{"id":491,"date":"2011-10-24T22:34:21","date_gmt":"2011-10-24T22:34:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cslewis.com.br\/?p=491"},"modified":"2011-10-24T22:34:21","modified_gmt":"2011-10-24T22:34:21","slug":"g-k-chesterton-sobre-george-macdonald","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/2011\/10\/24\/g-k-chesterton-sobre-george-macdonald\/","title":{"rendered":"G.K. Chesterton sobre George MacDonald"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left\">George Macdonald<br style=\"text-align: left\" \/>(Introdu\u00e7\u00e3o de Chesterton ao livro \u201cGeorge MacDonald and His Wife\u201d, de Greville M. MacDonald, 1924.)<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 tradu\u00e7\u00e3o William Campos da Cruz<\/p>\n<p>Certas revistas t\u00eam simp\u00f3sios (eu os chamaria simposia, se me fosse permitido chamar duas cole\u00e7\u00f5es do South Kensington de \u201cmusea\u201d) em que se pergunta \u00e0s pessoas o nome de \u201clivros que as influenciaram\u201d, na mesma linha de \u201cHinos que as ajudaram\u201d. N\u00e3o \u00e9 um processo realista, como regra, pois nossas mentes s\u00e3o, na maioria das vezes, uma biblioteca n\u00e3o catalogada; e, para um homem ser fotografado com um dos livros em suas m\u00e3os, geralmente, na melhor das hip\u00f3teses, este foi escolhido aleatoriamente, e, na pior, ele est\u00e1 fazendo pose para impressionar. Mas, em certo sentido especial, posso realmente testemunhar que um livro fez diferen\u00e7a em toda a minha exist\u00eancia, que me ajudou a ver as coisas duma certa maneira desde o princ\u00edpio; uma vis\u00e3o das coisas que mesmo uma real revolu\u00e7\u00e3o, como uma convers\u00e3o de confiss\u00e3o religiosa, substancialmente apenas coroou e confirmou. De todas as hist\u00f3rias que li, incluindo at\u00e9 todos os romances do mesmo autor, esta continua sendo a mais real, mais realista, no exato sentido da frase \u2013 mais parecida com a vida. Ela se chama \u201cA princesa e o Goblin\u201d, e seu autor \u00e9 George MacDonald, o homem de que trata este livro.<\/p>\n<p>Quando digo que \u00e9 semelhante \u00e0 vida, o que quero dizer \u00e9 o seguinte: ele descreve uma princesinha que mora num castelo nas montanhas que \u00e9 perpetuamente escavado, por assim dizer, por dem\u00f4nios subterr\u00e2neos que \u00e0s vezes v\u00eam \u00e0 superf\u00edcie atrav\u00e9s da adega. Ela sobe as escadas do castelo at\u00e9 o quarto da governanta ou aos outros quartos; agora, no entanto, e mais uma vez, as escadas n\u00e3o levam para o destino usual, mas a um novo quarto que ela nunca tinha visto antes e que em geral n\u00e3o pode encontrar de novo. Aqui uma boa Tetrav\u00f3, que \u00e9 um tipo de fada madrinha, est\u00e1 perpetuamente fiando e falando palavras de sabedoria e incentivo. Quando eu li como crian\u00e7a, senti que a coisa toda era um acontecimento dentro de uma casa humana real, n\u00e3o essencialmente diferente da casa em que eu mesmo vivia e que tamb\u00e9m tinha escadas, e quartos e adega. Era a\u00ed que o conto de fadas diferia de muitos outros contos; acima de tudo, era a\u00ed que a filosofia diferia de muitas outras filosofias. Sempre senti certa insufici\u00eancia no ideal de Progresso, mesmo da melhor esp\u00e9cie, que \u00e9 o progresso do Peregrino. Dificilmente este sugere qu\u00e3o pr\u00f3ximo a n\u00f3s est\u00e3o as melhores e as piores coisas desde o princ\u00edpio; especialmente talvez mesmo no princ\u00edpio. E embora, como toda pessoa sensata, eu valorize e respeite o conto de fadas ordin\u00e1rio do terceiro filho do moleiro que partiu para procurar sua sorte (uma forma que o pr\u00f3prio MacDonald seguiu na continua\u00e7\u00e3o chamada \u201cA princesa e Curdie\u201d), a sugest\u00e3o de viajar para um mundo das fadas, distante, que \u00e9 a alma dele, impede de atingir este fim particular que \u00e9 tornar todas as escadas, portas e janelas ordin\u00e1rias coisas m\u00e1gicas.<\/p>\n<p>Dr. Greville MacDonald, nestas mem\u00f3rias interessant\u00edssimas de seu pai, penso, menciona em algum lugar o sentido deste estranho simbolismo das escadas. Outra imagem recorrente em seus romances \u00e9 a de um grande cavalo branco; o pai da princesa tinha um, e havia outro em The Back of the North Wind [Por tr\u00e1s do vento norte]. At\u00e9 este dia, n\u00e3o posso ver um grande cavalo branco na rua sem uma repentina sensa\u00e7\u00e3o de coisas indescrit\u00edveis. Mas, por ora, estou falando do que pode enfaticamente ser chamado a presen\u00e7a de deuses dom\u00e9sticos \u2013 e goblins dom\u00e9sticos. E a imagem da vida nesta par\u00e1bola n\u00e3o \u00e9 somente mais verdadeira que a imagem de uma viagem, como a do Peregrino; \u00e9 sempre mais verdadeira do que a mera imagem de um s\u00edtio como o da Guerra Santa. H\u00e1 algo n\u00e3o somente imaginativo, mas intimamente verdadeiro a respeito da ideia de goblins que est\u00e3o debaixo da casa e s\u00e3o capazes de importun\u00e1-la a partir da adega. Quando as coisas m\u00e1s que nos importunam de fato aparecem, elas n\u00e3o aparecem do lado de fora, mas de dentro. De alguma maneira, aquela simples imagem de uma casa que \u00e9 o nosso lar, que \u00e9 sinceramente amada como nosso lar, mas da qual dificilmente conhecemos o melhor ou o pior, e deve sempre esperar por um deles e observ\u00e1-lo contra o outro, sempre permaneceu em minha cabe\u00e7a como algo singularmente s\u00f3lido e irrefut\u00e1vel; e era ainda mais corroborado do que corrigido quando vim a dar um nome definitivo para a senhora que zela por n\u00f3s desde a torre, e talvez a assumir uma vis\u00e3o mais pr\u00e1tica dos goblins debaixo do piso. Desde que li pela primeira vez aquela hist\u00f3ria, cinco filosofias alternativas do universo chegaram \u00e0s nossas faculdades, vindas da Alemanha, soprando o mundo como o vento leste. Mas, para mim, aquele castelo ainda permanece nas montanhas e a luz em sua torre n\u00e3o se extingue.<\/p>\n<p>Todas as demais hist\u00f3rias de George MacDonald, interessantes e sugestivas de diversas maneiras, parecem ser ilustra\u00e7\u00f5es e mesmo disfarces daquele \u00fanico disfarce, pois esta \u00e9 a mais importante diferen\u00e7a entre o seu tipo de mist\u00e9rio e a mera alegoria. A alegoria comum assume seu objeto como lugares-comuns ou conven\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para homens e mulheres comuns, e tenta torn\u00e1-los agrad\u00e1veis ou pitorescos, vestindo-os como princesas, ou goblins ou fadas. Mas George MacDonald, na verdade, acreditava que as pessoas eram princesas e goblins e fadas, e os vestia como homens ou mulheres comuns. O conto de fadas est\u00e1 dentro da hist\u00f3ria comum, n\u00e3o fora. Um resultado disso \u00e9 que todos os objetos inanimados que s\u00e3o as propriedades do cen\u00e1rio da hist\u00f3ria ret\u00eam aquele glamour ignorado que t\u00eam num conto de fadas literal. A escadaria em \u201cRobert Falconer\u201d \u00e9 t\u00e3o m\u00e1gica como a escadaria em \u201cA princesa e o Goblin\u201d; e quando os meninos est\u00e3o construindo o barco e a menina est\u00e1 recitando versos para eles, em \u201cAlec Forbes\u201d, e alguns velhos cavalheiros dizem galhofeiramente que se erguer\u00e1 para cantar como um navio m\u00e1gico escandinavo, sempre me parece como se ele estivesse descrevendo a realidade, sem levar em conta a apar\u00eancia, do incidente. Os romances enquanto romances s\u00e3o irregulares; mas como contos-de-fadas s\u00e3o extraordinariamente coerentes. Ele nunca, nem por um momento, perde seu fio interior que corre atrav\u00e9s da colcha de retalhos, e \u00e9 o fio que a Tetrav\u00f3 p\u00f5e nas m\u00e3os de Curdie para tir\u00e1-lo das armadilhas dos goblins.<\/p>\n<p>A originalidade de George MacDonald tem tamb\u00e9m uma signific\u00e2ncia hist\u00f3rica, que talvez seja mais bem estimada ao compar\u00e1-lo com seu grande conterr\u00e2neo Carlyle. \u00c9 uma medida do real poder e mesmo da popularidade do Puritanismo na esc\u00f3cia que Carlyle nunca tenha perdido o humor Puritano, mesmo quando ele perdeu toda a teologia puritana. Se uma fuga do vi\u00e9s do ambiente for um teste de originalidade, Carlyle nunca escapou completamente, mas George Macdonald, sim. Ele desenvolveu, a partir de suas pr\u00f3prias medita\u00e7\u00f5es m\u00edsticas, uma teologia alternativa completa que levava a um humor completamente oposto. E nessas medita\u00e7\u00f5es m\u00edsticas ele aprendeu segredos muito al\u00e9m da mera extens\u00e3o da indigna\u00e7\u00e3o Puritana com a \u00e9tica e a pol\u00edtica. Pois no g\u00eanio real de Carlyle havia um toque de intimida\u00e7\u00e3o, e onde quer que haja um elemento de intimida\u00e7\u00e3o h\u00e1 um elemento de trivialidade, de reitera\u00e7\u00e3o e de ordens repetidas. Carlyle nunca p\u00f4de dizer nada t\u00e3o sutil e simples como a frase de MacDonald de que Deus \u00e9 f\u00e1cil de agradar e dif\u00edcil de satisfazer. Carlyle estava demasiadamente obviamente ocupado com a insist\u00eancia em que Deus era dif\u00edcil de satisfazer; exatamente como alguns otimistas est\u00e3o, sem d\u00favida, ocupados em insistir que Ele \u00e9 f\u00e1cil de agradar. Em outras palavras, MacDonald tinha criado para si mesmo um tipo de ambiente espiritual, um espa\u00e7o e transpar\u00eancia de luz m\u00edstica, que era absolutamente excepcional em seu ambiente nacional e denominacional. Ele disse coisas semelhantes aos ditos dos cavaleiros m\u00edsticos, dos santos cat\u00f3licos, algumas vezes dos plat\u00f4nicos ou swedenborgianos, mas n\u00e3o pelo menos aos dos calvinistas, mesmo quando o calvinismo permanecia em um homem como Carlyle. E quando ele vier a ser mais cuidadosamente estudado como um m\u00edstico, como eu acho que ele ser\u00e1 quando as pessoas descobrirem a possibilidade de recolher suas joias dispersas em um conjunto muito irregular, perceber-se-\u00e1, imagino, que ele se posta antes como um ponto de muta\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria do cristianismo, como um representante da na\u00e7\u00e3o crist\u00e3 da Esc\u00f3cia. Como os protestantes falam da estrela da manh\u00e3 da Reforma, devemos estar autorizados a notar tais nomes aqui e ali como estrelas da Reuni\u00e3o.<\/p>\n<p>A colora\u00e7\u00e3o espiritual da Esc\u00f3cia, como a cor local de tantos sarracenos escoceses, \u00e9 um roxo que sob algumas luzes pode parecer cinza. A caracter\u00edstica nacional \u00e9 na realidade intensamente rom\u00e2ntica e apaixonada; na verdade, excessiva e perigosamente rom\u00e2ntica e apaixonada. Sua torrente emocional tem apenas muito frequentemente se dirigido para a vingan\u00e7a, ou lux\u00faria, ou crueldade ou bruxaria. N\u00e3o h\u00e1 embriagu\u00eas como a embriagu\u00eas escocesa; ela tem em si o barulho antigo e a estrid\u00eancia selvagem dos M\u00eanades das montanhas. E, claro, \u00e9 igualmente verdade quanto ao lado bom, como na grande literatura da na\u00e7\u00e3o. Stopford Brooke e outros cr\u00edticos apontaram com raz\u00e3o que um senso v\u00edvido de cores aparece nos poetas escoceses medievais antes deste aparecer de fato entre qualquer poeta ingl\u00eas. E \u00e9 absurdo falar da dura e perspicaz sobriedade do tipo nacional que se tem feito mais bem conhecido por toda parte no mundo moderno pelo literalismo prosaico do \u201cTesouro da ilha\u201d e o realismo mon\u00f3tono de \u201cPeter Pan\u201d. No entanto, por um estranho acidente hist\u00f3rico, este povo v\u00edvido e colorido foi for\u00e7ado a vestir-se de preto numa esp\u00e9cie de funeral sem fim num eterno Sab\u00e1. Na maioria das pe\u00e7as e quadros, entretanto, em que eles s\u00e3o representados quando vestidos de preto, alguns instintos fazem o ator ou o artista verem que eles n\u00e3o combinam muito bem. E assim o fazem.<\/p>\n<p>Os escoceses apaixonados e po\u00e9ticos \u2013 como os italianos apaixonados e po\u00e9ticos \u2013devem, obviamente, ter tido uma religi\u00e3o que competia com a beleza e vivacidade das paix\u00f5es, que n\u00e3o deixava o diabo ter todas as cores brilhantes, que respondia gl\u00f3ria com gl\u00f3ria e fogo com fogo. Isso teria equilibrado Leonardo com S\u00e3o Francisco; nenhum jovem ou pessoa viva realmente pensa que isso pode ser equilibrado com John Knox. A consequ\u00eancia foi que este poder nas letras escocesas, especialmente no dia (ou noite) da plena ortodoxia calvinista, foi enfraquecida e desperdi\u00e7ada centenas de vezes. Em Burns ela foi levada para fora de seu curso como loucura; em Scott, somente era tolerada como mem\u00f3ria. Scott somente podia ser um medievalista tornando-se o que ele chamaria um antiqu\u00e1rio, ou o que chamar\u00edamos um esteta. Ele tinha de fingir que seu amor estava morto para que pudesse ser autorizado a am\u00e1-la. Assim como Nicodemos foi at\u00e9 Jesus \u00e0 noite (ver Jo 3:1), o esteta somente vai \u00e0 igreja \u00e0 noite.<\/p>\n<p>Agora, entre os muitos homens de g\u00eanio que a Esc\u00f3cia produziu no s\u00e9culo XIX, havia apenas um t\u00e3o original para voltar a sua origem. Havia apenas um que realmente representava o que a religi\u00e3o escocesa deveria ter sido, se tivesse mantido a colora\u00e7\u00e3o da poesia escocesa medieval. Em seu tipo particular de obra liter\u00e1ria, ele de fato percebeu o aparente paradoxo de S\u00e3o Francisco de Aberdeen, vendo o mesmo tipo de halo em torno de uma flor e de um p\u00e1ssaro. N\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que a aprecia\u00e7\u00e3o da beleza da flor ou do p\u00e1ssaro. Um bruto pode sentir isso e continuar bruto, ou, em outras palavras, continuar triste. \u00c9 um certo senso especial de signific\u00e2ncia, que a tradi\u00e7\u00e3o que mais a valoriza chama sacramental. Ter voltado para isso, ou avan\u00e7ado para isso, num salto de meninice, para fora do negro Sab\u00e1 de uma cidade calvinista, foi um milagre de imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao notar que ele bem pode ter este lugar na hist\u00f3ria, no sentido da religi\u00e3o e da hist\u00f3ria nacional, eu n\u00e3o tento aqui fixar seu lugar na literatura. Em todo caso, ele \u00e9 um dos tipos que \u00e9 mais dif\u00edcil de classificar. Ele n\u00e3o escreveu nada vazio; mas ele escreveu muito que \u00e9 t\u00e3o cheio e cuja aprecia\u00e7\u00e3o depende antes de uma simpatia com a subst\u00e2ncia do que \u00e0 primeira vista com a forma. De fato, os m\u00edsticos n\u00e3o s\u00e3o com frequ\u00eancia homens de letras em seu sentido perfeito e quase profissional. Um homem cuidadoso encontrar\u00e1 mais sobre o que pensar em Vaughan ou Crashaw do que em Milton, mas ele tamb\u00e9m encontrar\u00e1 muito a criticar; e ningu\u00e9m precisa negar que, no sentido ordin\u00e1rio, um leitor casual pode desejar que haja menos de Blake e mais de Keats. Mas mesmo essa permiss\u00e3o n\u00e3o deve ser exagerada; e \u00e9 exatamente no mesmo sentido em que nos compadecemos de um homem que perdeu tudo de Keats ou de Milton, que podemos sentir compaix\u00e3o pelo cr\u00edtico que n\u00e3o caminhou na floresta de Phantastes ou n\u00e3o tomou conhecimento do Sr. Cupples nas aventuras de Alec Forbes.<\/p>\n<p>Introdu\u00e7\u00e3o de Chesterton ao livro \u201cGeorge Macdonald and His Wife\u201d, de Greville M.<\/p>\n<p>MacDonald, 1924.)<\/p>\n<p>Certas revistas t\u00eam simp\u00f3sios (eu os chamaria simposia, se me fosse permitido chamar<\/p>\n<p>duas cole\u00e7\u00f5es do South Kensington de \u201cmusea\u201d) em que se pergunta \u00e0s pessoas o nome<\/p>\n<p>de \u201clivros que as influenciaram\u201d, na mesma linha de \u201cHinos que as ajudaram\u201d. N\u00e3o \u00e9<\/p>\n<p>um processo realista, como regra, pois nossas mentes s\u00e3o, na maioria das vezes, uma<\/p>\n<p>biblioteca n\u00e3o catalogada; e, para um homem ser fotografado com um dos livros em<\/p>\n<p>suas m\u00e3os, geralmente, na melhor das hip\u00f3teses, este foi escolhido aleatoriamente,<\/p>\n<p>e, na pior, ele est\u00e1 fazendo pose para impressionar. Mas, em certo sentido especial,<\/p>\n<p>posso realmente testemunhar que um livro fez diferen\u00e7a em toda a minha exist\u00eancia,<\/p>\n<p>que me ajudou a ver as coisas duma certa maneira desde o princ\u00edpio; uma vis\u00e3o das<\/p>\n<p>coisas que mesmo uma real revolu\u00e7\u00e3o, como uma convers\u00e3o de confiss\u00e3o religiosa,<\/p>\n<p>substancialmente apenas coroou e confirmou. De todas as hist\u00f3rias que li, incluindo<\/p>\n<p>at\u00e9 todos os romances do mesmo autor, esta continua sendo a mais real, mais realista,<\/p>\n<p>no exato sentido da frase \u2013 mais parecida com a vida. Ela se chama \u201cA princesa e o<\/p>\n<p>Goblin\u201d, e seu autor \u00e9 George MacDonald, o homem de que trata este livro.<\/p>\n<p>Quando digo que \u00e9 semelhante \u00e0 vida, o que quero dizer \u00e9 o seguinte: ele descreve uma<\/p>\n<p>princesinha que mora num castelo nas montanhas que \u00e9 perpetuamente escavado, por<\/p>\n<p>assim dizer, por dem\u00f4nios subterr\u00e2neos que \u00e0s vezes v\u00eam \u00e0 superf\u00edcie atrav\u00e9s da adega.<\/p>\n<p>Ela sobe as escadas do castelo at\u00e9 o quarto da governanta ou aos outros quartos; agora,<\/p>\n<p>no entanto, e mais uma vez, as escadas n\u00e3o levam para o destino usual, mas a um novo<\/p>\n<p>quarto que ela nunca tinha visto antes e que em geral n\u00e3o pode encontrar de novo. Aqui<\/p>\n<p>uma boa Tetrav\u00f3, que \u00e9 um tipo de fada madrinha, est\u00e1 perpetuamente fiando e falando<\/p>\n<p>palavras de sabedoria e incentivo. Quando eu li como crian\u00e7a, senti que a coisa toda<\/p>\n<p>era um acontecimento dentro de uma casa humana real, n\u00e3o essencialmente diferente<\/p>\n<p>da casa em que eu mesmo vivia e que tamb\u00e9m tinha escadas, e quartos e adega. Era<\/p>\n<p>a\u00ed que o conto de fadas diferia de muitos outros contos; acima de tudo, era a\u00ed que a<\/p>\n<p>filosofia diferia de muitas outras filosofias. Sempre senti certa insufici\u00eancia no ideal<\/p>\n<p>de Progresso, mesmo da melhor esp\u00e9cie, que \u00e9 o progresso do Peregrino. Dificilmente<\/p>\n<p>este sugere qu\u00e3o pr\u00f3ximo a n\u00f3s est\u00e3o as melhores e as piores coisas desde o princ\u00edpio;<\/p>\n<p>especialmente talvez mesmo no princ\u00edpio. E embora, como toda pessoa sensata, eu<\/p>\n<p>valorize e respeite o conto de fadas ordin\u00e1rio do terceiro filho do moleiro que partiu<\/p>\n<p>para procurar sua sorte (uma forma que o pr\u00f3prio MacDonald seguiu na continua\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>chamada \u201cA princesa e Curdie\u201d), a sugest\u00e3o de viajar para um mundo das fadas,<\/p>\n<p>distante, que \u00e9 a alma dele, impede de atingir este fim particular que \u00e9 tornar todas as<\/p>\n<p>escadas, portas e janelas ordin\u00e1rias coisas m\u00e1gicas.<\/p>\n<p>Dr. Greville MacDonald, nestas mem\u00f3rias interessant\u00edssimas de seu pai, penso,<\/p>\n<p>menciona em algum lugar o sentido deste estranho simbolismo das escadas. Outra<\/p>\n<p>imagem recorrente em seus romances \u00e9 a de um grande cavalo branco; o pai da princesa<\/p>\n<p>tinha um, e havia outro em The Back of the North Wind [Por tr\u00e1s do vento norte]. At\u00e9<\/p>\n<p>este dia, n\u00e3o posso ver um grande cavalo branco na rua sem uma repentina sensa\u00e7\u00e3o de<\/p>\n<p>coisas indescrit\u00edveis. Mas, por ora, estou falando do que pode enfaticamente ser<\/p>\n<p>chamado a presen\u00e7a de deuses dom\u00e9sticos \u2013 e goblins dom\u00e9sticos. E a imagem da vida<\/p>\n<p>nesta par\u00e1bola n\u00e3o \u00e9 somente mais verdadeira que a imagem de uma viagem, como a do<\/p>\n<p>Peregrino; \u00e9 sempre mais verdadeira do que a mera imagem de um s\u00edtio como o da<\/p>\n<p>Guerra Santa. H\u00e1 algo n\u00e3o somente imaginativo, mas intimamente verdadeiro a<\/p>\n<p>respeito da ideia de goblins que est\u00e3o debaixo da casa e s\u00e3o capazes de importun\u00e1-la a<\/p>\n<p>partir da adega. Quando as coisas m\u00e1s que nos importunam de fato aparecem, elas n\u00e3o<\/p>\n<p>aparecem do lado de fora, mas de dentro. De alguma maneira, aquela simples imagem<\/p>\n<p>de uma casa que \u00e9 o nosso lar, que \u00e9 sinceramente amada como nosso lar, mas da qual<\/p>\n<p>dificilmente conhecemos o melhor ou o pior, e deve sempre esperar por um deles e<\/p>\n<p>observ\u00e1-lo contra o outro, sempre permaneceu em minha cabe\u00e7a como algo<\/p>\n<p>singularmente s\u00f3lido e irrefut\u00e1vel; e era ainda mais corroborado do que corrigido<\/p>\n<p>quando vim a dar um nome definitivo para a senhora que zela por n\u00f3s desde a torre, e<\/p>\n<p>talvez a assumir uma vis\u00e3o mais pr\u00e1tica dos goblins debaixo do piso. Desde que li pela<\/p>\n<p>primeira vez aquela hist\u00f3ria, cinco filosofias alternativas do universo chegaram \u00e0s<\/p>\n<p>nossas faculdades, vindas da Alemanha, soprando o mundo como o vento leste. Mas,<\/p>\n<p>para mim, aquele castelo ainda permanece nas montanhas e a luz em sua torre n\u00e3o se<\/p>\n<p>extingue.<\/p>\n<p>Todas as demais hist\u00f3rias de George MacDonald, interessantes e sugestivas de diversas<\/p>\n<p>maneiras, parecem ser ilustra\u00e7\u00f5es e mesmo disfarces daquele \u00fanico disfarce, pois esta<\/p>\n<p>\u00e9 a mais importante diferen\u00e7a entre o seu tipo de mist\u00e9rio e a mera alegoria. A alegoria<\/p>\n<p>comum assume seu objeto como lugares-comuns ou conven\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para<\/p>\n<p>homens e mulheres comuns, e tenta torn\u00e1-los agrad\u00e1veis ou pitorescos, vestindo-os<\/p>\n<p>como princesas, ou goblins ou fadas. Mas George MacDonald, na verdade, acreditava<\/p>\n<p>que as pessoas eram princesas e goblins e fadas, e os vestia como homens ou mulheres<\/p>\n<p>comuns. O conto de fadas est\u00e1 dentro da hist\u00f3ria comum, n\u00e3o fora. Um resultado disso<\/p>\n<p>\u00e9 que todos os objetos inanimados que s\u00e3o as propriedades do cen\u00e1rio da hist\u00f3ria ret\u00eam<\/p>\n<p>aquele glamour ignorado que t\u00eam num conto de fadas literal. A escadaria em \u201cRobert<\/p>\n<p>Falconer\u201d \u00e9 t\u00e3o m\u00e1gica como a escadaria em \u201cA princesa e o Goblin\u201d; e quando os<\/p>\n<p>meninos est\u00e3o construindo o barco e a menina est\u00e1 recitando versos para eles, em \u201cAlec<\/p>\n<p>Forbes\u201d, e alguns velhos cavalheiros dizem galhofeiramente que se erguer\u00e1 para<\/p>\n<p>cantar como um navio m\u00e1gico escandinavo, sempre me parece como se ele estivesse<\/p>\n<p>descrevendo a realidade, sem levar em conta a apar\u00eancia, do incidente. Os romances<\/p>\n<p>enquanto romances s\u00e3o irregulares; mas como contos-de-fadas s\u00e3o extraordinariamente<\/p>\n<p>coerentes. Ele nunca, nem por um momento, perde seu fio interior que corre atrav\u00e9s<\/p>\n<p>da colcha de retalhos, e \u00e9 o fio que a Tetrav\u00f3 p\u00f5e nas m\u00e3os de Curdie para tir\u00e1-lo das<\/p>\n<p>armadilhas dos goblins.<\/p>\n<p>A originalidade de George MacDonald tem tamb\u00e9m uma signific\u00e2ncia hist\u00f3rica, que<\/p>\n<p>talvez seja mais bem estimada ao compar\u00e1-lo com seu grande conterr\u00e2neo Carlyle. \u00c9<\/p>\n<p>uma medida do real poder e mesmo da popularidade do Puritanismo na esc\u00f3cia que<\/p>\n<p>Carlyle nunca tenha perdido o humor Puritano, mesmo quando ele perdeu toda a<\/p>\n<p>teologia puritana. Se uma fuga do vi\u00e9s do ambiente for um teste de originalidade,<\/p>\n<p>Carlyle nunca escapou completamente, mas George Macdonald, sim. Ele desenvolveu,<\/p>\n<p>a partir de suas pr\u00f3prias medita\u00e7\u00f5es m\u00edsticas, uma teologia alternativa completa que<\/p>\n<p>levava a um humor completamente oposto. E nessas medita\u00e7\u00f5es m\u00edsticas ele aprendeu<\/p>\n<p>segredos muito al\u00e9m da mera extens\u00e3o da indigna\u00e7\u00e3o Puritana com a \u00e9tica e a pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Pois no g\u00eanio real de Carlyle havia um toque de intimida\u00e7\u00e3o, e onde quer que haja um<\/p>\n<p>elemento de intimida\u00e7\u00e3o h\u00e1 um elemento de trivialidade, de reitera\u00e7\u00e3o e de ordens<\/p>\n<p>repetidas. Carlyle nunca p\u00f4de dizer nada t\u00e3o sutil e simples como a frase de MacDonald<\/p>\n<p>de que Deus \u00e9 f\u00e1cil de agradar e dif\u00edcil de satisfazer. Carlyle estava demasiadamente<\/p>\n<p>obviamente ocupado com a insist\u00eancia em que Deus era dif\u00edcil de satisfazer; exatamente<\/p>\n<p>como alguns otimistas est\u00e3o, sem d\u00favida, ocupados em insistir que Ele \u00e9 f\u00e1cil de<\/p>\n<p>agradar. Em outras palavras, MacDonald tinha criado para si mesmo um tipo de<\/p>\n<p>ambiente espiritual, um espa\u00e7o e transpar\u00eancia de luz m\u00edstica, que era absolutamente<\/p>\n<p>excepcional em seu ambiente nacional e denominacional. Ele disse coisas semelhantes<\/p>\n<p>aos ditos dos cavaleiros m\u00edsticos, dos santos cat\u00f3licos, algumas vezes dos plat\u00f4nicos ou<\/p>\n<p>swedenborgianos, mas n\u00e3o pelo menos aos dos calvinistas, mesmo quando o calvinismo<\/p>\n<p>permanecia em um homem como Carlyle. E quando ele vier a ser mais cuidadosamente<\/p>\n<p>estudado como um m\u00edstico, como eu acho que ele ser\u00e1 quando as pessoas descobrirem a<\/p>\n<p>possibilidade de recolher suas joias dispersas em um conjunto muito irregular, perceber-<\/p>\n<p>se-\u00e1, imagino, que ele se posta antes como um ponto de muta\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria do<\/p>\n<p>cristianismo, como um representante da na\u00e7\u00e3o crist\u00e3 da Esc\u00f3cia. Como os protestantes<\/p>\n<p>falam da estrela da manh\u00e3 da Reforma, devemos estar autorizados a notar tais nomes<\/p>\n<p>aqui e ali como estrelas da Reuni\u00e3o.<\/p>\n<p>A colora\u00e7\u00e3o espiritual da Esc\u00f3cia, como a cor local de tantos sarracenos escoceses,<\/p>\n<p>\u00e9 um roxo que sob algumas luzes pode parecer cinza. A caracter\u00edstica nacional \u00e9 na<\/p>\n<p>realidade intensamente rom\u00e2ntica e apaixonada; na verdade, excessiva e perigosamente<\/p>\n<p>rom\u00e2ntica e apaixonada. Sua torrente emocional tem apenas muito frequentemente se<\/p>\n<p>dirigido para a vingan\u00e7a, ou lux\u00faria, ou crueldade ou bruxaria. N\u00e3o h\u00e1 embriagu\u00eas como<\/p>\n<p>a embriagu\u00eas escocesa; ela tem em si o barulho antigo e a estrid\u00eancia selvagem dos<\/p>\n<p>M\u00eanades das montanhas. E, claro, \u00e9 igualmente verdade quanto ao lado bom, como na<\/p>\n<p>grande literatura da na\u00e7\u00e3o. Stopford Brooke e outros cr\u00edticos apontaram com raz\u00e3o que<\/p>\n<p>um senso v\u00edvido de cores aparece nos poetas escoceses medievais antes deste aparecer<\/p>\n<p>de fato entre qualquer poeta ingl\u00eas. E \u00e9 absurdo falar da dura e perspicaz sobriedade do<\/p>\n<p>tipo nacional que se tem feito mais bem conhecido por toda parte no mundo moderno<\/p>\n<p>pelo literalismo prosaico do \u201cTesouro da ilha\u201d e o realismo mon\u00f3tono de \u201cPeter Pan\u201d.<\/p>\n<p>No entanto, por um estranho acidente hist\u00f3rico, este povo v\u00edvido e colorido foi for\u00e7ado<\/p>\n<p>a vestir-se de preto numa esp\u00e9cie de funeral sem fim num eterno Sab\u00e1. Na maioria das<\/p>\n<p>pe\u00e7as e quadros, entretanto, em que eles s\u00e3o representados quando vestidos de preto,<\/p>\n<p>alguns instintos fazem o ator ou o artista verem que eles n\u00e3o combinam muito bem. E<\/p>\n<p>assim o fazem.<\/p>\n<p>Os escoceses apaixonados e po\u00e9ticos \u2013 como os italianos apaixonados e po\u00e9ticos \u2013<\/p>\n<p>devem, obviamente, ter tido uma religi\u00e3o que competia com a beleza e vivacidade das<\/p>\n<p>paix\u00f5es, que n\u00e3o deixava o diabo ter todas as cores brilhantes, que respondia gl\u00f3ria com<\/p>\n<p>gl\u00f3ria e fogo com fogo. Isso teria equilibrado Leonardo com S\u00e3o Francisco; nenhum<\/p>\n<p>jovem ou pessoa viva realmente pensa que isso pode ser equilibrado com John Knox. A<\/p>\n<p>consequ\u00eancia foi que este poder nas letras escocesas, especialmente no dia (ou noite) da<\/p>\n<p>plena ortodoxia calvinista, foi enfraquecida e desperdi\u00e7ada centenas de vezes. Em Burns<\/p>\n<p>ela foi levada para fora de seu curso como loucura; em Scott, somente era tolerada como<\/p>\n<p>mem\u00f3ria. Scott somente podia ser um medievalista tornando-se o que ele chamaria um<\/p>\n<p>antiqu\u00e1rio, ou o que chamar\u00edamos um esteta. Ele tinha de fingir que seu amor estava<\/p>\n<p>morto para que pudesse ser autorizado a am\u00e1-la. Assim como Nicodemos foi at\u00e9 Jesus \u00e0<\/p>\n<p>noite (ver Jo 3:1), o esteta somente vai \u00e0 igreja \u00e0 noite.<\/p>\n<p>Agora, entre os muitos homens de g\u00eanio que a Esc\u00f3cia produziu no s\u00e9culo XIX, havia<\/p>\n<p>apenas um t\u00e3o original para voltar a sua origem. Havia apenas um que realmente<\/p>\n<p>representava o que a religi\u00e3o escocesa deveria ter sido, se tivesse mantido a colora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>da poesia escocesa medieval. Em seu tipo particular de obra liter\u00e1ria, ele de fato<\/p>\n<p>percebeu o aparente paradoxo de S\u00e3o Francisco de Aberdeen, vendo o mesmo tipo de<\/p>\n<p>halo em torno de uma flor e de um p\u00e1ssaro. N\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que a aprecia\u00e7\u00e3o da<\/p>\n<p>beleza da flor ou do p\u00e1ssaro. Um bruto pode sentir isso e continuar bruto, ou, em outras<\/p>\n<p>palavras, continuar triste. \u00c9 um certo senso especial de signific\u00e2ncia, que a tradi\u00e7\u00e3o que<\/p>\n<p>mais a valoriza chama sacramental. Ter voltado para isso, ou avan\u00e7ado para isso, num<\/p>\n<p>salto de meninice, para fora do negro Sab\u00e1 de uma cidade calvinista, foi um milagre de<\/p>\n<p>imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao notar que ele bem pode ter este lugar na hist\u00f3ria, no sentido da religi\u00e3o e da<\/p>\n<p>hist\u00f3ria nacional, eu n\u00e3o tento aqui fixar seu lugar na literatura. Em todo caso, ele \u00e9<\/p>\n<p>um dos tipos que \u00e9 mais dif\u00edcil de classificar. Ele n\u00e3o escreveu nada vazio; mas ele<\/p>\n<p>escreveu muito que \u00e9 t\u00e3o cheio e cuja aprecia\u00e7\u00e3o depende antes de uma simpatia com<\/p>\n<p>a subst\u00e2ncia do que \u00e0 primeira vista com a forma. De fato, os m\u00edsticos n\u00e3o s\u00e3o com<\/p>\n<p>frequ\u00eancia homens de letras em seu sentido perfeito e quase profissional. Um homem<\/p>\n<p>cuidadoso encontrar\u00e1 mais sobre o que pensar em Vaughan ou Crashaw do que em<\/p>\n<p>Milton, mas ele tamb\u00e9m encontrar\u00e1 muito a criticar; e ningu\u00e9m precisa negar que, no<\/p>\n<p>sentido ordin\u00e1rio, um leitor casual pode desejar que haja menos de Blake e mais de<\/p>\n<p>Keats. Mas mesmo essa permiss\u00e3o n\u00e3o deve ser exagerada; e \u00e9 exatamente no mesmo<\/p>\n<p>sentido em que nos compadecemos de um homem que perdeu tudo de Keats ou de<\/p>\n<p>Milton, que podemos sentir compaix\u00e3o pelo cr\u00edtico que n\u00e3o caminhou na floresta de<\/p>\n<p>Phantastes ou n\u00e3o tomou conhecimento do Sr. Cupples nas aventuras de Alec Forbes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3o de Chesterton \u00e0 biografia de George MacDonald, escrita pelo seu filho:  \u201cGeorge Macdonald and His Wife\u201d, de Greville M. 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