{"id":557,"date":"2012-12-05T20:39:14","date_gmt":"2012-12-05T20:39:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cslewis.com.br\/?p=557"},"modified":"2012-12-05T20:39:14","modified_gmt":"2012-12-05T20:39:14","slug":"educar-para-o-amor-mas-como-as-contribuicoes-de-c-s-lewis-e-josef-pieper","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/2012\/12\/05\/educar-para-o-amor-mas-como-as-contribuicoes-de-c-s-lewis-e-josef-pieper\/","title":{"rendered":"EDUCAR PARA O AMOR, MAS COMO? AS CONTRIBUI\u00c7\u00d5ES DE C. S. LEWIS E JOSEF PIEPER"},"content":{"rendered":"<p>EDUCAR PARA O AMOR, MAS COMO? AS CONTRIBUI\u00c7\u00d5ES DE C. S. LEWIS E<br \/>\nJOSEF PIEPER<\/p>\n<p>Cadernos da Pedagogia. S\u00e3o Carlos, Ano 4 v. 4 n. 7, p. 56-74, jan -jun. 2010<br \/>\nISSN: 1982-4440<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Thiago de Almeida1<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">com permiss\u00e3o do autor<\/p>\n<p>Resumo:<br \/>\nO tema do amor \u00e9 uma das \u00e1reas mais importantes (e geralmente problem\u00e1ticas) da vida das<br \/>\npessoas. Ele participou e participa ativamente da evolu\u00e7\u00e3o e estrutura\u00e7\u00e3o da personalidade,<br \/>\ndado que \u00e9 capaz de aproximar a pessoa de sua ess\u00eancia e propiciar o desenvolvimento de<br \/>\nrela\u00e7\u00f5es sociais, dentre outras coisas. In\u00fameros, atualmente, s\u00e3o os desafios a serem<br \/>\nenfrentados no contexto atual da a\u00e7\u00e3o educativa. Um destes \u00e9 uma educa\u00e7\u00e3o emocional<br \/>\nvoltada para crian\u00e7as, adolescentes e adultos. Entretanto, como falar de uma educa\u00e7\u00e3o para o<br \/>\namor, se a pr\u00f3pria palavra \u201camor\u201d, banalizada, j\u00e1 quase n\u00e3o significa mais nada? Precisamente<br \/>\npara esse resgate da palavra (conceito \/acesso \u00e0 realidade do) amor \u00e9 que se empreendeu este<br \/>\nexerc\u00edcio filos\u00f3fico: registrar e analisar um par de contribui\u00e7\u00f5es de C. S. Lewis e de Josef<br \/>\nPieper em seus livros tematicamente dedicados ao amor. Acredita-se assim, que o estudo do<br \/>\ntema atrav\u00e9s dessa perspectiva filos\u00f3fica pode ser uma contribui\u00e7\u00e3o relevante para a educa\u00e7\u00e3o,<br \/>\npois somente ao compreendermos mais adequadamente a realidade do amor, poderemos<br \/>\npropor uma educa\u00e7\u00e3o para o amor.<br \/>\nPalavras-chave: Amor; educa\u00e7\u00e3o; Filosofia; Filosofia da Linguagem; Filosofia da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Abstract:<br \/>\nThe love is one of the most important (and generally problematic) subject of the life of the<br \/>\npeople. It actively participated and participates of the evolution and constitution of the<br \/>\npersonality, given that he is capable to approach the person of its essence and to propitiate the<br \/>\ndevelopment of social relations, amongst other things. Innumerable, currently, they are the<br \/>\nchallenges to be faced in the current context of the educative action. One of these is an<br \/>\nemotional education directed toward children, adolescents and adults. However, as to speak of<br \/>\nan education for the love, if the proper word \u201clove\u201d, vulgarized, already almost does not mean<br \/>\nnothing more? Necessarily for this rescue of the word (access to concept\/ to the reality of)<br \/>\nlove is that this philosophical exercise was undertaken: to register and to analyze a pair of<br \/>\ncontributions of C.S. Lewis and Josef Pieper in its thematically dedicated books to the love.<br \/>\nThe reality of the love is given credit thus, that the study of the subject through this<br \/>\nphilosophical perspective it can be an excellent contribution for the education, therefore only<br \/>\nwhen understanding more adequately, will be able to consider an education for the love.<\/p>\n<p>Key-words: Love; Education; Philosophy; Language\u2019s Philosophy; Education\u2019s Philosophy.<\/p>\n<p>1 Mestre pelo Instituto de Psicologia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Site: www.thiagodealmeida.com.br. Email<br \/>\nde contato com o autor: thiagodealmeida@thiagodealmeida.com.br.<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">\u201cNos tempos em que a vida<br \/>\nna terra era plena, ningu\u00e9m dava<br \/>\naten\u00e7\u00e3o especial aos homens<br \/>\nnot\u00e1veis, nem distinguiam o<br \/>\nhomem de habilidade. Os<br \/>\ngovernantes eram apenas os ramos<br \/>\nmais altos das \u00e1rvores e o povo<br \/>\ncom cervos na floresta. Eram<br \/>\nhonestos e justos sem se darem<br \/>\nconta que estavam \u2018cumprindo seu<br \/>\ndever\u2019. Amavam-se uns aos outros,<br \/>\nmas n\u00e3o sabiam o significado de<br \/>\namar \u2018o pr\u00f3ximo\u2019. A ningu\u00e9m<br \/>\niludiam, mas nenhum deles se<br \/>\njulgava um \u2018homem de confian\u00e7a\u2019.<br \/>\nEram fidedignos, mas<br \/>\ndesconheciam que isso fosse \u2018boa<br \/>\nf\u00e9\u2019. Viviam juntos em liberdade,<br \/>\ndando e recebendo, mas n\u00e3o<br \/>\nsabiam que eram generosos. Por<br \/>\nesse motivo, seus feitos n\u00e3o foram<br \/>\nnarrados. Eles n\u00e3o deixaram<br \/>\nhist\u00f3ria.\u201d(Chuang Tzu, Chuang Tzu &#8211;<br \/>\nEscritos B\u00e1sicos).<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left\">\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: left\">A import\u00e2ncia do estudo do amor.<\/p>\n<p>O amor e os relacionamentos amorosos s\u00e3o assuntos muito presentes em nossas vidas,<br \/>\ne constituem temas centrais de diversas manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edstico-culturais, tais como m\u00fasicas,<br \/>\nfilmes, poemas e romances, dentre outros. Apesar disso, o amor \u00e9 algo que permite o<br \/>\nlevantamento de in\u00fameras quest\u00f5es a seu respeito, a come\u00e7ar pela sua pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o. A<br \/>\ndespeito desses questionamentos, em nosso cotidiano, quase que freneticamente, procura-se<br \/>\ncada vez mais o amor. Na verdade, sua viv\u00eancia e sua busca tendem a perdurar<br \/>\nindeterminadamente, n\u00e3o se restringindo a uma fase ou s\u00e9culo (Almeida, 2008). Logo, a<br \/>\ntem\u00e1tica do amor \u00e9 uma das \u00e1reas mais importantes (e geralmente problem\u00e1ticas) da vida das<br \/>\npessoas. Infelizmente, tal import\u00e2ncia \u00e9 mais bem percebida quando as coisas n\u00e3o v\u00e3o bem.<br \/>\nQuando isso acontece, tanto o nosso humor, como a nossa capacidade de concentra\u00e7\u00e3o, a<br \/>\nnossa energia, o nosso trabalho e a nossa sa\u00fade, dentre outras dimens\u00f5es das nossas vidas,<br \/>\npodem ser profundamente afetados (Am\u00e9lio, 2001; Almeida &amp; Madeira, 2008). A maioria das<br \/>\npessoas utiliza o termo \u201camor\u201d para descrever seus sentimentos em rela\u00e7\u00e3o a uma pessoa por<br \/>\nquem \u00e9 mais fortemente atra\u00edda ou a quem se v\u00ea mais apegada. E assim, listas intermin\u00e1veis<br \/>\nforam elaboradas com todos os tipos de constituintes que esse sentimento poderia conter em<br \/>\nsi. Conseq\u00fcentemente; palavra que pelo mau uso, abuso e banaliza\u00e7\u00e3o esvaziou-se de seu<br \/>\ngrandioso significado origin\u00e1rio.<\/p>\n<p>Embora haja essa tend\u00eancia de se promover o amor, ao que parece, ele ainda n\u00e3o passa<br \/>\nde uma viv\u00eancia desconhecida. Dele se ignoram as fontes, os fundamentos, as ra\u00edzes, a autoria<br \/>\ne at\u00e9 o tempo de aparecimento. Ignora-se que ele n\u00e3o nasceu conosco e cogita-se sobre a<br \/>\nhip\u00f3tese de se somos, de fato, seus inventores (Almeida, 2004). Como podemos perceber,<br \/>\nescrever ou falar de amor \u00e9 uma fa\u00e7anha \u00e1rdua. Corre-se o risco de cair na banalidade, na<br \/>\nambig\u00fcidade, no espiritualismo ou at\u00e9 mesmo no sentimentalismo, de maneira que os literatos,<br \/>\npregadores, ou mesmo os cantores n\u00e3o s\u00e3o mais convincentes (Almeida, 2003).<\/p>\n<p>Para Solomon (1992), o amor \u00e9 um processo emocional que deriva de um conjunto de<br \/>\nid\u00e9ias que s\u00e3o influenciadas pela sociedade e pelo contexto hist\u00f3rico-social nos quais se insere.<\/p>\n<p>Essa, tamb\u00e9m, \u00e9 uma boa explica\u00e7\u00e3o para mostrar o porqu\u00ea de haver tanta confus\u00e3o e tantos<br \/>\nentendimentos diversos, quando se discorre sobre tal tema. H\u00e1, ent\u00e3o, que se ter em mente que<br \/>\no amor, aprioristicamente, \u00e9 uma cren\u00e7a emocional. E como toda e qualquer cren\u00e7a \u201cpode ser<br \/>\nmantida, alterada, dispensada, trocada, melhorada, piorada ou abolida. Nenhum de seus<br \/>\nconstituintes afetivos \u00e9 fixo por natureza\u201d (Costa, 1999, p. 12). E como poderia haver uma<br \/>\nafirma\u00e7\u00e3o veemente de validade universal no que diz respeito ao amor, levando-se em<br \/>\nconsidera\u00e7\u00e3o a pluralidade de idiossincrasias (muitas delas provavelmente contaminadas pelo<br \/>\netnocentrismo), que tentam estabelecer uma soberania na defini\u00e7\u00e3o do que viria ou n\u00e3o a ser<br \/>\nconcebido como amor? Paradoxalmente, consolidamos em nosso cotidiano alguns<br \/>\npensamentos contradit\u00f3rios, como o de Costa, em refer\u00eancia aos relacionamentos amorosos:<br \/>\n\u201cQuando \u00e9 bom n\u00e3o dura e quando dura j\u00e1 n\u00e3o entusiasma\u201d (Costa, 1998, p. 11).<\/p>\n<p>Segundo Am\u00e9lio (2001) \u201camor \u00e9 um termo utilizado para nomear um grupo de<br \/>\nsentimentos, a\u00e7\u00f5es e padr\u00f5es de pensamentos que, embora relacionados, s\u00e3o bastante<br \/>\ndiversificados\u201d (p. 23). Adicionalmente, Almeida e Mayor (2006) concebem o amor como um<br \/>\naspecto inerente ao ser humano, que tende a se perdurar e possui in\u00fameras formas v\u00e1lidas de<br \/>\nmanifesta\u00e7\u00e3o. Dito isso, poder-se-\u00e1 partir para analisar o amor de v\u00e1rias formas, pois, talvez,<br \/>\npara cada ser humano exista um amor diferente (Almeida, 2003). E todos eles s\u00e3o vi\u00e1veis,<br \/>\nefetivos e t\u00eam o seu valor. Deve-se ainda acrescentar que cada pessoa experimenta o amor \u00e0<br \/>\nsua maneira, pois ele \u00e9 uma experi\u00eancia que cada um vivencia de modo diferente e novo (Beck<br \/>\ne Miller, 1969).<\/p>\n<p>De acordo com Braz (2006), o amor \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o fundamental para o nascimento<br \/>\nontogen\u00e9tico da pessoa. Ele participou e participa ativamente da evolu\u00e7\u00e3o e estrutura\u00e7\u00e3o da<br \/>\npersonalidade, dado que \u00e9 capaz de aproximar a pessoa de sua ess\u00eancia e propiciar o<br \/>\ndesenvolvimento de rela\u00e7\u00f5es sociais, dentre outras coisas. In\u00fameros, atualmente, s\u00e3o os<br \/>\ndesafios a serem enfrentados no contexto atual da a\u00e7\u00e3o educativa. Um destes \u00e9 uma educa\u00e7\u00e3o<br \/>\nemocional voltada para crian\u00e7as, adolescentes e adultos. Entretanto, como falar de uma<br \/>\neduca\u00e7\u00e3o para o amor, se a pr\u00f3pria palavra \u201camor\u201d, banalizada, j\u00e1 quase n\u00e3o significa mais<br \/>\nnada?<\/p>\n<p>Assim, tomamos dois exemplos, um em cada autor2: a fecunda distin\u00e7\u00e3o entre pleasures<br \/>\nof appreciation\/need pleasures (Lewis) e a n\u00e3o menos fecunda an\u00e1lise da \u201cconfus\u00e3o\u201d da palavra<br \/>\nLiebe na l\u00edngua alem\u00e3 (Pieper). E, assim, indicar como podemos aprofundar na compreens\u00e3o<\/p>\n<p>2 Os autores estudados neste ensaio s\u00e3o dois grandes pensadores crist\u00e3os do s\u00e9culo XX \u2013 um deles cat\u00f3lico e o<br \/>\noutro evang\u00e9lico \u2013 ambos grandes int\u00e9rpretes contempor\u00e2neos da filosofia cl\u00e1ssica e da filosofia crist\u00e3.<\/p>\n<p>do tema \u201camor\u201d a partir dessas discuss\u00f5es. Precisamente para esse resgate da palavra (conceito<br \/>\n\/acesso \u00e0 realidade do) amor \u00e9 que se empreendeu este exerc\u00edcio filos\u00f3fico: registrar e analisar<br \/>\num par de contribui\u00e7\u00f5es de C. S. Lewis e de Josef Pieper em seus livros tematicamente<br \/>\ndedicados ao amor. Dessa forma, acredita-se que o estudo do tema atrav\u00e9s dessa perspectiva<br \/>\nfilos\u00f3fica pode ser uma contribui\u00e7\u00e3o relevante para a educa\u00e7\u00e3o, pois s\u00f3 compreendendo a<br \/>\nrealidade do amor, poderemos propor uma educa\u00e7\u00e3o para o amor.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise do amor na obra On Love3 de Josef Pieper4<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Pieper fez um resumo de seu tratado sobre o amor na confer\u00eancia \u201cCrer,<br \/>\nEsperar, Amar5\u201d, que utilizaremos neste t\u00f3pico, juntamente com o livro On Love. Sempre<br \/>\natento \u00e0 linguagem, Pieper nota que as palavras mais centrais e importantes utilizadas na<br \/>\ncomunica\u00e7\u00e3o do cotidiano de uma l\u00edngua viva tendem a sofrer, concomitantemente,<br \/>\nesvaziamento e pervers\u00f5es, muitas vezes transformando palavras que significam uma virtude,<br \/>\npor exemplo, no seu extremo oposto:<\/p>\n<blockquote><p>\u00c9 necess\u00e1rio estarmos atentos para o fato de que, no campo da linguagem,<br \/>\nocorre um cont\u00ednuo desgaste das palavras. Precisamente as grandes palavras,<br \/>\nque designam \u2013 ou deveriam designar \u2013 algum aspecto grandioso da<br \/>\nrealidade humana, est\u00e3o expostas a esse desgaste. At\u00e9 que chega um<br \/>\nmomento em que simplesmente j\u00e1 n\u00e3o suportamos mais ouvi-las porque<br \/>\ncome\u00e7am a causar-nos irrita\u00e7\u00e3o. Quem, por exemplo, ao folhear uma revista<br \/>\nilustrada no barbeiro, j\u00e1 n\u00e3o sentiu o desejo irresist\u00edvel de nunca mais<br \/>\npronunciar a grande palavra &#8220;amor&#8221;? Mas, n\u00e3o se pode simplesmente calar e<br \/>\ndeixar de lado essas palavras fundamentais, como tamb\u00e9m n\u00e3o se pode<br \/>\nsubstitu\u00ed-las por outras. \u00c9 verdade que este constrangimento, pelo qual<br \/>\ntalvez nos sent\u00edssemos tentados a n\u00e3o abordar o tema &#8220;amor&#8221;, situa-se no<br \/>\n\u00e2mbito dos gostos e das impress\u00f5es. E quando, apesar de tudo, nos<br \/>\ndecidimos a falar sobre o amor \u2013 esta palavra, &#8220;amor&#8221;, tantas vezes mal<br \/>\nconceituada e de tantas formas deturpada \u2013, percebemos ent\u00e3o a imensa<br \/>\ndificuldade inerente a esse assunto, a dificuldade que reside na<br \/>\nincomensurabilidade simplesmente arrebatadora do pr\u00f3prio objeto. 6<\/p><\/blockquote>\n<p>Precisamente, no come\u00e7o de seu livro, Pieper considera outro importante fato da<br \/>\nlinguagem: que, em alem\u00e3o, amor (Liebe) \u00e9 uma palavra que engloba uma vasta gama de<br \/>\nsignificados. Ent\u00e3o, quando se discorre a respeito do amor, referimo-nos a algo com uma<\/p>\n<p>3 Pieper, Josef On Love em Faith, Hope, Love, Ignatius Press, San Francisco, 1997<\/p>\n<p>4 Josef Pieper nasceu em Elte (Westfalia), em 1904 e morreu em M\u00fcnster, em 1997. \u00c9 hoje o fil\u00f3sofo mais lido<br \/>\npelo grande p\u00fablico da Alemanha. Cursou Filosofia, Sociologia e Direito nas Universidades de Berlim e M\u00fcnster e<br \/>\ndoutorou-se em Filosofia tamb\u00e9m pela Universidade de M\u00fcnster, na qual lecionou por toda sua vida. Foi o grande<br \/>\nint\u00e9rprete de S. Tom\u00e1s de Aquino no s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>5 Pieper, Josef \u201cCrer, Esperar, Amar\u201d http:\/\/www.hottopos.com.br\/notand4\/crer.htm<br \/>\n6 Pieper, Josef \u201cCrer, Esperar, Amar\u201d http:\/\/www.hottopos.com.br\/notand4\/crer.htm<\/p>\n<p>extensa pluralidade de significados e significa\u00e7\u00f5es, entretanto, todas essas sendo expressas por<br \/>\nesta mesma palavra que seria seu denominador comum, ou seja, \u201camor\u201d. Se, entretanto, existe<br \/>\napenas um termo para nomear esta grande variedade de sentimentos e fen\u00f4menos bastante<br \/>\nrelacionados ao qual denominamos por \u201camor\u201d, eles devem todos ter algo em comum entre si.<\/p>\n<p>E \u00e9 por meio desta \u201cconfus\u00e3o\u201d de significados englobados em uma mesma palavra que Pieper<br \/>\nprocura analisar o amor e descobrir a ess\u00eancia de seu significado, pois acredita que<br \/>\n\u201cpresumivelmente, ent\u00e3o, pode haver uma mensagem escondida na aparente ou suposta<br \/>\n\u2018pobreza\u2019 do vocabul\u00e1rio alem\u00e3o do amor\u201d (p. 147). E na confer\u00eancia, esclarece:<\/p>\n<p>Precisamente a l\u00edngua alem\u00e3 \u2013 pelo menos esta \u00e9 a impress\u00e3o que se tem \u00e0<br \/>\nprimeira vista \u2013, parece acentuar infinitamente essa dificuldade. Os gregos,<br \/>\nos romanos e mesmo as l\u00ednguas modernas derivadas do latim disp\u00f5em de um<br \/>\ngrande n\u00famero de substantivos para designar as m\u00faltiplas facetas do<br \/>\nfen\u00f4meno amor, ao passo que a nossa pr\u00f3pria l\u00edngua alem\u00e3 \u00e9 carente: v\u00ea-se<br \/>\nobrigada a designar realidades diversas pela palavra Liebe. Assim, usamos<br \/>\nLiebe para expressar a prefer\u00eancia por uma determinada qualidade de vinho<br \/>\n(&#8220;eu amo o Borgonha&#8221;); como tamb\u00e9m para designar o sol\u00edcito amor por<br \/>\numa pessoa que est\u00e1 passando dificuldades; a atra\u00e7\u00e3o m\u00fatua entre homem e<br \/>\nmulher; ou ainda, a dedica\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o a Deus. Para tudo isto, dispomos<br \/>\nde um \u00fanico substantivo: Liebe7<\/p>\n<p>A respeito desse car\u00e1ter que confunde da l\u00edngua alem\u00e3, no caso, e seu potencial<br \/>\nheur\u00edstico \u00e9 que versa a parte final e mais importante deste artigo. Como contraste em rela\u00e7\u00e3o \u00e0<br \/>\n\u201cpobreza\u201d da l\u00edngua alem\u00e3, Pieper n\u00e3o deixa de citar a riqueza dos v\u00e1rios termos para amor nas<br \/>\nl\u00ednguas grega e latina (e nas l\u00ednguas modernas, derivadas do latim).<\/p>\n<p>No Latim, ele fala sobre o amor misericordioso em pietas; o amor que se aplica \u00e0 a\u00e7\u00e3o<br \/>\nem studio; o car\u00e1ter \u201cpassivo\u201d do amor na afei\u00e7\u00e3o; o car\u00e1ter eletivo do amor em dilectio; o caro<br \/>\npre\u00e7o em que se estima o amado em caritas; e a pr\u00f3pria palavra amor, como termo geral.<br \/>\nSimilarmente, no grego, Pieper mostra as distin\u00e7\u00f5es entre eros, philia, agape, etc. Ao analisar<br \/>\nbrevemente as l\u00ednguas modernas, Pieper se depara, no ingl\u00eas, com as distin\u00e7\u00f5es e semelhan\u00e7as<br \/>\nentre \u201camar\u201d e \u201cgostar\u201d (\u201cto love\u201d e \u201cto like\u201d), e se questiona quanto \u00e0 semelhan\u00e7a entre<br \/>\nlikeness e to like: a sugestiva coincid\u00eancia entre gostar e parecer-se.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s do to like, Pieper chega ao to be fond of, e descobre que em sua raiz, est\u00e1 fonned,<br \/>\nque significava encantado, ou enfeiti\u00e7ado por algo ou algu\u00e9m. Ao analisarmos a l\u00edngua russa,<br \/>\nPieper descobre um termo espec\u00edfico para \u201camar com os olhos\u201d \u2013 lubovatsia \u2013 e um para o<br \/>\namor de Deus para com os homens: bl\u00e1gost. Logo no in\u00edcio do cap\u00edtulo II, Pieper parece<br \/>\nconvencido de que n\u00e3o pode haver um tra\u00e7o comum entre tantos tipos de \u201camores\u201d<br \/>\ndiferentes, mas lembra-se de que o fato de que todos eles recebem o mesmo nome em alem\u00e3o<br \/>\ndeve indicar uma rela\u00e7\u00e3o. E a rela\u00e7\u00e3o entre todos estes \u201camores\u201d \u00e9 certo tipo de aprova\u00e7\u00e3o:<br \/>\nPieper conclui que o amor, em sua forma b\u00e1sica \u00e9 a aprova\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de algo ou algu\u00e9m.<br \/>\n\u00c9 a not\u00e1vel conclus\u00e3o: amar \u00e9 dizer \u201c\u00e9 bom que voc\u00ea exista!\u201d.<\/p>\n<p>7 Pieper, Josef \u201cCrer, Esperar, Amar\u201d http:\/\/www.hottopos.com.br\/notand4\/crer.htm<\/p>\n<p>Al\u00e9m do mais, esta manifesta, ou simplesmente aparente, pobreza do<br \/>\nvocabul\u00e1rio alem\u00e3o oferece-nos uma oportunidade especial: a de enfrentar o<br \/>\ndesafio, imposto pela pr\u00f3pria linguagem, de, apesar de tudo, n\u00e3o perder de<br \/>\nvista aquilo que h\u00e1 de comum, de coincidente, entre todas as formas de<br \/>\namor. E qual poderia ser este elo de liga\u00e7\u00e3o comum? Em outras palavras: o<br \/>\nque h\u00e1 de comum entre os amores, o que significa em geral &#8220;amar&#8221;: amar o<br \/>\nvinho, a m\u00fasica, o amigo, a pessoa amada ou o pr\u00f3prio Deus? Estou<br \/>\nconvencido de que h\u00e1, de fato, uma resposta para esta quest\u00e3o. E a resposta<br \/>\n\u00e9 a seguinte: amar, em qualquer caso, denota aprova\u00e7\u00e3o. Amar algo ou amar<br \/>\nalgu\u00e9m sempre significa afirmar: &#8220;Que bom que isto existe!&#8221;, &#8220;Que bom, que<br \/>\nmaravilha que voc\u00ea est\u00e1 no mundo!&#8221;.8<\/p>\n<p>Contudo, Pieper salienta que \u00e9 uma aprova\u00e7\u00e3o que nasce da vontade, como que um<br \/>\n\u201ceu quero que voc\u00ea exista\u201d. Ao falar da vontade, Pieper distingue dois tipos: a vontade na qual<br \/>\npensamos primariamente, a vontade por algo que n\u00e3o se tem, a vontade de conquistar algo; e a<br \/>\nvontade dirigida a algo que j\u00e1 a\u00ed est\u00e1, no sentido de aprova\u00e7\u00e3o. Para Pieper, este segundo tipo<br \/>\nde vontade, este segundo tipo de querer, \u00e9 que \u00e9 o amor fundamental. Pieper observa que esta<br \/>\nrela\u00e7\u00e3o entre o amor e a vontade n\u00e3o aparece apenas na literatura mais ou menos especializada,<br \/>\nmas tamb\u00e9m na fala comum, como nos versos de Jerome, que diz o que ser\u00e1 traduzido como<br \/>\n\u201cDeus quer ao homem\u201d, ou \u201cDeus me libertou porque me quis\u201d, correspondentemente ao que<br \/>\nem portugu\u00eas queremos dizer quando falamos que \u201cqueremos bem\u201d a algu\u00e9m.<\/p>\n<p>No entanto, se a aprova\u00e7\u00e3o \u00e9 realmente o que h\u00e1 de comum a todas as<br \/>\nformas de amor, se \u00e9 o impulso fundamental de todo o amor, ent\u00e3o \u00e9<br \/>\nnecess\u00e1rio, naturalmente, que essa aprova\u00e7\u00e3o n\u00e3o possa considerar-se mero<br \/>\nfen\u00f4meno verbal. &#8220;Que bom que isto existe!&#8221;. &#8220;Que bom, que maravilha,<br \/>\nque voc\u00ea est\u00e1 no mundo!&#8221;: estas, obviamente, n\u00e3o s\u00e3o afirma\u00e7\u00f5es neutras e<br \/>\nin\u00f3cuas. N\u00e3o, n\u00e3o se trata de modo algum de meras declara\u00e7\u00f5es verbais; elas<br \/>\nt\u00eam um sentido de express\u00e3o de uma vontade. A aprova\u00e7\u00e3o que se realiza no<br \/>\namor significa: estou de acordo, comprometo-me, aprovo e reafirmo,<br \/>\nenvolvo-me, reconhe\u00e7o e assumo, endosso atrav\u00e9s do meu aplauso; louvo,<br \/>\nexalto e glorifico o fato de determinada coisa ou determinado algu\u00e9m,<br \/>\nprecisamente a pessoa amada, existir. Naturalmente, aprovar representa um<br \/>\ngrau muito menos intenso de afirma\u00e7\u00e3o do que exaltar e glorificar. No<br \/>\nentanto, os itens da enumera\u00e7\u00e3o acima t\u00eam algo em comum: trata-se, em<br \/>\ntodos os casos, de formas de estar de acordo, de uma sintonia da vontade. O<br \/>\nque todas dizem \u00e9: eu quero que este algo ou que este algu\u00e9m exista. Amor \u00e9<br \/>\num tipo de querer, uma forma de vontade. O fato de n\u00f3s, ao ouvirmos essa<br \/>\ncaracteriza\u00e7\u00e3o do amor, inicialmente ficarmos com uma certa reserva, guarda<br \/>\nrela\u00e7\u00e3o com o esvaziamento e empobrecimento de nossa concep\u00e7\u00e3o de<\/p>\n<p>8 Pieper, Josef \u201cCrer, Esperar, Amar\u201d http:\/\/www.hottopos.com.br\/notand4\/crer.htm<\/p>\n<p>vontade, um empobrecimento ao qual j\u00e1 acabamos por acostumar-nos.<\/p>\n<p>Querer, no sentido que damos \u00e0 palavra hoje, \u00e9 essencialmente e acima de<br \/>\ntudo: querer-fazer! Para a grande tradi\u00e7\u00e3o do pensamento europeu, por\u00e9m, era<br \/>\n\u00f3bvio que a afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 que \u00e9 o ato fundamental da vontade, e, portanto, do<br \/>\namor. E este ato fundamental se caracteriza precisamente n\u00e3o por buscar a<br \/>\naltera\u00e7\u00e3o do que a\u00ed est\u00e1, mas pelo endosso e afirma\u00e7\u00e3o daquilo que j\u00e1 \u00e9. 9<\/p>\n<p>A partir disto, Pieper chega a uma quest\u00e3o de suma import\u00e2ncia: se o amor como a<br \/>\nmais fundamental das for\u00e7as da vontade \u00e9 o princ\u00edpio de toda exist\u00eancia, ent\u00e3o que vontade \u00e9<br \/>\nessa, o que \u00e9 que queremos de fato, quando dizemos a algo ou algu\u00e9m que \u201c\u00e9 bom que voc\u00ea<br \/>\nexista\u201d? Conseq\u00fcentemente, Pieper procura respostas para esta pergunta em autores<br \/>\nrenomados e grandes pensadores, como Tom\u00e1s de Aquino, Alexander Pf\u00e4nder, Ortega y<br \/>\nGasset, Vladimir Soloviev e Gabriel Marcel, e se surpreende que todos eles tenham chegado<br \/>\nmais ou menos \u00e0 mesma conclus\u00e3o: que o que o amor quer quando ama \u00e9 que a outra pessoa<br \/>\nexista, ou continue existindo; mais ainda: que ela nunca morra. Para Pieper, acreditar que o<br \/>\namor verdadeiro seja incompat\u00edvel com a inevitabilidade da morte, ou que ele at\u00e9 mesmo a<br \/>\nexclua, \u00e9 chegar muito perto da loucura. Entretanto, ao se deparar com a poss\u00edvel loucura que<br \/>\nestas afirma\u00e7\u00f5es possam parecer, Pieper se lembra da engenhosa frase de Nietzsche que diz<br \/>\nque \u201csempre h\u00e1 loucura no amor\u201d, mas que em toda loucura tamb\u00e9m sempre h\u00e1 certo sentido.<\/p>\n<p>Partindo da\u00ed, acredita-se ent\u00e3o que \u00e9 poss\u00edvel haver um certo sentido nas afirma\u00e7\u00f5es<br \/>\ndos autores anteriormente citados quando falam da nega\u00e7\u00e3o da morte presente no amor, ent\u00e3o<br \/>\nse pode chegar tamb\u00e9m a dois aspectos que se deve considerar: primeiro, quando se diz \u201cque<br \/>\nbom que voc\u00ea exista\u201d, n\u00e3o se quer dizer \u201cque bom que voc\u00ea seja assim ou assado\u201d (inteligente,<br \/>\nbonito, esperto, etc.), mas simplesmente \u201cque bom que voc\u00ea seja\u201d, \u201cque maravilha que voc\u00ea<br \/>\nexista!\u201d (p. 170). E segundo: a mais extrema forma de afirma\u00e7\u00e3o ou amor que pode ser<br \/>\nconcebida \u00e9 a creatio \u2013 o pr\u00f3prio ato de fazer existir no estrito sentido da palavra (p. 170).<\/p>\n<p>Por\u00e9m, esta semelhan\u00e7a ao ato da cria\u00e7\u00e3o que existe no amor dos seres humanos n\u00e3o pode ser<br \/>\nconfundida com o fundamental ato da cria\u00e7\u00e3o em si, ou com a cren\u00e7a num real poder criador<br \/>\nconcedido aos seres humanos. A \u00fanica e verdadeira Cria\u00e7\u00e3o foi realizada por Deus, quando ao<br \/>\nformar os seres humanos antecipou neles o amor e disse: \u201ceu quero que voc\u00eas sejam; \u00e9 bom,<br \/>\n\u2018muito bom\u2019 (Gn 1:31), que voc\u00eas existam\u201d. (p. 171). A partir desta perspectiva, o amor<br \/>\nhumano nada mais \u00e9 do que um eco da primeira afirma\u00e7\u00e3o divina e criativa de todas as coisas.<br \/>\nE, mais do que isso ainda, Pieper encerra seu segundo cap\u00edtulo: o amor humano \u00e9 uma<br \/>\ncontinua\u00e7\u00e3o e um aperfei\u00e7oamento do que se iniciou na cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao iniciar o terceiro cap\u00edtulo, Pieper se pergunta: mas se a pessoa amada j\u00e1 existe, de<br \/>\nque adianta afirmar sua exist\u00eancia e ach\u00e1-la maravilhosa? Ser\u00e1 que isso tem algo a acrescentar,<br \/>\nde fato, \u00e0quela pessoa? Em outras palavras: qual \u00e9, afinal, a fun\u00e7\u00e3o do amor?<\/p>\n<p>A fim de responder \u00e0 quest\u00e3o, Pieper lembra-se \u2013 paradoxalmente \u2013 de Sartre, para<br \/>\nquem a base da alegria do amor \u00e9 sentir que nossa exist\u00eancia \u00e9 justificada. Mais do que existir<br \/>\nsimplesmente, o que far\u00edamos de qualquer maneira, o que os seres humanos precisam \u00e9 se<br \/>\nsentir amados por algu\u00e9m. Antes de formular uma resposta, Pieper esclarece que est\u00e1<br \/>\nprocurando pelo sentido do amor especificamente para a pessoa amada neste caso, e n\u00e3o para<br \/>\nquem ama. Apesar de esta conclus\u00e3o causar um certo espanto em Pieper, ele reconhece que as<\/p>\n<p>9 Pieper, Josef \u201cCrer, Esperar, Amar\u201d http:\/\/www.hottopos.com.br\/notand4\/crer.htm<\/p>\n<p>experi\u00eancias palp\u00e1veis do cotidiano apenas a confirmam, como por exemplo, quando se diz<br \/>\nque uma pessoa \u201cfloresce\u201d ou \u201cse torna quem ela \u00e9 pela primeira vez na vida\u201d quando est\u00e1<br \/>\npassando pela experi\u00eancia de ser amada.<\/p>\n<p>O que se afirma \u00e9 algo assim: no amor afian\u00e7a-se, confere-se diretamente ao<br \/>\nser amado o seu existir. Mesmo Jean-Paul Sartre que, em sua teoria filos\u00f3fica,<br \/>\ndefende a afirma\u00e7\u00e3o de que cada ser humano \u00e9 inimigo do outro e mesmo o<br \/>\nseu verdugo em potencial, mesmo Sartre, que felizmente tamb\u00e9m \u00e9 um poeta<br \/>\ne sabe descrever a realidade humana concreta de forma genial, mesmo Sartre<br \/>\nresponde \u00e0 nossa pergunta afirmando que isto \u00e9 o n\u00facleo, le fonds, da alegria<br \/>\nde ser amado: \u00e9 ent\u00e3o que nos sentimos justificados por existir. E, em<br \/>\nGabriel Marcel, encontramos esta grandiosa afirma\u00e7\u00e3o: &#8220;Amar uma pessoa \u00e9<br \/>\ndizer-lhe: &#8216;Voc\u00ea n\u00e3o morrer\u00e1 jamais'&#8221;.<\/p>\n<p>Por mais que se possa considerar euforicamente exageradas essas<br \/>\nformula\u00e7\u00f5es e que tenham ultrapassado os limites impostos \u00e0 finitude do ser<br \/>\nhumano, um aspecto da realidade, por\u00e9m, \u00e9 posto em foco e manifesta-se ao<br \/>\nolhar; a saber, que de fato a m\u00e1xima forma de afirma\u00e7\u00e3o que se possa<br \/>\nconceber \u00e9 a creatio, a cria\u00e7\u00e3o em sentido estrito.<\/p>\n<p>Na formula\u00e7\u00e3o de um fil\u00f3sofo alem\u00e3o, a cria\u00e7\u00e3o \u00e9 o grau m\u00e1ximo da<br \/>\nafirma\u00e7\u00e3o, do dizer-sim. \u00c9 precisamente isto tamb\u00e9m o que se imp\u00f5e como<br \/>\nevidente, para al\u00e9m do \u00e2mbito das argumenta\u00e7\u00f5es e das demonstra\u00e7\u00f5es, para<br \/>\nquem realmente est\u00e1 amando. Este sabe que o seu ato de afirma\u00e7\u00e3o dirigido<br \/>\nao outro, ao ser amado, cairia simplesmente no vazio, se n\u00e3o estivesse em<br \/>\njogo algo como a cria\u00e7\u00e3o, e isto n\u00e3o apenas como dado j\u00e1 pr\u00e9-estabelecido<br \/>\nao pr\u00f3prio ser amado, mas como uma realidade que ainda est\u00e1 em processo<br \/>\nde desenvolvimento e do qual ele mesmo, o que ama, participa precisamente<br \/>\npelo pr\u00f3prio ato de amar.<\/p>\n<p>Naturalmente, tamb\u00e9m esta intui\u00e7\u00e3o cairia no absurdo e na fic\u00e7\u00e3o se<br \/>\npretendesse atribuir ao homem uma for\u00e7a criadora em sentido estrito e<br \/>\nliteral. Mesmo porque j\u00e1 houve um outro algu\u00e9m, um Algu\u00e9m absoluto, que<br \/>\nantes mesmo que se pudesse falar em amor humano ou coisa assim, j\u00e1 disse:<\/p>\n<p>&#8220;Eu quero que voc\u00ea seja. \u00c9 bom, \u00e9 muito bom que voc\u00ea exista!&#8221;. Da\u00ed que<br \/>\ntodo o amor humano n\u00e3o seja mais do que uma constante reconstitui\u00e7\u00e3o,<br \/>\numa esp\u00e9cie de repeti\u00e7\u00e3o, do amor criador de Deus. Uma reprodu\u00e7\u00e3o que, se<br \/>\ntudo corre bem, \u00e9 ao mesmo tempo um prolongamento e uma consuma\u00e7\u00e3o<br \/>\ndaquilo que come\u00e7ou com a Cria\u00e7\u00e3o. 10<\/p>\n<p>Outro exemplo tamb\u00e9m citado por Pieper \u00e9 o famoso experimento do Dr. Ren\u00e9 Spitz,<br \/>\nque revelou que crian\u00e7as criadas por suas m\u00e3es na cadeia, em p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de higiene e<br \/>\nconforto, estavam muito melhores do que outras crian\u00e7as criadas sem suas m\u00e3es, mas em<br \/>\nambientes perfeitamente limpos e confort\u00e1veis, recebendo do melhor alimento e do<br \/>\ntratamento de enfermeiras muito bem treinadas. \u00c9 que ao ser humano n\u00e3o basta a \u201cinfraestrutura\u201d<br \/>\n(estar bem alimentado, agasalhado etc.); \u00e9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m ser amado. Utilizando-se<\/p>\n<p>10 Pieper, Josef \u201cCrer, Esperar, Amar\u201d http:\/\/www.hottopos.com.br\/notand4\/crer.htm<\/p>\n<p>de uma met\u00e1fora b\u00edblica encontrada nos trabalhos do psic\u00f3logo Erich Fromm, Pieper<br \/>\nreconhece que as crian\u00e7as criadas nos ambientes esterilizados e tratadas pelas enfermeiras<br \/>\nespecializadas recebiam, de fato, todo o leite de que precisavam. Mas lhes faltava o mel (de<br \/>\nacordo com \u00caxodo 3:8, Deus promete ao seu povo \u201cuma terra onde manam leite e mel\u201d). Para<br \/>\nFromm (2000), o leite representa todas as necessidades fisiol\u00f3gicas de uma pessoa, enquanto o<br \/>\nmel simboliza a do\u00e7ura da vida e a alegria da exist\u00eancia. Isto claramente mostra que para os<br \/>\nseres humanos n\u00e3o basta apenas o leite; tamb\u00e9m necessitamos do mel \u2013 o amor. E aqui, o que<br \/>\nfora dito anteriormente a respeito do amor como uma necess\u00e1ria continua\u00e7\u00e3o e um<br \/>\naperfei\u00e7oamento da exist\u00eancia, ganha sentido:<\/p>\n<p>No amor humano o ato criativo da Divindade em estabelecer a exist\u00eancia \u00e9<br \/>\ncontinuado \u2013 para que algu\u00e9m que esteja conscientemente experimentando o<br \/>\namor possa dizer, \u201cEu preciso de voc\u00ea para ser eu mesmo\u2026 Ao me amar<br \/>\nvoc\u00ea me d\u00e1 a mim mesmo, voc\u00ea me deixa ser\u201d (p. 176).<br \/>\nColocado de outra maneira, \u201cO que ser amado faz com que o ser fa\u00e7a \u00e9 precisamente: ser.\u201d (p.<br \/>\n176).<\/p>\n<p>Descri\u00e7\u00e3o sumariada do livro The Four Loves11 de C. S. Lewis<\/p>\n<p>Lewis12 pensou que a partir da afirma\u00e7\u00e3o e da verdade b\u00edblica pressuposta de que<br \/>\n\u201cDeus \u00e9 amor\u201d, anteriormente declarada na B\u00edblia por S. Jo\u00e3o, poderia desenvolver todo o seu<br \/>\ntrabalho a respeito do amor. Assim, o amor humano seria definido como digno de ser<br \/>\nchamado amor apenas na medida em que se assemelhasse ao amor divino, ou seja, ao amor<br \/>\nque \u00e9 o pr\u00f3prio Deus. A partir da\u00ed ele identificou duas categorias distintas de amor. O gift-love<br \/>\n(do ingl\u00eas \u2013 gift: presente, oferta, d\u00e1diva; love: amor), o que poderia ser traduzido como um amor<br \/>\ndoador, e o need-love (need: necessidade), o que poderia ser traduzido como amor da necessidade.<\/p>\n<p>Inicialmente, C. S. Lewis estava disposto a fundamentar todo o seu tratado a respeito<br \/>\ndo amor elogiando o gift-love e depreciando o need-love, e afirma que ainda concorda com muito<br \/>\ndo que iria dizer, entretanto, acredita que n\u00e3o chamar o amor da necessidade de amor \u00e9 fazer<br \/>\nviol\u00eancia \u00e0 l\u00edngua, j\u00e1 que afinal de contas, o need-love ainda \u00e9 chamado de amor. Neste aspecto,<br \/>\nLewis acha que \u201c\u00c9 melhor n\u00e3o seguirmos Humpty Dumpty em fazer com que as palavras<br \/>\nsignifiquem o que quer que acharmos melhor\u201d (p. 8).<\/p>\n<p>Lewis tamb\u00e9m acredita que n\u00e3o se pode considerar o need-love como puro ego\u00edsmo, uma<br \/>\nvez que todos os seres humanos precisam uns dos outros, e tamb\u00e9m porque ele \u00e9 o primeiro<br \/>\namor que podemos sentir por Deus. Aqui, Lewis se depara com um paradoxo: estamos mais<\/p>\n<p>11 Lewis, C. S. The four loves. Great Britain: Fount Paperbacks, 1978.<br \/>\n12 C. S. Lewis nasceu em 1898 na Irlanda e morreu em 1963, em Oxford, foi professor de Literatura Medieval e<\/p>\n<p>Renascentista em Cambridge. \u00c9 hoje um dos autores mais lidos no meio evang\u00e9lico, tamb\u00e9m autor das famosas<br \/>\nCr\u00f4nicas de N\u00e1rnia, entre elas O le\u00e3o, a feiticeira e o guarda-roupa, que foi recentemente lan\u00e7ada em forma de filme<br \/>\npelos est\u00fadios de Walt Disney, com enorme sucesso.<br \/>\nperto de Deus quando estamos mais \u201clonge\u201d dele. Em outras palavras: estamos mais pr\u00f3ximos<br \/>\nde Deus quando estamos mais longe dele no sentido de semelhan\u00e7a \u2013 quando somos menos<br \/>\nparecidos com Ele. Lewis distingue estar pr\u00f3ximo no sentido de semelhan\u00e7a de estar pr\u00f3ximo<br \/>\nno sentido de dist\u00e2ncia f\u00edsica. Os seres humanos j\u00e1 s\u00e3o pr\u00f3ximos de Deus em semelhan\u00e7a, pois<br \/>\nEle fez cada criatura sua refletir um pouco de sua gl\u00f3ria. Nem por isso quer dizer<br \/>\nautomaticamente que estejamos tamb\u00e9m pr\u00f3ximos de Deus em dist\u00e2ncia. A proximidade em<br \/>\nsemelhan\u00e7a \u00e9 algo que nos \u00e9 dado por natureza, a proximidade em dist\u00e2ncia \u201ciniciada e<br \/>\nsuportada pela Gra\u00e7a, \u00e9 algo que devemos fazer\u201d (p. 11).<\/p>\n<p>Lewis diz que nossa imita\u00e7\u00e3o de Deus nesta vida n\u00e3o deve ser do Pai que est\u00e1 nos<br \/>\nC\u00e9us, todo-poderoso, onisciente e onipresente, mas do Cristo encarnado, n\u00e3o apenas o do<br \/>\nCalv\u00e1rio, mas o da pobreza, das priva\u00e7\u00f5es, das multid\u00f5es e das interrup\u00e7\u00f5es, pois Ele \u00e9 \u201ca vida<br \/>\nDivina operando debaixo de condi\u00e7\u00f5es humanas\u201d (p. 11). Lewis explica que fez estas<br \/>\ndistin\u00e7\u00f5es a fim de prevenir que se confunda \u201cDeus \u00e9 amor\u201d com \u201co amor \u00e9 um deus\u201d. Para<br \/>\nLewis, um amor que se deixa tornar um deus se torna tamb\u00e9m um dem\u00f4nio; e ent\u00e3o acaba<br \/>\ndeixando de ser amor para se tornar uma forma de \u00f3dio. Mas o tipo de amor que corre o risco<br \/>\nde ser idolatrado n\u00e3o \u00e9 o need-love. \u00c9 o gift-love, justamente por ser o mais pr\u00f3ximo de Deus em<br \/>\nsemelhan\u00e7a; o que \u2013 afirma-se mais uma vez \u2013 n\u00e3o garante nem um pouco uma proximidade<br \/>\nreal. Esta deve ser trabalhada por n\u00f3s.<\/p>\n<p>Em seu segundo cap\u00edtulo, intitulado Likings and Loves for the Sub-human (Gostos e Amores<br \/>\npelo Sub-humano), Lewis discute o amor e o gostar humanos por coisas n\u00e3o humanas, uma vez<br \/>\nque acredita haver uma continuidade entre eles e os nossos amores pelas pessoas. Chegamos<br \/>\nao ponto sobre o qual, ao final deste trabalho, deteremos nossa aten\u00e7\u00e3o para a linguagem<br \/>\ncomo m\u00e9todo filos\u00f3fico: se a intui\u00e7\u00e3o de Pieper versa sobre o pensamento confundente e a<br \/>\nlinguagem confundente, a de Lewis se volta para o pensamento que distingue, a linguagem que<br \/>\ndistingue. Trata-se da distin\u00e7\u00e3o entre Need-pleasures e Pleasures of Appreciation.<\/p>\n<p>Como um n\u00edvel mais baixo do amor \u00e9 o gostar, e gostar significa ter um tipo de prazer<br \/>\nem algo, Lewis decide come\u00e7ar com o prazer. E distingue entre dois tipos de prazer: needpleasures<br \/>\ne os pleasures of appreciation. Semelhantemente ao need-love, o need-pleasure tamb\u00e9m parte<br \/>\nsempre de uma necessidade; uma necessidade que pressup\u00f5e uma prepara\u00e7\u00e3o: \u00e9 um prazer que<br \/>\ns\u00f3 \u00e9 prazer porque antes ocorreu algo que o requer como a necessidade de beber \u00e1gua depois<br \/>\nde horas ao sol, por exemplo: \u00e9 justamente o prazer que se sente em saciar a necessidade.<\/p>\n<p>Entretanto, o pleasure of appreciation \u00e9 um tipo de prazer que nos faz apreciar algo por si mesmo<br \/>\nindependentemente de prepara\u00e7\u00e3o, mas simplesmente pelos atributos admir\u00e1veis do objeto:<br \/>\ncomo a entrega \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o de um belo quadro.<\/p>\n<p>Lewis observa que em alguns casos, o pleasure of appreciation pode decair em need-pleasure,<br \/>\ncomo no caso do prazer em apreciar um bom vinho, que pode se tornar um alcoolismo a partir<br \/>\ndo momento em que a bebida se torna uma necessidade e nem sequer \u00e9 \u201capreciada\u201d. Para<br \/>\nLewis, parece bastante \u00f3bvio como os need-pleasures prenunciam o need-love, e atrav\u00e9s desta<br \/>\ncompara\u00e7\u00e3o pode-se descobrir como, da mesma forma que o need-pleasure termina com a<br \/>\nnecessidade, pode tamb\u00e9m ocorrer o mesmo com o need-love se ele n\u00e3o for alimentado. No caso<br \/>\ndo amor por Deus, Lewis lembra que a nossa necessidade dele nunca termina \u2013 embora nossa<br \/>\npercep\u00e7\u00e3o dela possa, levando junto tamb\u00e9m o amor. No entanto, para Lewis n\u00e3o fica t\u00e3o clara<br \/>\na rela\u00e7\u00e3o entre pleasure of appreciation e o gift-love. Por isso, ele sente a necessidade de distinguir<br \/>\nainda outro tipo de amor: o appreciative-love, ou amor apreciativo:<\/p>\n<blockquote><p>\nO Need-love clama a Deus da nossa pobreza; o Gift-love anseia em servir, ou<br \/>\nmesmo sofrer, por Deus; o Appreaciative love diz: \u201cDamos gra\u00e7as a Ti por tua<br \/>\nimensa gl\u00f3ria\u201d. O Need-love diz de uma mulher \u201ceu n\u00e3o posso viver sem ela\u201d;<br \/>\no Gift-love anseia em dar a ela felicidade, conforto, prote\u00e7\u00e3o \u2013 se poss\u00edvel,<br \/>\nprosperidade; o Appreciative love contempla, e prende a respira\u00e7\u00e3o, e fica em<br \/>\nsil\u00eancio, se regozija que tal maravilha deva existir mesmo que n\u00e3o para ele,<br \/>\nn\u00e3o ficar\u00e1 inteiramente desanimado em perd\u00ea-la, prefere t\u00ea-la assim do que<br \/>\nnunca t\u00ea-la visto de maneira alguma (p. 21).<br \/>\nOutro cap\u00edtulo trata especificamente do tipo de amor caracterizado como \u201cAfei\u00e7\u00e3o\u201d,<br \/>\nque \u00e9 para Lewis o mais difundido e humilde de todos os amores. \u00c9 tamb\u00e9m o que os gregos<br \/>\nchamavam de storge, o que originalmente se destinava ao amor de pais para com seus filhos. A<br \/>\nAfei\u00e7\u00e3o pode ser sentida por qualquer pessoa, e qualquer pessoa tamb\u00e9m pode ser objeto dela.<br \/>\nLewis a chamou de \u201co menos discriminador dos amores\u201d (p. 34). Entretanto, a Afei\u00e7\u00e3o possui<br \/>\nseu crit\u00e9rio de escolha: seu objeto deve ser algo familiar. Ela n\u00e3o tem nada do amor apreciativo<br \/>\nem si, \u00e9 o mais modesto dos amores, no qual ningu\u00e9m se orgulha nem de senti-lo, e nem de ser<br \/>\nobjeto dele.<\/p><\/blockquote>\n<p>Freq\u00fcentemente, a Afei\u00e7\u00e3o vem acompanhada de outros amores, como o amor er\u00f3tico<br \/>\ne a Amizade, completando-os e unindo mais as pessoas. A Afei\u00e7\u00e3o pode ainda fazer surgir<br \/>\nsentimentos de amor apreciativo onde eles n\u00e3o existiam antes. \u00c9 quando se come\u00e7a a ver algo<br \/>\nnaquela pessoa que sempre esteve presente, mas que nunca t\u00ednhamos reparado antes, e<br \/>\npassamos a admitir que ela se trata, afinal, de uma \u00f3tima pessoa, a seu pr\u00f3prio modo. Esse \u201ca<br \/>\nseu pr\u00f3prio modo\u201d, para Lewis, \u00e9 libertador, pois \u201cnos leva al\u00e9m de nossas pr\u00f3prias<br \/>\nidiossincrasias, nos fazendo aprender a apreciar a bondade e a intelig\u00eancia em si mesmas, e n\u00e3o<br \/>\napenas a que for temperada e servida para agradar ao nosso pr\u00f3prio paladar\u201d (p. 37).<br \/>\nOlhando para tudo o que foi colocado at\u00e9 aqui, pode-se at\u00e9 pensar que a Afei\u00e7\u00e3o se<br \/>\ntrata exatamente do amor supremo, daquele pr\u00f3prio amor que \u00e9 Deus em si. Entretanto Lewis<br \/>\nnos adverte que uma coisa n\u00e3o tem nada que ver com a outra. Em seguida ele descrever\u00e1<br \/>\nalgumas pervers\u00f5es da Afei\u00e7\u00e3o, falando primeiramente sobre quando ela se manifesta como<br \/>\nneed-love, e depois como gift-love.<br \/>\nO need-love aparece, pois todas as pessoas desejam ser objeto de Afei\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m \u2013 e<br \/>\nassim esperam que aconte\u00e7a. Justamente por n\u00e3o ser um amor discriminat\u00f3rio, ele acaba sendo<br \/>\ntomado como algo natural, \u201cembutido\u201d em qualquer fam\u00edlia, sem que ningu\u00e9m nunca tenha de<br \/>\nfazer nada para merec\u00ea-lo. Entretanto, Lewis adverte que n\u00e3o temos um \u201cdireito de esperar\u201d<br \/>\nsermos objeto de Afei\u00e7\u00e3o, mas uma \u201cexpectativa razo\u00e1vel\u201d de que iremos, se formos pessoas<br \/>\ncomuns. Por\u00e9m, Lewis lembra que podemos ser insuport\u00e1veis. Neste caso, a \u201cnatureza\u201d se<br \/>\nvoltar\u00e1 contra n\u00f3s (p. 41), e onde poderia surgir uma Afei\u00e7\u00e3o, surge um \u00f3dio, antigo e<br \/>\nprofundo como a pr\u00f3pria Afei\u00e7\u00e3o.<br \/>\nH\u00e1 pessoas que pensam que em casa podem se comportar de qualquer jeito, \u201cficar \u00e0<br \/>\nvontade\u201d, n\u00e3o se esfor\u00e7ar para serem am\u00e1veis com ningu\u00e9m, e mesmo assim esperar serem<br \/>\namadas. A Afei\u00e7\u00e3o de fato toma certas liberdades de poder, por exemplo, dizer certas coisas<br \/>\nem casa que n\u00e3o se diria em p\u00fablico. Nem por isso pode faltar cortesia. Para Lewis, a cortesia<br \/>\nque se deve ter em casa \u00e9 diferente da que se deve ter em ambientes p\u00fablicos, bem menos<br \/>\nformal, mas a regra de n\u00e3o dar a prefer\u00eancia a si mesmo deve ser mantida, e at\u00e9 mesmo<br \/>\nmostrar sua maior express\u00e3o e ess\u00eancia aqui. A educa\u00e7\u00e3o e a polidez que se tem em p\u00fablico<br \/>\ncomo um ritual, deve acontecer de verdade em casa.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo aspecto da Afei\u00e7\u00e3o descrito por Lewis \u00e9 o ci\u00fame. No caso espec\u00edfico da<br \/>\nAfei\u00e7\u00e3o, o ci\u00fame ocorre com a mudan\u00e7a. Um membro da fam\u00edlia descobre alguma novidade<br \/>\ncomo as artes, a poesia, ou at\u00e9 mesmo a Deus. Ele muda, come\u00e7a a se empolgar com coisas<br \/>\nque seus velhos n\u00e3o entendem. Na mesma hora o ci\u00fame chega e deixa um fort\u00edssimo<br \/>\nsentimento de deser\u00e7\u00e3o e abandono, como se algu\u00e9m tivesse roubado aquela pessoa do<br \/>\nconv\u00edvio de seus velhos semelhantes. \u201cEle que era um de N\u00f3s se tornou um Deles. Que direito<br \/>\ntinha algu\u00e9m de fazer isso? Ele \u00e9 nosso.\u201d (p. 46).<br \/>\nEstas pervers\u00f5es da Afei\u00e7\u00e3o descritas por Lewis at\u00e9 aqui foram pervers\u00f5es do need-love.<\/p>\n<p>Todavia a Afei\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tem suas pervers\u00f5es como gift-love. Essencialmente, o gift-love se<br \/>\ncorrompe quando se torna um need-love, ou seja, quando dar, se torna uma necessidade. A<br \/>\npessoa precisa ser necess\u00e1ria, e por isso, ou manter\u00e1 a quem ama em constante necessidade, ou<br \/>\ncriar\u00e1 novas necessidades que s\u00f3 possam ser supridas por ela.<\/p>\n<p>Para aqueles que pensam que estas pervers\u00f5es s\u00f3 acontecem com gente neur\u00f3tica e que<br \/>\ns\u00e3o, portanto, algum tipo de doen\u00e7a; Lewis afirma que est\u00e3o enganados. Ego\u00edsmo, avareza, e<br \/>\nsentimentos de auto-piedade n\u00e3o s\u00e3o sintomas patol\u00f3gicos \u2013 n\u00e3o se vai ao m\u00e9dico para cur\u00e1los<br \/>\n\u2013 mas antes, pecados, que s\u00f3 uma dire\u00e7\u00e3o espiritual pode combater. Uma Afei\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel<br \/>\nprecisa estar sempre temperada com dec\u00eancia, bom senso, raz\u00e3o, justi\u00e7a, bondade, autonega\u00e7\u00e3o,<br \/>\npaci\u00eancia e humildade. \u00c9 necess\u00e1rio que sempre haja a interven\u00e7\u00e3o de um amor maior<br \/>\nquando a Afei\u00e7\u00e3o falhar, pois ela por si s\u00f3 n\u00e3o produz frutos positivos automaticamente. Ela<br \/>\nn\u00e3o \u00e9 ainda o Amor perfeito, mas um amor humano \u2013 que como todos os seres humanos,<br \/>\nfalha e nunca \u00e9 bom por si s\u00f3.<\/p>\n<p>Os amores naturais descritos at\u00e9 aqui n\u00e3o s\u00e3o amores auto-suficientes. Para Lewis,<br \/>\n\u201calgo mais\u201d precisa vir em aux\u00edlio deles se eles quiserem permanecer em seu estado saud\u00e1vel e<br \/>\nbom. Este aux\u00edlio, este algo mais, que Lewis tem descrito at\u00e9 aqui como dec\u00eancia e senso<br \/>\ncomum, mas que depois se revelou como bondade, \u00e9 o Amor perfeito, a Caridade.<\/p>\n<p>At\u00e9 aqui, Lewis t\u00eam mostrado como os amores naturais n\u00e3o s\u00e3o perfeitos e sofrem<br \/>\npervers\u00f5es. O \u00fanico modo de eles permanecerem amores dentro dos cora\u00e7\u00f5es humanos \u00e9 se<br \/>\nforem temperados com algo perfeito e eterno, que sempre os levar\u00e1 pelos caminhos certos que<br \/>\nos manter\u00e3o longe das pervers\u00f5es, bons e saud\u00e1veis. Em seu \u00faltimo cap\u00edtulo conclus\u00f3rio,<br \/>\nLewis finalmente se focar\u00e1 apenas neste Amor Perfeito.<\/p>\n<p>Primeiramente Lewis comparou os nossos amores naturais com um belo jardim.<\/p>\n<p>Apesar de sua exuberante beleza, o jardim s\u00f3 pode de fato florescer, e suas plantas s\u00f3 podem<br \/>\ncrescer saud\u00e1veis por causa da chuva, do sol, e do calor. Estas \u00faltimas coisas representam o<br \/>\npapel que a Caridade desempenha em rela\u00e7\u00e3o aos outros amores.<\/p>\n<p>O amor pode causar tristeza, pode \u201cquebrar cora\u00e7\u00f5es\u201d, nem por isso se deve desistir<br \/>\ndele, pois nosso objetivo n\u00e3o deve estar simplesmente em buscar nos alegrarmos a n\u00f3s<br \/>\nmesmos. N\u00e3o h\u00e1 investimentos seguros no amor, amar \u00e9 se tornar vulner\u00e1vel (p. 111). Aquele<br \/>\nque se fecha para o amor com medo de ser magoado, logo se torna impenetr\u00e1vel.<br \/>\nLewis em seguida fala sobre a preocupa\u00e7\u00e3o de se amar uma pessoa mais do que a Deus.<\/p>\n<p>Ele acha que o problema n\u00e3o est\u00e1 em amar demais uma pessoa, mas em amar pouco a Deus. A<br \/>\nverdadeira preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 saber a quem se dever\u00e1 obedi\u00eancia acima de todas as coisas; a Deus<br \/>\nou ao amado? Para o autor, deve-se colocar Deus em primeiro lugar. Especialmente se se<br \/>\nquiser ter um segundo, terceiro, quarto lugar, e etc. Ser\u00e1 mais f\u00e1cil amar mais a Deus do que ao<br \/>\namado, sem que este se sinta magoado, se ele tamb\u00e9m compartilhar deste amor maior por<br \/>\nDeus do que pelas outras coisas. O \u201ctudo por amor\u201d n\u00e3o vale a pena, pois n\u00e3o est\u00e1 relacionado<br \/>\nda forma correta com o Amor em si.<\/p>\n<p>Partindo da premissa b\u00edblica, se Deus \u00e9 amor, e este amor \u00e9 um gift-love. E Ele<br \/>\nimplantou em todas as suas criaturas tanto o gift-love, que inocula e espelha seu pr\u00f3prio amor,<br \/>\nquanto o need-love. Mas o gift-love que recebemos \u00e9 diferente do de Deus. A nossa busca apenas<br \/>\ndar o que n\u00f3s mesmos estamos dispostos e capazes de dar, de acordo com o nosso pr\u00f3prio<br \/>\nju\u00edzo (falho) do que achamos bom para a pessoa, apenas para aqueles que acharmos am\u00e1veis e<br \/>\nmerecedores do nosso amor. O gift-love de Deus d\u00e1 tudo o que for, de fato, o melhor para seus<br \/>\namados, e ama a todos sem distin\u00e7\u00e3o, at\u00e9 mesmo os que n\u00e3o se consideraria am\u00e1veis, como<br \/>\ncriminosos ou assassinos.<\/p>\n<p>Deus permite inclusive que tenhamos por Ele um gift-love. Apesar de tudo ser d\u2019Ele e<br \/>\nEle n\u00e3o precisar receber nada de n\u00f3s, Ele nos d\u00e1 as nossas vidas, para que possamos oferecer<br \/>\nnossos cora\u00e7\u00f5es a Ele em amor e devo\u00e7\u00e3o. E os crist\u00e3os tamb\u00e9m sabem, afirma Lewis, que<br \/>\noutro modo de dar a Deus \u00e9 dando aos nossos semelhantes, quando vestimos ou alimentamos<br \/>\num estranho necessitado, por exemplo. Na B\u00edblia, Jesus afirma que o que fizermos de bom<br \/>\npara nossos semelhantes, a Ele o fazemos.<\/p>\n<p>Deus tamb\u00e9m coloca em n\u00f3s dois tipos de need-love sobrenaturais. Um por Ele, e um<br \/>\npelas outras pessoas. A primeira coisa que esse need-love por Deus faz em n\u00f3s \u00e9 nos mostrar que<br \/>\napesar de Deus nos amar, n\u00e3o \u00e9 porque somos am\u00e1veis, mas simplesmente porque Ele \u00e9 amor.<\/p>\n<p>Dessa forma podemos, atrav\u00e9s da Gra\u00e7a, receber com alegria tudo o que Ele tem para nos dar,<br \/>\nsabendo que aquilo n\u00e3o \u00e9 de fato \u201cnosso\u201d.<\/p>\n<p>O need-love sobrenatural pelas pessoas age em n\u00f3s, pois nos ajuda a aceitar que<br \/>\nprecisamos muitas vezes do amor e da caridade dos outros ainda quando n\u00e3o formos am\u00e1veis.<\/p>\n<p>Contudo, n\u00e3o \u00e9 o tipo de amor que queremos receber. Queremos ser amados por nossos<br \/>\npr\u00f3prios m\u00e9ritos. S\u00f3 poderemos ser amados e perdoados sem merecermos atrav\u00e9s da<br \/>\nCaridade. A Caridade n\u00e3o substitui os outros amores; ela serve de modelo pelo qual eles devem<br \/>\nse expressar. A Caridade, agindo nos seres humanos, \u00e9 tanto um need-love grato e sem<br \/>\nconstrangimento ou vergonha, quanto um gift-love modesto e altru\u00edsta.<\/p>\n<p>Os amores naturais do ser humano s\u00f3 podem se elevar ao n\u00edvel da Caridade se se<br \/>\nsubmeterem a Ela, ou seja, a Deus. E o \u00fanico modo de fazerem isso \u00e9 atrav\u00e9s da convers\u00e3o,<br \/>\nonde se reconhece a pr\u00f3pria insufici\u00eancia, indefesa e necessitada da condi\u00e7\u00e3o humana, e se<br \/>\naceita a Cristo, atrav\u00e9s da Gra\u00e7a e do infinito gift-love de Deus, para que se possa, atrav\u00e9s dele,<br \/>\natingir a perfei\u00e7\u00e3o e a plena alegria e paz que s\u00f3 Ele pode dar.<\/p>\n<p>Lewis comenta a respeito da constante d\u00favida entre muitos crist\u00e3os, que \u00e9 se n\u00f3s nos<br \/>\nreconheceremos e nos amaremos no C\u00e9u da mesma maneira que nos amamos aqui na Terra.<\/p>\n<p>Este autor acredita que se todo o amor que sentimos uns pelos outros neste mundo forem<br \/>\namores naturais, n\u00e3o h\u00e1 sentido em que ainda existam estes amores imperfeitos num lugar<br \/>\nonde teremos o Amor perfeito. Mas, se tivemos algo do Amor divino uns pelos outros aqui,<br \/>\neste amor s\u00f3 tem a se consolidar e se multiplicar no C\u00e9u. De qualquer forma ser\u00e1 diferente.<br \/>\nLewis termina seu livro dizendo que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 atrav\u00e9s do need-love e do gift-love que<br \/>\npodemos amar a Deus enquanto a Caridade age em n\u00f3s atrav\u00e9s da Gra\u00e7a. Podemos<br \/>\nposteriormente desenvolver por Ele tamb\u00e9m um amor apreciativo. Para Lewis, este \u00e9 o dom<br \/>\nmais desejado de todos.<\/p>\n<p>Piper e Lewis: pontos de ruptura e de interse\u00e7\u00e3o para o entendimento de uma filosofia<br \/>\namorosa.<\/p>\n<p>Longe de quaisquer pieguices a educa\u00e7\u00e3o afetiva e a educa\u00e7\u00e3o para o amor devem<br \/>\nnortear o ensino. N\u00e3o podemos acreditar que o amor, venha \u00e0 exist\u00eancia e ao conhecimento<br \/>\nnaturalmente, sem nenhum esfor\u00e7o no sentido de busc\u00e1-lo, de sermos a ele apresentados. E<br \/>\nassim n\u00e3o dever\u00edamos contar como pais ou como educadores que ele simplesmente est\u00e1 dentro<br \/>\nde cada ser humano, e que basta permiti-lo aflorar \u00e0 superf\u00edcie da nossa consci\u00eancia. \u00c9 poss\u00edvel<br \/>\nque a falta da compreens\u00e3o da din\u00e2mica emocional \u00e9 uma poss\u00edvel resposta aos dilemas que<br \/>\nnosso tempo presente apresenta. Dessa forma, um entendimento mais adequado dos processos<br \/>\nemocionais envolvidos na constitui\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria ontogen\u00e9tica do ser humano \u00e9 essencial a<br \/>\nfun\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o para a forma\u00e7\u00e3o de sujeitos hist\u00f3ricos, cr\u00edticos e atuantes em seu tempo.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de uma leitura desvinculada da realidade: esta \u00e9 o ponto de partida para in\u00fameras<br \/>\nreflex\u00f5es. E aqui tomamos como ponto de partida dois pensadores.<br \/>\nO grande tema que norteia os escritos de Pieper \u00e9 o homem, a antropologia filos\u00f3fica.<\/p>\n<p>E o acesso a este objeto de estudo \u00e9 para o fil\u00f3sofo sempre dado atrav\u00e9s de caminhos<br \/>\nindiretos. A filosofia de Pieper \u00e9 muito embasada no fen\u00f4meno e na experi\u00eancia humana, pois<br \/>\nda\u00ed se infere um conhecimento que se baseia num contato direto com a realidade. \u00c9 atrav\u00e9s da<br \/>\nan\u00e1lise da experi\u00eancia que o fil\u00f3sofo procura resgatar as grandes verdades a respeito do<br \/>\nhomem. Entretanto, grande parte do que uma experi\u00eancia \u00e9 e representa \u00e9 rapidamente<br \/>\nesquecido, pouco tempo depois de acontecer; todo o seu brilho e vivacidade duram apenas os<br \/>\npoucos instantes em que ela se d\u00e1.<\/p>\n<p>Este problema na filosofia pieperiana \u00e9 tamb\u00e9m um de seus maiores fundamentos: o<br \/>\nhomem \u00e9 um ser que esquece (como j\u00e1 dizia o poeta grego P\u00edndaro13), por isso \u00e9 que se fala em<br \/>\num \u201cresgate\u201d das grandes verdades. O que se descobre em filosofia n\u00e3o \u00e9 novo, \u00e9, antes, algo<br \/>\nque j\u00e1 sab\u00edamos, mas que esquecemos (George Orwell parecia concordar com isso quando<br \/>\nescreveu em seu 1984 que, \u201cOs melhores livros s\u00e3o os que nos dizem o que j\u00e1 sab\u00edamos\u201d).<br \/>\nDessa forma, como ent\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel analisar uma experi\u00eancia humana a fim de<br \/>\nencontrar respostas \u00e0s grandes quest\u00f5es filos\u00f3ficas sobre o ser do homem se grande parte do<br \/>\nque o homem experimenta tende a cair no esquecimento? \u00c9 poss\u00edvel, porque o conte\u00fado<br \/>\ndestas experi\u00eancias cai, sim, lentamente, no esquecimento das pessoas, mas n\u00e3o desaparece por<\/p>\n<p>13 Cf. Lauand, Jean Filosofia, Linguagem, Arte e Educa\u00e7\u00e3o, S\u00e3o Paulo, Factash, 2007, p. 123 e ss.<\/p>\n<p>completo do universo. O que acontece \u00e9 que ele vai aos poucos se transformando nas grandes<br \/>\ninstitui\u00e7\u00f5es humanas, nas pr\u00f3prias formas de agir do homem, e, sobretudo, na linguagem.<br \/>\nPrecisamente sobre duas dessas incid\u00eancias de linguagem, nesse sentido, \u00e9 que versa<br \/>\ntematicamente este nosso trabalho.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o filosofar de Pieper se baseia no estudo das institui\u00e7\u00f5es, do agir humano e,<br \/>\nsobretudo, da linguagem, para chegar, atrav\u00e9s do mesmo caminho, at\u00e9 as grandes experi\u00eancias<br \/>\nhumanas que cont\u00e9m verdades a respeito do ser humano e que aos poucos foram sendo<br \/>\nesquecidas. Pensarmos acerca da linguagem piperiana, no contexto que atualmente vivemos<br \/>\nisso \u00e9 um imenso ganho para quem atua com pessoas e aprendizagem, pois possibilita a<br \/>\nconstru\u00e7\u00e3o metacognitiva e cria espa\u00e7os e tempos de trabalho, onde o fazer pedag\u00f3gico amplia<br \/>\nsuas possibilidades.<\/p>\n<p>Primeiramente deve-se dizer que a linguagem estudada por Pieper \u00e9 a linguagem<br \/>\ncomum, falada no dia-a-dia, a l\u00edngua viva, fluida e din\u00e2mica do cotidiano. A l\u00edngua simples.<br \/>\nPara Pieper, o estudo da linguagem simples \u00e9 o \u201cselo de credibilidade\u201d14 de um bom fil\u00f3sofo.<\/p>\n<p>Os termos mais t\u00e9cnicos, embora muitas vezes mais precisos, s\u00e3o artificiais no sentido de que<br \/>\nn\u00e3o surgiram diretamente das experi\u00eancias do dia-a-dia das pessoas. S\u00e3o termos criados<br \/>\nespecificamente para explicar algo que supostamente j\u00e1 se sabe, n\u00e3o s\u00e3o termos que surgem<br \/>\ndas experi\u00eancias e fen\u00f4menos humanos de uma forma natural. Portanto, n\u00e3o se pode esperar<br \/>\nque a\u00ed \u2013 na terminologia t\u00e9cnica \u2013 se v\u00e1 encontrar resqu\u00edcios de experi\u00eancias humanas<br \/>\nesquecidas e sutilmente nela transformadas. O lugar ideal de se procurar por elas \u00e9 na<br \/>\nlinguagem simples: sine plicas, sem dobras, sem complica\u00e7\u00f5es (com plicas), mas da maneira que<br \/>\nsurgiram naturalmente, ou seja, onde se encontram no estado mais puro e mais pr\u00f3ximo<br \/>\nposs\u00edvel da experi\u00eancia primeira que as originou. Lauand, ainda destaca:<\/p>\n<p>Com isto, tocamos aquele ponto essencial para a educa\u00e7\u00e3o moral de hoje, o da m\u00fatua<br \/>\nalimenta\u00e7\u00e3o, da rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica entre a percep\u00e7\u00e3o (e vivenciamento) da realidade<br \/>\nmoral e a exist\u00eancia de linguagem viva: O empobrecimento do l\u00e9xico moral \u00e9, hoje,<br \/>\num dos mais agudos problemas pedag\u00f3gicos, na medida em que gera um c\u00edrculo,<br \/>\nliteralmente, vicioso: a falta de linguagem viva embota a vis\u00e3o e o vivenciamento da<br \/>\nrealidade moral; o definhamento da realidade esvazia (ou deforma) as palavras&#8230;<br \/>\nFaltam-nos as palavras, faltam-nos os conceitos, faltam-nos os ju\u00edzos, falta-nos acesso<br \/>\n\u00e0 realidade (&#8230;). A necessidade da exist\u00eancia de uma linguagem viva para as virtudes e<br \/>\nv\u00edcios supera, portanto, o mero \u00e2mbito lexical e instala-se no da pr\u00f3pria possibilidade<br \/>\nde visualizar a realidade de que se trata15\u201d (Lauand, 2007, p. 54-55).<\/p>\n<p>Precisamente sobre duas preciosas contribui\u00e7\u00f5es para a filosofia do amor: uma de<br \/>\nPieper; outra de Lewis; esta sobre um aspecto da linguagem que distingue; aquela, sobre a que<br \/>\nconfunde; \u00e9 que versa este nosso pequeno exerc\u00edcio filos\u00f3fico. A princ\u00edpio, Lewis fala sobre<br \/>\ncomo muitas vezes utilizamos o verbo amar no sentido de gostar, (por exemplo, nas falas:<br \/>\n\u201camo arroz com feij\u00e3o\u201d, \u201camo andar a cavalo\u201d, e etc.) e como ele e as outras crian\u00e7as de sua<br \/>\ngera\u00e7\u00e3o foram reprovados por fazerem isso. Para Lewis: \u201cde fato existe uma continuidade<br \/>\nentre o nosso gostar das coisas elementar e os nossos amores pelas pessoas\u201d (p. 15) e \u201cj\u00e1 que<br \/>\n14 &#8220;\u00dcber die Schlichtheit in der Philosophie&#8221;, publicado em Erkenntnis und Freiheit, pp. 97 a 102.<br \/>\n15 Lauand, Jean Filosofia, Linguagem, Arte e Educa\u00e7\u00e3o, S\u00e3o Paulo, Factash, 2007, p. 54-55<br \/>\n\u2018o maior n\u00e3o se sustenta sem o menor\u2019 \u00e9 melhor come\u00e7armos por baixo, com os simples<br \/>\ngostos; e j\u00e1 que \u2018gostar\u2019 de alguma coisa significa ter um tipo de prazer nela, devemos come\u00e7ar<br \/>\ncom o prazer\u201d (p. 15).<br \/>\nDessa forma, Lewis segue subdividindo o prazer em duas categorias. Como diz\u00edamos,<br \/>\no primeiro tipo de prazer que surge seria ent\u00e3o o que Lewis chamou de Need-pleasure, o que<br \/>\nestamos traduzindo como \u201cprazer da necessidade\u201d. Este tipo de prazer parte sempre de um<br \/>\ndesejo, de um anseio inicial, de uma necessidade, que sup\u00f5e uma prepara\u00e7\u00e3o. Por exemplo,<br \/>\nquando um sujeito est\u00e1 com muita sede, beber um copo de \u00e1gua se torna um grande prazer.<br \/>\nEntretanto, beber \u00e1gua, em si, n\u00e3o \u00e9 algo que as pessoas geralmente fazem por prazer, s\u00f3 se<br \/>\ntorna um prazer quando a pessoa est\u00e1 com sede (\u201cpreparada\u201d, por exemplo, pelo calor ou por<br \/>\num esfor\u00e7o f\u00edsico), e quanto mais sedenta ela estiver, maior ser\u00e1 o prazer em saciar a sede. \u00c9<br \/>\num prazer que parte sempre de uma necessidade.<br \/>\nPor conseguinte, h\u00e1 outros prazeres que n\u00e3o partem de uma \u201cprepara\u00e7\u00e3o\u201d: acontecem<br \/>\ne s\u00e3o um prazer em si mesmos. Como, por exemplo, apreciar o sabor de um vinho, ou o<br \/>\nperfume de um campo florido. Nunca existe uma necessidade envolvida neste tipo de prazer,<br \/>\nele \u00e9 como que um presente inesperado que vem ao nosso encontro para o nosso pr\u00f3prio<br \/>\ndeleite. A este tipo de prazer, Lewis chamou Pleasures of Appreciation, \u201cprazeres de aprecia\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\nJustamente a este prazer de aprecia\u00e7\u00e3o, ou apreciativo, \u00e9 que o conceito de teoria se aproxima.<br \/>\nSe no prazer da necessidade se bebe um copo de \u00e1gua apenas quando se est\u00e1 com sede (ou<br \/>\nseja, na necessidade); aqui, no prazer apreciativo, como diz Guimar\u00e3es Rosa ao falar<br \/>\njustamente a respeito do amor, t\u00eam-se \u201csede depois de se ter bem bebido\u201d.<\/p>\n<p>Lewis coloca que a import\u00e2ncia de se falar sobre os prazeres \u00e9 que eles prenunciam<br \/>\ncertas caracter\u00edsticas dos amores. Os Need-pleasures, por exemplo, terminam assim que a<br \/>\nnecessidade \u00e9 saciada, o que pode indicar que se n\u00e3o houver o cuidado de se preservar o amor<br \/>\nque surgir a partir de uma necessidade (Need-love), ele pode tamb\u00e9m terminar, da mesma forma,<br \/>\nassim que o desejo que levou at\u00e9 ele for satisfeito.<\/p>\n<p>No caso dos prazeres apreciativos, Lewis acha que a maneira como eles prenunciam<br \/>\ncertas caracter\u00edsticas no amor n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o facilmente percebido. Para isso, sente a necessidade de<br \/>\nincluir um terceiro tipo de amor entre os dois j\u00e1 mencionados (need-love e gift-love). Seria o<br \/>\nAppreciative love, ou o que podemos traduzir por amor apreciativo. As descri\u00e7\u00f5es de Lewis a<br \/>\nrespeito deste amor apreciativo v\u00eam a corresponder ao conceito de theoria de Pieper.<\/p>\n<p>Para Lewis, o amor apreciativo leva a admirar a beleza das coisas de uma forma<br \/>\ndesinteressada. O conhecedor de vinhos tem todo um treino e uma habilidade especial para<br \/>\napreciar da melhor maneira poss\u00edvel tudo o que uma esp\u00e9cie de vinho tem para oferecer. E ele<br \/>\naprecia este vinho de tal forma que se pode dizer que sente por ele um amor apreciativo. Ele<br \/>\nconsideraria um verdadeiro pecado que o fin\u00edssimo vinho fosse profanado por um paladar<br \/>\ndespreparado, que n\u00e3o o saberia valorizar. Independentemente de ele desfrutar desse prazer,<br \/>\nele quer preservar seu valor: ele n\u00e3o iria querer desperdi\u00e7\u00e1-lo: mesmo em seu leito de morte,<br \/>\nespera que seu sabor seja preservado para sempre, ainda que ele mesmo n\u00e3o possa mais<br \/>\napreci\u00e1-lo. Isso \u00e9 uma esp\u00e9cie de amor. Um amor apreciativo. E \u00e9 tamb\u00e9m \u201ca contempla\u00e7\u00e3o pura<br \/>\nda verdade e do belo ainda que disso n\u00e3o resulte nada de \u00fatil\u201d (\u201cO Fil\u00f3sofo e o Poeta\u201d), ou<br \/>\nseja, a teoria.<\/p>\n<p>Mas o mais importante \u00e9 como Lewis liga a distin\u00e7\u00e3o entre os prazeres \u2013 need-pleasures e<br \/>\npleasures of appreciation \u2013 a fatos de linguagem: a estes nos referimos ao objeto e no presente (no<br \/>\natemporal presente da theoria, poder\u00edamos dizer) \u201cOlha, que cheirinho bom \u00e9 este\u201d; a aqueles,<br \/>\nenfatizamos o sujeito e falamos no passado \u201cUfa! eu precisava disto\u201d.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, pelo pensamento que confunde \u2013 imposto pela l\u00edngua alem\u00e3 \u2013 Pieper \u00e9 levado<br \/>\nao que h\u00e1 de comum nos amores; que o amor fundamentalmente \u00e9 p\u00f4r-se diante do amado e<br \/>\ndizer: \u201cQue bom que voc\u00ea exista!\u201d. Ao observar que, na linguagem, n\u00f3s nos referimos a certos<br \/>\nprazeres no passado e sublinhando o sujeito; enquanto, em outros, falamos do objeto no<br \/>\npresente, Lewis descobre a rica distin\u00e7\u00e3o entre \u201cprazeres de necessidade\u201d e \u201cprazeres de<br \/>\naprecia\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O desafio que aqui se configura, ent\u00e3o, \u00e9 pensar como em nossas escolas, em suas<br \/>\na\u00e7\u00f5es cotidianas, podem organizar a\u00e7\u00f5es educativas que atendam a demanda por aprendizagens<br \/>\nsignificativas e por efetivas constru\u00e7\u00f5es de conhecimentos, fundamentadas em uma linguagem<br \/>\ndo amor, por exemplo tomando como ponto de partida a filosofia pieperiana ou mesmo<br \/>\nnorteados pelos ensinamentos de Lewis. Em nosso momento hist\u00f3rico atual, reside nos<br \/>\nprojetos pol\u00edtico-pedag\u00f3gicos a busca por coer\u00eancia entre as pr\u00e1ticas de pr\u00e1ticas e os novos<br \/>\nparadigmas cient\u00edficos que, no contexto das emergentes mudan\u00e7as, devem estar presentes nas<br \/>\nreformula\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas.<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o<\/p>\n<p>Os desafios anteriormente expostos podem ser enfrentados com novos estudos, novas<br \/>\ninser\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas e pr\u00e1ticas no campo educacional. A Psicopedagogia, no Brasil, tem<br \/>\ncontribu\u00eddo de modo significativo, para a necess\u00e1ria revis\u00e3o da pr\u00e1tica escolar cotidiana,<br \/>\ninserindo, nos espa\u00e7os e tempos institucionais, novos paradigmas e novas dimens\u00f5es para o<br \/>\nato educativo. E uma das preocupa\u00e7\u00f5es que aos poucos est\u00e1 sendo evidenciada na educa\u00e7\u00e3o<br \/>\ndas pessoas \u00e9 a emocional. Infelizmente, este movimento ainda \u00e9 incipiente e, apesar de sua<br \/>\nevidente import\u00e2ncia, o amor, enquanto um conceito, muitas vezes \u00e9 utilizado<br \/>\nindiscriminadamente pelas pessoas de uma forma err\u00f4nea. De fato, ele possui uma extensa<br \/>\nvariedade de formas e explica\u00e7\u00f5es sob diversos prismas. Contudo, ao banalizar os sentimentos,<br \/>\ncomo, por exemplo, o amor, estamos fazendo com que, paulatinamente, eles percam o seu<br \/>\nverdadeiro sentido. Essa, indubitavelmente, \u00e9 uma s\u00e9ria amea\u00e7a que paira sobre os seres<br \/>\nhumanos: banalizar o amor, reduzindo-o ef\u00eameros prazeres que conduzem uma satisfa\u00e7\u00e3o<br \/>\nmais ego\u00edsta do que altru\u00edsta.<\/p>\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o do que se concebe por amor certamente evoluiu e continua a evoluir,<br \/>\nacompanhando o pensamento das pessoas na \u00e9poca na qual est\u00e1 inserido. A despeito de sua<br \/>\nimport\u00e2ncia, observa-se paralelamente uma banaliza\u00e7\u00e3o da busca do amor para firmar os<br \/>\nrelacionamentos interpessoais afetivo-sexuais na atualidade. Numa sociedade capitalista, em<br \/>\nque a busca pelo dinheiro e bens materiais \u00e9 posta em primeiro plano, o individualismo \u00e9<br \/>\ngritante e cada um preocupa consigo pr\u00f3prio. Diante disso, o racional e o pragm\u00e1tico s\u00e3o<br \/>\nvalorizados em detrimento do emocional. H\u00e1 cada vez menos tempo para nos dedicarmos ao<br \/>\nestabelecimento de rela\u00e7\u00f5es amorosas e, principalmente, \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o adequada daquelas j\u00e1<br \/>\nexistentes. Dessa forma, h\u00e1 quem goste de desvalorizar o amor. H\u00e1 quem diga que o amor \u00e9<br \/>\numa emo\u00e7\u00e3o inst\u00e1vel, um sentimento para tolos, um c\u00e1rcere, ou ainda, algo relacionado a<br \/>\ndeleites id\u00edlicos, a sentimentalismos gratuitos, a ilus\u00f5es que geralmente nunca se consumam.<\/p>\n<p>Por outro lado, busca-se freneticamente o prazer f\u00e1cil e fugaz, desprovido de la\u00e7os afetivos.<br \/>\nCom isto, enriquece-se nossa compreens\u00e3o do amor, a filosofia do amor, e tendo<br \/>\ntornado expl\u00edcitos e conscientes esses aspectos, passamos a dispor de um referencial<br \/>\npedag\u00f3gico, em dire\u00e7\u00e3o a uma educa\u00e7\u00e3o para o amor. De acordo com Arendt (2007), \u201cA<br \/>\neduca\u00e7\u00e3o \u00e9 o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a<br \/>\nresponsabilidade por ele e, com tal gesto, salv\u00e1-lo da ru\u00edna que seria inevit\u00e1vel n\u00e3o fosse a<br \/>\nrenova\u00e7\u00e3o e a vinda dos novos e dos jovens\u201d. (Arendt, 2007, p. 247).<\/p>\n<p>Refer\u00eancias<br \/>\nALMEIDA, T., (2003). O perfil da escolha de objeto amoroso para o adolescente: Poss\u00edveis raz\u00f5es.<br \/>\nTrabalho de conclus\u00e3o de curso. S\u00e3o Carlos, SP: Departamento de Psicologia.<br \/>\nALMEIDA, T., (2004). A g\u00eanese e a escolha no amor rom\u00e2ntico: alguns princ\u00edpios regentes.<br \/>\nRevista de Psicologia (Fortaleza), v. 22, p.15-22.<br \/>\nALMEIDA, T. &amp; MAYOR, A. S., (2006). O amar, o amor: uma perspectiva contempor\u00e2neoocidental<br \/>\nda din\u00e2mica do amor para os relacionamentos amorosos. In R. R. Starling &amp; K.<br \/>\nA. Carvalho (Orgs). Ci\u00eancia do Comportamento: conhecer e avan\u00e7ar, v.5. Santo Andr\u00e9: ESETec<br \/>\nEditores Associados, p. 99-105.<br \/>\nALMEIDA, T. &amp; OLIVEIRA, H. C., (2007). A import\u00e2ncia e a banaliza\u00e7\u00e3o do amor no cotidiano.<br \/>\nANAIS DA V JORNADA APOIAR, S. Paulo. Dispon\u00edvel em:<br \/>\nhttp:\/\/www.leilatardivo.com.br\/site\/modules\/mydownloads\/singlefile.php?cid=1&amp;lid=54. Acesso em: junho 2008.<br \/>\nALMEIDA, T., &amp; MADEIRA, D., (2008). T\u00e9cnicas de Paquera. S\u00e3o Paulo: Letras do Brasil. No<br \/>\nprelo.<br \/>\nALMEIDA, T., (2008). O percurso do amor rom\u00e2ntico e do casamento atrav\u00e9s das eras.<br \/>\nPsicopedagogia Online. Dispon\u00edvel em:<br \/>\nhttp:\/\/www.psicopedagogia.com.br\/artigos\/artigo.asp?entrID=1041. Acesso em: junho<br \/>\n2008.<br \/>\nAM\u00c9LIO, A., (2001). O mapa do amor: tudo o que voc\u00ea queria saber sobre o amor e ningu\u00e9m sabia<br \/>\nresponder. S\u00e3o Paulo: Editora Gente.<br \/>\nARENDT, H., (2007). Entre o Passado e o Futuro. S\u00e3o Paulo: Perspectiva.<br \/>\nBECK, E., &amp; MILLER, G.,(1969). Que \u00e9 o amor? Porto Alegre: Paulinas. Tradu\u00e7\u00e3o L. Luft.<br \/>\nBRAZ, A. L. N., (2006). Reflex\u00f5es sobre as origens do amor no ser humano. 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S\u00e3o Carlos, Ano 4 v. 4 n. 7, p. 56-74, jan -jun. 2010 ISSN: 1982-4440 Thiago de Almeida1 com permiss\u00e3o do autor Resumo: O tema do amor \u00e9 uma das \u00e1reas mais importantes (e geralmente problem\u00e1ticas) da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":46,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[29086],"tags":[5304,29248,29254,26822],"class_list":["post-557","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-em-portugues","tag-c-s-lewis","tag-josef-pieper","tag-liebe","tag-quatro-amores"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/557","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/users\/46"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=557"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/557\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=557"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=557"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=557"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}