que Deus estava me direcionando para ficar aqui por mais tempo.\u00a0 Demorei um pouco a aceitar. O cora\u00e7\u00e3o sempre vai estar naquela terra. S\u00e3o rostos com nomes, com hist\u00f3rias, com sonhos &#8230; Amigos e muitos irm\u00e3os naquele lugar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a02. <\/strong><strong>Fale um pouco mais sobre como \u00e9 o povo afeg\u00e3o. As meninas e mulheres, principalmente.<\/strong><\/p>\n<p>O povo afeg\u00e3o \u00e9 bem ligado \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es e costumes. S\u00e3o hospitaleiros, simples e desconfiados. Existem muitas etnias dentro do pa\u00eds. Um povo dividido por etnias, idiomas, costumes e pequenas diferen\u00e7as dentro da pr\u00f3pria religi\u00e3o. Conheci mulheres da cidade, mulheres de vilarejo, meninas solteiras, casadas. Mas a mulher sempre \u00e9 um tanto oprimida pela tradi\u00e7\u00e3o e religi\u00e3o. A nova gera\u00e7\u00e3o \u00e9 bem aberta a mudan\u00e7as e oportunidades. Algumas fam\u00edlias das cidades j\u00e1 n\u00e3o obrigavam mais suas filhas \u00e0 casamentos arranjados. Conheci mulheres que trabalhavam fora de casa, que estudavam, mas tudo sempre com autoriza\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia (pai ou esposo). A vida das mulheres acontece dentro dos muros de casa. As janelas s\u00e3o sempre fechadas com cortinas. Elas saem para fazer compras no bazar, na maioria das vezes acompanhadas. A maior divers\u00e3o para as mulheres s\u00e3o os casamentos e as visitas que fazem umas \u00e0s outras, em comemora\u00e7\u00f5es especiais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>3. Como voc\u00ea tem acompanhado os \u00faltimos acontecimentos no pa\u00eds? Que sentimentos voc\u00ea tem tido?<\/strong><\/p>\n<p>Tenho acompanhado atrav\u00e9s de amigos que ainda est\u00e3o l\u00e1, alguns contatos intermedi\u00e1rios e atrav\u00e9s dos notici\u00e1rios nacionais e internacionais. Sinto um misto de tristeza profunda, espanto, saudosismo e luto.\u00a0 Mas tamb\u00e9m h\u00e1 no meu cora\u00e7\u00e3o uma expectativa e esperan\u00e7a de um crescimento da comunidade crist\u00e3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a04. <\/strong><strong>A sua expectativa de crescimento da comunidade crist\u00e3 \u00e9 mais um sentimento ou uma perspectiva hist\u00f3rica?<\/strong><\/p>\n<p>A expectativa de crescimento \u00e9 baseada no que tem acontecido ao longo da hist\u00f3ria em pa\u00edses altamente perseguidos. A igreja j\u00e1 cresceu bastante nos \u00faltimos anos naquele pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>5. Em sua opini\u00e3o, como a igreja brasileira poderia ajudar os crist\u00e3os e o povo do Afeganist\u00e3o? Pelo que podemos orar?<\/strong><\/p>\n<p>A igreja brasileira tem sido mobilizada a interceder. J\u00e1 vejo movimentos para acolher refugiados em nosso pa\u00eds. Refugiados chegam nos pa\u00edses, na maioria das vezes, com a roupa do corpo, sem recursos financeiros, sem saber se comunicar em idioma diferente do seu pr\u00f3prio e com muitos traumas. A Igreja Brasileira tem como oferecer apoio em todas as \u00e1reas que esses refugiados precisam. Precisamos estar abertos e atentos as necessidades e oportunidades que surgir\u00e3o nesse tempo, para abra\u00e7ar esse povo, crist\u00e3os ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Precisamos:<\/p>\n<p>&#8211; Orar por prote\u00e7\u00e3o tanto para os que decidiram ficar no pa\u00eds, quanto para os que ainda tentam sair de l\u00e1.<\/p>\n<p>&#8211; Orar para que as emo\u00e7\u00f5es sejam curadas e a f\u00e9 dos nossos irm\u00e3os n\u00e3o se perca.<\/p>\n<p>&#8211; Orar para que, at\u00e9 entre os opressores, possa haver mudan\u00e7a de mente, arrependimento e convers\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Orar para que tudo se alinhe com os prop\u00f3sitos que o Senhor tem para aquela na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>6. Qual a sua mensagem para a Igreja Brasileira?<\/strong><\/p>\n<p>Somos desafiados a ser resposta para o que tem acontecido no Afeganist\u00e3o. E n\u00e3o s\u00e3o poucos os desafios em nosso pr\u00f3prio pa\u00eds. Como igreja, temos tantos recursos, mas as muitas tantas necessidades e afli\u00e7\u00f5es \u00e0s vezes nos paralisam, ou nos tornam ativistas de muitas causas, sem foco. Jesus, em seu tempo na terra, tamb\u00e9m se viu diante de desafios e necessidades. Mas ele sempre agiu guiado pelo Esp\u00edrito, em obedi\u00eancia ao Pai. Como ele, precisamos saber como responder a esses desafios atuais. E tudo come\u00e7a com a busca por meio da ora\u00e7\u00e3o e da Palavra. Assim o Esp\u00edrito Santo nos direciona a fazer o que espera da igreja como um todo, e de cada um individualmente. O que nos cabe \u00e9 buscar, ouvir e obedecer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ela tem 57 anos e morou por 7 anos no Afeganist\u00e3o. Provavelmente, ainda estaria l\u00e1 se n\u00e3o tivesse voltado ao Brasil no final de 2016 para um tempo de descanso; per\u00edodo esse que foi prolongado por quest\u00f5es de sa\u00fade. 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