{"id":700,"date":"2020-01-27T18:09:57","date_gmt":"2020-01-27T18:09:57","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/?p=700"},"modified":"2020-02-04T13:57:20","modified_gmt":"2020-02-04T13:57:20","slug":"uma-contribuicao-teologica-para-o-combate-a-intolerancia-religiosa-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/2020\/01\/27\/uma-contribuicao-teologica-para-o-combate-a-intolerancia-religiosa-no-brasil\/","title":{"rendered":"Uma contribui\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica para o combate \u00e0 intoler\u00e2ncia religiosa no Brasil"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Chrystiano G. Ferraz*<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-701 \" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2020\/01\/2-Fonds-de-Dotation-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"338\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2020\/01\/2-Fonds-de-Dotation-300x200.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2020\/01\/2-Fonds-de-Dotation-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2020\/01\/2-Fonds-de-Dotation-768x512.jpg 768w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2020\/01\/2-Fonds-de-Dotation-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2020\/01\/2-Fonds-de-Dotation-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2020\/01\/2-Fonds-de-Dotation-732x488.jpg 732w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2020\/01\/2-Fonds-de-Dotation-1140x760.jpg 1140w\" sizes=\"auto, (max-width: 338px) 100vw, 338px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Apesar&nbsp; de&nbsp; tudo&nbsp; o&nbsp; povo&nbsp; brasileiro&nbsp; \u00e9&nbsp; um&nbsp; povo&nbsp; que&nbsp; cr\u00ea.&nbsp; No&nbsp; geral,&nbsp; at\u00e9&nbsp; hoje,&nbsp; temos&nbsp; a religiosidade como forte caracter\u00edstica. O contato entre as religi\u00f5es \u2013 e religiosos \u2013 aconteceu desde o in\u00edcio do processo de conquista europeia em nosso solo e podemos consider\u00e1-lo deveras traum\u00e1tico. Com o passar dos muitos anos, ficou evidente a triste constata\u00e7\u00e3o de que ainda n\u00e3o nos relacionamos de maneira harmoniosa \u2013 <em>inter-religiosamente <\/em>falando.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 um pa\u00eds laico desde 1898, ou seja, escolheu por um Estado que n\u00e3o privilegia uma tradi\u00e7\u00e3o religiosa espec\u00edfica e que n\u00e3o interfere nos assuntos religiosos, assim como as religi\u00f5es n\u00e3o interferem nas quest\u00f5es que competem ao Estado. Antes de tal posi\u00e7\u00e3o, Igreja \u2013 cat\u00f3lica \u2013&nbsp; e o&nbsp; Estado exerciam&nbsp; o&nbsp; poder&nbsp; de decis\u00e3o&nbsp; sobre a sociedade brasileira. O&nbsp; que est\u00e1 justamente por tr\u00e1s de tal conquista \u2013 supera\u00e7\u00e3o de um Estado Religioso, seja teocr\u00e1tico ou confessional&nbsp; \u2013&nbsp; \u00e9&nbsp; a&nbsp; garantia&nbsp; e&nbsp; salvaguarda&nbsp; das&nbsp; liberdades&nbsp; individuais,&nbsp; da&nbsp; igualdade&nbsp; entre&nbsp; os cidad\u00e3os e do direito humano fundamental de professar uma religi\u00e3o \u2013 ou n\u00e3o professar religi\u00e3o nenhuma.<\/p>\n<p>Tal liberdade religiosa como direito fundamental est\u00e1 cada vez mais amea\u00e7ada em nossa sociedade brasileira. A pluralidade de experi\u00eancias religiosas est\u00e1 presente no mesmo espa\u00e7o de conviv\u00eancia, cada uma clamando por legitimidade e respeito. Os <em>cristianismos <\/em>representam mais de 80% dos religiosos no contexto brasileiro e \u00e9 composto primordialmente \u2013 e aqui de forma simplificada \u2013 por fi\u00e9is: cat\u00f3licos, protestantes hist\u00f3ricos, pentecostais e neopentecostais. Em menor n\u00famero est\u00e3o as outras religi\u00f5es como as de matriz africana e afro-brasileira (dentre essas o candombl\u00e9 e a umbanda), espiritismo, esoterismo, santo daime etc. H\u00e1 tamb\u00e9m uma pequena&nbsp; parcela&nbsp; de&nbsp; judeus,&nbsp; mu\u00e7ulmanos&nbsp; e&nbsp; budistas.&nbsp; Um&nbsp; dado&nbsp; curioso&nbsp; e&nbsp; que&nbsp; carece&nbsp; de aprofundamentos, \u00e9 que cresce o n\u00famero de pessoas que se declaram sem religi\u00e3o. O Brasil, outrora de preponder\u00e2ncia cat\u00f3lica, vem apresentando mudan\u00e7as no seu <em>mapa das religi\u00f5es<\/em>, com crescimento num\u00e9rico significativo de adeptos das religi\u00f5es evang\u00e9licas \u2013 principalmente neopentecostais \u2013 e consequente queda do n\u00famero de fi\u00e9is cat\u00f3licos e protestantes hist\u00f3ricos.\u00b9<\/p>\n<p>Agora, segue um fato alarmante: no tocante \u00e0s quest\u00f5es religiosas, somos considerados um pa\u00eds intolerante. Talvez voc\u00ea nunca tenha sentido na pele por fazer parte dos mais de 80%, da maioria crist\u00e3, que dificilmente sofrer\u00e1 discrimina\u00e7\u00e3o por professar o cristianismo em terras \u201ccrist\u00e3s\u201d.&nbsp; No&nbsp; entanto,&nbsp; Alexandre&nbsp; Brasil&nbsp; Fonseca,&nbsp; soci\u00f3logo,&nbsp; analisando&nbsp; os&nbsp; dados&nbsp; do&nbsp; RIVIR (2011-2015) \u2013 Relat\u00f3rio sobre Intoler\u00e2ncia e Viol\u00eancia Religiosa no Brasil \u2013 concluiu que a intoler\u00e2ncia religiosa atinge a nossa popula\u00e7\u00e3o como um todo, sendo as&nbsp; religi\u00f5es&nbsp; de matriz africanas as \u201cque mais sofrem viola\u00e7\u00f5es de seus direitos em rela\u00e7\u00e3o a sua religiosidade.\u201d\u00b2 Se faz urgente ent\u00e3o uma a\u00e7\u00e3o efetiva atrav\u00e9s da contribui\u00e7\u00e3o de todas as inst\u00e2ncias que comp\u00f5em a sociedade para que esta realidade seja transforada e uma nova trama de rela\u00e7\u00f5es inter-religiosas&nbsp; no&nbsp; amor&nbsp; fraternal,&nbsp; respeito&nbsp; e&nbsp; toler\u00e2ncia&nbsp; seja&nbsp; fomentada.&nbsp; Como&nbsp; parte&nbsp; deste desafio&nbsp; \u00e0s&nbsp; rela\u00e7\u00f5es&nbsp; na sociedade,&nbsp; fez-se necess\u00e1ria&nbsp; a escolha de um dia espec\u00edfico para&nbsp; nos alertar&nbsp; para&nbsp; uma&nbsp; causa&nbsp; t\u00e3o&nbsp; importante:&nbsp; o&nbsp; dia&nbsp; 21&nbsp; de&nbsp; janeiro,&nbsp; dia&nbsp; nacional&nbsp; de&nbsp; combate&nbsp; \u00e0 intoler\u00e2ncia religiosa.\u00b3<\/p>\n<p>N\u00e3o&nbsp; podemos&nbsp; repetir&nbsp; as&nbsp; guerras&nbsp; religiosas,&nbsp; a&nbsp; utiliza\u00e7\u00e3o&nbsp; do&nbsp; discurso&nbsp; religioso&nbsp; para&nbsp; a realiza\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas violentas, contr\u00e1rias ao pr\u00f3prio \u201cesp\u00edrito\u201d pac\u00edfico das religi\u00f5es. O atual cen\u00e1rio brasileiro, de ressurgimento de radicalismos \u2013 incluindo o religioso \u2013 torna a quest\u00e3o ainda&nbsp; mais&nbsp; urgente:&nbsp; vidas&nbsp; sendo&nbsp; tiradas,&nbsp; pessoas&nbsp; humanas&nbsp; sendo&nbsp; agredidas&nbsp; verbal,&nbsp; f\u00edsica&nbsp; e psicologicamente; feridas em sua dignidade, seus horizontes de sentido est\u00e3o sendo depredado, achincalhado e reduzido a nada; preconceitos sendo destilados, por vezes, em \u201cnome de Deus\u201d.<\/p>\n<p>Sabendo&nbsp; que&nbsp; muitas&nbsp; dessas&nbsp; agress\u00f5es&nbsp; s\u00e3o&nbsp; praticadas&nbsp; e&nbsp; fomentadas&nbsp; por&nbsp; l\u00edderes&nbsp;&nbsp; e representantes de institui\u00e7\u00f5es crist\u00e3s&nbsp; e por pessoas religiosas supostamente crentes em Jesus Cristo:&nbsp; Qual&nbsp; seria&nbsp; o&nbsp; embasamento&nbsp; b\u00edblico-teol\u00f3gico&nbsp; que&nbsp; vem&nbsp; legitimando&nbsp; tais&nbsp; condutas&nbsp; e moldando tais mentalidades? Entendemos que h\u00e1 m\u00e1 interpreta\u00e7\u00e3o das Escrituras Sagradas por tr\u00e1s dessa mentalidade nociva. \u00c9 preciso lan\u00e7ar luz sobre esta escurid\u00e3o com uma hermen\u00eautica mais adequada. Para provocar a reflex\u00e3o e o di\u00e1logo, apontaremos neste artigo um aspecto fundamental que comp\u00f5e tal mentalidade excludente e que carece de nova an\u00e1lise teol\u00f3gica: a interpreta\u00e7\u00e3o negativa da pluralidade cultural-religiosa. Seria teologicamente sustent\u00e1vel que a exist\u00eancia das outras religi\u00f5es \u2013 n\u00e3o crist\u00e3s \u2013 estaria dentro do projeto de Deus? Defenderemos tal perspectiva a partir da contribui\u00e7\u00e3o do pensamento de grandes te\u00f3logos crist\u00e3os.<\/p>\n<p>Nas&nbsp; Sagradas&nbsp; Escrituras&nbsp; judaico-crist\u00e3s,&nbsp; cultura&nbsp; e&nbsp; religi\u00e3o&nbsp; caminham&nbsp; entrela\u00e7adas.&nbsp; O juda\u00edsmo e o cristianismo n\u00e3o foram configurados em um ambiente propenso ao di\u00e1logo, ainda que os dois tenham vivido em suas g\u00eaneses o desafio de estabelecer-se em meio ao contato com outras religi\u00f5es.\u2074 O primeiro, como povo eleito de Deus, defendia-se das amea\u00e7as dos outros povos&nbsp; pag\u00e3os&nbsp; e&nbsp; firmava-se&nbsp; com&nbsp; uma&nbsp; forte&nbsp; consci\u00eancia&nbsp; identit\u00e1ria.&nbsp; No&nbsp; in\u00edcio,&nbsp; Israel&nbsp; era henote\u00edsta, ou seja, cria em um s\u00f3 Deus, mas admitia a exist\u00eancia de outras divindades \u2013 ainda que n\u00e3o compar\u00e1veis a Iahweh.\u2075 O cristianismo, por\u00e9m, \u00e9 herdeiro de um juda\u00edsmo monote\u00edsta, outra etapa da religi\u00e3o de Israel:<\/p>\n<p>No D\u00eautero-Isa\u00edas \u00e9 que surgir\u00e3o afirma\u00e7\u00f5es estritamente monote\u00edstas, onde Jav\u00e9 \u00e9 reconhecido como o Deus absolutamente \u00fanico, expressando claramente pela primeira vez o universalismo religioso.&nbsp; Ao&nbsp; passar&nbsp; para&nbsp; o&nbsp; Deuteron\u00f4mio,&nbsp; essa&nbsp; ideia&nbsp; monote\u00edsta&nbsp; alcan\u00e7ou&nbsp; express\u00e3o&nbsp; firme&nbsp; e decidida: \u201cIahweh \u00e9 o \u00fanico Deus. Al\u00e9m dele n\u00e3o existe um outro!\u201d (Dt 4,35).\u2076<\/p>\n<p>O te\u00f3logo Jos\u00e9 Maria Vigil prop\u00f5e uma an\u00e1lise do nosso passado em rela\u00e7\u00e3o ao tema do pluralismo&nbsp; religioso,&nbsp; para&nbsp; compreendermos&nbsp; de&nbsp; forma&nbsp; mais&nbsp; ampla&nbsp; a&nbsp; posi\u00e7\u00e3o&nbsp; negativa&nbsp; que perdurou durante a maior parte da hist\u00f3ria da religi\u00e3o crist\u00e3.\u2077<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Maria Vigil come\u00e7a pela ideia depreciativa \u2013 segundo o seu julgamento \u2013 que, no contexto do Primeiro Testamento, a cultura judaica interpretou, a partir da sua rela\u00e7\u00e3o com Iahweh, as divindades dos povos vizinhos de Israel, chamados de \u201c\u00eddolos\u201d. Tais quais: \u201cobras das&nbsp; m\u00e3os&nbsp; humanas\u201d,&nbsp; \u201ccoisas&nbsp; mortas\u201d&nbsp; (Sb&nbsp; 13,10),&nbsp; \u201cnada\u201d&nbsp; (Is&nbsp; 44,9),&nbsp; \u201cvazio\u201d&nbsp; (Jr&nbsp; 2,5;&nbsp; 16,19), \u201cmentira\u201d (Jr 10, 14; Am 2,4; Br 6,50), \u201cdem\u00f4nios\u201d (Dt 32,17; Br 4,7)\u201d.\u2078<\/p>\n<p>Esta&nbsp; posi\u00e7\u00e3o&nbsp; n\u00e3o&nbsp; pode&nbsp; ser&nbsp; vista&nbsp; como&nbsp; o&nbsp; panorama&nbsp; de&nbsp; toda&nbsp; a&nbsp; Escritura&nbsp; Sagrada,&nbsp; mas apresenta um ponto culminante no livro de Deuteron\u00f4mio, que precisa ser lido dentro de seu contexto hist\u00f3rico-social, levando em considera\u00e7\u00e3o todas as limita\u00e7\u00f5es que nele est\u00e3o contidas. Todo o contexto \u2013 de busca por legitima\u00e7\u00e3o e da cria\u00e7\u00e3o da identidade de um povo, em meio ao iminente perigo de ser invadido ou dominado por na\u00e7\u00f5es mais estabelecidas \u2013 n\u00e3o pode ser desprezado para a compreens\u00e3o deste discurso no Primeiro Testamento.<\/p>\n<p>O cristianismo assumiu parte da heran\u00e7a religiosa do juda\u00edsmo, a comunidade primitiva de&nbsp; Jerusal\u00e9m&nbsp; foi&nbsp; composta&nbsp; primeiramente&nbsp; por&nbsp; membros&nbsp; judeus,&nbsp; mas&nbsp; os&nbsp; conflitos&nbsp; internos come\u00e7aram quando os primeiros n\u00e3o-judeus ingressaram na nova comunidade crist\u00e3:<\/p>\n<p>A primeira grande disputa na primeira comunidade crist\u00e3 n\u00e3o foi, portanto, em torno de dogmas como a filia\u00e7\u00e3o divina de Cristo ou a trindade de Deus, mas sim em torno da lei judaica: at\u00e9 que ponto se \u00e9 obrigado a observ\u00e1-la? Dever\u00e1 ser ela obrigat\u00f3ria tamb\u00e9m para os fi\u00e9is crist\u00e3os que n\u00e3o eram judeus de nascimento, e sim pag\u00e3os?\u2079<\/p>\n<p>Percebe-se at\u00e9 aqui que desde o in\u00edcio o contato com as outras religi\u00f5es fizeram parte do processo&nbsp; de&nbsp; constru\u00e7\u00e3o&nbsp; do&nbsp; cristianismo.&nbsp; Al\u00e9m&nbsp; do&nbsp; juda\u00edsmo,&nbsp; soma-se&nbsp; a&nbsp; essa&nbsp; afirmativa&nbsp; a presen\u00e7a da religi\u00e3o polite\u00edsta do Imp\u00e9rio Romano. Por\u00e9m, o cristianismo n\u00e3o percebeu muitos espa\u00e7os para o di\u00e1logo com as outras religi\u00f5es, mas para convers\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o de uma Igreja. O cristianismo foi concebido como proclama\u00e7\u00e3o do Evangelho \u2013 Boa Not\u00edcia \u2013 e se espalhou no af\u00e3 mission\u00e1rio de convers\u00e3o global.\u00b9\u2070<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos perder de vista o complicado contexto religioso e social no qual tiveram que sobreviver as primeiras comunidades crist\u00e3s: \u201cAs comunidades receptoras das tradi\u00e7\u00f5es de Jesus travavam uma luta encarni\u00e7ada para sobreviver num ambiente hostil \u00e0 sua f\u00e9, com grau de oposi\u00e7\u00e3o que crescia \u00e0 medida que tamb\u00e9m expandiam seus limites\u201d.\u00b9\u00b9<\/p>\n<p>No princ\u00edpio da Era crist\u00e3, a diversidade religiosa foi encarada como algo negativo, que n\u00e3o fazia parte do plano inicial de Deus para a humanidade. Por isso, no cristianismo, deu-se o esfor\u00e7o&nbsp; mission\u00e1rio&nbsp; que&nbsp; julgava-se&nbsp; em&nbsp; conson\u00e2ncia&nbsp; com&nbsp; a&nbsp; ordenan\u00e7a&nbsp; b\u00edblica&nbsp; expressa&nbsp; nas Escrituras Sagradas \u2013 no segundo Testamento exclusivamente crist\u00e3o \u2013 (Mt 28,19-20) \u2013&nbsp; que buscou&nbsp; converter&nbsp; o&nbsp; mundo&nbsp; \u00e0&nbsp; chamada&nbsp; <em>religi\u00e3o&nbsp; verdadeira&nbsp; <\/em>para&nbsp; a&nbsp; salva\u00e7\u00e3o&nbsp; dos&nbsp; infi\u00e9is, supostamente&nbsp; ignorantes&nbsp; ou&nbsp; perdidos,&nbsp; que&nbsp; estariam&nbsp; a&nbsp; caminho&nbsp; do&nbsp; sofrimento&nbsp; eterno&nbsp; sem&nbsp; o Cristo e, indesculpavelmente, sem professar a religi\u00e3o crist\u00e3.<\/p>\n<p>Mesmo com as duas grandes divis\u00f5es \u2013 com o Cisma do Oriente no s\u00e9culo XI, cis\u00e3o entre Roma e Constantinopla dividindo a Igreja entre Cat\u00f3lica-Romana e Ortodoxa, e o Cisma do Ocidente no s\u00e9culo XVI, ocasi\u00e3o da Reforma Protestante, que gerou os diversos seguimentos crist\u00e3os protestantes \u2013 o cristianismo continuou a expandir-se, \u201csuperando\u201d as religi\u00f5es n\u00e3o- crist\u00e3s atrav\u00e9s das coloniza\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m de sua afirma\u00e7\u00e3o no territ\u00f3rio europeu, com a ajuda dos&nbsp; Estados&nbsp; nacionais&nbsp; formados&nbsp; na&nbsp; Europa,&nbsp; especialmente,&nbsp; Espanha&nbsp; e&nbsp; Fran\u00e7a,&nbsp; fi\u00e9is&nbsp; ao catolicismo, que auxiliaram na manuten\u00e7\u00e3o da cristandade ocidental. Por exemplo, na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica houve conflito entre os \u00e1rabes \u2013 de religi\u00e3o mu\u00e7ulmana \u2013 e os espanh\u00f3is cat\u00f3licos, que teve fim com a vit\u00f3ria espanhola definitiva e consequente expuls\u00e3o dos \u00e1rabes em 1492.\u00b9\u00b2<\/p>\n<p>Os&nbsp; movimentos&nbsp; oriundos&nbsp; dos&nbsp; s\u00e9culos&nbsp; XV&nbsp; e XVI, respectivamente, o Humanismo e&nbsp; o Renascimento, contribu\u00edram para uma nova vis\u00e3o sobre o ser humano, e consequentemente, sobre a religi\u00e3o.\u00b9\u00b3 As grandes navega\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo XVI expandiram a <em>oikoumene,<\/em>\u00b9\u2074&nbsp;colocando o cristianismo em contato com outras povos e suas religi\u00f5es.\u00b9\u2075<\/p>\n<p>\u00c9 preciso destacar que, em grande parte, o contato entre as religi\u00f5es no Mundo Antigo se dava de maneira sincr\u00e9tica, como ocorreu com a absor\u00e7\u00e3o dos deuses gregos na cultura romana. Assim, \u201cno Mundo Antigo as coexist\u00eancias religiosas quando muito se davam pelo sincretismo, numa absor\u00e7\u00e3o m\u00fatua das tradi\u00e7\u00f5es religiosas que se interpenetravam e se influenciavam. J\u00e1 na modernidade \u00e9 preconizado o respeito ao espa\u00e7o sagrado\u201d.\u00b9\u2076<\/p>\n<p>Cada vez mais c\u00f4nscios da irrevers\u00edvel presen\u00e7a da diversidade religiosa na sociedade, da dist\u00e2ncia do af\u00e3 mission\u00e1rio de conquista crist\u00e3 de todo o mundo habitado, do conhecimento mais l\u00facido das riquezas presentes nas outras religi\u00f5es e do avan\u00e7o num\u00e9rico de outras tradi\u00e7\u00f5es religiosas&nbsp; no&nbsp; mundo&nbsp; nas&nbsp; \u00faltimas&nbsp; d\u00e9cadas&nbsp; \u2013&nbsp; o&nbsp; crescimento&nbsp; significativo&nbsp; do&nbsp; n\u00famero&nbsp; de&nbsp; fi\u00e9is mu\u00e7ulmanos por exemplo \u2013, surge a necessidade e urg\u00eancia de repensar a presen\u00e7a das outras experi\u00eancias&nbsp; de&nbsp; f\u00e9,&nbsp; que&nbsp; simultaneamente&nbsp; habitam&nbsp; essa&nbsp; casa&nbsp; comum.&nbsp; Qual&nbsp; o&nbsp; significado&nbsp; do pluralismo religioso no plano de Deus?<\/p>\n<p>Pensar&nbsp;&nbsp; uma&nbsp;&nbsp; teologia&nbsp;&nbsp; do&nbsp;&nbsp; pluralismo&nbsp;&nbsp; religioso&nbsp;&nbsp; ainda&nbsp;&nbsp; desperta&nbsp;&nbsp; muita&nbsp;&nbsp; resist\u00eancia&nbsp;&nbsp; e desconforto na maior parte das grandes institui\u00e7\u00f5es religiosas. Entretanto, h\u00e1 grupos teol\u00f3gicos crist\u00e3os&nbsp; mais&nbsp; sensibilizados&nbsp; para&nbsp; com&nbsp; os&nbsp; desafios&nbsp; do&nbsp; pluralismo&nbsp; religioso&nbsp; e&nbsp; outros&nbsp; mais resistentes e cr\u00edticos. A fundamenta\u00e7\u00e3o dos opositores situa-se em torno de quest\u00f5es relativas \u00e0 soteriologia, cristologia, eclesiologia e missiologia.\u00b9\u2077<\/p>\n<p>No&nbsp; entanto,&nbsp; como&nbsp; observa&nbsp; o&nbsp; te\u00f3logo&nbsp; Faustino&nbsp; Teixeira,&nbsp; o&nbsp; pluralismo&nbsp; religioso&nbsp; sugere somente uma mudan\u00e7a de postura dos crentes pertencentes \u00e0s grandes institui\u00e7\u00f5es religiosas tradicionais;&nbsp;&nbsp; despertando-os&nbsp;&nbsp; para&nbsp;&nbsp; o&nbsp;&nbsp; valor&nbsp;&nbsp; do&nbsp;&nbsp; acolhimento&nbsp;&nbsp; da&nbsp;&nbsp; diferen\u00e7a,&nbsp;&nbsp; o&nbsp;&nbsp; respeito&nbsp;&nbsp; \u00e0 singularidade e especificidades de outras tradi\u00e7\u00f5es religiosas.\u00b9\u2078<\/p>\n<p>N\u00e3o parece mais sustent\u00e1vel a ideia de que somente uma \u00fanica tradi\u00e7\u00e3o religiosa disponha de toda verdade sobre a vida e sobre Deus \u2013 que \u00e9 infinito. Como assevera Faustino Teixeira, as tradi\u00e7\u00f5es religiosas s\u00e3o fragmentos inacabados e contingenciais, em permanente caminho de aperfei\u00e7oamento e abertura, sendo cada uma delas, portadoras de uma singularidade espec\u00edfica que permite um olhar in\u00e9dito a respeito da realidade \u00faltima.\u00b9\u2079<\/p>\n<p>O te\u00f3logo Jaques Dupuis chama-nos ao arrependimento em rela\u00e7\u00e3o aos posicionamentos exclusivistas \u2013 nossa m\u00e1 avalia\u00e7\u00e3o dos \u201coutros\u201d e preconceitos contra suas pr\u00e1ticas de f\u00e9 \u2013 que tivemos durante a hist\u00f3ria do cristianismo, na rela\u00e7\u00e3o com os fi\u00e9is de outras tradi\u00e7\u00f5es religiosas. O autor tamb\u00e9m reconhece a necessidade de repensarmos a f\u00e9 crist\u00e3 na viv\u00eancia desse novo mundo: \u201cpluri\u00e9tnico, multicultural, multirreligioso\u201d.\u00b2\u2070<\/p>\n<p>Para Faustino Teixeira, a acolhida do pluralismo religioso n\u00e3o significa uma viola\u00e7\u00e3o da perspectiva&nbsp; crist\u00e3,&nbsp; na&nbsp; medida&nbsp; em&nbsp; que&nbsp; h\u00e1&nbsp; no&nbsp; cora\u00e7\u00e3o&nbsp; do&nbsp; cristianismo&nbsp; uma&nbsp; convoca\u00e7\u00e3o&nbsp; \u00e0 hospitalidade,&nbsp; cortesia&nbsp; e&nbsp; aceita\u00e7\u00e3o&nbsp; da&nbsp; alteridade.&nbsp; Nos&nbsp; lembra&nbsp; ent\u00e3o&nbsp; do&nbsp; pensamento&nbsp; de Schillebeeckx&nbsp; acerca&nbsp; do&nbsp; tema:&nbsp; \u201cA&nbsp; aceita\u00e7\u00e3o&nbsp; da&nbsp; diversidade&nbsp; das&nbsp; religi\u00f5es&nbsp; est\u00e1&nbsp; implicada&nbsp; na ess\u00eancia&nbsp; do&nbsp; cristianismo.&nbsp; [&#8230;]&nbsp; A&nbsp; mensagem&nbsp; de&nbsp; Jesus&nbsp; n\u00e3o&nbsp; foi&nbsp; auto&nbsp; implicativa,&nbsp; mas&nbsp; uma mensagem aberta para o horizonte inusitado e mais amplo do mist\u00e9rio maior de Deus\u201d.\u00b2\u00b9<\/p>\n<p>Sobretudo, para repensarmos a quest\u00e3o do pluralismo religioso a partir da tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, recorreremos ao renomado te\u00f3logo franc\u00eas Claude Geffr\u00e9, que chegou \u00e0 seguinte conclus\u00e3o: \u201ca partir da nossa experi\u00eancia hist\u00f3rica atual de um pluralismo religioso de fato, acreditamos poder concluir&nbsp; teologicamente&nbsp; por&nbsp; um&nbsp; pluralismo&nbsp; de&nbsp; princ\u00edpio&nbsp; que&nbsp; corresponde&nbsp; a&nbsp; um&nbsp; misterioso projeto de Deus\u201d.\u00b2\u00b2<\/p>\n<p>A&nbsp; reflex\u00e3o&nbsp; de&nbsp; Geffr\u00e9&nbsp; parte&nbsp; da&nbsp; reinterpreta\u00e7\u00e3o&nbsp; dos&nbsp; eventos&nbsp; de&nbsp; Babel&nbsp; e&nbsp; Pentecostes, narrados na B\u00edblia. Geffr\u00e9 lembra que no livro de G\u00eanesis (Gn 10, 31-32) a multiplicidade das fam\u00edlias&nbsp; da&nbsp; terra,&nbsp; a&nbsp; partilha&nbsp; de&nbsp; seus&nbsp; territ\u00f3rios&nbsp; e&nbsp; a&nbsp; variedade&nbsp; de&nbsp; l\u00ednguas&nbsp; foi&nbsp; celebrada, contradizendo as interpreta\u00e7\u00f5es da dispers\u00e3o das l\u00ednguas como puni\u00e7\u00e3o divina em resposta ao orgulho humano. Segundo o te\u00f3logo, o que Deus condenou no epis\u00f3dio foi a ambi\u00e7\u00e3o id\u00f3latra de colocar uma humanidade monol\u00edtica que se faria Deus no lugar do Deus \u00fanico.\u00b2\u00b3<\/p>\n<p>Portanto,&nbsp;&nbsp; Deus&nbsp;&nbsp; n\u00e3o&nbsp;&nbsp; condena&nbsp;&nbsp; \u2013&nbsp;&nbsp; em&nbsp;&nbsp; Babel&nbsp;&nbsp; \u2013&nbsp;&nbsp; a&nbsp;&nbsp; pluralidade&nbsp;&nbsp; das&nbsp;&nbsp; l\u00ednguas,&nbsp;&nbsp; que, consequentemente, segundo Geffr\u00e9, representa a pluralidades de culturas: \u201cAo contr\u00e1rio das cosmogonias pag\u00e3s, que consideram o m\u00faltiplo como uma queda, uma degrada\u00e7\u00e3o, uma falta a ser reparada em rela\u00e7\u00e3o a uma unidade original perdida, o Deus da B\u00edblia bendiz o m\u00faltiplo, como bendiz a condi\u00e7\u00e3o humana em sua viv\u00eancia hist\u00f3rica e carnal\u201d.\u00b2\u2074<\/p>\n<p>Para que essa proposta de Deus seja adequadamente compreendida atrav\u00e9s das Sagradas Escrituras, Geffr\u00e9 sugere uma leitura mais ampla da elei\u00e7\u00e3o de Israel, contida totalmente na elei\u00e7\u00e3o de Abra\u00e3o (Gn 12, 1-3), que vem logo em sequ\u00eancia ao insucesso da constru\u00e7\u00e3o da Torre de Babel. O povo de Israel foi escolhido para ser deposit\u00e1rio das promessas de salva\u00e7\u00e3o feitas por Deus para todos os povos da terra: de uma elei\u00e7\u00e3o particular para escolher a todos; de uma liberta\u00e7\u00e3o particular, para uma salva\u00e7\u00e3o universal.<\/p>\n<p>A pluralidade religiosa \u00e9 ent\u00e3o aceita e desejada por Deus? A realiza\u00e7\u00e3o da culminante revela\u00e7\u00e3o de Deus por meio de Jesus Cristo est\u00e1 preparada desde o Primeiro Testamento, no qual&nbsp; \u201cas&nbsp; culturas&nbsp; est\u00e3o&nbsp; colocadas&nbsp; a&nbsp; servi\u00e7o&nbsp; da&nbsp; revela\u00e7\u00e3o&nbsp; do&nbsp; Deus&nbsp; de&nbsp; Abra\u00e3o&nbsp; vivida&nbsp; na Alian\u00e7a\u201d.\u00b2\u2075&nbsp;Assim come\u00e7amos a responder a essa quest\u00e3o, com suporte em Geffr\u00e9.<\/p>\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o do evento do Pentecostes (Atos 2) arremata bem a quest\u00e3o. A diversidade \u00e9 feita unidade pela a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, em conson\u00e2ncia com o plano original de Deus: \u201ccom a efus\u00e3o do Esp\u00edrito do Ressuscitado em Pentecostes, a pluralidade das&nbsp; l\u00ednguas&nbsp; e das culturas \u00e9 necess\u00e1ria para traduzir a riqueza multiforme do Mist\u00e9rio de Deus\u201d.\u00b2\u2076<\/p>\n<p>Vemos nesta proposta um caminho para o reconhecimento do pluralismo religioso como dado positivo, que abre a possibilidade de uma via para o real di\u00e1logo com as outras tradi\u00e7\u00f5es religiosas&nbsp; e enriquecimento&nbsp; m\u00fatuo, sem absolutizar&nbsp; o cristianismo, e ao mesmo tempo, n\u00e3o caindo em um relativismo, pois mant\u00e9m vivo o engajamento e compromisso com a verdade crist\u00e3. H\u00e1 uma necessidade basilar de reinterpreta\u00e7\u00e3o do pluralismo cultural-religioso \u00e0 luz dos dois&nbsp; Testamentos,&nbsp; recha\u00e7ando&nbsp; interpreta\u00e7\u00f5es&nbsp; fundamentalistas&nbsp; que&nbsp; fomentam&nbsp; uma&nbsp; batalha <em>carnal <\/em>e a hostilidade do desprezo ao outro religioso.<\/p>\n<p>Se&nbsp; faz&nbsp; necess\u00e1rio&nbsp; ent\u00e3o&nbsp; repensar&nbsp; a&nbsp; nossa&nbsp; f\u00e9&nbsp; \u2013&nbsp; ou&nbsp; as&nbsp; nossas&nbsp; cren\u00e7as.&nbsp; A&nbsp; pr\u00e1tica&nbsp; da intoler\u00e2ncia religiosa evidencia a nossa falha enquanto povo que cr\u00ea: falta relev\u00e2ncia \u00e0 nossa f\u00e9, morta sem a boa pr\u00e1tica: Falta-nos f\u00e9 no Deus trino? No Esp\u00edrito Santo que nos inspira e que prepara os cora\u00e7\u00f5es para acolh\u00ea-lo livremente? No Cristo que amou a todos sem distin\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Se n\u00f3s \u2013 crentes de todas as religi\u00f5es presentes no solo brasileiro \u2013 n\u00e3o nos perdoarmos pelo passado belicoso, n\u00e3o poderemos construir um novo futuro sem repetir o passado. Talvez, nosso testemunho como crentes tem sido bastante negativo. Ser\u00e1 que nossas desaven\u00e7as&nbsp; d\u00e3o raz\u00e3o para o avan\u00e7o do n\u00famero de pessoas que n\u00e3o creem em nossa na\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>\u00c9&nbsp; preciso&nbsp; investir&nbsp; nossos&nbsp; esfor\u00e7os&nbsp; em&nbsp; uma&nbsp; reeduca\u00e7\u00e3o&nbsp; para&nbsp; uma&nbsp; nova&nbsp; mentalidade&nbsp; e atitude inter-religiosa e, ao mesmo tempo, combater tais viola\u00e7\u00f5es com o cumprimento das leis j\u00e1&nbsp; existentes.&nbsp; A&nbsp; promo\u00e7\u00e3o&nbsp; da&nbsp; toler\u00e2ncia&nbsp; em&nbsp; tempos&nbsp; de&nbsp; radicalismos&nbsp; \u00e9&nbsp; um&nbsp; imperativo&nbsp; na sociedade contempor\u00e2nea, para fugirmos dos perigos do passado antes descritos, que parecem nos assombrar em um ciclo sem fim. Faz-se necess\u00e1rio um fazer teol\u00f3gico engajado, criterioso e piedoso, capaz de nos impulsionar \u00e0 pr\u00e1tica do amor. O outro religioso deve ser o alvo, n\u00e3o de combate, mas sim de amor n\u00e3o fingido e gra\u00e7a. Que Deus nos ajude e conduza para um novo tempo em nossa hist\u00f3ria, at\u00e9 que o Amor seja tudo em todos.<\/p>\n<p>*Chrystiano&nbsp; G.&nbsp; Ferraz&nbsp; \u00e9&nbsp; mestrando&nbsp; em Teologia&nbsp; pelo&nbsp; Programa&nbsp; de&nbsp; P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da&nbsp; Pontif\u00edcia&nbsp; Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), bacharel em teologia pelo Semin\u00e1rio Teol\u00f3gico Batista do Sul do Brasil (STBSB\/FABAT). E-mail: chrysferraz@hotmail.com.<\/p>\n<p>1&nbsp; Cf.: NERI, M. C. Novo mapa das religi\u00f5es. Horizonte, Vol 9, Iss 23, Pp 637-673. 2011.<\/p>\n<p>2&nbsp; Fonseca, A. B., Primeiras an\u00e1lises dos dados do Relat\u00f3rio sobre Intoler\u00e2ncia e Viol\u00eancia Religiosa no Brasil (2011-2015), p. 44-45.<\/p>\n<p>3&nbsp; Lei n\u00ba 11.635, de 27 de dezembro de 2007.<\/p>\n<p>4&nbsp; LIB\u00c2NIO, J. B., Introdu\u00e7\u00e3o. In: TEIXEIRA, F.(org.), O Di\u00e1logo Inter-religioso como afirma\u00e7\u00e3o da vida, p.11.<\/p>\n<p>5&nbsp; ULLOA, P. U., Del henote\u00edsmo al monote\u00edsmo, p. 89-90.<\/p>\n<p>6&nbsp; SILVA, J. M., O Cristianismo e o Pluralismo Religioso, p.130.<\/p>\n<p>7&nbsp; VIGIL, J. M., Teologia do Pluralismo Religioso, p. 35-38.<\/p>\n<p>8&nbsp; VIGIL, J. M., Teologia do Pluralismo Religioso, p. 36.<\/p>\n<p>9&nbsp; K\u00dcNG, H., Religi\u00f5es do mundo, p. 219.<\/p>\n<p>10&nbsp; LIB\u00c2NIO, J. B., Introdu\u00e7\u00e3o. In: TEIXEIRA, F.(org.), O Di\u00e1logo Inter-religioso como afirma\u00e7\u00e3o da vida, p.12.<\/p>\n<p>11&nbsp; AZEVEDO, S., Teologia das Religi\u00f5es, p. 70.<\/p>\n<p>12&nbsp; DREHER, M. N., A Reforma e as reformas, p. 14.<\/p>\n<p>13&nbsp; DREHER, M. N., Hist\u00f3ria do Povo de Jesus, p. 209-210.<\/p>\n<p>14&nbsp; Termo que designava o \u201cmundo civilizado\u201d ou que compreendia todo o \u201cmundo habitado\u201d.<\/p>\n<p>15&nbsp; DREHER, M. N., Hist\u00f3ria do Povo de Jesus, p. 336.<\/p>\n<p>16&nbsp; DUSILEK, S. R. G., A Atualidade do Conceito de Toler\u00e2ncia em John Locke, p. 412.<\/p>\n<p>17&nbsp; TEIXEIRA, F., Teologia e Pluralismo Religioso, p.164.<\/p>\n<p>18&nbsp; TEIXEIRA, F., Teologia e Pluralismo Religioso, p.164.<\/p>\n<p>19&nbsp; TEIXEIRA, F., Teologia e Pluralismo Religioso, p. 155.<\/p>\n<p>20&nbsp; DUPUIS, J. O Cristianismo e as Religi\u00f5es, p. 19.<\/p>\n<p>21&nbsp; SCHILLEBEECKX, E., Umanit\u00e0. La storia di Dio. Apud: TEIXEIRA, F.,&nbsp; Teologia e Pluralismo Religioso, p.165.<\/p>\n<p>22&nbsp; GEFFR\u00c9, C., O lugar das religi\u00f5es no plano da salva\u00e7\u00e3o, p.120.<\/p>\n<p>23&nbsp; GEFFR\u00c9, C., O lugar das religi\u00f5es no plano da salva\u00e7\u00e3o, p.119.<\/p>\n<p>24&nbsp; GEFFR\u00c9, C., O lugar das religi\u00f5es no plano da salva\u00e7\u00e3o, p.119.<\/p>\n<p>25&nbsp; GEFFR\u00c9, C., O lugar das religi\u00f5es no plano da salva\u00e7\u00e3o, p.120.<\/p>\n<p>26&nbsp; GEFFR\u00c9, C., O lugar das religi\u00f5es no plano da salva\u00e7\u00e3o, p.120.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas:<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>AZEVEDO, Silvio Murilo. <strong>Teologia das Religi\u00f5es: <\/strong>rumo a um inclusivismo b\u00edblico. Editora Clube de autores, 2015.<\/p>\n<p>DREHER,&nbsp; Martin&nbsp; Norberto.&nbsp; A&nbsp; Reforma&nbsp; e&nbsp; as&nbsp; reformas.&nbsp; <strong>IHU-online<\/strong>,&nbsp; n\u00ba&nbsp; 514,&nbsp; ano&nbsp; XVII, 30\/10\/2017.<\/p>\n<p>DREHER, Martin Norberto. <strong>Hist\u00f3ria do Povo de Jesus. <\/strong>Uma leitura latino-americana. 01. ed. S\u00e3o Leopoldo: Editora Sinodal, 2013. v. 01. 520p.<\/p>\n<p>DUPUIS,&nbsp; Jaques.&nbsp; <strong>O&nbsp; Cristianismo&nbsp; e&nbsp; as&nbsp; Religi\u00f5es<\/strong>:&nbsp; do&nbsp; desencontro&nbsp; ao&nbsp; encontro; S\u00e3o&nbsp; Paulo: Loyola, 2004.<\/p>\n<p>DUSILEK,&nbsp; S\u00e9rgio&nbsp; Ricardo&nbsp; Gon\u00e7alves.&nbsp; A &nbsp;Atualidade&nbsp; do&nbsp; Conceito&nbsp; de&nbsp; Toler\u00e2ncia&nbsp; em&nbsp; John Locke.&nbsp; <strong>Paralellus<\/strong>, Recife, v. 7, n. 16, set.\/dez. 2016, p. 411-423.<\/p>\n<p>FONSECA, Alexandre Brasil. Primeiras an\u00e1lises dos dados do Relat\u00f3rio sobre Intoler\u00e2ncia e Viol\u00eancia Religiosa no Brasil (2011-2015). In: MINIST\u00c9RIO DOS DIREITOS HUMANOS \u201cSECRETARIA NACIONAL DE CIDADANIA\u201d. <strong>Estado Laico, intoler\u00e2ncia e diversidade religiosa no Brasil<\/strong>: Pesquisas, reflex\u00f5es e debates, 2018. p. 22-47.<\/p>\n<p>GEFFR\u00c9, Claude. <strong>O lugar das religi\u00f5es no plano da salva\u00e7\u00e3o. <\/strong>In: TEIXEIRA, F.(org.), O Di\u00e1logo Inter-religioso como afirma\u00e7\u00e3o da vida, p.111-138.<\/p>\n<p>K\u00dcNG, Hans. <strong>Religi\u00f5es do mundo<\/strong>: em busca de pontos comuns. [Tradu\u00e7\u00e3o de Carlos Almeida Pereira]. Campinas: Verus, 2004.<\/p>\n<p>NERI, M. C.; MELO, L. C. C. de. Novo mapa das religi\u00f5es. <strong>Horizonte<\/strong>, Vol 9, Iss 23, Pp 637-673. 2011.<\/p>\n<p>SILVA, Jos\u00e9 Maria da. O <strong>Cristianismo e o Pluralismo Religioso<\/strong>: possibilidades&nbsp; dialogais com a p\u00f3s-modernidade. Juiz de Fora-MG: UFJF, 2004.<\/p>\n<p>TEIXEIRA, Faustino(org.). <strong>O Di\u00e1logo Inter-religioso como afirma\u00e7\u00e3o da vida<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1997.<\/p>\n<p>TEIXEIRA,&nbsp; Faustino.&nbsp; <strong>Teologia&nbsp; e&nbsp; Pluralismo&nbsp; Religioso<\/strong>.&nbsp; S\u00e3o&nbsp; Bernardo&nbsp; do&nbsp; Campo-SP: Nhanduti, 2012.<\/p>\n<p>ULLOA, Pablo&nbsp; Uribe.&nbsp; Del henote\u00edsmo al monote\u00edsmo: La experiencia religiosa del antiguo<\/p>\n<p>Israel. <strong>Actas Teol\u00f3gicas<\/strong>, v.22, diciembre 2017, p. 87-99.<\/p>\n<p>VIGIL,&nbsp; Jos\u00e9&nbsp; Maria.&nbsp; <strong>Teologia&nbsp; do&nbsp; Pluralismo&nbsp; Religioso:&nbsp; <\/strong>para&nbsp; uma&nbsp; releitura&nbsp; pluralista&nbsp; do cristianismo. [tradu\u00e7\u00e3o de Maria Paula Rodrigues]. \u2013 S\u00e3o Paulo: Paulus, 2006.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chrystiano G. Ferraz* Apesar&nbsp; de&nbsp; tudo&nbsp; o&nbsp; povo&nbsp; brasileiro&nbsp; \u00e9&nbsp; um&nbsp; povo&nbsp; que&nbsp; cr\u00ea.&nbsp; No&nbsp; geral,&nbsp; at\u00e9&nbsp; hoje,&nbsp; temos&nbsp; a religiosidade como forte caracter\u00edstica. O contato entre as religi\u00f5es \u2013 e religiosos \u2013 aconteceu desde o in\u00edcio do processo de conquista europeia em nosso solo e podemos consider\u00e1-lo deveras traum\u00e1tico. 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