{"id":1140,"date":"2016-01-11T00:00:14","date_gmt":"2016-01-11T03:00:14","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/estudos-biblicos\/?p=1140"},"modified":"2016-01-15T12:17:59","modified_gmt":"2016-01-15T15:17:59","slug":"santos-no-mundo-em-cristo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/estudos-biblicos\/vida-crista\/santos-no-mundo-em-cristo\/","title":{"rendered":"Santos no mundo (em Cristo)"},"content":{"rendered":"<p><strong>Texto b\u00e1sico: <\/strong>Romanos 6<\/p>\n<p><strong>Leitura di\u00e1ria<\/strong><br \/>\nD \u2013 Mt 16.24-27 Tome sua cruz<br \/>\nS \u2013 Cl 3.1-17 Ressuscitados com Cristo<br \/>\nT \u2013 1Pe 217-22 A libertinagem corrompe<br \/>\nQ \u2013 Gl 2.15-21 N\u00e3o vivo eu, mas Cristo<br \/>\nQ \u2013 Rm 13.11-14 Andemos dignamente<br \/>\nS \u2013 1Pe 1.13-21 Sede santos<br \/>\nS \u2013 Ef 4.17\u20135.2 Imitadores de Deus<\/p>\n<h3>Introdu\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>As descri\u00e7\u00f5es e exig\u00eancias de santidade das Escrituras, podem nos levar a pensar que o padr\u00e3o de Deus \u00e9 alto demais para n\u00f3s. Afinal, quantas l\u00e1grimas j\u00e1 derramamos ao nos dar conta de que vivemos como se ainda estiv\u00e9ssemos mortos em nossos pecados?<\/p>\n<p>Ao chegarmos em Romanos 6, Paulo j\u00e1 descreveu a mis\u00e9ria espiritual da humanidade, j\u00e1 exp\u00f4s a justifica\u00e7\u00e3o gratuita provida por Cristo e os seus resultados gloriosos. As perguntas que surgem diante da obra maravilhosa de Cristo a nosso favor s\u00e3o: Como poderemos viver \u00e0 altura dessa salva\u00e7\u00e3o? Ser\u00e1 que a tarefa \u00e9 grande demais para n\u00f3s? Por outro lado, essa gra\u00e7a n\u00e3o nos empurra para uma vida de mais pecados ainda? Paulo n\u00e3o foge a essas quest\u00f5es, mas apresenta a obra de Cristo como suficiente para n\u00f3s.<\/p>\n<h3>I.\u00a0Crucificados com Cristo<\/h3>\n<p>&#8220;Permaneceremos no pecado?&#8221; Paulo responde firme e negativamente (Rm 6.1). Ele n\u00e3o se coloca como um super-homem espiritual, apontando nossas falhas, mas identifica-se com nossa luta. A quest\u00e3o \u00e9 crucial. Se est\u00e1vamos mortos, e por meio do sacrif\u00edcio de Cristo fomos declarados justos diante de Deus, agora dev\u00edamos estar vivos no Reino do Filho e mortos para o pecado. Infelizmente, por\u00e9m, muitas vezes vivemos como se ainda estiv\u00e9ssemos mortos para Cristo e vivos para o pecado.<\/p>\n<p>Paulo estava prevendo que os cr\u00edticos do evangelho da gra\u00e7a fariam a obje\u00e7\u00e3o de que se o perd\u00e3o vem de gra\u00e7a (sem obras) ao pecador, ent\u00e3o seria l\u00f3gico viver pecando mais ainda. \u00c9 como se a justifica\u00e7\u00e3o pela gra\u00e7a premiasse o pecado! A resposta vem por meio de outra pergunta: &#8220;Como viveremos ainda no pecado, n\u00f3s os que para ele morremos?&#8221; (v.2). Uma convers\u00e3o verdadeira significa morte verdadeira \u2013 morte para o pecado. Na verdade Paulo nos d\u00e1 at\u00e9 mesmo a data dessa morte: ao sermos &#8220;batizados em Cristo Jesus&#8221; (v.3). Mas, depois de discorrer por cinco cap\u00edtulos sobre a justifica\u00e7\u00e3o pela f\u00e9 somente, o ap\u00f3stolo n\u00e3o est\u00e1 mudando sua tese para &#8220;salva\u00e7\u00e3o pelo batismo&#8221;; acontece que, nos tempos apost\u00f3licos, conforme vemos em Atos (2.41; 8.38; 10.48, por ex.), o batismo seguia a confiss\u00e3o de f\u00e9 em Cristo quase que imediatamente, tornando-se experi\u00eancias n\u00e3o muito distintas. Aqui, Paulo fala do batismo como s\u00edmbolo ou marco da uni\u00e3o do crente com seu Salvador. Simboliza e sela visivelmente a purifica\u00e7\u00e3o dos pecados e o recebimento do Esp\u00edrito Santo pelo crente (1Co 12.13). A id\u00e9ia \u00e9 que n\u00f3s devemos nos lembrar de que a vida crist\u00e3 \u00e9 uma vida de identifica\u00e7\u00e3o com a morte de Cristo.<\/p>\n<p>No momento em que aceitamos Cristo como nosso Salvador somos justificados perante Deus, e nossa culpa se vai; mas ainda precisamos lidar com esta vida presente, com nossos desejos e tenta\u00e7\u00f5es. A chave \u00e9 n\u00e3o esquecermos que passamos pela morte de Cristo: &#8220;Se algu\u00e9m quer vir ap\u00f3s mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me&#8221; (Mt 16.24). Ser disc\u00edpulo de Cristo \u00e9 ter sua velha natureza morta para o pecado, por isso, o crist\u00e3o n\u00e3o deseja &#8220;permanecer&#8221; nem &#8220;viver&#8221; no pecado.<\/p>\n<p>Entretanto, devemos esclarecer que n\u00e3o cabe aqui o conceito antib\u00edblico ensinado por alguns de que o crist\u00e3o est\u00e1 morto no sentido de que j\u00e1 \u00e9 imune \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o e ao pecado. Esse erro tem levado muitos crentes sinceros ao auto-engano e ao desespero. Em primeiro lugar, note que nosso texto utiliza a mesma express\u00e3o &#8220;morrer para o pecado&#8221; tanto para n\u00f3s quanto para Cristo, e como \u00e9 \u00f3bvio que Cristo nunca esteve receptivo ao pecado, nem livrou-se de sua influ\u00eancia apenas na sua morte, n\u00e3o pode ser esse o sentido em rela\u00e7\u00e3o a n\u00f3s tamb\u00e9m. E, segundo, tanto as biografias dos santos da B\u00edblia quanto a nossa experi\u00eancia crist\u00e3 demonstram claramente que nossa natureza carnal fica ainda ativa ap\u00f3s a convers\u00e3o. De qualquer forma o restante da ep\u00edstola confirma isto, pois Paulo passa a admoestar os irm\u00e3os de Roma a deixarem as obras das trevas (Rm 13.11-14).<\/p>\n<p>Devemos buscar o verdadeiro significado dessa morte com Cristo na declara\u00e7\u00e3o de que a morte \u00e9 o sal\u00e1rio do pecado (Rm 6.23; 1.32). Cristo morreu como castigo pelo pecado; carregou nossos pecados e sua justa conseq\u00fc\u00eancia sobre si. J\u00e1 sofreu de uma vez por todas a pena pelos nossos pecados, portanto o pecado j\u00e1 n\u00e3o tem direito ou poder sobre ele \u2013 e nem sobre n\u00f3s, os que se unem por meio da f\u00e9 \u00e0 sua morte sacrificial (v.7). Mortos para o pecado porque em Cristo j\u00e1 sofremos o castigo devido ao pecado, e ele j\u00e1 n\u00e3o tem direito sobre n\u00f3s.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> \u00c9 assim que podemos viver.<\/p>\n<h3>II.\u00a0Ressuscitados com Cristo<\/h3>\n<p>Se n\u00f3s fomos unidos a Cristo na semelhan\u00e7a de sua morte, algum dia seremos tamb\u00e9m ressuscitados com ele. Por\u00e9m isso n\u00e3o \u00e9 algo apenas para o futuro, mas tem significado no presente: &#8220;andemos n\u00f3s em novidade de vida&#8221; (Rm 6.4). A \u00eanfase de Paulo \u00e9 que n\u00e3o precisamos esperar o futuro, mesmo na vida presente podemos experimentar a realidade de que n\u00e3o somos mais escravos do pecado (v.6), pois ele foi destitu\u00eddo completamente de poder (este \u00e9 o significado de &#8220;destru\u00eddo&#8221;).<\/p>\n<p>\u00c9 maravilhoso sabermos que, tendo aceitado Cristo como nosso Salvador, n\u00f3s, da mesma forma que ele, seremos fisicamente ressuscitados da morte; mas o ponto aqui \u00e9 que h\u00e1 um significado dessa ressurrei\u00e7\u00e3o que \u00e9 v\u00e1lido para nossa vida atual. \u00c9 como se ele dissesse: &#8220;Cristo morreu e ressuscitou no passado; pela f\u00e9 n\u00f3s j\u00e1 morremos com ele e ressuscitaremos como ele \u2013 agora viva de acordo com isso!&#8221; Nosso chamado \u00e9 para vivermos no presente como se j\u00e1 estiv\u00e9ssemos no futuro. Eis a\u00ed o chamado crist\u00e3o, espl\u00eandido e real ao mesmo tempo. Assim como Cristo n\u00e3o morreu por morrer simplesmente, nossa voca\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 puramente negativa \u2013 morrer para o pecado \u2013, mas extremamente positiva, pois estamos vivos para Deus. A vida crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 um mero estilo de vida mais tristonho, cheio de priva\u00e7\u00f5es e sacrif\u00edcios. Certamente est\u00e3o envolvidos aspectos negativos e de sacrif\u00edcio, mas s\u00e3o determinados pelo ponto essencial e positivo de viver para Deus.<\/p>\n<p>A vida crist\u00e3 n\u00e3o pode ser medida pelo n\u00famero de programa\u00e7\u00f5es, o tempo de convers\u00e3o ou o n\u00famero de cargos na igreja. Para estarmos vivos para Deus temos de ressuscitar de uma morte continuamente. Devemos morrer para a auto-sufici\u00eancia, para o ego\u00edsmo, para o egocentrismo. Estar vivo para Deus \u00e9 essencial, e para isso, deve haver morte. N\u00e3o h\u00e1 outro caminho. Em nosso cotidiano, devemos experimentar tanto a morte para o pecado quanto o viver para Deus.<\/p>\n<p>Entretanto, em lugar algum da B\u00edblia se diz que algu\u00e9m seja capaz de viver de forma perfeita nesta vida; por outro lado, tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 a sugest\u00e3o de que n\u00f3s possamos nos manter amarrados \u00e0s cadeias de nosso passado pecaminoso. H\u00e1 um poder que quebra essas cadeias, mas ele n\u00e3o vem de n\u00f3s; \u00e9 o poder do sangue derramado por Jesus, que morreu, sim, mas ressuscitou e est\u00e1 vivo. \u00c9 por meio de sua obra consumada na cruz que essa vida \u00e9 poss\u00edvel. &#8220;Vivos para Deus em Cristo Jesus&#8221;, Paulo diz (Rm 6.11,23). \u00c9 em Cristo que viveremos. Isso significa dizer que a obra de Cristo n\u00e3o inclui apenas o pre\u00e7o do nosso pecado, mas igualmente o poder de ressurrei\u00e7\u00e3o para a nossa vida.<\/p>\n<p>Esses s\u00e3o fatos consumados, baseados na obra efetiva de Cristo, n\u00e3o s\u00e3o fruto de nossa imagina\u00e7\u00e3o. Entretanto, Paulo nos convoca a &#8220;considerar&#8221; este fato; nossa mente tem um papel importante aqui: em oposi\u00e7\u00e3o a &#8220;ignorais&#8221; (v.3), ele contrap\u00f5e tr\u00eas vezes &#8220;saber&#8221; (vs. 6,9,16). N\u00e3o se trata de fantasia, mas de f\u00e9 em fatos reais ocorridos no passado, na obra consumada de Cristo, e por ser essa uma obra digna de cr\u00e9dito, &#8220;cremos que com ele viveremos&#8221; (v.8). Nossa mente deve compenetrar-se de tal modo na morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo e nas suas conseq\u00fc\u00eancias para n\u00f3s a partir de nosso batismo nele, que vivermos em pecado ser\u00e1 uma alternativa absurda e descartada enfaticamente.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o \u00e9 uma abstra\u00e7\u00e3o nem uma espiritualiza\u00e7\u00e3o da vida, mas Paulo est\u00e1 nos dizendo exatamente os meios pelos quais essa realidade passa a ser concreta em nossa vida. Repetindo: Paulo n\u00e3o fantasiando a vida crist\u00e3, dizendo que voc\u00ea ser\u00e1 perfeito daqui para frente; mas h\u00e1 uma enorme diferen\u00e7a entre n\u00e3o conseguir ser perfeito e ser escravo do pecado, deix\u00e1-lo reinar e dominar (Rm 6.6,12,14,16). A obra de Cristo \u00e9 a base sobre a qual nossa mente pode construir novos pensamentos, novos valores e novas atitudes (Rm 12.2; Ef 4.23,24).<\/p>\n<h3>III. Libertos em Cristo<\/h3>\n<p>In\u00fameras coisas que realizamos parecem ser moralmente neutras; mas, na maior parte das escolhas que fazemos estamos nos oferecendo como instrumentos, ou do diabo pela injusti\u00e7a e desobedi\u00eancia, ou de Deus pela justi\u00e7a e obedi\u00eancia (Rm 6.13). Nessa primeira imagem, Paulo nos v\u00ea como instrumentos, armas ou ferramentas a servi\u00e7o de quem as manuseia. Atrav\u00e9s de nossos atos n\u00f3s podemos realizar as obras de Satan\u00e1s, agindo com a mentira, o \u00f3dio, a injusti\u00e7a, e todas as obras da carne listadas pelo mesmo Paulo em outra carta (Gl 5.19-21; confira com Jesus chamando os fariseus de filhos do diabo, Jo 8.44). Mas a partir do momento da convers\u00e3o somos feitos ferramentas de um novo dono, estamos debaixo da domina\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a, e devemos ser instrumentos que produzem justi\u00e7a (Gl 5.22,23).<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a partir do verso 15 ele completa a mesma id\u00e9ia ao fazer uso de uma analogia com o mercado de escravos, bem conhecido daqueles crentes em Roma. Um escravo n\u00e3o tem projetos pr\u00f3prios nem persegue seus pr\u00f3prios objetivos e desejos, pois n\u00e3o tem autoridade sobre si mesmo; est\u00e1 obrigado a obedecer seu amo, seu dono. Mas o ap\u00f3stolo afirma que h\u00e1 um ponto no qual o dono perde toda a autoridade sobre seu escravo: a morte. Pois essa \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o exata do crist\u00e3o, que era escravo do pecado e n\u00e3o tinha for\u00e7as para fazer outra coisa sen\u00e3o obedecer a ele; mas agora, pela f\u00e9, o escravo foi unido a Cristo em sua morte, e saiu de debaixo do dom\u00ednio e da autoridade do pecado. Mas a opera\u00e7\u00e3o \u00e9 completa, pois n\u00e3o somente fomos libertos do pecado e colocados numa posi\u00e7\u00e3o de neutralidade, numa liberdade vazia de significado \u2013 pelo contr\u00e1rio, fomos feitos &#8220;servos da justi\u00e7a&#8221; (v.18).<\/p>\n<p>\u00c9 muito importante termos isto em mente \u2013 n\u00e3o existe uma tal liberdade absoluta para seres humanos. Somente Deus tem liberdade absoluta, pois nenhum de seus atos experimenta conting\u00eancia externa. Vamos explicar melhor isto: Quando Deus decide fazer algo, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma limita\u00e7\u00e3o ao seu poder, nada que o impe\u00e7a de realizar o que planejou (Jo 42.2). Nenhuma criatura finita de Deus pode viver \u00e0 parte de seu Criador, pois dele derivamos n\u00e3o s\u00f3 nossa origem, mas nossa pr\u00f3pria subsist\u00eancia, ou seja, nossa perman\u00eancia como seres que existem. Isto significa que o ate\u00edsmo \u00e9 uma piada rid\u00edcula e de mau gosto. Mas tamb\u00e9m significa que temos de escolher, como seres morais e racionais, se desejamos viver na contram\u00e3o do universo, em rebeli\u00e3o contra o Criador e escravizados ao pecado; ou como escravos volunt\u00e1rios de Deus, libertos das amarras do pecado e servindo por amor ao Criador. N\u00e3o h\u00e1 meio-termo quanto a isso; n\u00e3o h\u00e1 um lugar em cima do muro onde possamos ficar neutros, nem servos do pecado nem de Deus, como senhores de n\u00f3s mesmos. O s\u00f3 cogitar tal situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 pecado grave de um cora\u00e7\u00e3o abertamente rebelde. Nossa liberdade \u00e9 vivida quando nos apresentamos a Deus, oferecendo-nos como &#8220;servos para obedi\u00eancia&#8221; e nossos membros &#8220;para servirem \u00e0 justi\u00e7a para santifica\u00e7\u00e3o&#8221; (Rm 6.16,19).<\/p>\n<h3>IV. Vida em Cristo<\/h3>\n<p>Apesar de fundamentada na obra eterna de Cristo, essa mudan\u00e7a de senhorio acontece pela verdade do evangelho (Rm 6.17). Jesus declarava ser ele mesmo a verdade, e que o conhecimento da verdade libertaria os homens (Jo 8.32; 14.6). Entretanto, em nosso mundo a id\u00e9ia de uma verdade absoluta \u00e9 rejeitada completamente, pois a filosofia que reina na sociedade afirma que cada pessoa deve encontrar sua pr\u00f3pria verdade, que cada um tem a sua, e que n\u00e3o h\u00e1 uma verdade absoluta.<\/p>\n<p>Essa mentira se reflete no pensamento geral de que toda religi\u00e3o \u00e9 v\u00e1lida; mesmo dentro das igrejas muitos entendem que a doutrina b\u00edblica \u00e9 somente para pastores e seminaristas, que \u00e9 uma quest\u00e3o secund\u00e1ria, ou at\u00e9 mesmo que \u00e9 um impedimento para a verdadeira espiritualidade. Por\u00e9m, devemos insistir junto com Paulo em que os crentes s\u00e3o libertos da escravid\u00e3o do pecado ao &#8220;obedecer de cora\u00e7\u00e3o \u00e0 forma de doutrina a que fostes entregues&#8221; (Rm 6.17). O conte\u00fado do evangelho \u00e9 a verdade sobre Deus expressa em palavras humanamente compreens\u00edveis, e a salva\u00e7\u00e3o envolve obedi\u00eancia a essa verdade pela f\u00e9. \u00c9 essa obedi\u00eancia \u00e0 verdade nos torna livres da servid\u00e3o ao engano do pecado, portanto somente somos realmente libertos do reino do pecado e da morte quando nos colocamos realmente debaixo da servid\u00e3o \u00e0 verdade, ao evangelho, a Deus (v.18).<\/p>\n<p>A convers\u00e3o crist\u00e3 n\u00e3o pode ser resumida \u00e0 pr\u00e1tica de atividades eclesi\u00e1sticas, ou ao uso de algum talento pessoal \u2013 como falar em p\u00fablico ou cantar. A Escritura declara enfaticamente que se trata de uma mudan\u00e7a radical, do dom\u00ednio do pecado para a servid\u00e3o \u00e0 justi\u00e7a. Quando chegamos a esse entendimento da vida crist\u00e3, n\u00e3o s\u00f3 estaremos nos alegrando mais profundamente no Senhor, como estaremos encontrando muito maior alegria em todos os nossos relacionamentos humanos. Em algum momento futuro, na ressurrei\u00e7\u00e3o, o relacionamento dos homens com Deus, com outros homens e com a natureza ser\u00e3o completamente restaurados e aperfei\u00e7oados; contudo, por meio da f\u00e9, podemos desfrutar dessa cura em alguma medida j\u00e1 nesta vida. Para isto, devemos nos oferecer \u00e0 justi\u00e7a &#8220;para a santifica\u00e7\u00e3o&#8221; (v.19).<\/p>\n<p>A santifica\u00e7\u00e3o \u00e9 o que poder\u00edamos chamar de &#8220;lado consciente&#8221; da nossa f\u00e9. Certamente \u00e9 uma obra do Esp\u00edrito Santo em n\u00f3s, mas tamb\u00e9m \u00e9 um mandamento, uma oferta, um privil\u00e9gio e a maior voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3 (Rm 8.11; 12.1,2; Ef 4.22-24; 1Pe 1.15,16). Ela \u00e9 descrita como um processo de crescente obedi\u00eancia que perdura a vida toda do crente, sem nunca alcan\u00e7ar nesta vida a perfei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Paulo novamente tra\u00e7a um contraste entre o estado anterior e o atual: os resultados colhidos na injusti\u00e7a, isto \u00e9, durante a escravid\u00e3o ao pecado, foram apenas coisas vergonhosas e morte. Em outras palavras, antes da convers\u00e3o at\u00e9 pod\u00edamos nos considerar livres e independentes, mas na realidade apenas ger\u00e1vamos injusti\u00e7a e esper\u00e1vamos a morte; isso nos afetava e aos nossos semelhantes. N\u00e3o havia alternativa, pois a morte \u00e9 a conseq\u00fc\u00eancia, o resultado, &#8220;o sal\u00e1rio&#8221; devido ao pecado (6.23).<\/p>\n<p>Em contraposi\u00e7\u00e3o a esse quadro sombrio de escravid\u00e3o e morte, o ap\u00f3stolo agora apresenta a realidade de liberta\u00e7\u00e3o do pecado e servid\u00e3o a Deus que caracteriza o crist\u00e3o verdadeiro, e seus resultados maravilhosos: &#8220;a santifica\u00e7\u00e3o e, por fim, a vida eterna&#8221; (v.22). \u00c0 medida que nos oferecemos \u00e0 &#8220;obedi\u00eancia para justi\u00e7a&#8221;, ou como &#8220;instrumentos da justi\u00e7a&#8221;, atendemos ao nosso chamado para sermos cooperadores com Deus e seu Reino. E assim descobriremos que \u00e9 poss\u00edvel viver uma vida verdadeiramente crist\u00e3 aqui, antecipando a perfeita semelhan\u00e7a com Cristo que teremos na eternidade de gl\u00f3ria prometida.<\/p>\n<h3><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>A vida crist\u00e3 \u00e9 uma obra da gra\u00e7a. Mas de modo algum permite uma vida de licenciosidade, pois isso seria negar o pr\u00f3prio fundamento da vida crist\u00e3: a uni\u00e3o com Cristo em sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o. Quem foi liberto do pecado \u00e9 feito automaticamente servo da justi\u00e7a e deve viver de acordo com esta realidade \u2013 somos novas criaturas.<\/p>\n<p>Essa nova realidade deve ser experimentada diariamente pelo oferecimento volunt\u00e1rio e amoroso de nossa vida ao nosso Salvador. Em vez de desejarmos as mesmas coisas que nos escravizavam anteriormente ao pecado, buscaremos a santifica\u00e7\u00e3o, a vida e a eternidade. Essa \u00e9 uma vida crist\u00e3 gloriosa, alegre e compromissada com Deus, conferida a n\u00f3s por meio da obra consumada de Cristo.<\/p>\n<h3>Aplica\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 se viu tentado a abusar da gra\u00e7a, convivendo com o pecado como coisa natural? Avalie-se diante de Deus com urg\u00eancia, e se arrependa.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> John R. W. Stott, <em>A Mensagem de Romanos 5-8<\/em>. S\u00e3o Paulo: ABU, 1988, p. 35.<\/p>\n<p>&gt;&gt; Estudo publicado originalmente pela <a href=\"http:\/\/www.editoraculturacrista.com.br\/\">Editora Cultura Crist\u00e3<\/a>, em revista para escola dominical da s\u00e9rie Palavra Viva, com base no livro <em>A Obra Consumada de Cristo, <\/em>de<em>\u00a0<\/em>Francis A. Schaeffer, da Editora Cultura Crist\u00e3. Usado com permiss\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As descri\u00e7\u00f5es e exig\u00eancias de santidade das Escrituras, podem nos levar a pensar que o padr\u00e3o de Deus \u00e9 alto demais para n\u00f3s. Ao mesmo tempo, a vida crist\u00e3 \u00e9 uma obra da gra\u00e7a. Mas de modo algum permite uma vida de licenciosidade, pois isso seria negar o pr\u00f3prio fundamento da vida crist\u00e3. \u00c9 poss\u00edvel abusar da gra\u00e7a e conviver com o pecado como coisa natural?<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":47,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[7636,6051,164],"tags":[],"class_list":["post-1140","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-etica","category-teologia","category-vida-crista"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/estudos-biblicos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1140","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/estudos-biblicos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/estudos-biblicos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/estudos-biblicos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/estudos-biblicos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1140"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/estudos-biblicos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1140\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1152,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/estudos-biblicos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1140\/revisions\/1152"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/estudos-biblicos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/47"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/estudos-biblicos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1140"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/estudos-biblicos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1140"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/estudos-biblicos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1140"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}