Um amor livre de cercas

Um amor livre de cercas

SÉRIE REVISTA ULTIMATO
Artigo: “A equidade é um valor bíblico?”, de Jorge Henrique Barro, edição 382

Texto básico: Lucas 6. 27-36

Textos de apoio
– Deuteronômio 16. 18-22
– 1 Reis 3. 4-15
– Miquéias 6. 1-13
– Isaías 59. 1-20
– Filipenses 4. 4-9
– Hebreus 1. 6-13

Introdução

Mahatma Gandhi, o grande líder pacifista indiano, teve contato com o cristianismo quando era estudante na Inglaterra e, como advogado, na África do Sul. Ele nunca negou a inspiração que recebeu da vida e dos ensinos de Jesus. Porém, ao observar durante anos o comportamento dos cristãos, ele concluiu: “Para eu crer no Redentor deles, suas vidas devem mostrar que eles são redimidos”.  

Pode parecer uma obviedade, mas nunca é demais reforçar a importância do estilo de vida dos cristãos, como “vitrine” do Reino de Deus. A maneira como os cristãos vivem, para além das palavras corretas, tem mesmo uma importância inquestionável.

O discípulo de Cristo é chamado à integralidade de vida – uma coerência entre aquilo que expressa em palavras e aquilo que expressa em seus relacionamentos. A insistência no “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço” é uma tragédia para o testemunho cristão na sociedade. Junto com isso, é preciso lembrar também que o chamado cristão para a “santidade” (1 Pedro 1. 13-17) e para a “perfeição” (Mateus 5. 43-48) apontam para o nosso proceder diário em nossos relacionamentos, não podendo ser reduzido a uma suposta “imunidade” aos erros.

Um capítulo especial nesta discussão diz respeito ao comportamento do seguidor de Jesus Cristo diante das ações e palavras dos seus “inimigos”, que impõem dificuldades e sofrimentos ao seus viver cotidiano. Como devem se portar frente a eles? E, tão importante quanto, como devem reagir aos eventuais insultos e perseguições?

Jesus apresenta uma alternativa radical como resposta a essas questões, que deveria marcar profundamente a identidade e o estilo de vida dos seus seguidores, apontando para a redenção em curso em suas vidas.  

Para entender o que a Bíblia fala

1. No v. 27 Jesus faz um convite para que seus ouvintes “amem seus inimigos”. De que maneiras eles são descritos por Jesus? Como um “inimigo distante”, fazendo e dizendo coisas que nos irritam, ou como pessoas que estão bem perto, no nosso dia-a-dia (v. 27-30)? Como você entende esse “amor” que deve ser expresso aos inimigos?

2. Que padrões radicais Jesus estabelece para aqueles que desejam ser seus discípulos/seguidores (v. 27-31)? Como eles deveriam reagir em cada caso? Como a chamada “regra de ouro” (v. 31) pode transformar nossos relacionamentos pessoais e nossa vida em sociedade?

3. Nos v. 32-34 Jesus nos chama a enxergar nossos relacionamentos sob uma nova perspectiva. Qual seria esta perspectiva? O que você acha que aconteceria em nossos relacionamentos, se conseguíssemos praticar essas orientações de Jesus?

4. Quais as principais razões dadas por Jesus para amarmos nossos inimigos (v. 35-36)? Que padrão referencial devemos seguir (v. 36)?

5. Na sua opinião, por que esses ensinamentos apresentados por Jesus neste trecho eram particularmente relevantes para os seus discípulos? E para nós hoje em dia?

Para pensar

“Amar a Deus é o início de tudo; amar o próximo é necessariamente uma consequência disso. É a esse caminho mais excelente do amor que o conceito de equidade deve ser relacionado. Em Mateus 7.12, encontramos a comumente chamada regra de ouro do comportamento: “Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas”. A equidade é o conteúdo da regra de ouro que nos guia no cumprimento do segundo mandamento – amar o próximo – em nosso dia a dia. Jesus ensina aos seus discípulos que a regra é para um viver correto e justo, cada um oferecendo ao outro o que teria feito para si mesmo. O resultado de segui-la é o que podemos chamar de “caridade ativa”. Infelizmente, parece que somos astutamente passivos nessa instrução sobre a equidade.”
(Jorge Henrique Barro)

“Se amarmos apenas aqueles que nos amam, não seremos melhores que os não-cristãos. Se amarmos nossos inimigos, no entanto, ficará aparente que somos filhos do nosso Pai celestial, uma vez que seu amor é indiscriminado, dando chuva e sol a todas as pessoas indistintamente. Alfred Plummer resumiu as opções: pagar o bem com o mal é demoníaco; pagar o bem com o bem é humano; pagar o mal com o bem é divino.”
(John Stott)

“A paz trazida por Cristo não é uma fórmula de evasão individual nem de egoísta auto realização. Não pode haver paz no coração do homem que a procura para si só. Para encontrar paz verdadeira, a paz em Cristo, temos de desejar que os outros a tenham tanto quanto nós, e de estar dispostos a sacrificar algo de nossa paz e felicidade para que outros também as possam ter”.
(Thomas Merton)

“E agora, José?”

1. Jesus nos convida a orar por aqueles que nos maltratam (v. 28). Você se sente maltratado por alguém, ou por um grupo de pessoas? Você gostaria de orar por esta situação de conflito, e, principalmente, por esta(s) pessoa(s)?

2. Pense em uma situação (ou situações) em que você sentiu que alguém “lhe bateu na face”, ou “tentou tirar sua capa”, ou ainda “se apoderou do que é seu” (vv. 29-30). Nesta situação (ou situações), o que significa, em termos práticos, “oferecer a outra face”, “deixar levar também a túnica”, e “não exigir devolução”? Está disposto a colocar esses princípios em prática? Quando?

Eu e Deus

“Cristo de compaixão, por muito tempo deixei que minhas emoções e meus preconceitos me dissessem quem e como amar. Chega! Irei à escola da tua salvação e aprenderei teu modo de amar. Amém.”
(Eugene Peterson. Um Ano com Jesus, Ultimato)

Autor do Estudo: Reinaldo Percinoto Júnior

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