{"id":403,"date":"2016-08-08T16:03:47","date_gmt":"2016-08-08T16:03:47","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/?p=403"},"modified":"2016-08-08T16:06:15","modified_gmt":"2016-08-08T16:06:15","slug":"professor-ganha-mal-veja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/2016\/08\/08\/professor-ganha-mal-veja\/","title":{"rendered":"Professor ganha mal, Veja"},"content":{"rendered":"<p><em>Em resposta a Cl\u00e1udio de Moura Castro &#8211; Veja, 27\/07\/2016<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por <strong>Marina Avelar<\/strong>*<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_407\" style=\"width: 399px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-407\" class=\" wp-image-407\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/08\/479845158_3098f646c9_z.jpg\" alt=\"Foto: Samory Pereira Santos\" width=\"389\" height=\"292\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/08\/479845158_3098f646c9_z.jpg 500w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/08\/479845158_3098f646c9_z-300x225.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/08\/479845158_3098f646c9_z-150x113.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 389px) 100vw, 389px\" \/><p id=\"caption-attachment-407\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Samory Pereira Santos<\/p><\/div>\n<p>Professor ganha mal? Apesar do t\u00edtulo em formato de pergunta, desconfio que o artigo de Cl\u00e1udio de Moura Castro recentemente publicado pela revista Veja,\u00a0nunca tenha tido como\u00a0objetivo, respond\u00ea-la. Escrevo aqui uma an\u00e1lise cr\u00edtica deste texto, na tentativa de retificar as desinforma\u00e7\u00f5es deliberadamente apresentadas pelo autor. Tamb\u00e9m escrevo porque acredito que n\u00e3o podemos assistir os absurdos que o governo est\u00e1 fazendo com nossa educa\u00e7\u00e3o, sob as b\u00ean\u00e7\u00e3os da grande m\u00eddia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Comecemos pela pergunta que abre o texto: professor ganha mal? Apesar de estarmos discutindo sal\u00e1rios, esta pergunta nunca recebe uma resposta com n\u00fameros ao longo de todo o texto, certamente porque o autor sabe bem que seus leitores, de classe m\u00e9dia\/alta, ficariam chocados com os valores. Vou ter que gastar um tanto de espa\u00e7o aqui para lan\u00e7ar um pouco de luz sobre o problema, para depois voltar \u00e0 cr\u00edtica do texto da Veja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Falar de financiamento e remunera\u00e7\u00e3o docente no Brasil n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Somos uma federa\u00e7\u00e3o, na qual a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 formulada e executada em regime colaborativo dos entes federados. Isso quer dizer que a Uni\u00e3o, os estados e os munic\u00edpios tem pap\u00e9is a cumprir. Na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica temos uma base legislativa federal, mas as escolas (e o contrato dos professores) s\u00e3o dos estados e munic\u00edpios. Al\u00e9m disso, h\u00e1 diferen\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o infantil, educa\u00e7\u00e3o fundamental e ensino m\u00e9dio. S\u00f3 <a href=\"http:\/\/www.guiadacarreira.com.br\/salarios\/quanto-ganha-um-professor\/\">para termos uma ideia<\/a>, os dois primeiros tem um piso salarial mensal, enquanto no ensino m\u00e9dio o piso \u00e9 por hora\/aula.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas vamos l\u00e1: o piso salarial para o professor de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica no Brasil com carga de 40 horas\/semana, estabelecido pela Uni\u00e3o, \u00e9 hoje de <a href=\"http:\/\/www.valordosalariominimo.com\/piso-salarial-dos-prof%E2%80%A6\/\">R$2135,64<\/a> (lei 11.738\/2008). Ele tem crescido nos \u00faltimos anos de acordo com o estipulado por lei. H\u00e1 poucos anos, em 2009, ele era de apenas R$950,00. Ent\u00e3o o piso que temos est\u00e1 melhor do que j\u00e1 foi, mas vamos combinar que n\u00e3o \u00e9 muito, j\u00e1 que o piso de um est\u00e1gio de engenharia do \u00faltimo ano de gradua\u00e7\u00e3o \u00e9 <a href=\"http:\/\/exame.abril.com.br\/carreira\/noticias\/quanto-ganham-os-engenheiros-no-brasil\">R$2000,00<\/a>. Mas o problema \u00e9 que fica pior, bem pior. Para come\u00e7ar, este piso \u00e9 estabelecido para 40 horas semanais, mas h\u00e1 muitos professores que n\u00e3o possuem este contrato, mas sim de 20 ou 30 horas\/semana, ganhando menos, portanto. Este piso tamb\u00e9m \u00e9 estabelecido para professores com ensino superior completo, sendo que ainda temos professores com magist\u00e9rio, que tamb\u00e9m ganham menos de R$2000,00. E, al\u00e9m de todas as limita\u00e7\u00f5es do piso, ainda h\u00e1 estados e munic\u00edpios que n\u00e3o o cumprem. E n\u00e3o \u00e9 pouco: de acordo com a CNTE, neste ano temos <a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/%E2%80%A6\/mais-da-metade-dos-estado%E2%80%A6\">14 estados n\u00e3o cumprindo o piso<\/a>. Apesar de no segundo par\u00e1grafo Castro ter reconhecido as complexidades de discutirmos o sal\u00e1rio docente, em nenhum momento ele cita os n\u00fameros. Nos diz \u201cO salario inicial no Rio \u00e9 maior que o de outras profiss\u00f5es\u201d, mas se recusa a dizer quanto \u00e9, quais s\u00e3o estas outras profiss\u00f5es a que se refere e quanto elas recebem. Parece ignorar que foi publicado um <a href=\"http:\/\/www.acaoeducativa.org.br\/desenvolvimento\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/CDES_Relat%C3%B3rio_de_Observa%C3%A7%C3%A3o_5_2014.pdf\">estudo<\/a> com dados do IBGE e PNAD que afirma que professores ganhem em m\u00e9dia metade do que ganham seus colegas de outras profiss\u00f5es com escolaridade semelhante.<\/p>\n<div id=\"attachment_406\" style=\"width: 534px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-406\" class=\" wp-image-406\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/08\/16271551659_359b1cb288_b.jpg\" alt=\"Foto: Marcos Oliveira\/Ag\u00eancia Senado\" width=\"524\" height=\"349\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/08\/16271551659_359b1cb288_b.jpg 1024w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/08\/16271551659_359b1cb288_b-300x200.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/08\/16271551659_359b1cb288_b-768x512.jpg 768w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/08\/16271551659_359b1cb288_b-150x100.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 524px) 100vw, 524px\" \/><p id=\"caption-attachment-406\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Marcos Oliveira\/Ag\u00eancia Senado<\/p><\/div>\n<p>O come\u00e7o do artigo \u00e9 ruim, mas depois fica p\u00e9ssimo. S\u00e3o v\u00e1rios saltos incoerentes que confundem o leitor. Primeiramente o autor menciona levianamente que \u201cn\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o clara entre o sal\u00e1rio do professor e o que aprendem os alunos\u201d, para ent\u00e3o tentar apresentar uma rela\u00e7\u00e3o causal (dos n\u00fameros que ele n\u00e3o nos d\u00e1) entre sal\u00e1rio docente e notas de algum teste (que ele n\u00e3o menciona, eu imagino que se refira ao IDEB), usando como exemplo os estados do Amap\u00e1 e Minas Gerais. N\u00e3o precisamos saber muito de estat\u00edstica para saber que n\u00e3o podemos fazer esta correla\u00e7\u00e3o, pois n\u00e3o foram isoladas as duas vari\u00e1veis. \u00c9 claro que os alunos, os investimentos, as escolas e as fam\u00edlias do Amap\u00e1 e de Minas n\u00e3o tem nada a ver um com o outro, as vari\u00e1veis s\u00e3o muitas, e por isso n\u00e3o podemos realizar uma correla\u00e7\u00e3o entre sal\u00e1rio docente e notas discentes em testes de larga escala.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No par\u00e1grafo seguinte, Castro novamente faz uma sequ\u00eancia de frases sem dados, s\u00f3 \u2018grandes verdades\u2019: \u201cOs sal\u00e1rios s\u00e3o at\u00e9 competitivos\u201d, \u201cEm termos internacionais gastamos bastante\u201d&#8230; Sem em nenhum momento nos dar os n\u00fameros a que se refere. Que sal\u00e1rios? Competitivos em rela\u00e7\u00e3o a que? Internacionalmente gastamos com o que em rela\u00e7\u00e3o a quem? N\u00e3o sabemos a que ele se refere. Vou me ater ao principal erro do par\u00e1grafo: compara\u00e7\u00f5es internacionais de investimento em educa\u00e7\u00e3o demandam m\u00e9tricas espec\u00edficas para n\u00e3o incorremos no absurdo de compararmos o investimento total do Brasil, com popula\u00e7\u00e3o em idade escolar <a href=\"http:\/\/www.unicef.org\/brazil\/pt\/activities.html\">59,7 milh\u00f5es<\/a> (PNAD 2013), com a Finl\u00e2ndia que tem aproximadamente <a href=\"http:\/\/www.indexmundi.com\/finland\/demographics_profile.html\">1 milh\u00e3o<\/a>. Falar de investimento per capita ou percentual do PIB tampouco \u00e9 simples, mas esta \u00faltima \u00e9 a <a href=\"http:\/\/data.uis.unesco.org\/?queryid=181\">m\u00e9trica mais usada<\/a>. Mas perceba que os pa\u00edses europeus possuem um grande PIB e uma popula\u00e7\u00e3o pequena, o que dificulta compara\u00e7\u00f5es novamente, e o contr\u00e1rio tamb\u00e9m ocorre, com pa\u00edses de pequeno PIB que acabam tendo um percentual alto investido em educa\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o necessariamente quer dizer que estejam investindo tanto assim. H\u00e1 tamb\u00e9m que se considerar o movimento de crescimento\/envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o (pa\u00edses envelhecendo ter\u00e3o cada vez menos alunos, o que vai barateando a educa\u00e7\u00e3o, e pa\u00edses com popula\u00e7\u00e3o em crescimento ter\u00e3o cada vez mais crian\u00e7as e por isso h\u00e1 que se construir escolas, contratar professores&#8230; o que demanda maior investimento). E, pra fechar, h\u00e1 a quest\u00e3o hist\u00f3rica, pa\u00edses como o Brasil ainda possuem adultos analfabetos a serem educados, crian\u00e7as ainda a serem inclu\u00eddas na escola&#8230; precisamos aumentar nosso sistema e precisamos de verba para isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas, de novo, vamos l\u00e1: o Brasil tem uma briga hist\u00f3rica com o nosso investimento em educa\u00e7\u00e3o. H\u00e1 anos brigamos para ter 10% do PIB, sendo que chegamos a 4% em 2005, h\u00e1 apenas uma d\u00e9cada, e antes girava em torno de 3% do PIB. Fomos subindo aos poucos e estamos entre 5% e 6% do PIB. Isso n\u00e3o \u00e9 tanto, e faz pouqu\u00edssimo tempo\u00a0<a href=\"http:\/\/www.worldatlas.com\/%E2%80%A6\/25-countries-spending-the-most-%E2%80%A6\">Fran\u00e7a, Alemanha e Inglaterra<\/a> ficam em torno de 5% tamb\u00e9m, mas Finl\u00e2ndia, Nova Zel\u00e2ndia, Isl\u00e2ndia, Su\u00e9cia, Noruega tem investido 7%. E ainda tem Gana, Botswana, Timor Leste com 7% ou 8%, e Lesotho liderando com 12%. N\u00e3o \u00e9 uma m\u00e9trica simples, que depende do PIB, do tamanho e idade da popula\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento hist\u00f3rico de seu sistema educacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Neste contexto, Castro tenta comparar sal\u00e1rios de professores em diferentes pa\u00edses, dizendo que est\u00e1 contando com corre\u00e7\u00e3o de custo de vida, sem nos mostrar este n\u00fameros (de novo). Tamb\u00e9m diz que h\u00e1 pa\u00edses que pagam menos e tem melhor resultado em testes, mas n\u00e3o sabemos que lugares s\u00e3o estes. N\u00e3o vou me delongar, mas o erro \u00e9 o mesmo de criar correla\u00e7\u00e3o entre sal\u00e1rios e resultados do Amap\u00e1 e Minas sem isolar vari\u00e1veis, e desta vez sem comparar com os sal\u00e1rios de outras profiss\u00f5es. E ainda contradiz a pr\u00f3pria <a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/%E2%80%A6\/salario-dos-professores-brasile%E2%80%A6\/\">revista Veja<\/a>, que recentemente publicou um estudo da <a href=\"http:\/\/www.oecd.org\/edu\/education-at-a-glance-19991487.htm\">OCDE<\/a> que diz que o Brasil tem uma das piores remunera\u00e7\u00f5es do mundo e com a maior rela\u00e7\u00e3o alunos\/professor (29 em m\u00e9dia).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-408 aligncenter\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/08\/brain-605556_960_720.jpg\" alt=\"brain-605556_960_720\" width=\"502\" height=\"356\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/08\/brain-605556_960_720.jpg 960w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/08\/brain-605556_960_720-300x212.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/08\/brain-605556_960_720-150x106.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 502px) 100vw, 502px\" \/><\/p>\n<p>Dessa fal\u00e1cia que ele fabricou, que \u201cgastamos muito e pagamos pouco\u201d, Castro vai buscar o problema da educa\u00e7\u00e3o na carreira do professor. Aten\u00e7\u00e3o aqui, este \u00e9 o ponto chave do texto: o autor trabalha com o discurso de que o problema da educa\u00e7\u00e3o \u00e9 o professor. O professor \u00e9 constantemente culpabilizado por uma falha sist\u00eamica da educa\u00e7\u00e3o, e Castro se esfor\u00e7a para convencer seu leitor disso, sem oferecer um dado e fonte sequer. Daqui at\u00e9 o fim o autor traz elucubra\u00e7\u00f5es acerca do professor e sua carreira, como se professores fossem pessoas que fazem um trabalho f\u00e1cil e gozam de benef\u00edcios imensos, e \u00e9 por isso que n\u00e3o \u00e9 importante falar que com sorte tem seu piso de R$2100 respeitados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O autor confunde ali direitos trabalhistas com privil\u00e9gios docentes. Como Castro n\u00e3o mencionou at\u00e9 aqui quanto ganha o professor, o leitor pode estar imaginando que professores se aposentem com um sal\u00e1rio integral de v\u00e1rios milhares de reais. Mas n\u00e3o, professores tem um sal\u00e1rio baixo e \u2018aposentar com sal\u00e1rio integral\u2019 n\u00e3o quer dizer que continuem recebendo o mesmo, j\u00e1 que professores, como servidores p\u00fablicos, tem seus sal\u00e1rios aumentados com atribui\u00e7\u00f5es adicionais, que n\u00e3o alteram seu sal\u00e1rio base, como promo\u00e7\u00f5es ou adicionais por p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Portanto, estas atribui\u00e7\u00f5es n\u00e3o contam para a aposentadoria<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Depois Castro apresenta uma conta absurda e absolutamente hipot\u00e9tica. Questiona as f\u00e9rias dos professores, e ainda erra na conta pois o recesso n\u00e3o \u00e9 f\u00e9rias, j\u00e1 que h\u00e1 reuni\u00f5es e planejamentos; soma licen\u00e7as-pr\u00eamios que muitas vezes nunca ser\u00e3o tiradas, intervalo de Natal que j\u00e1 est\u00e1 contado nas f\u00e9rias&#8230; Inacreditavelmente, at\u00e9 licen\u00e7as-maternidade entraram na conta! Disso tudo, grande parte do tempo somado tamb\u00e9m estaria inclu\u00eddo nos benef\u00edcios da CLT (como 30 dias de f\u00e9rias). Castro ent\u00e3o fabrica o n\u00famero descabido de que professores trabalhem 6 a 11,5 anos a menos que todos os outros cidad\u00e3os, eis aqui seu esfor\u00e7o de colocar o leitor contra o professor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fechando o c\u00famulo da afirma\u00e7\u00e3o sem evid\u00eancia, o autor afirma que esteja &#8220;cabalmente demonstrado que tais diplomas (mestrado e doutorado) n\u00e3o melhoram o rendimento dos alunos&#8221;. Cabalmente onde e por quem? Parece que n\u00e3o precisamos saber. O por\u00e9m \u00e9 que desde a d\u00e9cada de 1960 h\u00e1 pesquisadores que afirmam que dentre as vari\u00e1veis escolares, a <a href=\"http:\/\/educationnext.org\/the-mystery-of-good-teaching\">forma\u00e7\u00e3o dos professores<\/a>, incluindo os diplomas de p\u00f3s gradua\u00e7\u00e3o, seja a vari\u00e1vel com maior impacto sobre o desempenho dos alunos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por fim, o autor nos traz o batido discurso da falta de meritocracia na carreira docente e o excesso de professores nas redes p\u00fablicas. Ignora o fato de que faltem professores, de que professores adoe\u00e7am pelo excesso de trabalho e falta de suporte, de que jovens estejam desistindo da carreira docente&#8230; Mas nada disso importa, tampouco importam dados e uma discuss\u00e3o honesta sobre a educa\u00e7\u00e3o. O objetivo deste artigo \u00e9 claro: propagar o discurso de que o professor seja o culpado de uma educa\u00e7\u00e3o de baixa qualidade, e abrir caminho para reformas j\u00e1 propostas ou em andamento, como a derrubada do piso salarial nacional. E isso a gente n\u00e3o pode deixar quieto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-405 alignleft\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/08\/12279131_1161742727187717_7329976122359955238_n.jpg\" alt=\"12279131_1161742727187717_7329976122359955238_n\" width=\"106\" height=\"106\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/08\/12279131_1161742727187717_7329976122359955238_n.jpg 652w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/08\/12279131_1161742727187717_7329976122359955238_n-150x150.jpg 150w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/08\/12279131_1161742727187717_7329976122359955238_n-300x300.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2016\/08\/12279131_1161742727187717_7329976122359955238_n-80x80.jpg 80w\" sizes=\"auto, (max-width: 106px) 100vw, 106px\" \/><\/p>\n<p>*<strong>Marina Avelar<\/strong> \u00e9\u00a0Doutoranda no UCL Institute of Education \u2013 University of London, onde pesquisa o trabalho da filantropia empresarial na pol\u00edtica educacional. Anteriormente, cursou pedagogia e mestrado em educa\u00e7\u00e3o na Unicamp. \u00c9 <em>International Partner<\/em> da Igreja <em>Allsouls,<\/em> em Londres, onde foi l\u00edder do minist\u00e9rio com estudantes internacionais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>Leia tamb\u00e9m:<\/p>\n<p>+ <a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/2014\/03\/18\/outro-terco\/\">Outro Ter\u00e7o<\/a><\/p>\n<p>+ <a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/2014\/05\/17\/a-ditadura-e-os-pobres\/\">A ditadura e os pobres<\/a><\/p>\n<p>+ <a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/2014\/03\/28\/ditadura-nunca-mais\/\">Ditadura Nunca Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em resposta a Cl\u00e1udio de Moura Castro &#8211; Veja, 27\/07\/2016 &nbsp; Por Marina Avelar* &nbsp; Professor ganha mal? Apesar do t\u00edtulo em formato de pergunta, desconfio que o artigo de Cl\u00e1udio de Moura Castro recentemente publicado pela revista Veja,\u00a0nunca tenha tido como\u00a0objetivo, respond\u00ea-la. Escrevo aqui uma an\u00e1lise cr\u00edtica deste texto, na tentativa de retificar as [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":42,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[9883],"tags":[5442,5452,131,20913,20915,123,15823],"class_list":["post-403","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dialogos","tag-desigualdade","tag-dialogo","tag-educacao","tag-esquerda-e-direita","tag-liberalismo-economico","tag-pobreza","tag-professores"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/403","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/42"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=403"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/403\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":417,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/403\/revisions\/417"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=403"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=403"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=403"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}