Ira divina e choro humano

IRA DIVINA E CHORO HUMANO

 

Texto básico: Lm 1-2 e 4
Texto devocional: Lm 1.12
Versículo chave: Lm 2.17
“Fez o Senhor o que intentou; cumpriu a ameaça que pronunciou desde os dias da antiguidade; derrubou e não se apiedou; fez que o inimigo se alegrasse por tua causa e exaltou o poder dos teus adversários”.

Alvo da lição: Ao estudar esta lição, você entenderá o que é sofrer o juízo de Deus

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Seg – Lm 1.1-11
Ter – Lm 1.12-22
Qua – Lm 2.1-11
Qui – Lm 2.12-22
Sex – Lm 4.1-11
Sáb – Lm 4.12-22
Dom – Sl 10.1-18

 

Introdução

Como!” Os capítulos 1,2 e 4 de Lamentações iniciam com o grito angustiante – algo como nosso “ai! ai!” – de quem estava percorrendo as ruínas de Jerusalém (587 a.C.). O povo de Deus não abandonou o pecado; a inva­são, embora terrível, veio pela vontade do Deus que é Juiz. Mas a confiança no mesmo Deus transformou o grito angustiante de Lamentações 1.1 no cla­mor esperançoso de Lamentações 5.21.

 

I. Chorando a Jerusalém destruída (Lm 1)

1. O porquê do choro (Lm 1-11)

Conforme vimos em lições anteriores, Jerusalém foi derrotada pelo exército babilônico em 587 a.C. (cf. 2Rs 25). Não havia mais necessidade de alerta; naquele momento era só chorar a desgraça do povo que não tinha quem o consolasse (Lm 1.2,7,9). “Os que a amavam” (Lm 1.2) lembra Oseias 2.7-13 com a crítica aos de Israel que trocaram o verdadeiro Deus pelos deuses cananeus. Os “amigos” (Lm 1.2), ou nações vizinhas, abando­naram Judá quando ela mais precisou. Judá estava exilada: “habita entre as nações, não acha descanso” (Lm 1.3). A destruição (Lm 1.8), a dor e o luto tinham a ver com a desobediência ao Senhor. O povo não havia se arrepen­dido (Lm 1.8-9; Hb 10.30-31).

Aqueles que antes “honravam” (Lm 1.8) a bela cidade perceberam sua “imundícia” (Lm 1.9) ou “nudez”, sím­bolo de vergonha e derrota (Is 47.3). “Espantoso” (Lm 1.9) significa sobrena­tural ( Jz 13.18), ou seja, a destruição de Jerusalém foi um evento divino. O povo derrotado andava pelas ruas à procura de comida, e penhorava “suas coisas mais estimadas” para sobreviver (Lm 1.11).

2. Haja clamor! (Lm 1.12-22)

Após convidar o Senhor a ver a aflição (Lm 1.9), chegou a vez de transeuntes opinarem sobre a dor de Judá (Lm 1.12), e depois foi a vez das nações (Lm 1.18). As expressões, “fogo”, “rede”, “arrojou-me para trás” e “jugo” (Lm 1.13-14), referem-se à ação de Deus, “lá do alto” (Lm 1.13; cf. 2Rs 1.10,12,14; Sl 10.9; Jr 16.16; Ez 19.8). A outra face da explicação da derrota é: “entregou-me o Senhor” (Lm 1.14). Deus convocou um exército inimigo para invadir e pisar Israel (Lm 1.15), pois, mesmo amando a “virgem filha de Judá” (Lm 1.15), em Sua ira contra o pecado da nação, Ele a casti­ga com dura justiça (Lm 1.18; Is 63.1-3).

Na ocasião, Jerusalém nada pôde fazer senão pedir compaixão (Lm 1.20; Sl 28.2), mesmo reconhecendo que Deus estava simplesmente cumprindo “o dia que apregoaste” pelos profetas (Lm 1.21; Am 5.18). O pedido (Lm 1.22) é que os inimigos usados como instrumentos do juízo divino sejam punidos com igual rigor (Sl 69.22-29).

Lamentações para hoje
Ao contemplar os problemas da cidade onde mora, você clama: “Vê, Senhor, a minha afliçăo… vê, Senhor, e contem­pla” (Lm 1.9,11)? Nosso Deus vê desgraça (Êx 3.7). E você? Judá “não pensava no seu fim” (Lm 1.9), não considerou as consequências da desobediência. E você? “Por estas coisas, choro eu” (Lm 1.16). Lembra-se como Jesus lamentou a dureza de Jerusalém (Mt 23.37-39)? O que mudou hoje?

 

II. A ira de Deus (Lm 2)

1. Deus age como inimigo (Lm 2.1-9)

O primeiro capítulo falou sobre Jerusalém; o segundo fala sobre a ação de Deus na destruição de Jerusalém. O Senhor é o sujeito de cada verbo nos versículos 1 a 8, e “ira” (Lm 2.1,3,6), “não se apiedar” (Lm 1.2; cf. Os 1.6), e “inimigo” (Lm 1.5) reforçam a men­sagem. “Nuvens” (Lm 1.1) poderiam lembrar misericórdia (Êx 34.5-6), ou a glória de Deus que encheu o templo (1Rs 8.10-13), mas aqui é diferente: é a nuvem de “sua ira”, palavra que abre e fecha o verso 1 e o capítulo todo. Em ira, Deus “precipitou do céu à terra a glória de Israel” (Lm 2.1; cf. Is 14.12-20); logo, Israel estava sendo tratado como uma nação ímpia que de­safiou o governo de Deus. “As fortalezas da filha de Judá” (Lm 2.2) caíram por­que Deus “cortou toda a força de Israel” (Lm 2.3) e “exaltou o poder dos [teus] adversários” (Lm 2.17). Em outras pala­vras, proteção virou inimizade (Lm 2.4), e a consequência inevitável foi derrota, “pranto e a lamentação” (Lm 2.5).

Os versículos 6 a 9 descrevem a destruição do templo, “lugar da sua congregação” (Lm 2.6) onde Deus prometeu encontrar-se com Israel (Êx 25.22). Mas “o Senhor, em Sião, pôs em esquecimento as festas” (Lm 2.6) religiosas, pois meros ritos não desviam Sua ira. Sem Deus presente, o culto mu­dou, e o grito alegre do adorador sincero se transformou em grito escarnecedor de soldado pagão (Lm 2.7) – uma mudança chocante, que só aconteceu porque Deus rejeitou Seu povo, “rei e o sacerdote” (Lm 2.6). E mais, não rece­beram “visão alguma do Senhor os seus profetas” (Lm 2.9); logo, o povo ficou sem instrução, sem liderança, e não mais achava Deus (Pv 29.18).

2. A reação (Lm 2.10-13)

Os versos 10 a 13 descrevem a reação natural à desolação e ao choro (cf. Jó 2.12-13), mais especificamente o choro pela situação chocante de crianças morrendo sem “pão e vinho” (Lm 2.12,19-21; cf. Jr. 4.4,10), tidos na época como necessidades básicas. Foi uma tragédia sem precedentes na história de Israel. “A quem te compararei, ó filha de Jerusalém?” (Lm 2.13) “Quem te acudirá?” (Lm 2.13). Deus não vai fazer nada?

3. Uma tragédia evitável (Lm 2.14-22)

Que tragédia! O cativeiro poderia ter sido evitado se certos profetas tivessem se recusado a dar “visões falsas e absurdas” (Lm 2.14) que minimizaram o pecado de Judá (você se lembra de Jeremias 7?). Resultado – zombaria por parte das na­ções vizinhas (Lm 2.15-16; Jr 19.8), um contraste total com o período anterior à destruição, quando Jerusalém era “a alegria de toda a terra” (Sl 48.2). Mesmo assim, seus inimigos jamais deveriam pensar que “o dia” (Lm 2.16) era deles, pois os inimigos não passaram de atores no palco da história, atores numa peça dirigida por Deus. “O dia” era de Deus (Lm 2.17), e a convicção de que “fez o Senhor o que intentou” (Lm 2.17; cf. Lm 1-8) é uma afirmação de fé, o ponto alto do capítulo.

Então só restava exortar o povo a clamar (Lm 2.18-22) pela “vida de [teus] filhinhos” (Lm 2.19, cf. Lm 2.11-12) e pelo sofrimento atroz dentro da cidade destruída (Lm 2.20-21; cf. Lm 4.10). Deus é o Senhor da história: logo nada do que se passou em Jerusalém fugiu ao controle Dele; até a espada que parecia ser do invasor, era de Deus.

Lamentações para hoje
Se Deus é por nós, quem será contra nós” (Rm 8.31). E o oposto? Se Deus é contra nós, quem será por nós? Você já se perguntou: “Deus não vai fazer nada”? Houve alguma resposta da parte de Deus? Você tem tal visão da soberania de Deus? Que diferença ela faz no seu dia a dia?

 

III. Pelas ruas e praças de Jerusalém (Lm 4)

Parece que Jeremias estava dando uma volta, chocado, pelas “ruas” de Jerusalém (Lm 4.1,5,8,14,18), olhando a situação das crianças (Lm 4.3-4) e decepcionado com aqueles que não conseguiram salvar a cidade da cala­midade, os de fora (Lm 4.17) e os de dentro (Lm 4.20).

1. Destruição total (Lm 4.1-10)

O trecho retrata a destruição com­pleta de uma cidade qualquer. E a causa do transtorno? Há um contraste entre “meu povo” e “Sodoma” (Lm 4.6): en­quanto Sodoma foi destruída instanta­neamente e a população foi poupada de morte demorada e dolorosa, o sofrimen­to prolongado do “meu povo” (Lm 4.9) seria prova de que os moradores de Jerusalém eram pecadores ainda piores.

2. A ira divina (Lm 4.11-16)

Este trecho começa e termina com “ira” (Lm 4.11,16), e a severidade do juízo sofrido em cada classe social é explicada pelo “ardor de sua ira” (Lm 4.11; cf. Lm 1.12; 2.1-8). A derrota da cidade era incompreensível, tanto aos “reis da terra… [e aos] moradores do mundo” (Lm 4.12) quanto ao povo de Deus, que acreditava que Jerusalém era invencível (Sl 48.8; Jr 7.9).

3. Esperanças frustradas (Lm 4.17-20)

Aparecem os sentimentos do povo de Judá antes da destruição: “nossos olhos” (Lm 4.17); “nossos passos” (Lm 4.18); “nossas praças” (Lm 4.18); “nossos dias” (Lm 4.18); “nosso fim” (Lm 4.18); “nossos perseguidores” (Lm 4.19). E a frustração total do “dizíamos” (Lm 4.20). Eles realizaram vigílias ansiosas (Lm 4.17) esperando a ajuda que não veio de “um povo que não podia livrar,” provavel­mente o Egito (Is 36.6; 30.7). A morte do rei ( Jr 39.4-5), “o ungido do Senhor” (Lm 4.20), foi um baque enorme, pois ele também era tido como invencível (cf. Sl 45.2-7). Mas ninguém – nem líderes religiosos ou políticos, nem o próprio rei – foi capaz de salvar do juízo divino o povo de Deus na hora do fim (Lm 4.18).

4. Esperança ainda viva (Lm 4.21-22)

Apesar de tudo havia esperança para Israel, pois o castigo de Edom seria a bênção que Israel almejava. Edomitas, povo irmão, participaram da destruição de Jerusalém (Ob 10-16; Sl 137.7; Jr 49.7-22). No entanto, a alegria dos edomitas não iria durar: logo chegaria a vez deles be­berem do “cálice” da ira divina (Lm 4.21; Jr 25.15-29) até se embriagarem. En­quanto o castigo de Israel terminava, o de Edom estava apenas começando (Lm 4.22).

Lamentações para hoje
Como foi triste ver a cidade destruída. O juízo foi lançado porque o povo preferiu a desobediência. Assim também Deus julgará os desobedientes, hoje. Você tem se preocupado em apresentar o evangelho de Cristo aos perdidos?

 

Conclusão

O livro de Lamentações se refere muito à família – bebês, jovens, mães, homens, idosos e órfãos – e observa cegos, leprosos, famintos e trabalha­dores infantis. O texto censura alguns comportamentos comuns – pão e lenha a preços exorbitantes, violência, exploração do trabalhador, desrespeito para com o idoso. Quantos assuntos contemporâneos! O escritor os trata com muita sensibilidade, até com choro e ternura.

Exercício prático.
Escolha uma pessoa conhecida dos grupos citados e procure sentir a dor dela; depois tente proporcio­nar mudança. Há em seus próprios olhos lágrimas provenientes da compaixão?

Autor da lição: Joyce Elizabeth W. Every-Clayton
>> Estudo publicado originalmente pela Editora Cristã Evangélica, na revista “Jeremias e Lamentações”. Usado com permissão.

 

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