Jesus: uma mão para quem não tem

Jesus: uma mão para quem não tem

SÉRIE REVISTA ULTIMATO
Artigo: O rei está nu! O Rei, a Menina e o Profeta, por Valdir Steuernagel

Texto básico: Marcos 3.1-8

Textos de apoio
– Salmo 51. 16-17
– Oséias 6. 6
– Miquéias 6. 6-8
– Marcos 2. 22-28
– Lucas 11. 37-54
– 2 Coríntios 1. 3-4

Introdução

Acredito que todos nós, sem exceção, damos o devido valor à graça de Deus e entendemos o seu papel primordial em nossas vidas. Não poderia mesmo ser diferente. O problema surge quando não conseguimos discernir as manifestações da graça de Deus ao nosso redor, e tentamos “domesticar” e delimitar a sua amplitude na vida das pessoas.

Geralmente esta dificuldade de discernimento, ou esta tentativa de “aprisionar” a livre atuação da graça de Deus, tem a ver com a nossa dificuldade em aceitar mudanças que tumultuem o nosso “domínio”, seja ele social, político, econômico ou religioso. Quando o nosso “poder ilusório” é questionado e ameaçado, tendemos a resistir e desqualificar a fonte das supostas ameaças. E nesse processo podemos acabar valorizando o que deveria ser secundário, e desprezando o que é mais importante – a graça de Deus e toda a sua ação transformadora.

Parece ser isso o que aconteceu com os líderes religiosos no episódio de nosso texto básico. Quando seu “poder ilusório” é posto em cheque pela graça de Deus, eles reagem com desejo de vingança. Claro, este foi um caso extremo, mas também precisamos refletir sobre as nossas reações quando nossos pressupostos estabelecidos são questionados, e nosso “poder ilusório” se vê sacudido pelas ondas da graça de Deus. Vamos juntos?

Para entender o que a Bíblia fala

1. A sinagoga era um lugar de ensino. Mas naquele sábado alguns estavam ali não para aprender, mas para armar uma “tocaia” contra Jesus (vv. 1-2). Quem eram essas pessoas (v. 6)? O que pretendiam (v. 2)?

2. Para nós, toda essa questão envolvendo uma cura num sábado pode parecer trivial e até estranha, mas para aqueles opositores de Jesus era um assunto crucial. Por quê? O que estava em jogo?

3. O clima é de muita tensão, e não sabemos se aquele homem com a mão atrofiada estava ali por livre vontade ou havia sido levado lá de propósito, pelos fariseus. Mas para Jesus isso não é importante. Como ele trata aquele homem (v. 3)? O que ele representava para Jesus? E para os fariseus?

4. No v. 4 Jesus se dirige aos seus opositores, fazendo perguntas objetivas sobre o propósito do sábado. De acordo com estas perguntas, qual era a diferença entre o propósito original de Deus (ver Marcos 2. 27) e a interpretação e ensino dos fariseus? O que o silêncio deles revelava?

5. Por que Jesus ficou irado e triste com a reação dos fariseus (v. 5)?

6. Ao mesmo tempo em que os fariseus estavam indignados com a possibilidade de Jesus curar alguém no sábado (v. 2), o que eles fizeram com os herodianos (uma espécie de “lobistas” do poder político) no mesmo sábado (v. 6)? Que ironia você vê aqui? Enquanto os líderes religiosos e políticos maquinam a morte de Jesus, qual era a reação das pessoas comuns (v. 7-8)?

Hora de Avançar

A vida nos brinda com encontros surpreendentes e inacreditáveis. Alguns deles, verdadeiros encontros da graça, pois surgem do impossível, como água no deserto. Como o broto que nasce do tronco apodrecido. As narrativas bíblicas estão repletas de encontros assim. Eles nos surpreendem com a presença da graça de Deus e convidam ao abraço e a dançar no ritmo dessa graça.
(Valdir Steuernagel)

Para pensar

Em seu desejo de obedecer a lei nos mínimos detalhes de sua vida, e consequentemente evitar qualquer transgressão involuntária, os rabinos haviam estabelecido uma série de regras para cada um dos mandamentos de Deus. A lei só sábado não era uma exceção, e como ela proibia a realização de qualquer trabalho nesse dia, os rabinos criaram “39 categorias principais de trabalhos proibidos no sábado.(…) A cura estava incluída em uma das categorias de trabalho proibidas no sábado.(…) A Lei permitia que se evitasse que um ferimento piorasse; não se poderia, porém, fazer algo para que o doente melhorasse”. (Dewey M. Mulholland, Marcos: Introdução e Comentário, Edições Vida Nova).

Os herodianos eram judeus bastante envolvidos com a política local. Eram zelosos e fiéis à casa de Herodes Antipas, possuindo influência junto a ele e sua corte.

O que disseram

O que torna a tentação do poder aparentemente tão irresistível? Talvez seja porque o poder oferece um fácil substituto para a difícil tarefa do amor. Parece mais fácil ser Deus do que amar a Deus; mais fácil controlar as pessoas do que amar as pessoas; mais fácil possuir vida do que amar a vida.(…) A longa história de dor da Igreja é a história de pessoas continuamente tentadas a optar pelo poder em vez do amor, pelo controle em vez da cruz, por posição em vez de função. Graças a Deus temos o exemplo daqueles que resistiram a a essa tentação até o final e que, por meio dela, dão-nos esperança. Eles têm um nome: santos. Verdadeiros santos. (Henri Nouwen, Meditações com Henri Nouwen, n. 92, Danprewan, 2003)

Para responder

1. Os fariseus, no afã de fazer prevalecer as suas interpretações da lei mosaica, acabavam colocando o ser humano em segundo plano. De que maneira(s) nós também corremos o risco de colocar as pessoas em segundo plano ao lutarmos pela prevalência das nossas posições, sejam elas políticas, econômicas ou religiosas?

2. Como podemos nos preparar melhor para enfrentar saudavelmente os extremos do legalismo (regras mais importantes que pessoas) e do relativismo (ausência de certo e errado)?

Eu e Deus

Como tantos outros, Deus, quero teu selo de aprovação no que considero cômodo, não uma vida de arrependimento e fé arriscada. Cuida do meu coração hoje. Expõe rapidamente qualquer conspiração que se disfarce de “preocupação religiosa”, mas tem como real objetivo a remoção assassina do Redentor. Amém.
(Eugene Peterson, Um Ano com Jesus, Editora Ultimato)

Autor do estudo: Reinaldo Percinotto Júnior

Este estudo bíblico foi desenvolvido a partir do artigo O rei está nu! O Rei, a Menina e o Profeta, de Valdir Steuernagel, publicado na edição 361 da revista Ultimato.




Print Friendly, PDF & Email

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário