{"id":872,"date":"2017-01-06T07:06:51","date_gmt":"2017-01-06T10:06:51","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/?p=872"},"modified":"2017-01-06T07:07:30","modified_gmt":"2017-01-06T10:07:30","slug":"livre-arbitrio-providencia-e-soberania-na-vida-e-obra-de-c-s-lewis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/2017\/01\/06\/livre-arbitrio-providencia-e-soberania-na-vida-e-obra-de-c-s-lewis\/","title":{"rendered":"Livre-arb\u00edtrio, Provid\u00eancia e Soberania na vida e obra de C.S.Lewis"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Leia artigo de Filipe Galhardo:<\/p>\n<blockquote><p><strong>\u201c<\/strong>Ele [C.S.Lewis] era centrado em Cristo, um crist\u00e3o de tend\u00eancia da grande tradi\u00e7\u00e3o, cuja estatura, uma gera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s sua morte, parece maior do que qualquer um jamais pensou enquanto ele ainda estava vivo, e cujos escritos crist\u00e3os s\u00e3o agora vistos como tendo status de cl\u00e1ssicos\u2026 Eu duvido que algu\u00e9m tenha conseguido compreend\u00ea-lo completamente\u201d. \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u2013 John Stott<\/p>\n<p>\u201cAcredito que muitos que acham que nada acontece quando sentam ou se ajoelham com um livro devocional nas m\u00e3os achariam que o cora\u00e7\u00e3o canta espontaneamente enquanto est\u00e3o trilhando o \u00e1rduo caminho da teologia.\u201d \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u2013 C.S.Lewis.<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li><strong><em>Por: Filipe Galhardo Sant\u2019anna<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>Em 13 de novembro de 354, nascia em Tagaste um dos mais imponentes personagens da era crist\u00e3, o pensador que marcou a passagem da tradi\u00e7\u00e3o patr\u00edstica para a medieval, Agostinho de Hipona, um dos maiores fil\u00f3sofos de todos os tempos. Cerca \u00a0de quatro anos antes nascia na Brit\u00e2nia seu principal oponente teol\u00f3gico, \u00a0o monge asc\u00e9tico Pel\u00e1gio, um dos principais mestres da moral crist\u00e3 do seu tempo. Esses dois gigantes, Agostinho e Pel\u00e1gio, travaram o mais importante debate a respeito do livre-arbitrio e da gra\u00e7a de Deus. Enquanto Pel\u00e1gio defendia que a salva\u00e7\u00e3o poderia ser alcan\u00e7ada por nossos pr\u00f3prios esfor\u00e7os, atrav\u00e9s do livre-arbitrio, Agostinho argumentava que nossa salva\u00e7\u00e3o depende necessariamente de Deus e da sua soberana gra\u00e7a. Os conc\u00edlios eclesi\u00e1sticos deram a vit\u00f3ria a Agostinho, mas, por incrivel que pare\u00e7a, quase toda a Idade M\u00e9dia se mostrou semi-pelagiana. O debate voltou a ganhar visibilidade em uma n\u0101o menos acalorada disputa no s\u00e9culo 15, dessa vez entre o ent\u00e3o monge agostiniano Martinho Lutero e o j\u00e1 famoso doutor da Igreja Herasmo de Hoterdan, o tema do debate era, uma vez mais, soberania e livre arb\u00edtrio. Lutero defendia \u201cA justifica\u00e7\u00e3o somente pela f\u00e9\u201d, j\u00e1 Erasmo, tal como Pel\u00e1gio, \u00a0atribuia muito poder ao nosso livre arb\u00edtrio, defendendo que depende tamb\u00e9m dos m\u00e9ritos a nossa salva\u00e7\u00e3o. \u00a0O duelo marcou a divis\u00e3o da Igreja entre protestantes e cat\u00f3licos e mais uma vez acontece uma transi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, da Idade M\u00e9dia para a Moderna.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o parece nunca ter chegado ao fim e os gigantes ir\u00e3o continuar duelando, no entanto, no s\u00e9culo XX ouvimos uma voz menos clerical, mas n\u00e3o menos l\u00facida.<\/p>\n<p>Em 29 de Novembro de 1898 nascia em Belfast, na Irlanda do norte, Clive Staples Lewis, filho de Albert J.Lewis (1863-1929) e Florence Augusta Hamilton (1862-1908). Lewis veio a se tornar um dos maiores escritores do s\u00e9culo passado, seu talento tornou-se evidente ainda na inf\u00e2ncia, na casa de seus pais Lewis podia encontrar pilhas e mais pilhas de livros em quase todos os c\u00f4modos, foi o que lhe permitiu o encontro com um universo sem fim de escritores. Toda essa variada literatura formaram em Lewis um pensador cuja vis\u00e3o de mundo encontra poucos paralelos na hist\u00f3ria. Os fil\u00f3sofos gregos lhe deram a frieza e a precis\u00e3o do argumento bem articulado; os medievais, uma arguta e penetrada \u00a0imagina\u00e7\u00e3o, \u00a0talvez uma das mais brilhantes do s\u00e9culo XX; os grandes romancistas como Shakespeare lhe incutiram uma criatividade poucas vezes vista.<br \/>\nSeu futuro j\u00e1 era de se esperar, tornou-se um not\u00e1vel erudito em literatura, lecionando nas universidades de Oxford e, mais tarde, Cambridge. Em 1930 converteu-se do ate\u00edsmo ao te\u00edsmo e deste ao cristianismo, ganhando notoriedade com a publica\u00e7\u00e3o de diversos livros e artigos na \u00e1rea da cr\u00edtica liter\u00e1ria e teologia, al\u00e9m de emblem\u00e1ticos romances como a Trilogia C\u00f3smica e O Grande Abismo que, al\u00e9m de serem hist\u00f3rias fant\u00e1sticas, refletem com bastante express\u00e3o seus conceitos teol\u00f3gicos \u2013 isso para n\u00e3o mencionar as famosas Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia no g\u00eanero infantil. Lewis faleceu no ano de 1963, deixando um vasto legado liter\u00e1rio. Desde sua morte at\u00e9 os dias atuais doutores de diferentes partes do mundo debru\u00e7am-se sobre suas obras no anseio de acompanhar o racioc\u00ednio do mestre. Neste breve texto \u2013 na condi\u00e7\u00e3o de admiradores e n\u00e3o de doutores \u2013 iremos analisar a import\u00e2ncia de toda a sua erudi\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria e filos\u00f3fica para a teologia. Recuperando o equil\u00edbrio epistemol\u00f3gico de Lewis e retornando \u00e0 antiga discuss\u00e3o sobre as doutrinas do Livre-arbitrio, Provid\u00eancia e Soberania Divina e de que modo se deve harmoniza-las. No entanto, antes de se passar ao conteudo propriamente dito, h\u00e1 pelo menos uma advert\u00eancia a ser feita. Queria deixar bem claro que eu mesmo estou bastante consciente de que Lewis est\u00e1 muito mais pra cr\u00edtica liter\u00e1ria do que pra teologia , fica evidente que nesta \u00e1rea do conhecimento poder\u00edamos usar outros nomes de muito maior express\u00e3o teol\u00f3gica, como Agostinho ou Tom\u00e1s de Aquino. No entanto, dei a prefer\u00eancia a C.S.Lewis e isso, assim espero, \u00e9 f\u00e1cil de explicar. Quando Lewis se tornou crist\u00e3o j\u00e1 era um literato formado, com gradua\u00e7\u00f5es em ingl\u00eas, hist\u00f3ria antiga e filosofia, al\u00e9m do que j\u00e1 lecionava na prestigiosa \u00a0Oxford. Mas foi somente a partir da sua convers\u00e3o ao cristianismo que tudo o que ele aprendera come\u00e7ou a aganhar vida, foi o que mais tarde ele chamou de \u201creavivamento intelectual\u201d, era a passagem para al\u00e9m da sua pr\u00f3pria personalidade.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479397766137.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-872\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\" class=\"fix-link-focus\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-365 size-full alignleft\" src=\"https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479397766137.jpg?w=700\" sizes=\"(max-width: 480px) 100vw, 480px\" srcset=\"https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479397766137.jpg 480w, https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479397766137.jpg?w=150 150w, https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479397766137.jpg?w=300 300w\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p>Dessa experi\u00eancia em diante Lewis n\u0101o abdicou do acumulo de suas informa\u00e7\u00f5es, mas aos poucos todas elas foram se harmonizando e formando um todo literalmente fant\u00e1stico, a descoberta da teologia crist\u00e3 foi para Lewis, em suas pr\u00f3prias palavras, \u201co despertar de um sonho\u201d. Essa foi a transi\u00e7\u00e3o de um escritor secular quase an\u00f4nimo a um verdadeiro gigante da apolog\u00e9tica crist\u00e3, cujo tamanho da compreens\u00e3o do que \u00e9 de fato o cristianismo o tornou um dos autores crist\u00e3os de comovis\u0101o mais ampla dos \u00faltimos tempos. Acho que, por esse motivo, pode ser uma boa darmos uma olhadela em suas opini\u00f5es.<br \/>\nProvid\u00eancia O Livre-arb\u00edtrio como argumento apolog\u00e9tico e The Great Divorce: no tempo e fora do tempo<\/p>\n<blockquote><p>\u201cO \u00a0mal \u00a0moral \u00a0tem \u00a0sua \u00a0origem \u00a0no \u00a0livre-arb\u00edtrio \u00a0de nossa \u00a0vontade.\u2019\u2019 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u2013 Agostinho, Sobre o \u00a0Livre-arb\u00edtrio.<\/p>\n<p>\u201cLiberdade: o dom por meio do qual nos assemelhamos mais ao nosso Criador e somos n\u00f3s mesmos partes da realidade eterna. Entretanto voc\u00ea s\u00f3 pode v\u00ea-la pelas lentes do tempo [\u2026].\u201d C.S.Lewis, The Great Divorce.<\/p>\n<p>\u201c[\u2026]Mas a natureza eterna desse ser vivo n\u00e3o podia ser atribu\u00edda em toda a sua plenitude ao que \u00e9 engendrado. Ent\u00e3o, pensou em compor uma imagem m\u00f3bil da eternidade, e, ao mesmo tempo em que organizou o c\u00e9u, fez da eternidade que perdura na unidade essa imagem eterna que se movimenta de acordo com o n\u00famero e a que chamamos tempo.\u201d \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 -Plat\u00e3o, Timeu.<\/p><\/blockquote>\n<p>Dizem-nos que falar sobre \u00a0livre-arb\u00edtrio \u00e9 sempre se arriscar a ser pol\u00eamico ou desnecess\u00e1rio. Pol\u00eamico at\u00e9 posso admitir, mas desnecess\u00e1rio jamais. A mat\u00e9ria \u00e9 de interesse totalmente pr\u00e1tico, afinal todos n\u00f3s fazemos distin\u00e7\u00e3o \u00e9tica do que \u00e9 certo e do que \u00e9 errado, e desse ponto de vista os seres humanos s\u00e3o, n\u00e3o sem motivos, classificados como intelectual e moralmente respons\u00e1veis diante de suas a\u00e7\u00f5es. No entanto, essa perspectiva parece incluir a exist\u00eancia do livre-arbitrio como indispens\u00e1vel \u00e0 natureza. Mas h\u00e1 muitas controv\u00e9rsias dentro da filosofia, da metaf\u00edsica e da teologia que parecem por em d\u00favida essa indispensabilidade. Como nosso assunto \u00e9 teologia na obra de C.S.Lewis, vamos abordar a controv\u00e9rsia dentro dos limites teol\u00f3gicos. O grande desafio que sempre se ergueu aos te\u00f3logos foi o de conciliar o conceito de liberdade com a cl\u00e1ssica doutrina da onipot\u00eancia e soberania divina, \u00a0a harmonia dessas doutrinas normalmente resulta em uma grande complica\u00e7\u00e3o: o problema do sofrimento.<br \/>\nUsarmos C.S.Lewis \u00e9 uma boa oportunidade de vermos pelas lentes de algu\u00e9m que come\u00e7ou a desenvolver seus pensamentos sobre o livre-arb\u00edtrio a partir de suas experi\u00eancias com o sofrimento que come\u00e7aram na sua mais tenra inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479397840842.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-872\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\" class=\"fix-link-focus\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-366 size-full alignleft\" src=\"https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479397840842.jpg?w=700\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" srcset=\"https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479397840842.jpg 350w, https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479397840842.jpg?w=124 124w, https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479397840842.jpg?w=247 247w\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em 23 de Agosto de 1908 morre Florence Augusta Lewis. A abrupta perda da m\u00e3e para o c\u00e2ncer torna a inf\u00e2ncia dos irm\u00e3os Lewis um tanto dolorosa, acrescenta-se a isso o temperamento um tanto ruim do pai Albert e uma defici\u00eancia na m\u00e3o do ainda muito novo Jack \u2013 modo como C.S.Lewis era conhecido entre parentes e amigos. A dor da perda e o temperamento ruim do pai \u2013 agravado pela morte da esposa \u2013 tornam-se fator preponderante para o abandono da religi\u00e3o crist\u00e3 na qual foi criado C.S.Lewis, mais tarde a leitura de escritores materialistas foi apenas uma fagulha em uma lenha que j\u00e1 estava a muito tempo incendiada. Anos depois, em seu caminho de volta ao cristianismo, uma das suas primeiras publica\u00e7\u00f5es foi justamente um livro cujo t\u00edtulo era: O Problema do Sofrimento.\u00a0\u00a0Nele, Lewis lida com o problema de conciliar um Deus bom e todo poderoso com a exist\u00eancia do sofrimento, afinal, por que um Deus bom e soberano permitiria a dor de suas criaturas?<\/p>\n<p>A resposta de Lewis a essa pergunta \u00e9 que o sofrimento n\u00e3o \u00e9 causado diretamente por Deus \u2013 apesar de ser usado por Ele \u2013 mas por suas criaturas dotadas de livre-arb\u00edtrio. O argumento de Lewis \u2013 levando em considera\u00e7\u00e3o a doutrina da queda- distingue:<br \/>\n1) O bem simples que vem de Deus;<br \/>\n2) O mal simples produzido por criaturas rebeldes;<br \/>\n3) A explora\u00e7\u00e3o do mal por parte de Deus, para seu prop\u00f3sito redentor, que produz<br \/>\n4) O bem complexo para o qual contribuem o sofrimento aceito e o pecado de que nos arrependemos.\u20191<br \/>\n\u00c9 claro que os amplos argumentos de Lewis a respeito do sofrimento n\u00e3o poderiam caber em um t\u00e3o pequeno texto, nem \u00e9 a minha inten\u00e7\u00e3o. Apenas pretendo deixar claro ao leitor que o livre-arb\u00edtrio na obra de Lewis normalmente surge nesse contexto apolog\u00e9tico.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do que, o assunto \u00e9 \u00a0sem d\u00favida parte fundamental de seu pensamento, sua mente em termos teol\u00f3gicos pode chegar a surpreender muita gente que espera encontrar em Lewis mais um crist\u00e3o liberal. \u00a0O livre-arb\u00edtrio em sua obra ganha contornos bem ortodoxos. Embora ele admita livre-arb\u00edtrio depois da queda \u2013 diferente de como pensavam os reformadores no s\u00e9culo 16 \u2013 em O Problema do Sofrimento ele d\u00e1 uma extraordin\u00e1ria contribui\u00e7\u00e3o ao diferenciar o livre-arb\u00edtrio do primeiro homem e a liberdade da posteridade. Com toda a sua fant\u00e1stica capacidade imaginativa Lewis infere do relato de G\u00eanesis e da tradi\u00e7\u00e3o patr\u00edstica que o homem paradis\u00edaco n\u00e3o s\u00f3 possu\u00eda plena autoridade sobre as feras, mas sobre a sua mente e tudo o mais que lhe dizia respeito, de fato, sobre o pr\u00f3prio organismo, plenamente de acordo com Tertuliano, \u00a0segundo o qual, como resultado do pecado, \u201ctodo o nosso ser havia sido alterado, deixando sua sa\u00fade original e caindo em um estado de rebeli\u00e3o contra o criador\u201d \u20182 . O primeiro homem seria, pois, uma esp\u00e9cie pr\u00f3pria que entrou em extin\u00e7\u00e3o com o advento da Queda, deste modo, ele escreve: \u201cAssim, o esp\u00edrito humano, de senhor da natureza humana passou a simples h\u00f3spede em sua pr\u00f3pria casa, ou at\u00e9 mesmo um prisioneiro\u201d \u20183. Essa distin\u00e7\u00e3o de Lewis mostra com clareza sua proximidade com o pensamento tradicional a respeito do pecado e bastante afinidade mesmo com Lutero e sua ideia de livre-ag\u00eancia. Para Lutero o homem se torna, depois da Queda, escravo; para Lewis, prisioneiro. N\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a, pois, em que os dois admitem uma vontade escrava ou aprisionada \u2013 embora Lewis tenha sido enf\u00e1tico ao n\u00e3o concordar com a ideia de deprava\u00e7\u00e3o total defendida pelos calvinistas \u20184.<br \/>\nNota-se, portanto, como j\u00e1 fora dito, que o livre-arb\u00edtrio na obra de Lewis quase sempre surge como argumento apolog\u00e9tico, seja pra dar solu\u00e7\u00e3o ao problema do sofrimento, seja para n\u00e3o fazer com que, no final das contas, Deus seja acusado de criar o mal. Em suas palavras:\u201d A doutrina da Queda pelo livre-arb\u00edtrio afirma que o mal gera o combust\u00edvel ou a mat\u00e9ria-prima para o segundo e mais complexo tipo de bem. O mal n\u00e3o \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o de Deus, mas do homem.\u201d \u20185.<br \/>\nAl\u00e9m disso, o pensamento de Lewis acerca da liberdade tamb\u00e9m lan\u00e7a fora o perigo do fatalismo, o problema da origem do pecado e a dificuldade de se entender as passagens b\u00edblicas acerca da responsabilidade do homem. Mesmo que n\u00e3o concordemos com Lewis, devemos admitir que esse argumento foi usado pela maioria dos Pais da Igreja na tarefa apolog\u00e9tica. No entanto, n\u00e3o se pode confundir esse pensamento acerca do \u00e1rbitro com o de Pel\u00e1gio ou Erasmo, que o relacionavam quase sempre a termos soteriol\u00f3gicos. N\u00e3o temos em C.S.Lewis mais um humanista preocupado em defender salva\u00e7\u00e3o por m\u00e9ritos, mas uma mente incans\u00e1vel em defender a f\u00e9 que \u00e9 comum a todos, o cristianismo puro e simples.<br \/>\n***<br \/>\nEm The Great Divorce, no entanto, o tema \u00e9 abordado em um contexto mais doutrin\u00e1rio, al\u00e9m de filos\u00f3fico. Nesta obra C.S.Lewis se vale uma vez mais de seu incompar\u00e1vel talento para f\u00e1bulas e alegorias.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479396910549.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-872\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\" class=\"fix-link-focus\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-358\" src=\"https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479396910549.jpg?w=433&amp;h=658\" sizes=\"auto, (max-width: 433px) 100vw, 433px\" srcset=\"https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479396910549.jpg?w=433&amp;h=658 433w, https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479396910549.jpg?w=866&amp;h=1316 866w, https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479396910549.jpg?w=99&amp;h=150 99w, https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479396910549.jpg?w=197&amp;h=300 197w, https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479396910549.jpg?w=768&amp;h=1168 768w, https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479396910549.jpg?w=674&amp;h=1024 674w\" alt=\"wp-1479396910549.jpg\" width=\"433\" height=\"658\" \/><\/a>\u00a0A trama se passa em um sonho, aonde o narrador-escritor se v\u00ea em uma viagem inacredit\u00e1vel, atravessando C\u00e9u e Inferno. Nesta viagem inesperada C.S.Lewis encontra-se com George Mcdonald, pastor presbiteriano e escritor escoc\u00eas do s\u00e9culo XIX, que tornar-se seu guia, al\u00e9m de mestre. Juntos eles tiram conclus\u00f5es significativas sobre tudo o que veem, em especial trataremos aqui do di\u00e1logo fict\u00edcio elaborado por Lewis que encontra-se nos dois \u00faltimos cap\u00edtulos deste mesmo livro. Ali Lewis desenvolve de forma bastante profunda o seu pensamento acerca da Liberdade e do Tempo e estabelece uma rela\u00e7\u00e3o fundamental entre os dois temas. Lewis parte do pressuposto plat\u00f4nico de que Deus \u00e9 eterno e n\u0101o se condiciona ao tempo por Ele criado, dada as devidas diferen\u00e7as, o mesmo ponto de vista foi abra\u00e7ado tanto por Santo Agostinho como por S\u00e3o Tom\u00e1s, e em Lewis os argumentos s\u00e3o lan\u00e7ados exatamente nesses fundamentos e suas conclus\u00f5es a respeito de nossa liberdade devem ser vistos sob esse aspecto, ou seja, Deus \u00e9 atemporal e n\u00f3s n\u00e3o, logo as postula\u00e7\u00f5es feitas a partir do ponto de vista divino n\u00e3o s\u00e3o as mesmas que se enquadram em nosso limite de tempo e espa\u00e7o.<br \/>\nPortanto, o livre arb\u00edtrio e a soberania divina que antes eu disse serem parte conflitantes da filosofia e da teologia, ganham dentro desse panorama uma explica\u00e7\u00e3o plaus\u00edvel: para n\u00f3s, que estamos no tempo e sujeito \u00e0s suas peculiaridades, torna-se seguro de se dizer sobre a dif\u00edcil quest\u00e3o da liberdade, mesmo com respeito a salva\u00e7\u00e3o ou condena\u00e7\u00e3o eterna: \u201cA escolha dos caminhos est\u00e1 \u00e0 sua frente. N\u00e3o h\u00e1 nada restrito. Qualquer homem pode escolher a morte eterna e os que fizerem essa op\u00e7\u00e3o v\u00e3o t\u00ea-la\u201d \u20186. Isso, levando em considera\u00e7\u00e3o a nossa percep\u00e7\u00e3o temporal, nesse sentido, a Liberdade s\u00f3 pode ser vista ou percebida atrav\u00e9s do Tempo, que funciona como uma esp\u00e9cie de lente: \u201cuma cena de momentos que se seguem uns aos outros e voc\u00ea, em cada momento, fazendo alguma escolha que poderia ter sido diferente\u201d. Mas se formos abordar a coisa do ponto de vista de Deus e analisarmos doutrinas como a da Predestina\u00e7\u00e3o ou o Universalismo nos colocaremos, inevitavelmente, de um ponto de vista fora do tempo, perdendo assim o conhecimento da liberdade que temos por experi\u00eancia.<br \/>\nBoa parte das aparentes contradi\u00e7\u00f5es da B\u00edblia em rela\u00e7\u00e3o ao livre-arb\u00edtrio e a soberania s\u00e3o solucionadas se t\u00e3o simplesmente levarmos em considera\u00e7\u00e3o que pelo menos duas perspectivas diferentes podem estar sendo empregadas, a de Deus que \u00e9 atemporal e a do homem cuja vida se limita ao movimento dos n\u00fameros do nosso rel\u00f3gio, que possui apenas 24hs.<\/p>\n<p>E toda discuss\u00e3o teol\u00f3gica que trate de Livre-arb\u00edtrio e Soberania, deve considerar a realidade experimental al\u00e9m da teol\u00f3gica. Fil\u00f3sofos e te\u00f3logos dissertam sobre coisas profundas que muitas vezes est\u00e3o al\u00e9m da nossa compreens\u00e3o, mas isso n\u00e3o quer dizer que negligenciam a verdade. Um pastor fala com propriedade da Soberania de Deus e o carpinteiro, sentado no banco da Igreja, sabe que \u00e9 livre para fazer escolhas, ambos est\u00e3o certos e Deus n\u00e3o deixou de ser Deus. No argumento de C.S.Lewis podemos compreender Livre-arb\u00edtrio e Predestina\u00e7\u00e3o sem precisar acender uma fogueira e procurar um herege, \u00e9 tudo uma quest\u00e3o de percep\u00e7\u00e3o. Mas essas coisas devem ficar um pouco mais claras no pr\u00f3ximo t\u00f3pico.<\/p>\n<p>Um Deus Atemporal: os primeiros passos na doutrina da Provid\u00eancia<\/p>\n<blockquote><p>\u201cEu sou o Alfa e o \u00d4mega, o princ\u00edpio e o fim, diz o Senhor, que \u00e9, e que era, e que h\u00e1 de vir, o Todo-Poderoso\u201d Apocalipse: 01-08<\/p>\n<p>\u201cA folha pendente da \u00e1rvore n\u00e3o cai, nem os dois pardais vendidos por um asse caem, nem qualquer outra coisa acontece sem a provid\u00eancia e a vontade de Deus, quer se considere isso um detalhe ou se permita como detalhe.\u201d \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u2013 Luis Molina, Conc\u00f3rdia 4.53.3.17<\/p>\n<p>\u201cSe Deus dirigi realmente o curso dos acontecimentos, Ele ent\u00e3o governa o movimento de cada \u00e1tomo a cada momento. Nem um pardal cai por terra sem sua permiss\u00e3o. \u00a0A \u201cnaturalidade\u201d dos eventos naturais n\u00e3o consiste, de alguma forma, em estar fora da provid\u00eancia de Deus, mas consiste em sua interliga\u00e7\u00e3o m\u00fatua dentro de um espa\u00e7o-tempo comum, de acordo com o padr\u00e3o estabelecido das \u201cleis\u201d.\u201d \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u2013 C.S.Lewis, Sobre as Provid\u00eancias.<\/p>\n<p>\u201cTodo esse problema de predestina\u00e7\u00e3o, livre-arb\u00edtrio e m\u00e9rito encontra-se na quest\u00e3o da provid\u00eancia.\u201d \u2013 Ulrich Zu\u00ednglio<\/p><\/blockquote>\n<p>A B\u00edblia diz que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, mas at\u00e9 que ponto podemos classificar a palavra \u2018todas\u2019?<\/p>\n<p>N\u00f3s sabemos que certamente se refere n\u00e3o s\u00f3 \u00e0s coisas boas, mas tamb\u00e9m aos sofrimentos, as perdas e \u00e0s dores, enfim, todas as coisas. Mas dentro de nossa perspectiva temporal em qual per\u00edodo ou tempo elas se organizam em nosso favor? Todas as coisas que nos cercam no nosso presente, ou tamb\u00e9m inclui o nosso passado e futuro?<\/p>\n<p>Todas essas perguntas e as respostas que delas devem vir pertencem \u00e0 doutrina da provid\u00eancia e a melhor maneira de aborda-la do ponto de vista crist\u00e3o \u00e9 levando em considera\u00e7\u00e3o as passagens da B\u00edblia. As escrituras nos ensinam que Deus n\u00e3o est\u00e1 sujeito ao tempo e \u00e9 sobre esse fundamento que C.S.Lewis constr\u00f3i seus argumentos, eles podem \u00a0ser vistos no segundo ap\u00eandice do livro Milagres, sob o t\u00edtulo: A respeito das providencias especiais; e no cap\u00edtulo cinco de Cristianismo Puro e Simples.<br \/>\nComo j\u00e1 dizia o reformador alem\u00e3o Ulrich Zu\u00ednglio, boa parte do problema filos\u00f3fico e teol\u00f3gico envolvendo o livre-arb\u00edtrio e a soberania encontra-se na quest\u00e3o da provid\u00eancia \u20188. A primeira coisa que deve nortear a nossa mente \u00e9 que Ele, nosso Senhor, \u00e9 o Alfa e o \u00d4mega e tudo que prov\u00e9m dEle n\u00e3o se sujeita \u00e0 nossa no\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o e tempo, na obra de Lewis n\u0101o \u00e9 diferente, ele nos ensina: \u201ctodos os eventos f\u00edsicos e todos os atos humanos est\u00e3o presentes para Ele num eterno Agora. [\u2026] Deus, neste sentido, n\u00e3o criou o universo h\u00e1 muito tempo, mas ele o cria neste minuto, a cada minuto.\u2019\u2019<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479397028094.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-872\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\" class=\"fix-link-focus\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-360 size-full alignleft\" src=\"https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479397028094.jpg?w=700\" sizes=\"(max-width: 480px) 100vw, 480px\" srcset=\"https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479397028094.jpg 480w, https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479397028094.jpg?w=150 150w, https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479397028094.jpg?w=300 300w\" alt=\"\" \/><\/a>\u00a0C.S.Lewis nos fornece uma imagem ainda mais did\u00e1tica. Imaginemos que eu encontre uma folha e nela uma linha preta ondulada que segue de uma extremidade \u00e0 outra e que eu, deliberadamente, resolva escrever outras linhas \u2013 vermelha, por exemplo. Vamos imaginar ent\u00e3o que a primeira linha, que j\u00e1 estava escrita, seja consciente. Mas ela n\u00e3o tem consci\u00eancia ao longo de todo o seu trajeto, mas em cada ponto de seu percurso. Ela, de fato, movimenta-se da esquerda para a direita e ret\u00e9m o ponto A apenas como mem\u00f3ria ao alcan\u00e7ar B, incapaz de tornar-se consciente de D at\u00e9 deixar C. Vamos atribuir a essa linha preta livre-arb\u00edtrio, de forma que foi ela mesmo que escolheu sua forma ondulada especial e a dire\u00e7\u00e3o que est\u00e1 a seguir. Apesar de ela n\u00e3o saber o que fazer em F at\u00e9 deixar o ponto E, eu, que estou com o papel na m\u00e3o e sei todo o seu percurso, escrevo as linhas vermelhas de modo a considerar todo o trajeto da linha preta, de forma que ela ir\u00e1 sempre encontrar com minhas linhas vermelhas ao longo de sua trajet\u00f3ria. Em resumidas palavras, essa \u00e9 a forma como Lewis enxerga o cen\u00e1rio da atua\u00e7\u0101o da Provid\u00eancia, a linha preta representa uma criatura dotada de livre-arb\u00edtrio, as vermelhas os acontecimentos materiais e o autor do desenho representa Deus. \u00c9 claro que o exemplo de Lewis seria mais real se o autor das linhas vermelhas tamb\u00e9m tivesse criado tanto o papel quanto o pr\u00f3prio padr\u00e3o utilizado e, ali\u00e1s, tamb\u00e9m dever\u00edamos levar em conta outras centenas de milhares de linhas pretas e n\u00e3o uma apenas. \u00a0 \u00a0O conjunto de linhas pretas e o entrela\u00e7amento com as linhas vermelhas deveriam formar um desenho artisticamente impressionante, de modo que, na composi\u00e7\u00e3o do todo, as linhas pretas dependeriam da forma\u00e7\u00e3o das linhas vermelhas. A liberdade de arb\u00edtrio previamente concebida pelo provedor das provid\u00eancias \u00e9, grosso modo, o cen\u00e1rio da atua\u00e7\u0101o divina.\u20199<br \/>\nMas essa \u00e9 apenas uma imagem que nos introduz \u00e0 doutrina propriamente dita. Aprendemos que as coisas que cooperam para o nosso bem emanam de Deus e n\u00e3o se limitam ao nosso ponto de vista do <span class=\"skimlinks-unlinked\">tempo.Uma<\/span> grande parte de nossas ora\u00e7\u00f5es, se forem devidamente analisadas, exigem uma interven\u00e7\u00e3o de Deus que antecede n\u00e3o s\u00f3 o nosso ato de f\u00e9 como muitas vezes o nosso pr\u00f3prio nascimento, noutras os fundamentos precisariam ser lan\u00e7ados antes da funda\u00e7\u00e3o do mundo. Embora numa sucess\u00e3o temporal pare\u00e7a imposs\u00edvel, para Deus, que olha da eternidade, tanto quem faz a ora\u00e7\u00e3o quanto o milagre ao qual pede j\u00e1 estavam t\u00e3o presentes na cria\u00e7\u00e3o do mundo como est\u00e3o agora e estar\u00e3o daqui a um milh\u00e3o de anos. Deste modo \u201cao meio-dia podemo-nos tornar causas parciais de um evento ocorrido \u00e0s 10 da manh\u00e3\u201d \u201911.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479397052258.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-872\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\" class=\"fix-link-focus\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-361 size-full alignleft\" src=\"https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479397052258.jpg?w=700\" sizes=\"(max-width: 480px) 100vw, 480px\" srcset=\"https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479397052258.jpg 480w, https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479397052258.jpg?w=150 150w, https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479397052258.jpg?w=300 300w\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p>A Provid\u00eancia funciona como mediadora entre o conceito que temos de liberdade e soberania justamente no ponto em que dela inferimos que Deus \u00e9 atemporal e que interv\u00e9m em nossas vidas de acordo com seus planos e prop\u00f3sitos. Suas interven\u00e7\u00f5es chegam a n\u00f3s em um determinado tempo, mas fluem dEle da eternidade. Poder\u00edamos dizer que Ele conduz todas as coisas atrav\u00e9s de sua Provid\u00eancia para a realiza\u00e7\u00e3o de seus planos. Lembremos do exemplo das linhas pretas e vermelhas na composi\u00e7\u00e3o de um desenho completo redigido com maestria. N\u00f3s continuamos livres e Ele soberano. \u00c9 claro que n\u00f3s j\u00e1 aprendemos que nossa liberdade tornou-se restrita pela nossa pr\u00f3pria natureza corrompida e que mesmo C.S.Lewis admite que tornamo-nos escravo desta. E \u00e9 precisamente por isso que a Soberania por meio da Provid\u00eancia precisa atuar. Falando em uma linguagem b\u00edblica, se Deus n\u00e3o nos chamar, n\u00f3s n\u00e3o iremos a Ele. Foi o que aconteceu particularmente na convers\u00e3o de Lewis.<br \/>\nSe a doutrina da Provid\u00eancia permiti-nos seguran\u00e7a na ora\u00e7\u00e3o, com respeito a obra redentora de Jesus Cristo, Lewis sentiu na pele que dela \u2013 a Provid\u00eancia por meio da Reden\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00e3o podemos esperar a t\u00e3o desej\u00e1vel \u201cindepend\u00eancia\u201d de nossa vontade, qualquer seguran\u00e7a ou o m\u00ednimo de estabilidade. \u201cH\u00e1 armadilhas por toda a parte\u201d \u201912 diz Lewis em sua autobiografia. Foi muito provavelmente tendo esses pressupostos em mente que ele registrou em \u201cSurpreendido pela Alegria\u201d o modo como Deus usou o apologista crist\u00e3o G.K.Chesterton na sua convers\u00e3o: \u201cParece at\u00e9 que a Provid\u00eancia, ou uma causa segunda de uma esp\u00e9cie bem obscura, supera nossas inclina\u00e7\u00f5es quando decide aproximar duas mentes\u201d \u201913. Chesterton viria a se tornar pe\u00e7a fundamental no dram\u00e1tico processo da convers\u00e3o de C.S.Lewis, mas esse assunto j\u00e1 faz parte do pr\u00f3ximo t\u00f3pico.<\/p>\n<p>Deus Compellegal Intrare: Surpreendido pela Soberania<\/p>\n<blockquote><p>\u201cD\u00ea-me gra\u00e7as [\u00d3 Senhor] para fazer o que ordenas, e ordena-me a fazer o que tu queres! \u00d3 santo Deus (\u2026) quando teus mandamentos s\u00e3o obedecidos, \u00e9 do Senhor que recebemos o poder de obedec\u00ea-los\u2019\u2019 \u2013 Santo Agostinho (Tagaste, 13 de novembro de 354 \u2013 Hipona, 28 de agosto de 430)<br \/>\n\u201cA dureza de Deus \u00e9 mais suave que a suavidade dos homens, e sua coer\u00e7\u00e3o \u00e9 nossa liberta\u00e7\u00e3o.\u201d \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u2013 C.S.Lewis, Surpreendido pela Alegria.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Bom, neste momento iremos analisar, de uma forma mais especifica, como Lewis veio a acreditar em Jesus Cristo e de que forma isso se deu. Do ate\u00edsmo ao te\u00edsmo e deste ao cristianismo, em quais circunstancias se realizou aquilo que, para muitos, parecia imposs\u00edvel: a queda de um dos mais empedernidos ateus do s\u00e9culo XX.<br \/>\nDesde a mais tenra inf\u00e2ncia Lewis nunca lidou muito bem com a ideia de qualquer autoridade que roubasse sua privacidade ou sua seguran\u00e7a, alguns de seus bi\u00f3grafos relacionam isso ao relacionamento ruim que ele teve com o pai. Quando ainda era ateu, a ideia de um Deus pessoal, como ensinava o cristianismo, lhe causava desprezo, \u201cnenhuma palavra do meu vocabul\u00e1rio despertava \u00f3dio mais profundo do que a palavra interfer\u00eancia\u201d. O Antigo e o Novo Testamento \u201ccolocavam no centro o que a mim parecia ser um Intruso transcendental\u201d \u201914.<br \/>\nLewis, de fato, ansiaria em se manter o mais longe poss\u00edvel dessa f\u00e9, n\u00e3o queria nada, de nenhuma esp\u00e9cie, roubando sua liberdade. Apesar de isso ser um motivo emocional e pessoal, Lewis fez de tudo para que seu intelecto tamb\u00e9m criasse anticorpos \u00e0 essa cren\u00e7a, com a leitura de escritores materialistas ele, de fato, vinha conseguindo se manter em defesa durante um bom tempo. O que ele n\u00e3o contava \u00e9 que, fizesse o que fizesse, quanto mais ele se aprofundava em suas \u00e1reas de pesquisa acad\u00eamica \u2013 que inclu\u00edam hist\u00f3ria, filosofia, literatura inglesa e medieval \u2013 mais ele se deparava com escritores que, apesar de serem muito inteligentes, tinham um leve defeito, eram crentes. E todos os materialistas come\u00e7aram a parecer meio \u201craqu\u00edticos\u201d em compara\u00e7\u00e3o a autores crist\u00e3os como Dante e Milton, al\u00e9m dos mais contempor\u00e2neos como George Mcdonald e G.K. Chesterton. Lewis chegou mesmo a dizer, anos mais tarde, que \u201cum jovem que deseja continuar sendo um ateu convicto jamais poder\u00e1 ser suficientemente cauteloso quanto \u00e0s suas leituras. H\u00e1 armadilhas por toda parte.\u201d \u201915<br \/>\nO Deus que se apresentava, de forma bastante inconveniente, atrav\u00e9s das leituras de Lewis, tamb\u00e9m se manifestaria atrav\u00e9s de suas novas amizades na universidade de Oxford e por muitos outros meios. Foi nesta mesma universidade que Lewis viria a conhecer Owen Barfild que atacou com bastante contund\u00eancia a incoer\u00eancia l\u00f3gica de seu ate\u00edsmo. Ao entrar para a Faculdade de Ingl\u00eas no Magdalen College, em Oxford, Lewis conheceu mais dois crist\u00e3os, Hugo Dyson e J.R.R. Tolkien. Estes homens tornaram-se amigos \u00edntimos dele e o influenciaram profundamente. Os tempos de incr\u00e9dulo estavam chegando ao fim, Lewis se sentia exatamente como uma presa que se p\u00f5e em desespero na fuga de seu predador natural, era um per\u00edodo que iria delinear uma grande transi\u00e7\u00e3o. Uma verdadeira mudan\u00e7a de paradigmas estava prestes a acontecer, no per\u00edodo entre 1928 e 1931 duras e contundentes provas em favor da exist\u00eancia de Deus e da veracidade da B\u00edblia come\u00e7avam a imergir de onde Lewis menos esperava, a presa estava prestes a ser alcan\u00e7ada, mas \u201cantes de Deus fechar o cerco sobre mim\u201d, relembrou Lewis em Surpreendido pela Alegria, \u201cfoi-me oferecido aquilo que hoje me parece um momento de escolha absolutamente livre. [\u2026] Senti, ali e ent\u00e3o, que me era dada a possibilidade de escolha. Eu poderia abrir a porta ou deix\u00e1-la trancada; poderia tirar a carapa\u00e7a ou conserv\u00e1-la. [\u2026] Escolhi abrir, tirar a carapa\u00e7a, afrouxar as r\u00e9deas. Digo \u201cescolhi\u201d, mas n\u00e3o me parecia realmente poss\u00edvel fazer o contr\u00e1rio.\u201d \u201916<br \/>\n\u00c9 neste ponto paradoxal que desejava chegar, enfim a t\u00eanue linha que separa liberdade humana e soberania divina, uma divis\u00f3ria que necessariamente n\u00e3o existiu para Lewis. At\u00e9 aqui acompanhamos alguns tra\u00e7os biogr\u00e1ficos a partir de Surpreendido pela Alegria, mas antes de avan\u00e7armos no assunto veremos que em O Regresso do Peregrino soberania tamb\u00e9m \u00e9 um tema corrente. \u00a0<a href=\"https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479397132670.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-872\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\" class=\"fix-link-focus\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-362 alignleft\" src=\"https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479397132670.jpg?w=449&amp;h=599\" sizes=\"auto, (max-width: 449px) 100vw, 449px\" srcset=\"https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479397132670.jpg?w=449&amp;h=599 449w, https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479397132670.jpg?w=113&amp;h=150 113w, https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479397132670.jpg?w=225&amp;h=300 225w, https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479397132670.jpg 480w\" alt=\"\" width=\"449\" height=\"599\" \/><\/a><\/p>\n<p>Essa \u00a0foi a primeira publica\u00e7\u00e3o de Lewis depois de convertido, a trama descreve a busca de John \u2013 protagonista da saga aleg\u00f3rica- para chegar \u00e0 ilha encantada, reflexo da busca do pr\u00f3prio Lewis \u201cpor uma experi\u00eancia particular recorrente\u201d que mais tarde ele veio a chamar de alegria. No caminho da ilha John encontra diferentes tipos de filosofias, a maioria delas afirmava que tal ilha, de fato, n\u00e3o existia. Outras afirmavam que existia, mas seria imposs\u00edvel, ou pouco recomend\u00e1vel, o caminho que leva at\u00e9 ela. John, no entanto, n\u00e3o podia conceber duas coisas: que a ilha, de fato, n\u00e3o existisse e que o Propriet\u00e1rio \u2013 alegoria de Deus -, do qual fugira a vida inteira, fosse real. Mas n\u00e3o havia mais sa\u00edda. As alegorias da Raz\u00e3o, da Sabedoria e da hist\u00f3ria mostravam a John a ilus\u00e3o de todas as filosofias que negavam a exist\u00eancia da Ilha e do Propriet\u00e1rio. Jhon reluta em acreditar, mas diante da incapacidade de continuar sua jornada com as pr\u00f3prias for\u00e7as ele se inquieta cada vez mais e \u201cna amargura de sua alma, ele olhou para cima novamente, dizendo: Ajuda, ajuda, eu quero ajuda!\u201d e ent\u00e3o ele percebe \u201ceu estava orando!\u201d[\u2026] \u201cEm apenas uma noite, o Propriet\u00e1rio \u2013 chame-o pelo nome que quiser \u2013 tinha voltado a fazer parte do seu mundo e \u00a0havia o ocupado, preenchendo-o plenamente, sem deixar livre um espa\u00e7o se quer. (\u2026) E todas as coisas apontavam para uma \u00fanica palavra: Capturado.\u201d \u201917<br \/>\nA experi\u00eancia de Lewis foi semelhante, ou melhor, id\u00eantica. Sua convers\u00e3o ao cristianismo n\u00e3o se deu de forma imediata, mas ap\u00f3s muito relutar. A fuga de Lewis desse Ser transcendental que lhe roubava a privacidade foi um longo e dram\u00e1tico processo, uma fuga que teve um desfecho inevit\u00e1vel, bastante similar ao de Jhon: \u201cAquilo que eu temia tanto pairava afinal sobre mim. Cedi enfim [\u2026] admitindo que Deus era Deus, ajoelhei-me e orei: talvez, naquela noite, o mais deprimido e relutante dos convertidos de toda a Inglaterra.\u201d Ele se auto descreveu como \u201co Filho Pr\u00f3digo que afinal caminhava para casa com as pr\u00f3prias pernas. Mas quem \u00e9 que pode respeitar de fato o Amor que abre os port\u00f5es ao pr\u00f3digo que \u00e9 arrastado para dentro esperneando, lutando, ressentido e girando os olhos em torno, \u00e0 procura de uma chance de fuga? As palavras compelle intrare, for\u00e7\u00e1-los a entrar, foram t\u00e3o violentadas por homens impiedosos que chegamos estremecer diante delas; mas, entendidas de forma correta, determinam a profundidade da miseric\u00f3rdia divina. A dureza de Deus \u00e9 mais suave que a suavidade dos homens, e sua coer\u00e7\u00e3o \u00e9 nossa liberta\u00e7\u00e3o.\u201d \u201918<br \/>\nComo podemos ver, em suas duas auto biografias, Lewis tinha um conceito de soberania muito forte, mesmo Agostinho um dos maiores defensores da gra\u00e7a soberana se acautelou em usar a palavra coer\u00e7\u00e3o com referencia \u00e0 a\u00e7\u00e3o de Deus em nossa convers\u00e3o. Ele por\u00e9m, tal como Agostinho, acreditava, em algum n\u00edvel, na liberdade e no arb\u00edtrio do homem. Como ele entedia isso j\u00e1 foi dito no primeiro t\u00f3pico desse texto, \u00e9 tudo uma quest\u00e3o de percep\u00e7\u00e3o temporal. Ele nunca esteve disposto a fazer uma escolha entre o fatalismo e o humanismo. Como ele mesmo diria, nem o Norte e nem O Sul. Jack (como costumava ser chamado pelos amigos) estava ciente de um caminho em que a soberania e a liberdade se encontravam, tornando-se doutrinas diferente de um mesmo credo. Talvez ele visse essa aparente contradi\u00e7\u00e3o entre teoria e pratica, como Ranson \u2013 o personagem principal de sua Trilogia C\u00f3smica.\u00a0<a href=\"https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479397354504.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-872\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\" class=\"fix-link-focus\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-363 alignleft\" src=\"https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479397354504.jpg?w=504&amp;h=311\" sizes=\"auto, (max-width: 504px) 100vw, 504px\" srcset=\"https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479397354504.jpg?w=504&amp;h=311 504w, https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479397354504.jpg?w=150&amp;h=93 150w, https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479397354504.jpg?w=300&amp;h=185 300w, https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479397354504.jpg?w=768&amp;h=475 768w, https:\/\/sociedadecslewisblog.files.wordpress.com\/2016\/11\/wp-1479397354504.jpg 825w\" alt=\"\" width=\"504\" height=\"311\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em Perelandra, Elwin Ranson se v\u00ea diante da responsabilidade de enfrentar o N\u00e3o-Homem \u2013 aquele que instigava a Queda no G\u00eanesis mitol\u00f3gico de V\u00eanus. Ranson nota que enfrentar o N\u00e3o-Homem lhe parecia literalmente imposs\u00edvel, mas de alguma forma ele sabia que iria ser feito. Isso j\u00e1 tinha acontecido antes com ele, e \u201co mesmo acontecia agora [\u2026] poderia implorar, chorar ou se rebelar, poderia amaldi\u00e7oar ou adorar, cantar como um m\u00e1rtir ou blasfemar como um dem\u00f4nio. N\u00e3o fazia a menor diferen\u00e7a. [\u2026] O ato futuro j\u00e1 estava ali, fixo e inalter\u00e1vel, como se ele j\u00e1 o tivesse executado. [\u2026] Talvez fosse poss\u00edvel dizer que o poder da escolha tinha sido simplesmente afastado e substitu\u00eddo por um destino inflex\u00edvel. Por outro lado, talvez se pudesse dizer que Ranson tinha sido libertado [\u2026] para uma liberdade inexpugn\u00e1vel. Por mais que se esfor\u00e7asse, Ranson n\u00e3o conseguia ver nenhuma diferen\u00e7a entre essas duas formula\u00e7\u00f5es.\u201d \u201919<br \/>\nEssa \u00e9 provavelmente a forma como o pr\u00f3prio Lewis via o assunto. Ranson carregava muitos tra\u00e7os de seu criador. Talvez depois de convertido, experimentado e estudado nas doutrinas teol\u00f3gicas, ele enfim tenha chegado \u00e0 mesma conclus\u00e3o que seu personagem de fic\u00e7\u00e3o cientifica. Talvez Lewis pudesse dizer o mesmo de si pr\u00f3prio quando disse que para Ranson enfim \u201cA predestina\u00e7\u00e3o e a liberdade eram aparentemente id\u00eanticas.\u201d e que \u00a0\u201cEle j\u00e1 n\u00e3o conseguia ver o menor significado nos muitos argumentos que ouvira sobre o assunto.\u201d \u201920<\/p>\n<p>Refer\u00eancias:<br \/>\nSobre o Livre-arb\u00edtrio:<br \/>\n\u20181- O Problema do Sofrimento, editora Vida. <span class=\"skimlinks-unlinked\">pg.126<\/span><br \/>\n\u20182- Sobre os Espet\u00e1culos, 2. Ver \u00a0Justo Gonz\u00e1lez, Uma breve hist\u00f3ria das doutrinas crist\u00e3s, editora Hagnos, <span class=\"skimlinks-unlinked\">pg.116<\/span>.<br \/>\n\u20183- O Problema do Sofrimento, editora Vida. pg. 94<br \/>\n\u20184- Ibid., pg 77. Aonde \u00a0se l\u00ea sobre a Deprava\u00e7\u00e3o Total: \u201cN\u00e3o creio nessa doutrina\u201d.<br \/>\n\u20185- Ibid., pg 96<br \/>\n\u20186- O Grande Abismo, editora Vida. <span class=\"skimlinks-unlinked\">pg.143<\/span><br \/>\n\u20187- Ibid.<br \/>\nSobre a Provid\u00eancia:<br \/>\n\u20188- Ver Teologia dos Reformadores, <span class=\"skimlinks-unlinked\">pg.124<\/span><br \/>\n\u20189- Sobre a Provid\u00eancia, editora Vida. <span class=\"skimlinks-unlinked\">pg.268-269<\/span>.<br \/>\n\u201910- Ibid. pg. 270.<br \/>\n\u201911- Ibid. <span class=\"skimlinks-unlinked\">pg.272<\/span>.<br \/>\n\u201912- Surpreendido pela Alegria, editora Ultimato. \u00a0pg. 171<br \/>\n\u201913- Ibid. pg. 170<br \/>\nSobre a Soberania:<br \/>\n\u201914- Surpreendido pela Alegripe, editora Ultimato. <span class=\"skimlinks-unlinked\">pg.155<\/span><br \/>\n\u201915- Ibid. pg. 171<br \/>\n\u201916- Ibid. pg. 198-199<br \/>\n\u201917- O Regresso do Peregrino,Icthus Editorial. pg. 223-224\/ 229-230<br \/>\n\u201918- Surpreendido pela Alegria, editora Ultimato. pg. 202-204<br \/>\n\u201919- Perelandra, Martins Fontes. <span class=\"skimlinks-unlinked\">pg.198<\/span><br \/>\n\u201920- Ibid. <span class=\"skimlinks-unlinked\">pg.199<\/span>.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/sociedadecslewisblog.wordpress.com\/2016\/04\/26\/livre-arbitrio-providencia-e-soberania-na-vida-e-obra-de-c-s-lewis-uma-resposta-a-roger-olson\/\">Livre-arb\u00edtrio, Provid\u00eancia e Soberania na vida e obra de&nbsp;C.S.Lewis<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leia artigo de Filipe Galhardo: \u201cEle [C.S.Lewis] era centrado em Cristo, um crist\u00e3o de tend\u00eancia da grande tradi\u00e7\u00e3o, cuja estatura, uma gera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s sua morte, parece maior do que qualquer um jamais pensou enquanto ele ainda estava vivo, e cujos escritos crist\u00e3os s\u00e3o agora vistos como tendo status de cl\u00e1ssicos\u2026 Eu duvido que algu\u00e9m tenha [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":46,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[29086],"tags":[29397,29380,15615],"class_list":["post-872","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-em-portugues","tag-livre-arbitrio","tag-providencia","tag-soberania"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/872","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/users\/46"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=872"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/872\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":877,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/872\/revisions\/877"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=872"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=872"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=872"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}