{"id":2023,"date":"2018-04-06T08:47:24","date_gmt":"2018-04-06T11:47:24","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/estudos-biblicos\/?p=2023"},"modified":"2018-04-20T08:55:38","modified_gmt":"2018-04-20T11:55:38","slug":"o-unico-deus-da-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/estudos-biblicos\/evangelizacao\/o-unico-deus-da-historia\/","title":{"rendered":"O \u00fanico Deus da Hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<h3><strong>O \u00fanico Deus da Hist\u00f3ria<\/strong><\/h3>\n<p><strong>Texto b\u00e1sico: <\/strong>Atos 4.1-13<\/p>\n<p><strong>Leitura di\u00e1ria<\/strong><br \/>\n<strong>D <\/strong>Jo 14.1-15 O \u00fanico caminho<br \/>\n<strong>S <\/strong>Lc 24.1-49 Em toda a Escritura<br \/>\n<strong>T <\/strong>Cl 1.24-29 Mist\u00e9rio revelado<br \/>\n<strong>Q <\/strong>Ef 3.1-13 A gra\u00e7a de pregar a Cristo<br \/>\n<strong>Q <\/strong>2Co 4.1-6 Evangelho da gl\u00f3ria de Cristo<br \/>\n<strong>S <\/strong>Tg 2.1-16 A gl\u00f3ria pr\u00e1tica do evangelho<br \/>\n<strong>S <\/strong>Mt 22.1-14 As vestes gloriosas de Cristo<\/p>\n<h4><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>\u201cNos fins da Idade M\u00e9dia pesava na alma do povo uma tenebrosa melancolia\u201d, constata o holand\u00eas Huizinga.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> Os s\u00e9culos anteriores \u00e0 Reforma s\u00e3o descritos como per\u00edodo de grande ansiedade.<\/p>\n<p>Lutero (1483-1546) e as suas famosas ang\u00fastias espirituais, espelhava \u201co resumo dos medos e das esperan\u00e7as de sua \u00e9poca\u201d.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<p>Calvino (1509-1564), ainda que n\u00e3o sendo dominado por esse sentimento, refletia uma constata\u00e7\u00e3o natural: a fragilidade humana.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/p>\n<p>A Reforma Protestante do s\u00e9culo 16 foi um movimento eminentemente religioso e teol\u00f3gico (pelo menos em sua origem); estando ligada \u00e0 insatisfa\u00e7\u00e3o espiritual de dezenas de pessoas que, ao longo dos tempos, n\u00e3o encontravam na igreja romana espa\u00e7o para a manifesta\u00e7\u00e3o de sua f\u00e9 nem alimento para as suas necessidades espirituais. As insatisfa\u00e7\u00f5es n\u00e3o visam criar uma nova igreja, mas sim, tornar a existente mais b\u00edblica. Portanto, a Reforma deve ser vista n\u00e3o como um movimento externo, mas sim, como um movimento interno por parte de \u201ccat\u00f3licos\u201d piedosos que desejavam reformar a sua Igreja, revitalizando-a, transformando-a na Igreja dos fi\u00e9is.<\/p>\n<p>A Reforma ocorreu na Hist\u00f3ria, dentro das categorias tempo e espa\u00e7o, em que o homem est\u00e1 inserido. Isso n\u00e3o diminui as causas e muito menos o valor intr\u00ednseco da Reforma; pelo contr\u00e1rio, vem apenas demonstrar o que a Palavra de Deus ensina e no que creram os reformadores: Deus \u00e9 o Senhor da Hist\u00f3ria. Toda a rela\u00e7\u00e3o \u201cnatural-hist\u00f3rico\u201d n\u00e3o \u00e9 casual nem cegamente determinada: \u00c9 dirigida por Deus, o Senhor da Hist\u00f3ria. O prop\u00f3sito de Deus na Hist\u00f3ria como realidade presente, faz parte da ess\u00eancia de nossa f\u00e9.<\/p>\n<p>Dois dos pontos enfatizados pelos reformadores foram: <em>Somente as Escrituras e Somente Cristo. <\/em>Essas afirma\u00e7\u00f5es envolviam a compreens\u00e3o de que somos salvos unicamente pela obra de Cristo e que tudo que podemos saber de Deus e de sua vontade est\u00e1 revelado nas Escrituras. Portanto, se queremos conhecer a Cristo, comecemos e terminemos nas Escrituras. As Escrituras se constituem no conte\u00fado de todo ensino e prega\u00e7\u00e3o da igreja.<\/p>\n<h4><strong>I. Um antigo modelo redescoberto<\/strong><\/h4>\n<p>A Reforma teve como objetivo a volta \u00e0s Sagradas Escrituras. A preocupa\u00e7\u00e3o dos reformadores era principalmente \u201ca reforma da vida, da adora\u00e7\u00e3o e da doutrina \u00e0 luz da Palavra de Deus\u201d.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> Dessa forma, a partir da Palavra, passaram a pensar acerca de Deus, do homem e do mundo.<\/p>\n<p>A compreens\u00e3o dos reformadores era de que n\u00e3o \u00e9 a Igreja que autentica a Palavra por sua interpreta\u00e7\u00e3o \u201coficial\u201d, mas, sim, \u00e9 a B\u00edblia que se autentica a si mesma como Palavra de Deus revestida de autoridade. Deus mesmo \u00e9 quem nos ilumina para que possamos interpret\u00e1-la corretamente.<\/p>\n<p>Na Reforma deu-se uma mudan\u00e7a de quadro de refer\u00eancia. Por isso, podemos falar desse movimento como tendo um de seus pilares fundamentais a quest\u00e3o hermen\u00eautica ou da interpreta\u00e7\u00e3o. O \u201ceixo hermen\u00eautico\u201d desloca-se da tradi\u00e7\u00e3o da igreja para a compreens\u00e3o pessoal da Palavra. H\u00e1 aqui uma mudan\u00e7a de crit\u00e9rio de verdade que determina toda a diferen\u00e7a. Volta-se \u00e0s Escrituras para aprender a interpretar as Escrituras. A melhor int\u00e9rprete das Escrituras \u00e9 a pr\u00f3pria Escritura.<\/p>\n<h4><strong>\u00a0II.\u00a0<\/strong><strong>A Import\u00e2ncia da Cristologia<\/strong><\/h4>\n<p>A Cristologia consiste na compreens\u00e3o da Igreja a respeito da Pessoa e Obra de Cristo. No caso da Teologia Reformada, essa compreens\u00e3o \u00e9 buscada na Palavra de Deus \u2013 em submiss\u00e3o ao Esp\u00edrito \u2013, considerando tamb\u00e9m, as contribui\u00e7\u00f5es formuladas pela igreja ao longo da Hist\u00f3ria. Nessa considera\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, devemos ter em mente que: <strong>a) <\/strong>somente as Escrituras s\u00e3o infal\u00edveis, n\u00e3o as interpreta\u00e7\u00f5es das Escrituras, quer passadas, quer presentes; <strong>b) <\/strong>o Esp\u00edrito age na igreja e por meio dela, na interpreta\u00e7\u00e3o da Verdade revelada, conduzindo-a \u00e0 verdade (Jo 14.26; 16.13-15; 2Pe 1.3-15). Por isso, de nenhum modo podemos desconsiderar gratuitamente as contribui\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, sem correr o risco de anular o que o Esp\u00edrito tem feito por meio dos seus servos. Portanto, <strong>c) <\/strong>A f\u00e9 nunca pode estar dissociada dessa pesquisa.<\/p>\n<p>A Cristologia se constitui no cerne de toda Teologia Crist\u00e3. Ela \u00e9 o eixo da Teologia B\u00edblica: uma vis\u00e3o defeituosa da Pessoa e Obra de Cristo resulta numa \u201cteologia\u201d divorciada da plenitude da revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica. A consci\u00eancia desse fato deve nortear o nosso labor Cristol\u00f3gico e, tamb\u00e9m, servir como refer\u00eancia e ponto de partida teol\u00f3gico.<\/p>\n<h4><strong>\u00a0<\/strong><strong>III. Fundamenta\u00e7\u00e3o Hist\u00f3rica<\/strong><\/h4>\n<p>O Cristianismo \u00e9 uma religi\u00e3o de Hist\u00f3ria. Ele n\u00e3o se ampara em lendas, antes, em fatos os quais devem ser testemunhados, visto que eles t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o direta com a vida dos que cr\u00eaem. O Cristianismo \u00e9 uma religi\u00e3o de fatos, palavra e vida. A f\u00e9 crist\u00e3 fundamenta-se no pr\u00f3prio Cristo: O Deus-Homem. Sem o Cristo Hist\u00f3rico n\u00e3o haveria Cristianismo. O Cristianismo \u00e9 o pr\u00f3prio Cristo; ele n\u00e3o apenas indica o caminho; antes, \u00e9 o pr\u00f3prio (Jo 14.6).<\/p>\n<p>Sem o fato hist\u00f3rico da encarna\u00e7\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, podemos falar at\u00e9 de experi\u00eancia religiosa, mas n\u00e3o de experi\u00eancia crist\u00e3. A experi\u00eancia crist\u00e3 depende fundamentalmente desses eventos. A f\u00e9 crist\u00e3 \u00e9 para ser vivida e proclamada. A prega\u00e7\u00e3o caracteriza essencialmente a f\u00e9 crist\u00e3 e a sua proclama\u00e7\u00e3o (Rm 10.14,15). No final de sua vida, Paulo, com a consci\u00eancia certa de ter conclu\u00eddo fielmente o seu minist\u00e9rio, exorta o jovem Tim\u00f3teo a pregar fiel e perseverantemente a Palavra ainda que sabendo que os homens prefeririam as f\u00e1bulas (2Tm 4.2-5).<\/p>\n<h4><strong>IV. Jesus Cristo por ele mesmo<\/strong><\/h4>\n<p>A quest\u00e3o de quem \u00e9 o Cristo que cremos e pregamos permanece; essa tem sido ao longo da Hist\u00f3ria uma das indaga\u00e7\u00f5es mais relevantes para a nossa f\u00e9. As ang\u00fastias medievais e ainda permanentes em nossos dias s\u00e3o geradas pela falta de compreens\u00e3o da pessoa e obra de Cristo.<\/p>\n<p>A concep\u00e7\u00e3o Reformada n\u00e3o consiste num esfor\u00e7o para atribuir a Cristo valores que julgamos serem pr\u00f3prios dele; antes ela se ampara no reconhecimento e na aceita\u00e7\u00e3o incondicional de suas reivindica\u00e7\u00f5es. Assim, aquilo que dizemos de Cristo, permanecer\u00e1 ou n\u00e3o, conforme seja fiel \u00e0 proclama\u00e7\u00e3o do Verbo de Deus. Por isso, a vivacidade da Cristologia Reformada e, por que n\u00e3o, da sua proclama\u00e7\u00e3o, estar\u00e1 sempre em sua fidelidade \u00e0 Cristologia do Cristo.<\/p>\n<p>Cristo por ele mesmo; esse \u00e9 o anelo de toda Cristologia Reformada e, portanto, o fundamento de toda a nossa proclama\u00e7\u00e3o. Desse modo, devemos indagar sempre a respeito de nossas convic\u00e7\u00f5es e testemunho, avaliando-os por meio daquele que verdadeira e compreensivelmente diz quem \u00e9.<\/p>\n<p>Neste af\u00e3, devemos estar atentos ao fato de que \u201cCristo por ele mesmo\u201d envolve o limite do que foi revelado e o desafio do que nos foi concedido. N\u00e3o podemos ultrapassar o revelado, contudo, n\u00e3o podemos nos contentar com menos do que nos foi dado. Procurar a Cristologia do Cristo eq\u00fcivale a buscar compreender em submiss\u00e3o ao Esp\u00edrito tudo o que foi revelado para n\u00f3s (Dt 29.29b; Rm 15.4). Por certo, esse conhecimento n\u00e3o estar\u00e1 restrito ao Cristo Salvador, mas, al\u00e9m disso, nos fala do Cristo Deus-Homem; do Cristo Eterno e Glorioso. Ali\u00e1s, s\u00f3 podemos falar do Cristo Salvador, se ele de fato for \u2013 como \u00e9 \u2013 o Deus encarnado, visto que a nossa reden\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi levada a efeito pelo Logos divino, nem pelo \u201cJesus humano\u201d, mas por Jesus Cristo: Deus-Homem.<\/p>\n<p>\u201cDevemos precaver-nos para que, cedendo ao desejo de adequar Cristo \u00e0s nossas pr\u00f3prias inven\u00e7\u00f5es, n\u00e3o o mudemos tanto (como fazem os papistas), que ele se torne dessemelhante de si pr\u00f3prio. N\u00e3o nos \u00e9 permitido inventar tudo ao sabor de nossos gostos pessoais, sen\u00e3o que pertence exclusivamente a Deus instruir-nos segundo <em>o modelo que te foi mostrado <\/em>[\u00cax 25.40]\u201d.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/p>\n<h4><strong>\u00a0V.\u00a0<\/strong><strong>Conte\u00fado e significado da Proclama\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Quando falamos do conte\u00fado do evangelho, devemos definir o significado desse termo. Compreendemos ser o evangelho o pr\u00f3prio Cristo. Ele \u00e9 a personifica\u00e7\u00e3o do reino; Cristo \u00e9 o centro para onde tudo converge. O evangelho \u00e9 Cristoc\u00eantrico, porque sem a Pessoa e obra de Cristo n\u00e3o h\u00e1 Boa Nova. Cristo \u00e9 o autor e o conte\u00fado do evangelho. Pregar o evangelho significa pregar a Cristo bem como tudo aquilo que tem rela\u00e7\u00e3o com ele (Rm 15.20), j\u00e1 que sem Cristo n\u00e3o haveria evangelho (Lc 2.9-11).<\/p>\n<p>O evangelho \u00e9 uma mensagem acerca de Deus \u2013 da sua gl\u00f3ria e de seus atos salvadores; acerca do homem \u2013 do seu pecado e mis\u00e9ria; acerca da salva\u00e7\u00e3o e da condena\u00e7\u00e3o condicionada \u00e0 submiss\u00e3o ou n\u00e3o a Cristo como Senhor de sua vida. Essa mensagem que envolve uma decis\u00e3o na Hist\u00f3ria, ultrapassa a Hist\u00f3ria, visto ter valor eterno. Portanto, n\u00e3o podemos brincar com ela, n\u00e3o podemos fazer testes: estamos falando de vida e morte eterna (Jo 3.16-18).<\/p>\n<p>Em forma de esbo\u00e7o, podemos observar que evangelizar, nos moldes do Novo Testamento, significa <em>Proclamar<\/em>:<\/p>\n<h5><strong>A. As insond\u00e1veis riquezas de Cristo<\/strong><\/h5>\n<p><strong>\u00a0\u201c<\/strong>A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta gra\u00e7a de pregar aos gentios o evangelho das insond\u00e1veis riquezas de Cristo\u201d (Ef 3.8).<\/p>\n<p>O prop\u00f3sito n\u00e3o revelado de Deus e, da mesma forma, a sua vontade revelada no evangelho, \u00e9 por demais grandioso para poder ser plenamente compreendido e \u201crastreado\u201d por n\u00f3s em toda a sua complexidade. O contraste desse conhecimento em rela\u00e7\u00e3o ao nosso \u00e9 intensamente percept\u00edvel (Rm 11.33). O evangelho revela essa sabedoria que, por n\u00e3o ser compreendida por n\u00f3s em nossa maneira limitada e deturpada de pensar, soa como loucura (1Co 1.18-25). O evangelho \u00e9 o an\u00fancio da sabedoria de Deus em sua riqueza insond\u00e1vel.<\/p>\n<p>Paulo se considera um agraciado por poder anunciar o evangelho aos gentios, levando a boa nova de salva\u00e7\u00e3o a qual tem em seu conte\u00fado essencial a incompreens\u00edvel, inesgot\u00e1vel e inenarr\u00e1vel riqueza de Cristo. N\u00e3o podemos pensar nessa insond\u00e1vel riqueza sem termos nossos olhos voltados para a encarna\u00e7\u00e3o do Verbo; a perfei\u00e7\u00e3o \u00fanica e inexplic\u00e1vel de Jesus Cristo, o Filho eterno de Deus que se encarnou para morrer pelo seu povo, nos restaurando \u00e0 comunh\u00e3o com Deus. Paulo fala de Cristo como o rico e glorioso mist\u00e9rio que agora foi revelado aos gentios pelo evangelho (Cl 1.26,27). Em outro lugar Paulo demonstra que a correta rela\u00e7\u00e3o com Deus e com o nosso pr\u00f3ximo (este \u00e9 o sentido b\u00edblico da palavra piedade) come\u00e7a pela compreens\u00e3o correta da grandeza do mist\u00e9rio da encarna\u00e7\u00e3o (1Tm 3.16).<\/p>\n<h5><strong>B. A gl\u00f3ria de Deus e de Cristo<\/strong><\/h5>\n<p><strong>\u201c<\/strong>&#8230;O evangelho da gl\u00f3ria de Cristo, o qual \u00e9 a imagem de Deus\u201d (2Co 4.4). \u201c&#8230; O evangelho da gl\u00f3ria de Deus\u201d (1Tm 1.11).<\/p>\n<p>Deus, o nosso Pai, \u00e9 o Deus glorioso (Mt 6.9,13), aquele que habita o c\u00e9u. A gl\u00f3ria de Deus \u00e9 a beleza harmoniosa de suas perfei\u00e7\u00f5es e da sua obra salvadora. A gl\u00f3ria de Deus \u00e9 t\u00e3o eterna quanto ele o \u00e9. O Deus a quem oramos \u00e9 eternamente o Deus da gl\u00f3ria: A ele pertencem \u201co reino, o poder e a gl\u00f3ria para sempre\u201d (Mt 6.13).<\/p>\n<p>Jesus Cristo, nas horas que antecediam a sua auto-entrega em favor do seu povo, ora ao Pai: \u201c&#8230; Pai, \u00e9 chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o Filho te glorifique a ti (&#8230;). Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer; e agora, glorifica-me, \u00f3 Pai, contigo mesmo, com a gl\u00f3ria que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo\u201d (Jo 17.1,4,5). O Deus Trino \u00e9 o Senhor da gl\u00f3ria.<\/p>\n<p>A gl\u00f3ria do evangelho come\u00e7a em Deus Pai. O evangelho \u00e9 glorioso porque origina-se e pertence a Deus. \u201c&#8230; O evangelho da gl\u00f3ria de Deus\u201d (1Tm 1.11). O evangelho tamb\u00e9m \u00e9 \u201cda Gl\u00f3ria de Cristo\u201d, porque Jesus Cristo \u00e9 Deus: \u201c\u00e9 a imagem de Deus\u201d (2Co 4.4).<\/p>\n<p>Uma das express\u00f5es mais completas das \u201cinsond\u00e1veis riquezas de Cristo\u201d \u00e9 nos manifestada no fato da encarna\u00e7\u00e3o do Verbo eterno de Deus. Da\u00ed que o evangelho \u00e9 a boa nova da gl\u00f3ria de Cristo e da gl\u00f3ria de Deus: Jesus Cristo \u00e9 Deus. Em Cristo resplandece a Majestade Divina (Jo 1.14). Somente Deus \u00e9 glorioso.<\/p>\n<p>O evangelho nos enriquece. Jesus Cristo, o Senhor da gl\u00f3ria, rico em sua gl\u00f3ria eterna (1Co 2.8; Tg 2.1; Jo 17.1-5) fez-se pobre por amor do seu povo a fim de que f\u00f4ssemos enriquecidos na plenitude de sua gra\u00e7a (2Co 8.9). Na realidade, a sua humilha\u00e7\u00e3o (encarna\u00e7\u00e3o e morte) e exalta\u00e7\u00e3o (ressurrei\u00e7\u00e3o, glorifica\u00e7\u00e3o e ascens\u00e3o) n\u00e3o afetaram a ess\u00eancia da sua natureza divina.<\/p>\n<h4><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>A gl\u00f3ria de Deus \u00e9 totalmente invis\u00edvel a n\u00f3s, at\u00e9 que resplande\u00e7a em Cristo. O evangelho consiste no an\u00fancio da grandeza e majestade de Deus e como podemos conhec\u00ea-lo em Cristo Jesus.<\/p>\n<p>A mensagem do evangelho, conforme corretamente entenderam os Reformadores, n\u00e3o permite s\u00ednteses ou adapta\u00e7\u00f5es: O evangelho ou \u00e9 glorioso em sua singularidade ou n\u00e3o \u00e9 evangelho. O evangelho revela a gl\u00f3ria de Cristo: o Deus encarnado que deu a sua vida pelo seu povo a fim de que agora, restaurado \u00e0 comunh\u00e3o com Deus pud\u00e9ssemos viver para a gl\u00f3ria de Deus. Quando barateamos o evangelho o estamos esvaziando do seu sentido glorioso e majestoso, transformandoo em uma mensagem de auto-ajuda ou num atalho espiritual para as pessoas se sentirem melhor, sem de fato resolverem seu verdadeiro problema: a rela\u00e7\u00e3o correta com Deus. Portanto, n\u00e3o h\u00e1 aut\u00eanticos substitutos para o evangelho; haver\u00e1 sempre o perigo de substituir a verdadeira mensagem de salva\u00e7\u00e3o proveniente do pr\u00f3prio Deus por nossos paliativos que apenas mascaram temporariamente as nossas verdadeiras car\u00eancias.<\/p>\n<h4><strong>Aplica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Quando Cristo voltar, s\u00f3 ser\u00e3o admitidos nas Bodas do Cordeiro aqueles que foram vestidos com as vestes da justi\u00e7a de Cristo (Mt 22.1-14). Sem elas revelamos apenas os trapos e imund\u00edcias de nossos pecados (Is 64.6).<\/p>\n<p>Lembremo-nos: \u201cTodo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela n\u00e3o permanece, n\u00e3o tem Deus; o que permanece na doutrina, esse tem assim o Pai, como o Filho\u201d (2Jo 9). Portanto, permanece como lema da igreja de Cristo: <em>Somente a Palavra<\/em>; <em>Somente Cristo<\/em>.<\/p>\n<hr \/>\n<h5><span style=\"color: #808080;\"><strong>Notas<\/strong><\/span><\/h5>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>\u00a0<span style=\"color: #808080;\">Johan Huizinga, <em>O Decl\u00ednio da Idade M\u00e9dia, <\/em>S\u00e3o Paulo: Verbo\/EDUSP, 1978, p. 31.<\/span><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>\u00a0<span style=\"color: #808080;\">Timothy George, <em>A Teologia dos Reformadores, <\/em>S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 1994, p. 26.<\/span><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>\u00a0<span style=\"color: #808080;\">Jo\u00e3o Calvino, <em>O Livro dos Salmos, <\/em>S\u00e3o Paulo: Parakletos, 2002, Vol. 3, (Sl. 102.25,26), pp. 585,586; <em>As Institutas, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2007, I.17.11; <em>As Institutas da Religi\u00e3o Crist\u00e3: edi\u00e7\u00e3o especial com notas para estudo e pesquisa, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2006, IV.17.19, pp. 195-196.<\/span><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>\u00a0<span style=\"color: #808080;\">Colin Brown, <em>Filosofia e F\u00e9 Crist\u00e3<\/em>, S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 1983, p. 36.<\/span><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><strong>[5]<\/strong><\/a><strong>\u00a0<\/strong><span style=\"color: #808080;\">Jo\u00e3o Calvino, <em>Exposi\u00e7\u00e3o de Hebreus, <\/em>S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1997 (Hb 8.5), p. 209.<\/span><\/h6>\n<hr \/>\n<p>&gt;&gt; Estudo publicado originalmente na revista\u00a0<em>Palavra Viva,\u00a0<\/em>s\u00e9rie publicada pela\u00a0<a href=\"https:\/\/www.editoraculturacrista.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=https:\/\/www.editoraculturacrista.com.br\/&amp;source=gmail&amp;ust=1523102064319000&amp;usg=AFQjCNEbiqNqyDRgovNLt4MndU_KdqVEzw\">Editora Cultura Crist\u00e3<\/a>. Usado com permiss\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Reforma Protestante do s\u00e9culo 16 foi um movimento ligado \u00e0 insatisfa\u00e7\u00e3o espiritual de dezenas de pessoas que, ao longo dos tempos, n\u00e3o encontravam na igreja romana espa\u00e7o para a manifesta\u00e7\u00e3o de sua f\u00e9 nem alimento para as suas necessidades espirituais.<\/p>\n<p>Dois dos pontos enfatizados pelos reformadores foram: Somente as Escrituras e Somente Cristo. Essas afirma\u00e7\u00f5es envolviam a compreens\u00e3o de que somos salvos unicamente pela obra de Cristo e que tudo que podemos saber de Deus e de sua vontade est\u00e1 revelado nas Escrituras. <\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":47,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[4783,98,6051],"tags":[6401,5444,102,5609,34816,6051],"class_list":["post-2023","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-espiritualidade","category-evangelizacao","category-teologia","tag-cristo","tag-deus","tag-evangelho","tag-historia","tag-revelacao","tag-teologia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/estudos-biblicos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2023","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/estudos-biblicos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/estudos-biblicos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/estudos-biblicos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/estudos-biblicos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2023"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/estudos-biblicos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2023\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2037,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/estudos-biblicos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2023\/revisions\/2037"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/estudos-biblicos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/47"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/estudos-biblicos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2023"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/estudos-biblicos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2023"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/estudos-biblicos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2023"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}