Passado algum tempo, Deus pôs Abraão à prova. Gênesis 22.1
Uma característica notável da fidelidade do relato bíblico é que ele não esconde as falhas e os fracassos dos grandes personagens. Abraão é um bom exemplo. Em um ato impressionante de fé, ele deixou sua casa e sua família, “embora não soubesse para onde estava indo” (Hb 11.8). Todavia, mais tarde, pressionado pela fome e tentando se refugiar no Egito, pediu a Sara (por ser ela uma mulher muito bonita) que dissesse às pessoas que era sua irmã, e não sua esposa. Abraão agiu de forma desprezível, arriscando a segurança dela para garantir a sua. A raiz dessa atitude foi a incredulidade (Gn 12.10-20).
Depois que tomamos conhecimento deste claro contraste entre fé e dúvida, é natural que nos perguntemos como Abraão irá reagir ao ser testado até o limite de sua fé, quando Deus lhe ordenou que sacrificasse Isaque. Podemos estar certos de que o primeiro propósito dessa ordem terrível foi mostrar a Abraão que Javé não exigia sacrifício humano. Esse costume abominável era praticado pelo povo de Canaã, e foi por essa razão que Deus ordenou a sua destruição.
Mas essa história tem também um significado mais profundo. Por três vezes, Isaque é descrito, de forma tocante, como “seu filho, seu único filho, Isaque, a quem você ama” (22.2). Isso o identifica não somente como um filho único e precioso, mas também como o único que se encaixava no que Deus havia dito: “Será por meio de Isaque que a sua descendência há de ser considerada” (21.12). Abraão e Sara teriam passado anos e anos esperando pelo nascimento do filho da promessa para depois entregá-lo à morte?
Abraão apegou-se à garantia divina de que suas promessas seriam cumpridas na descendência de Isaque. Ele até mesmo “levou em conta que Deus pode ressuscitar os mortos e, figuradamente, recebeu Isaque de volta dentre os mortos” (Hb 11.19). Sem dúvida essa foi uma atitude extrema de fé e obediência.
Para saber mais: Hebreus 11.8-19
>> Retirado de A Bíblia Toda, o Ano Todo [John Stott]. Editora Ultimato.
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