{"id":784,"date":"2021-05-02T16:25:04","date_gmt":"2021-05-02T16:25:04","guid":{"rendered":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/?p=784"},"modified":"2021-05-06T13:21:53","modified_gmt":"2021-05-06T13:21:53","slug":"artesas-silenciosas-das-palavras-conheca-as-mulheres-que-trouxeram-j-stott-ao-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/2021\/05\/02\/artesas-silenciosas-das-palavras-conheca-as-mulheres-que-trouxeram-j-stott-ao-brasil\/","title":{"rendered":"Artes\u00e3s silenciosas das palavras: conhe\u00e7a as mulheres que traduziram John Stott para o portugu\u00eas"},"content":{"rendered":"<p><em>Perfil de Lucy Yamakami e Sil\u00eada Steuernagel: como mulheres que nunca planejaram ser tradutoras foram respons\u00e1veis pela difus\u00e3o da obra de John Stott em portugu\u00eas<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por<strong> Abra\u00e3o Filipe Marques de Oliveira*<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A ABU Editora \u00e9 conhecida pela qualidade do conte\u00fado dos livros que produz. Entre os autores que colaboram para esse cat\u00e1logo primoroso, um dos principais \u00e9 John Stott: o pastor ingl\u00eas que dedicou a vida inteira a mergulhar na Palavra e preg\u00e1-la. Desde as primeiras publica\u00e7\u00f5es, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970, sua obra \u00e9 lida por todo o movimento estudantil ao redor do mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No Brasil, \u00e9 imposs\u00edvel falar do impacto da produ\u00e7\u00e3o de Stott sem fazer refer\u00eancia a aqueles e aquelas que se lan\u00e7aram no trabalho de transpor suas ideias para o nosso idioma: palavra por palavra, frase por frase. Afinal de contas, parafraseando o texto b\u00edblico de Romanos 10, verso 14, como conhecer\u00e3o (ou ler\u00e3o), se n\u00e3o h\u00e1 quem traduza?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea escolheu uma profiss\u00e3o que \u00e9 exercida no sil\u00eancio\u201d \u2013 disse John Stott a Sil\u00eada Steuernagel, na \u00faltima vez em que se encontraram, na cozinha do John Griffin (editor-chefe da ABU Editora, entre 1987 e 2000): \u201cAli Stott me deu conselhos que eu nunca esqueci. Ele me agradeceu por traduzi-lo e me fez ver: o tradutor \u00e9 simplesmente porta voz. Isso mexeu muito comigo\u201d, recorda Sil\u00eada, \u201cele n\u00e3o me via como tradutora, mas sim como uma companheira de miss\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Falar do trabalho dela enquanto tradutora \u00e9 falar de sua hist\u00f3ria com a Alian\u00e7a B\u00edblica Universit\u00e1ria do Brasil &#8211; ABUB. Formada em Letras pela Universidade Federal do Maranh\u00e3o &#8211; UFMA, apaixonada por livros desde crian\u00e7a, a nordestina sonhadora n\u00e3o imaginava que seus planos seriam encontrados pelos sonhos de Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 1973, em um Curso de F\u00e9rias, Sil\u00eada foi convidada para assumir o cargo de Secret\u00e1ria de Literatura e liderar um novo e intenso programa de forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica entre os estudantes. Foi uma experi\u00eancia \u201cmuito, mais muito forte\u201d, nas palavras dela, que repete \u201cmuito\u201d pausadamente e em tom mais grave, deixando soar na palavra a intensidade da experi\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sil\u00eada conta como aceitou o desafio: \u201ceu disse \u2018n\u00e3o\u2019 para a estrada j\u00e1 asfaltada, a carreira acad\u00eamica que eu tanto sonhava, e disse \u2018sim\u2019 para ser estagi\u00e1ria por um ano, usando meu dom para servir \u00e0 literatura da ABU. O que eu n\u00e3o sabia \u00e9 que isso seria uma guinada total na minha carreira profissional\u201d. Embora o sim tenha sido para ficar um ano, Sil\u00eada atuou por dois anos consecutivos na secretaria de Literatura, em 1974 e 1975.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 1978, Sil\u00eada retornou a S\u00e3o Paulo, agora como chefe de Editora\u00e7\u00e3o da rec\u00e9m-fundada ABU Editora. A equipe era pequena e o trabalho era \u00e1rduo, contando com muitos volunt\u00e1rios. Aos poucos, pela press\u00e3o das circunst\u00e2ncias, surgiu sua face de tradutora. A necessidade de trazer para o p\u00fablico da ABUB \u201cas grandes refer\u00eancias\u201d da \u00e9poca estimulou o trabalho de tradutora: \u201ca primeira fase do meu trabalho com a ABU Editora, na realidade, era como revisora. Quando eu cheguei em S\u00e3o Paulo, o meu papel como secret\u00e1ria de Literatura era corrigir tudo que passava pela minha m\u00e3o. Revis\u00e3o de conte\u00fado, de estilo, de gram\u00e1tica e tamb\u00e9m de tradu\u00e7\u00e3o. Eu estava fazendo o que eu amava, que era corrigir. Eu fui revisando e me tornando conhecida como revisora. A tradu\u00e7\u00e3o veio na carona. A empolga\u00e7\u00e3o de estar fazendo o que gosta e de estar diante das grandes refer\u00eancias de nossa gera\u00e7\u00e3o era um combust\u00edvel a mais para seguir, n\u00e3o um fator paralisante\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Lucy Yamakami: \u201cpor acaso\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Com Lucy Yamakami n\u00e3o foi diferente.\u00a0\u201cFui parar na tradu\u00e7\u00e3o por acaso\u201d. O acaso colocou nas m\u00e3os de Lucy a responsabilidade de traduzir algumas das obras de John Stott mais lidas e conhecidas no Brasil, como <em>A B\u00edblia: o livro para hoje<\/em> (atualmente em reeditora\u00e7\u00e3o), <em>A Mensagem de Atos<\/em> (da s\u00e9rie A B\u00edblia Fala Hoje), <em>O Incompar\u00e1vel Cristo<\/em> e <em>A Igreja Aut\u00eantica<\/em> \u2014 exatamente nessa ordem. A soma corresponde a mais de mil p\u00e1ginas escritas por John Stott e traduzidas por Lucy.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cOlha, eu fico surpresa de algu\u00e9m querer me entrevistar, porque n\u00e3o tem muita gra\u00e7a conversar comigo. N\u00e3o tenho quase nada&#8230;\u201d, dizia Lucy no in\u00edcio da conversa. Cinquenta minutos depois, ao final da entrevista, afirmava: \u201cSer tradutora de Stott?!\u201d, pausa por uns segundos&#8230; \u201c\u00c9 uma honra, um presente de Deus! Com tantos tradutores no pa\u00eds, tanta gente que teve contato com o Stott, que estudou e foi discipulada por ele&#8230; Realmente, \u00e9 uma honra, um privil\u00e9gio muito grande.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lucy integra a comunidade Nikkei de S\u00e3o Paulo. Ela nasceu no Brasil, tendo pais e av\u00f3s japoneses. Suas experi\u00eancias de vida a forjaram como tradutora. \u201cCom meus av\u00f3s, a gente s\u00f3 falava em japon\u00eas. Com meus pais, era uma mistura de portugu\u00eas e japon\u00eas. Ent\u00e3o toda vida eu falei duas l\u00ednguas. Com 11 anos me botaram para aprender o ingl\u00eas, e eu gostei!\u201d. Crescer entre as diversas l\u00ednguas a fez desenvolver, desde crian\u00e7a, habilidades que utilizaria no futuro, como tradutora: \u201cEssa coisa de passar uma ideia de uma l\u00edngua para outra e n\u00e3o precisar ser ao p\u00e9 da letra j\u00e1 fazia parte do meu jeito\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com a naturaliza\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia multil\u00edngue, Lucy atua como tradutora mesmo sem ter uma forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica da \u00e1rea. \u201cFoi tudo muito emp\u00edrico. Eu n\u00e3o estudei ingl\u00eas, n\u00e3o estudei portugu\u00eas, nem literatura [no ensino superior]. Fiz colegial s\u00f3. Dois anos de Semin\u00e1rio em um Instituto B\u00edblico, muito b\u00e1sico, e mais algumas mat\u00e9rias avulsas que eu fazia na Faculdade Teol\u00f3gica Batista de S\u00e3o Paulo. L\u00e1, fiz um trabalho em que tinha que ler um livro de uma editora e coment\u00e1-lo. A\u00ed eu reclamei: as p\u00e1ginas tal e tal est\u00e3o com problemas de tradu\u00e7\u00e3o. Petulante, n\u00e9?!\u201d, conta ela, rindo. \u201cEnt\u00e3o comecei trabalhar como revisora dessa editora, isso em 1989. E aos poucos passei para tradu\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Num dos momentos de sua vida, chegou a S\u00e3o Paulo, em 1991, com os tr\u00eas filhos e o marido, que \u00e9 pastor. Uma fam\u00edlia que j\u00e1 tinha passado por Londrina (no Paran\u00e1), Bastos e S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (dois munic\u00edpios no interior de S\u00e3o Paulo) e acabou se encontrando na capital. A sua primeira experi\u00eancia realmente como tradutora foi na ABU Editora, com <em>A Aids e os Jovens<\/em> (do Dr. Patrick Dixon), obra publicada em 1992.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lucy \u00e9 cuidadosa. Para ela, as principais marcas para a tradu\u00e7\u00e3o [de Stott] s\u00e3o a escrita simples e a cad\u00eancia na organiza\u00e7\u00e3o. \u201cO maior desafio \u00e9 fazer numa linguagem boa aquilo que o Stott faz na sua pr\u00f3pria l\u00edngua. Porque ele escreve simples, ent\u00e3o queria escolher palavras mais simples tamb\u00e9m, fazer uma frase mais direta\u201d, confessa. \u201cEu gosto de escolher bem as frases. Gosto de achar palavras que cabem melhor. Ent\u00e3o, eu sou capaz de passar um temp\u00e3o procurando. Pensando como a pessoa falaria essa frase em portugu\u00eas. O que vem primeiro, o que vem depois, e como o leitor vai conseguir entender sem ficar indo e voltando. Eu gosto desse quebra-cabe\u00e7a\u201d, diz rindo, com tanta serenidade que realmente faz acreditar que se trata de um jogo simples e divertido.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-788 \" src=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2021\/05\/Lucy-1-e1619970519121.jpg\" alt=\"\" width=\"286\" height=\"167\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2021\/05\/Lucy-1-e1619970519121.jpg 425w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2021\/05\/Lucy-1-e1619970519121-300x175.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 286px) 100vw, 286px\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-787 alignleft\" src=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2021\/05\/Lucy-2-e1619970597355.jpg\" alt=\"\" width=\"296\" height=\"167\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2021\/05\/Lucy-2-e1619970597355.jpg 438w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2021\/05\/Lucy-2-e1619970597355-300x169.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 296px) 100vw, 296px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Lucy concedeu a entrevista da sua casa, em S\u00e3o Paulo.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Detalhes e \u201ca linguagem da f\u00e9\u201d<\/strong><\/p>\n<p>As duas tradutoras, Sil\u00eada e Lucy, dizem que \u00e9 um trabalho que exige aten\u00e7\u00e3o aos detalhes. E percebem nos escritos de J. Stott algo encantador: simplicidade e profundidade, simultaneamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Sil\u00eada, a sobreposi\u00e7\u00e3o das duas caracter\u00edsticas era desafiadora. \u201cComo tradutora foi um desafio enorme para mim. Como \u00e9 que eu poderia n\u00e3o trair e escrever com precis\u00e3o, em portugu\u00eas. Isso \u00e9 um trabalho espiritual. Mas eu sentia que Stott falava a minha l\u00edngua, ele falava a linguagem da minha f\u00e9, a f\u00e9 que tinha me formado e isso fazia toda a diferen\u00e7a. Era o conhecimento b\u00edblico que eu ansiava\u201d \u2013 afirma Sil\u00eada, que acumula nas experi\u00eancias a tradu\u00e7\u00e3o do \u00faltimo livro da s\u00e9rie As Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia, do tamb\u00e9m brit\u00e2nico C. S. Lewis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lucy destaca a dimens\u00e3o do servi\u00e7o crist\u00e3o na tradu\u00e7\u00e3o de livros. \u201cEu, quando pego um livro, se ele est\u00e1 mal escrito eu largo. Ent\u00e3o, um livro bem traduzido j\u00e1 \u00e9 um incentivo para algu\u00e9m ler&#8230;\u201d, defende Lucy, \u201ca pessoa n\u00e3o fica fazendo muito esfor\u00e7o para entender. Eu acho que \u00e9 uma forma de servi\u00e7o crist\u00e3o que a gente presta. E o Stott fala com a gente na linguagem da gente, sem usar palavras dif\u00edceis, sem fazer frases rebuscadas\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 interessante observar como traduzir os escritos do Stott teve impacto na vida de ambas as profissionais. \u201cO <em>Incompar\u00e1vel Cristo<\/em> \u00e9 o mais impressionante. Porque a estrutura, enquanto livro, eu nunca vi. N\u00e3o conhe\u00e7o nenhuma obra que tenha esse tipo de estrutura de ver Cristo por todos os \u00e2ngulos, como ele conseguiu. N\u00e3o imagino que algu\u00e9m mais possa ter inventado um livro desse tipo\u201d, compartilha Lucy. \u201cEscolher os personagens que ele escolheu, a perspectiva que ele d\u00e1 de igreja no mundo, como o mundo latino-americano v\u00ea Cristo. Nossa, \u00e9 muito legal!\u201d, exclama, sem esconder o entusiasmo com a obra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sil\u00eada, que foi obreira e assessora entre os universit\u00e1rios tanto do nordeste quanto do sul do pa\u00eds, traduziu v\u00e1rios livros do Stott. <em>A Verdade Do Evangelho<\/em> e <em>A Mensagem de Romanos <\/em>foram alguns deles, publicados pela ABU Editora. Este \u00faltimo \u2014 lan\u00e7ado em 2000, com 528 p\u00e1ginas \u2014 foi uma experi\u00eancia de \u201cdiscipulado liter\u00e1rio\u201d, traduzido em conjunto com o filho, com o intuito de treinarem a l\u00edngua inglesa. \u201cPraticamente um curso de teologia b\u00edblica na companhia do pastor Stott\u201d, conta ela.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_792\" style=\"width: 735px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-792\" class=\"wp-image-792 size-full\" src=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2021\/05\/Sileda-1-1.jpg\" alt=\"\" width=\"725\" height=\"409\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2021\/05\/Sileda-1-1.jpg 725w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2021\/05\/Sileda-1-1-300x169.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 725px) 100vw, 725px\" \/><p id=\"caption-attachment-792\" class=\"wp-caption-text\">Sil\u00eada mostra A mensagem de G\u00e1latas, o primeiro livro que revisou na ABU Editora. A edi\u00e7\u00e3o que ela tem em m\u00e3os traz uma dedicat\u00f3ria do pr\u00f3prio John Stott: \u201cMuito obrigado pelo seu trabalho de amor!\u201d<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando perguntada sobre a experi\u00eancia que mais lhe marcou, a voz da Sil\u00eada nos leva longe. Sua mem\u00f3ria \u00e9 firme. \u201cFoi quando eu terminei de traduzir o \u2018Ou\u00e7a o Esp\u00edrito, Ou\u00e7a o Mundo\u2019. Eu me lembro exatamente do momento em que fechei o computador, tirei o disquete. O Valdir e os meninos estavam me esperando na mesa para almo\u00e7ar e eu pedindo mais uns minutinhos. E eu cheguei l\u00e1 com o disquete na m\u00e3o e disse: \u2018nasceu, finalmente! Finalmente, eu acabei!\u2019 E eu desmaiei, de t\u00e3o intensa que foi essa sensa\u00e7\u00e3o de conclus\u00e3o. A linguagem mesmo \u00e9 de um parto, de uma gesta\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, desafiadora, que deu \u00e0 luz algo que n\u00e3o seria s\u00f3 meu\u201d. Pela intensidade da cena que Sil\u00eada descreve, percebemos a for\u00e7a dessa obra, n\u00e3o s\u00f3 pelo volume de p\u00e1ginas, mas tamb\u00e9m pela sua densidade e riqueza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Coincidentemente, o marido da Lucy Yamakami trabalhava no escrit\u00f3rio da ABU Editora na \u00e9poca e foi quem revisou esse cl\u00e1ssico, lan\u00e7ado com o t\u00edtulo diferente do original \u2013 que em portugu\u00eas seria \u201cO crist\u00e3o contempor\u00e2neo\u201d (<em>The Contemporary Christian<\/em>). A avalia\u00e7\u00e3o de Sil\u00eada \u00e9 que a simples tradu\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo original \u201cparecia muito passivo, muito igrejeiro\u201d, com pouca identifica\u00e7\u00e3o para aquele momento dos evang\u00e9licos em nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo em que celebramos os 100 anos do nascimento de John Stott, os relatos dessas mulheres s\u00e3o uma forma de louvarmos ao Senhor pelo florescimento do seu legado. Um homem. Duas mulheres. Pessoas simples, \u00e0 servi\u00e7o do Rei e \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito. Plantados pelo Eterno para revelar a sua gl\u00f3ria!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>_______________________________________________________________________________________________________________<br \/>\n<strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-800\" src=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2021\/05\/abraao.jpg\" alt=\"\" width=\"94\" height=\"94\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2021\/05\/abraao.jpg 640w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2021\/05\/abraao-300x300.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2021\/05\/abraao-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 94px) 100vw, 94px\" \/><\/strong><\/p>\n<p><strong>*Abra\u00e3o Filipe <\/strong>\u00e9 acad\u00eamico do 5\u00ba per\u00edodo de Jornalismo na Universidade Federal de Vi\u00e7osa (UFV). Natural de S\u00e3o Mateus-ES, atua na ABU Editora como estagi\u00e1rio de Produ\u00e7\u00e3o de Conte\u00fado e \u00e9 presidente do Grupo Base da ABUB em Vi\u00e7osa-MG. Com supervis\u00e3o da jornalista Priscila Vieira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>_______________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n<div class=\"container\">\n<p class=\"intro-text\">Leia tamb\u00e9m:<\/p>\n<p>+\u00a0<a href=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/2021\/04\/28\/o-que-sua-fe-evangelica-fez-por-este-continente\/\">O que sua f\u00e9 evang\u00e9lica fez por este continente?<\/a><\/p>\n<p>+\u00a0<a href=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/2020\/12\/31\/ebenezer-o-que-temos-para-agradecer-em-2020\/\">Eben\u00e9zer: o que temos para agradecer<\/a><\/p>\n<p>+\u00a0<a href=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/2017\/04\/01\/a-razao-pela-qual-nao-vejo-sentido-biblico-na-hierarquia-de-generos\/\">A raz\u00e3o pela qual n\u00e3o vejo sentido b\u00edblico na hierarquia de g\u00eanero<\/a><\/p>\n<\/div>\n<p>Para adquirir livros de John Stott em seu centarn\u00e1rio, clique em:<\/p>\n<p>+ <a href=\"https:\/\/www.ultimato.com.br\/loja\/\">Loja Ultimato<\/a><\/p>\n<p>+ <a href=\"https:\/\/mesadelivrosabueditora.meloja.com.br\/\">Loja ABU Editora<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Perfil de Lucy Yamakami e Sil\u00eada Steuernagel: como mulheres que nunca planejaram ser tradutoras foram respons\u00e1veis pela difus\u00e3o da obra de John Stott em portugu\u00eas &nbsp; Por Abra\u00e3o Filipe Marques de Oliveira* &nbsp; A ABU Editora \u00e9 conhecida pela qualidade do conte\u00fado dos livros que produz. Entre os autores que colaboram para esse cat\u00e1logo primoroso, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":42,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[9883],"tags":[30087,5668,44527,154],"class_list":["post-784","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dialogos","tag-abu-editora","tag-john-stott","tag-literatura-crista","tag-ultimato"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/784","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/42"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=784"}],"version-history":[{"count":21,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/784\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":809,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/784\/revisions\/809"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=784"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=784"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=784"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}