{"id":747,"date":"2014-12-29T16:12:26","date_gmt":"2014-12-29T19:12:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cslewis.com.br\/?p=747"},"modified":"2016-06-16T09:49:16","modified_gmt":"2016-06-16T12:49:16","slug":"aspectos-religiosos-na-obra-as-cronicas-de-narnia-o-leao-a-feiticeira-e-o-guarda-roupa-de-c-s-lewis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/2014\/12\/29\/aspectos-religiosos-na-obra-as-cronicas-de-narnia-o-leao-a-feiticeira-e-o-guarda-roupa-de-c-s-lewis\/","title":{"rendered":"Aspectos religiosos na obra \u201cAs Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia: O le\u00e3o, a feiticeira e o guarda-roupa\u201d, de C. S. Lewis"},"content":{"rendered":"<p>por Ana Paula de F\u00e1tima Bueno<br \/>\npor Adrian Lincoln Ferreira Clarindo<\/p>\n<p>RESUMO<\/p>\n<p>O objetivo do presente trabalho \u00e9 abordar alguns aspectos religiosos judaico-crist\u00e3os encontrados na obra As Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia: O Le\u00e3o, a Feiticeira e o Guarda-roupa, do autor ingl\u00eas Clive Staples Lewis. Para investigar esta intertextualidade b\u00edblica, usaremos as bases te\u00f3ricas de Alister McGrath, D\u00e9borah Silva Stafussi, Raquel Lima Botelho, entre outras. Ser\u00e3o abordados alguns pontos por n\u00f3s considerados relevantes dentro da obra em quest\u00e3o, a fim de que possamos observar com clareza a influ\u00eancia e mesmo as refer\u00eancias dentro dela ao texto b\u00edblico. Logo, neste trabalho faremos o seguinte percurso: 1) Apresentaremos a obra, objeto de nosso estudo; 2) Investigaremos os seres mitol\u00f3gicos ficcionais presentes na obra. 3) Analisaremos como acontece a narrativa em U, que se d\u00e1 em tr\u00eas picos: acontecimentos felizes, decl\u00ednio e desfecho e 4) Observaremos qual a rela\u00e7\u00e3o de Cristo com Aslam, personagem do livro.<!--more--><\/p>\n<p>Palavras-chave: Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia. Literatura. B\u00edblia.<\/p>\n<p>ASPECTOS RELIGIOSOS NA OBRA AS CR\u00d4NICAS DE N\u00c1RNIA: O LE\u00c3O, A FEITICEIRA E O GUARDA-ROUPA DE C.S. LEWIS<\/p>\n<p>ABSTRACT<\/p>\n<p>The aim of this work is to address some Judeo-Christian religious aspects found in the book The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe by the English author Clive Staples Lewis. In order to investigate this biblical intertextuality, we are using the theoretical bases of Alister McGrath, Deborah Silva Stafussi, Raquel Lima Botelho, among others. Some points will be addressed by us because they are considered relevant within this respective object, so that we can clearly observe the influence and even the references in it to the biblical text. Hence, in this work we will take the following route: 1) We present the work, the object of our study; 2) Investigate the fictional mythological beings in the work. 3) Analyze how the narrative happens in U-shape, which is given in three peaks: happy events, decline and endpoint, and 4) We will see what is the relationship of Christ with Aslan, a character in the book.<\/p>\n<p>Keywords: Chronicles of Narnia. Literature. Bible.<\/p>\n<p>1 INTRODU\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>Este artigo pretende analisar alguns aspectos religiosos judaico-crist\u00e3os encontrados na obra liter\u00e1ria As Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia: \u201cO Le\u00e3o, a Feiticeira e o Guarda &#8211; roupa\u201d (original \u201cThe Lion, the Witch and the Wardrobe\u201d), do autor irland\u00eas Clive Staples Lewis.<br \/>\nO estudo ser\u00e1 fundamentado nas ideias dos te\u00f3ricos Northrop Frye, Alister McGrath, Raquel Lima Botelho, entre outros. Com o uso de cita\u00e7\u00f5es da B\u00edblia e compara\u00e7\u00f5es textuais, acredita-se que pode ser percebido o texto b\u00edblico inserido na obra de nosso estudo.<br \/>\nNeste trabalho, faremos o seguinte percurso: Em um primeiro momento: apresentaremos a obra, objeto de nosso estudo; na sequ\u00eancia: investigaremos os seres mitol\u00f3gicos ficcionais presentes na obra; na terceira abordagem: analisaremos como acontece a narrativa em U, que na obra \u00e9 apresentada em tr\u00eas picos: acontecimentos felizes, decl\u00ednio e desfecho; e por \u00faltimo: observaremos qual a rela\u00e7\u00e3o de Cristo com Aslam, personagem do livro.<br \/>\nIniciaremos com a apresenta\u00e7\u00e3o da obra ao leitor.<\/p>\n<p>2 APRESENTA\u00c7\u00c3O DA OBRA<\/p>\n<p>As Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia \u00e9 uma colet\u00e2nea de contos infantis. Sendo composta por sete livros e subdividida em: O Sobrinho do mago, O Le\u00e3o, a Feiticeira e o Guarda-roupa, O cavalo e seu menino, Pr\u00edncipe Caspian, A viagem do peregrino da alvorada, A cadeira de prata e A \u00faltima batalha.<br \/>\nO livro, do te\u00f3logo, professor e autor irland\u00eas Clive Staples Lewis (1898-1963), foi lan\u00e7ado em 1950, mas tendo sido escrito em 1949. Na ordem cronol\u00f3gica dos acontecimentos da s\u00e9rie o livro em quest\u00e3o seria o segundo, mas foi o primeiro a ser publicado, tendo, a s\u00e9rie toda, relativo sucesso, contando com adapta\u00e7\u00f5es para o r\u00e1dio, s\u00e9ries de televis\u00e3o e filmes.<br \/>\nAs Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia: \u201cO Le\u00e3o, a Feiticeira e o Guarda-roupa\u201d narra a hist\u00f3ria de quatro irm\u00e3os: Susana, L\u00facia, Pedro e Edmundo, que sa\u00edram de Londres para morar com o professor Kirke, no local as crian\u00e7as encontram um antigo e misterioso guarda-roupa. Entram no mundo de N\u00e1rnia em que h\u00e1 muitos anos \u00e9 inverno, por causa da falsa rainha a Feiticeira Branca, Jadis. Com a ajuda do le\u00e3o Aslam, os irm\u00e3os combatem o mal, derrotam a bruxa e trazem a paz de volta \u00e0 N\u00e1rnia. Passam v\u00e1rios anos em N\u00e1rnia, se tornam adultos, de repente encontram o lampi\u00e3o e retornam para a casa, voltando a ser crian\u00e7as.<br \/>\nNo artigo intitulado como: A Intertextualidade B\u00edblica nas Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia de C.S.Lewis \u2013 um panorama, de Raquel Lima Botelho, mestre pela Mackenzie, a autora exemplifica o porqu\u00ea de Lewis se basear em contos de fada:<\/p>\n<p>Ao escrever hist\u00f3rias, Lewis aproxima seu leitor do real, do concreto sem, entretanto, racionalizar ou perder a leveza e o encanto da imagina\u00e7\u00e3o. \u201cPara o autor, uma das vantagens dos contos de fada \u00e9 que eles contam hist\u00f3rias de animais e de seres m\u00edticos que misturam atributos de adultos e crian\u00e7as\u201d. Os animais s\u00e3o como crian\u00e7as no sentido que n\u00e3o t\u00eam responsabilidades; e como os adultos porque t\u00eam a liberdade de irem e virem. (BOTELHO, 2005, p.2)<\/p>\n<p>Lewis gostava de ler contos de fada em sua inf\u00e2ncia, por isso utilizou em suas obras v\u00e1rios elementos observados nos contos, com o objetivo de deixar a leitura mais atraente e fant\u00e1stica.<br \/>\nDe acordo com Elaine Carneiro Domingues Sant\u2019Anna, mestre pela Universidade Federal de Santa Catarina, em seu artigo denominado: An\u00e1lise da Tradu\u00e7\u00e3o das Intertextualidades B\u00edblicas realizada na obra O Le\u00e3o, a Feiticeira e o Guarda-roupa, de C.S.Lewis, podemos ter v\u00e1rios modos de ler a obra:<\/p>\n<p>[&#8230;] H\u00e1 diferentes modos de se ler O Le\u00e3o, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, como, por exemplo: uma hist\u00f3ria mitol\u00f3gica, uma grande par\u00e1bola, um conto de fadas (GREGGERSEN 2006) e, ainda, um texto que remete, dentre outros, a temas crist\u00e3os. No entanto, o pr\u00f3prio Lewis \u00e9 bem aberto no que concerne a essa quest\u00e3o. (GREGGERSEN, 2006 apud SANT`ANNA, 2010, p.18)<\/p>\n<p>Isso depende totalmente do conhecimento de mundo e do ponto de vista de cada um. E como visto, o pr\u00f3prio autor deixa sua obra aberta a interpreta\u00e7\u00f5es.<br \/>\nPode-se considerar a obra como um intertexto, pois \u00e9 uma narrativa b\u00edblica dentro de outro texto. Para esclarecer o termo intertextualidade, utilizou-se uma passagem do artigo da Sant\u00b4Anna:<\/p>\n<p>[&#8230;] A \u2013 necess\u00e1ria \u2013 presen\u00e7a do outro naquilo que dizemos (escrevemos) ou ouvimos (lemos) \u00e9 que postulamos a exist\u00eancia de uma intertextualidade ampla, constitutiva de todo e qualquer discurso, a par de uma intertextualidade stricto sensu, [&#8230;], necessariamente, pela presen\u00e7a de um intertexto. (KOCH, BENTES e CAVALCANTE, 2007 apud SANT\u00b4ANNA, 2010, p.39)<\/p>\n<p>Voltando nossa aten\u00e7\u00e3o aos aspectos religiosos, o mundo de N\u00e1rnia pode ser considerado um mundo de suposi\u00e7\u00f5es, o de buscar e ilustrar a pergunta \u201ce se\u201d. \u201cE se existissem drag\u00f5es ou le\u00f5es falantes, como seria tudo?\u201d, por exemplo. Alister McGrath explana tal ideia:<\/p>\n<p>Lewis convida seus leitores a entrar num mundo de suposi\u00e7\u00f5es. Suponhamos que Deus decidisse encarnar-se num mundo como N\u00e1rnia. Como teria sido? Como seria esse mundo? N\u00e1rnia \u00e9 uma narrativa que explora essa suposi\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica. A pr\u00f3pria explica\u00e7\u00e3o de Lewis de como a figura de Aslam deve ser interpretada deixa claro que O le\u00e3o, a feiticeira e o guarda-roupa \u00e9 uma suposi\u00e7\u00e3o \u2013 a explora\u00e7\u00e3o narrativa de uma possibilidade interessante. \u201cVamos supor que exista uma terra como N\u00e1rnia e que o Filho de Deus, que se tornou homem em nosso mundo, l\u00e1 se tornasse um le\u00e3o\u201d. Vamos imaginar o que aconteceria depois. (McGRATH, 2013, p. 294)<\/p>\n<p>Nesse trecho n\u00e3o se pode imaginar O Le\u00e3o, a Feiticeira e o Guarda-roupa como uma hist\u00f3ria verdadeira, mas sim no sentido \u201cde suposi\u00e7\u00f5es\u201d. Para D\u00e9borah Silva Stafussi, graduada em Letras pela Mackenzie, em seu artigo intitulado como: O Poss\u00edvel Di\u00e1logo entre o Texto B\u00edblico e O Le\u00e3o, a Feiticeira e o Guarda-roupa, de C.S.Lewis, o autor Lewis difundiu o Cristianismo em sua obra, para tanto lan\u00e7ou m\u00e3o das figuras fant\u00e1sticas e dos contos maravilhosos.<\/p>\n<p>3 SERES FICCIONAIS DA MITOLOGIA PRESENTES NA OBRA<\/p>\n<p>Observa-se a magia existente em N\u00e1rnia, no artigo As Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia: Retrato Crist\u00e3o na literatura de Clive Staples Lewis, de Jonas Sommer, Luzim\u00e9ri Magaldi Carreiro e Paulo Roberto Kliguer:<\/p>\n<p>C.S.Lewis complementou a fauna de N\u00e1rnia usando seres ficcionais das mitologias grega, latina e n\u00f3rdica, como, por exemplo: centauros (mitologia grega) e an\u00f5es (mitologia n\u00f3rdica). \u00c1rvores, neve, faunos, animais falantes, centauros, dr\u00edades, feiticeira, mon\u00f3podes, le\u00e3o, e at\u00e9 a figura moderna do Papai Noel, portador de boas-novas, permeiam a imagina\u00e7\u00e3o dos leitores e transformam a leitura em magia agrad\u00e1vel. Seres estelares e rochas tamb\u00e9m ganham vida, corpo e alma e dividem espa\u00e7o com seres humanos. (SOMMER J.; CARREIRO L.M.; KLIGUER P.R., p.9)<\/p>\n<p>Lewis utiliza v\u00e1rios seres da mitologia e do imagin\u00e1rio popular, especificamente o Papai Noel, que representa um press\u00e1gio de mudan\u00e7a. Por causa da Feiticeira Branca n\u00e3o comemorava-se o Natal em N\u00e1rnia, mas, como aconteceu a quebra do encanto, o Papai Noel reapareceu e trouxe presentes para os irm\u00e3os utilizarem em suas aventuras.<br \/>\nStafussi explica como os personagens da obra s\u00e3o divididos:<\/p>\n<p>O Le\u00e3o, a Feiticeira e o Guarda-roupa podem ser divididos em dois grupos: os que est\u00e3o do lado de Aslam, como o Sr. Tumnus e os esp\u00edritos bons dos bosques, e os que est\u00e3o do lado da feiticeira: os esp\u00edritos maus, os dem\u00f4nios, entre outros [&#8230;]. As refer\u00eancias feitas a esses seres neste trabalho foram observadas no livro Manual Pr\u00e1tico de N\u00e1rnia, de Colin Duriez (2005). (STAFUSSI, p.3)<\/p>\n<p>Essa divis\u00e3o dos grupos pode ser percebida com relativa facilidade, pois os que est\u00e3o do lado de Aslam ajudam a resgatar Edmundo e os que est\u00e3o do lado da Feiticeira tentam capturar os outros irm\u00e3os e matar Aslam.<br \/>\nBotelho elucida que todos os her\u00f3is da obra s\u00e3o bons, mas todos t\u00eam virtudes e defeitos, exceto Aslam:<\/p>\n<p>Seu car\u00e1ter \u00e9 revelado por meio da hist\u00f3ria e de suas a\u00e7\u00f5es. O bem e o mal n\u00e3o s\u00e3o conceitos abstratos, est\u00e3o vinculados \u00e0s a\u00e7\u00f5es das personagens. O bem e o mal aparecem em in\u00fameros arqu\u00e9tipos reconhec\u00edveis dilu\u00eddos nas cenas da vida cotidiana e por isso mesmo n\u00e3o podem ser consideradas narrativas aleg\u00f3ricas, moralistas ou reducionistas. (BOTELHO, 2005, p.5)<\/p>\n<p>O Sr. Tumnus \u00e9 um fauno. \u00c9 o primeiro personagem que aparece em N\u00e1rnia, presente na mitologia cl\u00e1ssica . \u201cTem o corpo de homem da cintura para cima, chifre de bode e coberto de pelos, e da cintura para baixo tem o corpo e patas de bodes\u201d. (Duriez, 2005, p.199). E quando encontra L\u00facia pela primeira vez, fica muito surpreso, pois nunca tinha visto uma \u201cFilha de Eva\u201d.<br \/>\nEm certa passagem da obra, com o uso de uma flauta Sr. Tumnus toca uma melodia para L\u00facia, a inten\u00e7\u00e3o era de fazer a menina dormir e entrar em um estado semelhante \u00e0 de hipnose. Pois o fauno trabalhava para a Feiticeira Branca e a ordem era que quando encontrasse um \u201cFilho de Ad\u00e3o\u201d ou uma \u201cFilha de Eva\u201d, levasse imediatamente para ela, mas o fauno n\u00e3o teve coragem e deixou L\u00facia voltar para casa.<br \/>\nEmanuel Ernandes Pereira de Lira, em seu artigo: O sagrado e a intertextualidade b\u00edblica em \u201cAs cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia\u201d, de C. S. Lewis, explica que:<\/p>\n<p>[&#8230;] a rela\u00e7\u00e3o mais evidente com o livro sagrado acontece quando Lewis chama os personagens humanos que visitam N\u00e1rnia de Filhos de Ad\u00e3o e Filhas de Eva. Dessa forma, \u00e9 claro para o leitor que as crian\u00e7as, s\u00e3o a representa\u00e7\u00e3o b\u00edblica do homem e da mulher. (LIRA, 2011, p.53)<\/p>\n<p>Isso acontece especificamente quando os seres de N\u00e1rnia referem-se aos irm\u00e3os, pois as crian\u00e7as s\u00e3o chamadas de \u201cFilhos de Ad\u00e3o e de Eva\u201d com a inten\u00e7\u00e3o de manter a tradi\u00e7\u00e3o, na qual s\u00f3 os humanos tinham direito de ocupar o trono. A seguinte passagem deixa isso muito claro: \u201cAslam decreta que o trono de N\u00e1rnia s\u00f3 pode ser ocupado por Filhos de Ad\u00e3o ou Filhas de Eva\u201d. (DURIEZ, 2005, p.174)<\/p>\n<p>4 AN\u00c1LISE DA NARRATIVA EM U<\/p>\n<p>Algo que podemos perceber na obra estudada \u00e9 a sua narrativa em U. A narrativa em U, conforme Northrop Frye, acontece em 3 picos: 1\u00ba acontecimentos felizes; 2\u00ba decl\u00ednio, a base do U e 3\u00ba desfecho. A partir desse conhecimento, pode-se dividir a obra.<br \/>\nO cr\u00edtico canadense Northrop Frye afirma que a narrativa em U segue uma estrutura, conforme j\u00e1 citado e \u00e9 recorrente em literatura. Essas caracter\u00edsticas podem ser observadas perfeitamente nas Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia, conforme o trecho a seguir:<\/p>\n<p>Isto nos fornece uma estrutura narrativa que \u00e9, grosso modo, em forma de U: \u00e0 apostasia se segue uma queda em desastre e cativeiro; a isto se segue o arrependimento, e por uma ascens\u00e3o e libera\u00e7\u00e3o at\u00e9 um ponto que est\u00e1 mais ou menos ao n\u00edvel do come\u00e7o. Este modelo em U, mesmo por aproxima\u00e7\u00e3o, \u00e9 recorrente em literatura como a forma comum da com\u00e9dia. Nesta, uma s\u00e9rie de infelicidades e de incompreens\u00f5es leva a a\u00e7\u00e3o a um ponto baixo e amea\u00e7ador; a partir da\u00ed uma revers\u00e3o afortunada no enredo despacha a conclus\u00e3o para um final feliz. A B\u00edblia em seu conjunto vista como uma &#8220;divina com\u00e9dia&#8221;, est\u00e1 contida numa est\u00f3ria em forma de U. (FRYE, 2004, p.206)<\/p>\n<p>A Narrativa em U n\u00e3o acontece unicamente nas hist\u00f3rias b\u00edblicas, mas nos contos de fada e tamb\u00e9m nos contos de N\u00e1rnia. \u201cA principal caracter\u00edstica \u00e9 que em certos momentos da obra acontecem conflitos e s\u00e3o resolvidos no final da hist\u00f3ria\u201d. (BOTELHO, 2005, p.7)<br \/>\nComo situa\u00e7\u00e3o inicial do 1\u00ba pico, pode-se colocar o momento no qual L\u00facia entra em N\u00e1rnia e encontra o Sr. Tumnus. A descoberta de um novo mundo:<\/p>\n<p>Dez minutos depois, chegou l\u00e1 e viu que se tratava de um lampi\u00e3o. O que estaria fazendo um lampi\u00e3o no meio de um bosque? L\u00facia pensava no que deveria fazer, quando ouviu uns pulinhos ligeiros e leves que vinham na sua dire\u00e7\u00e3o. De repente, \u00e0 luz do lampi\u00e3o, surgiu um tipo muito estranho. Era um fauno. Quando viu L\u00facia, ficou t\u00e3o espantado que deixou cair os embrulhos. (LEWIS, 2009, p.106)<\/p>\n<p>Na continua\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria temos um decl\u00ednio que ocorre com a trai\u00e7\u00e3o de Edmundo e por consequ\u00eancia a morte de Aslam. Ent\u00e3o, tem-se o in\u00edcio do 2\u00ba pico da narrativa com a ressurrei\u00e7\u00e3o de Aslam. Depois disso, Aslam liberta os prisioneiros, vai para o campo de batalha, vence e mata a feiticeira.<br \/>\nOs castores, animais falantes leais ao le\u00e3o Aslam, guiam Susana, L\u00facia e Pedro at\u00e9 o ponto de encontro com Aslam, eles explicam para os irm\u00e3os que Edmundo j\u00e1 esteve em N\u00e1rnia, ocasi\u00e3o em que se encontrou com a feiticeira e acabou traindo-os:<\/p>\n<p>&#8211; Ent\u00e3o, prestem aten\u00e7\u00e3o: ele j\u00e1 esteve com a Feiticeira Branca; est\u00e1 do lado dela; sabe muito bem onde ela mora. \u00c9 triste dizer-lhes isso, porque, afinal de contas, \u00e9 irm\u00e3o de voc\u00eas, mas foi s\u00f3 olhar para ele e disse c\u00e1 comigo: \u201cEste \u00e9 um traidor\u201d. Tinha todo o ar de j\u00e1 ter encontrado a feiticeira e comido dos seus manjares encantados. Quem vive h\u00e1 muito tempo em N\u00e1rnia, n\u00e3o se engana: d\u00e1 logo com eles. N\u00f3s os conhecemos pelos olhos. (LEWIS, 2009, p.140)<\/p>\n<p>Quando Aslam ressuscita desvenda para L\u00facia e Susana que h\u00e1 uma magia ainda mais profunda, mas a feiticeira n\u00e3o sabe do fato de que se uma v\u00edtima desejosa fosse morta na mesa de pedra, a mesa se partiria e ela ressuscitaria:<\/p>\n<p>&#8211; Explico: a feiticeira pode conhecer a Magia Profunda, mas n\u00e3o sabe que h\u00e1 outra magia ainda mais profunda. O que ela sabe n\u00e3o vai al\u00e9m da aurora do tempo. Mas, se tivesse sido capaz de ver um pouco mais longe, de penetrar na escurid\u00e3o e no sil\u00eancio que reinam antes da aurora do tempo, teria aprendido outro sortil\u00e9gio. Saberia que, se uma v\u00edtima involunt\u00e1ria, inocente de trai\u00e7\u00e3o, fosse executada no lugar de um traidor, a mesa estalaria e a pr\u00f3pria morte come\u00e7aria a andar para tr\u00e1s&#8230; (LEWIS, 2009, p.174 &#8211; 175)<\/p>\n<p>O desfecho \u00e9 o momento em que os irm\u00e3os s\u00e3o coroados reis e rainhas e quando N\u00e1rnia volta a ser como era antes do encantamento. Esse \u00e9 o 3\u00ba pico da narrativa em U:<\/p>\n<p>&#8211; Quem \u00e9 coroado rei ou rainha em N\u00e1rnia ser\u00e1 para sempre rei ou rainha. Honrem a sua realeza, Filhos de Ad\u00e3o! Honrem a sua realeza, Filhas de Eva! \u2013 disse Aslam. [&#8230;] Os dois reis e as duas rainhas governaram N\u00e1rnia, e o reinado foi longo e feliz. (LEWIS, 2009, p.183 &#8211; 184)<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o a Edmundo, ele n\u00e3o tinha a inten\u00e7\u00e3o de fazer o mal, mas sua atitude o levou a agir de forma errada, sendo desonesto e traindo a confian\u00e7a de seus irm\u00e3os. Podendo utiliz\u00e1-lo como exemplo de homem \u00edmpio e numa alus\u00e3o poss\u00edvel ao Cristianismo, tamb\u00e9m pode-se perceber isso na Carta aos Romanos (7:18-19), na seguinte passagem:<\/p>\n<p>Porque eu sei que em mim, isto \u00e9, em minha carne, n\u00e3o habita o bem. Eu sou capaz. Eu sou capaz de querer o bem, mas n\u00e3o de realiz\u00e1-lo. Realmente, n\u00e3o fa\u00e7o o bem que quero, mas o mal que n\u00e3o quero. (B\u00cdBLIA MENSAGEM DE DEUS, 1994, p.1170)<\/p>\n<p>No livro As Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia e a Filosofia: O Le\u00e3o, a Feiticeira e a Vis\u00e3o do Mundo, encontra-se a tradicional Teoria do Resgate da Reden\u00e7\u00e3o de Cristo, momento este que Cristo se doou em resgate dos pecadores:<\/p>\n<p>Os antigos pensadores crist\u00e3os, como Or\u00edgenes de Alexandria (por volta de 185-254 d.C.), acreditavam que, ao pecar, os seres humanos se tornavam cativos de Satan\u00e1s e das obras dele: pecado, mal e morte. Para libertar os prisioneiros, Cristo \u00e9 oferecido em resgate. Cristo troca de lugar com os ref\u00e9ns; ele \u00e9 oferecido como permuta ou pagamento pela liberta\u00e7\u00e3o daqueles que estavam presos. Aceitando a troca, Satan\u00e1s \u00e9 derrotado, porque Cristo, como Deus encarnado, vence o pecado e a morte por meio de sua paix\u00e3o, crucifica\u00e7\u00e3o e ressurrei\u00e7\u00e3o. (BASSHAM G.; WALL J.L, 2006, pg. 240)<\/p>\n<p>5 RELA\u00c7\u00c3O DE CRISTO COM ASLAM, PERSONAGEM DO LIVRO<\/p>\n<p>O tema central da obra \u00e9 a batalha e a vit\u00f3ria do bem contra o mal atrav\u00e9s da reden\u00e7\u00e3o, a morte de Aslam inocente, para salvar Edmundo, pecador. O tema da reden\u00e7\u00e3o pode ser encontrado em Romanos (8:22) que diz que a natureza: \u201cgeme e suporta ang\u00fastias at\u00e9 agora\u201d. Tal passagem da B\u00edblia Sagrada explana sobre a reden\u00e7\u00e3o do homem atrav\u00e9s de suportar ang\u00fastias e a dor de uma v\u00edtima volunt\u00e1ria e sem pecado.<br \/>\nLira apresenta uma reflex\u00e3o sobre a B\u00edblia e sobre como Lewis instiga os leitores a refletir sobre religiosidade:<\/p>\n<p>Para os crist\u00e3os, a B\u00edblia ajuda-os a entender a vontade de Deus para suas vidas e a buscar, por meio da figura de Cristo, um abrigo e um socorro para suas afli\u00e7\u00f5es. E Lewis, por meio de sua obra liter\u00e1ria e teol\u00f3gica, instiga o ser humano a refletir sobre a origem das coisas e sobre o mundo que o cerca, bem como a buscar uma solu\u00e7\u00e3o para os conflitos espirituais e os problemas di\u00e1rios. A despeito de sua religiosidade, Lewis usa a fantasia que vive o leitor ao fazer sua viagem a N\u00e1rnia e incita-o a ter curiosidade sobre quem \u00e9 a figura que representa o personagem da fic\u00e7\u00e3o no mundo real. Quando o leitor descobre a figura de Cristo na obra como um todo, Lewis cumpre seu papel de pregar o Evangelho e, sutilmente, faz que seu leitor entenda as qualidades de Jesus transmitidas pelo arqu\u00e9tipo de Aslam. (LIRA, 2011, p.55)<\/p>\n<p>Para exemplificar a figura do le\u00e3o Aslam que descreve Cristo e o diabo, utilizamos os vers\u00edculos da B\u00edblia:<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, um dos anci\u00e3os me falou: \u201cN\u00e3o chores! O Le\u00e3o da tribo de Jud\u00e1, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos!\u201d. (Apocalipse 5:5) (B\u00cdBLIA MENSAGEM DE DEUS, 1994, p.1292). Sede s\u00f3brios! Vigiai! Vosso advers\u00e1rio, o Diabo, ronda qual le\u00e3o a rugir, buscando a quem devorar (1 Pedro 5:8). (B\u00cdBLIA MENSAGEM DE DEUS, 1994, p.1274)<\/p>\n<p>Os autores Jonas Sommer, Luzim\u00e9ri Magaldi Carreiro e Paulo Roberto Kliguer, relataram que:<\/p>\n<p>Embora haja controv\u00e9rsia entre alguns escritores liter\u00e1rios sobre haver uma rela\u00e7\u00e3o entre o personagem principal \u2013 o Le\u00e3o Aslam \u2013 e Cristo, e sobre N\u00e1rnia simbolizar o Mundo (seus habitantes e a ra\u00e7a humana), os leitores de Lewis, estudiosos de N\u00e1rnia [&#8230;] e os apolog\u00e9ticos crist\u00e3os defendem um paralelismo entre esta obra e a B\u00edblia. A semelhan\u00e7a consiste no g\u00eanero liter\u00e1rio narrativo. Na narrativa b\u00edblica, a Cria\u00e7\u00e3o perfeita surge do nada e \u00e9 chamada \u00e0 exist\u00eancia por um Ser Supremo \u2013 Deus \u2013 percebido como Trindade. H\u00e1 o aparecimento do mal, personificado pelo anjo L\u00facifer, incans\u00e1vel em tentar destruir o bem, perseguindo-o e utilizando o ego\u00edsmo do ser humano e por ele escoando toda a sorte de maldades, que visam destruir a cria\u00e7\u00e3o de Deus (G\u00eanesis 3)1. (SOMMER J., CARREIRO L.M., KLIGUER P.R., p.3)<\/p>\n<p>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/p>\n<p>Este artigo teve como objetivo explorar alguns aspectos religiosos judaico-crist\u00e3os da obra, objeto de nosso estudo. Para alcan\u00e7\u00e1-los realizaram-se pesquisas bibliogr\u00e1ficas, atrav\u00e9s de artigos e livros. Pode-se perceber que As Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia: o Le\u00e3o, a Feiticeira e o Guarda-roupa \u00e9 uma narrativa em U, como j\u00e1 citado anteriormente, em tr\u00eas picos.<br \/>\nFizemos algumas an\u00e1lises da obra, quanto aos seres mitol\u00f3gicos ficcionais, como por exemplo: faunos, dr\u00edades, bruxa, entre outros. Tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o aos momentos que faz a obra tornar-se uma narrativa em U. A rela\u00e7\u00e3o de Cristo com o le\u00e3o Aslam, pois, segundo a tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, Cristo morreu para salvar os pecadores e ap\u00f3s tr\u00eas dias ressuscitou.<br \/>\nA mesma situa\u00e7\u00e3o aconteceu com o Le\u00e3o Aslam, morreu por causa do pecado cometido por Edmundo, mas como ele n\u00e3o era o culpado, a mesa de pedra partiu-se e ele ressuscitou. Atrav\u00e9s dos vers\u00edculos da B\u00edblia pode-se exemplificar a figura de Aslam que descreve Cristo e o Diabo.<br \/>\nConclui-se que as considera\u00e7\u00f5es dos autores pesquisados, assim como os textos da B\u00edblia, foram relevantes para que fossem realizadas as compara\u00e7\u00f5es dos personagens, assim como o entendimento da Narrativa em U. Entretanto ainda \u00e9 poss\u00edvel de realizar outras leituras desse livro, considerando que o autor quando cria um texto, espera que outros sujeitos interpretem seu texto com discursos significativos e inatos, considerando os processos de intertextualidade e sua historicidade no decorrer do tempo.<\/p>\n<p>REFER\u00caNCIAS<\/p>\n<p>BASSHAM G., WALL J.L. As Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia e a Filosofia: o Le\u00e3o, a Feiticeira e a vis\u00e3o do mundo. Tradu\u00e7\u00e3o de Marcos Malvezzi. S\u00e3o Paulo: Madras, 2006.<\/p>\n<p>B\u00cdBLIA. Mensagem de Deus. Tradu\u00e7\u00e3o de Padre Jo\u00e3o A. Mac Dowell. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Loyola, 1994.<\/p>\n<p>BOTELHO, Raquel Lima. A Intertextualidade B\u00edblica nas Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia de C.S.Lewis. 2005. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Letras) &#8211; Universidade Presbiteriana Mackenzie, S\u00e3o Paulo, 2005. 12f. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.mackenzie.br\/fileadmin\/Chancelaria\/GT6\/Raquel_Lima_Botelho.pdf<\/p>\n<p>DURIEZ, Colin. Manual Pr\u00e1tico de N\u00e1rnia. Tradu\u00e7\u00e3o de Celso Roberto Paschoa. Osasco: Novo S\u00e9culo, 2005.<\/p>\n<p>FRYE, Northrop. O C\u00f3digo dos c\u00f3digos: a B\u00edblia e a Literatura. Tradu\u00e7\u00e3o de Fl\u00e1vio Aguiar. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2004.<\/p>\n<p>LEWIS, C.S. As Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia: O Le\u00e3o, a Feiticeira e o Guarda-roupa. Tradu\u00e7\u00e3o de Paulo Mendes Campos. S\u00e3o Paulo: WMF Martins Fontes, 2009.<\/p>\n<p>LIRA, Emanuel Ernandes Pereira de. O sagrado e a intertextualidade b\u00edblica em \u201cAs cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia\u201d, de C. S. Lewis. LTP [online]. 2011, vol.29, n.57, pp. 51-55. ISSN 2317-0972.<\/p>\n<p>McGRATH, Alister. A Vida de C.S.Lewis do Ate\u00edsmo \u00e0s Terras de N\u00e1rnia. Tradu\u00e7\u00e3o de Almiro Pisseta. S\u00e3o Paulo: Mundo Crist\u00e3o, 2013.<\/p>\n<p>SANT\u00b4ANNA, Elaine Carneiro Domingues. An\u00e1lise da Tradu\u00e7\u00e3o das intertextualidades b\u00edblicas realizada na obra o Le\u00e3o, a Feiticeira e o Guarda-roupa, de C.S.Lewis. 2010. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado \u2013 Estudos da Tradu\u00e7\u00e3o) &#8211; Universidade Federal de Santa Catarina, Florian\u00f3polis, 2010. 180f. Em: http:\/\/www.pget.ufsc.br\/curso\/dissertacoes\/Elaine_Carneiro_SantAnna_-_Dissertacao.pdf<\/p>\n<p>SOMMER J.; CARREIRO L.M.; KLIGUER P.R. As Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia: Retrato Crist\u00e3o na literatura de Clive Staples Lewis. Dispon\u00edvel em: http:\/\/pt.scribd.com\/doc\/102625766\/44827911-Retrato-Cristao-Na-Literatura-de-CS-Lewis-Artigo. Acesso em: 15 Set. 2014.<\/p>\n<p>STAFUSSI, D\u00e9borah Silva. O Poss\u00edvel Di\u00e1logo entre o Texto B\u00edblico e O Le\u00e3o, a Feiticeira e o Guarda-roupa, de C. S. Lewis. 6 p. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.mackenzie.br\/fileadmin\/Graduacao\/CCL\/projeto_todasasletras\/inicie\/DeborahSilvaStafussi.pdf<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O objetivo do presente trabalho \u00e9 abordar alguns aspectos religiosos judaico-crist\u00e3os encontrados na obra As Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia: O Le\u00e3o, a Feiticeira e o Guarda-roupa, do autor ingl\u00eas Clive Staples Lewis. Para investigar esta intertextualidade b\u00edblica, usaremos as bases te\u00f3ricas de Alister McGrath, D\u00e9borah Silva Stafussi, Raquel Lima Botelho, entre outras. Ser\u00e3o abordados alguns pontos por n\u00f3s considerados relevantes dentro da obra em quest\u00e3o, a fim de que possamos observar com clareza a influ\u00eancia e mesmo as refer\u00eancias dentro dela ao texto b\u00edblico. Logo, neste trabalho faremos o seguinte percurso: 1) Apresentaremos a obra, objeto de nosso estudo; 2) Investigaremos os seres mitol\u00f3gicos ficcionais presentes na obra. 3) Analisaremos como acontece a narrativa em U, que se d\u00e1 em tr\u00eas picos: acontecimentos felizes, decl\u00ednio e desfecho e 4) Observaremos qual a rela\u00e7\u00e3o de Cristo com Aslam, personagem do livro.<\/p>\n","protected":false},"author":46,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[29086],"tags":[13,29169,5701,10560],"class_list":["post-747","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-em-portugues","tag-biblia","tag-cronicas-de-narnia","tag-literatura","tag-redencao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/747","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/users\/46"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=747"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/747\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":792,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/747\/revisions\/792"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=747"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=747"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=747"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}