O medo em seu devido lugar

O medo em seu devido lugar

SÉRIE REVISTA ULTIMATO
Artigo: Poder, amor e moderação, Ricardo Barbosa de Sousa

 

Texto básico: Atos 4. 23-31

Textos de apoio
– Atos 4. 1-22
– Salmo 91
– Habacuque 3. 17-19
– 1 João 4. 16-19
– Provérbios 12.25
– Filipenses 4. 4-7

Introdução

Talvez a palavra que melhor descreva o nosso mundo atual é “medo”. Temos medo do terrorismo, dos exames de saúde, medo do futuro, medo do desemprego, medo da morte, medo dos poderes do mal, medo do sofrimento, medo de não conseguirmos entrar na universidade, medo de não conseguirmos sair da universidade, medo de casar, medo de ficar sozinho, medo das chuvas fortes, medo de não chover o suficiente.

Neste estudo queremos analisar como a igreja primitiva enfrentou o medo diante da opressão e perseguição em seus primeiros dias, especialmente por parte da liderança religiosa, e aprender como podemos fortalecer nossa dependência e confiança em Deus, o Senhor da Criação, da Revelação e da História.

Após a experiência do Pentecostes (Atos 2. 1-13), a igreja cristã, impulsionada pelo Espirito Santo, começa a crescer e a influenciar a vida da cidade. Os apóstolos Pedro e João curam um aleijado de nascença que esmolava junto à Porta Formosa do Templo (Atos 3. 1-10), gerando perplexidade entre o povo que, atônito, se aglomera ao redor dos apóstolos junto ao pórtico chamado de Salomão. Pedro, oportunamente, profere um discurso profundamente cristocêntrico, provocando o ressentimento dos sacerdotes e saduceus, que então os levam à prisão, para serem julgados pelo Sinédrio, o “STF” de Israel.

A comunidade cristã, diante disso, experimenta um clima de muita tensão, ameaças e apreensão. O que iriam fazer? Fugir para as montanhas? Traçar uma estratégia de luta armada? Praguejar e amaldiçoar seus opositores? O que você faria?

Para entender o que a Bíblia fala

  1. Ao se reencontrarem com Pedro e João, e receberem o relato do que tinha acontecido, qual foi a primeira reação daquela comunidade cristã (vv. 23-24)?
  2. A primeira palavra utilizada por eles foi Despotes (“Soberano Senhor”; v. 24), um termo utilizado para denominar uma autoridade cujo poder é inquestionável. Para aqueles cristãos, diante das ameças e proibições do Sinédrio, quem detinha realmente autoridade sobre toda aquela situação?
  3. Antes de fazer qualquer pedido ou solicitação a Deus, os primeiros cristãos enchem suas mentes e corações com a certeza de que Deus é o Senhor sobre suas vidas e sobre a História. Como eles fazem esse exercício, e que elementos do senhorio de Deus são mencionados na oração (vv. 24b-28)?
  4. Após o exercício de adoração ao Senhor, eles se voltam para o seu problema momentâneo, e fazem uma súplica a Deus. Que tipo de solução eles pedem (vv. 29-30)?
  5. Qual foi o resultado prático de sua oração (v. 31; observe também Atos 5. 12-16)?

Hora de Avançar

Quando o medo e a ansiedade passam a dominar nossa mente e emoções, a covardia nos paralisa e a verdade é comprometida. Coragem não é a ausência de medo, mas a capacidade de agir apesar dele.

Para pensar

A oposição que os primeiros cristãos vivenciaram em Jerusalém era séria e, certamente, amedrontadora. Poderia gerar uma reação paralisante à Igreja nascente. Porém, o exercício espiritual que os cristãos realizaram em oração, reconhecendo a autoridade suprema de Deus, inclusive sobre o Sinédrio, deu-lhes fôlego e coragem para sair de nova para as ruas da cidade.

O Deus que eles serviam não era um deus como os outros deuses. Era o Soberano Senhor – Senhor da criação (v. 24b), Senhor da revelação (vv. 25-26) e Senhor da História (vv. 27-28).

Por isso mesmo, eles eram capazes de alimentar uma plena confiança em Deus e em seus propósitos, a tal ponto de nem precisarem pedir que as ameaças fossem retiradas e os inimigos eliminados. O que solicitaram foi capacidade e coragem para continuarem a obra que lhes foi confiada, independentemente da oposição ou perseguição. E Deus lhes respondeu com a experiência de um “pequeno Pentecostes”, que renovou sua certeza de que era por aí mesmo que deveriam continuar caminhando.

O que disseram

Onde me achei bem sem vós, ou quando passei mal, estando vós presente? Antes quero ser pobre por vós, que rico sem vós. Prefiro peregrinar convosco na terra, que sem vós possuir o céu. Onde vós estais, aí está o céu; e existe a morte e o inferno onde vós não estais. (Tomás de Kempis, “Imitação de Cristo”)  

Para responder

  1. Aquela antiga ilustração que diz que você não pode impedir que os pássaros voem sobre sua cabeça, mas pode impedir que eles façam um ninho ali, também pode ser aplicada ao nosso lidar com o medo e a ansiedade. Quando você ficar com medo ou ansioso devido a alguma situação em sua vida (e você vai ficar!), como esta ilustração pode ajudar você a enfrentar esses sentimentos?
  2. Imagine que você fizesse parte daquela comunidade para onde Pedro e João retornaram, e para a qual contaram tudo o que havia acontecido. Como você teria reagido no primeiro momento?
  3. O v. 31 do trecho que estudamos nos informa que depois da oração comunitária, o lugar onde aqueles crentes estavam reunidos tremeu, todos ficaram cheios do Espírito Santo e anunciavam corajosamente a palavra de Deus. De que maneiras você precisa do poder do Espírito Santo para enfrentar os desafios e temores do seu dia a dia?

Eu e Deus

Peça a Deus para enchê-lo com o seu Espírito e capacitá-lo para a tarefa de experimentar e comunicar o Evangelho da salvação.

Autor do estudo: Reinaldo Percinoto Júnior

Este estudo bíblico foi desenvolvido a partir do artigo Poder, amor e moderação, do pastor e colunista da revista Ultimato, Ricardo Barbosa de Sousa, publicado na edição 358.

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Um comentário para “O medo em seu devido lugar”

  1. MANUEL MUFUNGUENO 5 de maio de 2016 at 8:45 #

    GOSTEI DESSE ESTUDO PARA MIM CAPACITAR SOB A APLAVRA DE DEUS.

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