{"id":913,"date":"2023-07-03T11:07:36","date_gmt":"2023-07-03T11:07:36","guid":{"rendered":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/?p=913"},"modified":"2023-07-12T12:54:48","modified_gmt":"2023-07-12T12:54:48","slug":"colonialismo-memoria-e-hospitalidade-goncalves-dias-c-s-lewis-e-o-marco-temporal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/2023\/07\/03\/colonialismo-memoria-e-hospitalidade-goncalves-dias-c-s-lewis-e-o-marco-temporal\/","title":{"rendered":"Colonialismo, Mem\u00f3ria e Hospitalidade: Gon\u00e7alves Dias, C. S. Lewis e o Marco Temporal"},"content":{"rendered":"<p><em>A vida de Gon\u00e7alves Dias exemplifica tentativa de apagamento da mem\u00f3ria ind\u00edgena e tomada de suas terras, tal qual os Telmarinos fizeram contra os Narnianos no livro Pr\u00edncipe C\u00e1spian, de C. S. Lewis<\/em><\/p>\n<p>Por <strong>Marcus Vinicius Matos*<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_914\" style=\"width: 306px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-914\" class=\"wp-image-914\" src=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2023\/07\/800px-Goncalves_dias.jpg\" alt=\"\" width=\"296\" height=\"392\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2023\/07\/800px-Goncalves_dias.jpg 800w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2023\/07\/800px-Goncalves_dias-227x300.jpg 227w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2023\/07\/800px-Goncalves_dias-774x1024.jpg 774w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2023\/07\/800px-Goncalves_dias-768x1017.jpg 768w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2023\/07\/800px-Goncalves_dias-732x969.jpg 732w\" sizes=\"auto, (max-width: 296px) 100vw, 296px\" \/><p id=\"caption-attachment-914\" class=\"wp-caption-text\">Ant\u00f4nio Gon\u00e7alves Dias (August 10, 1823 \u2014 November 3, 1864) &#8211; imagem talvez de 1855.<\/p><\/div>\n<p>Esse semestre me impactei com uma descoberta biogr\u00e1fico-liter\u00e1ria: o famoso poeta Brasileiro, Gon\u00e7alves Dias, patrono da Academia Brasileira de Letras, era ind\u00edgena. O fato \u00e9 corriqueiro para quem estuda a obra do autor. Para mim, no entanto, foi uma surpresa. Embora eu mesmo tenha feito uso do seu famoso <em>Diccionario da lingua Tupy<\/em>, <em>chamada Lingua Geral dos indigenas do Brazil<\/em>, publicado em 1858, as origens do poeta eram geralmente citadas de maneira r\u00e1pida, sem muita reflex\u00e3o. Neste texto, gostaria de refletir sobre o apagamento da mem\u00f3ria ind\u00edgena no Brasil a partir da vida e obra do famoso poeta, seus impactos na minha vida, e sua rela\u00e7\u00e3o com o principal desafio constitucional do Brasil: a tese do <em>Marco Temporal<\/em>, em julgamento no Supremo Tribunal Federal<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>Para isso, proponho percorrer um caminho diferente. Em primeiro lugar, quero refletir sobre a constru\u00e7\u00e3o da nossa identidade nacional, religiosa e pessoal, como brasileiros, a partir da obra de Dias. Em segundo, considerar o papel da hospitalidade e do humanismo na literatura, na teologia e no direito constitucional, como forma de amar ao pr\u00f3ximo \u2013 e farei isso a partir da obra de Edward Said. Em terceiro lugar, compartilhar sobre a perturbadora associa\u00e7\u00e3o entre colonialismo, conservadorismo e no\u00e7\u00e3o de \u201csociedade ocidental\u201d entre acad\u00eamicos crist\u00e3os. E, por fim, buscar uma filosofia moral sobre o colonialismo na obra <em>Pr\u00edncipe C\u00e1spian<\/em>, do autor jusnaturalista C. S. Lewis. Prometo que tudo far\u00e1 sentido no final&#8230;vamos l\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Poesia, numa hora dessas?!<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\"><strong>[2]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n<p>Aqui em casa desenvolvemos um h\u00e1bito do qual me orgulho: em todas as refei\u00e7\u00f5es em fam\u00edlia, quem terminar de comer primeiro, ganha o direito de escolher um livro de poesia, e ler para todo mundo. A regra \u00e9: tem que ser um livro de poesia compat\u00edvel com a sua idade&#8230;\u00e0s vezes rola Cec\u00edlia Meireles, Luis Fernando Ver\u00edssimo, Manuel Bandeira. Para fortalecer as origens brasileiras em uma fam\u00edlia que reside no exterior, eu &#8211; que costumo terminar de jantar primeiro &#8211; geralmente escolho cl\u00e1ssicos da poesia brasileira. Certa vez escolhi um livrinho de uma cole\u00e7\u00e3o que minha esposa herdou de sua av\u00f3, Geralda Chaves, que era professora de artes. Trata-se de uma cole\u00e7\u00e3o de\u00a0 livros min\u00fasculos, com poesias de autores famosos. Escolhi, de cara, aquele mais cl\u00e1ssico para ler para uma crian\u00e7a de 8 anos, no &#8220;ex\u00edlio&#8221; no exterior, <em>A Can\u00e7\u00e3o do Ex\u00edlio<\/em>:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Minha terra tem palmeiras,<\/p>\n<p>Onde canta o sabi\u00e1;<\/p>\n<p>As aves, que aqui gorjeiam,<\/p>\n<p>N\u00e3o gorjeiam como l\u00e1.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>At\u00e9 a\u00ed, normal (?) para uma fam\u00edlia com dois acad\u00eamicos e uma esposa com atua\u00e7\u00e3o intensa no setor editorial. Pode parecer muito estranho pra maioria das pessoas, mas era s\u00f3 mais uma ter\u00e7a-feira a noite, com jantar e poesia brasileira, por aqui. No entanto, na sequ\u00eancia me reencontrei com meu poema favorito do autor, tamb\u00e9m um dos mais pol\u00eamicos e violentos: um trecho de <em>I-Juca-Pirama<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Meu canto de morte,<\/p>\n<p>Guerreiros, ouvi:<\/p>\n<p>Sou filho das selvas,<\/p>\n<p>Nas selvas cresci;<\/p>\n<p>Guerreiros, descendo<\/p>\n<p>Da tribo Tupi.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Da tribo pujante,<\/p>\n<p>Que agora anda errante<\/p>\n<p>Por fado inconstante,<\/p>\n<p>Guerreiros, nasci:<\/p>\n<p>Sou bravo, sou forte,<\/p>\n<p>Sou filho do Norte;<\/p>\n<p>Meu canto de morte,<\/p>\n<p>Guerreiros, ouvi.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Depois de ler esse trecho, decidi que n\u00e3o era uma poesia adequada para a hora do jantar em fam\u00edlia. O poema trata, em linhas gerais, do grito de guerra de um \u00edndio Tupi capiturado por seus inimigos, tamb\u00e9m ind\u00edgenas. Por ser um guerreiro importante, o cativo seria submetido a um ritual antropof\u00e1gico onde seus inimigos, ao comer sua carne, ganhariam sua for\u00e7a. No entanto, ele interrompe o nobre ritual com um apelo: seu pai era cego e ele era o \u00fanico que conseguiria cuidar do anci\u00e3o e garantir sua sobreviv\u00eancia na floresta.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o consegui largar o livro imediatamente, porque na sua breve introdu\u00e7\u00e3o, me impactou um trecho sobre o qual nunca tinha refletido realmente, sobre as origens do autor. Gon\u00e7alves Dias era filho de m\u00e3e ind\u00edgena que, como geralmente ocorre com a maioria dos brasileiros em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ascend\u00eancia ind\u00edgena, tem sua origem apagada da hist\u00f3ria.<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a> Nada se sabe sobre ela. Segundo esta biografia, de data desconhecida, seu pai abandona este primeiro relacionamento e o separa da m\u00e3e aos 6 anos de idade, &#8220;consorciando-se&#8221; com uma mulher portuguesa. \u00c9 a madrasta que financia seus estudos em Coimbra, de onde Dias escreveria a famosa Can\u00e7\u00e3o do Ex\u00edlio &#8211; contradi\u00e7\u00e3o que o autor encarnava e que nos caracteriza, como brasileiras e brasileiros.<\/p>\n<p>A surpresa das origens de Dias me bateu forte. <em>I-Juca Pirama<\/em> \u00e9 um poema justamente sobre um filho que defende a vida de um pai que precisa de cuidados para sobreviver, e de quem cuida. Se formos tentar ler nas entrelinhas do texto, e buscar uma rela\u00e7\u00e3o entre a vida e obra do autor, n\u00e3o \u00e9 uma hist\u00f3ria que necessariamente denota \u00f3dio do pai. Mas \u00e9 certamente uma hist\u00f3ria de algu\u00e9m que se encontra em busca de uma identidade \u2013 uma identidade perdida, ou interditada. E esse \u00e9 um tema espinhoso, principalmente na atualidade: qual \u00e9 nossa identidade? A resposta a essa pergunta pode imediatamente levar a constantes ataques entre crist\u00e3os conservadores e militantes de extrema direita online \u2013 que poderiam nos chamar de \u201cidentit\u00e1rios.\u201d Mas essa \u00e9 uma pergunta que tamb\u00e9m constitui os crist\u00e3os: o que faz algu\u00e9m poder usar este nome \u2013 o nome de Cristo \u2013 como constituinte de sua identidade?<\/p>\n<p>Nesse texto, no entanto, me interessa primariamente refletir sobre as intersec\u00e7\u00f5es de nossas identidades e aquilo que nos faz aceitar a identidade que nos \u00e9 primeiramente imposta pelo Estado, e que come\u00e7a com nosso nascimento neste territ\u00f3rio \u2013 ou registro de nascimento em um Consulado do Brasil. O que nos faz brasileiros? O que faz algu\u00e9m ser brasileiro e ind\u00edgena? Somos colonizados ou somos os colonizadores? Somos oprimidos ou opressores? Quantos de n\u00f3s conhecemos nossas identidades ind\u00edgenas, que nos tornam <em>parentes<\/em> de povos cuja l\u00edngua, hist\u00f3ria e cultura absolutamente desconhecemos no Brasil atual? Essas s\u00e3o perguntas sobre as quais gostaria de refletir, para compreender como essas identidades se constr\u00f3em, constituem, convivem, conflitam e se extinguem.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Depois do \u00faltimo c\u00e9u: hospitalidade na literatura, na teologia e no direito constitucional<\/em><\/p>\n<p>A primeira vez que me dei conta de que, como brasileiro, talvez eu n\u00e3o fosse o <em>colonizado<\/em>, mas sim o <em>colonizador<\/em>, foi quando li \u201cDepois do \u00faltimo c\u00e9u\u201d, de Edward Said<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[4]<\/a>. Nessa obra de fotografia o autor sustenta a ideia de que seu povo, os Palestinos, foram t\u00e3o explorados por todos os outros povos ao seu redor, que at\u00e9 seus inimigos foram tomados deles. Said diz que as na\u00e7\u00f5es \u00c1rabes n\u00e3o apenas n\u00e3o ajudaram os Palestinos como deveriam, como tamb\u00e9m os usaram como pretexto pol\u00edtico para sua estrat\u00e9gia internacional. Nessa empreitada, tomaram deles at\u00e9 o seu principal advers\u00e1rio: o Estado de Israel, que invadia seus territ\u00f3rios. Ao ler este depoimento, ao lado de tantas fotos impactantes da Palestina, me perguntei: ser\u00edamos n\u00f3s, brasileiros, os verdadeiros colonizados que enfrentaram os portugueses na Guerra de Independ\u00eancia? Ou ser\u00edamos n\u00f3s os colonizadores que, em 1822, oportunamente tomamos at\u00e9 mesmo os inimigos daqueles que colonizamos? Seria este um processo encerrado na hist\u00f3ria, ou ser\u00e1 que ainda precisamos enfrentar a viol\u00eancia colonial?<\/p>\n<div id=\"attachment_915\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-915\" class=\"size-full wp-image-915\" src=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2023\/07\/Poster_of_Edward_Said.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"332\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2023\/07\/Poster_of_Edward_Said.jpg 500w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2023\/07\/Poster_of_Edward_Said-300x199.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><p id=\"caption-attachment-915\" class=\"wp-caption-text\">Ramallah, Graffiti on the West Bank separation wall and poster of Professor Edward Said: Scholar, Activist, Palestinian 1935 &#8211; 2003 Palestine.<br \/>24 August 2004, by Justin McIntosh.<\/p><\/div>\n<p>Said se prop\u00f5e a enfrentar o colonialismo com o humanismo. Em sua obra mais famosa, ele sustenta que h\u00e1 sempre uma tentativa dos colonizadores em historicizar e determinar, eles mesmos, quem s\u00e3o os colonizados, construindo a identidade destes como dependentes dos colonizadores.<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[5]<\/a> A sa\u00edda para este problema seria, segundo ele, enxergar a literatura (e a arte) como literatura humana: n\u00e3o como literatura Ocidental, ou Oriental, ou alem\u00e3, ou Brasiliera mas, sim, como uma arte humana. Esta perspectiva de Said depende de <em>hospitalidade<\/em>, que seria nossa capacidade de reconhecer e acolher diferentes autores(as) no seu tempo e lugar. E buscar interpret\u00e1-los a partir deles mesmos.<\/p>\n<p>Embora a proposta de Said seja pensada para o campo da literatura e do humanismo, ela me fez refletir sobre o campo da teologia protestante e evang\u00e9lica no Brasil em geral, e da chamada <em>Teologia da Miss\u00e3o Integral,<\/em> em particular. Ora, reconhecer os autores no seu tempo e lugar, e interpret\u00e1-los a partir deles mesmos, n\u00e3o seria uma proposta hermen\u00eautica humanista (e humanizadora), semelhante \u00e0quelas que encontramos nas <em>teologias contextuais<\/em> de John Stott, Ren\u00e9 Padilla e Frank Chikane? Essa perspectiva se aproxima certamente da hermen\u00eautica constitucional <em>p\u00f3s-1945<\/em> e <em>p\u00f3s-1968<\/em>, quanto ao papel da hospitalidade \u2013 em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 assimila\u00e7\u00e3o e o racismo \u2013 adotadas pelas Cortes Constitucionais de pa\u00edses democr\u00e1ticos, para prote\u00e7\u00e3o de minorias. Essas perspectivas certamente estavam entre as que mais influenciaram a elabora\u00e7\u00e3o da nossa Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Colonialismo, Genoc\u00eddio e Supremacia Branca: as marcas do conservadorismo atual <\/em><\/p>\n<p>Recentemente uma tentativa de \u201ccancelamento\u201d de um professor de Oxford gerou certa como\u00e7\u00e3o entre crist\u00e3os e acad\u00eamicos no Reino Unido. A obra <em>Colonialism: a moral reckoning<\/em> deriva de um projeto de pesquisa intitulado <em>\u00c9tica e Imp\u00e9rio<\/em> e procura fazer, nas palavras do pr\u00f3prio autor, um reconhecimento daquilo \u201cde bom e de ruim\u201d que o Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico fez com suas col\u00f4nias, bem como investigar os motivos de orgulho e vergonha que os ingleses devem ter do seu \u00faltimo imp\u00e9rio. O livro gerou grande como\u00e7\u00e3o pela sua n\u00e3o publica\u00e7\u00e3o, que se seguiu a uma tentativa de remo\u00e7\u00e3o da est\u00e1tua do colonizador e segregador racial Cecil Rhodes<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[6]<\/a> do campus da Universidade de Oxford. Boa parte da cr\u00edtica, no entanto, considerou leg\u00edtima a tentativa de cancelar uma obra que busca fazer uma releitura moral da devasta\u00e7\u00e3o colonial, correndo grave risco de amenizar suas consequencias.<\/p>\n<p>O que me causa certa ira, na verdade, \u00e9 observar crist\u00e3os que defendem essa releitura da brutalidade contra povos nativos \u2013 descrita no livro como moralmente aceit\u00e1vel para a \u00e9poca, e tamb\u00e9m muitas vezes justificada por <em>condena\u00e7\u00e3o penal<\/em> pr\u00e9via dos torturados e exterminados \u2013 em nome da defesa da \u201csociedade ocidental\u201d<a href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\">[7]<\/a>. Esta posi\u00e7\u00e3o \u00e9 comum a muitos l\u00edderes religiosos conservadores, que entendem o Cristianismo como parte integrante e completamente identificada com o que chamam equivocadamente de <em>cultura ocidental<\/em>. Essa associa\u00e7\u00e3o entre Conservadorismo, Colonialismo e Cristianismo decorre de uma vis\u00e3o equivocada do <em>Direito Natural<\/em>.<\/p>\n<p>H\u00e1 pessoas entre n\u00f3s que acreditam que as desigualdades entre pessoas s\u00e3o naturais, fruto de fatores gen\u00e9ticos, raciais ou culturais que inferiorizam determinados povos diante de outros. \u00c9 espantoso que pensem assim, pois essa percep\u00e7\u00e3o \u00e9 completamente oposta a ideia de hospitalidade do pensamento e da literatura, que vimos em Said, e a pr\u00f3pria ideia de igualdade em imagem e semelhan\u00e7a de cada ser humano, diante de Deus.<a href=\"#_edn8\" name=\"_ednref8\">[8]<\/a> N\u00e3o me espanta, no entanto, que muitos crist\u00e3os queiram ficar do lado do Colonizador. \u00c9 o que ocorre com a maioria dos l\u00edderes religiosos da \u00e9poca de Jesus, e tamb\u00e9m na maior parte da hist\u00f3ria da igreja: nossos l\u00edderes querem estar perto do poder, dos ricos e dos vitoriosos. \u00c9 t\u00edpico dos falsos profetas.<\/p>\n<p>No Brasil, isso ocorreu de forma inequ\u00edvoca em dois momentos: a ditadura militar de 1964-1985, quando l\u00edderes crist\u00e3os decidiram apoiar um golpe militar<a href=\"#_edn9\" name=\"_ednref9\">[9]<\/a>; e no governo Bolsonaro, quando pastores evang\u00e9licos de diversas linhas teol\u00f3gicas<a href=\"#_edn10\" name=\"_ednref10\">[10]<\/a> resolveram apoiar pol\u00edticas que beiravam o autoritarismo, atacavam explicitamente minorias \u00e9tnicas e flertavam com ideologias proscritas desde 1948. Orientados por uma vis\u00e3o equivocada, subjetiva e limitante de <em>cosmovis\u00e3o crist\u00e3<\/em>, lideran\u00e7as crist\u00e3s se colocaram contra um suposto comunismo em 1964 \u2013 possivelmente acreditando em um mundo composto por <em>civiliza\u00e7\u00f5es em choque<\/em>, como defendeu Samuel Hutington, que veio ao Brasil naquela \u00e9poca a convite da ditadura militar \u2013 e repetiram o erro elegendo como inimigo um suposto marxismo cultural no s\u00e9culo 21.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia, portanto, que muitos crist\u00e3os apoiaram pol\u00edticas recentes de exterm\u00ednio de povos ind\u00edgenas \u2013 como a retomada da hist\u00f3rica busca colonial pelo ouro na Amaz\u00f4nia \u2013 e a limita\u00e7\u00e3o do direito origin\u00e1rio dos povos nativos \u00e0s suas terras, garantido na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988. A pol\u00edtica de cria\u00e7\u00e3o do <em>Marco Temporal<\/em> \u00e9 nada mais que isso: a vit\u00f3ria legislativa de um desejo de apagamento de mem\u00f3ria, de genoc\u00eddio dos povos ind\u00edgenas e da tomada de seus territ\u00f3rios. Se aprovada no Congresso Nacional, esta pol\u00edtica ser\u00e1 a consolida\u00e7\u00e3o de um antigo e ardente desejo de todo colonizador: o apagamento da mem\u00f3ria atrav\u00e9s do direito, proclamado em lei, dos opressores. Mas a oposi\u00e7\u00e3o a esse antigo marco de destrui\u00e7\u00e3o pode vir pelo pr\u00f3prio Direito Natural.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Pr\u00edncipe C\u00e1spian e uma filosofia moral para o colonialismo em C. S. Lewis<\/em><\/p>\n<p>Se o direito e a hist\u00f3ria podem se colocar \u00e0 servi\u00e7o dos vencedores, dos opressores e dos colonizadores, pode caber \u00e0 literatura apontar o caminho da justi\u00e7a. E penso que \u00e9 poss\u00edvel fazer isso por meio da obra do autor, crist\u00e3o e jusnaturalista, C. S. Lewis. Nas suas famosas Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia, presenciamos um momento de coloniza\u00e7\u00e3o, opress\u00e3o e exterm\u00ednio em <em>Pr\u00edncipe C\u00e1spian<\/em>, quando os Telmarinos (um povo que invadiu e conquistou N\u00e1rnia, chegando de navio) tentam apagar a mem\u00f3ria dos Narnianos. Ap\u00f3s s\u00e9culos de conquista e reclus\u00e3o dos Narnianos \u00e0s distantes florestas, boa parte dos Telmarinos acreditava que os Narnianos eram apenas lendas, folclore, mitos. A t\u00e1tica de apagamento levou inclusive \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o de que o Pr\u00edncipe C\u00e1spian tivesse li\u00e7\u00f5es sobre estas \u201clendas\u201d, com seu tutor.<\/p>\n<div id=\"attachment_916\" style=\"width: 1565px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-916\" class=\"wp-image-916 size-full\" src=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2023\/07\/unnamed-1-scaled-e1688381910958.jpg\" alt=\"\" width=\"1555\" height=\"2368\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2023\/07\/unnamed-1-scaled-e1688381910958.jpg 1555w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2023\/07\/unnamed-1-scaled-e1688381910958-197x300.jpg 197w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2023\/07\/unnamed-1-scaled-e1688381910958-672x1024.jpg 672w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2023\/07\/unnamed-1-scaled-e1688381910958-768x1170.jpg 768w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2023\/07\/unnamed-1-scaled-e1688381910958-1009x1536.jpg 1009w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2023\/07\/unnamed-1-scaled-e1688381910958-1345x2048.jpg 1345w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2023\/07\/unnamed-1-scaled-e1688381910958-732x1115.jpg 732w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2023\/07\/unnamed-1-scaled-e1688381910958-1140x1736.jpg 1140w\" sizes=\"auto, (max-width: 1555px) 100vw, 1555px\" \/><p id=\"caption-attachment-916\" class=\"wp-caption-text\">C. S. Lewis, <em>O Pr\u00edncipe e a ilha m\u00e1gica<\/em>, S\u00e3o Paulo: ABU Editora, 1984. (Pr\u00edncipe C\u00e1spian foi originalmente publicado em portugu\u00eas como &#8220;O Pr\u00edncipe e a ilha m\u00e1gica&#8221;, traduzido por Sil\u00eada Steuernagel).<\/p><\/div>\n<p>Em determinados contextos, a cultura, a hist\u00f3ria e a tradi\u00e7\u00e3o dos povos sofreu tamanha destrui\u00e7\u00e3o pelas m\u00e3os dos colonizadores, que tudo que conseguimos saber sobre elas hoje \u00e9 resultado do que os historiadores conseguem retirar dos escombros. Soma-se a isso o problema de os vencedores das guerras frequentemente empregarem os seus historiadores oficiais para contar a hist\u00f3ria daqueles que derrotaram \u2013 inclusive trabalhando ativamente para apagar sua mem\u00f3ria. Esse \u00e9 o contexto das ru\u00ednas de N\u00e1rnia que Lewis conta em sua obra.<\/p>\n<p>C\u00e1spian, no entanto, em fuga da persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de seu tio, reencontra os narnianos que o hospedam, sob sua conta e risco, para que escape. A partir da\u00ed, se torna um pr\u00edncipe Narniano, que defende a idea de devolver o reino para os povos origin\u00e1rios daquela terra. Lewis constr\u00f3i neste personagem uma perspectiva moral que pode parecer controversa em muitos sentidos \u2013 o colonizador que se arrepende e reina sobre os s\u00faditos do pa\u00eds \u2013, mas jamais justifica a destrui\u00e7\u00e3o causada pela coloniza\u00e7\u00e3o. E aqui ficam algumas perguntas: n\u00e3o seria louv\u00e1vel que aqueles que descendem dos colonizadores consigam se arrepender das crueldades que seus ancestrais causaram a outros povos? N\u00e3o seria essa verdadeira filosofia moral de Pr\u00edncipe C\u00e1spian, que nos ajuda a enfrentar o colonialismo e o apagamento da mem\u00f3ria?<\/p>\n<div id=\"attachment_917\" style=\"width: 362px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-917\" class=\" wp-image-917\" src=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2023\/07\/unnamed.jpg\" alt=\"\" width=\"352\" height=\"352\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2023\/07\/unnamed.jpg 1080w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2023\/07\/unnamed-300x300.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2023\/07\/unnamed-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2023\/07\/unnamed-150x150.jpg 150w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2023\/07\/unnamed-768x768.jpg 768w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2023\/07\/unnamed-732x732.jpg 732w\" sizes=\"auto, (max-width: 352px) 100vw, 352px\" \/><p id=\"caption-attachment-917\" class=\"wp-caption-text\">Arte da campanha Evang\u00e9licos Contra o Marco Temporal<\/p><\/div>\n<p>Assim como Gon\u00e7alves D\u00edas teve sua m\u00e3e apagada da hist\u00f3ria, uma parcela enorme dos brasileiros desconhece suas origens ind\u00edgenas. Neste momento, n\u00f3s, parentes distantes, precisamos fazer como C\u00e1spian, e defender os direitos daqueles contra quem nossos antepassados impetraram atos de crueldade. \u00c9 preciso que cada um de n\u00f3s, <em>parentes<\/em>, se oponha a mais cruel e eficaz pol\u00edtica de apagamento de mem\u00f3ria da hist\u00f3ria do Brasil at\u00e9 hoje, o Projeto de Lei N. 407\/07, e a tese do Marco Temporal.<a href=\"#_edn11\" name=\"_ednref11\">[11]<\/a> Gra\u00e7as a Deus por aqueles, dentre n\u00f3s que, como C\u00e1spian, se disp\u00f5em defender o direito e a mem\u00f3ria ind\u00edgena, contra aqueles que querem apagar os povos origin\u00e1rios da nossa hist\u00f3ria.<a href=\"#_edn12\" name=\"_ednref12\">[12]<\/a> Esse \u00e9 o ato de hospitalidade que se espera de n\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>_______________________________________________________________________________________<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-821\" src=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2021\/12\/WhatsApp-Image-2021-12-29-at-09.09.03-150x150.jpeg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/>*Marcus Vinicius Matos\u00a0<\/strong>\u00e9 professor efetivo (Lecturer) de Direito P\u00fablico em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brunel.ac.uk\/law\">Brunel University<\/a>, no Reino Unido. \u00c9 doutor em Direito pelo Birkbeck College, mestre e bacharel em Direito pela\u00a0<a href=\"https:\/\/ufrj.br\/\">Universidade Federal do Rio de Janeiro<\/a>\u00a0(UFRJ). \u00c9 membro honor\u00e1rio do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.iabnacional.org.br\/\">Instituto dos Advogados Brasileiros<\/a>\u00a0(IAB), e colaborador de\u00a0<a href=\"http:\/\/pazesperanca.org\/\">Paz e Esperan\u00e7a<\/a>, uma organiza\u00e7\u00e3o crist\u00e3 de defesa dos Direitos Humanos na Am\u00e9rica Latina. \u00c9 membro da \u00a0Diretoria Nacional da Alian\u00e7a B\u00edlbica Universit\u00e1ria do Brasil (<a href=\"http:\/\/www.abub.org.br\/\">ABUB<\/a>), e membro fundador da Rede Crist\u00e3 de Advocacia Popular, a\u00a0<a href=\"http:\/\/advocaciapopularcrista.com.br\/\">RECAP<\/a>. \u00c9 casado com Priscila Vieira, com quem \u00e9 autor do premiado livro\u00a0<a href=\"https:\/\/livrariaintersaberes.com.br\/produtos\/imagens-da-america-latina-midia-cultura-e-direitos-humanos\/\">Imagens da Am\u00e9rica Latina: M\u00eddia, Cultura e Direitos Humanos<\/a>, e pai de Aurora. Torcedor do Flamengo. Siga no Instagram e Twitter:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/mvdematos\/\">@mvdematos<\/a>. \u00a0Siga tamb\u00e9m a p\u00e1gina do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/BlogDignidade\/\">Blog Dignidade<\/a>, no Facebook. As opini\u00f5es expressas nesse texto s\u00e3o de responsabilidade exclusiva do autor.<\/p>\n<p>_________________________________________________________________________________________<\/p>\n<div id=\"sdendnote1\">\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong>:<\/p>\n<\/div>\n<p>+\u00a0<a href=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/2017\/02\/10\/a-lectio-divina-me-fez-encontrar-a-historia-da-igreja\/\">A Lectio Divina me fez encontrar a hist\u00f3ria da Igreja<\/a><\/p>\n<p>+\u00a0<a href=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/2015\/03\/24\/a-idolatria-dode-mercado-o-homem-todo-para-o-dinheiro-todo\/\">A idolatria do(de) mercado: o homem todo para o dinheiro (todo)<\/a><\/p>\n<p>+\u00a0<a href=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/2015\/03\/14\/o-oriente-visto-por-nos\/\">O Oriente visto por &#8220;n\u00f3s&#8221;<\/a><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias e\u00a0<\/strong><strong>Notas:<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> A tese do <em>Marco Temporal<\/em> restringe o direito dos povos ind\u00edgenas do Brasil \u00e0s suas terras originais, alegando que s\u00f3 podem ser feitas demarca\u00e7\u00f5es de terras ind\u00edgenas ocupadas por estes povos na data de promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988. Esta tese foi aprovada no dia 30 de maio de 2023 pela C\u00e2mara dos Deputados no \u00e2mbito do Projeto de Lei N. 470 de 2007. Ela segue, no entanto, no aguardo de decis\u00e3o do STF sobre sua inconstitucionalidade, no bojo do Recurso Extraordin\u00e1rio 1017365, ainda a ser julgado pela Corte. Para saber mais, leia o site da Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil (APIB) sobre o tema, aqui. <a href=\"https:\/\/apiboficial.org\/marco-temporal\/\">https:\/\/apiboficial.org\/marco-temporal\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a> <em>Poesia numa hora dessas?!<\/em> \u00e9 o t\u00edtulo de um dos livros preferidos pelo p\u00fablico aqui em casa, de autoria de Luis Fernando Ver\u00edssimo.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a> Gon\u00e7alves Dias, <em>Cole\u00e7\u00e3o Encantadora<\/em>. Volume IV. Org: Angela B. R. Amoroso. S\u00e3o Paulo: Edigraf, Ano desconhecido.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[4]<\/a> Edward Said, <em>After the Last Sky<\/em> \u2013 Palestinian lives. NY: Columbia University Press, 1999.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[5]<\/a> Edward Said, <em>Orientalismo: O Oriente como inven\u00e7\u00e3o do Ocidente<\/em>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2007.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[6]<\/a> Para saber mais, leia aqui a descri\u00e7\u00e3o do epis\u00f3dio pelo pr\u00f3prio Professor Nigel Biggar: <em>The anatomy of a book cancellation<\/em>, <a href=\"https:\/\/compactmag.com\/article\/anatomy-of-a-book-cancellation\">https:\/\/compactmag.com\/article\/anatomy-of-a-book-cancellation<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ednref7\" name=\"_edn7\">[7]<\/a> Para ler uma das cr\u00edticas mais duras \u00e0 obra citada, sugiro: Kenan Malik, <em>Colonialism by Nigel Biggar review \u2013 a flawed defence of empire<\/em>, The Guardian, Mon 20 Feb 2023, dispon\u00edvel aqui: \u00a0<a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/books\/2023\/feb\/20\/colonialism-a-moral-reckoning-by-nigel-biggar-review-a-flawed-defence-of-empire\">https:\/\/www.theguardian.com\/books\/2023\/feb\/20\/colonialism-a-moral-reckoning-by-nigel-biggar-review-a-flawed-defence-of-empire<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ednref8\" name=\"_edn8\">[8]<\/a> Shane Claiborne, <em>Rethinking Life \u2013 Embracing the Sacredness of Every Person<\/em>, Zondervan Books, 2023<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref9\" name=\"_edn9\">[9]<\/a> Veja o post <a href=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/2014\/04\/02\/ditadura-numeros-e-nomes\/\"><em>Ditadura Numeros e nomes<\/em><\/a>, aqui no blog Dignidade.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref10\" name=\"_edn10\">[10]<\/a> A t\u00edtulo de exemplo, sabemos que em diferentes momentos, lideran\u00e7as t\u00e3o diversas quanto Andr\u00e9 Valad\u00e3o, Augustus Nicodemos, Franklin Ferreira, Guilherme de Carvalho, Maur\u00edcio Cunha, e Silas Malafaia, dentre outros, manifestaram apoio p\u00fablico ao governo Bolsonaro.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref11\" name=\"_edn11\">[11]<\/a> Leia aqui sobre a inconstitucionalidade da tese jud\u00eddica do Marco Temporal: Marcus Giraldes e Marcus V. A. B. De Matos, <em>O Direito dos \u00cdndios<\/em> \u2013 <a href=\"https:\/\/aterraeredonda.com.br\/o-direito-dos-indios\/\">https:\/\/aterraeredonda.com.br\/o-direito-dos-indios\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ednref12\" name=\"_edn12\">[12]<\/a> Saiba mais sobre os <em>Evang\u00e9licos que se colocaram contra o marco temporal<\/em>, aqui: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=J8LQUqz07RU\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=J8LQUqz07RU<\/a> e aqui: <a href=\"http:\/\/advocaciapopularcrista.com.br\/nota-publica-da-rede-crista-de-advocacia-popular-sobre-a-aprovacao-do-pl-490-2007-e-a-tese-do-marco-temporal-na-camara-dos-deputados\/\">http:\/\/advocaciapopularcrista.com.br\/nota-publica-da-rede-crista-de-advocacia-popular-sobre-a-aprovacao-do-pl-490-2007-e-a-tese-do-marco-temporal-na-camara-dos-deputados\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vida de Gon\u00e7alves Dias exemplifica tentativa de apagamento da mem\u00f3ria ind\u00edgena e tomada de suas terras, tal qual os Telmarinos fizeram contra os Narnianos no livro Pr\u00edncipe C\u00e1spian, de C. S. Lewis Por Marcus Vinicius Matos* Esse semestre me impactei com uma descoberta biogr\u00e1fico-liter\u00e1ria: o famoso poeta Brasileiro, Gon\u00e7alves Dias, patrono da Academia Brasileira [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":42,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[116],"tags":[24885,5442,18319,19278,44531,5741,20912],"class_list":["post-913","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog","tag-colonialismo","tag-desigualdade","tag-direitos-humanos","tag-evangelho-integral","tag-marco-temporal","tag-memoria","tag-teologia-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/913","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/42"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=913"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/913\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":927,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/913\/revisions\/927"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=913"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=913"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=913"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}