{"id":1547,"date":"2016-12-31T19:46:37","date_gmt":"2016-12-31T22:46:37","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/fatosecorrelatos\/?p=1547"},"modified":"2016-12-31T20:07:26","modified_gmt":"2016-12-31T23:07:26","slug":"o-filho-o-pai-e-o-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/fatosecorrelatos\/2016\/12\/31\/o-filho-o-pai-e-o-tempo\/","title":{"rendered":"O filho, o pai e o tempo"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 verdade que o menino n\u00e3o sabe distinguir, no p\u00f4r do sol, se ainda \u00e9 dia ou se j\u00e1 \u00e9 noite. N\u00e3o sabe, portanto, se deve ou n\u00e3o acender as luzes. De todo modo, n\u00e3o duvida que a noite cair\u00e1 e que poder\u00e1, enfim, iluminar a sala.<\/p>\n<p>Certa vez ele disse naturalmente ao pai: &#8220;vou ficar com voc\u00ea para sempre&#8221;. O pai, incerto, respondeu: &#8220;n\u00e3o podemos prometer isso, filho&#8221;. O crescido homem j\u00e1 n\u00e3o acreditava tanto na eternidade. O tenro garoto, por sua vez, n\u00e3o via nada menos que o infinito.<\/p>\n<p>Pobre pai! Acostumou-se a resolver problemas, mas perdeu o h\u00e1bito de olhar al\u00e9m do vis\u00edvel.<\/p>\n<p>Mesmo assim, o menino n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o paciente. Aprendeu com as pessoas a n\u00e3o esperar. Talvez se cure desta doen\u00e7a chamada ansiedade. Ter\u00e1 que andar contra a corrente. Ter\u00e1 que esfor\u00e7ar-se bastante para deixar de entregar-se a preocupa\u00e7\u00f5es infundadas.<\/p>\n<p>Enquanto o menino olha para frente, o pai olha para tr\u00e1s. O menino acha que o que h\u00e1 de bom agora, continuar\u00e1. Gra\u00e7as a Deus, ele n\u00e3o tem raz\u00e3o para pensar diferente. Mas o pai, velho de guerra, lamenta o que perdeu ao longo da vida. Sente saudades de tempos long\u00ednquos em que era mais parecido com seu filho. Lidava melhor com o tempo porque este era um amigo que o ajudava a viver. Hoje, o homem quase velho, enxerga o tempo mais como obst\u00e1culo para executar todas as tarefas que precisa cumprir.<\/p>\n<p>Talvez o tempo seja as duas coisas: amigo e inimigo. Duas faces necess\u00e1rias para que possamos tanto aproveitar as oportunidades quanto para assumir responsabilidades. N\u00e3o se apresse a culp\u00e1-lo por nada.<\/p>\n<p>Ainda h\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o do pai uma chama de esperan\u00e7a, de f\u00e9. F\u00e9 na aurora que cresce e que trar\u00e1 muito mais do que um novo dia ou um novo ano. \u00c9 um tipo de alvorada que transcende tudo o que ele j\u00e1 viveu. As luzes do sol s\u00e3o sinais da profecia; s\u00e3o caminhos que o levam at\u00e9 o destino pleno e abundante do Eterno.<\/p>\n<p>O menino ensina o pai sobre como olhar o tempo. O pai ensina o filho a continuar acreditando na eternidade.<\/p>\n<p>Pai e filho. Juntos. Para sempre.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p><em>&#8220;A vereda do justo \u00e9 como a luz da alvorada, que brilha cada vez mais at\u00e9 a plena claridade do dia&#8221;.<\/em><br \/>\n(Pv 4.18)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 verdade que o menino n\u00e3o sabe distinguir, no p\u00f4r do sol, se ainda \u00e9 dia ou se j\u00e1 \u00e9 noite. N\u00e3o sabe, portanto, se deve ou n\u00e3o acender as luzes. De todo modo, n\u00e3o duvida que a noite cair\u00e1 e que poder\u00e1, enfim, iluminar a sala. 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