A tragédia que Elias enfrentou

A tragédia que Elias enfrentou

 

Texto básico:  1 Reis 17.17-24

Texto devocional:  Salmo 16.1-11

Versículo-chave:  1 Reis 17.24
“Então, a mulher disse a Elias: Nisto conheço agora que tu és homem de Deus e que a palavra do Senhor na tua boca é verdade”

Alvo da lição: Mostrar que, mesmo no meio de dúvida e dor, o Senhor nunca nos desampara.

Leia a Bíblia diariamente:
seg Mt 27.45-54
ter Mc 5.35-43
qua Lc 7.11-17
qui Jo 11.1-27
sex Jo 11.28-46
sáb At 9.36-43
dom At 20.7-12

Introdução

“Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30.5).

Você consegue imaginar a alegria de Elias, da viúva e de seu filho, após a “multiplicação” da farinha e do azeite? (1Rs 17.8-16) Foi um milagre! Após acontecimentos assim, as pessoas sempre ficam alegres, cantam e saltam de alegria. Veja Êxodo 14.30-15.2; Salmo 126.1-3; Lucas 19.37; Atos 3.3-7.

Também é muito provável que Elias não pensou que mais problemas pudessem chegar tão cedo. Afinal, havia comida em abundância num tempo de seca e fome. Ele tinha um quarto particular com vistas para o Mar Mediterrâneo, o que significava não apenas noites de sono bem melhores que no deserto de Querite, como proteção contra os enviados de Acabe para prendê-lo. Por tudo isso, a doença e a morte do filho da viúva não estavam no “programa” do profeta. Mas… aconteceu!

I. O filho da viúva morreu! (1Rs 17.17-23)

1. A dor e o questionamento da viúva (1Rs 17.18)

Qualquer pai ou mãe sofrem muito ao lado de um filho doente. Imagine quando ele morre! Alguém já disse que essa é uma das maiores dores que pode visitar o coração humano: a perda de um filho. Para essa viúva não poderia ser diferente. Período de fome, sem marido e agora sem filho. Quanta calamidade! A perda do filho significava para ela uma vida de muita solidão e desesperança, pois enquanto o filho vivesse, poderia contar com alguém para cuidar dela na velhice. Mas agora, tudo acabou.

Suas perguntas a Elias no no versículo 18 fazem muito sentido. “Que fiz eu, ó homem de Deus? Vieste a mim para trazeres à memória a minha iniquidade e matares o meu filho?” As pessoas sempre associam sofrimento ao pecado (veja Lc 13.4-5; Jo 9.1-2). O fato dela chamar Elias de “homem de Deus” quer dizer que pensava que o propósito maior de Deus ao enviar o profeta à sua casa não era o de livrá-la da morte por fome, mas sim punir algum pecado particular oculto, justamente em cima de seu filho. Observe bem estas duas citações.

“Tão primitiva ideia de Deus, como alguém que esteja procurando pecados inconscientes ou há muito esquecidos, fervoroso no trato de estritas penalidades, está longe de ser morta hoje em dia” (Norman H. Snaith).

– “É principalmente em tempos de adversidade que consideramos devidamente nosso estado moral; as aflições externas com frequência produzem profunda sondagem no coração” (Adam Clarke).

Sabemos da lei da semeadura e da colheita (Gl 6.7), que é para todos e para todas as áreas da vida; e sabemos também que Deus disciplina ou corrige Seus filhos (Hb 12.4-6). Mas não podemos associar todo sofrimento ou tragédia ao pecado. Jó é um exemplo claro dessa afirmação. Ele sofreu todas aquelas perdas e danos não por causa de seu próprio pecado, porque era “homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal” ( Jó 1.1). E os amigos de Jó tentaram, a todo custo, encontrar uma explicação para o sofrimento dele. Mas no final, Deus disse a um deles. “A minha ira se acendeu contra ti e contra os teus dois amigos; porque não dissestes de mim o que era reto, como o meu servo Jó” ( Jó 42.7). Resumindo, os amigos de Jó não conseguiram ver no sofrimento algo além do que um mero castigo de Deus pelo pecado do homem; não podiam ver um propósito soberano maior que esse.

Portanto, Deus não é um déspota ou um desmancha-prazeres, que não pode ver um de Seus filhos cometer pecado sem logo vir para a vingança. Tal pensamento não se encaixa com o caráter do Deus, que é amor (1Jo 4.8) e cheio de misericórdia (Sl 136.1; Is 55.7).

2. A resposta de Elias (1Rs 17.19)

Por que Jesus Cristo ressuscitou? Dentre tantas respostas verdadeiras a que queremos ressaltar é esta. Alguém que começou seu ministério anunciando a vida não poderia terminá-lo tragado pela morte. Da mesma forma, um profeta que é enviado à casa de uma viúva, sob a direção de Deus, a fim de por ela ser sustentado, também não poderia deixar um “saldo” de morte e dor.

Como era de se esperar, Elias não respondeu às perguntas da viúva. Enquanto ela estava chocada com a morte do filho, o profeta simplesmente disse. “Dá-me o teu filho…” (1Rs 17.19).

Petersen lembra-nos de que é melhor conhecer a Deus do que saber o porquê. Sendo assim, a resposta de Elias às perguntas da viúva foi mais uma vez buscar o socorro Daquele que sabe e pode todas as coisas.

Aplicação

Que tipo de pergunta você faz quando enfrenta sofrimento e dor? Que respostas espera obter de Deus?

3. A oração de Elias (1Rs 17.20-21)

“Ó Senhor, meu Deus, também até a esta viúva, com quem me hospedo, afligiste, matando-lhe o filho?” Entendemos que essas palavras de Elias não significam acusação, mas, com certeza, uma expressão da enorme surpresa do profeta. Pois quando ele esperava que ela fosse recompensada por tudo que tinha feito e estava fazendo em prol dele, o pior acontece. Não cremos que Elias sabia previamente o que iria acontecer ao filho da viúva. Mas o profeta não sabe tudo? Não, sabe apenas o que Deus quiser lhe revelar. É interessante destacar a expressão “matando-lhe o filho”. Elias está atribuindo a Deus a autoria ou a responsabilidade direta da morte do filho da viúva. Então é por isso que ele ora. Por quê? Porque o Deus que tira a vida é o mesmo que a concede. Daí o pedido “faças a alma deste menino tornar a entrar nele”. E a certeza do profeta de que Deus irá responder tal oração é tamanha, que ele não teme a contaminação devido ao contato com um cadáver, prevista na lei (Nm 6.6; 9.6; 19.11). O amor está acima da lei. Mas é o amor genuíno ou divino, quando derramado em nosso coração.

II. A resposta de Deus e o testemunho da viúva (1Rs 17.22-24)

1. A resposta de Deus (1Rs 17.22-23)

“Vê, teu filho vive” (1Rs 17.23). Podemos criar em nossa mente essa cena. Elias trazendo o filho vivo e colocando nos mesmos braços da mãe que poucos instantes antes o havia entregado morto ao profeta! É claro que temos que lembrar das palavras de Jesus na ressurreição de Seu amigo Lázaro. “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá” (Jo 11.25). Pouco antes do milagre, tanto Marta quanto Maria disseram ao Senhor Jesus. “Se estiveras aqui, meu irmão não teria morrido” ( Jo 11.21,32). Mas Jesus não queria apenas curar a enfermidade de Lázaro, o propósito de Deus era maior. Do mesmo modo, o propósito de Deus para a viúva não era só multiplicar farinha e azeite, mas um feito inédito para ela e para o profeta: um morto tornou a viver.

2. O testemunho da viúva (1 Rs 17.24)

“Tu és homem de Deus e a palavra do Senhor na tua boca é verdade”. Elias precisava ouvir isso? O que significava esse testemunho da viúva na vida e no ministério do profeta? Primeiro de tudo, essas palavras demonstram que a paz, a alegria e a fé voltaram ao coração dessa mulher tão sofrida. Elias não poderia ter deixado uma “má imagem” do seu Deus a essa viúva. E os fatos são sempre mais fortes que qualquer argumento.

E por fim, Elias saiu fortalecido de tudo isso. Conheceu mais ainda do seu Senhor. Estava um pouco mais bem preparado para os novos desafios. Na verdade, os milagres servem para pelo menos duas coisas: a. exaltar a glória de Deus; b. aumentar a fé dos homens ( Jo 3.2; 6.14).

Conclusão

Precisamos deixar perguntas para reflexão de cada um. “Será que a palavra do Senhor na minha boca é verdade? As pessoas estão me dizendo isso? Por que elas me dizem isso?”

Autor da lição: Pr. José Humberto de Oliveira
>> Estudo publicado originalmente pela Editora Cristã Evangélica, na revista “Elias e Eliseu, homens de ação”, da série Adultos. Usado com permissão.

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