{"id":456,"date":"2011-05-12T23:05:44","date_gmt":"2011-05-12T23:05:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cslewis.com.br\/?p=456"},"modified":"2011-05-12T23:05:44","modified_gmt":"2011-05-12T23:05:44","slug":"resenha-deus-em-questao-armand-nicholi-jr","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/2011\/05\/12\/resenha-deus-em-questao-armand-nicholi-jr\/","title":{"rendered":"Resenha: \u201cDeus em Quest\u00e3o\u201d \u2013 Armand Nicholi Jr."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\">por Eliel Vieira<\/p>\n<p>Os livros de apolog\u00e9tica crist\u00e3 geralmente s\u00e3o criados sobre um mesmo padr\u00e3o: defesa dos tradicionais argumentos a favor da exist\u00eancia de Deus, refuta\u00e7\u00e3o (em alguns casos apenas uma camuflagem) das acusa\u00e7\u00f5es ate\u00edstas consideradas mais pertinentes pelo autor e, por fim, quase sempre, uma defesa da vis\u00e3o te\u00edsta crist\u00e3, enfatizando a particularidade da revela\u00e7\u00e3o crist\u00e3 ante as demais religi\u00f5es existentes. Este \u00e9 um esqueleto b\u00e1sico de um livro de apolog\u00e9tica crist\u00e3. Livros de defesa da f\u00e9 que sejam elaborados de forma diferente ou que contenham enfoques diferentes deste mencionado acima s\u00e3o raras exce\u00e7\u00f5es \u2013 exce\u00e7\u00f5es que s\u00e3o comemoradas por todos aqueles que t\u00eam interesse na controv\u00e9rsia sobre a exist\u00eancia de Deus!  Deus em Quest\u00e3o, escrito por Armand Nicholi Jr., \u00e9 uma destas boas exce\u00e7\u00f5es. O subt\u00edtulo da obra \u2013 C. S. Lewis e Freud debatem Deus, amor, sexo e o sentido da vida \u2013 indica porque esta \u00e9 distinta das demais obras apolog\u00e9ticas crist\u00e3s. Com uma genialidade incr\u00edvel, Armand Nicholi nos presenteou com uma obra que mescla ci\u00eancia dos principais pontos relacionados \u00e0 controv\u00e9rsia sobre a exist\u00eancia de Deus e largo conhecimento dos escritos e da biografia tanto de Sigmund Freud quanto de C. S. Lewis.  Diferentemente do que o subt\u00edtulo da obra possa transparecer, o autor n\u00e3o pretendeu nela simular um debate entre estes dois famosos pensadores do s\u00e9culo passado. Voc\u00ea n\u00e3o encontrar\u00e1 simula\u00e7\u00f5es de refuta\u00e7\u00f5es de um ao outro \u2013 todas as falas dos pensadores tiveram as fontes indicadas no livro. O objetivo da obra \u00e9 apontar quais eram as posi\u00e7\u00f5es e as d\u00favidas tanto de Freud quanto de Lewis em rela\u00e7\u00e3o a alguns aspectos cruciais relacionados \u00e0 controv\u00e9rsia da exist\u00eancia de Deus. A expectativa sobre como seria um debate entre ambos \u2013 bem como sobre quem se sairia melhor neste debate \u2013 surge naturalmente conforme caminhamos com a leitura de Deus em Quest\u00e3o. Talvez seja esta a raz\u00e3o do subt\u00edtulo mencionar a palavra \u201cdebate\u201d.  Apesar de ser crist\u00e3o, contudo, n\u00e3o h\u00e1 por parte do autor qualquer sugest\u00e3o tendenciosa para o lado de qualquer debatedor durante a exposi\u00e7\u00e3o dos argumentos deles. Como psiquiatra, crist\u00e3o e algu\u00e9m que tem um razo\u00e1vel conhecimento dos escritos e da biografia de Sigmund Freud e de C. S. Lewis, \u00e9 prov\u00e1vel que Armand Nicholi considere proveitosas tanto as teorias psicanal\u00edticas de Freud quanto a apresenta\u00e7\u00e3o apolog\u00e9tica crist\u00e3 criativa inventada por Lewis. \u00c9 digno de nota o fato de o autor ter refreado seu impulso crist\u00e3o evangelizador visando garantir a Deus em Quest\u00e3o uma abordagem mais fiel e imparcial poss\u00edvel das posi\u00e7\u00f5es de ambos pensadores.  A pergunta b\u00e1sica para a qual Armand Nicholi tentou buscar uma resposta em seu livro \u00e9, \u201cSe tanto Freud quanto Lewis consideravam a quest\u00e3o da exist\u00eancia de Deus a mais importante da vida, como chegaram a conclus\u00f5es conflitantes?\u201d (p. 17).  Ap\u00f3s apresentar no primeiro capitulo uma biografia de cada um dos protagonistas da obra \u2013 caminhando da inf\u00e2ncia \u00e0 fase adulta, focando alguns pontos relevantes da hist\u00f3ria de ambos \u2013 o autor discorre cap\u00edtulo ap\u00f3s cap\u00edtulo as posi\u00e7\u00f5es de cada pensador no que se refere \u00e0 maior das controv\u00e9rsias existentes ao ser humano \u2013 a quest\u00e3o sobre Deus.  O cap\u00edtulo dois, \u201cO Criador\u201d, traz as posi\u00e7\u00f5es e d\u00favidas dos pensadores sobre a exist\u00eancia de Deus; o cap\u00edtulo tr\u00eas, \u201cConsci\u00eancia\u201d, discorre sobre o problema da moralidade (se ela \u00e9 algo que n\u00f3s criamos, se \u00e9 um produto sem prop\u00f3sito da Sele\u00e7\u00e3o Natural ou se \u00e9 algo que foi impresso em n\u00f3s por Deus); \u201cA grande transi\u00e7\u00e3o\u201d, o quarto cap\u00edtulo, questiona qual vis\u00e3o de mundo \u00e9 mais coerente a se tomar, se a te\u00edsta ou a ate\u00edsta \u2013 terminado assim a primeira parte do livro, chamada \u201cEm que acreditar?\u201d. Na segunda parte, chamada \u201cComo viver?\u201d, os cap\u00edtulos tratam de temas secund\u00e1rios da controv\u00e9rsia sobre a exist\u00eancia de Deus, como \u201cFelicidade\u201d, \u201cSexo\u201d, \u201cAmor\u201d, \u201cDor\u201d e \u201cMorte\u201d \u2013 nomes dos cap\u00edtulos cinco a nove, respectivamente.  Como esta resenha \u00e9 sobre o livro Deus em Quest\u00e3o, n\u00e3o sobre a posi\u00e7\u00e3o de cada um dos seus protagonistas, n\u00e3o vou cometer o equ\u00edvoco de expor minhas opini\u00f5es sobre os argumentos de Sigmund Freud ou de C. S. Lewis. As opini\u00f5es e as conclus\u00f5es ficam a cargo dos pr\u00f3prios leitores. Contudo, penso ser proveitoso (at\u00e9 mesmo para fomentar a curiosidade de potenciais leitores deste livro), citar nesta resenha algumas curiosidades:  I \u2013 Freud quase chegou a ser te\u00edsta. Quando jovem, ao ouvir os argumentos a favor da exist\u00eancia de Deus proferidos por um dos seus professores de filosofia, chamado Brentano, Freud reconheceu em algumas cartas enviadas a um amigo:      \u201c\u00c9 desnecess\u00e1rio dizer que sou um ateu apenas por necessidade, e sou honesto o suficiente para confessar que sou incapaz de refutar os argumentos dele [Brentano]; entretanto, n\u00e3o tenho nenhuma inten\u00e7\u00e3o de me entregar t\u00e3o r\u00e1pida ou completamente.\u201d [&#8230;] \u201cPor enquanto, parei de ser um materialista e n\u00e3o sou ainda um te\u00edsta.\u201d [&#8230;] \u201cA parte ruim disso tudo, especialmente para mim, est\u00e1 no fato de que a ci\u00eancia de todas as coisas parece demandar a exist\u00eancia de Deus.\u201d(p. 26-27)  II \u2013 \u00c9 poss\u00edvel que Freud e Lewis tenham de fato se encontrado pessoalmente. Freud afirmou ter recebido a visita de \u201cum jovem professor de Oxford\u201d, n\u00e3o identificado, quando ele imigrou para a Inglaterra para viver em Hampstead, de Junho de 1938 a Setembro de 1939, \u00faltimos quinze meses de sua vida. Trata-se apenas de uma curiosa especula\u00e7\u00e3o, obviamente.  Fato \u00e9 que tanto Freud quanto Lewis se preocupavam bastante com a controv\u00e9rsia sobre Deus e escreveram bastante sobre ela. A hist\u00f3ria de vida dos protagonistas da obra Deus em Quest\u00e3o \u00e9 bem parecida em v\u00e1rios pontos: ambos eram ateus na juventude e ambos tiveram acesso ao te\u00edsmo \u2013 Sigmund Freud continuou ateu e C. S. Lewis se tornou crist\u00e3o \u2013 e, por causa desta preocupa\u00e7\u00e3o que tinham referente \u00e0 exist\u00eancia de Deus, ambos trouxeram contribui\u00e7\u00f5es enormes \u00e0s quest\u00f5es que ainda hoje s\u00e3o discutidas tanto no n\u00edvel popular quanto no acad\u00eamico.  \u00c9 fato tamb\u00e9m que Armand Nicholi nos presenteou com um livro bastante original e muito bem escrito, que foge de todos os esqueletos pr\u00e9-fabricados de livros de apolog\u00e9tica crist\u00e3 com os quais estamos acostumados a lidar.  O \u00fanico ponto negativo a listar sobre esta obra \u00e9 que os cap\u00edtulos s\u00e3o muito longos e n\u00e3o h\u00e1 muitas divis\u00f5es nos mesmos. Tudo bem! Os cap\u00edtulos que comp\u00f5em a obra s\u00e3o grandes porque a quantidade de informa\u00e7\u00e3o que precisava ser exposta e comentada dentro de cada assunto \u00e9 enorme. Contudo, penso que n\u00e3o custava ao autor ter separado os cap\u00edtulos com subt\u00edtulos menores. Como s\u00e3o minorias as pessoas que disp\u00f5em de horas livres ininterruptas para dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 leitura, \u00e9 prov\u00e1vel que ao ler este livro, como eu, voc\u00ea tenha de pausar a leitura no meio de um cap\u00edtulo para recome\u00e7ar depois. Eu particularmente odeio isto, pois quase sempre perdemos o fio da meada quando pegamos o livro novamente para continuar a leitura.  Com exce\u00e7\u00e3o do detalhe citado acima, apenas elogios. Aplausos \u00e0 editora Ultimato, n\u00e3o apenas por ter publicado Deus em Quest\u00e3o no Brasil, mas tamb\u00e9m pela qualidade final da obra: boa diagrama\u00e7\u00e3o, impress\u00e3o em capa e papel de qualidade (algo que tem sido deliberadamente negligenciado pelas editoras brasileiras aparentemente no intuito de economizar custos de edi\u00e7\u00e3o e impress\u00e3o). E um elogio final, que nunca fiz antes em minhas resenhas, mas que \u00e9 muito importante e justo: parab\u00e9ns a Gabriele Greggersen pela tradu\u00e7\u00e3o da obra \u2013 um trabalho fant\u00e1stico.<\/p>\n<p>Fonte: https:\/\/elielvieira.wordpress.com\/2010\/05\/20\/resenha-deus-em-questao-armand-nicholi-jr\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Eliel Vieira Os livros de apolog\u00e9tica crist\u00e3 geralmente s\u00e3o criados sobre um mesmo padr\u00e3o: defesa dos tradicionais argumentos a favor da exist\u00eancia de Deus, refuta\u00e7\u00e3o (em alguns casos apenas uma camuflagem) das acusa\u00e7\u00f5es ate\u00edstas consideradas mais pertinentes pelo autor e, por fim, quase sempre, uma defesa da vis\u00e3o te\u00edsta crist\u00e3, enfatizando a particularidade da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":46,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[114,29086,29087,29089,29097,9],"tags":[29117,29176,29216,8433,29220,6002],"class_list":["post-456","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","category-artigos-em-portugues","category-assuntos-relativos-a-biografia-do-autor","category-contribuicoes-de-amigos-de-c-s-lewis","category-outras-traducoes-relativas-a-lewis","category-sem-categoria","tag-armand-nicholi","tag-deus-em-questao","tag-filologia","tag-filosofia","tag-freud-e-lewis","tag-sexo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/456","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/users\/46"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=456"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/456\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=456"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=456"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=456"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}