A natureza da igreja

A NATUREZA DA IGREJA

 

 

Texto básico: 1Pedro 2.9-10

Texto devocional: Êxodo 19.1-6

Versículo-chave: 1Pedro 2.9
Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”

Alvo da lição:
Você conhecerá a natureza da Igreja a partir das descrições que o apóstolo Pedro faz. E, ao entender a natureza, compreenderá também sua principal missão.

Leia a Bíblia diariamente:
Seg  –  Dt 7.1-11
Ter  –  Ap 1.6; 5.10; 20.4,6
Qua  –  Ef 4.1-6
Qui  –  1 Jo 1.5-10
Sex  –  2 Co 6.14-7.1
Sáb  –  Ef 1.3-14
Dom  –  Êx 19.1-6

 

Em 1Pedro 2.9-10 o apóstolo vê a igreja como grupo, como comunidade, dando uma descrição da “identidade corporativa” dos cristãos. Ele vê a igreja como um corpo. As palavras usadas para descrever essa identidade foram usadas no AT para o povo de Israel (Êx 19.5-6). Pedro mostra que a nação escolhida não mais será limitada aos descendentes físicos de Abraão. Judeus e gentios compartilham, por igual, da mesma família da fé, quando creem em Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Esta lição nos ensina acerca da natureza e privilégio da igreja.

I. Que é a igreja? (1Pe 2.9-10)

“Vós, porém,”. Nos versículos 1 a 8 Pedro estabelece um contraste entre aqueles que obedecem à Palavra e os que não obedecem a ela; entre os que aceitam e os que rejeitam a Cristo (1Pe 1.22; 2.8). Daí o motivo de ele começar o versículo 9 com uma conjunção adversativa – “porém”.

Cada descrição feita pelo autor revela uma face da natureza da igreja, respon­dendo à pergunta: que é a igreja?

1. Raça eleita (1Pe 2.9)

No grego, é genos eklekton “Povo escolhido”. A humanidade está dividida em várias raças, e muitas sentem orgulho pelos seus ancestrais e os feitos no presente. A igreja deve sua existência ao fato de Deus a ter escolhido. Isso nos remete a Deuteronômio 7.7-8:

“Não vos teve o Senhor afeição, nem vos escolheu porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos os povos, mas porque o Senhor vos amava e, para guardar o juramento que fizera a vossos pais, o Senhor vos tirou com mão poderosa e vos resgatou da casa da servidão, do poder de Faraó, rei do Egito”. Todos os méritos da existência da igreja devem ser dados ao Senhor que a elegeu.

2. Sacerdócio real (1Pe 2.9)

O sacerdote era alguém que ocupava uma posição honrosa e de responsabi­lidade, e que estava revestido de autoridade sobre outros. O sacerdote era repre­sentante do homem perante Deus. Tinha o especial privilégio e responsabilidade de aproximar-se de Deus, e de falar e agir em favor do povo.

Aqui ainda é acrescentado algo novo a este sacerdócio: é um sacerdócio real. É real porque serve ao Rei, e assim participa da Sua natureza real. É real porque é ser­viço em prol do Reino de Deus. No livro de Apocalipse, os cristãos são apresentados como participantes da realeza de Cristo (Ap 1.6; 5.10; 20.4,6; 22.5; cf. 2Tm 2.12).

“Esses filhos do Rei não devem viver ociosamente nem exultar com a glória de sua honra. Antes, são vocacionados para o ministério pontificial (do latim, ponte, “mediador”). A missão sacerdotal de Israel na velha aliança que Deus constituiu como nação foi a de servir de ponte entre o Todo-Poderoso e as nações do mundo (Êx 19.6). Hoje, todos os que participam do sacerdócio em virtude de sua adoção na família real de Deus devem servir mediante a intercessão (a ponte da oração), mediante a evangelização (a ponte da comunicação), mediante o serviço (a ponte da realização) e mediante a demonstração do amor de Deus na prática” (Russell Shedd, Nos Passos de Jesus, Edições Vida Nova, p.45-46).

3. Nação santa (1Pe 2.9)

A palavra nação refere-se a um grupo de pessoas, isto é, um conjunto de pes­soas que pertencem a uma comunidade humana por falarem a mesma língua e compartilharem uma cultura e uma história comum. (Shedd, ob. cit., p.46). Aos Efésios, o apóstolo declarou que a igreja tem “um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos” (Ef 4.5-6). Sendo assim, a igreja compartilha de muitas coisas em comum e, por isso, pode ser chamada de nação.

Essa nação é “santa” porque o Deus que a escolheu é Santo. A ideia bíblica de santidade de Deus é dupla. Primeiro, Ele é absolutamente distinto de todas as Suas criaturas e exaltado sobre elas em infinita majestade (Ec 5.2); segundo, Ele não tem comunhão com o pecado (Jó 34.10; Hc 1.13; 1Jo 1.5).

Desde há muito o Senhor vem dizendo ao Seu povo que Sua vontade é que ele seja santo – separado (Lv 19.1-2; 2Co 6.14-7.1; 1Ts 4.3; 1Pe 1.13-16).

4. Povo de propriedade exclusiva de Deus (1Pe 2.9)

Quando é que algo nos pertence? Quando ganhamos, herdamos ou compramos esse “algo”. Certo? Seguindo essa ideia, a igreja é propriedade do Senhor porque Ele a comprou; não com ouro ou prata, mas com Seu precioso sangue (1Pe 1.18-19; 1Co 6.19-20; 7.23; Gl 3.13; 4.5; Cl 1.13-14; Ap 5.9). “Cristo comprou os homens para Deus ‘da terra’ (Ap 14.3), de maneira que eles se tornam propriedade de Deus, livres da escravidão do pecado e da morte, do mal e do sofrimento que importunou a sua existência terrena. O preço da compra é o sangue de Cristo” (Apocalipse, Introdução e Comentário, George Ladd, p.70).

O Senhor Jesus Cristo disse “edificarei a minha igreja” (Mt 16.18). Portanto, não pertencemos a nós mesmos.

5. Povo de Deus pela misericórdia de Deus (1Pe 2.10)

Russell Shedd escreveu: “Nenhum pecador perdoado pode absolutamente imaginar que alguma virtude em si mesmo ou boas ações de sua parte poderiam ex­plicar por que Deus o levantou do poço da iniqüidade para ser lavado e vestido como príncipe. De fato, a iniciativa de nossa salvação pertence inteiramente a Deus”. “No princípio Deus” (Gn 1.1); “Mas Deus” (Ef 2.4). Toda a obra de salvação é sempre uma iniciativa de Deus. “misericórdia” – “Receber” misericórdia (NVI) é tradução melhor que “alcançar” misericórdia. Os poetas de Israel não se cansavam de repetir que a misericórdia do Senhor dura para sempre (cf. Salmo 136). O profeta Jeremias declarou que as misericórdias são a “causa de não sermos consumidos” (Lm 3.22-23). De fato, é a misericórdia divina que confere aos homens ampla participação na sal­vação. Calvino escreveu: “Não há qualquer outra razão pela qual o Senhor conta o seu povo, exceto que Ele, tendo tido misericórdia de nós, nos adotou por sua graça”.

Aplicação

– O que lhe dá a certeza de que foi escolhido por Deus?

– Como você está vivendo este “sacerdócio real” na igreja local?

– De que maneira a santidade de Deus pode ser vista em sua vida?

– Você realmente sente que é “propriedade exclusiva de Deus”? Como esse fato faz diferença em sua vida?

– De vez em quando você é levado a pensar que há algum bem em você e, por isso, Deus o escolheu para ser filho Dele?

 

II. A missão da igreja (1Pe 2.9)

Outras lições desta revista vão tratar especificamente sobre este assunto. Todavia, queremos apenas confirmar a famosa expressão: “todo grande privilégio é seguido por uma enorme responsabilidade”. Ou, nas palavras de Jesus, “àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido” (Lc 12.48). Então, na visão de Pedro, qual é a principal tarefa da igreja? “a fim de proclamardes as virtudes” – Proclamar é propagar, anunciar. A palavra tem a força adicional de declarar coisas desconhecidas (Chave Linguística, p, 557). Virtudes, no grego, é arete, que significa “excelência moral”, “os feitos maravilhosos de Deus” (NTLH), “Seus atos poderosos”. “maravilhosa luz” – A palavra significa admirável , notável, aquilo que causa admiração e respeito, devido à sua grandiosidade, poder ou raridade. Jesus disse: “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8.12). E Ele mesmo disse a Seus discípulos: “vós sois a luz do mundo” (Mt 5.14). Portanto, não podemos ser negligentes, preguiçosos ou relutantes em proclamar atributos tão louváveis. O apóstolo Paulo não se envergonhou de anunciar o evangelho em Roma porque afirmou que ele é o poder, a salvação e a justiça de Deus para todo aquele que crê (Romanos 1.16-17).

Aplicação

– Em qual quarto escuro da sua vida Deus acendeu uma luz?

– Qual tem sido a sua prática de proclamar as virtudes de Deus?

 

Conclusão

A igreja do Senhor Jesus Cristo precisa conhecer melhor a sua verdadeira iden­tidade. Uma das coisas belíssimas que nos acontecem por pertencermos à igreja é o reconhecimento de que somos escolhidos. Você não é deixado de fora, está dentro. O Senhor escolheu você também. Quando o anjo contou a José que o Espírito Santo era o responsável pela gravidez de Maria, ele ordenou que fosse dado à criança o nome de Jesus – versão grega de Josué no Antigo Testamento, que significa “O Senhor é Salvador”. Esse nome tinha um significado especial, explicou o anjo, porque Jesus “salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt 1.21).

>> Estudo publicado originalmente pela Editora Cristã Evangélica, na revista “Edificarei a Minha Igreja”, da série Adultos. Usado com permissão.

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3 Comentários para “A natureza da igreja”

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