{"id":36,"date":"2014-03-11T04:08:20","date_gmt":"2014-03-11T04:08:20","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/?p=36"},"modified":"2014-03-17T01:23:10","modified_gmt":"2014-03-17T01:23:10","slug":"dignidade-convite-ao-dialogo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/2014\/03\/11\/dignidade-convite-ao-dialogo\/","title":{"rendered":"Dignidade! &#8211; Convite ao Di\u00e1logo"},"content":{"rendered":"<p align=\"right\"><i>&#8230;se estes se calarem, as pr\u00f3prias pedras clamar\u00e3o. <\/i><\/p>\n<p align=\"right\">Lc 19:40<\/p>\n<p>Uma imagem veio \u00e0 mente quando conversava sobre a proposta do blog Dignidade!. \u00c9 a imagem abaixo da obra Solil\u00f3quio<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/ALEXANDRE\/Desktop\/blog\/artigo%201_soliloquio%20e%20convite.docx#_ftn1\">[1]<\/a> (1995) do escultor Jos\u00e9 Damasceno.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2014\/02\/soliloquio.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-37 alignright\" alt=\"soliloquio\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2014\/02\/soliloquio-300x178.jpg\" width=\"300\" height=\"178\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2014\/02\/soliloquio-300x178.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2014\/02\/soliloquio-150x89.jpg 150w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2014\/02\/soliloquio.jpg 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Duas cadeiras colocadas uma frente \u00e0 outra nas extremidades de uma mesa. Entre elas pedras, muitas pedras. Lembro do dia em que ao visitar o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro vi a obra. Tirei v\u00e1rias fotos, de v\u00e1rios \u00e2ngulos, foi algo que me mobilizou.<\/p>\n<p>Damasceno afirma que &#8220;Talvez a arte possa ent\u00e3o operar um movimento indagador, uma curiosidade inquietante, um deslocamento que ofere\u00e7a novas visadas, novos olhares, contribuindo com formas acess\u00edveis de se enriquecer o pensamento, para que possamos descobrir o arco de possibilidades que o ato po\u00e9tico, que sempre \u00e9 pol\u00edtico, pode oferecer&#8221; (Revista Arte &amp; Ensaio, 2006, p. 83<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/ALEXANDRE\/Desktop\/blog\/artigo%201_soliloquio%20e%20convite.docx#_ftn2\">[2]<\/a>).<!--more--><\/p>\n<p>Estes novos olhares, estas novas visadas que o artista se refere passam pelas oportunidades de encontro. Pela afirma\u00e7\u00e3o dos di\u00e1logos e da dignidade humana. As impress\u00f5es e sensa\u00e7\u00f5es que a obra de Damasceno mobilizam s\u00e3o tremendas. Como a imagem de sua obra expressa, parece ser poss\u00edvel falar para ningu\u00e9m, somente para n\u00f3s mesmos. As pedras podem ocupar nossas mentes, nossas m\u00e3os e nosso cora\u00e7\u00e3o. Pedras que nos isolam e que at\u00e9 podem trazer uma sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a\/defesa; mas que s\u00e3o, de fato, a representa\u00e7\u00e3o de uma situa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o-comunica\u00e7\u00e3o, isolamento, um situar-nos fora do di\u00e1logo, alheios ao col\u00f3quios, dentro de um solil\u00f3quio.<\/p>\n<p>Solil\u00f3quios e col\u00f3quios podem acontecer em diferentes espa\u00e7os, mesmo nas redes sociais ou em Blogs como este; na vida real e na virtual. Quando se satanizam espa\u00e7os, se negam possibilidades, esquece-se que os solil\u00f3quios est\u00e3o em locais em que h\u00e1 paredes de separa\u00e7\u00e3o, est\u00e3o onde n\u00e3o se constroem pontes. Isso pode se dar seja no ciberespa\u00e7o, como tamb\u00e9m no cotidiano de nossas exist\u00eancias. A n\u00e3o disposi\u00e7\u00e3o ao di\u00e1logo pode, at\u00e9 mesmo, levar que as pr\u00f3prias barreiras se tornem ve\u00edculos para expressar tantas coisas, at\u00e9 mesmo a grandeza de Deus. A imagem se reveste, assim, de um sentido ainda mais potente: \u201cpedras que clamam\u201d.<\/p>\n<p>As pedras podem produzir sombras, mas tamb\u00e9m gerar luz que desperta a consci\u00eancia da alma? As contradi\u00e7\u00f5es e ambival\u00eancias das pedras que servem para estabelecer funda\u00e7\u00f5es\u00a0 como, por exemplo, as t\u00e1buas da lei que representavam escritas civilizat\u00f3rias em pedras que objetivavam gerar dignidades e direitos coletivos relacionados ao bem comum e um bem viver entre pessoas, fam\u00edlias, comunidade tribal com possibilidade de se tornar \u00edcone imag\u00e9tico de reden\u00e7\u00e3o e gra\u00e7a (N\u00e3o era esse o chamado de Israel? Um povo constru\u00eddo por oralidade que narrava hist\u00f3rias de memoriais de pedra que lembravam momentos de arrependimento, recome\u00e7o e reconstru\u00e7\u00e3o &#8211; muros ca\u00eddos, oportunidades de reconstru\u00e7\u00e3o de identidades p\u00f3s di\u00e1sporas).<\/p>\n<p>Paradoxalmente, pedras que manifestam as incoer\u00eancias e intoler\u00e2ncias humanas nos apedrejamentos t\u00e3o bem retratados pelos narradores b\u00edblicos e na constru\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de apedrejamentos \u00e9tnicos, sexuais, religiosos e filos\u00f3ficos. Na contemporaneidade, pedras que constroem os muros que garantem o sil\u00eancio e a seguran\u00e7a nos condom\u00ednios e pr\u00e9dios, mas que constroem centros urbanos destitu\u00eddos das suas \u00e1goras e favorecem a constitui\u00e7\u00e3o das ruas como os espa\u00e7os c\u00edvicos participativos. Pedras que servem como memorial e mem\u00f3ria das desigualdades de posi\u00e7\u00e3o e ocupa\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-espacial das \u00e1reas metropolitanas brasileiras e outras que s\u00e3o met\u00e1foras das vidas esfaceladas pela dispers\u00e3o e pela segrega\u00e7\u00e3o planejada nas pranchetas dos urbanistas, nas agendas dos propriet\u00e1rios de terras e dos mercados imobili\u00e1rios, mas tamb\u00e9m nos encontros e\u00a0 desencontros dos gestores das urbis.<\/p>\n<p>Enfim, corpos que podem ser tornar pedras de edifica\u00e7\u00e3o na m\u00e3o do Construtor ou\u00a0 objetos de destrui\u00e7\u00e3o e ruptura fundamentalista nas m\u00e3os raivosas dos n\u00e9scios da contemporaneidade. Corpos que traduzem \u201cas muralhas erguidas em torno da capacidade de percep\u00e7\u00e3o\u201d (Sennet, 2008) ou que aceitam o convite de olhar e ver \u201cE, olhando, viram que j\u00e1 a pedra estava revolvida; e era ela muito grande\u201d (Marcos 16:4).<\/p>\n<p>Somos convidados a construir, como dizia o arquiteto Portoghesi, recintos de solidariedade, caminhos de alegria em que seja poss\u00edvel o encontro. Nosso convite \u00e9 que preenchamos de col\u00f3quios a terra e o ciberespa\u00e7o, que este Blog seja uma oportunidade de di\u00e1logos abertos, em que possamos deixar nossas pedras de lado; elas n\u00e3o precisam clamar, pois somos capazes de nos expressar, de construir reflex\u00f5es e pontes de di\u00e1logo em prol da Dignidade Humana.<\/p>\n<p>Que possamos juntos remover as pedras da injusti\u00e7a social, da insensibilidade e da intoler\u00e2ncia, permitindo que A Pedra da restaura\u00e7\u00e3o, Jesus, inspire novos di\u00e1logos e respire novas gram\u00e1ticas relacionais nos nosso campos e espa\u00e7os de ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Alexandre Brasil Fonseca<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(Este texto foi resultado da observa\u00e7\u00e3o e de coment\u00e1rios sobre a obra de Jos\u00e9 Damasceno a partir de um \u00e1lbum de fotografia postado na Internet. O texto foi montado com base no di\u00e1logo entre Angelit Guzm\u00e1n Ch\u00e1vez e Alexandre Brasil Fonseca em agosto de 2011 e coment\u00e1rios de Daniela Frozi e de Leides Moura no in\u00edcio de 2014)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div><br clear=\"all\" \/><\/p>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/ALEXANDRE\/Desktop\/blog\/artigo%201_soliloquio%20e%20convite.docx#_ftnref1\">[1]<\/a> <a href=\"http:\/\/www.infoescola.com\/comunicacao\/soliloquio\/\">http:\/\/www.infoescola.com\/comunicacao\/soliloquio\/<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/ALEXANDRE\/Desktop\/blog\/artigo%201_soliloquio%20e%20convite.docx#_ftnref2\">[2]<\/a> <a href=\"http:\/\/sandravieirajurgens.files.wordpress.com\/2004\/07\/svj_conversa-com-josc3a9-damasceno_revista-arte-ensaios.pdf\">http:\/\/sandravieirajurgens.files.wordpress.com\/2004\/07\/svj_conversa-com-josc3a9-damasceno_revista-arte-ensaios.pdf<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/ALEXANDRE\/Desktop\/blog\/artigo%201_soliloquio%20e%20convite.docx#_ftnref3\">[3]<\/a> Sennet, R. Carne e pedra: o corpo e a cidade na civiliza\u00e7\u00e3o ocidental.\u00a0 Rio de Janeiro: Best bolso; 2008.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8230;se estes se calarem, as pr\u00f3prias pedras clamar\u00e3o. Lc 19:40 Uma imagem veio \u00e0 mente quando conversava sobre a proposta do blog Dignidade!. \u00c9 a imagem abaixo da obra Solil\u00f3quio[1] (1995) do escultor Jos\u00e9 Damasceno. Duas cadeiras colocadas uma frente \u00e0 outra nas extremidades de uma mesa. Entre elas pedras, muitas pedras. 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