{"id":744,"date":"2014-06-28T11:47:12","date_gmt":"2014-06-28T14:47:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cslewis.com.br\/?p=744"},"modified":"2014-06-28T11:47:12","modified_gmt":"2014-06-28T14:47:12","slug":"introducao-ao-de-incarnatione-de-santo-atanasio-traducao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/2014\/06\/28\/introducao-ao-de-incarnatione-de-santo-atanasio-traducao\/","title":{"rendered":"Introdu\u00e7\u00e3o ao De Incarnatione, de Santo Atan\u00e1sio (tradu\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p> Introdu\u00e7\u00e3o ao De Incarnatione, de Santo Atan\u00e1sio<\/p>\n<p>[ou Sobre Livros Antigos]<\/p>\n<p>Por C. S. Lewis<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: William C.Cruz<\/p>\n<p>H\u00e1 uma ideia estranha por a\u00ed segundo a qual os livros antigos devem ser lidos apenas por profissionais, e o leitor amador deve contentar-se com os livros modernos. Assim, como professor de Literatura Inglesa, tenho constatado que a \u00faltima coisa que o estudante m\u00e9dio pensa em fazer \u00e9 pegar uma tradu\u00e7\u00e3o de Plat\u00e3o na estante da biblioteca e ler O Banquete. Ele, ao contr\u00e1rio, tende a ler algum enfadonho livro moderno dez vezes, apresentando-lhe tudo sobre os \u201cismos\u201d e influ\u00eancias de Plat\u00e3o e apenas uma vez a cada vinte p\u00e1ginas contando-lhe o que Plat\u00e3o de fato disse. Trata-se de um erro compreens\u00edvel, pois surge da humildade. O estudante est\u00e1 meio temeroso de encontrar-se com um grande fil\u00f3sofo cara a cara. Sente-se incapaz e acha que n\u00e3o o compreender\u00e1. Mas se apenas soubesse que o grande homem, justamente por sua grandeza, \u00e9 muito mais intelig\u00edvel que seu comentador moderno&#8230; O estudante mais simples seria capaz de compreender, se n\u00e3o tudo, ao menos a maior parte do que Plat\u00e3o disse. Mas dificilmente se \u00e9 capaz de compreender alguns dos livros modernos sobre platonismo. Sempre foi um dos meus principais esfor\u00e7os como professor convencer o jovem n\u00e3o s\u00f3 de que o conhecimento de primeira m\u00e3o vale mais a pena que o de segunda, mas que \u00e9 geralmente muito mais f\u00e1cil e mais prazeroso de adquirir.<\/p>\n<p>Essa prefer\u00eancia equivocada pelos livros modernos e essa timidez diante dos antigos em nenhuma \u00e1rea \u00e9 mais gritante que na teologia. Sempre que se encontra um pequeno grupo de estudos de crist\u00e3os leigos, pode-se ter quase certeza de que n\u00e3o est\u00e3o estudando S\u00e3o Lucas, S\u00e3o Paulo, Santo Agostinho, S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino, Hooker ou Butler, mas Berdyaev, Maritain, Niebuhr, Dorothy Sayers ou at\u00e9 eu mesmo.<\/p>\n<p>Ora, isso me parece estar do avesso. Naturalmente, uma vez que sou escritor, n\u00e3o desejo que o leitor comum deixe de ler os livros modernos. Mas se ele tem de ler apenas os novos ou apenas os velhos, eu recomendaria que lesse os velhos. E lhes daria este conselho exatamente porque se trata de um amador e, portanto, est\u00e1 muito menos protegido do que o especialista contra os perigos de uma dieta exclusivamente contempor\u00e2nea. Um livro novo ainda est\u00e1 \u00e0 prova, e o amador n\u00e3o est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de julg\u00e1-lo. A obra ter\u00e1 de ser testada frente ao grande corpo do pensamento crist\u00e3o ao longo das eras, e todas as suas implica\u00e7\u00f5es ocultas (muitas vezes insuspeitadas pelo autor) t\u00eam de ser trazidas \u00e0 luz. Geralmente n\u00e3o pode ser plenamente compreendida sem o conhecimento de um bom n\u00famero de outros livros modernos. Se chegar \u00e0s 11h a uma conversa que come\u00e7ou \u00e0s 8h, voc\u00ea n\u00e3o ver\u00e1 o peso real do que \u00e9 dito. Dados que lhe parecer\u00e3o bastante comuns despertar\u00e3o risos ou irrita\u00e7\u00e3o e voc\u00ea n\u00e3o saber\u00e1 por que \u2013 a raz\u00e3o, claro, \u00e9 que os est\u00e1gios anteriores da conversa lhes deram um significado especial. Do mesmo modo, senten\u00e7as num livro moderno que parecem ordin\u00e1rias podem dirigir-se a algum outro livro; dessa forma, pode-se ser levado a aceitar o que teria sido rejeitado com indigna\u00e7\u00e3o se se soubesse seu real significado. A \u00fanica seguran\u00e7a \u00e9 ter um padr\u00e3o de cristianismo simples, central (o mero cristianismo, como Baxter o chamou), que coloque as controv\u00e9rsias do momento em sua pr\u00f3pria perspectiva. Tal padr\u00e3o somente pode ser adquirido nos livros antigos. \u00c9 uma boa regra, depois de ler um livro novo, nunca se permitir um outro livro novo at\u00e9 que tenha lido um velho entre eles. Se isso parece exagerado para voc\u00ea, deveria pelo menos ler um livro velho a cada tr\u00eas novos.<\/p>\n<p>Todas as eras t\u00eam sua pr\u00f3pria perspectiva. S\u00e3o especialmente boas para enxergar certas verdades e especialmente suscet\u00edveis a cometer certos equ\u00edvocos. Todos n\u00f3s, portanto, precisamos dos livros que corrigir\u00e3o os erros caracter\u00edsticos de nossa pr\u00f3pria \u00e9poca. E isso quer dizer os livros antigos. Todos os escritores contempor\u00e2neos compartilham, em alguma medida, a perspectiva contempor\u00e2nea \u2013 mesmo aqueles, como eu mesmo, que parecem opor-se a elas. Nada me choca mais quando leio as controv\u00e9rsias de eras passadas do que o fato de que ambos os lados geralmente pressup\u00f5em, sem questionar, uma por\u00e7\u00e3o de coisas que hoje n\u00f3s negar\u00edamos completamente. Eles pensavam que estavam de lados completamente opostos, mas na verdade estavam o tempo todo secretamente unidos \u2013 unidos um ao outro e contra as eras anteriores e posteriores \u2013 por um grande volume de pressupostos. Podemos ter certeza de que a cegueira caracter\u00edstica do s\u00e9culo XX \u2013 a cegueira da qual a posteridade nos perguntar\u00e1 \u201cMas como eles podiam ter pensado isso?\u201d \u2013 se encontra onde nunca desconfiamos, e diz respeito a algo em que h\u00e1 claro acordo entre Hitler e o presidente Roosevelt ou entre o Sr. H. G. Wells e Karl Barth. Nenhum de n\u00f3s pode escapar completamente desta cegueira, mas podemos aument\u00e1-la ou baixar nossa guarda diante dela, se lermos apenas livros modernos.<\/p>\n<p>Naquilo em que est\u00e3o certos, tais livros nos d\u00e3o verdades que j\u00e1 sab\u00edamos parcialmente. No que est\u00e3o errados, eles agravam perigosamente o erro de que j\u00e1 padecemos. O \u00fanico paliativo \u00e9 manter soprando em nossas mentes a limpa brisa dos s\u00e9culos, e isso s\u00f3 pode ser feito pela leitura dos livros velhos. Claro, n\u00e3o h\u00e1 nada de m\u00e1gico no passado. As pessoas n\u00e3o eram mais espertas do que s\u00e3o hoje; elas cometiam tantos equ\u00edvocos quanto n\u00f3s. Mas n\u00e3o os mesmos equ\u00edvocos. Elas n\u00e3o se gloriam nos erros que estamos cometendo; e seus pr\u00f3prios erros, sendo agora vis\u00edveis e palp\u00e1veis, n\u00e3o nos amea\u00e7ar\u00e3o. Duas cabe\u00e7as s\u00e3o melhores do que uma n\u00e3o porque uma delas \u00e9 infal\u00edvel, mas porque \u00e9 improv\u00e1vel que ambas errem na mesma dire\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, os livros do futuro seriam t\u00e3o bons corretivos quanto os livros do passado, mas infelizmente n\u00e3o podemos ter acesso a eles.<\/p>\n<p>No meu caso, fui conduzido \u00e0 leitura dos cl\u00e1ssicos crist\u00e3os quase que por acidente, em consequ\u00eancia de meus estudos de l\u00edngua inglesa. Alguns, como Hooker, Herbert, Traherne, Taylor e Bunyan, eu li porque s\u00e3o grandes escritores de l\u00edngua inglesa; outros, como Bo\u00e9cio, Santo Agostinho, Tom\u00e1s de Aquino e Dante, porque eram \u201cinflu\u00eancias\u201d. George Macdonald eu encontrei por conta pr\u00f3pria, aos 16 anos, e nunca oscilei em meu devotamento, embora tenha tentado por bastante tempo ignorar seu cristianismo. Eles s\u00e3o, voc\u00ea perceber\u00e1, um saco de gatos, representantes de muitas igrejas, ambientes e \u00e9pocas. E isso me d\u00e1 outra raz\u00e3o para l\u00ea-los. As divis\u00f5es da cristandade s\u00e3o ineg\u00e1veis e s\u00e3o expressas por alguns desses autores da maneira mais virulenta. Mas se algum homem \u00e9 tentado a pensar \u2013 como pode ter sido tentado algu\u00e9m que l\u00ea apenas os contempor\u00e2neos \u2013 que o \u201ccristianismo\u201d \u00e9 uma palavra de tantos significados que acaba por n\u00e3o significar nada, pode-se aprender, para al\u00e9m de toda d\u00favida, ao afastar-se de seu pr\u00f3prio s\u00e9culo, que este n\u00e3o \u00e9 o caso. Avaliado em contraste com as eras passadas, o \u201ccristianismo puro e simples\u201d n\u00e3o se torna nenhuma ins\u00edpida transpar\u00eancia interdenominacional, mas algo positivo, autoconsistente e inesgot\u00e1vel. E sei disso por experi\u00eancia pr\u00f3pria. No tempo em que ainda repudiava o cristianismo, aprendi a reconhecer, como a algum aroma familiar, que me deparava com algo praticamente invari\u00e1vel ora no puritano Bunyan, ora no anglicano Hooker, ora no tomista Dante. Estava l\u00e1 em Francisco de Sales; estava l\u00e1 (grave e r\u00fastico) em Spenser e Walton; estava l\u00e1 (austero mas corajoso) em Pascal e Johnson; estava l\u00e1, mais uma vez, com um sabor brando, assustador e paradis\u00edaco em Vaughan, Boehme e Traherne. Na sobriedade urbana do s\u00e9culo XVIII n\u00e3o se estava a salvo \u2013 [William] Law e Butler eram dois le\u00f5es \u00e0 solta. O suposto \u201cpaganismo\u201d dos elisabetanos n\u00e3o o excluiu; estava \u00e0 espreita onde um homem pudesse imaginar-se seguro, bem no centro do The Faerie Queene e na Arcadia. Era, claro, variado; e, mesmo assim, apesar de tudo, t\u00e3o inconfundivelmente o mesmo; reconhec\u00edvel, n\u00e3o para ser evitado, o odor que para n\u00f3s \u00e9 de morte at\u00e9 que permitamos que se torne vida:<\/p>\n<p>    an air that kills<br \/>\n    From yon far country blows.<\/p>\n<p>    [Um ar que mata<br \/>\n    sopra daquela terra distante]<\/p>\n<p>Todos nos afligimos, e tamb\u00e9m nos envergonhamos, das divis\u00f5es da cristandade. Mas aqueles que sempre viveram no aprisco crist\u00e3o podem ser muito facilmente desanimados por elas. Elas s\u00e3o ruins, mas essas pessoas n\u00e3o sabem como elas s\u00e3o desde fora. Vistas exteriormente, o que fica intacto, a despeito de todas as divis\u00f5es, ainda se mostra (como realmente \u00e9) uma unidade incrivelmente formid\u00e1vel. Eu sei porque vi; e, bem, nossos inimigos sabem disso. Qualquer um de n\u00f3s pode encontrar essa unidade afastando-se de sua pr\u00f3pria \u00e9poca. N\u00e3o \u00e9 suficiente, mas \u00e9 mais do que se tinha pensado at\u00e9 ent\u00e3o. Uma vez que se est\u00e1 imerso nela, se voc\u00ea se arriscar falar, ter\u00e1 uma experi\u00eancia divertida. Pensar\u00e3o que voc\u00ea \u00e9 um papista quando na verdade est\u00e1 reproduzindo as palavras de Bunyan; um pante\u00edsta, quando cita Tom\u00e1s de Aquino; e assim por diante. Pois agora voc\u00ea chegou ao viaduto de alto n\u00edvel que cruza as eras e que parece t\u00e3o alto dos vales, t\u00e3o baixo das montanhas, t\u00e3o estreitos em compara\u00e7\u00e3o com os p\u00e2ntanos e t\u00e3o largos em compara\u00e7\u00e3o com as trilhas de ovelhas.<\/p>\n<p>O presente livro \u00e9 meio experimental. A tradu\u00e7\u00e3o pretende dirigir-se ao mundo em geral, n\u00e3o apenas aos estudantes de teologia. Se for bem sucedida, outras tradu\u00e7\u00f5es de outros grandes livros crist\u00e3os presumivelmente se seguir\u00e3o. Em certo sentido, \u00e9 claro, n\u00e3o \u00e9 a primeira neste campo. Tradu\u00e7\u00f5es da Theologia Germanica, Imita\u00e7\u00e3o, A Escala da Perfei\u00e7\u00e3o e as Revela\u00e7\u00f5es de J\u00falia de Norwich j\u00e1 est\u00e3o no mercado, e s\u00e3o preciosas, embora em parte n\u00e3o muito eruditas. Mas perceber-se-\u00e1 que esses s\u00e3o livros de devo\u00e7\u00e3o e n\u00e3o de doutrina. Agora, o leigo ou amador precisa ser instru\u00eddo tanto quanto precisa ser exortado. Em nossa \u00e9poca, sua necessidade de conhecimento \u00e9 particularmente urgente. Tampouco eu admitiria qualquer divis\u00e3o r\u00edgida entre os dois tipos de livro. De minha parte, tendo a achar os livros de doutrina muito mais \u00fateis na devo\u00e7\u00e3o do que os livros devocionais e, ali\u00e1s, suspeito que muitos outros tenham a mesma experi\u00eancia. Acredito que muitos que acham que \u201cnada acontece\u201d quando eles sentam ou se ajoelham com um livro devocional, achariam que o cora\u00e7\u00e3o canta espontaneamente enquanto est\u00e3o trilhando o caminho \u00e1rduo da teologia com um cachimbo na boca e um l\u00e1pis na m\u00e3o.<\/p>\n<p>Trata-se de uma excelente tradu\u00e7\u00e3o de um grande livro. Santo Atan\u00e1sio carecia de estima popular por causa de certa senten\u00e7a do \u201cCredo Atanasiano\u201d. N\u00e3o vou insistir no fato de que aquela obra n\u00e3o \u00e9 exatamente um credo e n\u00e3o o era para Atan\u00e1sio, pois acho que \u00e9 um belo escrito. As palavras \u201cQuem quer que n\u00e3o a conservar \u00edntegra e inviolada, sem d\u00favida perecer\u00e1 eternamente\u201d s\u00e3o a ofensa. Geralmente s\u00e3o mal compreendidas. A palavra operante aqui \u00e9 \u201cconservar\u201d; n\u00e3o adquirir, nem mesmo crer, mas conservar. O autor, na verdade, n\u00e3o est\u00e1 falando de descrentes, mas de desertores; n\u00e3o daqueles que nunca ouviram de Cristo, nem mesmo daqueles que n\u00e3o o compreenderam e recusaram-se a aceit\u00e1-lo, mas daqueles que, tendo realmente o compreendido e nele crido, mais tarde se permitem, por influ\u00eancia da pregui\u00e7a ou da moda ou de qualquer outra coisa, convidar a confus\u00e3o a se desenvolver num dos modos de pensamento subcrist\u00e3o. S\u00e3o uma advert\u00eancia contra a curiosa presun\u00e7\u00e3o moderna de que todas as mudan\u00e7as de cren\u00e7a, embora provocadas, s\u00e3o necessariamente isentas de culpa. Mas esta n\u00e3o \u00e9 minha preocupa\u00e7\u00e3o imediata. Mencionei o \u201ccredo de Santo Atan\u00e1sio\u201d, como geralmente \u00e9 chamado, apenas para afastar do caminho do leitor um fantasma e situar o verdadeiro Atan\u00e1sio em seu lugar. Seu epit\u00e1fio \u00e9 \u201cAthanasius contra mundum\u201d. Atan\u00e1sio contra o mundo. Orgulhamo-nos de que nosso pa\u00eds ergueu-se mais de uma vez contra o mundo. Atan\u00e1sio fez o mesmo. Ele ergueu-se pela doutrina trinit\u00e1ria, \u201c\u00edntegra e inviolada\u201d, quando parecia que todo o mundo civilizado estava regredindo do Cristianismo para a religi\u00e3o de \u00c1rio \u2013 para uma daquelas religi\u00f5es sint\u00e9ticas \u201csens\u00edveis\u201d que s\u00e3o t\u00e3o intensamente recomendadas hoje e que, tanto naquela \u00e9poca quanto hoje, inclu\u00eda entre seus devotos muitos cl\u00e9rigos bastante cultos. A sua gl\u00f3ria \u00e9 n\u00e3o ter mudado com o tempo; e sua recompensa \u00e9 que hoje ainda permanece quando aquele tempo, como todos os tempos, j\u00e1 passou.<\/p>\n<p>Quando abri pela primeira vez seu De incarnatione, logo descobri com uma simples amostra que estava lendo uma obra-prima. Sabia bem pouco grego crist\u00e3o, com exce\u00e7\u00e3o daquele do Novo Testamento, e eu tinha dificuldades previs\u00edveis. Para minha surpresa, constatei que era quase t\u00e3o f\u00e1cil quanto Xenofonte; e somente a mente de um mestre poderia, no s\u00e9culo IV, ter escrito t\u00e3o profundamente sobre tal assunto com simplicidade cl\u00e1ssica. A cada p\u00e1gina que lia, essa impress\u00e3o se confirmava. Sua abordagem dos milagres \u00e9 muito necess\u00e1ria hoje, pois \u00e9 a resposta final \u00e0queles que objetam-lhes que s\u00e3o \u201carbitr\u00e1rias e despropositadas viola\u00e7\u00f5es das leis da natureza\u201d. Aqui eles s\u00e3o mostrados como o recontar, com mai\u00fasculas, da mesma mensagem que a Natureza escreve com sua obscura letra cursiva; as mesmas a\u00e7\u00f5es que se esperaria Daquele que era t\u00e3o cheio de vida que, quando desejou morrer, teve de \u201ctomar emprestada a morte de outros\u201d. O livro inteiro, de fato, \u00e9 um retrato da \u00c1rvore da Vida \u2013 um livro dourado e vigoroso, cheio de esperan\u00e7a e seguran\u00e7a; n\u00e3o podemos, admito, nos apropriar totalmente desta confian\u00e7a hoje. N\u00e3o podemos apontar para a elevada virtude da vida crist\u00e3 e a alegre, quase zombeteira coragem do mart\u00edrio crist\u00e3o, como uma prova de nossas doutrinas com exatamente a mesma seguran\u00e7a que Atan\u00e1sio as tomava como consequ\u00eancia natural. Mas quem quer que seja o culpado por isso, este n\u00e3o \u00e9 Atan\u00e1sio.<\/p>\n<p>O tradutor conhece o grego crist\u00e3o muito mais que eu, de maneira que seria inadequado a mim elogiar a sua vers\u00e3o. Mas parece estar na tradi\u00e7\u00e3o correta da tradu\u00e7\u00e3o inglesa. N\u00e3o acho que o leitor encontrar\u00e1 aqui nada daquele aspecto empoeirado que \u00e9 t\u00e3o comum nas vers\u00f5es modernas de l\u00ednguas antigas. Que est\u00e1 vertido em l\u00edngua inglesa o leitor h\u00e1 de notar; aqueles que compararem a vers\u00e3o com o original ser\u00e3o capazes de estimar quanto apuro e talento est\u00e1 pressuposto em cada escolha, por exemplo, como \u201cestes pedantes\u201d logo na primeira p\u00e1gina.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3o ao De Incarnatione, de Santo Atan\u00e1sio [ou Sobre Livros Antigos] Por C. S. Lewis Tradu\u00e7\u00e3o: William C.Cruz H\u00e1 uma ideia estranha por a\u00ed segundo a qual os livros antigos devem ser lidos apenas por profissionais, e o leitor amador deve contentar-se com os livros modernos. 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