{"id":420,"date":"2016-09-02T22:18:52","date_gmt":"2016-09-02T22:18:52","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/?p=420"},"modified":"2016-09-02T22:18:52","modified_gmt":"2016-09-02T22:18:52","slug":"primeiros-dias-de-mae-dias-de-emocao-pos-parto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/2016\/09\/02\/primeiros-dias-de-mae-dias-de-emocao-pos-parto\/","title":{"rendered":"Primeiros dias de m\u00e3e, dias de \u201cemo\u00e7\u00e3o p\u00f3s-parto\u201d"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sobre desestrutura e encontros; cuidado e amor<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por <strong>Priscila Vieira<\/strong>*<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-424\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/09\/IMG_1321-225x300.jpg\" alt=\"IMG_1321\" width=\"225\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/09\/IMG_1321-225x300.jpg 225w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/09\/IMG_1321-768x1024.jpg 768w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/09\/IMG_1321-113x150.jpg 113w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/>Exaust\u00e3o. Maravilhamento. Espanto. Amor. Ternura. Fome. Medo. Preocupa\u00e7\u00e3o. Dor&#8230; Algumas sensa\u00e7\u00f5es que me tomaram nos primeiros dias com a beb\u00ea. A minha sensibilidade \u00e0 flor da pele gerou at\u00e9 piada. As profissionais de sa\u00fade que visitam as m\u00e3es e os rec\u00e9m-nascidos<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a> s\u00e3o treinadas para identificar sinais de depress\u00e3o na mulher. Quando contei a minha m\u00e3e as perguntas que a enfermeira tinha feito, recebi uma resposta en\u00e9rgica, espirituosa, de fino sutil senso de humor:<\/p>\n<p>&#8211; Depress\u00e3o p\u00f3s-parto?!! Voc\u00ea est\u00e1 sofrendo de <strong><em>emo\u00e7\u00e3o p\u00f3s-parto<\/em><\/strong>!<\/p>\n<p>Ambas rimos. Uma boa express\u00e3o para o tumulto emocional daqueles dias. Eu chorava, emocionada. Porque minha beb\u00ea era (e \u00e9) perfeita, linda, saud\u00e1vel. De cansa\u00e7o e exaust\u00e3o. De dor para amamentar (bico machucado; duas ou tr\u00eas mastites). De impot\u00eancia e frustra\u00e7\u00e3o, quando o choro dela prosseguia sem fim. Porque eu queria protege-la do mundo ao redor, at\u00e9 da polui\u00e7\u00e3o do ar. Porque em uma das mastites fiquei cinco horas no hospital, longe dela, e tudo que eu pensava \u00e9 que tinha que amamenta-la (mesmo com a dor). Porque as pessoas ao meu redor eram t\u00e3o cuidadosas e am\u00e1veis. Porque em tudo eu via Deus.<\/p>\n<p>Quem queira explicar objetivamente o que acontece nessa fase, aos modos do que chamamos \u2018racional\u2019 na nossa era, esque\u00e7a. \u00c9 de outra coisa que se trata. Por isso, <strong><em>desestrutura<\/em><\/strong> encabe\u00e7a a minha sopa de palavras. E que sabor teve esse prato! Tantas aventuras misturadas, tantos temperos ex\u00f3ticos \u2013 \u00e0 minha experi\u00eancia at\u00e9 ent\u00e3o. Eu degustei cada minuto daquela fase. Lambuzei as m\u00e3os, lambi o prato.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; <strong>Desestrutura<\/strong><\/p>\n<p>A no\u00e7\u00e3o da maternidade e do parto como desestrutura espiritual chegou a mim atrav\u00e9s do livro da Laura Guttman<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Por <em>espiritual<\/em> a autora indica a dimens\u00e3o profunda da experi\u00eancia. Somos mais que corpos gr\u00e1vidos. Somos inteiras e, naqueles momentos, nossa integridade abarca o beb\u00ea. Eu, crist\u00e3, conectei imediatamente a no\u00e7\u00e3o \u00e0 minha pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o e experi\u00eancia de espiritualidade. Topei o desafio de viver a gravidez, o parto e o que depois viesse nessa dimens\u00e3o. Se h\u00e1 <strong>desestrutura<\/strong>, Deus estar\u00e1 nela. Assumi, simplesmente. Meu parto fugiu \u00e0s possibilidades de previs\u00e3o, foi confuso, bizarro e de beleza singular (leia o relato <a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/2016\/06\/12\/dormi-gravida-acordei-mae-ou-quase-relato-de-um-parto-um-pouco-atipico-um-tanto-onirico\/\">aqui<\/a>).<\/p>\n<p>E ent\u00e3o foi uma mulher feliz, exausta e sobretudo <em>desestruturada<\/em> que se viu com um beb\u00ea nos bra\u00e7os, que demandava alimenta\u00e7\u00e3o a cada tr\u00eas horas. Al\u00e9m dos demais cuidados. A desestrutura \u00e9 como o parto: integral. O corpo \u00e9 um estranho no p\u00f3s-parto. Havia me habituado \u00e0 gravidez; agora era necess\u00e1rio lidar com o \u00fatero vazio. Sentir as contra\u00e7\u00f5es de seu <em>re-aninhamento<\/em>. Pois quando deixa de ser ninho do beb\u00ea, o \u00fatero se (re)aninha em nosso corpo. Lidar com a dor na regi\u00e3o p\u00e9lvica e per\u00edneo; lidar com dores nas costas. As minhas foram intensas (ainda estou lidando com elas, um ano e meio ap\u00f3s o fim da gravidez). As emo\u00e7\u00f5es oscilavam do inexor\u00e1vel sublime ao desespero. Preocupa\u00e7\u00e3o com o bem-estar do beb\u00ea; com a fome, a sede, a amamenta\u00e7\u00e3o. Amamentar \u00e9 um aprendizado, uma novidade que exige convic\u00e7\u00e3o, paci\u00eancia, serenidade. Na maior parte das vezes, solicita, mais uma vez (ap\u00f3s o parto!), conv\u00edvio com a <strong><em>dor<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>&#8211; Dor<\/strong><\/p>\n<p>D\u00f3i. Pr\u00e9, durante, p\u00f3s: ter um filho \u00e9 uma experi\u00eancia permeada pela dor. Mesmo para aquelas que tiveram um parto sob controle e beb\u00eas saud\u00e1veis. Eu n\u00e3o disse que a sopa era apenas gostosa; disse que me fartei de todos os sabores.<\/p>\n<p>A maternidade, no entanto, \u00e9 absolutamente sobre <em>Vida<\/em>. Experi\u00eancia m\u00edstica radical de sermos cocriadoras com o autor principal, soberano, o pr\u00f3prio Deus. \u00c9 um mist\u00e9rio. Ele cria <em>atrav\u00e9s <\/em>de n\u00f3s; cria <em>em <\/em>n\u00f3s. E ent\u00e3o a maternidade me ensina de forma nova algo que j\u00e1 sabia. Vida embrenha-se com a dor. Felicidade e amor embrenham-se com a dor. N\u00e3o entendo. Guardo no cora\u00e7\u00e3o, como aprendi com Maria, m\u00e3e de Jesus.<\/p>\n<p>\u00c9 fato que a exaust\u00e3o nos faz esquecer, por momentos, a pot\u00eancia da Vida que carregamos nos bra\u00e7os, dias e noites a dentro e \u00e0 fora. \u201cUma pessoa sem dormir \u00e9 outra pessoa\u201d, ouvi de uma amiga, m\u00e3e de uma linda beb\u00ea, nascida tr\u00eas meses antes da minha. Na minha casa, o p\u00f3s-parto foi vivido na propor\u00e7\u00e3o tr\u00eas adultos para um beb\u00ea. \u00c9 muito mais do que boa parte das mulheres sonha ter. E ainda assim, em meio aos cuidados do beb\u00ea, manter b\u00e1sicos como a rotina alimentar dos adultos era um desafio.<\/p>\n<p>Como experi\u00eancia de dor, h\u00e1 um segredo para caminhar sem que feridas fiquem abertas, especialmente por essa fase de transi\u00e7\u00e3o do p\u00f3s-parto: <strong><em>encontros<\/em><\/strong>. Deixar-se afetar pelo outro. E misturar-se a ele\/ ela. Sim, os pr\u00f3ximos s\u00e3o o caminho necess\u00e1rio para que <em>haja Vida<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; <strong>Encontros<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-427\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/09\/unspecified-5-225x300.jpeg\" alt=\"unspecified-5\" width=\"225\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/09\/unspecified-5-225x300.jpeg 225w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/09\/unspecified-5-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/09\/unspecified-5-113x150.jpeg 113w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/09\/unspecified-5.jpeg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/>H\u00e1 uma m\u00edstica que envolve o encontro da m\u00e3e com o beb\u00ea. Um encontro que \u00e9 ao mesmo tempo a primeira vez e uma renova\u00e7\u00e3o. O encontro se deu organicamente, no \u00fatero, na placenta, no cord\u00e3o umbilical. Naquele momento, se d\u00e1 nos olhos, na pele, no seio e no peito, nos l\u00e1bios, mil beijinhos. Infelizmente, nem todas as mulheres e nem todos os beb\u00eas conseguem viver esse encontro logo ap\u00f3s o parto. Mas, em algum momento, essa m\u00edstica acontece. E quando ela chega, a dor dissipa-se no sublime.<\/p>\n<p>Outro encontro fundamental para mim foi conhecer a face pai-cuidador do meu marido. \u201cCamadas que se revelam\u201d, descreveu uma amiga, m\u00e3e de dois meninos. N\u00e3o foi imediato. Levou talvez alguns dias, talvez algumas horas. Um efeito do p\u00f3s-parto \u00e9 a sublima\u00e7\u00e3o do tempo, que passa de modo diferente e n\u00e3o linear para as m\u00e3es com seus bebezinhos. O fato \u00e9 que logo meu marido era (e \u00e9) a pessoa em que mais confiava para cuidar da minha filha. E para cuidar de mim. Foram tantos lanchinhos na cama durante a madrugada, tantas garrafas de \u00e1gua, tanta preocupa\u00e7\u00e3o, tanta aten\u00e7\u00e3o. Eu me vi nas m\u00e3os dele, naqueles dias em que me sentia t\u00e3o forte para algumas coisas e t\u00e3o fraca para outras; eu n\u00e3o desejava estar em outro lugar.<\/p>\n<p>O reencontro com minha m\u00e3e. Eu e minha m\u00e3e temos uma hist\u00f3ria de encontros; e reencontros. Na fase de espera pelo beb\u00ea no final<br \/>\nda gravidez e da chegada da Aurora, nos reencontramos como mulher. A maternidade carrega uma pot\u00eancia de dissolu\u00e7\u00e3o das individualidades; m\u00e3es se identificam e, se n\u00e3o resistirem, se fundem. Ent\u00e3o eu, que j\u00e1 fora uma com ela, gestada em seu<br \/>\n\u00fatero; passara 35 anos me desenvolvendo como algu\u00e9m diferente dela; agora estava ali, novamente, em um ponto de unidade, momentos de coexist\u00eancia sobreposta. Dependente de seus cuidados, alimentada pelo seu afeto, segura com sua presen\u00e7a. Um reencontro maduro, sem necessidade de igualar; um reencontro em momentos de dor e de alegria tal, que s\u00f3 a Vida \u00e9 capaz de produzir.<\/p>\n<p>O encontro com Deus. Se s\u00e3o os horm\u00f4nios, aben\u00e7oados sejam eles! Atravessei no p\u00f3s-parto uma fase espiritual transformadora. Na profundidade, na intimidade, nos rec\u00f4nditos que s\u00f3 a ora\u00e7\u00e3o toca; a ora\u00e7\u00e3o do sil\u00eancio, sem palavras. A m\u00e3e com um bebezinho \u00e9 um ser intensamente instintivo. Tudo ao redor \u00e9 not\u00e1vel pois qualquer coisa pode amea\u00e7ar. E esses instintos constantemente encontram Deus. Em meio \u00e0 exaust\u00e3o, ao sono, \u00e0s dores. Nas mamadas diurnas e, especialmente, nas noturnas. Nos primeiros passeios exibindo orgulhosamente meu rebento; notando de forma \u00fanica o v\u00edvido colorido das flores que desabrochavam (era primavera!); observando com interesse profundo outros beb\u00eas, outras crian\u00e7as. A maternidade me levou o tempo devocional que habituava ter antes. Mas, reafirmo, temporalidade nessa fase \u00e9 outra. Eu sentia que meramente ao pensar em algu\u00e9m, estava intercedendo por essa pessoa. Sentia Deus ali, comigo naquele fluxo afetivo por aquela amiga, aquela m\u00e3e, aquele familiar que emergia em meu cora\u00e7\u00e3o; aben\u00e7oando a mim, aben\u00e7oando \u00e0 pessoa querida que ali, em mim, se fazia presente. Minha interioridade nunca foi t\u00e3o vasta, expandida. Meus sensores nunca foram t\u00e3o aptos ao inef\u00e1vel.<\/p>\n<p>Por fim, como espera-se de encontros com Deus, encontrei-me, reencontrei-me com as pessoas ao redor. Como esquecer as lindas emo\u00e7\u00f5es que vieram junto com o primeiro buqu\u00ea que recebi, ainda no mesmo dia do nascimento, na maternidade? (E que vieram junto com um lanchinho&#8230; porque, falemos a verdade, o p\u00f3s-parto e a amamenta\u00e7\u00e3o s\u00e3o sentidos fundamentalmente no est\u00f4mago!). Churrasco, j\u00e1 na segunda semana de vida do beb\u00ea. Comida trazida pronta, \u00e0 porta de casa, por mulheres do grupo de compartilhar. Viv\u00eancias de comunh\u00e3o. Aprender a aceitar, a receber, a deixar-se <strong><em>cuidar<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-426\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/09\/unspecified-3-1024x768.jpeg\" alt=\"unspecified-3\" width=\"536\" height=\"402\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/09\/unspecified-3-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/09\/unspecified-3-300x225.jpeg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/09\/unspecified-3-768x576.jpeg 768w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/09\/unspecified-3-150x113.jpeg 150w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/09\/unspecified-3.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 536px) 100vw, 536px\" \/><\/p>\n<p>&#8211; <strong>Cuidado<\/strong><\/p>\n<p>Quando comecei a ler e a ouvir outras mulheres sobre o p\u00f3s-parto, pensava que ter um filho era sobre cuidar. Engano. Ter um filho \u00e9 tamb\u00e9m sobre <em>receber<\/em> cuidados. Aben\u00e7oadas as mulheres nessa fase. Estou certa que o Deus da Vida, em sua miseric\u00f3rdia, oferece for\u00e7as extras e envolve em seu pr\u00f3prio cuidado amoroso, seu pr\u00f3prio colo aquelas mulheres que enfrentam sozinhas um momento t\u00e3o rico, t\u00e3o exaustivo, que nos reduz ao mesmo tempo que nos expande. Assim tamb\u00e9m as mulheres que enfrentam nessa fase desafios extras, quest\u00f5es de sa\u00fade f\u00edsica e emocional, delas pr\u00f3prias, do beb\u00ea, de algum ente querido pr\u00f3ximo. (Am\u00e9m!)<\/p>\n<p>Cada gesto cuidadoso que me chegava era acolhido no mais profundo da alma. Lembro-me do momento em que percebi o privil\u00e9gio do que vivia. Nunca havia me sentido t\u00e3o cuidada (claro que eu chorei ao pensar nisso)! Todo aquele afeto compunha um ninho em que eu me sentia plena. Em meio ao cansa\u00e7o, eu estava perfeitamente feliz. Ser cuidada em um momento t\u00e3o especial foi das viv\u00eancias mais <em>amorosas<\/em> que j\u00e1 tive. Em minha desestrutura, sentia-me dilu\u00edda, a ponto de confundir-me com os outros ao meu redor, de quem eu cuidava (especialmente a beb\u00ea), de quem eu recebia cuidados. Dilu\u00edda na ora\u00e7\u00e3o, que emergia anterior \u00e0 palavra e se estendia pelas fraldas trocadas, pelas muitas sonecas interrompidas, pelas caminhadas, banhos de claridade (da beb\u00ea), banhos acelerados (meus) e preocupa\u00e7\u00f5es mil. Ouso dizer: o p\u00f3s-parto me trouxe sabores e cheiros, largos e densos peda\u00e7os de <strong><em>Amor<\/em><\/strong>. Sensorial e nutritivo, isso me transformou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Eu era uma quando pari. Era outra, que viveu o p\u00f3s-parto. Sou outra que redige esse texto no agora. Busco reintegrar essas todas-que-sou-eu. Daqueles dias, guardei no cora\u00e7\u00e3o, como Maria, m\u00e3e de Cristo, fazia com o que estava al\u00e9m de sua compreens\u00e3o: a desestrutura abre espa\u00e7o ao divino; o encontro pode ser hibridismo instintivo; amar, ser cuidada, ser amada, cuidar s\u00e3o express\u00f5es de sentidos t\u00e3o profundamente pr\u00f3ximos que suas ra\u00edzes se confundem (talvez porque se alimentam da mesma Fonte). Dor, amor e cuidado em meio \u00e0 desestrutura; encontros, metamorfose: assim, a vida inicia; assim ela se sustenta. E segue, abundante&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-421\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/09\/13775438_1174288965967380_3751878068644688898_n-150x150.jpg\" alt=\"13775438_1174288965967380_3751878068644688898_n\" width=\"100\" height=\"100\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/09\/13775438_1174288965967380_3751878068644688898_n-150x150.jpg 150w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/09\/13775438_1174288965967380_3751878068644688898_n-300x300.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/09\/13775438_1174288965967380_3751878068644688898_n-768x768.jpg 768w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/09\/13775438_1174288965967380_3751878068644688898_n-80x80.jpg 80w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/09\/13775438_1174288965967380_3751878068644688898_n.jpg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 100px) 100vw, 100px\" \/><strong>*Priscila Vieira<\/strong> \u00e9 doutora em Comunica\u00e7\u00e3o e Cultura pela ECO\/UFRJ, e P\u00f3s-doutoranda na School of Arts do Birkbeck College, na Universidade de Londres. Foi fundadora do grupo base da Alian\u00e7a B\u00edblica Universit\u00e1ria (ABUB) em Ponta Grossa (PR) e membro da Rede FALE. \u00c9 <em>International Partner<\/em> da <em>Allsouls,<\/em> Langham Place, onde frequenta o Aroma &#8211; estudo b\u00edblico de\/para\/com mulheres.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>Refer\u00eancias:<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> Em casa, servi\u00e7o gratuito do Sistema Nacional de Sa\u00fade do Reino Unido (NHS). Durante as primeiras semanas, m\u00e3e e beb\u00ea recebem v\u00e1rias visitas das parteiras.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[2]<\/a> GUTMAN, Laura. <strong>A maternidade e o encontro com a pr\u00f3pria sombra.<\/strong> Rio de Janeiro: Best Seller, 2010.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Leia tamb\u00e9m:<\/p>\n<p>+ <a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/2016\/06\/12\/dormi-gravida-acordei-mae-ou-quase-relato-de-um-parto-um-pouco-atipico-um-tanto-onirico\/\">Dormi gr\u00e1vida e acordei m\u00e3e (ou quase): relato de um parto um pouco at\u00edpico, um tanto on\u00edrico<\/a><\/p>\n<p>+ <a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/2014\/03\/10\/mulheres-que-dirigem\/\">Mulheres que dirigem<\/a><\/p>\n<p>+ <a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/2015\/03\/08\/duas-historias-de-luta-e-esperanca-no-dia-internacional-da-mulher\/\">Duas hist\u00f3rias de luta e esperan\u00e7a no Dia Internacional da Mulher<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Sobre desestrutura e encontros; cuidado e amor &nbsp; Por Priscila Vieira* &nbsp; Exaust\u00e3o. Maravilhamento. Espanto. Amor. Ternura. Fome. Medo. Preocupa\u00e7\u00e3o. Dor&#8230; Algumas sensa\u00e7\u00f5es que me tomaram nos primeiros dias com a beb\u00ea. A minha sensibilidade \u00e0 flor da pele gerou at\u00e9 piada. As profissionais de sa\u00fade que visitam as m\u00e3es e os rec\u00e9m-nascidos[1] s\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":42,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[116],"tags":[16539,5779,24890,199],"class_list":["post-420","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog","tag-maternidade","tag-mulher","tag-parto","tag-priscila"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/420","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/42"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=420"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/420\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":430,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/420\/revisions\/430"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=420"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=420"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=420"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}