Cultivando relacionamentos significativos

SÉRIE |
Conversando Sobre o Futuro – a vocação continua  |  Estudo 6

Texto básico: Sl 133.1-3

Textos de apoio
– Gn 2.18
– Pv 27.9
– Ec 4.9-12
– Jo 15.7-9
– At 2.16-21
– Hb 10.24-25

Introdução

A solitude faz parte do envelhecer por diversas razões, como a mudança no estilo da vida, uma limitação física, a morte de amigos ou até mesmo o simples desejo de ficar só. Solitude não implica necessariamente em sofrimento, desde que não signifique um abandono ou exclusão social.

A solidão humana não é boa. Fomos criados para vivermos em relacionamentos na família, na sociedade em geral, na igreja e no ambiente profissional. A amizade é algo muito precioso e precisa ser cultivada sempre.

Transcrevo aqui um parte do livro É preciso saber envelhecer, de Paul Tournier, que fala sobre a missão do idoso no resgate das relações pessoais perdidas na cultura atual. Ele fala que “é justamente aqui onde vejo a verdadeira e grande missão para os idosos. Como tarefa básica, trazer o calor humano e a relação afetiva que faltam a nossa sociedade impessoal. […] Na velhice, […] o indivíduo possui o tempo e o conhecimento necessário para exercer um verdadeiro ministério de relação pessoal”.

É fato que muitos idosos ainda são esteio financeiro da família. Mas esta não é a condição ideal. Função de grande valor o aguarda como o serviço desinteressado, o acolhimento e companheirismo com seus netos, a comunicação de uma “sabedoria contextualizada”, por ter a possibilidade no tempo presente de expressar de diversas formas e maneiras sua história de fé ao longo do tempo. Todos nós precisamos de exemplos e estímulos, e os idosos podem ser um instrumento de Deus neste ponto também.

Um igreja sadia, cheia do Espírito, conta com a participação de todos, crianças, jovens, adultos, idosos, homens e mulheres. O idoso, apesar de sua vasta experiência, não precisa focar no passado, ele tem um presente para administrar e um futuro para projetar. Mesmo que a conclusão do projeto não esteja necessariamente em suas mãos. Veja quantas obras inacabadas são valorosas. Elas são exemplo de nossa finitude, mas lembram que independente da idade de quem sonha, os projetos pertencem a Deus, e ele estará sempre no controle.

Para entender o que a Bíblia fala com base em Salmos 133.1-3

1) Discuta sobre a importância da amizade (Ec 4.8-12, Rm 1.9-12; 2Tm 4.6-11, 16, Pv 18.24)

2) Você consegue perceber a benção do relacionamento cristão? (Rm 12.4-10, Mt 18.20)

3) Se Deus valoriza tanto a comunhão cristã, o que dizer para os “desigrejados”? (Hb 10.24-25)

Hora de Avançar

“A conversão é a transformação do “eu” solitário
num “nós” comunitário. É o chamado para sermos
amigos de Deus e dos nossos irmãos.”
Ricardo Barbosa de Sousa

Para pensar

Algumas pessoas têm mais facilidade que outras de fazer amizades e desfrutar delas. Dentro do propósito de Deus, o relacionamento com outras pessoas, não é algo descartável, pelo contrário é preciso, sim, buscar e cultivar bons relacionamentos.

A fé cristã é, por natureza, comunitária. O memorial que Jesus nos deixou e nos estimula a fazermos sempre em sua memória é um símbolo de comunhão física e espiritual. A Ceia do Senhor nos lembra que a comunhão faz parte da nossa saúde espiritual.

O que disseram

“A igreja é o campo natural da comunhão. Comungamos ideais, expectativas e lutas. Usamos o termo “comunhão” para designar a alegria das reuniões da igreja e a unidade na adoração, na Santa Ceia, na oração, na confissão de fé e nas contribuições (At 2.42-47). Especialmente, comungamos o nosso pertencimento à família de Deus..” (Délio Porto, Revista Ultimato, 2018).

“Valerá a pena sujeitarmo-nos ao aprendizado de estar sozinhos sem nos sentir infelizes. Dessa solidão poderão nascer forças e dons que beneficiam a vida. Um sábio disse certa vez disse: “Nunca estou menos só do que quando estou sozinho”. Isto vale especialmente para nós, cristãos, já que sabemos que Deus está conosco em qualquer tempo e lugar. O próprio Jesus frequentemente procurou a solidão para falar com Deus.” (Dr. Lindolfo Weingärtner, 92, em Experiência e Esperança na Velhice, Editora Ultimato, 2015).

“[…] organize seu tempo; tenha um sábio plano de leituras; participe de algo significativo para o reino de Deus; não se leve demasiado a sério; tenha senso de humor; construa amizades profundas e duradouras; busque formar um grupo de estudos e ação sobre algo significativo.” (Recado aos mais jovens, em Experiência e Esperança na Velhice, Editora Ultimato, 2015)

Para responder

  • A família é a base de nossos relacionamentos. Como você tem cultivado seu relacionamento com sua esposa, seu marido, filhos, netos e irmãos? Há algo que precisa ser resgatado? Há algo a ser perdoado? Há algo a ser esquecido? Sempre há tempo para reconstruir.
  • Mobilidade e acesso são duas coisas que precisam ser planejadas com o avançar da idade. Você já pensou sobre isto onde mora?

Eu e Deus

Algumas vezes é custoso para mim sair da comodidade de minha casa, me arrumar e ir para a escola dominical ou culto comunitário. Algumas vezes estou cansado demais, acomodado demais, desanimado demais, antissocial demais.

Meu Pai, abre os meus olhos para ver a benção da comunhão
com a tua igreja. Muda meu coração. Dá-me mais amor.
Dá-me pés que se apressem em direção a ti e ao meu irmão
Ensina-me a construir relacionamento em harmonia com tua palavra.

Autor: Marcelo Barreto

Leia mais:
» Velhinhos gente boa, Rubem Amorese

» É Preciso Saber Envelhecer

» Intergeracionalidade, Revista Ultimato, edição 379

» Ame o idoso, Augusto Gotardelo

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Um comentário para “Cultivando relacionamentos significativos”

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