{"id":1289,"date":"2018-04-18T09:41:11","date_gmt":"2018-04-18T12:41:11","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/elbencesar\/?p=1289"},"modified":"2018-05-08T08:51:31","modified_gmt":"2018-05-08T11:51:31","slug":"a-janela-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/elbencesar\/2018\/04\/18\/a-janela-brasileira\/","title":{"rendered":"A janela brasileira"},"content":{"rendered":"<h4><span style=\"color: #808000;\"><strong>19 de abril \u2013 Dia do \u00cdndio<\/strong><\/span><\/h4>\n<div id=\"attachment_1296\" style=\"width: 230px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1296\" class=\"wp-image-1296 size-medium\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/elbencesar\/files\/terra_brasilis-220x300.jpg\" alt=\"\" width=\"220\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/elbencesar\/files\/terra_brasilis-220x300.jpg 220w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/elbencesar\/files\/terra_brasilis.jpg 379w\" sizes=\"auto, (max-width: 220px) 100vw, 220px\" \/><p id=\"caption-attachment-1296\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Terra Brasilis&#8221; (Atlas Miller, 1519).<\/p><\/div>\n<p>Chama-se de Janela 10\/40 aquele ret\u00e2ngulo onde vivem hoje os povos n\u00e3o-alcan\u00e7ados pelo evangelho, situado entre os paralelos 10 e 40 ao norte da linha do Equador, a partir da costa ocidental da \u00c1frica at\u00e9 a costa oriental da \u00c1sia. Ali est\u00e1 o maior e o mais dif\u00edcil campo mission\u00e1rio do mundo moderno, tamb\u00e9m denominado <em>O Cintur\u00e3o de Resist\u00eancia<\/em>.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca das grandes descobertas mar\u00edtimas e da Reforma Religiosa do s\u00e9culo XVI, o mundo inteiro, com exce\u00e7\u00e3o da Europa, era ainda um campo mission\u00e1rio, com uma igreja crist\u00e3 aqui e outra acol\u00e1. Os cintur\u00f5es de resist\u00eancia ao evangelho eram enormes e estavam ao redor da Europa.<\/p>\n<p>Um desses cintur\u00f5es era o Brasil, recentemente \u201cachado\u201d por navegadores franceses, espanh\u00f3is e portugueses. Se, na \u00e9poca, houvesse missi\u00f3logos atentos e apaixonados, eles desenhariam uma esp\u00e9cie de Janela Brasileira, que, sem levar em considera\u00e7\u00e3o o Tratado de Tordesilhas, incluiria a regi\u00e3o compreendida entre a linha do Equador e o paralelo 30 ao sul do Equador e entre os meridianos 30 e 70 a oeste de Greenwich.<\/p>\n<p>Era um campo mission\u00e1rio absolutamente virgem e desafiador. Exceto os portugueses que eram ou se diziam crist\u00e3os, a popula\u00e7\u00e3o nativa nunca tinha ouvido falar de Jesus, sua concep\u00e7\u00e3o sobrenatural, seus ensinos, seus milagres, sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, sua ascens\u00e3o e a promessa de sua volta.<\/p>\n<p>Os primeiros mission\u00e1rios crist\u00e3os a virem para a Janela Brasileira eram cat\u00f3licos e membros da Companhia de Jesus, fundada na Europa, poucos anos antes, por In\u00e1cio de Loyola, que fora contempor\u00e2neo do reformador Jo\u00e3o Calvino na Universidade de Paris, na d\u00e9cada de 1530. Sob a dire\u00e7\u00e3o de Manoel da N\u00f3brega, os seis primeiros jesu\u00edtas desembarcaram na Bahia no dia 29 de mar\u00e7o de 1549, quase meio s\u00e9culo depois de Pedro \u00c1lvares Cabral. Os mission\u00e1rios protestantes s\u00f3 chegaram em 1855, tr\u00eas s\u00e9culos e meio depois da \u201cdescoberta\u201d e tr\u00eas s\u00e9culos depois dos cat\u00f3licos. Para os cat\u00f3licos, houve um desperd\u00edcio de 50 anos e, para os protestantes, um desperd\u00edcio sete vezes maior.<\/p>\n<p><!--more-->Os mission\u00e1rios europeus daquela \u00e9poca e do s\u00e9culo seguinte encontraram uma s\u00e9rie de desafios pela frente.<\/p>\n<h5><strong>Muito ch\u00e3o <\/strong><\/h5>\n<p>A extens\u00e3o territorial do novo campo mission\u00e1rio era enorme, pouco menos que a Europa toda, quatorze vezes maior que a Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica e 100 vezes maior que o min\u00fasculo Portugal.<\/p>\n<h5><strong>Muitas migra\u00e7\u00f5es <\/strong><\/h5>\n<p>As gentes para evangelizar provinham de tr\u00eas grandes migra\u00e7\u00f5es: da \u00c1sia (os ind\u00edgenas), da Europa (os portugueses e mais alguns europeus) e da \u00c1frica (os negros que come\u00e7aram a chegar em 1538).<\/p>\n<h5><strong>Muitas etnias <\/strong><\/h5>\n<p>Havia uma grande diversidade de etnias ind\u00edgenas (mais de mil) e africanas (cerca de 250), com caracter\u00edsticas e culturas distintas, em alguns casos, bem diferentes. Havia ind\u00edgenas pac\u00edficos e ind\u00edgenas guerreiros, ind\u00edgenas que comiam carne humana em rituais de guerra e ind\u00edgenas n\u00e3o-antrop\u00f3fagos, ind\u00edgenas que viviam praticamente nus e ind\u00edgenas que cobriam-se de peles. Havia negros da costa atl\u00e2ntica e da costa \u00edndica, de toda a \u00c1frica subsaariana.<\/p>\n<h5><strong>Muita gente <\/strong><\/h5>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena era praticamente igual \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de Portugal, no m\u00ednimo um milh\u00e3o e meio. Mas poderia ser bem maior, talvez 9 milh\u00f5es.(1) O n\u00famero de negros n\u00e3o era pequeno. Nos s\u00e9culos XVII e XVIII entraram 2 milh\u00f5es e meio de africanos no pa\u00eds. O Brasil importou mais de um ter\u00e7o do total de negros que foram transportados da \u00c1frica para o continente americano.(2)<\/p>\n<h5><strong>Muita dist\u00e2ncia <\/strong><\/h5>\n<p>Os ind\u00edgenas n\u00e3o viviam em apenas uma regi\u00e3o. Ocupavam o litoral de norte a sul e o interior do pa\u00eds de leste a oeste.<\/p>\n<h5><strong>Muitas l\u00ednguas <\/strong><\/h5>\n<div id=\"attachment_1294\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1294\" class=\"wp-image-1294 size-medium\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/elbencesar\/files\/indios_bororo-taunay-300x223.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"223\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/elbencesar\/files\/indios_bororo-taunay-300x223.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/elbencesar\/files\/indios_bororo-taunay.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-1294\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;\u00cdndios Bor\u00f4ro&#8221; (A. Taunay, 1827).<\/p><\/div>\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o era um problema quase intranspon\u00edvel por causa da diversidade de l\u00ednguas. At\u00e9 hoje h\u00e1 equipes de mission\u00e1rios ling\u00fcistas gastando em m\u00e9dia 25 anos para traduzir o Novo Testamento para l\u00ednguas ind\u00edgenas. E ainda falta bem mais da metade de tradu\u00e7\u00f5es por fazer. Quanto aos negros, o problema era menor porque eles aprendiam a l\u00edngua dos portugueses.<\/p>\n<h5><strong>Muita tenta\u00e7\u00e3o <\/strong><\/h5>\n<p>A dificuldade natural de conviver com respeito e castidade com a nudez das \u00edndias era uma situa\u00e7\u00e3o absolutamente nova para os europeus. Jos\u00e9 de Anchieta explica: \u201cElas andam nuas e n\u00e3o sabem negar-se a ningu\u00e9m, mas elas mesmas assediam e importunam os homens, metendo-se com eles nas redes, pois consideram uma honra dormir com os crist\u00e3os\u201d.(3) A este respeito, o padre Quir\u00edcio Caxa, o primeiro bi\u00f3grafo de Jos\u00e9 de Anchieta, diz que os tam\u00f3ios ficavam pasmados \u201cde ver um mancebo [o pr\u00f3prio Anchieta] rodeado de todo fogo babil\u00f4nico e estar nele sem lhe chamuscar um cabelo\u201d. Para se livrar \u201cdesses ardent\u00edssimos perigos e propin-qu\u00edssimas ocasi\u00f5es, [Anchieta] usava de muita ora\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o com Deus\u201d, completa Caxa.(4) Segundo o cronista italiano Francisco Antonio Pigafetta, quando o navio <em>Trinidad<\/em>, no qual se encontrava, entrou na Ba\u00eda de Guanabara, em 1519, v\u00e1rios nativos se aproxi-maram de canoa ou a nado dos navios e as mulheres que subiram a bordo \u201cestavam nuas, eram muito jovens e se ofereciam aos marujos em troca de facas alem\u00e3s da pior qualidade\u201d.(5)<\/p>\n<h5><strong>Muitos perigos <\/strong><\/h5>\n<p>Em 1556, o navio em que viajava de volta para Portugal o primeiro bispo do Brasil naufragou no litoral de Alagoas. Os sobreviventes, inclusive Pero Fernandes Sardinha, que tinha sido colega de Jo\u00e3o Calvino na Universidade de Paris (6) e mission\u00e1rio em Goa, na \u00cdndia, foram mortos pelos \u00edndios caet\u00e9s. Entre 1570 e 1571, quatorze anos depois, o desastre foi muito maior: piratas franceses atacaram dois navios nas proximidades das Can\u00e1rias, mataram alguns passageiros e jogaram os outros ao mar. Entre os mortos, estavam 43 religiosos da Companhia de Jesus a caminho do Brasil.(7)<\/p>\n<h5><strong>Muito desconforto <\/strong><\/h5>\n<p>Embora ensolarado e exuberante, o campo mission\u00e1rio n\u00e3o oferecia nenhum conforto, por causa do calor, das doen\u00e7as tropicais, dos animais selvagens e dos insetos. Certo jesu\u00edta contou 45 grilos e 450 pulgas entre a grand\u00edssima multid\u00e3o de insetos que perturbavam a missa, o sono, a mesa e tudo o mais.<\/p>\n<h5><strong>Muito pecado <\/strong><\/h5>\n<p>Os brancos que haviam fixado resid\u00eancia e os que passavam certo per\u00edodo de tempo aqui eram, com raras exce\u00e7\u00f5es, pessoas de baixo padr\u00e3o moral. Bom n\u00famero eram degredados, desterrados e desertores. Outros eram n\u00e1ufragos e colonos, \u00e1vidos de enriquecimento r\u00e1pido. Os jesu\u00edtas diziam que eles se portavam \u201cde acordo com a lei natural\u201d, cercados de mulheres e escravos.(8) Eduardo Bueno assevera que eles \u201cviviam para al\u00e9m dos limites, para al\u00e9m da lei e para aqu\u00e9m da \u00e9tica\u201d.(9)<\/p>\n<p>O degredado Bacharel de Canan\u00e9ia tinha seis mulheres, 200 escravos e um ex\u00e9rcito de mil ind\u00edgenas e era o maior traficante de escravos da \u00e9poca. Manoel da N\u00f3brega chamava o misterioso Jo\u00e3o Ramalho de <em>petra scandali<\/em> para a miss\u00e3o.(10) Eram todos batizados na igreja e \u201ccrist\u00e3os\u201d. Al\u00e9m do baixo padr\u00e3o moral, esses portugueses, ao contr\u00e1rio dos colonizadores da Nova Inglaterra, vieram para o Brasil sem suas esposas, o que explica em grande parte o concubinato de quase todos.<\/p>\n<h5><strong>Muita injusti\u00e7a <\/strong><\/h5>\n<div id=\"attachment_1295\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1295\" class=\"wp-image-1295 size-medium\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/elbencesar\/files\/navio_negreiro-robert-walsh-300x202.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"202\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/elbencesar\/files\/navio_negreiro-robert-walsh-300x202.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/elbencesar\/files\/navio_negreiro-robert-walsh-768x516.jpg 768w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/elbencesar\/files\/navio_negreiro-robert-walsh-732x492.jpg 732w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/elbencesar\/files\/navio_negreiro-robert-walsh.jpg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-1295\" class=\"wp-caption-text\">Representa\u00e7\u00e3o de um navio negreiro (Robert Walsh, 1828)<\/p><\/div>\n<p>O sentimento de superioridade \u00e9tnica do europeu aliado ao seu poder econ\u00f4mico e militar causou inomin\u00e1veis barb\u00e1ries, especialmente no Brasil col\u00f4nia. \u00cdndios eram perseguidos, escravizados e exterminados. Depois de um pequeno per\u00edodo de recupera\u00e7\u00e3o f\u00edsica e de engorda, os negros rec\u00e9m-chegados da \u00c1frica eram separados de seus familiares e misturados entre si, para dificultar a comunica\u00e7\u00e3o entre eles e evitar uma poss\u00edvel rebeli\u00e3o. Uma vez comprado, o escravo passava a ser propriedade de seu senhor. Poderia ser doado, alugado, vendido, leiloado, hipotecado e trocado. Em algumas fazendas, os escravos mais robustos engravidavam as escravas mais f\u00e9rteis, a mando dos seus senhores, para multiplicar seletivamente o n\u00famero de trabalhadores e o capital de seus donos. Os negros recebiam os famosos tr\u00eas p\u00eas: p\u00e3o (comida), pano (roupa) e pau (castigo f\u00edsico). Por qualquer transgress\u00e3o eram a\u00e7oitados, acorrentados e torturados. A escravid\u00e3o no Brasil durou exatamente 350 anos (de 1538 a 1888).<\/p>\n<h5><strong>Muitas desvantagens <\/strong><\/h5>\n<p>Os primeiros brasileiros eram todos mamelucos, filhos de pai branco e m\u00e3e \u00edndia. E, como as crian\u00e7as eram criadas pela m\u00e3e, meninos e meninas de sangue mesti\u00e7o eram educados na cultura e cren\u00e7as nativas, n\u00e3o na f\u00e9 crist\u00e3.<\/p>\n<p>Para enfrentar t\u00e3o grande e diversificado desafio da Janela Brasileira, seria de bom alvitre o envio de mission\u00e1rios escolhidos. Era isso que Anchieta solicitava aos seus superiores na Europa. Numa de suas cartas, o ap\u00f3stolo do Brasil escreveu: \u201cMais vale um bom na casa de Deus que muitos que lancem a perder a si e aos outros\u201d.(11)<\/p>\n<p>Todavia, nem todos os mission\u00e1rios e cl\u00e9rigos que vieram para o campo mission\u00e1rio brasileiro eram de \u201cprovada virtude\u201d. Alguns deles queimaram seus cabelos no forno babil\u00f4nico, como escreve Gilberto Freyre: \u201cA mancebia com as caboclas descambou logo em franca devassid\u00e3o, de que nem o clero se isentava\u201d. Manoel da N\u00f3brega queixava-se de que \u201cc\u00e1 h\u00e1 cl\u00e9rigos, mas \u00e9 a esc\u00f3ria que de l\u00e1 [Portugal] vem\u201d.(12)<\/p>\n<p>De qualquer modo, os mission\u00e1rios dos tr\u00eas primeiros s\u00e9culos conseguiram conquistar a Janela Brasileira e transplantaram para aqui a cultura crist\u00e3. Com rar\u00edssimas exce\u00e7\u00f5es, todos os brasileiros s\u00e3o crist\u00e3os, muito embora a maioria esmagadora seja formada de crist\u00e3os nominais, sem vida religiosa, sem doutrina e sem salva\u00e7\u00e3o, como todos reconhecem.<\/p>\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n<h6>1 \u2013 In: DONATO, Hernani. Os \u00edndios do Brasil. S\u00e3o Paulo: Melhoramentos, 1995. p. 8.<br \/>\n2 \u2013 HOORNAERT, Eduardo et al. Hist\u00f3ria da Igreja no Brasil. Petr\u00f3polis: Vozes, 1992. tomo II\/1. p. 404.<br \/>\n3 \u2013 BUENO, Eduardo. N\u00e1ufragos, traficantes e degredados. Rio de Janeiro: Objetiva, 1998. p. 177.<br \/>\n4 \u2013 CAXA, Quir\u00edcio, RODRIGUES, Pero. Primeiras biografias de Jos\u00e9 de Anchieta. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1988. p. 20.<br \/>\n5 \u2013 BUENO, Eduardo. N\u00e1ufragos, traficantes e degredados. Rio de Janeiro: Objetiva, 1998. p. 132.<br \/>\n6 \u2013 PRIORE, Mary Del. Religi\u00e3o e religiosidade no Brasil colonial. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica. p. 10.<br \/>\n7 \u2013 Id. Ibid.<br \/>\n8 \u2013 BUENO, Eduardo. N\u00e1ufragos, traficantes e degredados. Rio de Janeiro: Objetiva, 1998. p. 167.<br \/>\n9 \u2013 Id. Ibid. p. 157.<br \/>\n10 \u2013 Id. Ibid. pp. 178-179.<br \/>\n11 \u2013 ANCHIETA, Joseph de. Cartas; correspond\u00eancia ativa e passiva. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1984. p. 332.<br \/>\n12 \u2013 HOORNAERT, Eduardo et al. Hist\u00f3ria da igreja no Brasil. Petr\u00f3polis: Vozes, 1992. tomo II\/1. p. 184.<\/h6>\n<pre>Texto originalmente publicado na edi\u00e7\u00e3o <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/revista\/264\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">264<\/a> de <strong>Ultimato<\/strong>. Maio-Junho 2000.<\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>19 de abril \u2013 Dia do \u00cdndio Chama-se de Janela 10\/40 aquele ret\u00e2ngulo onde vivem hoje os povos n\u00e3o-alcan\u00e7ados pelo evangelho, situado entre os paralelos 10 e 40 ao norte da linha do Equador, a partir da costa ocidental da \u00c1frica at\u00e9 a costa oriental da \u00c1sia. 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