{"id":918,"date":"2017-11-24T10:24:02","date_gmt":"2017-11-24T12:24:02","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/elbencesar\/?p=918"},"modified":"2017-11-24T10:27:01","modified_gmt":"2017-11-24T12:27:01","slug":"o-tamanho-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/elbencesar\/2017\/11\/24\/o-tamanho-da-vida\/","title":{"rendered":"O tamanho da vida"},"content":{"rendered":"<blockquote><p>O Novo Dicion\u00e1rio Aur\u00e9lio diz que vida \u00e9 \u201co espa\u00e7o de tempo que decorre desde o nascimento at\u00e9 a morte\u201d. O rec\u00e9m-lan\u00e7ado Dicion\u00e1rio de Psicologia Dorsch afirma o mesmo: o curso da vida \u00e9 \u201co caminho entre nascimento e morte\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<h5><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-926\" title=\"Foto: Liane Metzler | Unsplash.com\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/elbencesar\/files\/blog_EC_24_11_2017_tamanho_vida.jpg\" alt=\"\" width=\"220\" height=\"180\" \/>A vida \u00e9 s\u00f3 isso?<\/strong><\/h5>\n<p>Essas defini\u00e7\u00f5es s\u00e3o seculares, mesquinhas e pessimistas. Sob o ponto de vista religioso, esse n\u00e3o \u00e9 o verdadeiro sentido da palavra vida. \u00c0 luz do cristianismo, ent\u00e3o, vida \u00e9 assombrosa e infinitamente mais que o miser\u00e1vel per\u00edodo de tempo espremido entre as dores do parto e as dores do enterro. A vida n\u00e3o come\u00e7a no nascimento nem termina na morte. A vida se inicia no momento da concep\u00e7\u00e3o, quando o espermatoz\u00f3ide fecunda o \u00f3vulo, e n\u00e3o nove meses depois, no ato de dar \u00e0 luz. E continua depois da morte, pelos s\u00e9culos dos s\u00e9culos, atrav\u00e9s de \u201ceras que tombam sobre eras numa eterna sucess\u00e3o\u201d.<\/p>\n<h5><strong>Fases da vida<\/strong><\/h5>\n<p>Se a vida n\u00e3o come\u00e7a no nascimento nem termina na morte, logicamente ela pode ser dividida em tr\u00eas fases.<\/p>\n<p><!--more-->A vida uterina vai da concep\u00e7\u00e3o ao parto. \u00c9 a \u00fanica que tem dura\u00e7\u00e3o certa: nove meses. A princ\u00edpio, o que existe \u00e9 apenas um min\u00fasculo embri\u00e3o, ou \u201cuma subst\u00e2ncia ainda informe\u201d, que vai sendo entretecido \u201cde modo especial e admir\u00e1vel\u201d at\u00e9 completar-se e poder dispensar o ventre materno (Sl 139.13-18).<\/p>\n<p>A vida presente vai do nascimento \u00e0 morte. N\u00e3o tem dura\u00e7\u00e3o certa. Varia de tempos em tempos. No in\u00edcio do s\u00e9culo 20, o brasileiro vivia em m\u00e9dia 37 anos. Hoje, cem anos depois, vive 68 anos e meio. Varia de pa\u00eds para pa\u00eds. Atualmente a mais alta expectativa de vida est\u00e1 no Canad\u00e1 (78,7 anos) e a mais baixa, em Serra Leoa (39). Varia tamb\u00e9m de pessoa para pessoa. A francesa Marie Bremont morreu em junho com a idade de 115 anos. Na mesma ocasi\u00e3o, morreu o americano Timothy McVeigh, com 33 anos. A morte f\u00edsica \u00e9 \u201ca cessa\u00e7\u00e3o definitiva de todos os atos cujo conjunto constitui a vida dos seres organizados\u201d. Depois da morte, a vida presente se extingue e o corpo humano \u00e9 irremediavelmente reduzido \u00e0 in\u00e9rcia, ao enrijecimento, \u00e0 putrefa\u00e7\u00e3o, ao esqueleto, ao p\u00f3, \u00e0 desintegra\u00e7\u00e3o total, \u00e0 inexist\u00eancia (Ec 12.6-8).<\/p>\n<p>A vida futura vai da morte \u00e0 eternidade. \u00c9 de dura\u00e7\u00e3o eterna. A essa fase da vida, Paulo se refere quando explica: \u201cSabemos que, se for destru\u00edda a tempor\u00e1ria habita\u00e7\u00e3o terrena em que vivemos, temos da parte de Deus um edif\u00edcio, uma casa eterna nos c\u00e9us, n\u00e3o constru\u00edda por m\u00e3os humanas\u201d (2 Co 5.1). A vida futura ser\u00e1, para os que est\u00e3o vivos hoje, uma experi\u00eancia absolutamente nova, ligeiramente parecida com o parto.<\/p>\n<h5><strong>Fases da vida presente<\/strong><\/h5>\n<p>Carl Jung divide o curso da vida presente em duas metades. A primeira metade vai do nascimento aos 40 anos. A segunda metade come\u00e7a aos 40 e termina com a morte f\u00edsica. Na primeira, d\u00e1-se o desenvolvimento do eu. Na segunda, o desenvolvimento de si mesmo (a \u00faltima inst\u00e2ncia do processo de individualiza\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>O Dicion\u00e1rio de Psicologia Dorsch (Editora Vozes, 2001) enumera as seguintes fases-etapas do desenvolvimento da vida presente: rec\u00e9m-nascido (at\u00e9 2 semanas), lactente (at\u00e9 9 meses), beb\u00ea (at\u00e9 2 anos), crian\u00e7a pequena (de 2 a 6 anos), crian\u00e7a (de 6 a 12 anos), jovem (de 12 a 20 anos), crescido (de 18 a 21 anos), adulto (de 18 anos em diante), maduro (de 21 a 60 anos), idoso (de 60 a 65 anos), velho (de 65 a 75 anos) e anci\u00e3o (de 75 anos \u00e0 morte).<\/p>\n<p>A divis\u00e3o menos detalhada da vida presente \u00e9: inf\u00e2ncia, meninice, adolesc\u00eancia, juventude, idade adulta, pr\u00e9-velhice (de 60 a 75 anos), velhice (ap\u00f3s 75 anos) e longevidade (ap\u00f3s os 85 anos).<\/p>\n<p>Entre a idade adulta e o in\u00edcio da velhice est\u00e1 o per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o (de 40 a 60 anos).<\/p>\n<p>Cada fase prepara a fase seguinte, como se deu na passagem da vida uterina para a vida presente (por meio do parto) e como se dar\u00e1 na passagem da vida presente para a vida futura (por meio da morte). O certo, aconselha o professor Aquilino de Pedro Hern\u00e1ndez, \u00e9 assumir cada per\u00edodo \u201cem sua peculiar riqueza e em seus limites, sem se agarrar ao passado, que produz uma distor\u00e7\u00e3o esterilizante\u201d.<\/p>\n<h5><strong>Fases da vida futura<\/strong><\/h5>\n<p>Chama-se de estado intermedi\u00e1rio aquele per\u00edodo situado entre a morte e a ressurrei\u00e7\u00e3o do corpo. N\u00e3o h\u00e1 dia certo para morrer, mas h\u00e1 dia certo para ressuscitar. A morte \u00e9 individual, mas a ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 coletiva. Embora n\u00e3o se saiba muito sobre o assunto, as Escrituras nos d\u00e3o a certeza de que, nesse estado, estaremos conscientes. Mois\u00e9s e Elias apareceram no monte da transfigura\u00e7\u00e3o e conversavam com Jesus a respeito de sua partida, que Ele estava para cumprir em Jerusal\u00e9m (Lc 9.30-31). Na par\u00e1bola, ou hist\u00f3ria, do rico e L\u00e1zaro (Lc 16.19-31), ambos, depois de mortos, tinham conhecimento de suas trag\u00e9dias (caso do rico) ou de suas bem-aventuran\u00e7as (caso de L\u00e1zaro). Paulo estava convicto de que, depois de morto e antes da ressurrei\u00e7\u00e3o do corpo, estaria com Cristo, \u201co que \u00e9 incomparavelmente melhor\u201d (Fp 1.23).<\/p>\n<p>Chama-se de estado eterno aquela situa\u00e7\u00e3o posterior \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o do corpo, tanto dos justos como dos \u00edmpios, tanto dos salvos como dos perdidos, tanto dos bons como dos maus (Dn 12.2; Jo 5.28, 29). Para uns, ser\u00e1 de vida eterna; para outros, de morte eterna. Esse estado definitivo ser\u00e1 de gl\u00f3ria total para os justos, e de vergonha eterna para os \u00edmpios.<\/p>\n<h5><strong>Vamos todos morrer<\/strong><\/h5>\n<p><strong>Ivo Pitanguy<\/strong>, cirurgi\u00e3o pl\u00e1stico: \u201cVou dizer obviedade: n\u00e3o sou eterno. Antes, coitadinho de mim, eu achava que minha vida duraria para sempre.\u201d<\/p>\n<p><strong>Fidel Castro<\/strong>, presidente de Cuba: \u201cEu sei que vou morrer, por mais que me cuide\u201d.<\/p>\n<p><strong>Oscar Niemeyer<\/strong>, o maior arquiteto do s\u00e9culo 20, aos 93 anos: \u201cUm dia vou ter que morrer\u201d.<\/p>\n<p><strong>Ra\u00fal Castro<\/strong>, ministro das For\u00e7as Armadas de Cuba: \u201cA eternidade n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p><strong>Arthur Clarke<\/strong>, escritor de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica: \u201c\u00c9 \u00f3bvio que, aos 78 anos, eu tenho pensado mais na morte do que antes\u201d.<\/p>\n<h5><strong>Vamos todos ressuscitar<\/strong><\/h5>\n<p><strong>Benedita da Silva<\/strong>, vice-governadora do Estado do Rio de Janeiro: \u201cComo crist\u00e3os, temos certeza da vida ap\u00f3s a morte\u201d.<\/p>\n<p><strong>Dom Marcos Barbosa<\/strong>, da Academia Brasileira de Letras: \u201cQuando ocorrer, na segunda vinda de Cristo, a ressurrei\u00e7\u00e3o da carne, que \u00e9 um dos artigos do nosso credo, ainda que nada reste em n\u00f3s sen\u00e3o a alma, ser\u00e3o nossos os corpos que nos forem dados, da\u00ed em diante gloriosos, como o de Cristo ressuscitado, e n\u00e3o mais sujeitos \u00e0 doen\u00e7a e \u00e0 morte\u201d.<\/p>\n<p><strong>C. A. Coulson<\/strong>, cientista: \u201cEstou seguro de que a vida deve continuar (depois da morte). Em que me ap\u00f3io? Em primeiro lugar, na palavra de Cristo. Antes do cristianismo, as pessoas andavam \u00e0s apalpadelas, \u00e0 procura de uma cren\u00e7a na outra vida. Mas com Cristo o assunto mudou de figura.\u201d<\/p>\n<p><strong>Pedro Wilson<\/strong>, pol\u00edtico: \u201cN\u00e3o somos crist\u00e3os da sexta-feira, somos crist\u00e3os do domingo da ressurrei\u00e7\u00e3o. Sem a ressurrei\u00e7\u00e3o, para n\u00f3s, crist\u00e3os, n\u00e3o haveria f\u00e9.\u201d<\/p>\n<p><strong>Maur\u00edlio Nogueira da Silva<\/strong>, professor de pol\u00edtica educacional na Universidade Federal de Juiz de Fora, membro do Partido Comunista do Brasil, rec\u00e9m-convertido ao cristianismo: \u201cComungo com a cren\u00e7a de que ap\u00f3s a morte biol\u00f3gica ressuscitaremos em nossa totalidade ou unidade, como corpo-esp\u00edrito. A morte biol\u00f3gica n\u00e3o \u00e9 a aniquila\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria, reduzindo-a ao nada, como o afirmam equivocadamente os materialistas vulgares. Com a morte, a mat\u00e9ria sofre mais uma de suas metamorfoses, certamente a mais radical, mas n\u00e3o se acaba.<\/p>\n<pre>Texto originalmente publicado na edi\u00e7\u00e3o <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/revista\/272\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">272<\/a> de <strong>Ultimato<\/strong>.<\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Novo Dicion\u00e1rio Aur\u00e9lio diz que vida \u00e9 \u201co espa\u00e7o de tempo que decorre desde o nascimento at\u00e9 a morte\u201d. O rec\u00e9m-lan\u00e7ado Dicion\u00e1rio de Psicologia Dorsch afirma o mesmo: o curso da vida \u00e9 \u201co caminho entre nascimento e morte\u201d. A vida \u00e9 s\u00f3 isso? Essas defini\u00e7\u00f5es s\u00e3o seculares, mesquinhas e pessimistas. 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