{"id":1529,"date":"2018-08-14T00:00:17","date_gmt":"2018-08-14T03:00:17","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/elbencesar\/?p=1529"},"modified":"2018-08-13T09:01:49","modified_gmt":"2018-08-13T12:01:49","slug":"eu-tambem-tenho-consciencia-missionaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/elbencesar\/2018\/08\/14\/eu-tambem-tenho-consciencia-missionaria\/","title":{"rendered":"Eu tamb\u00e9m tenho consci\u00eancia mission\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<blockquote><p>At\u00e9 ent\u00e3o eu pensava no desafio mission\u00e1rio em termos de pa\u00edses e n\u00e3o em termos de povos ou etnias, o que \u00e9 muito mais el\u00e1stico. At\u00e9 ent\u00e3o eu n\u00e3o sabia que a grande comiss\u00e3o est\u00e1 tamb\u00e9m no Velho Testamento e n\u00e3o s\u00f3 nos Evangelhos e no livro de Atos.<\/p><\/blockquote>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-1538\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/elbencesar\/files\/photo-1530379768560-fac46435511d-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/elbencesar\/files\/photo-1530379768560-fac46435511d-300x200.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/elbencesar\/files\/photo-1530379768560-fac46435511d-768x512.jpg 768w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/elbencesar\/files\/photo-1530379768560-fac46435511d-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/elbencesar\/files\/photo-1530379768560-fac46435511d-732x488.jpg 732w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/elbencesar\/files\/photo-1530379768560-fac46435511d.jpg 1050w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Outro dia o Rev. Winrich Schefbuch, diretor executivo da Hilfe F\u00fcr Br\u00fcder, me perguntou de onde vinha o meu interesse por miss\u00f5es. Tr\u00eas ou quatro anos antes, um pastor que valoriza o trabalho mission\u00e1rio, me telefonou e me disse surpreso: \u201cN\u00e3o sabia que voc\u00ea tamb\u00e9m tinha consci\u00eancia mission\u00e1ria\u201d.<\/p>\n<p>Na verdade eu tenho uma consci\u00eancia antiga e s\u00f3lida, que tem crescido providencialmente atrav\u00e9s dos anos.<\/p>\n<p>O processo todo come\u00e7ou no ber\u00e7o, quando eu ouvia falar da convers\u00e3o do meu av\u00f4 na cidade do Recife em 1876, em decorr\u00eancia do trabalho do primeiro mission\u00e1rio estrangeiro a se fixar no Nordeste do Brasil, chamado John Rockwell Smith. Meu av\u00f4 era um adolescente de 16 anos quando ouviu o evangelho pela primeira vez. Professou a f\u00e9 no dia de seu 18\u00b0 anivers\u00e1rio, juntamente com sua m\u00e3e, e tornou-se um dos tr\u00eas primeiros pastores brasileiros do Nordeste. Entre os seus descendentes h\u00e1 dezenas de pastores e leigos comprometidos com o Reino de Deus e uma multid\u00e3o de crentes. Em 1975, cem anos depois da convers\u00e3o de meu av\u00f4, tive o privil\u00e9gio de visitar a neta de Smith em Charlotte, na Carolina do Norte, e de apresentar \u00e0 fam\u00edlia a nossa gratid\u00e3o pelo minist\u00e9rio do not\u00e1vel mission\u00e1rio. Com este patrim\u00f4nio hist\u00f3rico seria muito dif\u00edcil eu n\u00e3o ter entusiasmo por miss\u00f5es.<!--more--><\/p>\n<p>Outro fator muito forte que me levou a ter consci\u00eancia mission\u00e1ria foi a educa\u00e7\u00e3o recebida no lar. Meus pais tinham defeitos, \u00e9 l\u00f3gico, mas a devo\u00e7\u00e3o deles a Deus e \u00e0 prega\u00e7\u00e3o do evangelho era total e sincera. Meu pai n\u00e3o podia suportar igrejas sem congrega\u00e7\u00f5es e in\u00fameros pontos de prega\u00e7\u00e3o. Ele fundou v\u00e1rias igrejas em Campos e em todo o norte do Estado do Rio de Janeiro. Embora morando em Campos, abriu trabalho em Juiz de Fora, \u00daba e Muria\u00e9, no Estado de Minas Gerais. Minha m\u00e3e me fez ler biografias de mission\u00e1rios como David Livingstone (\u00c1frica), J. Hudson Taylor (China) e Jonh Paton (Novas H\u00e9bridas). Na minha adolesc\u00eancia li a hist\u00f3ria de Dwight Moody e resolvi evangelizar uma pessoa por dia, como Moody fazia. N\u00e3o fui perseverante, mas evangelizei muita gente e uns poucos chegaram a professar a f\u00e9 em Jesus.<\/p>\n<p>Meu preparo teol\u00f3gico n\u00e3o foi feito num semin\u00e1rio tradicional. Estudei no Instituto B\u00edblico da Pedra de Guaratiba, no Rio de Janeiro. Tenho certeza de que Deus mesmo me levou para l\u00e1 por causa da grande \u00eanfase dada \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o e miss\u00f5es, aliada a uma outra \u00eanfase insepar\u00e1vel da primeira: vida espiritual rica e uma confian\u00e7a enorme na provid\u00eancia divina. As acomoda\u00e7\u00f5es n\u00e3o eram de primeira qualidade (quartos com cama beliche para 12 ou mais estudantes) e o ensino teol\u00f3gico n\u00e3o era dos mais eruditos, mas o ambiente de ora\u00e7\u00e3o, f\u00e9 e paix\u00e3o pelas almas era muito forte. \u00c9ramos incentivados a fazer evangelismo pessoal a cada fim de semana e dever\u00edamos preencher um relat\u00f3rio do trabalho realizado. Estes relat\u00f3rios eram analisados e comentados publicamente numa reuni\u00e3o com a presen\u00e7a de todos os alunos.<\/p>\n<p>Os quatro anos passados no chamado IBP, sob a dire\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o de Igrejas Evang\u00e9licas Congregacionais do Brasil (UIECB), me fizeram pender mais para o trabalho mission\u00e1rio do que para o pastorado de uma igreja. Por esta raz\u00e3o, vim parar em Ub\u00e1 (1955), Vi\u00e7osa (1960) e Barbacena (1966), como mission\u00e1rio do Presbit\u00e9rio de Campos para come\u00e7ar da estaca zero, sem ter inicialmente o apoio financeiro de qualquer organiza\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria. Depois de 14 anos de trabalho pioneiro, voltei para Vi\u00e7osa, desta vez como pastor de igreja.<\/p>\n<p>Trabalhando na reda\u00e7\u00e3o da revista <strong>Ultimato<\/strong> desde 1968, fui obrigado a entrar em contato com not\u00edcias do progresso do evangelho no mundo inteiro, de forma ampla, n\u00e3o denominacional. Ora, \u00e9 f\u00e1cil avaliar a quantidade enorme de combust\u00edvel recebida por esta via para incendiar o meu apetite mission\u00e1rio. Este trabalho me levou a participar de in\u00fameras confer\u00eancias mission\u00e1rias de \u00e2mbito mundial, como Amsterdam 83 e 86, Lausanne II, CLADE II e III e COMIBAM. Passei a fazer pesquisas muito s\u00e9rias para publicar reportagens sobre alguns pa\u00edses do mundo, como Paraguai, Mo\u00e7ambique, Angola, Cuba, Cor\u00e9ia, Jap\u00e3o, Taiwan, Tail\u00e2ndia e China.<\/p>\n<p>Quando o conselho da Igreja Presbiteriana de Vi\u00e7osa organizou o Centro Evang\u00e9lico de Miss\u00f5es (CEM) em 1983, convidamos o missi\u00f3logo Tim\u00f3teo Carriker para nos ajudar a preparar o curr\u00edculo de uma escola de miss\u00f5es transculturais e um curso de especializa\u00e7\u00e3o em missiologia. N\u00e3o posso me esquecer de uma s\u00e9rie de palestras que ele fez na ocasi\u00e3o, mais tarde publicadas na revista <strong>Ultimato<\/strong>. At\u00e9 ent\u00e3o eu pensava no desafio mission\u00e1rio em termos de pa\u00edses e n\u00e3o em termos de povos ou etnias, o que \u00e9 muito mais el\u00e1stico. At\u00e9 ent\u00e3o eu n\u00e3o sabia que a grande comiss\u00e3o est\u00e1 tamb\u00e9m no Velho Testamento e n\u00e3o s\u00f3 nos Evangelhos e no livro de Atos. Aprendi tamb\u00e9m com Tim\u00f3teo Carriker que o mais claro sinal da volta de Jesus n\u00e3o s\u00e3o os terremotos nem as guerras, mas a prega\u00e7\u00e3o do evangelho do reino \u201cpor todo o mundo, para testemunho a todas as na\u00e7\u00f5es\u201d (Mt.24.14).<\/p>\n<p>Hoje sou quase um obcecado pelo mundo inteiro. A mensagem que mais gosto de pregar em confer\u00eancias mission\u00e1rias \u00e9 que o alvo de Deus (o mundo inteiro) tem que ser o alvo da igreja. Passei a abominar estas panelinhas de na\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas contra na\u00e7\u00f5es n\u00e3o democr\u00e1ticas, de na\u00e7\u00f5es capitalistas contra na\u00e7\u00f5es comunistas, de na\u00e7\u00f5es ricas contra na\u00e7\u00f5es pobres, de na\u00e7\u00f5es chamadas crist\u00e3s contra na\u00e7\u00f5es chamadas pag\u00e3s. E vice-versa.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m dou gra\u00e7as a Deus porque h\u00e1 um meio termo entra a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o e a preocupa\u00e7\u00e3o exclusiva com a salva\u00e7\u00e3o das penas do inferno, porque n\u00e3o \u00e9 preciso fechar os olhos ante a injusti\u00e7a social, ante a explora\u00e7\u00e3o de alguns e a mis\u00e9ria de outros e ante a doen\u00e7a e a dor. Trabalho sob a bandeira do evangelho todo para o homem todo.<\/p>\n<p>Esta longa caminhada n\u00e3o me deixa persuadido de que cheguei ao cl\u00edmax da consci\u00eancia mission\u00e1ria. Ainda tenho muito para ouvir e muito para prender, esta expectativa me livra de um desastroso marasmo.<\/p>\n<pre>Texto originalmente publicado na edi\u00e7\u00e3o 233 de <strong>Ultimato<\/strong>. <strong>M<\/strong>ar\u00e7o de 1995.<\/pre>\n<p><strong>Leia mais<\/strong><br \/>\n\u00bb\u00a0<a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/2018\/08\/09\/e-possivel-comparar-a-sua-igreja-com-alguma-igreja-do-novo-testamento\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00c9 poss\u00edvel comparar a sua igreja com alguma igreja do Novo Testamento?\u00a0<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At\u00e9 ent\u00e3o eu pensava no desafio mission\u00e1rio em termos de pa\u00edses e n\u00e3o em termos de povos ou etnias, o que \u00e9 muito mais el\u00e1stico. At\u00e9 ent\u00e3o eu n\u00e3o sabia que a grande comiss\u00e3o est\u00e1 tamb\u00e9m no Velho Testamento e n\u00e3o s\u00f3 nos Evangelhos e no livro de Atos. Outro dia o Rev. 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