{"id":265,"date":"2015-03-04T13:35:54","date_gmt":"2015-03-04T13:35:54","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/?p=265"},"modified":"2015-03-04T16:01:02","modified_gmt":"2015-03-04T16:01:02","slug":"a-idolatria-dode-mercado-contra-a-teologia-politica-neoliberal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/2015\/03\/04\/a-idolatria-dode-mercado-contra-a-teologia-politica-neoliberal\/","title":{"rendered":"A idolatria do(de) Mercado: contra a teologia pol\u00edtica neoliberal"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em resposta a cinco teses pol\u00edticas do te\u00f3logo reformado Franklin Ferreira<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2015\/03\/moneybags.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-275 size-medium\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2015\/03\/moneybags-300x188.jpg\" alt=\"moneybags\" width=\"300\" height=\"188\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2015\/03\/moneybags-300x188.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2015\/03\/moneybags-150x94.jpg 150w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2015\/03\/moneybags.jpg 657w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Como ser liberal e conservador ao mesmo tempo? Simples, basta que ambas as palavras se refiram a esferas<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a> diferentes do mundo, e da vida, que a conta fecha. Ou pelo menos convence boa parte dos leitores e do p\u00fablico evang\u00e9lico em geral. Essa parece ser a nova posi\u00e7\u00e3o defendida pelo te\u00f3logo brasileiro Franklin Ferreira: teologicamente conservador (ortodoxo, ou reformado); e politicamente liberal \u2013 no sentido <em>econ\u00f4mico<\/em>, apenas. Nesta s\u00e9rie de textos, vou responder aos cinco principais argumentos de Franklin em alguns de seus posts recentes<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a> na revista <a href=\"http:\/\/www.teologiabrasileira.com.br\">Teologia Brasileira<\/a>, demonstrando a fragilidade conceitual de sua posi\u00e7\u00e3o. Nestes textos o autor procura fazer um convite aos crist\u00e3os para ades\u00e3o a um sistema ideol\u00f3gico: o <em>liberalismo econ\u00f4mico<\/em>. Isso fica claro ao ler ao menos dois de seus textos em sequencia. O <a href=\"http:\/\/www.teologiabrasileira.com.br\/teologiadet.asp?codigo=381\">primeiro post<\/a>\u00a0a que me refiro, abre o tema com uma compara\u00e7\u00e3o limitada entre os conceitos atuais de \u201cesquerda\u201d e \u201cdireita\u201d. J\u00e1 o <a href=\"http:\/\/www.teologiabrasileira.com.br\/teologiadet.asp?codigo=392\">segundo<\/a>, onde o autor rev\u00ea e atenua algumas de suas posi\u00e7\u00f5es no primeiro, se encerra com uma bela cita\u00e7\u00e3o do te\u00f3logo neo-ortodoxo Karl Barth, alertando os crist\u00e3os para os perigos de se permitir que uma posi\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-pol\u00edtica \u2013 ou <em>ideol\u00f3gica<\/em> \u2013 seja superior a sua pr\u00f3pria f\u00e9. Finalmente, coloca em pauta o objeto de pancadaria do autor: socialismo, segundo ele, \u201cvis\u00e3o de mundo rival do cristianismo\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Contudo, gostaria de deixar bem claro que todos os argumentos aqui expostos se dirigem contra as ideias do autor a quem me refiro, e n\u00e3o contra sua pessoa. Isso deveria ser \u00f3bvio mas, nesse caso, merece ser dito preliminarmente, por uma simples raz\u00e3o: considero o te\u00f3logo Franklin Ferreira um amigo pessoal \u2013 um irm\u00e3o. Fui seu <em>disc\u00edpulo<\/em> \u2013 no sentido integral em que a palavra \u00e9 empregada no contexto protestante brasileiro. Quando adolescente, e ainda rec\u00e9m convertido ao Cristianismo, me juntei a um seleto grupo de quatro jovens com quem o ent\u00e3o seminarista Franklin Ferreira organizava estudos b\u00edblicos e debates teol\u00f3gicos, exibi\u00e7\u00e3o de filmes e futebol \u2013 as duas \u00faltimas atividades contavam com um grupo maior de 20 pessoas&#8230;afinal, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil chamar jovens para ler e discutir um catecismo numa sexta-feira a tarde. Al\u00e9m disso, se trata de um autor exemplar: ainda novo, sua obra j\u00e1 conta com in\u00fameras publica\u00e7\u00f5es, dentre elas uma das poucas obras de Teologia Sistem\u00e1tica escrita por um autor brasileiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Confesso, ainda, ao iniciar essa s\u00e9rie de postagens no <em>Dignidade!<\/em>, que relutei muito em responder a Franklin: talvez pelo peso de telo tido como referencia teol\u00f3gica; ou talvez pelo simples trabalho de articular uma resposta aos seus textos \u2013 que trazem referencias de primeira e segunda m\u00e3o meticulosamente trabalhadas, exigindo esfor\u00e7o de quem se presta a uma resposta. Mas decidi encarar a tarefa por dois motivos. Em primeiro lugar, porque h\u00e1 aproximadamente 6 anos, travei um longo debate com o autor e outros interlocutores, neste tema \u2013 um debate que se estendeu por quase 3 anos, e de onde parece ter se originado boa parte dos argumentos que ele levanta nos seus textos atuais. O debate havia se iniciado pelo incomodo que senti, a \u00e9poca, ao ver que dois ou tr\u00eas l\u00edderes eclesi\u00e1sticos influentes no meio dito <em>crist\u00e3o reformado<\/em>, aderiam sem reservas as ideologias neoliberais dispon\u00edveis no mercado pol\u00edtico norte-americano \u2013 no caso aderiam ao que se denomina <em>republican<\/em> <em>and<\/em> <em>conservatives<\/em>, nos EUA.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em segundo lugar, a resposta segue porque boa parte dos argumentos que ele traz acabam se reproduzindo para dentro e al\u00e9m deste universo crist\u00e3o reformado, um contexto no qual cresci e do qual boa parte dos meus amigos faz parte \u2013 jovens que ele ataca como parte de uma \u201cGera\u00e7\u00e3o Coca-cola\u201d, e que recentemente utilizaram destes argumentos em discuss\u00e3o comigo nas redes sociais. Ali\u00e1s, ambos os textos chegaram a mim por parte deles: um me acusou de ser um cidad\u00e3o de \u201cclasse m\u00e9dia alta\u201d que n\u00e3o sabe nada do Brasil, por gozar de uma bolsa no exterior; e o outro, equiparava nazismo e comunismo, atacando o governo atual, petista, como sendo mais ou menos as duas coisas ao mesmo tempo. Mas vamos aos textos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em <em><a href=\"http:\/\/www.teologiabrasileira.com.br\/teologiadet.asp?codigo=381\">Espectro pol\u00edtico, mentes cativas e idolatria<\/a><\/em>, Franklin defende, como tese central, a ideia de que \u00e9 praticamente imposs\u00edvel ser crist\u00e3o e socialista. A op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica pelo socialismo, al\u00e9m de ser sempre a escolha por um regime pol\u00edtico autorit\u00e1rio \u2013 e assassino \u2013, seria um tipo de heresia que substituiria, necessariamente, Deus pelo Estado. J\u00e1 no segundo texto, <em><a href=\"http:\/\/www.teologiabrasileira.com.br\/teologiadet.asp?codigo=392\">Totalitarismo, o culto do Estado e a liberdade do evangelho<\/a><\/em>, ap\u00f3s atenuar alguns dos argumentos do primeiro texto \u2013 revisitando, por exemplo, o <em>Diagrama de Nolan<\/em><a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[4]<\/a> \u2013, o autor sustenta que n\u00e3o h\u00e1 partido propriamente \u201cde direita\u201d no Brasil, e at\u00e9 que nunca houve um governo de fato\u00a0<em>liberal<\/em> na hist\u00f3ria do pa\u00eds\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Franklin faz isso atrav\u00e9s de cinco teses centrais, que passo aqui a explicitar, e rebater:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>1) <em>a direita n\u00e3o pode ser autorit\u00e1ria: ao colocar o indiv\u00edduo e a garantia as liberdades individuais em primeiro plano, n\u00e3o haveria possibilidade de um regime ser ao mesmo tempo autorit\u00e1rio e de direita.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os regimes pol\u00edticos geralmente classificados como <em>extrema direita<\/em>, para Franklin, o s\u00e3o por equ\u00edvoco, por uma mera \u201ccontradi\u00e7\u00e3o entre defini\u00e7\u00e3o conceitual e realidade hist\u00f3rica\u201d: a direita, digamos, pura, seria somente aquela que adere ao <em>liberalismo econ\u00f4mico<\/em>, garantindo propriedade privada, direitos individuais e elei\u00e7\u00f5es livres aos cidad\u00e3os. Por outro lado, nessa leitura, todo totalitarismo seria \u201cesquerda\u201d, no qual se encaixariam tanto os regimes comunistas, como os nazistas e fascistas. A estrat\u00e9gia do autor \u00e9 tentadora: ao adotar um conceito diferente de <em>direita<\/em> e <em>esquerda<\/em>, a primeira aparece como a \u00fanica op\u00e7\u00e3o realmente democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 com essa perspectiva que Franklin comete seu primeiro erro conceitual: h\u00e1 uma diferen\u00e7a significativa entre <em>totalitarismo<\/em> e <em>autoritarismo<\/em> que passa batida pelo texto do autor. Embora ele fa\u00e7a cita\u00e7\u00f5es<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[5]<\/a> que fazem o leitor acreditar que compreende a diferen\u00e7a entre os termos, Franklin se det\u00e9m apenas a explicar o primeiro, <em>totalitarismo<\/em>, ignorando o segundo, o <em>autoritarismo<\/em> \u2013 o mais relevante para compreendermos a associa\u00e7\u00e3o entre <em>fascismo<\/em> e <em>liberalismo econ\u00f4mico<\/em> na Am\u00e9rica Latina, como vou argumentar mais a frente. <em>Totalitarismo<\/em>, em linhas gerais, se refere aos regimes pol\u00edticos de partido \u00fanico, onde o Estado molda toda a sociedade e a absorve em si; enquanto <em>autoritarismo<\/em> se refere a pr\u00e1ticas e governos antidemocr\u00e1ticas, de poder concentrado num indiv\u00edduo (ditador) ou numa junta governamental \u2013 ou ainda, em monop\u00f3lios e oligop\u00f3lios corporativos \u2013, e que podem existir ao mesmo tempo que pr\u00e1ticas de livre mercado e elei\u00e7\u00f5es relativamente livres.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No entanto, ainda que ignor\u00e1ssemos o erro conceitual de Franklin no debate, sua estrat\u00e9gia de adotar um novo conceito para salvar sua posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica cai por terra facilmente, diante da realidade hist\u00f3rica. Isso fica mais claro no <a href=\"http:\/\/www.teologiabrasileira.com.br\/teologiadet.asp?codigo=392\">segundo texto<\/a>\u00a0que analisamos aqui, quando observamos o uso que o autor se prop\u00f5e a fazer do Diagrama de Nolan que, por sua vez, demonstra a possibilidade de uma posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, por exemplo, <em>libert\u00e1ria<\/em> e de <em>esquerda<\/em> (nesse caso, por defini\u00e7\u00e3o, <em>anarquista<\/em>). Mesmo diante do esquema visual, o autor insiste em ignorar a exist\u00eancia desse tipo de posi\u00e7\u00e3o. Para ele apenas a direita \u2013 em estado hipoteticamente <em>puro<\/em> e <em>liberal<\/em>, como veremos a seguir \u2013 \u00e9 capaz de garantir um bom estado e governo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por outro lado, a tese teol\u00f3gico-pol\u00edtica central de Franklin parece ignorar tamb\u00e9m a exist\u00eancia e as consequ\u00eancias do que podemos chamar de uma \u201cteologia pol\u00edtica\u201d<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[6]<\/a> secular: algo que tem ocupado o centro dos debates da teoria pol\u00edtica e do direito p\u00fablico, durante praticamente todo o s\u00e9culo XX. Mas n\u00e3o h\u00e1 nenhuma men\u00e7\u00e3o nos textos de Franklin, por exemplo, as obras de Carl Schmidt<a href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\">[7]<\/a>, ao seu extenso debate com Hans Kelsen<a href=\"#_edn8\" name=\"_ednref8\">[8]<\/a> sobre <em>Constitu\u00e7\u00e3o e Soberania<\/em> e sobretudo \u2013 e talvez de maneira mais importante \u2013, ao debate sobre o conceito de <em>Estado de Exce\u00e7\u00e3o<\/em>: justamente o dispositivo constitucional, ao mesmo tempo jur\u00eddico e pol\u00edtico, que garante a possibilidade de regimes <em>economicamente liberais<\/em> (e supostamente democr\u00e1ticos) se tornarem autorit\u00e1rios, justificando a suspens\u00e3o de garantias e direitos individuais fundamentais, em nome da seguran\u00e7a nacional e\/ou da economia<a href=\"#_edn9\" name=\"_ednref9\">[9]<\/a>. Talvez seja por ignorar a no\u00e7\u00e3o e o uso hist\u00f3rico (e mesmo recente, no caso brasileiro) de medidas de exce\u00e7\u00e3o; ou por ignorar qualquer tipo de teologia pol\u00edtica que n\u00e3o seja aquela produzida por \u201ccrentes\u201d, que Franklin acabe se confundindo, e n\u00e3o percebendo a possibilidade, a exist\u00eancia e as caracter\u00edsticas hist\u00f3ricas de um <em>m\u00e9todo liberal de governo autorit\u00e1rio<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas esses n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos problemas com a primeira tese de Franklin. Ao tentar recha\u00e7ar um <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/conteudo\/de-esquerda-ou-de-direita-sejamos-inteligentes-e-cristaos\">argumento de Paul e Raphael Freston<\/a><a href=\"#_edn10\" name=\"_ednref10\">[10]<\/a>\u00a0sobre o tema, o autor comete outro erro grave no debate pol\u00edtico: atribui aos seus advers\u00e1rios o mesmo artif\u00edcio que emprega. Franklin alega que os socialistas geralmente comparam o <em>socialismo ut\u00f3pico<\/em> com o <em>capitalismo real<\/em>, dando obviamente preferencia ao primeiro; quando deveriam comparar o \u201csocialismo real\u201d \u2013 no caso, os pa\u00edses ditos comunistas, alinhados com a antiga URSS \u2013 com o capitalismo real. Entretanto, Franklin parece fazer exatamente a mesma coisa em sua defesa do <em>liberalismo econ\u00f4mico<\/em> e, por tabela, do sistema capitalista de produ\u00e7\u00e3o: ele compara os pa\u00edses comunistas decadentes ao que podemos chamar de um <em>liberalismo ut\u00f3pico<\/em>. Nesse ponto, sua teoria (ou teologia) parece se deslocar completamente da realidade, ignorando que pa\u00edses liberais tiveram \u2013 e tem! \u2013 col\u00f4nias, que impuseram sua for\u00e7a e domina\u00e7\u00e3o a outros pa\u00edses de maneira pecaminosa, exterminando povos, culturas e civiliza\u00e7\u00f5es em nome da introdu\u00e7\u00e3o e defesa do seu \u201clivre mercado\u201d. Parece que casos de autoritarismo e tortura em solo nacional, assim como o financiamento de ditaduras e do terrorismo internacional por pa\u00edses <em>economicamente liberais<\/em>, como os Estados Unidos da Am\u00e9rica (EUA), ou o Reino Unido (UK), nunca existiram para Franklin \u2013 apenas a t\u00edtulo de exemplo, vale lembrar o envolvimento do Reino Unido nos casos de tortura de irlandeses tanto em processo aberto ainda na d\u00e9cada de 1970, e reaberto recentemente, sob o t\u00edtulo <em>Ireland v UK (Five Techniques)<\/em><a href=\"#_edn11\" name=\"_ednref11\">[11]<\/a>, quanto no famoso caso <em>The Guilford Four<\/em><a href=\"#_edn12\" name=\"_ednref12\">[12]<\/a>; do lado dos EUA, h\u00e1 in\u00fameros casos que poderiam ser citados aqui, mas para os prop\u00f3sitos deste texto, gostaria de relembrar apenas, o assassinato do Comandante do Ex\u00e9rcito Chileno, o General Ren\u00e9 Schneider<a href=\"#_edn13\" name=\"_ednref13\">[13]<\/a>, e o atual e problem\u00e1tico caso de <em>Guant\u00e1namo<\/em>, um campo de concentra\u00e7\u00e3o <em>p\u00f3s-moderno<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2015\/03\/Punch_Rhodes_Colossus-http-en.wikipedia.orgwikiCecil_Rhodes.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-276 size-medium\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2015\/03\/Punch_Rhodes_Colossus-http-en.wikipedia.orgwikiCecil_Rhodes-231x300.png\" alt=\"Punch_Rhodes_Colossus - http-::en.wikipedia.org:wiki:Cecil_Rhodes\" width=\"231\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2015\/03\/Punch_Rhodes_Colossus-http-en.wikipedia.orgwikiCecil_Rhodes-231x300.png 231w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2015\/03\/Punch_Rhodes_Colossus-http-en.wikipedia.orgwikiCecil_Rhodes-790x1024.png 790w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2015\/03\/Punch_Rhodes_Colossus-http-en.wikipedia.orgwikiCecil_Rhodes-115x150.png 115w\" sizes=\"auto, (max-width: 231px) 100vw, 231px\" \/><\/a><\/p>\n<p>(Imagem: O Colosso de Rhodes &#8211;\u00a0<i><a class=\"extiw\" title=\"w:The Rhodes Colossus\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/The_Rhodes_Colossus\">The Rhodes Colossus<\/a>, <\/i>de 1892: charge retratando Cecil John Rodes, esticando seus p\u00e9s e poderio sobre o continente Africano. Cecil John Rodes foi empres\u00e1rio e pol\u00edtico, ferrenho defensor do Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico e da superioridade racial branca, e membro do <em>Partido Liberal<\/em> no Reino Unido)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No plano internacional, o que Franklin faz nos textos \u00e9 equipar um <em>liberalismo <\/em>te\u00f3rico e ideal ao <em>stalinismo sovi\u00e9tico<\/em> da pior esp\u00e9cie. Sua posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o d\u00e1 conta das cr\u00edticas contempor\u00e2neas ao modelo de capitalismo atual que vem da pr\u00f3pria direita; nem aquelas que tem origem na <em>esquerda democr\u00e1tica<\/em>, ou <em>socialista<\/em>. Como exemplo de uma cr\u00edtica do primeiro grupo, poder\u00edamos citar a no\u00e7\u00e3o de <em>Croony Capitalism<\/em><a href=\"#_edn14\" name=\"_ednref14\">[14]<\/a> (ou <em>capitalismo de conchavo<\/em>), cunhada pela direita libert\u00e1ria estadunidense, que descreve o estado atual do capitalismo sob o <em>liberalismo real<\/em>, concreto, como sendo um sistema que impede a pr\u00f3pria livre concorr\u00eancia e igualdade de oportunidades no mercado: sempre em benef\u00edcio de grandes corpora\u00e7\u00f5es e empresas, capazes de alterar as regras do jogo pol\u00edtico (e do mercado) em busca de lucro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Da mesma forma como Franklin n\u00e3o concebe que possa haver uma esquerda democr\u00e1tica, tamb\u00e9m n\u00e3o d\u00e1 a devida aten\u00e7\u00e3o as cr\u00edticas oriundas deste campo do espectro pol\u00edtico, que demonstram a exist\u00eancia e as caracter\u00edsticas de movimentos sociais e regimes <em>de<\/em> <em>direita <\/em>autorit\u00e1rios, capazes de articular elementos ao mesmo tempo <em>fascistas e economicamente liberais<\/em><a href=\"#_edn15\" name=\"_ednref15\">[15]<\/a> em suas cartilhas. Um bom exemplo dessa posi\u00e7\u00e3o \u00e9 o conceito de <em>Friendly Fascism<\/em><a href=\"#_edn16\" name=\"_ednref16\">[16]<\/a> (ou <em>Fascismo \u201cgente boa\u201d<\/em>) desenvolvido pelo cientista pol\u00edtico norte Americano Bertram Gross, para explicar a problem\u00e1tica situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos Estados Unidos da Am\u00e9rica. Segundo Gross, o <em>fascismo-gente-boa<\/em> ocorre quando um governo \u00e9 dominado por uma oligarquia formada por grandes corpora\u00e7\u00f5es que trabalham apenas para expandir seus poderes e privil\u00e9gios em detrimento da constitui\u00e7\u00e3o, e sem se importar com as consequ\u00eancias econ\u00f4micas disso para a maior parte da popula\u00e7\u00e3o. Embora o dom\u00ednio de corpora\u00e7\u00f5es sobre uma sociedade economicamente liberal possa guardar semelhan\u00e7as te\u00f3ricas com a no\u00e7\u00e3o de <em>corporativismo<\/em><a href=\"#_edn17\" name=\"_ednref17\">[17]<\/a>, defendida no fascismo italiano, o autor faz quest\u00e3o de deixar claro que esse <em>fascismo-light<\/em> n\u00e3o nos dominar\u00e1 utilizando camisas pretas, partidos de massa ou homens a cavalo; ele ser\u00e1 conduzido por executivos, cart\u00f5es de cr\u00e9dito e \u201ctorta de ma\u00e7\u00e3\u201d: ser\u00e1 um \u201cfascismo sorridente\u201d. Da mesma maneira, a subvers\u00e3o da democracia constitucional tamb\u00e9m n\u00e3o ocorreria de forma violenta: mas sim, pela lenta, gradual, segura e silenciosa usurpa\u00e7\u00e3o de direitos e liberdades do povo \u2013 ou, como argumenta Giorgio Agamben, pela simples decreta\u00e7\u00e3o de um estado de exce\u00e7\u00e3o, capaz de colocar a democracia \u201cem suspenso\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2015\/03\/You-pay-the-rich.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-277 size-medium\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2015\/03\/You-pay-the-rich-255x300.png\" alt=\"You pay the rich\" width=\"255\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2015\/03\/You-pay-the-rich-255x300.png 255w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2015\/03\/You-pay-the-rich-127x150.png 127w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/dignidade\/files\/2015\/03\/You-pay-the-rich.png 569w\" sizes=\"auto, (max-width: 255px) 100vw, 255px\" \/><\/a>Nesse sentido, \u00e9 interessante observar como os ideais ut\u00f3picos do <em>liberalismo econ\u00f4mico<\/em><a href=\"#_edn18\" name=\"_ednref18\">[18]<\/a> se distinguem do fen\u00f4meno que foi denominado de <em>neoliberalismo<\/em><a href=\"#_edn19\" name=\"_ednref19\">[19]<\/a><em>,<\/em> no per\u00edodo final da Guerra Fria. Os governos tachados de neoliberais, com frequ\u00eancia foram tamb\u00e9m \u2013 pelo menos no uso ret\u00f3rico do termo \u2013, acusados de <em>fascismo<\/em>. Tanto os governos de Margareth Thatcher, quanto os governos de seus aliados como Augusto Pinochet<a href=\"#_edn20\" name=\"_ednref20\">[20]<\/a>, Ronald Reagan e, posteriormente, George Bush, foram governos <em>economicamente liberais<\/em> e <em>politicamente conservadores<\/em> \u2013 ao ponto de se entrecruzar com posi\u00e7\u00f5es fascistas \u2013, e que certamente contribu\u00edram para a caracteriza\u00e7\u00e3o do atual modelo de <em>fascismo-boa-pra\u00e7a<\/em> que nos cerca.<a href=\"#_edn21\" name=\"_ednref21\">[21]<\/a><\/p>\n<p>(Imagem: \u201cVoc\u00ea paga seus impostos para que os ricos e suas empresas n\u00e3o precisem mais pagar!\u201d)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A <em>direita liberal real<\/em>, \u00e9 aquela que implementa medidas de seguran\u00e7a autorit\u00e1rias, suprime liberdades fundamentais e garante os privil\u00e9gios de corpora\u00e7\u00f5es, mesmo que em detrimento da livre concorr\u00eancia e da igualdade de oportunidades \u2013 ali\u00e1s, estes dois \u00faltimos motes, recentemente, se tornaram lemas de grupos que est\u00e3o a <em>esquerda<\/em> do espectro pol\u00edtico. Como j\u00e1 argumentei antes<a href=\"#_edn22\" name=\"_ednref22\">[22]<\/a>, em referencia as elei\u00e7\u00f5es estadunidenses de 2012, quem defende de verdade os mais pobres, a classe media e a pequena burguesia, hoje, \u00e9 a esquerda que se representou, ainda que efemeramente, em <em>Occupy Wall Street<\/em>. A direita economicamente liberal norte Americana \u2013 no caso, <em>conservatives<\/em> e <em>republicans<\/em> \u2013, e mesmo a europeia, \u00e9 formada quase que por uma classe social h\u00edbrida, uma esp\u00e9cie de aristocracia-burguesa que na verdade n\u00e3o produz, vive de renda e de lucros de commodities e, por isso, n\u00e3o paga impostos \u2013 ou tenta n\u00e3o pagar impostos. Gente que n\u00e3o sabe quanto as coisas custam no dia-a-dia do povo, simplesmente porque nunca precisou saber, nunca viveu os altos e baixos dos servi\u00e7os p\u00fablicos e do mercado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por: Marcus Vinicius Matos<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> Marcus Vinicius Matos \u00e9 doutorando em Direito pelo <em>Birkbeck College<\/em>, na Universidade de Londres, onde leciona Teoria do Direito (<em>Legal Theory II and II<\/em>) e Direito de Propriedade \u00a0(<em>Property Law I \u2013 Land law<\/em>). \u00c9 tamb\u00e9m l\u00edder do minist\u00e9rio estudantil na igreja <em>All Souls<\/em>, em Londres.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a> Utilizo aqui a palavra no senso comum, embora reconhe\u00e7a que a no\u00e7\u00e3o de \u201cesfera\u201d tenha um significado particular no pensamento reformando e nos meios intelectuais conservadores \u2013 especialmente no que se refere a obra de <em>Abraham Kuyper<\/em>. Para entender o uso reformado do termo, ver: Kuyper, Abraham. Calvinismo, S\u00e3o Paulo, Editora Cultura Crist\u00e3, 2002<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a> Nessa s\u00e9rie de posts no blog <em>Dignidade!<\/em>, responderei a diversos argumentos de Franklin Ferreira que se encontram em 3 posts diferentes. A maioria dos argumentos, no entanto, se encontram nos seguintes posts: <em>\u201cEspectro pol\u00edtico, mentes cativas e idolatria\u201d, <\/em>dispon\u00edvel em: http:\/\/www.teologiabrasileira.com.br\/teologiadet.asp?codigo=381 ; E, com especial aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ao post \u201c<em>Totalitarismo, o culto do Estado e a liberdade do evangelho\u201d, <\/em>dispon\u00edvel em: http:\/\/www.teologiabrasileira.com.br\/teologiadet.asp?codigo=392<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[4]<\/a> O Diagrama de Nolan \u00e9 um esquema visual de autoria do cientista pol\u00edtico Estadunidense, David Nolan. O esquema se prop\u00f5e a demonstrar posicionamentos pol\u00edticos em termos visuais. Cf. <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Diagrama_de_Nolan\">http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Diagrama_de_Nolan<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[5]<\/a> Me refiro a nota de <em>n\u00famero 3<\/em> no artigo \u201cEspectro Pol\u00edtico, mentes cativas e idolatria\u201d, dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.teologiabrasileira.com.br\/teologiadet.asp?codigo=381\">http:\/\/www.teologiabrasileira.com.br\/teologiadet.asp?codigo=381<\/a>. Nesta nota, Franklin cita a obra \u201cAs Origens do Totalitarismo\u201d (1979) de Hannah Arendt, e \u00e9 a partir desta defini\u00e7\u00e3o, que baseia suas acertivas a respeito do que \u00e9 totalitarismo. Nesta obra, que est\u00e1 centrada no contexto europeu, o conceito de \u201ctotalitarism\u201d aparece in\u00fameras vezes, como \u00e9 \u00f3bvio; mas a palavra \u201cauthoritarianism\u201d, aparece apenas uma vez (p.364), exatamente para refor\u00e7ar a importancia em distinguir os dois fen\u00f4menos: \u201c<em>The so-called \u2018leader principle\u2019 is in itself not totalitarian; it has borrowed certain features from authoritarianism and military dictatorship which have greatly contributed toward obscuring and belittling the essentially totalitarian phenomenon\u201d.<\/em> Ou seja, mesmo Arendt reconhece que h\u00e1 uma diferen\u00e7a entre regimes totalit\u00e1rios e <em>ditaduras militares<\/em>. Em nenhum lugar no texto, por\u00e9m, Franklin chega a explicitar o que \u00e9 autoritarismo, o que prova que nestes textos, o autor se utilizou apenas dos conceitos que fortalecem suas teses \u2013 ainda que diminuindo sua credibilidade para o contexto da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[6]<\/a> Essa tese \u00e9 formulada primeiramente por Carl Schmitt, para quem \u201cTodos os conceitos da Teoria do Estado Moderna s\u00e3o conceitos teol\u00f3gicos secularizados\u201d. Ver: Schimitt, Carl. <em>A Teologia Pol\u00edtica<\/em>, Del Rey, 2006, p.35.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref7\" name=\"_edn7\">[7]<\/a> Schmitt foi um acad\u00eamico alem\u00e3o, cat\u00f3lico e conservador, considerado at\u00e9 hoje um dos maiores cr\u00edticos do liberalismo (pol\u00edtico e econ\u00f4mico). \u00c9 tamb\u00e9m o jurista a quem se atribuem muitas das formula\u00e7\u00f5es jur\u00eddico-pol\u00edticas do nacional-socialismo \u2013 como aponta seu ex-aluno e cr\u00edtico Franz Neumann. De acordo com Neumann, Schmitt teria protagonizado uma atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica muito maior do que o papel de intelectual que comumente lhe atribuem, rearticulando o empresariado liberal alem\u00e3o para apoiar o Nazismo atrav\u00e9s das promessas de monop\u00f3lio do regime. Nesse sentido, ver: NEUMANN, Franz. <em>Beremoth \u2013 pensamiento y acci\u00f3n en el nacionalismo-socialismo<\/em>. M\u00e9xico: FCE, 1943, p.63.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref8\" name=\"_edn8\">[8]<\/a> Nesse sentido, ver: Suganami, Hidemi. <em>Understanding sovereignty through Kelsen\/Schmitt<\/em>. In: Review of International Studies. V.33, Issue 03. Cambridge Journals Online, 2007.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref9\" name=\"_edn9\">[9]<\/a> A discuss\u00e3o sobre as implica\u00e7\u00f5es do Estado de Exce\u00e7\u00e3o \u00e9 extensa, e mobilizou autores como Carl Schmitt, Walter Benjamin, e Hans Kelsen, dentre outros. A leitura mais recente e interessante do problema, bem como a descri\u00e7\u00e3o detalhada das in\u00fameras decreta\u00e7\u00f5es e do uso do dispositivo na Europa no periodo entre guerras, foi feita por Giorgio Agamben. Cf: AGAMBEN, Giorgio. <em>Estado de excecao<\/em>. Sao Paulo: Boitempo, 2004.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref10\" name=\"_edn10\">[10]<\/a> Me refiro ao artigo \u201cDe esquerda ou de direita, sejamos inteligentes e crist\u00e3os\u201d, publicado pela Revista Ultimato e dispon\u00edvel online em: <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/conteudo\/de-esquerda-ou-de-direita-sejamos-inteligentes-e-cristaos\">http:\/\/www.ultimato.com.br\/conteudo\/de-esquerda-ou-de-direita-sejamos-inteligentes-e-cristaos<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ednref11\" name=\"_edn11\">[11]<\/a> Trata-se de processo envolvendo o uso deliberado de t\u00e9cnicas de tortura contra prisioneiros em m\u00e9todos que relembram \u2013 ou inspiram \u2013 os que foram utilizados recentemente na Guerra do Iraque, em Abu Grahib, pelos EUA. Para maiores informa\u00e7\u00f5es sobre o processo, a p\u00e1gina da Wikipedia no caso tras links diretos: <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Five_techniques\">http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Five_techniques<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ednref12\" name=\"_edn12\">[12]<\/a> Este processo ficou famoso quando posteriormente foi retratado no filme estadunidense \u201cEm nome do Pai\u201d. Mas os casos a que os filme se referem ocorreram sob v\u00e1rios processos, e maiores informa\u00e7\u00f5es no original, podem tamb\u00e9m ser encontradas a partir de visita a p\u00e1gina Wiki: <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Guildford_Four_and_Maguire_Seven\">http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Guildford_Four_and_Maguire_Seven<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ednref13\" name=\"_edn13\">[13]<\/a> Segundo documentos da CIA, o general Chileno foi assassinado por militares de direita, naquele que foi o maior atentado terrorista contra autoridades Latino-americanas financiado e arquitetado \u2013 com doa\u00e7\u00e3o de armas -, pela Emaixada Americana no Chile, em 1970. Cf: Elio Gaspari, <em>A Ditadura Escancarada<\/em>, 2a edi\u00e7\u00e3o, 2014.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref14\" name=\"_edn14\">[14]<\/a> Para uma defini\u00e7\u00e3o do termo \u00e9 \u00fatil o artigo de Peter Schweizer intitulado \u201cA crise moral do capitalismo de conchavo\u201d, publicado na revista liberal Religion &amp; Liberty, dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.acton.org\/pub\/religion-liberty\/volume-23-number-1\/moral-crisis-crony-capitalism\">http:\/\/www.acton.org\/pub\/religion-liberty\/volume-23-number-1\/moral-crisis-crony-capitalism<\/a> . A cr\u00edtica cai como uma luva ao discurso economicamente liberal e politicamente autorit\u00e1rio que sempre foi a t\u00f4nica dos partidos pol\u00edticos liberais, no Brasil \u2013 argumento que desenvolverei mais a fundo nos pr\u00f3ximos <em>posts<\/em> neste blog.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref15\" name=\"_edn15\">[15]<\/a> O argumento de Franklin de que se posicionar em defesa apenas do <em>liberalismo econ\u00f4mico<\/em> n\u00e3o passa de estrat\u00e9gia ret\u00f3rica que, ao ser analisada nos detalhes, e associada aos problemas comuns de tradu\u00e7\u00e3o, apenas ajudam a confundir os leitores. Neste sentido, \u00e9 importante esclarecer que nos EUA, o adjetivo \u201cliberal\u201d geralmente se refere a grupos associados ao partido Democrata, que no espectro politico est\u00e1 na esquerda daquele pa\u00eds, junto com os intitulados \u201cprogressist\u201d. O <em>liberalismo economico<\/em> defendido por Franklin, na realidade, est\u00e1 muito mais pr\u00f3ximo de uma posi\u00e7\u00e3o conservadora, do que propriamente liberal, deste ponto de vista. Por outro lado, a afirma\u00e7\u00e3o de que regimes fascistas s\u00e3o <em>esquerda<\/em> n\u00e3o subsiste a uma investiga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica rigorosa, sem que sejam alteradas os sentidos b\u00e1sicos em que os conceitos foram utilizados. Da mesma forma, a rela\u00e7\u00e3o entre partidos pol\u00edticos e movimentos sociais de extrema direita, no in\u00edcio do s\u00e9culo XX \u00e9 quase que explicita, se analisarmos o que sobra neste campo ap\u00f3s a queda dos regimes fascistas, no p\u00f3s-guerra. Nesse sentido, ver: Cf. Peter Davies, Derek Lynch. <em>The Routledge Companion to Fascism and the Far Right<\/em>, 2002<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref16\" name=\"_edn16\">[16]<\/a> Cf. Bertram Gross, <em>Friendly Fascism: The New Face of Power in America<\/em>, South End Press \u2013 Boston, 1999.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref17\" name=\"_edn17\">[17]<\/a> A It\u00e1lia, no per\u00edodo anterior a Segunda Guerra Mundial \u00e9 um exemplo contundente de como proposi\u00e7\u00f5es do <em>liberalismo econ\u00f4mico<\/em> podem ser combinadas com a <em>ideologia fascista<\/em>: \u201c<em>Os industriais italianos desenvolveram uma ideologia produtivista liberal-tecnocrata bastante sofisticada, que constituiu um n\u00facleo ao qual eles permaneceriam constantemente e impressionantemente fi\u00e9is, antes, durante e mesmo depois do Fascismo. Diferentemente dos Alem\u00e3es (&#8230;), os industriais Italianos eram profundamente ideol\u00f3gicos e, de fato, interviram ideologicamente na constru\u00e7\u00e3o de um sedutor estado Fascista. Quando eles, tamb\u00e9m, foram for\u00e7ados a se acomodar ao regime Fascista, o fizeram de uma posi\u00e7\u00e3o de relativa autonomia e for\u00e7a, redefinindo a seu favor no\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas, e amb\u00edguas, dos princ\u00edpios Fascistas, como o corporativismo<\/em>\u201d (Pref\u00e1cio, p. x). Cf. Franklin Hugh Adler, <em>Industrialists from Liberalism to Fascism<\/em>: <em>The political development of the industrial bourgeoisie, 1906-1934<\/em>, Cambridge University Press \u2013 Cambridge, 2002. Tradu\u00e7\u00e3o livre do autor.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref18\" name=\"_edn18\">[18]<\/a> H\u00e1 uma contradi\u00e7\u00e3o e distancia gigantesca entre o que defendem os politicos liberais e os ideais do liberalismo ut\u00f3pico \u2013 contradi\u00e7\u00f5es que s\u00e3o explic\u00e1veis pelo papel do <em>capital<\/em> na teoria marxista. Me refiro aqui a alguns principios do liberalismo cl\u00e1ssico, como por exemplo, o <em>Princ\u00edpio da Utilidade<\/em>, conforme proposto por Jeremy Bentham, que deteremina que o dinheiro pode ser mais \u00fatil nas m\u00e3os do pobre, do que do rico. Cf: Bentham, Jeremy. <em>Principles of Moral and Legislation<\/em>, 1979, pp.14-26; ou, ainda, a no\u00e7\u00e3o de que o trabalho e seu fruto devem ser, sempre e inquestionavelmente, propriedade do trabalhador, conforme proposto pelo pr\u00f3prio John Locke. Cf. Locke, John. <em>Two Treatises of Government<\/em>, CUP, 1965, pp. 326-330.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref19\" name=\"_edn19\">[19]<\/a> O termo <em>neoliberal<\/em> pode facilmente ser equiparado a designa\u00e7\u00e3o de <em>neoconservador<\/em> (neocon), conforme utilizado nos EUA. Embora naquele pa\u00eds possam haver diferen\u00e7as significativas entre as duas posi\u00e7\u00f5es, na Am\u00e9rica Latina, em geral, as duas se equiparam na defesa da economia de livre mercado associada a medidas autorit\u00e1rias de controle pol\u00edtico.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref20\" name=\"_edn20\">[20]<\/a> A ditadura chilena de Augusto Pinochet foi uma autentica ditadura autorit\u00e1ria, e economicamente liberal. Suas rela\u00e7\u00f5es com o governo de Thatcher no UK s\u00e3o amplamente conhecidas e, foi por conta disso que o ditador resolveu se tratar de sa\u00fade no Reino Unido. Neste sentido, ver: <a href=\"http:\/\/news.bbc.co.uk\/1\/hi\/uk_politics\/467114.stm\">http:\/\/news.bbc.co.uk\/1\/hi\/uk_politics\/467114.stm<\/a> Em uma dessas visitas, teve sua pris\u00e3o decretada pela Corte Internacional de Direitos Humanos e, n\u00e3o fosse por uma tecnicalidade processual \u2013 o teste de bias aplicado a <em>House of the Lords<\/em>, na \u00e9poca \u2013, teria sido extraditado para julgamento. Os detalhes do caso podem ser encontrados nos seguintes processos: Bartle and the Commissioner of Police for the Metropolis and Others, Ex Parte Pinochet, R v. [1998] UKHL 41; [2000] 1 AC 61; [1998] 4 All ER 897; [1998] 3 WLR 1456 (25th November, 1998); Pinochet, In re [1999] UKHL 1; [2000] 1 AC 119; [1999] 1 All ER 577; [1999] 2 WLR 272 (15th January, 1999); Pinochet, Re [1999] UKHL 52 (15 January 1999); Commissioner of Police for the Metropolis and Others, Ex Parte Pinochet [1999] UKHL 17 (24 March 1999).<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref21\" name=\"_edn21\">[21]<\/a> Ali\u00e1s, importa mencionar, h\u00e1 at\u00e9 quem fa\u00e7a um paralelo direto e explicito entre os discursos e propostas utilizados por partidos e pessoas nessas posi\u00e7\u00f5es, e aqueles dos fascistas do passado. Nesse sentido ver: Joseph Burrell, <em>Republican Treason: Republican Fascism Exposed<\/em>. Algora, 2008<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref22\" name=\"_edn22\">[22]<\/a> Me refiro ao texto \u201cEntre o Homem de Lata e a Dama de Ferro\u201d, onde tracei uma compara\u00e7\u00e3o entre as imagens produzidas pelo cinema popular contempor\u00e2neo, reconstruindo a imagem de Margareth Tatcher quase como uma \u201cprogressista\u201d. O filme foi lan\u00e7ado durante o ano eleitoral estadunidense; e, de certa forma, associado a campanha presidencial do candidato republicano estadunidense, Mitt Romney. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.novosdialogos.com\/artigo.asp?id=855<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Em resposta a cinco teses pol\u00edticas do te\u00f3logo reformado Franklin Ferreira &nbsp; Como ser liberal e conservador ao mesmo tempo? Simples, basta que ambas as palavras se refiram a esferas[2] diferentes do mundo, e da vida, que a conta fecha. Ou pelo menos convence boa parte dos leitores e do p\u00fablico evang\u00e9lico em geral. 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