Quem conhece a Deus, anda nos seus caminhos

Quem conhece a Deus, anda nos seus caminhos

SÉRIE REVISTA ULTIMATO
Artigo: “Assim andai nele”, Valdir Steuernagel, Ultimato 387

Texto básico: 1 João 2. 3-6

Textos de apoio
– Deuteronômio 10. 12-20
– Jeremias 7. 21-23
– Salmo 119. 1-16
– Mateus 7. 21-23
– João 14. 15-21
– Efésios 5. 1-2

 

Introdução

Sabemos que Jesus Cristo é o modelo cabal para todas as nossas atitudes e ações. É muito difícil encontrar alguém que discorde dessa verdade, mesmo entre os “não-religiosos” que vêem Jesus apenas como um grande mestre da moral.

O apóstolo João, na sua primeira epístola, aprofunda essa ideia ao afirmar que “calçar os sapatos” de Jesus é um critério fundamental para avaliarmos a autenticidade do nosso compromisso com Deus. Isso porque “quem diz que vive unido com Deus deve viver como Jesus Cristo viveu” (1 João 2.6). E, para aprendermos como Jesus viveu, não há outro caminho a não ser ler e estudar os Evangelhos, que são as narrativas que nos revelam a pessoa e a vida de Jesus.

Logicamente, nenhum de nós conseguirá “viver como Jesus viveu” em toda a sua plenitude. Isso nunca aconteceu antes, e nunca acontecerá. O apelo de João não é um convite ingênuo para o “irrealizável”; mas tem a ver com o alvo para onde dirigimos nossa atenção e nosso empenho. Tem a ver com a disposição e “inclinação” que vamos desenvolvendo no nosso coração – o “centro decisório” de todo o nosso viver (Provérbios 4.23)!

Não podemos esperar menos que isso dos seguidores do Mestre. Afinal, como expressou Arnaldo Antunes na letra da canção Tanto Faz, “tanto faz o que você fala se tanto faz o que você faz”!

E como nos lembrou Don Everts1, “muita gente pensa que Jesus é um líder religioso fora de série, um grande mestre de moral… Mas ele tinha os pés sujos, participava de festas, cozinhava o almoço e foi morto. Quem era esse sujeito?”.

Estamos prontos para seguir Jesus e “sujar” nossos pés também?

 

Para entender o que a Bíblia fala

1. De acordo com o apóstolo João, quais são os critérios que certificam que nós “conhecemos” a Deus (vv. 3, 6)?

2. Segundo os critérios observados na questão anterior, que tipo de “conhecimento” está sendo considerado aqui (v. 5)?

3. Dizer que “conheço a Deus” sem “observar seus mandamentos” faz de mim um “mentiroso” (v. 4, NTLH*). João já havia escrito algo parecido em 1. 6-7. Correlacionando estes dois trechos, qual a relação entre “observar os mandamentos de Deus” e o meu relacionamento com as outras pessoas (veja também 2. 9-11)? A comunhão com Deus e o pecado podem coexistir?

4. Para João, quem afirma permanecer em Deus “deve, pessoalmente, caminhar como Jesus caminhou” (v. 6, Tradução da CNBB). Para você, em termos práticos, o que significa isso? Quais características da vida terrena de Jesus você considera as mais desafiadoras, pensando em “andar como ele andou”?

*NTLH – Nova Tradução na Linguagem de Hoje

 

Para pensar

“A fé cristã é assim: ela vem de ontem, como testemunha da histórica e transformadora presença de Deus no decorrer dos tempos. Ela nos alcança no presente, saciando-nos com a água que mata a sede mais profunda. E aponta o caminho para um futuro em que Deus será ‘tudo em todos’ (1Co 15.28) e ‘o lobo viverá com o cordeiro’ (Is 11.6).

A fé cristã é assim: ela prepara os seguidores de Jesus para serem santos para a obra do ministério, numa trajetória de vida que nos coloca no caminho no qual somos desafiados a chegar à maturidade, atingindo a ‘medida da plenitude de Cristo’ (Ef 4.13).

Fascinante, inesgotável e acolhedora, a fé cristã nos transforma numa comunidade cuja vocação é ‘anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz’ (1Pe 2.9).”

— Valdir Steuernagel, em “Assim andai nele”

“Somente se Lhe obedecemos podemos ter a pretensão de conhecê-lo, não apenas ter informação precisa sobre Ele, mas haver-nos tornado pessoalmente familiarizados com Ele. Se se objetar que neste caso ninguém conhece a Deus porque ninguém é perfeitamente obediente, podemos responder com Calvino: ‘ele não quer dizer que aqueles que satisfazem totalmente a Lei guardam os Seus mandamentos (e nenhum exemplo disso se pode achar no mundo), mas os que lutam, de acordo com a capacidade da fraqueza humana, para formar a sua vida na obediência a Deus’. A palavra para ‘guarda’ (‘têrein’) ‘expressa a ideia de vigilante e atenta obediência’ (Robert Law).” 

— John Stott, I, II e III João – Introdução e Comentário, Vida Nova e Mundo Cristão, 1991, p. 78

“’Quem me segue não anda em trevas’, diz o Senhor (João 8.12). São essas as palavras de Cristo que nos exortam a imitar sua vida e costumes, se verdadeiramente quisermos ser iluminados e livres de toda a cegueira de coração. Seja, pois, nosso principal empenho meditar sobre a vida de Jesus Cristo.”

— Tomás de Kempis, Imitação de Cristo, Livro I, Editora Martin Claret, p.15

 

“E agora, José?” 

No seu evangelho, João relata as seguintes palavras proferidas por Jesus: “Se permanecerdes em minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos, e conhecereis a verdade, e a verdade vos tornará livres” (João 8. 31-32, Tradução da CNBB). Podemos observar aqui um certo “processo com condicionante” – “SE” houver permanência na palavra de Jesus, haverá uma nova identidade (como discípulo), e por fim haverá liberdade, desencadeada pela verdade. Liberdade que nos leva de volta à palavra de Jesus, e o “ciclo virtuoso” se mantém! E, no trecho que estudamos, João diz aos seus leitores (e a nós) que quem afirma viver “unido com Deus deve viver como Jesus Cristo viveu” (1 João 2.6, NTLH). Perceba a interdependência entre as ideias presentes nos dois textos: permanência, palavra, união, discipulado, verdade, liberdade, viver como Jesus viveu… A partir de toda esta reflexão, você se sente mais encorajado na obediência a Deus e no amor ao próximo, segundo o exemplo de Jesus Cristo? Além de fazer deste tema uma “agenda de oração”, você consegue discernir alguns passos práticos que poderiam ajudá-lo no desafio de “caminhar como Jesus caminhou”?

 

Eu e Deus

Fazei-me conhecer vossos caminhos,
e então meditarei vossos prodígios!

A minha alma chora e geme de tristeza,
vossa palavra me console e reanime!

Afastai-me do caminho da mentira
e dai-me a vossa lei como um presente!

Escolhi seguir a trilha da verdade,
diante de mim eu coloquei vossos preceitos.

De coração quero apegar-me à vossa lei;
ó Senhor, não me deixeis desiludido!

De vossos mandamentos corro a estrada,
porque vós me dilatais o coração. 

— Salmo 119. 27-32, Saltério Monástico, Abadia da Ressurreição, Ponta Grossa, 2011

 

Notas
1. EVERTS, Don. Jesus de Pés Sujos, ABU Editora, 2004.

 

Preparado por Reinaldo Percinoto Jr.

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