{"id":2443,"date":"2019-09-13T11:22:27","date_gmt":"2019-09-13T14:22:27","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/estudos-biblicos\/?p=2443"},"modified":"2019-09-13T12:41:28","modified_gmt":"2019-09-13T15:41:28","slug":"como-ter-comunhao-sem-perdao-de-pecados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/estudos-biblicos\/vida-crista\/como-ter-comunhao-sem-perdao-de-pecados\/","title":{"rendered":"\u00c9 poss\u00edvel ter comunh\u00e3o com Deus sem perd\u00e3o de pecados?"},"content":{"rendered":"<h3>A obra de expia\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<h4><strong>Haveria outra maneira de Deus perdoar nossos pecados sem que Jesus tivesse de morrer por n\u00f3s?<\/strong><\/h4>\n<p><strong>Texto b\u00e1sico:<\/strong> Isa\u00edas 52.13\u201353.12<\/p>\n<p><strong>Leitura di\u00e1ria<\/strong><br \/>\n<strong>D<\/strong> 2Co 5.18-21 Ele se fez pecador<br \/>\n<strong>S<\/strong> Gl 3.6-14 Resgate da maldi\u00e7\u00e3o da lei<br \/>\n<strong>T<\/strong> Hb 9.23-28 Oferecido para tirar os pecados<br \/>\n<strong>Q<\/strong> 1Pe 2.18-25 Carregando os nossos pecados<br \/>\n<strong>Q<\/strong> Gl 4.1-7 Resgatados e adotados<br \/>\n<strong>S<\/strong> Rm 4.1-25 Entregue pelas nossas transgress\u00f5es<br \/>\n<strong>S<\/strong> 1Jo 2.1-6 Propicia\u00e7\u00e3o pelos nossos pecados<\/p>\n<h4><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>A obra de expia\u00e7\u00e3o faz parte das fun\u00e7\u00f5es pertencentes ao of\u00edcio sacerdotal de Cristo. Como poder\u00edamos ter comunh\u00e3o com Deus, se nosso pecado n\u00e3o tivesse sido perdoado? Como isso foi feito? O que os sofrimentos e a morte de Jesus t\u00eam a ver com isso? Ser\u00e1 mesmo que n\u00e3o havia outra maneira de Deus perdoar nossos pecados sem que Jesus tivesse de morrer por n\u00f3s? Isso \u00e9 o que veremos na li\u00e7\u00e3o de hoje.<\/p>\n<h4>I. A expia\u00e7\u00e3o \u00e9 substitutiva<\/h4>\n<p>H\u00e1 uma imensa diferen\u00e7a entre expia\u00e7\u00e3o pessoal e expia\u00e7\u00e3o substitutiva. A expia\u00e7\u00e3o pessoal \u00e9 aquela que a pessoa faz por si mesma. A expia\u00e7\u00e3o substitutiva \u00e9 aquela que uma pessoa faz por outra. Nosso objetivo, nesta li\u00e7\u00e3o, \u00e9 mostrar o car\u00e1ter substitutivo da expia\u00e7\u00e3o realizada por Cristo em lugar de seu povo. Quando o ser humano caiu e se afastou de Deus como resultado de seu pr\u00f3prio pecado, ele ficou devendo uma repara\u00e7\u00e3o a Deus. Essa repara\u00e7\u00e3o era a penalidade prevista na alian\u00e7a, isto \u00e9, a morte: \u201c&#8230;da \u00e1rvore do conhecimento do bem e do mal n\u00e3o comer\u00e1s; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrer\u00e1s\u201d (Gn 2.17). De fato, no dia em que o homem pecou, ele morreu espiritualmente. Isso fica evidenciado pelo rompimento de sua comunh\u00e3o com Deus (Gn 3.8-10). No entanto, para que o homem pudesse ter vida espiritual eterna, Deus designou um <em>substituto <\/em>na pessoa de Jesus Cristo para cumprir a lei da alian\u00e7a (isto \u00e9, permanecer de p\u00e9 onde o homem havia ca\u00eddo) e morrer no lugar do ser humano, o justo pelos injustos.<\/p>\n<p>\u00c9 comum as pessoas terem muitas reservas ao ensino b\u00edblico da expia\u00e7\u00e3o substitutiva. A grande dificuldade dessas pessoas \u00e9 entender como e por que um Deus justo transfere sua ira contra os pecadores a Jesus, que \u00e9 perfeitamente inocente. Em outras palavras, a dificuldade \u00e9 entender como e por que Deus trata o justo Jesus como se ele fosse culpado. De fato, a transfer\u00eancia de um d\u00e9bito penal \u00e9 quase ou inteiramente imposs\u00edvel entre os seres humanos. No entanto, no caso de Cristo, isso pode ser feito sem que haja injusti\u00e7a de nenhuma esp\u00e9cie. \u00c9 importante lembrar que n\u00e3o foi somente o Pai que concebeu o plano de reden\u00e7\u00e3o que envolveu o sofrimento e a morte de Cristo em lugar dos pecadores, mas a <em>Trindade<\/em>. Cristo n\u00e3o foi obrigado a morrer em nosso lugar, ele fez isso voluntariamente. O pr\u00f3prio Jesus diz que \u201c&#8230;eu dou a minha vida para a reassumir. Ningu\u00e9m a tira de mim; pelo contr\u00e1rio, eu espontaneamente a dou&#8230;\u201d (Jo 10.17-18) e Isa\u00edas diz que \u201c&#8230;ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si&#8230;\u201d (Is 53.4).<\/p>\n<p>A Escritura ensina que o sofrimento e a morte de Cristo foram substitutivos, isto \u00e9, ele voluntariamente tomou o lugar dos pecadores, assumindo a culpa que era deles e, consequentemente, recebendo a puni\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m era deles. \u00c9 importante observar que os sofrimentos de Cristo n\u00e3o foram apenas os sofrimentos a que um amigo pode se sujeitar por simpatia. Ele n\u00e3o veio sofrer e morrer <em>junto <\/em>conosco, mas <em>em nosso lugar<\/em>.<\/p>\n<p>O Antigo Testamento ensina que os sacrif\u00edcios de animais apresentados sobre o altar tinham car\u00e1ter substitutivo. Quando o israelita apresentava um sacrif\u00edcio ao Senhor, ele tinha de colocar a m\u00e3o sobre a cabe\u00e7a do animal e confessar seus pecados. Este ato simbolizava a transfer\u00eancia do pecado para o animal e o tornava apto a morrer em lugar da pessoa que oferecia o sacrif\u00edcio (Lv 1.4). O animal oferecido em sacrif\u00edcio toma, em sua morte, o lugar que cabia ao ofertante. Os sacrif\u00edcios apresentados no Antigo Testamento prefiguravam o grande sacrif\u00edcio oferecido por Cristo, que \u00e9 o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29).<\/p>\n<p>H\u00e1 v\u00e1rias passagens na Escritura que falam de nossos pecados sendo lan\u00e7ados sobre Cristo e de Cristo tomando sobre si nosso pecado ou iniquidade (Is 53.6, 12; Jo 1.29; 2Co 5.21; Gl 3.13; Hb 9.28; 1Pe 2.24). Com base na Escritura, podemos dizer que nossos pecados s\u00e3o imputados ou atribu\u00eddos a Cristo. Isso n\u00e3o significa que nossa pecaminosidade tenha sido transferida a ele e que ele tenha se tornado pessoalmente um pecador como n\u00f3s. Como vimos no trimestre passado, Cristo n\u00e3o pecou. Quando dizemos que nossos pecados s\u00e3o imputados a Cristo, estamos dizendo simplesmente que a <em>culpa <\/em>por nossos pecados foi transferida a ele para que a justi\u00e7a de Deus pudesse ser satisfeita e n\u00f3s pud\u00e9ssemos ser perdoados. A culpa do pecado, como pass\u00edvel de puni\u00e7\u00e3o, foi imputada a Cristo, que sofreu a puni\u00e7\u00e3o por ela em nosso lugar, dando-nos, assim, acesso \u00e0 vida eterna. \u00c9 por isso que Paulo pode dizer: \u201cCristo nos resgatou da maldi\u00e7\u00e3o da lei, fazendo-se ele pr\u00f3prio maldi\u00e7\u00e3o em nosso lugar&#8230;\u201d (Gl 3.13); e \u201c&#8230;Cristo, quando n\u00f3s ainda \u00e9ramos fracos, morreu a seu tempo pelos \u00edmpios\u201d (Rm 5.6).<\/p>\n<h4>II. A expia\u00e7\u00e3o inclui a obedi\u00eancia ativa e a obedi\u00eancia passiva de Cristo<\/h4>\n<p>Para facilitar a compreens\u00e3o, \u00e9 comum distinguirmos entre a obedi\u00eancia ativa e a obedi\u00eancia passiva de Cristo. No entanto, isso <em>n\u00e3o <\/em>significa que elas possam ser separadas. As duas est\u00e3o presentes em toda a vida e obra de Jesus. Elas s\u00e3o partes complementares de uma unidade que n\u00e3o pode ser desfeita.<\/p>\n<p><strong><em>a. A obedi\u00eancia ativa de Cristo. <\/em><\/strong>Como Mediador da nova alian\u00e7a, Cristo teve a incumb\u00eancia de cumprir a lei, sendo obediente onde Ad\u00e3o foi desobediente. Isto constitui a obedi\u00eancia ativa de Cristo, que consiste em tudo o que Cristo fez para cumprir a lei como condi\u00e7\u00e3o para obter a vida eterna para aqueles a quem representava. \u00c9 por causa da obedi\u00eancia ativa de Cristo que seus sofrimentos recebem de Deus uma avalia\u00e7\u00e3o diferente daquela que recebem os sofrimentos dos pecadores. Quando n\u00f3s pecadores sofremos, nosso sofrimento \u00e9 decorrente, direta ou indiretamente, do estrago que o pecado fez no mundo e nas pessoas. Quando Cristo sofreu, ele fez isso, seu sofrimento era decorrente de sua gra\u00e7a amorosa, que o impulsionou a suportar um sofrimento que n\u00e3o era seu, mas nosso. Al\u00e9m disso, se n\u00e3o tivesse cumprido perfeitamente a lei, Cristo ficaria aqu\u00e9m das exig\u00eancias de Deus e, por isso, n\u00e3o poderia fazer expia\u00e7\u00e3o por n\u00f3s. A obra expiat\u00f3ria de Cristo faz mais do que garantir o perd\u00e3o para os pecadores. Se sua obra expiat\u00f3ria se resumisse a isso, eles seriam perdoados, mas continuariam tendo a necessidade de cumprir a lei para alcan\u00e7ar a salva\u00e7\u00e3o. O que Cristo fez por n\u00f3s em sua obra expiat\u00f3ria foi garantir o perd\u00e3o para os nossos pecados e nos livrar do cumprimento da lei <em>como condi\u00e7\u00e3o para alcan\u00e7ar a vida eterna, <\/em>adotando-nos como filhos e dando-nos a vida eterna como heran\u00e7a<em>: <\/em>\u201cVindo, por\u00e9m, a plenitude do tempo, Deus enviou seu filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que receb\u00eassemos a ado\u00e7\u00e3o de filhos&#8230; De sorte que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9s escravo, por\u00e9m filho; e, sendo filho, tamb\u00e9m herdeiro por Deus\u201d (Gl 4.4-5,7). Por interm\u00e9dio de Cristo, a justi\u00e7a da f\u00e9 substitui a da lei (Rm 10.3-4).<\/p>\n<p><strong><em>b. A obedi\u00eancia passiva de Cristo. <\/em><\/strong>Como Mediador, Cristo entrou tamb\u00e9m na rela\u00e7\u00e3o penal com a lei, a fim de cumprir a pena em nosso lugar. Sua obedi\u00eancia passiva consiste no cumprimento, por Cristo, da penalidade correspondente ao pecado. Esse cumprimento ocorreu nos sofrimentos e na morte de Cristo. Os sofrimentos de Cristo n\u00e3o surgiram acidentalmente, nem como resultado de circunst\u00e2ncias puramente naturais, mas foram ordenados por Deus para que Cristo suportasse, em nosso lugar e em nosso favor, toda a penalidade do pecado e, assim, pudesse nos reconciliar com Deus. Os sofrimentos e a morte que eram nossos, como sal\u00e1rio do nosso pr\u00f3prio pecado, foram lan\u00e7ados sobre Cristo, nosso substituto. Esse car\u00e1ter da obedi\u00eancia de Cristo \u00e9 mencionado pelo profeta Isa\u00edas em um dos vers\u00edculos mais conhecidos de toda a B\u00edblia: \u201cTodos n\u00f3s and\u00e1vamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de n\u00f3s todos\u201d (Is 53.6). Ela tamb\u00e9m aparece repetidamente nos escritos dos ap\u00f3stolos: [Cristo] \u201cfoi entregue por causa das nossas transgress\u00f5es e ressuscitou por causa da nossa justifica\u00e7\u00e3o\u201d (Rm 4.25); \u201c&#8230;carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que n\u00f3s, mortos para os pecados, vivamos para a justi\u00e7a; por suas chagas, fostes sarados\u201d (1Pe 2.24); \u201c&#8230;tamb\u00e9m Cristo morreu, uma \u00fanica vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no esp\u00edrito\u201d (1Pe 3.18); \u201cEle [Jesus] \u00e9 a propicia\u00e7\u00e3o pelos nossos pecados e n\u00e3o somente pelos nossos pr\u00f3prios, mas ainda pelos do mundo inteiro\u201d (1Jo 2.2).<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que algumas pessoas imaginam, Deus <strong><em>n\u00e3o <\/em><\/strong>poderia nos perdoar de outra forma. Se isso fosse poss\u00edvel, ele n\u00e3o entregaria seu pr\u00f3prio Filho para morrer em nosso lugar. Sim, Deus \u00e9 Pai, mas tamb\u00e9m \u00e9 Juiz; ele \u00e9 amor, mas tamb\u00e9m \u00e9 justi\u00e7a e santidade. N\u00e3o h\u00e1 nenhum atributo de Deus que se destaque em rela\u00e7\u00e3o aos outros. Para conjugar justi\u00e7a, santidade, amor e gra\u00e7a, ele nos responsabiliza pelos nossos pecados, considerando-nos culpados e merecedores da morte, mas, ao mesmo tempo, nos oferece um substituto fiel na pessoa de seu Filho, Jesus Cristo. A imagina\u00e7\u00e3o de que a morte de Jesus n\u00e3o seria necess\u00e1ria para que Deus perdoasse nossos pecados porque ele poderia, no fim das contas, simplesmente nos perdoar sem exigir satisfa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o de falta de co\u00adnhecimento de grandes e importantes doutrinas b\u00edblicas, como, por exemplo, os atributos de Deus. Al\u00e9m disso, imaginar que um perd\u00e3o sem satisfa\u00e7\u00e3o seria poss\u00edvel \u00e9 acreditar que Jesus sofreu e morreu desnecessariamente, o que \u00e9 um grande absurdo. Cada gota de sangue derramada por Jesus foi estritamente necess\u00e1ria para nosso perd\u00e3o e nossa salva\u00e7\u00e3o. A grandeza da abnega\u00e7\u00e3o e do sofrimento de Cristo deve nos mover a uma vida de dedica\u00e7\u00e3o e gratid\u00e3o a quem nos amou com tanta intensidade sendo n\u00f3s, ainda, pecadores (Rm 5.8).<\/p>\n<h4><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>O sacrif\u00edcio substitutivo de Cristo garante o perd\u00e3o de pecados para aqueles que creem nele. Esse sacrif\u00edcio, associado \u00e0 sua obedi\u00eancia completa e perfeita, garante que todos aqueles que creem nele, al\u00e9m de perdoados tamb\u00e9m s\u00e3o adotados como filhos e tornam-se herdeiros de Deus. Louvado seja Deus por seu grande amor por n\u00f3s.<\/p>\n<h4><strong>Aplica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>A espontaneidade com que Cristo tomou o lugar de seu povo e a intensidade de seus sofrimentos e de sua morte para cumprir a justi\u00e7a de Deus e obter o perd\u00e3o para os nossos pecados apontam para o grande amor com que somos amados por ele. Qual \u00e9 a firmeza do <em>seu <\/em>amor por Cristo?<\/p>\n<hr \/>\n<p><em>&gt; Autor do Estudo: Vagner Barbosa<\/em><\/p>\n<p>&gt;&gt; Estudo publicado originalmente na revista <em>Palavra Viva \u2013 Da cria\u00e7\u00e3o \u00e0 volta de Cristo<\/em>, da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.editoraculturacrista.com.br\/\">Editora Cultura Crist\u00e3<\/a>.\u00a0Usado com permiss\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A obra de expia\u00e7\u00e3o faz parte das fun\u00e7\u00f5es pertencentes ao of\u00edcio sacerdotal de Cristo. 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