{"id":987,"date":"2017-12-06T14:13:21","date_gmt":"2017-12-06T17:13:21","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/?p=987"},"modified":"2017-12-06T14:13:21","modified_gmt":"2017-12-06T17:13:21","slug":"sobre-a-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/2017\/12\/06\/sobre-a-educacao\/","title":{"rendered":"Sobre a educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">por G.K. Chesterton<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">trad. De Gabriele Greggersen<\/p>\n<p>De certa forma, essa \u00e9 a era da supremacia da educa\u00e7\u00e3o. Por outro lado, \u00e9 suprema e especialmente uma era deseducativa. Trata-se de uma era em que pela primeira vez se estabeleceu o direito do governo de ensinar as crian\u00e7as de todo o mundo. Trata-se tamb\u00e9m da era em que pela primeira vez se negou o direito do pai de ensinar as suas pr\u00f3prias crian\u00e7as. Trata-se da era em que os empiristas desejam honestamente ensinar alguma coisa ao alegre menino de rua: at\u00e9 mesmo a criminologia e Equil\u00edbrio C\u00f3smico e o sistema Maya de ritmo decorativo. Mas tamb\u00e9m se trata de uma era em que fil\u00f3sofos honestos est\u00e3o realmente duvidando, se \u00e9 correto ensinar tudo a todos; at\u00e9 mesmo como evitar envenenar-se ou cair em precip\u00edcios.<\/p>\n<p>Mas a dificuldade pr\u00e1tica da nossa educa\u00e7\u00e3o presente \u00e9 at\u00e9 pior. \u00c9 uma tenta\u00e7\u00e3o conduzir um processo que acabou produzindo um mundo que incessantemente interrompe e reverte esse processo. Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 inicia\u00e7\u00e3o; trata-se de um progresso de uma coisa para a outra; o arranjo de certas id\u00e9ias em certas outras. Uma crian\u00e7a aprende a nadar antes de aprender a saltar; ela aprende o seu pr\u00f3prio alfabeto antes de aprender o alfabeto grego. Ou, se algum educador reverter esse processo agora, ele tem que ter ao menos uma raz\u00e3o para revert\u00ea-lo e, por isso mesmo, ter\u00e1 que recusar-se a reverter o reverso. Mas a vida real do nosso tempo reverte tudo e n\u00e3o tem raz\u00e3o para nada. O mundo real que ruge em torno do pobre pequeno menino de rua, quando ele vai para a escola \u00e9 um mundo absolutamente anti-educacional. Se a escola est\u00e1 de fato oferecendo alguma educa\u00e7\u00e3o, o mundo estar\u00e1 certamente engajado dia e noite em arruinar a sua educa\u00e7\u00e3o. Pois o mundo lhe d\u00e1 coisas de qualquer jeito, de qualquer maneira, com qualquer resultado; o mundo lhe d\u00e1 coisas, sem que ele saiba que as est\u00e1 recebendo; o mundo lhe d\u00e1 coisas que eram destinadas a outra pessoa; o mundo joga coisas em cima dele da manh\u00e3 at\u00e9 a noite, de forma bastante cega, louca e sem sentido ou objetivo; e esse processo, n\u00e3o importa o que mais possa ser, \u00e9 precisamente o oposto do processo de educa\u00e7\u00e3o.O menino de rua gasta mais ou menos tr\u00eas quartos do seu tempo para se deseducar. Ele foi educado pelo sistema moderno de ensino p\u00fablico. Ele foi deseducado pelo estado moderno.<\/p>\n<p>Pois, como eu me aventurei de sugerir muito delicadamente, o Estado moderno est\u00e1 num estado deplor\u00e1vel. \u00c9 o pr\u00f3prio caos e contradi\u00e7\u00e3o produzidos por aquela ra\u00e7a muito desequilibrada que produziu o seu pr\u00f3prio oposto numa esp\u00e9cie de confus\u00e3o cont\u00ednua. Os educadores t\u00eam a tarefa de p\u00f4r a escola em ordem, antes de qualquer um p\u00f4r o Estado em ordem. \u00c9 question\u00e1vel se devemos p\u00f4r o Estado em ordem, antes que seja poss\u00edvel ter-se realmente algo parecido com uma escola p\u00fablica. Mas eu n\u00e3o discutirei meus pr\u00f3prios rem\u00e9dios aqui, que envolveriam alus\u00f5es indecentes a uma terceira coisa, chamada Fam\u00edlia; que hoje jamais \u00e9 mencionada nos c\u00edrculos respeit\u00e1veis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cOn education\u201d, em <em>Gilbert Magazine<\/em>, Minneapolis: G.K. Chesterton Institute, v. 7, n. 2, 2003. (oct\/nov)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por G.K. Chesterton trad. De Gabriele Greggersen De certa forma, essa \u00e9 a era da supremacia da educa\u00e7\u00e3o. Por outro lado, \u00e9 suprema e especialmente uma era deseducativa. 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