{"id":442,"date":"2017-04-03T14:03:57","date_gmt":"2017-04-03T17:03:57","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/elbencesar\/?p=442"},"modified":"2019-04-22T08:59:11","modified_gmt":"2019-04-22T11:59:11","slug":"o-jesus-imatavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/elbencesar\/2017\/04\/03\/o-jesus-imatavel\/","title":{"rendered":"O Jesus imat\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<blockquote><p><em>\u201cSe Jesus n\u00e3o tivesse entregue a si mesmo, ningu\u00e9m o teria entregue\u201d<\/em> (Santo Agostinho)<\/p><\/blockquote>\n<p>Para abordar a riqueza toda de Jesus Cristo n\u00e3o h\u00e1 outro jeito sen\u00e3o inventar palavras, como imat\u00e1vel, que soa melhor do que inassassin\u00e1vel.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-443 size-full\" title=\"Dan Bianchin\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/elbencesar\/files\/2017\/04\/blog_EC_3_4_2017_imatavel.jpg\" alt=\"Dan Bianchin\" width=\"257\" height=\"171\" \/><\/p>\n<p>Que Jesus rompeu os grilh\u00f5es da morte \u201cporque era imposs\u00edvel que a morte o retivesse\u201d (At 2.24), todo mundo sabe. Que Jesus estava com Deus e era Deus no princ\u00edpio mais distante no tempo e no espa\u00e7o (Jo 1.1), ningu\u00e9m duvida. Que Jesus \u00e9 o Alfa e o \u00d4mega\u201d, o que \u00e9, o que era e o que h\u00e1 de vir\u201d (Ap 1.8), os verdadeiros crist\u00e3os professam com absoluta seguran\u00e7a. Mas que Jesus \u00e9 imat\u00e1vel, soa como surpresa para muita gente.<\/p>\n<p>Talvez n\u00e3o haja palavra mais apropriada para mostrar a autoridade de Jesus sobre sua pr\u00f3pria vida. Jesus \u00e9 imat\u00e1vel porque ele n\u00e3o pode em hip\u00f3tese alguma e em tempo algum ser morto. Foi o Senhor mesmo quem o declarou: \u201cNingu\u00e9m [&#8230;] tira [a minha vida de mim], mas eu a dou por minha espont\u00e2nea vontade. Tenho autoridade para d\u00e1-la e para retom\u00e1-la. Esta ordem recebi de meu Pai\u201d (Jo 10.18).<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Todas as vezes que os crist\u00e3os comemoram a morte vic\u00e1ria e a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus por meio da celebra\u00e7\u00e3o da Ceia do Senhor, a id\u00e9ia do Jesus imat\u00e1vel vem \u00e0 tona. Pois o oficiante repete as palavras de Jesus pronunciadas no cen\u00e1culo na noite de quinta para sexta-feira da semana da paix\u00e3o: \u201cIsto \u00e9 o meu corpo, que \u00e9 dado [ou entregue ou partido] em favor de voc\u00eas\u201d (1Co 11.24).<\/p>\n<p>Quando o Verbo tornou-se carne e viveu entre n\u00f3s, vis\u00edvel, aud\u00edvel e palp\u00e1vel, por um per\u00edodo em torno de 33 anos, houve pelo menos tr\u00eas s\u00e9rias tentativas de morte contra ele, todas infrut\u00edferas, o que naturalmente refor\u00e7a a tese do Jesus imat\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Primeira tentativa<br \/>\n<\/strong>Quando o rei Herodes, o Grande, ouviu os magos se referirem a Jesus como \u201crei dos judeus\u201d, ele se perturbou e tentou localizar o rec\u00e9m-nascido em Bel\u00e9m para lhe tirar a vida. Como os magos n\u00e3o lhe deram a informa\u00e7\u00e3o, Herodes \u201cficou furioso e ordenou que matassem todos os meninos de dois anos para baixo, em Bel\u00e9m e nas proximidades\u201d (Mt 2.16).<\/p>\n<p>Ora, Herodes era um advers\u00e1rio de peso, um homem sem escr\u00fapulos, perigoso e cruel, que j\u00e1 havia mandado matar a sogra Alexandra, os cunhados Arist\u00f3bulo e Costobardes, a esposa Mariane e os filhos Alexandre e Ant\u00edpatro. Ele tinha 70 anos na \u00e9poca da matan\u00e7a dos inocentes de Bel\u00e9m, uns vinte meninos de peito. Mas Jesus n\u00e3o estava entre eles, pois Jos\u00e9, por orienta\u00e7\u00e3o divina, j\u00e1 o havia levado a salvo para o Egito (Mt 2.13-14).<\/p>\n<p><strong>Segunda tentativa<br \/>\n<\/strong>\u201cJesus tinha cerca de trinta anos quando come\u00e7ou o seu minist\u00e9rio\u201d (Lc 3.23). Certo s\u00e1bado, entrou na sinagoga de Nazar\u00e9, cidade da Galil\u00e9ia, onde havia crescido, leu duas passagens de Isa\u00edas (58.6; 61.1-2) e acrescentou solenemente: \u201cHoje se cumpriu a Escritura que voc\u00eas acabaram de ouvir\u201d. Todos o escutavam com interesse e admira\u00e7\u00e3o. Mas, quando Jesus engrossou o discurso, eles reagiram: \u201cTodos na sinagoga se indignaram [e] levantando-se, expulsaram-no para fora da cidade e o levaram a um precip\u00edcio do monte sobre o qual estava constru\u00edda a cidade, com inten\u00e7\u00e3o de precipit\u00e1-lo de l\u00e1\u201d (Lc 4.28-29, BP).<\/p>\n<p>Que Jesus correu s\u00e9rio risco de vida nesse lugar e nesse momento, n\u00e3o resta a menor d\u00favida. Ele estava no meio de pessoas \u201ctomadas de c\u00f3lera\u201d (na vers\u00e3o da Comunidade de Taiz\u00e9) e num lugar perigoso (\u00e0 beira de um abismo), por\u00e9m, nenhum mal lhe aconteceu, pois Jesus estranhamente \u201cpassou pelo meio da multid\u00e3o e foi embora\u201d (Lc 4.30, NTLH). Ent\u00e3o ele se dirigiu para Cafarnaum, mais ao norte, uma cidade ao noroeste do mar da Galil\u00e9ia.<\/p>\n<p><strong>Terceira tentativa<br \/>\n<\/strong>Por n\u00e3o ter princ\u00edpio nem fim, por ser auto-existente, por ser eterno, obviamente Jesus era mais velho que todos os personagens do Antigo Testamento, tais como Isa\u00edas (que viveu 700 anos antes de seu nascimento), Davi (que viveu 1.000 anos antes), Mois\u00e9s (que viveu 1.500 anos antes) e Abra\u00e3o (que viveu 2.000 anos antes). Isso quer dizer que Jesus n\u00e3o mentiu nem blasfemou ao declarar aos judeus com toda a simplicidade e clareza: \u201cA pura verdade \u00e9 que Eu j\u00e1 existia antes de Abra\u00e3o nascer!\u201d (Jo 8.58, BV). Na verdade, Jesus foi muito mais perempt\u00f3rio, por ter usado o t\u00edtulo divino \u201cEu Sou\u201d (ou \u201cEu Existo\u201d), cujo verbo est\u00e1 no presente. Foi com esse nome que Deus se apresentou a Mois\u00e9s quando o incumbiu de retirar o povo de Israel do Egito (\u00cax 3.14-15).<\/p>\n<p>Porque n\u00e3o reconheciam Jesus como Deus em figura humana, os judeus n\u00e3o acreditaram nele e entenderam que ele estava blasfemando o santo nome de Deus e, portanto, de acordo com a lei, era r\u00e9u de morte (Lv 24.15-16). \u201cEnt\u00e3o eles apanharam pedras para apedrej\u00e1-lo\u201d (Jo 8.59). O Evangelho de Jo\u00e3o n\u00e3o entra em detalhes, assim como o de Lucas no epis\u00f3dio anterior, de Nazar\u00e9. Diz apenas: \u201cJesus se ocultou [ou se escondeu] e saiu do templo\u201d.<\/p>\n<p><strong>O que aconteceu na sexta-feira<\/strong><br \/>\nA pris\u00e3o e a morte de Jesus na sexta-feira anterior \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o n\u00e3o colocam em d\u00favida a sua j\u00e1 citada declara\u00e7\u00e3o: \u201cNingu\u00e9m tira a minha vida de mim\u201d. Nem desacreditam a s\u00e1bia observa\u00e7\u00e3o de Santo Agostinho: \u201cSe Cristo n\u00e3o tivesse entregue a si mesmo, ningu\u00e9m o teria entregue\u201d. Ali\u00e1s, \u00e9 pertinente lembrar que Jesus n\u00e3o \u00e9 apenas imat\u00e1vel, ele \u00e9 tamb\u00e9m imprend\u00edvel. Embora os judeus tivessem tentado prend\u00ea-lo v\u00e1rias vezes, n\u00e3o conseguiram porque, como Jo\u00e3o mesmo registra, \u201ca sua hora [de ser preso e morto] ainda n\u00e3o havia chegado\u201d (Jo 7.30; 8.20). Ambos os infort\u00fanios (pris\u00e3o e morte) e ambas as manifesta\u00e7\u00f5es gloriosas (ressurrei\u00e7\u00e3o e ascens\u00e3o) estavam em sua agenda e iriam se concretizar no tempo oportuno, uma coisa depois da outra. Quando chegou a hora exata de sua pris\u00e3o e morte, o pr\u00f3prio Jesus o admitiu: \u201cEis que se aproxima o momento, e j\u00e1 chegou\u201d (Jo 16.32, TZ).\u00a0 Somente a\u00ed, na manh\u00e3 de sexta-feira, nem antes nem depois, Jesus foi preso, e, cerca de nove horas depois, morto. Poucos dias antes, frente ao sofrimento prestes a chegar, o Senhor suspirou: \u201cAgora estou sentindo uma grande afli\u00e7\u00e3o. O que \u00e9 que vou dizer? Ser\u00e1 que vou dizer: Pai, livra-me desta hora de sofrimento? N\u00e3o! Pois foi para passar por esta hora que eu vim\u201d (Jo 12.27, NTLH).<\/p>\n<p>Antes de afirmar que ningu\u00e9m teria o poder ou a ocasi\u00e3o de lhe tirar a vida, Jesus se apresentou como o bom pastor e definiu o car\u00e1ter do pastor n\u00e3o-mercen\u00e1rio: \u201cO bom pastor d\u00e1 a sua vida pelas ovelhas\u201d (Jo 10.11).<\/p>\n<p>Em meio aos acontecimentos da Sexta-feira da Paix\u00e3o h\u00e1 pelo menos mais duas evid\u00eancias de que Jesus \u00e9 de fato imat\u00e1vel. Quando Pedro puxou a espada para defender o Senhor no Jardim do Gets\u00eamani, Jesus ordenou que ele recolhesse a arma e lhe disse: \u201cVoc\u00ea n\u00e3o percebe que eu poderia pedir ao meu Pai milhares de anjos [mais de doze legi\u00f5es de seis mil seres extra-terrestres] para nos protegerem, e Ele os mandaria no mesmo instante?\u201d (Mt 26.53, BV). Em outras palavras, Jesus estava explicando: \u201cEu posso escapar de mais esta s\u00e9ria tentativa de morte, como escapei das anteriores, mas, desta vez, n\u00e3o o farei\u201d. Quando P\u00f4ncio Pilatos caiu na asneira de dizer a Jesus que, na qualidade de governador romano, tinha poder para libert\u00e1-lo ou crucific\u00e1-lo, o Senhor respondeu de pronto: \u201cN\u00e3o terias nenhuma autoridade sobre mim, se esta n\u00e3o te fosse dada de cima\u201d (Jo 19.10).<\/p>\n<p><strong>A inef\u00e1vel generosidade de Deus<\/strong><br \/>\nNingu\u00e9m deve nem sequer imaginar que a ren\u00fancia de Jesus em usar sua ilimitada autoridade (Mt 28.18) e seus extraordin\u00e1rios recursos em favor da liberdade e da vida foi algo suport\u00e1vel e f\u00e1cil, \u00e0 vista de sua dupla natureza (humana e divina). Naquele dia sombrio (as trevas cobriram toda a terra do meio dia \u00e0s tr\u00eas horas da tarde), Jesus deixou-se prender (ele foi amarrado, algemado) e deixou-se matar (ele foi espancado, esbofeteado, a\u00e7oitado, ferido e crucificado). Jesus n\u00e3o foi anestesiado antes de ser desprezado e rejeitado pelos homens, atingido e afligido por Deus (como representante do homem pecador), traspassado e esmagado por causa de nossas iniq\u00fcidades, e finalmente levado para o matadouro e eliminado da terra dos viventes (Is 53). Durante os seus trinta e poucos anos de perman\u00eancia no tempo e na hist\u00f3ria e na companhia dos homens (Jo 1.14), em nenhum momento Jesus abriu m\u00e3o de sua divindade nem de sua humanidade. Na madrugada daquela sexta-feira no Gets\u00eamani, Jesus come\u00e7ou a entristecer-se e angustiar-se e desabafou com seus disc\u00edpulos: \u201cA minha alma est\u00e1 profundamente triste, numa tristeza mortal\u201d (Mt 26.38). Ele chegou a desejar o afastamento do c\u00e1lice de sofrimento e morte, na famosa ora\u00e7\u00e3o tr\u00eas vezes feita com o rosto em terra: \u201cMeu Pai, se for poss\u00edvel, afasta de mim este c\u00e1lice; contudo, n\u00e3o seja como eu quero [neste momento], mas sim como tu queres\u201d (Mt 26.39). A pris\u00e3o e a morte de Jesus Cristo n\u00e3o foram encena\u00e7\u00f5es teatrais, mas experi\u00eancias vividas. Os dois infort\u00fanios atingiram aquele corpo gerado pelo Esp\u00edrito Santo no ventre de uma mulher virgem, que quase foi morto por Herodes ao nascer e que ent\u00e3o morreu por sua espont\u00e2nea vontade. \u00c9 por isso que os celebrantes da Santa Ceia repetiu sempre: \u201cIsto \u00e9 o meu corpo, que \u00e9 dado em favor de voc\u00eas\u201d (1Co 11.24). Paulo deixa bem claro que a reconcilia\u00e7\u00e3o entre Deus e os homens foi feita \u201cpor meio da morte do seu pr\u00f3prio corpo humano na cruz\u201d (Cl 1.22, BV).<\/p>\n<p>Porque Jesus \u00e9 imprend\u00edvel e imat\u00e1vel, mas deixou-se prender e matar em benef\u00edcio da nossa plena reden\u00e7\u00e3o, \u201cagrade\u00e7amos a Deus o presente que ele nos d\u00e1 [o pr\u00f3prio e \u00fanico filho], um presente que palavras n\u00e3o podem descrever\u201d (2 Co 9.15, NTLH)!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<pre>Texto originalmente publicado na edi\u00e7\u00e3o <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/revista\/305\">305 <\/a>de <strong>Ultimato<\/strong>.<\/pre>\n<p>Imagem: Dan Bianchin<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cSe Jesus n\u00e3o tivesse entregue a si mesmo, ningu\u00e9m o teria entregue\u201d (Santo Agostinho) Para abordar a riqueza toda de Jesus Cristo n\u00e3o h\u00e1 outro jeito sen\u00e3o inventar palavras, como imat\u00e1vel, que soa melhor do que inassassin\u00e1vel. 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