{"id":437,"date":"2011-03-15T19:40:18","date_gmt":"2011-03-15T19:40:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cslewis.com.br\/?p=437"},"modified":"2011-03-15T19:40:18","modified_gmt":"2011-03-15T19:40:18","slug":"as-ferramentas-perdidas-da-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/2011\/03\/15\/as-ferramentas-perdidas-da-educacao\/","title":{"rendered":"As Ferramentas Perdidas da Educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o do tradutor<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Gabriele Greggersen<\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0s Ferramentas Perdidas da Educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Gabriele Greggersen<\/p>\n<p>Quando o mundo ocidental ainda chorava o saldo de destrui\u00e7\u00e3o e de mortos deixados pela Segunda Guerra Mundial, e passava por uma profunda crise intelectual, emocional e religiosa, surgia \u201cThe Lost Tools of Learning&#8221;. Foi em 1947, em meio uma sociedade espiritualmente angustiada e devastada, que Dorothy Sayers proferia essa que se tornaria sua \u00fanica palestra sobre educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sayers nasceu em Oxford, em 1893, como filha de um bispo anglicano, que tamb\u00e9m era diretor da escola pertencente \u00e0 igreja. Na Inglaterra, que segue basicamente a mesma estrutura e funcionamento da educa\u00e7\u00e3o americana (ou vice-versa), todas as escolas s\u00e3o p\u00fablicas e gratuitas, financiadas por uma taxa cobrada de todos os cidad\u00e3os pelo governo, exceto as especiais e confessionais, que tamb\u00e9m n\u00e3o recebem verbas p\u00fablicas. Aprendeu latim e franc\u00eas, especializando-se em l\u00ednguas modernas no <em>Somerville College<\/em>, onde foi condecorada como primeira da classe.<\/p>\n<p>Em seguida, tornou-se uma das primeiras mulheres a ingressar na Universidade de Oxford, uma das mais antigas da hist\u00f3ria (S\u00e9c. XII), onde acabou se tornando autoridade em estudos medievais. Sua obra acad\u00eamica mais comemorada foi a tradu\u00e7\u00e3o da<em> Divina Com\u00e9dia<\/em> de Dante do latim para o ingl\u00eas<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn1\">[1]<\/a>, mas tamb\u00e9m se popularizou como escritora de contos de detetive, particularmente, as do seu personagem principal, o \u201cdetetive nas horas vagas\u201d, <em>Lord Peter Wimsey<\/em>. Era, al\u00e9m disso, poetisa e escritora de pe\u00e7as teatrais, que se popularizaram bastante nos pa\u00edses de l\u00edngua inglesa.<\/p>\n<p>Ela fazia parte do mesmo clube da consagrada escritora de contos de detetive, Agatha Christie, que chegou a presidir e tamb\u00e9m integrava outro grupo, os <em>Inklings<\/em>, em especial de C.S. Lewis, Charles Williams e T.S. Eliot, sendo desse \u00faltimo praticamente a \u00fanica mulher. Ela tamb\u00e9m mantinha uma amizade pessoal e projetos em comum com os integrantes dos mesmos.<\/p>\n<p>Como se pode ver no in\u00edcio da adapta\u00e7\u00e3o de <em>O Le\u00e3o, a Feiticeira e o Guarda-Roupas<\/em> aos cinemas, a primeira da mundialmente famosa s\u00e9rie de <em>Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia <\/em>de C.S. Lewis, a preocupa\u00e7\u00e3o com as marcas deixadas pela guerra e suas destro\u00e7os espirituais espalhados por toda Europa e Estados Unidos (sem falar do Jap\u00e3o e outros pa\u00edses envolvidos direta ou indiretamente) \u00e9 um dos temas de debate comum a esses grupos. Eles atribu\u00edam \u00e0 literatura, particularmente \u00e0 literatura imaginativa, de mist\u00e9rio, ou rom\u00e2ntica &#8211; dos mitos, contos de fada, e quem sabe nossos contos de cordel -, um grande potencial de cura de traumas e feridas, f\u00edsicas, psicol\u00f3gicas e espirituais, deixadas pela hist\u00f3ria, tanto na vida pessoal, quanto em toda a coletividade.\u00a0<\/p>\n<p>Outra bandeira desse rol, al\u00e9m da paix\u00e3o pela literatura, era o combate \u00e0 id\u00e9ia amplamente disseminada naquele per\u00edodo &#8211; e que marca a posmodernidade at\u00e9 os dias de hoje &#8211; de que tudo o que diga respeito ao passado seja necessariamente superado e associado ao embotamento, ao t\u00e9dio e \u00e0 ingenuidade. Usavam tamb\u00e9m de sua for\u00e7a argumentativa para defender as bases de sua f\u00e9 crist\u00e3, principalmente no que diz respeito \u00e0 \u00e9tica, na qual, afinal de contas, todas as sociedades ocidentais, autodenominadas \u201ccrist\u00e3s\u201d se encontram fundamentadas.<\/p>\n<p>Entre os anos de 1924-25, Sayers trocou cartas com um ex-namorado. Uma de suas cr\u00edticas mais fortes ao moralismo de uma sociedade que perdeu de vista a f\u00e9 e \u00e9tica crist\u00e3s foi <em>The Devil is an English Gentleman<\/em> (O Diabo \u00e9 um <em>Gentleman<\/em> Ingl\u00eas).<\/p>\n<p>Em 1926, ela decidiu casar-se com um jornalista de nome Captain Oswald Atherton &#8220;Mac&#8221; Fleming, mais conhecido por &#8220;Atherton Fleming.&#8221; que era divorciado e tinha dois filhos. Eles permaneceram casados at\u00e9 a morte repentina de Sayers, de ataque card\u00edaco, quando estava finalizando a sua tradu\u00e7\u00e3o de Dante. Ambos eram escritores. Entretanto, devido a ferimentos na I Grande Guerra, Fleming adoeceu a ponto de n\u00e3o poder mais escrever, de modo que passou a ser sustentado por Sayers, cujo sucesso estava tomando propor\u00e7\u00f5es mirabolantes, ofuscando grande parte do seu trabalho.<\/p>\n<p>Entre as obras mais conhecidas de Sayers encontram-se <em>Veneno Forte<\/em> (<em>Strong Poison<\/em>) e <em>Noite Assombrosa<\/em> (<em>Gaudy Night<\/em>), um livro de suspense que retrata muito bem a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria no mundo acad\u00eamico. O t\u00edtulo \u00e9 retirado de uma das Obras de Shakespeare.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria tem por personagem central uma acad\u00eamica, Hariet Vane, que era novelista. Como Sayers, ela teve que lutar contra o preconceito forjado em cartas an\u00f4nimas e picha\u00e7\u00f5es nos muros da escola. Ela mesma \u00e9 solicitada a, juntamente com o Lorde Peter Wimsey, que acaba sempre solucionando o crime, nesse caso, de chantagem.<\/p>\n<p>Muitos consideram essa obra, o primeiro conto de detetive feminista da hist\u00f3ria. Trata-se de uma narrativa marcada n\u00e3o apenas pelo mist\u00e9rio, mas tamb\u00e9m pela filosofia e luta pelos direitos da mulher, sem falar da &#8220;pitada&#8221; adicional do romance, ambientado na Inglaterra dos anos 1930.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria foi adaptada para a televis\u00e3o e transformada em uma s\u00e9rie em 1987 e em 2005 foi adaptado para o r\u00e1dio BBC. Em 2006 foi\u00a0 transformada em pe\u00e7a teatral que estreou no\u00a0 Teatro <em>Lifeline Theatre<\/em> em Chicago. O enredo tamb\u00e9m foi aproveitado pela s\u00e9rie americana <em>Diagnosis Murder<\/em> (<em>Morte Diagn\u00f3stica<\/em>), que estreou em 2000.<\/p>\n<p><em>Gaudy Night<\/em> foi pensado para ser a culmin\u00e2ncia da saga de Wimsey, mas acabou gerando mais uma obra final. O fechamento com chave de ouro veio com a pe\u00e7a<em> Busman&#8217;s Honey Moon<\/em> (A lua de Mel dos Busman, publ. 1937), a pedido de um amigo que ofereceu ajuda para sua adapta\u00e7\u00e3o ao teatro. O sucesso foi tanto, que redundou em um convite para Sayers se dedicar exclusivamente ao teatro, mas ela recusou. Mas a experi\u00eancia a fascinou tanto que escreveu mais seis pe\u00e7as. A pe\u00e7a continua em cartaz como grande sucesso de bilheteria.<\/p>\n<p>Suas obras podem ser encontradas ao redor do mundo entre cl\u00e1ssicos da literatura mundial, em que Sayers pode ser encontrada posta lada do lado com Alexandre Dumas, Charles Dickens, J\u00falio Verne, Jack London, e Mark Twain. \u00a0<\/p>\n<p>A autora tamb\u00e9m mereceu destaque em outro campo dominado pelos homens at\u00e9 os dias de hoje, o da teologia, com obras importantes como <em>The Mind of the Maker<\/em> (<em>A Mente do Criador<\/em>) e<em> The Man Born to be King <\/em>(<em>O Homem nascido para ser Rei<\/em>).<\/p>\n<p>Antes de deixar o leitor deliciar-se com a leveza do estilo e as surpresas que a autora reserva \u00e0 mentalidade moderna, a cada par\u00e1grafo, nesse texto, nada convencional ou ortodoxo sobre educa\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso contextualiz\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Sugerimos assim, deixar fluir a leitura, suspendendo as armas do esp\u00edrito de \u201csuspeita\u201d, que ainda subsiste no pensamento p\u00f3smoderno, permitindo que Sayers o transportasse para a terra encantada da educa\u00e7\u00e3o medieval.<\/p>\n<p>Mais do que de um ensaio cr\u00edtico, trata-se de um exerc\u00edcio dos m\u00fasculos de nossa raz\u00e3o, n\u00e3o divorciada, mas <em>associada<\/em> \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o, esta \u00faltima tantas vezes atrofiada pelo sedentarismo imaginativo e seu oposto, a <em>overdose fantasiosa<\/em>, com que somos diariamente bombardeados pela m\u00eddia. Deixemos, ent\u00e3o, a palavra \u00e0 autora e dediquemo-nos \u00e0 aprecia\u00e7\u00e3o de suas palavras, que muito t\u00eam a dizer aos educadores de um pa\u00eds em processo de extens\u00e3o da escolaridade de 8 para 9 anos.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>As Ferramentas Perdidas da Educa\u00e7\u00e3o<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn2\"><strong>[2]<\/strong><\/a><\/strong><\/p>\n<p>por Dorothy Sayers<\/p>\n<p>(trad. Gabriele Greggersen)<\/p>\n<p>Aceitar um convite para debater a educa\u00e7\u00e3o, considerando minha curta experi\u00eancia como professora, dispensa apologia. Mesmo porque esse \u00e9 um tipo de comportamento aplaudido na atual efervesc\u00eancia de opini\u00f5es. Religiosos ventilam suas opini\u00f5es sobre a economia; bi\u00f3logos, sobre a metaf\u00edsica; qu\u00edmicos inorg\u00e2nicos, sobre teologia; indiv\u00edduos irrelevantes s\u00e3o apontados para cargos de alto n\u00edvel t\u00e9cnico; e homens embotados e simpl\u00f3rios publicam nos tabl\u00f3ides que Epstein e Picasso simplesmente n\u00e3o entendiam nada de arte. At\u00e9 certo ponto, e desde que a cr\u00edtica fosse feita com razo\u00e1vel mod\u00e9stia, coisas assim s\u00e3o at\u00e9 admir\u00e1veis. A especializa\u00e7\u00e3o excessiva nunca foi coisa boa. No caso da educa\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o faltam s\u00e3o motivos para amadores se sentirem gabaritados para emitir suas opini\u00f5es. Pois, ainda que nem todos aqui sejamos educadores profissionais, todos j\u00e1 fomos <em>alunos<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn3\"><strong>[3]<\/strong><\/a><\/em> em algum momento da vida. E, mesmo se n\u00e3o tivermos <em>aprendido<\/em> nada &#8211; e, quem sabe,<em> especialmente<\/em>, se nunca tivermos estudado de verdade<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn4\">[4]<\/a> &#8211; nossa capacidade de contribui\u00e7\u00e3o para essa discuss\u00e3o ser\u00e1 um valor potencial.<\/p>\n<p>Entretanto, \u00e9 bem pouco prov\u00e1vel que as reformas propostas aqui sejam, algum dia, levadas a s\u00e9rio. Ningu\u00e9m: nem os parentes; nem os professores de cursinhos vestibulares; nem as bancas de defesa; nem as bancadas de governo; nem os ministros da educa\u00e7\u00e3o, lhes dariam um s\u00f3 minuto de aten\u00e7\u00e3o. Pois elas se resumem a isso: se quisermos formar uma sociedade de gente educada, preparada para preservar a sua liberdade intelectual em meio \u00e0s press\u00f5es da sociedade moderna, teremos que voltar a roda do tempo quatro ou cinco s\u00e9culos atr\u00e1s, at\u00e9 fins da Idade M\u00e9dia, no preciso ponto em que a educa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a perder de vista o seu verdadeiro objetivo.<\/p>\n<p>Antes de voc\u00ea me dispensar &#8211; carimbando-me com o bastante apropriado r\u00f3tulo de: reacion\u00e1ria, rom\u00e2ntica medieval,<em> laudator temporis acti<\/em> (saudosista), ou qualquer outro lugar-comum que lhe vier \u00e0 cabe\u00e7a &#8211; pe\u00e7o-te o favor de ponderar uma ou duas quest\u00f5es bastante complexas que talvez ainda se encontrassem escondidas na face oculta das mentes de todos n\u00f3s, que s\u00f3 emergem ocasionalmente causando-nos preocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se refletirmos sobre a tenra idade em que os jovens come\u00e7avam a freq\u00fcentar a escola nos tempos, vamos supor, da dinastia Tudor, depois da qual passavam a ser considerados prontos para assumir responsabilidade pela condu\u00e7\u00e3o de seu pr\u00f3prio nariz, como encarar a amplia\u00e7\u00e3o artificial da forma\u00e7\u00e3o infantil e juvenil at\u00e9 os anos de maturidade f\u00edsica, t\u00e3o caracter\u00edstico dos dias de hoje? Postergar ao m\u00e1ximo a hora de assumir responsabilidades traz consigo uma s\u00e9rie infinita de transtornos psicol\u00f3gicos que podem at\u00e9 ser interessantes para o psiquiatra, mas que s\u00e3o de bem pouca serventia, ao indiv\u00edduo ou \u00e0 sociedade. O principal argumento que se usa em favor do adiamento da idade de despedida da escola e da prorroga\u00e7\u00e3o da idade escolar \u00e9 que hoje em dia haja muito mais para se estudar, do que na Idade M\u00e9dia. Isso em parte \u00e9 verdade, mas n\u00e3o inteiramente. O menino e a menina<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn5\">[5]<\/a> de hoje, t\u00eam, sem d\u00favida, mais assunto<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn6\">[6]<\/a> para estudar, mas ser\u00e1 que isso significa necessariamente que <em>saibam <\/em>mais?<\/p>\n<p>Nunca lhe pareceu estranho ou lament\u00e1vel que na atualidade, em que a quantidade de livros existente por toda a Europa ocidental \u00e9 maior do que nunca, a suscetibilidade das pessoas \u00e0 influ\u00eancia de an\u00fancios e de propaganda em massa tenha crescido em propor\u00e7\u00f5es at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidas, ou sequer imaginadas? Voc\u00ea atribuiria isso ao mero fato f\u00edsico de que a imprensa, o r\u00e1dio e outros meios tivessem tornado a propaganda bem mais \u00e1gil e capaz de cobrir um vasto territ\u00f3rio? Ou ser\u00e1 que voc\u00ea \u00e0s vezes tem a inquietante suspeita de que o produto dos m\u00e9todos modernos de educa\u00e7\u00e3o fosse inferior ao que seja capaz de ser, em distinguir o fato da opini\u00e3o; e o provado do plaus\u00edvel?<\/p>\n<p>Quem \u00e9 que j\u00e1 n\u00e3o se irritou, ao acompanhar um debate entre adultos e pessoas supostamente respons\u00e1veis, com a extraordin\u00e1ria incapacidade do debatedor em geral de se ater \u00e0s perguntas, ou de opor-se a elas, refutando os \u00a0argumentos dos palestrantes de opini\u00f5es diferentes das dele? Ou ser\u00e1 que voc\u00ea j\u00e1 ficou se perguntando sobre a incid\u00eancia alt\u00edssima de assuntos irrelevantes surgidos em encontros de conselhos, e sobre a incr\u00edvel escassez de pessoas capazes de presidir comiss\u00f5es? E ao refletir sobre isso, ocorre-lhe que a grande maioria dos assuntos p\u00fablicos s\u00e3o decididos precisamente nesses debates e comiss\u00f5es, n\u00e3o sente um aperto no cora\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>E quem j\u00e1 n\u00e3o acompanhou uma discuss\u00e3o nos jornais ou outro meio de comunica\u00e7\u00e3o qualquer e percebeu a quantas vezes os escritores deixam de definir os termos que usam? Ou notou o quanto \u00e9 freq\u00fcente, na hip\u00f3tese de algu\u00e9m definir os termos que est\u00e1 usando, o outro responder pressupondo na sua resposta, que o primeiro estava usando esses termos em sentido exatamente oposto \u00e0quele? Voc\u00ea j\u00e1 se sentiu honestamente preocupado com tantos usos de linguagem<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn7\">[7]<\/a> gramaticalmente errada? E, em caso afirmativo, voc\u00ea se sente incomodado, por sua deseleg\u00e2ncia ou porque receia o grave mal-entendido em que isso poderia resultar?<\/p>\n<p>Quem \u00e9 que j\u00e1 n\u00e3o teve a impress\u00e3o de que os\u00a0 jovens, assim que completado o per\u00edodo escolar, n\u00e3o apenas se esquecem da maior parte do que aprenderam (o que j\u00e1 era de se esperar), mas tamb\u00e9m se esquecem, ou revelam nunca ter aprendido de fato, como lidar <em>por si mesmos<\/em> com um conte\u00fado novo? Voc\u00ea se incomoda com frequ\u00eancia quando v\u00ea \u00a0homens e mulheres adultos incapazes de distinguir um bom livro, do ponto de vista acad\u00eamico, e apropriadamente indexado, de um que, para o bom entendedor, \u00e9 not\u00f3rio que n\u00e3o chega a tanto? Ou que n\u00e3o saibam como manusear um cat\u00e1logo de biblioteca? Ou que, quando estiverem face a face com um livro de refer\u00eancia, sejam flagrados por uma curiosa incapacidade de extrair dele os trechos relevantes para o problema que seja de seu particular interesse?<\/p>\n<p>Quantas vezes voc\u00ea j\u00e1 topou com gente para quem, por toda vida, \u201cuma coisa \u00e9 uma coisa, e outra coisa \u00e9 outra\u201d, separada de todas as demais, como se estivessem separadas em compartimentos estanques? Tanto, que t\u00eam grande dificuldade de estabelecer conex\u00e3o mental entre, digamos, \u00e1lgebra e fic\u00e7\u00e3o policial, entre o saneamento b\u00e1sico e o pre\u00e7o de salm\u00e3o &#8211; ou, de maneira mais gen\u00e9rica, entre esferas distintas como as do conhecimento filos\u00f3fico e a economia, ou a qu\u00edmica e as artes?<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn8\">[8]<\/a><\/p>\n<p>J\u00e1 se sentiu incomodado com certas coisas escritas por homens e mulheres adultos para leitores e leitoras adultos? Um bi\u00f3logo bastante conhecido, que escreve para uma revista semanal disse que &#8220;Um argumento contra a exist\u00eancia de um Criador&#8221; (acho que ele colocou de forma ainda mais forte, mas j\u00e1 que eu, infelizmente, perdi a refer\u00eancia, parafrasearei seu racioc\u00ednio da forma mais agressiva poss\u00edvel) &#8211; &#8220;&#8230;um argumento contra a exist\u00eancia de um Criador \u00e9 que os escritores em massa conseguem produzir Lao seu bel prazer<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn9\">[9]<\/a>, o mesmo tipo de diversidade produzida pela sele\u00e7\u00e3o natural &#8220;. N\u00e3o ficamos tentados a dizer que este \u00e9, antes, um argumento <em>a favor<\/em> da exist\u00eancia de um Criador? Na verdade, \u00e9 claro que isso n\u00e3o prova nem uma coisa nem outra; tudo o que essa argumenta\u00e7\u00e3o prova \u00e9 que as mesmas causas materiais<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn10\">[10]<\/a> (seja a re-combina\u00e7\u00e3o dos cromossomos, pelo seu cruzamento e assim por diante) sejam suficientes para explicar toda diversidade observ\u00e1vel no mundo. Isso seria o mesmo que dizer que o mesmo conjunto de notas musicais combinadas entre si, sejam a causa material capaz de explicar tanto a <em>Sonata ao Luar<\/em> de Beethoven, quanto os sons produzidos por um gatinho andando sobre as teclas de um piano. No entanto, tal comportamento do gato n\u00e3o prova nem contesta a exist\u00eancia de Beethoven; tudo que se prova pelo argumento do bi\u00f3logo \u00e9 que ele n\u00e3o era capaz de distinguir entre causa material e causa final. Eis aqui outro exemplo retirado de fonte n\u00e3o menos acad\u00eamica, a primeira p\u00e1gina do Suplemento Liter\u00e1rio, nada mais, nada menos do <em>Times<\/em>:<\/p>\n<p>&#8220;O Franc\u00eas Alfred Epinas, afirmou que certas esp\u00e9cies (por exemplo formigas e vespas) s\u00f3 s\u00e3o capazes de encarar os horrores da vida em associa\u00e7\u00e3o com a morte&#8221;. N\u00e3o sei bem o que o franc\u00eas quis dizer com isso, mas o que o rep\u00f3rter ingl\u00eas <em>diz<\/em> que ele disse \u00e9 que \u00e9 um absurdo flagrante. N\u00e3o temos como saber, se a formiga encara a vida com horror ou n\u00e3o, nem, em que sentido se pode dizer que a vespa que esmaga contra a vidra\u00e7a &#8220;enfrenta\u201d\u00a0 os horrores da morte. O objeto do artigo me parece ser o comportamento humano nas massas; assim, os motivos humanos foram transferidos, de forma muito sutil, da proposta inicial, para o caso, a que deveria dar suporte. Assim, o argumento acaba tomando por pressuposto, precisamente o que pretendia provar &#8211; fato este que se tornaria logo patente se fosse apresentado num silogismo formal. Este \u00e9 um reles e aleat\u00f3rio exemplo de um v\u00edcio que permeia livros inteiros &#8211; em especial livros escritos por homens da ci\u00eancia, [que se metem] a escrever sobre temas metaf\u00edsicos.<\/p>\n<p>Outro artigo da mesma edi\u00e7\u00e3o do Suplemento Liter\u00e1rio do <em>Times<\/em> exemplar nesta cole\u00e7\u00e3o casual de pensamentos aflitivos &#8211; \u00a0desta vez oriunda da resenha da obra <em>Algumas Tarefas para a Educa\u00e7\u00e3o<\/em>, escrita por Sir Richard Livingstone, diz: &#8221; [O autor] lembra o leitor mais de uma vez do valor de um estudo intensivo de pelo menos uma mat\u00e9ria, a fim de aprender o significado desse conhecimento e o grau de precis\u00e3o e persist\u00eancia necess\u00e1rios para alcan\u00e7\u00e1-lo. Todavia, noutro ponto, reconhece por inteiro o angustiante fato de que uma pessoa pode chegar a se tornar <em>mestre<\/em> num determinado campo, sem demonstrar capacidade cr\u00edtica mais refinada, do que qualquer vizinho de outro campo qualquer; ele at\u00e9 se lembra do que aprendeu, mas se esquece por completo de <em>como<\/em> foi que aprendeu.&#8221;<\/p>\n<p>Pe\u00e7o a sua aten\u00e7\u00e3o particular para a \u00faltima senten\u00e7a, que oferece uma explica\u00e7\u00e3o a que o escritor se refere propriamente quando fala do &#8220;fato angustiante&#8221;, de que as habilidades intelectuais a n\u00f3s conferidas pela nossa educa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sejam <em>imediatamente transfer\u00edveis<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn11\"><strong>[11]<\/strong><\/a> <\/em>para outros campos<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn12\">[12]<\/a>, diferentes daqueles, nos quais n\u00f3s as adquirimos: &#8220;ele se lembra do <em>que<\/em> aprendeu, mas se esquece por completo de <em>como<\/em> aprendeu&#8221;.<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn13\">[13]<\/a><\/p>\n<p>O grande defeito da nossa educa\u00e7\u00e3o atual &#8211; defeito este detect\u00e1vel atrav\u00e9s de todos os inquietantes sintomas do problema que mencionei &#8211; n\u00e3o \u00e9 que, embora n\u00f3s muitas vezes tenhamos sucesso em ensinar &#8220;conte\u00fados&#8221; aos nossos alunos, falhamos lament\u00e1vel e inteiramente em ensinar-lhes <em>como<\/em> pensar; eles aprendem tudo, menos a <em>arte de aprender<\/em>. \u00c9 como se, por mais que tiv\u00e9ssemos ensinado uma crian\u00e7a tocar &#8220;O Ferreiro Harmonioso&#8221; ao piano, mas de maneira exclusivamente mec\u00e2nica, sem nunca ter-lhe ensinado a escala musical ou a ler uma partitura. Desse modo, por mais que tivesse memorizado &#8220;O Ferreiro Harmonioso&#8221;, ele, no entanto, n\u00e3o teria a m\u00ednima no\u00e7\u00e3o de como, a partir da\u00ed, \u00a0encarar outra m\u00fasica como &#8220;A \u00daltima Rosa do Ver\u00e3o&#8221;. Por que eu digo &#8220;como se&#8221;? Em certas \u00e1reas das artes e dos trabalhos manuais, \u00e9 precisamente isso que fazemos &#8211; esperamos que uma crian\u00e7a &#8220;se expresse&#8221; com o pincel, antes mesmo de ensinar-lhe a lidar com cores e com o pincel. H\u00e1 uma corrente de pensamento que acredita ser esta a maneira mais correta come\u00e7ar os trabalhos. No entanto, observe bem: n\u00e3o \u00e9 este o m\u00e9todo pelo qual um artista treinado se empenharia em descobrir um novo m\u00e9todo de pintura. Ele, que aprendeu pela experi\u00eancia a melhor forma de economizar esfor\u00e7os para pegar o jeito da coisa, come\u00e7ar\u00e1 rabiscando em um material rascunho qualquer, a fim de \u201cagu\u00e7ar a sensibilidade para com a ferramenta&#8221;.<\/p>\n<p>O PROGRAMA DA EDUCA\u00c7\u00c3O MEDIEVAL<\/p>\n<p>Observemos a estrutura da educa\u00e7\u00e3o medieval mais de perto agora &#8211; o programa de ensino dessas escolas. N\u00e3o importa, para o momento, se destinado a crian\u00e7as pequenas ou a estudantes mais velhos, e por quanto tempo se esperava que as pessoas a devessem freq\u00fcentar. O que importa \u00e9 a luz que ele lan\u00e7a sobre o que o homem medieval supunha ser o objeto e a ordem certa do processo educacional.<\/p>\n<p>O curr\u00edculo era dividido em duas partes: O <em>Trivium<\/em> e o <em>Quadrivium<\/em>. A segunda parte &#8211; o <em>Quadrivium<\/em> &#8211; era composta por \u201cconte\u00fados\u201d, que n\u00e3o nos preocupam por ora. O que nos interessa aqui \u00e9 discutir o <em>Trivium<\/em>, que precedia o <em>Quadrivium <\/em>e era composto por disciplinas consideradas prerrogativas. Consistia ele de tr\u00eas partes: <em>Gram\u00e1tica<\/em>,<em> Dial\u00e9tica<\/em> e <em>Ret\u00f3rica<\/em>, nessa ordem.<\/p>\n<p>Agora, a primeira coisa not\u00f3ria \u00e9 que duas destas &#8220;disciplinas&#8221; em qualquer ordem n\u00e3o s\u00e3o o que chamar\u00edamos de &#8220;disciplinas&#8221;: eles n\u00e3o passam de m\u00e9todos de como lidar com os conte\u00fados. A Gram\u00e1tica, de fato, \u00e9 uma &#8220;disciplina&#8221; no sentido de que ela significa definitivamente o aprendizado de um idioma &#8211; \u00a0naquela \u00e9poca, gram\u00e1tica significava o aprendizado do Latim. Mas a l\u00edngua em si \u00e9 simplesmente o meio pelo qual se expressa o pensamento. Na verdade, o Trivium todo tinha a inten\u00e7\u00e3o de ensinar ao aluno o uso apropriado das ferramentas [de estudo] da educa\u00e7\u00e3o, antes que ele come\u00e7asse a aplic\u00e1-las \u00e0s \u201cmat\u00e9rias\u201d. Primeiro ele aprendia o uso apropriado das ferramentas; n\u00e3o apenas como fazer um pedido no restaurante, numa l\u00edngua estrangeira, mas a estrutura da l\u00edngua, e assim, da pr\u00f3pria linguagem &#8211; em que situa\u00e7\u00e3o se encontrava, como se constituiu, e como funcionava. Em segundo lugar, ele aprendia a usar o idioma; como definir os seus termos e elaborar asser\u00e7\u00f5es mais refinadas; como construir um argumento e como detectar fal\u00e1cias em um argumento. Em outras palavras, a gram\u00e1tica abarcava a l\u00f3gica e o uso do senso cr\u00edtico. Em terceiro lugar, ele aprendia a se expressar usando aquela l\u00edngua &#8211; a como dizer o que ele tinha para dizer de forma elegante e convincente.\u00a0<\/p>\n<p>Ao final dessa fase, solicitava-se que ele elaborasse uma monografia sobre algum tema apresentado por seus mestres ou proposto por ele mesmo, e, em seguida, submetia a sua tese \u00e0 cr\u00edtica da comunidade acad\u00eamica. A essas alturas ele ter\u00e1 que ter aprendido tudo &#8211; \u00a0ou entrar\u00e1 em desespero &#8211; n\u00e3o apenas a escrever um ensaio<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn14\">[14]<\/a> ou trabalho acad\u00eamico, mas tamb\u00e9m a falar em p\u00fablico de maneira sonora e inteligente e a fazer a defesa, sem perder a pose.<\/p>\n<p>\u00c9 bem verdade que ainda subsistem tra\u00e7os e resqu\u00edcios da tradi\u00e7\u00e3o medieval no curr\u00edculo das escolas comuns de hoje, \u00e9 claro, ou foram resgatados [em algum momento da hist\u00f3ria]. Algum conhecimento de gram\u00e1tica ainda \u00e9 exigido quando se estuda uma l\u00edngua estrangeira &#8211; talvez eu devesse dizer \u201cvoltou a ser necess\u00e1rio.\u201d \u00a0Na minha \u00e9poca mesmo, passamos por uma fase assim, quando o ensino de declina\u00e7\u00f5es e conjuga\u00e7\u00f5es era considerado digno de repreens\u00e3o, passando-se a dar prefer\u00eancia a abordar essas coisas \u00e0 medida que elas iam surgindo. O debate sociol\u00f3gico florescia nas escolas; ensaios eram escritos; frisava-se a necessidade da \u201clivre express\u00e3o\u201d, de forma um tanto exagerada.<\/p>\n<p>Mas essas atividades s\u00e3o cultivadas de forma mais ou menos isolada, como se pertencessem a algum departamento isolado, tratadas como sup\u00e9rfluas, ao inv\u00e9s de formarem uma estrutura coerente de exerc\u00edcio mental, \u00e0 qual todas as demais \u201cdisciplinas\u201d estejam subordinadas. No caso da <em>gram\u00e1tica, <\/em>ela<em> <\/em>foi atribu\u00edda ao \u201cdepartamento\u201d de l\u00ednguas estrangeiras. E a escrita de ensaios pertence a um \u201ddepartamento\u201d de \u201cIngl\u00eas\u201d; ao passo que a dial\u00e9tica acabou praticamente divorciada do restante do curr\u00edculo, e \u00e9 freq\u00fcentemente praticada de maneira assistem\u00e1tica e que foge ao program\u00e1tico, atrav\u00e9s da pr\u00e1tica exerc\u00edcios extracurriculares, cuja rela\u00e7\u00e3o com o que chamamos de <em>estudo<\/em> \u00e9 bem distante.<\/p>\n<p>Tomado de forma ampla, a enorme discrep\u00e2ncia de \u00eanfases entre essas duas concep\u00e7\u00f5es abriga algo de bom: a educa\u00e7\u00e3o moderna concentra-se em \u201censinar conte\u00fados,\u201d enquanto os m\u00e9todos de racioc\u00ednio, argumenta\u00e7\u00e3o e express\u00e3o de conclus\u00f5es, concentrada em primeiro aprender a forjar e a lidar com as ferramentas [de estudo] da educa\u00e7\u00e3o, independente do assunto em pauta, \u00e9 deixada para os <em>estudiosos<\/em>, que gozaram de uma educa\u00e7\u00e3o mais medieval<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn15\">[15]<\/a>. Nesse \u00faltimo caso, \u00e9 como pegar uma pe\u00e7a bruta e trabalhar nela at\u00e9 que o resultado do uso da ferramenta se transforme como que em uma segunda natureza.<\/p>\n<p>Que \u00e9 preciso ter algum tipo de \u201cconte\u00fado\u201d, ningu\u00e9m duvida. N\u00e3o se pode aprender a teoria da gram\u00e1tica de um idioma sem aprender o pr\u00f3prio idioma, ou aprender a argumentar e falar em p\u00fablico, sem falar sobre nenhum assunto em particular. Os temas de debate da Idade M\u00e9dia vinham em grande parte da teologia, ou da \u00e9tica e da hist\u00f3ria da Antiguidade. De fato, muitas vezes, eles se tornavam jocosos, especialmente perto do final desse per\u00edodo. Os absurdos aberrantes do argumento escol\u00e1stico desse per\u00edodo, que tanto enervavam a Milton<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn16\">[16]<\/a>, d\u00e3o, at\u00e9 hoje motivos, chacota e riso. Mas n\u00e3o saberia dizer se esses temas eram mais tolos e prosaicos do que os temas escolhidos nos dias de hoje para a escrita \u201cdissertativa\u201d. Atrevo-me a dizer que ficamos um tanto entediados com propostas de reda\u00e7\u00e3o do tipo \u201ccomo foram as minhas f\u00e9rias\u201d e por a\u00ed afora. Mas grande parte desses gracejos \u00e9 ind\u00e9bita, na medida em que se perdeu de vista o objetivo e objeto da tese em debate.<\/p>\n<p>Certa vez, um palestrante demagogo entreteve a sua audi\u00eancia no Brains Trust<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn17\">[17]<\/a> (expondo a mem\u00f3ria de Charles Williams<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn18\">[18]<\/a> \u00e0 f\u00faria da plat\u00e9ia) ao afirmar que, na Idade M\u00e9dia, a discuss\u00e3o sobre quantos arcanjos<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn19\">[19]<\/a> seriam capazes de dan\u00e7ar na ponta de uma agulha era uma \u201cquest\u00e3o de f\u00e9\u201d. Espero n\u00e3o ter que defender que isso jamais foi [mera] quest\u00e3o de f\u00e9; tratava-se antes de um exerc\u00edcio de senso cr\u00edtico, cujo objeto era a natureza da subst\u00e2ncia angelical: seriam os anjos seres materiais? Em caso afirmativo, poderiam ocupar lugar no espa\u00e7o? A resposta usualmente aceita como correta era que os anjos s\u00e3o intelig\u00eancias puras; n\u00e3o materiais, mas limitadas, de modo que eles podem ter um lugar no espa\u00e7o, por\u00e9m n\u00e3o podem ter extens\u00e3o<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn20\">[20]<\/a>. Podemos fazer uma analogia disso com o pensamento humano, que tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 material e limitado. Assim, se o seu pensamento est\u00e1 concentrado numa coisa &#8211; vamos supor, na ponta de uma agulha &#8211;\u00a0 ele estar\u00e1 l\u00e1, no sentido de que n\u00e3o est\u00e1 em nenhum outro lugar. Por mais que esteja &#8220;l\u00e1&#8221;, ele n\u00e3o ocupa \u00a0espa\u00e7o algum, e n\u00e3o h\u00e1 nada que impe\u00e7a um n\u00famero infinito de pensamentos de diversas pessoas se concentrem na ponta da mesma agulha, ao mesmo tempo. Acontece que o objeto de discuss\u00e3o a que esse exerc\u00edcio \u00e9 a natureza dos anjos (embora, como vimos anteriormente, poderia muito bem ser qualquer outra coisa); uma li\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica a ser tirada desse debate \u00e9 n\u00e3o usar palavras como \u201cest\u00e1 a\u00ed\u201d de forma solta e n\u00e3o cient\u00edfica, sem especificar se est\u00e1 se referendo a \u201cest\u00e1 l\u00e1\u201d ou \u201cocupando espa\u00e7o l\u00e1.<\/p>\n<p>A mat\u00e9ria mais apropriada do argumento pode ser vista, portanto, como sendo a distin\u00e7\u00e3o entre localiza\u00e7\u00e3o e extens\u00e3o no espa\u00e7o; acontece que o tema em torno do qual gira o argumento \u00e9 a natureza dos anjos (embora, como vimos, pudesse ser qualquer outra coisa); a li\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica a ser tirada do debate \u00e9 a de n\u00e3o se usar palavras como &#8220;l\u00e1 &#8221; num sentido descuidado e n\u00e3o cient\u00edfico, sem especificar, se o que se quer dizer \u00e9 &#8220;est\u00e1 l\u00e1&#8221; ou est\u00e1 &#8220;ocupando espa\u00e7o l\u00e1&#8221;.<\/p>\n<p>A paix\u00e3o medieval pela discuss\u00e3o do sexo de anjos<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn21\">[21]<\/a> j\u00e1 foi alvo de muito esc\u00e1rnio, mas quando olhamos para abuso desavergonhado, tantas vezes praticado por escrito ou em p\u00fablico ou atrav\u00e9s de pol\u00eamicas provocadas por express\u00f5es com conota\u00e7\u00e3o pejorativa e de duplo sentido, sintamos no cora\u00e7\u00e3o o desejo de ver cada leitor e cada ouvinte dessa palestra pudesse estar armado de forma t\u00e3o defensiva<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn22\">[22]<\/a>, a ponto de bradar: &#8220;<em>Distinguo<\/em>&#8220;<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn23\">[23]<\/a>.<\/p>\n<p>Pois n\u00f3s nos damos ao luxo de deixar nossos jovens, rapazes e mo\u00e7as, sa\u00edrem desarmados, em tempos em que uma armadura nunca foi t\u00e3o necess\u00e1ria. Uma vez que ensinamos todos a ler, acabamos deixando-os \u00e0 merc\u00ea da palavra impressa. Com a inven\u00e7\u00e3o do r\u00e1dio e do cinema, temos a garantia de que nenhuma avers\u00e3o \u00e0 leitura os livrar\u00e1 de um incessante bombardeio de palavras, palavras e mais palavras. Eles n\u00e3o conhecem o significado dessas palavras; eles n\u00e3o sabem manter dist\u00e2ncia delas, nem desarm\u00e1-las, nem repudi\u00e1-las; s\u00e3o verdadeiras \u201cref\u00e9ns emocionais\u201d das palavras, ao inv\u00e9s de serem os seus mestres, pelo uso de suas faculdades mentais. Porque \u00e9 que n\u00f3s que, em 1940 nos escandalizamos de ver os homens sendo destacados para lutar contra tanques armados de metralhadoras, n\u00e3o nos escandalizamos de ver jovens, rapazes e mo\u00e7as, destacados para o mundo, para lutar contra a propaganda em massa, com um conhecimento limitado e superficial de &#8220;conte\u00fados&#8221;; e quando classes sociais e na\u00e7\u00f5es inteiras se deixam hipnotizar pelas artimanhas do encadernador de livros de feiti\u00e7os, n\u00f3s temos a descaramento de nos espantar. Damos esmolas para a educa\u00e7\u00e3o para provar que lhe damos import\u00e2ncia &#8211; atrav\u00e9s do trabalho volunt\u00e1rio e apenas ocasional, pequenas doa\u00e7\u00f5es de dinheiro; n\u00f3s prorrogamos a idade para encerramento dos estudos, e planejamos a constru\u00e7\u00e3o de escolas maiores e melhores; os professores escravizam-se deliberadamente, seja durante ou fora do hor\u00e1rio de aulas; e, no entanto, pelo que vejo, a devo\u00e7\u00e3o de todo esse esfor\u00e7o \u00e9 amplamente frustrada, devido ao fato de que termos perdido as ferramentas de estudo da educa\u00e7\u00e3o, e na falta delas, realizamos um servi\u00e7o malfeito e desconjuntado.<\/p>\n<p>QUE FAZER?<\/p>\n<p>O que, ent\u00e3o, fazer? N\u00e3o podemos regressar \u00e0 Idade M\u00e9dia. Este \u00e9 um lamento ao qual j\u00e1 nos acostumamos com. N\u00e3o podemos voltar atr\u00e1s- ser\u00e1 que n\u00e3o podemos mesmo? <em>Distinguo<\/em>! Vamos definir cada uma das partes dessa proposi\u00e7\u00e3o. Ser\u00e1 que a express\u00e3o &#8220;voltar atr\u00e1s&#8221;, \u00a0significa voltar<em> no tempo<\/em>, ou voltar atr\u00e1s em<em> um erro<\/em>? A primeira \u00e9 claramente imposs\u00edvel \u2018<em>per se<\/em>\u2019; a segunda \u00e9 algo que pessoas dotadas de sabedoria fazem o tempo todo. Ser\u00e1 que a express\u00e3o &#8220;n\u00e3o podemos&#8221;- significa que o nosso comportamento est\u00e1 irreversivelmente determinado, ou apenas, que tal coisa seria muito dif\u00edcil de acontecer, em vista da oposi\u00e7\u00e3o que provocaria? O s\u00e9culo vinte obviamente n\u00e3o \u00e9 e nem pode ser o s\u00e9culo catorze; mas se a &#8220;Idade M\u00e9dia&#8221;, neste contexto, for tratada simplesmente como uma frase pitoresca, que denota uma teoria educacional particular, ent\u00e3o parece n\u00e3o haver <em>a priori<\/em>, nenhuma raz\u00e3o porque n\u00e3o dev\u00eassemos &#8220;voltar&#8221; \u00a0a isso &#8211; com altera\u00e7\u00f5es. Por exemplo, j\u00e1 &#8220;voltamos&#8221; com altera\u00e7\u00f5es, para \u00e0 id\u00e9ia de apresentar pe\u00e7as de Shakespeare da forma como ele as escreveu, e n\u00e3o nas vers\u00f5es &#8220;modernizadas&#8221; de Cibber e Garrick, que j\u00e1 estrelaram como \u201c\u00faltima gera\u00e7\u00e3o\u201d do progresso teatral.<\/p>\n<p>Vamos nos divertir um pouco, imaginando que tal <em>regresso progressivo<\/em> fosse poss\u00edvel. Expurguemos completamente todas as autoridades educacionais da hist\u00f3ria, e mentalizemos uma bela escolinha de meninos e meninas, onde pud\u00e9ssemos equip\u00e1-las para o embate intelectual, ao longo de leituras selecionadas a dedo. N\u00f3s os dotar\u00edamos de \u00a0pais excepcionalmente d\u00f3ceis; recrutar\u00edamos para a equipe da nossa escola professores e mestres perfeitamente familiarizados com os m\u00e9todos e com o objetivo do <em>Trivium<\/em>. Nossa escola teria instala\u00e7\u00f5es f\u00edsicas tais, que possibilitassem turmas pequenas o bastante para quem gozem da aten\u00e7\u00e3o apropriada; e exigeremos uma Banca de Examinadores desejosos e qualificados para testar os produtos que lhes apresentarmos. Assim preparados tentaremos delinear um programa &#8211; um <em>Trivium<\/em> moderno, &#8220;com altera\u00e7\u00f5es&#8221;, e vejamos no que vai dar.<\/p>\n<p>Mas calma l\u00e1: que idade as crian\u00e7as deveriam ter? Bem, escolhermos leituras tipo \u201cnovela\u201d dos tempos modernos, era melhor que eles n\u00e3o tivessem nada para <em>desaprender<\/em>; al\u00e9m do mais, nunca \u00e9 tarde para come\u00e7ar algo bom, e o <em>Trivium<\/em>, por sua natureza n\u00e3o \u00e9 um <em>aprendizado<\/em>, mas uma <em>prepara\u00e7\u00e3o<\/em> para o aprendizado. A ordem, ent\u00e3o, \u00e9: &#8220;fisg\u00e1-los ainda crian\u00e7as&#8221;, exigindo de nossos pupilos nada mais do que a capacidade de ler, de escrever e contar.<\/p>\n<p>Admito que minhas id\u00e9ias sobre a psicologia infantil n\u00e3o s\u00e3o nem ortodoxas, nem iluminadas. Olhando para o meu pr\u00f3prio passado (uma vez que eu mesma sou a crian\u00e7a que melhor conhe\u00e7o e a \u00fanica, que eu posso pretender conhecer por dentro), consigo vislumbrar tr\u00eas est\u00e1gios de desenvolvimento. Designarei os mesmos, de forma bastante rudimentar, de \u2018Papagaio\u2019, \u2018Arrogante\u2019 e \u2018Po\u00e9tico\u2019 &#8211; este \u00faltimo coincidindo, aproximadamente, com a fase da puberdade. O est\u00e1gio \u2018Papagaio\u2019 \u00e9 aquele em que o decorar<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn24\">[24]<\/a> fica mais f\u00e1cil e, de uma maneira geral, mais prazeroso; enquanto que o racioc\u00ednio \u00e9 ainda dif\u00edcil e, de uma maneira geral, pouco prazeroso. Nessa idade, memorizamos com facilidade as formas e as apar\u00eancias das coisas; gostamos de recitar os n\u00fameros das placas de carros; divertimo-nos com rimas e ru\u00eddos guturais de poliss\u00edlabos inintelig\u00edveis; apreciamos o simples ac\u00famulo de coisas, enquanto o racioc\u00ednio \u00e9 penoso e pouco apreciado.<\/p>\n<p>A idade do \u2018Arrogante\u2019, que se segue (e, naturalmente, sobrep\u00f5e-se por algum tempo ao anterior), caracteriza-se pelo gosto pela contradi\u00e7\u00e3o, por revidar os outros, e &#8220;descobrir defeitos neles\u201d (especialmente nos \u201cmais velhos\u201d); al\u00e9m de propor charadas. Seu poder de irrita\u00e7\u00e3o \u00e9 extremamente alto. Em geral esse potencial se ameniza no n\u00edvel escolar m\u00e9dio.<\/p>\n<p>O est\u00e1gio \u2018Po\u00e9tico\u2019 \u00e9 popularmente conhecido como a idade &#8220;dif\u00edcil&#8221;. Nele o indiv\u00edduo se torna introvertido, tem forte necessidade de se expressar; torna-se, de certa forma, especialista em figurar como <em>o incompreendido<\/em>; \u00e9 incans\u00e1vel e procura sempre alcan\u00e7ar independ\u00eancia; e, se tiver sorte e um bom encaminhamento, deve dar os primeiros sinais de criatividade. Trata-se de uma fase de busca por uma s\u00edntese do que j\u00e1 se sabe, e uma \u00e2nsia deliberada de conhecer o mundo e fazer alguma coisa para torn\u00e1-lo melhor, em detrimento de tudo mais.<\/p>\n<p>Agora, parece-me que o esquema do <em>Trivium<\/em> se encaixa de forma singular a estas tr\u00eas idades: a Gram\u00e1tica, para a idade do \u2018Papagaio\u2019; a Dial\u00e9tica, para a idade \u2018Arrogante\u2019 e a Ret\u00f3rica para a idade \u2018Po\u00e9tica\u2019.<\/p>\n<p>O EST\u00c1GIO DA GRAM\u00c1TICA<\/p>\n<p>Vamos come\u00e7ar, ent\u00e3o, pela Gram\u00e1tica. Na pr\u00e1tica, estamos nos referindo \u00e0 gram\u00e1tica de uma l\u00edngua espec\u00edfica; mas precisa ser um idioma que tenha declina\u00e7\u00f5es. A estrutura gramatical de um idioma sem declina\u00e7\u00f5es \u00e9 anal\u00edtica demais para ser tratada por algu\u00e9m desprovido uma pr\u00e1tica pr\u00e9via em Dial\u00e9tica.\u00a0 Sem falar que as l\u00ednguas com declina\u00e7\u00f5es traduzem bem aquelas sem declina\u00e7\u00f5es, enquanto que as que n\u00e3o t\u00eam declina\u00e7\u00f5es, s\u00e3o de pouco proveito para a tradu\u00e7\u00e3o daquelas que t\u00eam. Direi logo de uma vez, e com firmeza, que n\u00e3o h\u00e1 melhor fundamento para a educa\u00e7\u00e3o, do que a gram\u00e1tica latina. Digo isso, n\u00e3o porque o Latim seja <em>tradicional<\/em> e <em>medieval<\/em>, mas simplesmente porque at\u00e9 o conhecimento de rudimentos do Latim pode reduzir ao menos pela metade o trabalho e as dores da aprendizagem de quase qualquer outra coisa. Ele \u00e9 a chave para o vocabul\u00e1rio e para a estrutura de todos os idiomas teut\u00f4nicos<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn25\">[25]<\/a>, bem como, para o vocabul\u00e1rio t\u00e9cnico de todas as ci\u00eancias, sem falar da literatura de toda civiliza\u00e7\u00e3o mediterr\u00e2nea, incluindo todos os seus documentos hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p>Aqueles cuja prefer\u00eancia pedante por uma linguagem viva os persuade a privar seus alunos de todas essas vantagens, poder\u00e3o substitu\u00ed-lo pelo Russo, cuja gram\u00e1tica \u00e9 ainda mais primitiva do que a do Latim. \u00c9 claro que o Russo \u00e9 \u00fatil para o aprendizado dos demais dialetos Eslavos. Mas h\u00e1 algo a ser dito tamb\u00e9m em favor do Grego Cl\u00e1ssico. No entanto, dou prefer\u00eancia ao Latim. Depois de ter satisfeito aos classicistas<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn26\">[26]<\/a> entre voc\u00eas, passarei agora a horroriz\u00e1-los, acrescentando que n\u00e3o considero s\u00e1bio ou necess\u00e1rio amarrar o pupilo comum, o aluno m\u00e9dio, ao \u201ctronco da era da Casa Grande e Senzala&#8221;<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn27\">[27]<\/a>, com suas formas de verso e orat\u00f3ria t\u00e3o artificiais e elaboradas. O Latim P\u00f3s-Cl\u00e1ssico e medieval, que se manteve l\u00edngua viva at\u00e9 fins da Renascen\u00e7a, \u00e9 mais f\u00e1cil e, sob alguns aspectos, mais vivo; seu estudo ajuda a dissolver a no\u00e7\u00e3o muito disseminada, de que a pr\u00e1tica do estudo e a literatura tiveram um fim abrupto por ocasi\u00e3o do nascimento de Cristo e somente foram reanimados quando da invas\u00e3o dos Mosteiros.<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn28\">[28]<\/a><\/p>\n<p>Deve-se ensinar o latim o mais cedo poss\u00edvel &#8211; num est\u00e1gio em que a l\u00edngua dotada de declina\u00e7\u00f5es parece n\u00e3o espantar mais, do que qualquer outro fen\u00f4meno em um mundo que causa cosntante espanto; e em que cantarolar &#8220;<em>Amo, amas, amat<\/em>&#8221; \u00e9 t\u00e3o ritual\u00edsticamente encantador para os sentimentos, quanto cantarolar \u201cEu amo, tu amas, ele ama&#8230;\u201d.<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn29\">[29]<\/a><\/p>\n<p>Nessa idade, \u00e9 claro que \u00e9 preciso exercitar a mente para outras coisas, al\u00e9m da gram\u00e1tica latina. A capacidade de <em>observa\u00e7\u00e3o<\/em> e a<em> mem\u00f3ria <\/em>s\u00e3o as faculdades mais vivas naquele est\u00e1gio; e se quisermos aprender alguma l\u00edngua estrangeira contempor\u00e2nea, devemos come\u00e7ar logo, antes que os m\u00fasculos faciais e mentais se tornem rebelde demais a sons estranhos. O Franc\u00eas ou o Alem\u00e3o falados, podem ser praticados lado a lado com a disciplina gramatical do Latim.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o ingl\u00eas em prosa e verso, poder\u00e1 ser \u2018decorado\u2019 e a mem\u00f3ria do aluno\u00a0 dever\u00e1 ser alimentada com um bom estoque de est\u00f3rias de todos os g\u00eaneros &#8211; mitos cl\u00e1ssicos, lendas europ\u00e9ias, e assim por diante<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn30\">[30]<\/a>. N\u00e3o acredito que as est\u00f3rias cl\u00e1ssicas e obras primas da literatura antiga devessem ser as cobaias da pr\u00e1tica de t\u00e9cnicas gramaticais &#8211; essa foi um dos equ\u00edvocos da educa\u00e7\u00e3o medieval, que n\u00e3o necessitamos perpetuar. As est\u00f3rias devem ser apreciadas e relembradas em ingl\u00eas, associadas \u00e0s suas origens, num est\u00e1gio subseq\u00fcente. A recita\u00e7\u00e3o em voz alta deve ser praticada, individualmente ou em grupo; pois n\u00e3o podemos esquecer que estamos lan\u00e7ando os alicerces para o desenvolvimento do senso cr\u00edtico e da Ret\u00f3rica.<\/p>\n<p>A gram\u00e1tica da Hist\u00f3ria<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn31\">[31]<\/a> deve, penso eu, consistir em datas, eventos, anedotas, e\u00a0 personalidades. Ter um conjunto de datas \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, nas quais fixar todo conhecimento hist\u00f3rico posterior. \u00e9 de enorme ajuda mais para frente, para o estabelecimento da perspectiva hist\u00f3rica. N\u00e3o importa muito <em>quais<\/em> sejam essas datas: a dos Reis da Inglaterra servir\u00e1, desde que seja acompanhada de imagens<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn32\">[32]<\/a> que retratam o vestu\u00e1rio, da arquitetura e outras figuras do cotidiano da \u00e9poca, de forma que a simples men\u00e7\u00e3o de uma data remeta a uma apresenta\u00e7\u00e3o visual bem marcante de todo o per\u00edodo.<\/p>\n<p>A Geografia, semelhantemente dever\u00e1 ser apresentada em seu aspecto relativo aos fatos, com mapas, caracter\u00edsticas naturais, e apresenta\u00e7\u00e3o visual dos costumes, trajes, flora, fauna, e assim por diante; e tenho para mim que a velha e suspeita <em>memoriza\u00e7\u00e3o<\/em> de um par de cidades, rios, cordilheiras, etc., n\u00e3o faz mal a ningu\u00e9m. E por que n\u00e3o tamb\u00e9m encorajar o h\u00e1bito de cole\u00e7\u00e3o de selos?<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn33\">[33]<\/a><\/p>\n<p>No per\u00edodo do \u2018Papagaio\u2019, a ci\u00eancia se organiza de maneira mais f\u00e1cil e natural em torno de classifica\u00e7\u00f5es &#8211; a identifica\u00e7\u00e3o e nomea\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies e, de uma maneira geral,\u00a0 o tipo de coisa que se costuma chamar de &#8220;filosofia natural&#8221;. Conhecer o nome e propriedades das coisas nesse est\u00e1gio, representa uma satisfa\u00e7\u00e3o em si: ser capaz de identificar um besouro \u00e0 primeira vista<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn34\">[34]<\/a> no jardim e de garantir aos mais velhos ignorantes que, apesar de sua apar\u00eancia, ele n\u00e3o pica; ser capaz de identificar uma Cassiop\u00e9ia e a Pl\u00eaiades<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn35\">[35]<\/a>, e quem sabe at\u00e9 saber <em>quem foram <\/em>Cassiop\u00e9ia e Pl\u00eaiades; estar ciente de que uma baleia \u00e9 diferente de um peixe, e um morcego \u00e9 diferente de um p\u00e1ssaro &#8211; todas estas coisas d\u00e3o uma agrad\u00e1vel sensa\u00e7\u00e3o de superioridade; enquanto saber diferenciar uma cobra coral de uma v\u00edbora comum ou um fungo comest\u00edvel de um venenoso \u00e9 uma esp\u00e9cie de conhecimento que tem tamb\u00e9m seu valor pr\u00e1tico.<\/p>\n<p>A gram\u00e1tica da Matem\u00e1tica come\u00e7a, \u00e9 claro, pela tabuada, que, se n\u00e3o for aprendida j\u00e1, nunca mais o ser\u00e1 de maneira prazerosa; sem falar do reconhecimento de formas geom\u00e9tricas e conjuntos de n\u00fameros. Esses exerc\u00edcios conduzem naturalmente \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de somas aritm\u00e9ticas simples. Os processos matem\u00e1ticos mais complexos poder\u00e3o e talvez devessem ser postergados, por raz\u00f5es que apresentaremos agora.<\/p>\n<p>At\u00e9 aqui (exceto pelo Latim, \u00e9 claro), nosso curr\u00edculo n\u00e3o tem nada que se distancie muito da pr\u00e1tica comum [nos pa\u00edses de fala inglesa]. A diferen\u00e7a dever\u00e1 ser percebida pela <em>atitude <\/em>dos professores, que devem encarar todas estas atividades menos como &#8220;conte\u00fados&#8221; em si, e mais como uma s\u00e9rie de materiais que podem ser aproveitados na pr\u00f3xima etapa, o <em>Trivium<\/em>. Que tipo de materiais s\u00e3o esses n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o importante; trata-se antes de tudo e de qualquer coisa que venha a ser \u00fatil armazenar na mem\u00f3ria ao longo desse per\u00edodo, seja coisa imediatamente intelig\u00edvel ou n\u00e3o. A tend\u00eancia moderna \u00e9 tentar impor explica\u00e7\u00f5es racionais \u00e0 mente da crian\u00e7a, j\u00e1 na mais tenra idade. \u00c9 claro que perguntas inteligentes, que surjam de forma espont\u00e2nea, devem receber respostas prontas e racionais; mas \u00e9 um grande erro supor que uma crian\u00e7a n\u00e3o seja capaz de apreciar e lembrar de coisas que est\u00e3o al\u00e9m do seu poder de an\u00e1lise &#8211; particularmente se todas aquelas que t\u00eam forte apelo imaginativo (como, por exemplo, &#8220;Kubla Kahn&#8221;)<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn36\">[36]<\/a>, uma rima atraente (como algumas das rimas para memoriza\u00e7\u00e3o do g\u00eanero <em>latino<\/em>), ou uma rica s\u00e9rie de poliss\u00edlabas retumbantes (como &#8220;Quicunque vult&#8221;<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn37\">[37]<\/a>).<\/p>\n<p>Isto me faz lembrar da gram\u00e1tica de Teologia. Devo acrescent\u00e1-la ao curr\u00edculo, porque a Teologia \u00e9 a ci\u00eancia-mestra sem a qual toda a estrutura educacional ficar\u00e1 necessariamente desprovida de sua s\u00edntese final. Quem discorda desse ponto, ter\u00e1 que contentar-se com uma educa\u00e7\u00e3o solta, cheia de indefini\u00e7\u00f5es para seus alunos. Isso parece j\u00e1 n\u00e3o ter tanta import\u00e2ncia quanto deveria, j\u00e1 que, nos tempos em que as ferramentas de estudo da educa\u00e7\u00e3o foram forjadas, o estudante ainda era capaz de lidar com a Teologia por si mesmo, e provavelmente insistia nisso, porque fazia sentido para ele. Mas ainda hoje, \u00e9 bom termos esse debate \u00e0 m\u00e3o e pronto para ser trabalhado pela raz\u00e3o<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn38\">[38]<\/a>. No est\u00e1gio gramatical, portanto, devemos nos familiarizar com um panorama da hist\u00f3ria de <em>Deus e o Mundo<\/em> &#8211; isto \u00e9, incluindo o Antigo e o Novo Testamento, que seja apresentado como parte de uma narrativa singular da <em>Cria\u00e7\u00e3o,<\/em>\u00a0 <em>Queda<\/em>, e <em>Reden\u00e7\u00e3o<\/em> \u2013 da mesma forma que o <em>Credo<\/em>, o <em>Pai Nosso<\/em>, e os <em>Dez Mandamentos<\/em>. Neste est\u00e1gio inicial, o que importa n\u00e3o \u00e9 que estas coisas sejam compreendidas por inteiro, mas que elas sejam conhecidas e lembradas.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O EST\u00c1GIO DA L\u00d3GICA<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil dizer, com precis\u00e3o, com que idade dever\u00edamos passar da primeira para a segunda etapa do <em>Trivium<\/em>. De uma maneira geral, a resposta \u00e9: assim que o aluno se mostrar pronto para \u2018arrojadas\u2019 e intermin\u00e1veis argumenta\u00e7\u00f5es. Pois, da mesma forma que as faculdades predominantes na primeira parte s\u00e3o a <em>observa\u00e7\u00e3o<\/em> e a <em>mem\u00f3ria<\/em>, na segunda parte, a faculdade predominante \u00e9 a <em>raz\u00e3o discursiva<\/em>. Na primeira, era a <em>Gram\u00e1tica Latina<\/em> \u00a0o exerc\u00edcio ao qual todo o restante do material estava, por assim dizer, atrelado; na segunda, o exerc\u00edcio-chave ser\u00e1 o da <em>L\u00f3gica Formal<\/em>. \u00c9 aqui que o nosso curr\u00edculo apresenta sua primeira diverg\u00eancia acentuada em rela\u00e7\u00e3o aos padr\u00f5es modernos. A perda de reputa\u00e7\u00e3o da L\u00f3gica Formal n\u00e3o tem justificativa; e a neglig\u00eancia com rela\u00e7\u00e3o a ela est\u00e1 na raiz de quase todos os sintomas preocupantes que notamos na constitui\u00e7\u00e3o da intelectualidade moderna. A L\u00f3gica tem sido desacreditada, em parte, porque passamos a supor que somos quase que totalmente condicionados pelo inconsciente e pelo intuitivo. N\u00e3o h\u00e1 tempo aqui para discutirmos se isso \u00e9 verdade ou n\u00e3o; minha constata\u00e7\u00e3o \u00e9 que a prepara\u00e7\u00e3o apropriada da raz\u00e3o \u00e9, com certeza, a melhor forma poss\u00edvel de torn\u00e1-lo verdade. Outra causa do estado de desgra\u00e7a em que a L\u00f3gica caiu \u00e9 a cren\u00e7a de que ela seja inteiramente baseada em pressuposi\u00e7\u00f5es universais que costumam ser ou <em>improv\u00e1veis<\/em> ou <em>redundantes<\/em><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn39\">[39]<\/a>. Isto n\u00e3o \u00e9 verdade. Nem todas as proposi\u00e7\u00f5es s\u00e3o desse tipo. Mas mesmo se fossem, n\u00e3o faria diferen\u00e7a, j\u00e1 que cada silogismo que parte de uma premissa do tipo &#8220;Todo \u2018A\u2019 \u00e9 \u2018B\u2019&#8221; pode ser reapresentado de forma hipot\u00e9tica<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn40\">[40]<\/a>. A l\u00f3gica \u00e9 a arte da arg\u00fci\u00e7\u00e3o correta: &#8220;Se \u2018A\u2019, ent\u00e3o \u2018B\u2019&#8221;. O m\u00e9todo n\u00e3o se valida pela natureza hipot\u00e9tica de \u2018A\u2019. Na verdade, a utilidade pr\u00e1tica da L\u00f3gica Formal hoje n\u00e3o est\u00e1 tanto no estabelecimento de conclus\u00f5es positivas, mas antes na detec\u00e7\u00e3o imediata e exposi\u00e7\u00e3o de infer\u00eancia inv\u00e1lida.<\/p>\n<p>Revisemos agora, rapidamente, nosso material e vejamos o quanto ele est\u00e1 relacionado com a Dial\u00e9tica. Sob o aspecto da Linguagem, deveremos ter desenvolvido um vocabul\u00e1rio e morfologia na ponta da l\u00edngua; daqui para a frente poderemos ent\u00e3o nos concentrar na sintaxe, na an\u00e1lise (por exemplo, na constru\u00e7\u00e3o l\u00f3gica do pronunciamento) e na hist\u00f3ria da linguagem (por exemplo, como \u00e9 que viemos a organizar a nossa l\u00edngua da forma como o fizemos, a fim de expressar nossas id\u00e9ias).<\/p>\n<p>Nossas leituras progredir\u00e3o da narrativa e do lirismo para ensaios, debate e cr\u00edtica; e o aluno aprender\u00e1 a aventurar-se em escrever esse tipo de coisa. Muitas li\u00e7\u00f5es \u2013 n\u00e3o importa o assunto &#8211; ter\u00e3o a forma de debate; e ao inv\u00e9s de recita\u00e7\u00f5es, individuais ou em grupo, haver\u00e1 apresenta\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas, com aten\u00e7\u00e3o especial para pe\u00e7as em que um debate seja apresentado de forma dram\u00e1tica.<\/p>\n<p>A Matem\u00e1tica &#8211; a \u00e1lgebra, a geometria e os mais avan\u00e7ados tipos de aritm\u00e9tica &#8211; entrar\u00e3o agora no curr\u00edculo e ter\u00e3o seu lugar pelo que s\u00e3o de fato: n\u00e3o como uma &#8220;mat\u00e9ria&#8221; separada, mas com um sub-departamento da L\u00f3gica. \u00c9 nada mais nada menos do que a regra do silogismo, em sua aplica\u00e7\u00e3o particular a n\u00fameros e medidas; e \u00e9 assim que deveria ser ensinada, ao inv\u00e9s de representar, para uns, um grande mist\u00e9rio; e, para outros, revela\u00e7\u00e3o especial, nem iluminando, nem sendo iluminada por qualquer outra parte do conhecimento.<\/p>\n<p>A Hist\u00f3ria, auxiliada por um sistema simples de \u00e9tica derivado da gram\u00e1tica teol\u00f3gica, prover\u00e1 muito material apropriado para discuss\u00e3o: Ser\u00e1 que o comportamento deste estadista teve \u00a0justificativa? Qual foi o efeito da promulga\u00e7\u00e3o de lei como esta? Quais s\u00e3o os argumentos pr\u00f3 e contra esta ou aquela forma de governo? Deveremos, assim, obter uma introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria constitucional &#8211; um assunto que n\u00e3o tem qualquer significado para crian\u00e7as pequenas, mas que \u00e9 de \u00a0interesse absorvente para aquelas que foram preparadas para arg\u00fcir e debater. A pr\u00f3pria Teologia fornecer\u00e1 alimento para discuss\u00f5es sobre moral e conduta; e se o seu escopo fosse estendido por um simples curso de teologia dogm\u00e1tica (por exemplo, a estrutura racional do pensamento Crist\u00e3o), esclarecendo as rela\u00e7\u00f5es entre dogma e \u00e9tica, e emprestando-se a si mesma \u00e0quela aplica\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios \u00e9ticos em situa\u00e7\u00f5es particulares, o que \u00e9 apropriadamente chamado casu\u00edsmo. A Ci\u00eancia e a Geografia, semelhantemente, fornecer\u00e3o material para a Dial\u00e9tica.<br \/>\nMas acima de tudo, n\u00e3o devemos negligenciar o material que \u00e9 t\u00e3o abundante na vida cotidiana do pr\u00f3prio aluno.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma deliciosa passagem no livro de Leslie Paul intitulado &#8220;The Living Hedge&#8221; (A Cerca-Viva), que conta a hist\u00f3ria de um grupo de garotos, que se divertiu por dias a fio, discutindo uma pancada de chuva que ca\u00edra na sua cidade &#8211; uma chuva t\u00e3o localizada que molhou s\u00f3 metade da rua principal, deixando a outra seca. Come\u00e7aram ent\u00e3o a discutir, se era poss\u00edvel algu\u00e9m afirmar com raz\u00e3o, que <em>sequer<\/em> havia chovido na rua, ou de passagem <em>pela<\/em> rua, ou numa <em>parte<\/em> da rua, naquele dia? Quantas gotas de \u00e1gua eram necess\u00e1rias para se constituir em pancada de chuva? E por a\u00ed afora. O debate sobre esse assunto levou a um sem-n\u00famero de situa\u00e7\u00f5es similares, a respeito do movimento e do repouso; do sono e da vig\u00edlia; \u2018ser\u2019 ou \u00a0\u2018n\u00e3o ser\u2019, e a divis\u00e3o infinitesimal do tempo. O trecho todo \u00e9 um exemplo admir\u00e1vel do desenvolvimento espont\u00e2neo da faculdade de racioc\u00ednio e da sede natural e apropriada pelo despertar da raz\u00e3o, para a defini\u00e7\u00e3o de termos e para a exatid\u00e3o de enunciados. Eventos dessa natureza representam alimento constante para tal apetite.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o de um juiz numa partida; o grau at\u00e9 onde algu\u00e9m pode transgredir o esp\u00edrito de uma lei, sem ser pego pela letra da lei: em quest\u00f5es como estas, as crian\u00e7as s\u00e3o criadoras de caso natas. Sua propens\u00e3o natural s\u00f3 precisa ser desenvolvida e treinada &#8211; e em especial, trazida at\u00e9 um estado de relacionamento intelig\u00edvel com os eventos do mundo adulto. Os jornais est\u00e3o repletos de bom material para tais exerc\u00edcios: decis\u00f5es legais, por um lado, em casos onde o motivo em quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 por demais nebuloso; e por outro, seria poss\u00edvel citar in\u00fameros exemplos de racioc\u00ednio falacioso e argumentos confusos, nas colunas de opini\u00e3o do leitor de certos peri\u00f3dicos.<\/p>\n<p>Onde quer que se ache assunto para a Dial\u00e9tica, \u00e9 claro que \u00e9 extremamente importante chamar a aten\u00e7\u00e3o para a beleza e parcim\u00f4nia de uma excelente demonstra\u00e7\u00e3o ou de um argumento bem constru\u00eddo, do contr\u00e1rio, a rever\u00eancia acabar\u00e1 sendo completamente extinta. A cr\u00edtica n\u00e3o deve ser meramente destrutiva; embora professor e alunos, ambos devam estar prontos ao mesmo tempo para detectar fal\u00e1cias, tendenciosidades, racioc\u00ednios descuidados, ambig\u00fcidades, irrelev\u00e2ncias e redund\u00e2ncias; devem ca\u00e7\u00e1-los como a ratos. Quem sabe este n\u00e3o seja o momento mais apropriado para se propor uma resenha; junto com exerc\u00edcios, como o de produ\u00e7\u00e3o de um ensaio, e um resumo do mesmo.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida haver\u00e1 quem levantasse a obje\u00e7\u00e3o de que encorajar pessoas jovens na idade \u2018Arrogante\u2019 a encarar, corrigir e discutir com os mais velhos far\u00e1 com se que tornem perfeitamente insuport\u00e1veis. Minha resposta a isso \u00e9 que crian\u00e7as nessa fase, j\u00e1 s\u00e3o imposs\u00edveis de qualquer forma; e que a sua capacidade natural de argumenta\u00e7\u00e3o pode ser canalizada para um bom prop\u00f3sito, ou ent\u00e3o pode ser desperdi\u00e7ada e esva\u00edda como areia entre os dedos. Na verdade, essas coisas se tornam bem mais suport\u00e1veis em casa, se forem disciplinadas na escola; em todo caso, os mais velhos que abandonaram o salutar princ\u00edpio de que crian\u00e7as devem ser vistas, mas n\u00e3o ouvidas, n\u00e3o podem reclamar de nada.<\/p>\n<p>Digo e repito, nesse est\u00e1gio n\u00e3o importa o conte\u00fado programado. Qualquer &#8220;assunto&#8221; oferecer\u00e1 substrato suficiente para o debate; mas ele deve ser visto como nada mais, do que pasto a ser ruminado pela mente. Os alunos devem ser encorajados a ir e buscar a sua pr\u00f3pria informa\u00e7\u00e3o; e ent\u00e3o, devem ser orientados para o uso apropriado dos livros de refer\u00eancia e das bibliotecas, e a aprender a reconhecer quais fontes s\u00e3o confi\u00e1veis e de excel\u00eancia, e quais n\u00e3o.<\/p>\n<p>O EST\u00c1GIO DA RET\u00d3RICA<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Ao chegar perto do encerramento do Est\u00e1gio da L\u00f3gica, os alunos provavelmente come\u00e7ar\u00e3o a descobrir por si mesmos, que o seu conhecimento e a sua experi\u00eancia s\u00e3o insuficientes, e que a sua j\u00e1 versada intelig\u00eancia necessita de muito mais substrato para ruminar. A imagina\u00e7\u00e3o &#8211; usualmente adormecida durante a idade \u2018Arrogante\u2019 &#8211; despertar\u00e1 e os incitar\u00e1 a suspeitar das limita\u00e7\u00f5es da l\u00f3gica e da raz\u00e3o. Isto significa que est\u00e3o adentrando a idade \u2018Po\u00e9tica\u2019 e que est\u00e3o prontos para embarcar no estudo da Ret\u00f3rica. As portas do armaz\u00e9m do conhecimento devem agora ser-lhes abertas de par em par para entrarem e fartarem-se o quanto quiserem. Uma vez aprendidas pela repeti\u00e7\u00e3o as coisas agora ser\u00e3o vistas em contextos novos; tudo aquilo uma vez analisado friamente, poder\u00e1 agora ser reunido numa s\u00edntese inteiramente nova; aqui e ali uma percep\u00e7\u00e3o repentina trar\u00e1 \u00e0 tona a mais arrebatadora de todas as descobertas: a consci\u00eancia de que o que parecia verdade \u00e9 verdade mesmo!<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil de mapear qualquer programa geral para o estudo da Ret\u00f3rica: \u00e9 necess\u00e1rio \u00a0certo grau de liberdade. Na literatura \u00e9 necess\u00e1rio reconquistar o predom\u00ednio da aprecia\u00e7\u00e3o sobre uma cr\u00edtica destrutiva; e na escrita, pode-se dar curso livre \u00e0 express\u00e3o, agora com ajuda de ferramentas afiadas para ser \u201cpodada\u201d de forma limpa e em justa propor\u00e7\u00e3o. Qualquer crian\u00e7a que apresente certa propens\u00e3o para se especializar deve ter seu desejo realizado: pois quando o uso das ferramentas tiver sido aprendido da maneira justa e certa, elas estar\u00e3o dispon\u00edveis para o estudo e aprendizado do que quer que seja. Acredito ser bom, que cada aluno aprenda a lidar muito bem com ao menos uma, ou duas disciplinas, desde que tenha algumas aulas extras em mat\u00e9rias subsidi\u00e1rias, de forma a manter a sua mente aberta ao inter-relacionamento<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn41\">[41]<\/a> de todos campos do conhecimento. De fato, neste est\u00e1gio, o dif\u00edcil \u00e9 manter as &#8220;disciplinas&#8221; separadas uma da outra; pois a Dial\u00e9tica ter\u00e1 mostrado serem todas \u201cramos\u201d do aprendizado em intera\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o a Ret\u00f3rica tender\u00e1 a mostrar que o conhecimento \u00e9 um s\u00f3. Essa revela\u00e7\u00e3o e o porqu\u00ea dela \u00e9 a tarefa mais importante dessa ci\u00eancia mestra. \u00a0<\/p>\n<p>Entretanto, independente de a teologia ser ou n\u00e3o estudada, n\u00f3s dever\u00edamos insistir que as crian\u00e7as que aparentam estar inclinadas a se especializarem no campo cient\u00edfico e matem\u00e1tico sejam obrigadas<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn42\">[42]<\/a> a ter algumas li\u00e7\u00f5es de disciplinas do campo das ci\u00eancias humanas, e vice-versa. Tamb\u00e9m, neste est\u00e1gio, a gram\u00e1tica latina, havendo completado seu trabalho, pode ser posta em segundo plano por aqueles que preferirem continuar seus estudos em idiomas do mundo moderno; enquanto que \u00e0queles que provavelmente n\u00e3o venham a ter uma grande serventia ou aptid\u00e3o para matem\u00e1tica, tamb\u00e9m lhes seja permitido, por assim dizer, \u201cdescansar as chuteiras\u201d.<\/p>\n<p>De modo geral, qualquer conte\u00fado que se mostre como \u201cgordura\u201d, pode agora ser posto em segundo plano, para que a mente passe a ser gradualmente preparada para a especializa\u00e7\u00e3o naquelas outras &#8220;disciplinas&#8221;. Assim, quando o <em>Trivium<\/em> estiver completado, ela estar\u00e1 perfeitamente bem equipada para cuidar de si mesma. A s\u00edntese final do <em>Trivium<\/em> &#8211; a apresenta\u00e7\u00e3o e a defesa p\u00fablica de uma monografia &#8211; deveria ser de alguma forma resgatada; quem sabe na forma de uma esp\u00e9cie de &#8220;exame final&#8221; durante o \u00faltimo semestre escolar.<\/p>\n<p>O escopo da Ret\u00f3rica tamb\u00e9m vai depender da idade em que o aluno ser\u00e1 \u201capresentado ao mundo\u201d, se aos 16 anos, ou se ele prosseguir\u00e1 para a universidade. Considerando que, na realidade, a <em>Ret\u00f3rica<\/em> deva ser abordada mais ou menos aos 14 anos de idade, os alunos da primeira categoria estudariam a <em>Gram\u00e1tica<\/em> dos 9 at\u00e9 os 11 anos; e <em>Dial\u00e9tica<\/em> dos 12 aos 14 anos; assim os seus dois \u00faltimos anos na escola seriam devotados \u00e0 <em>Ret\u00f3rica<\/em>. Nesse caso, ela seria bastante especializada e vocacional, preparando o aluno para o ingresso imediato em alguma carreira pr\u00e1tica. O aluno da segunda categoria terminaria seu curso em <em>Dial\u00e9tica<\/em> na escola preparat\u00f3ria, e teria aulas de <em>Ret\u00f3rica<\/em> nos primeiros dois anos da escola p\u00fablica. Aos 16 anos, ele estaria pronto para come\u00e7ar com aquelas &#8220;mat\u00e9rias&#8221; que s\u00e3o propostas para preparar o estudo na universidade: e esta parte da sua educa\u00e7\u00e3o corresponderia ao <em>Quadrivium<\/em> medieval. Isso equivale a dizer que o aluno regular, normal, cuja educa\u00e7\u00e3o formal termina aos 16, ter\u00e1 passado somente pelo <em>Trivium<\/em>; enquanto que os acad\u00eamicos ter\u00e3o ambos, o <em>Trivium<\/em> e o <em>Quadrivium<\/em>.<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn43\">[43]<\/a><\/p>\n<p>EM DEFESA DO TRIVIUM<\/p>\n<p>Seria o <em>Trivium<\/em>, ent\u00e3o, uma educa\u00e7\u00e3o suficiente para a vida? Ensinado de maneira apropriada, eu creio que n\u00e3o s\u00f3<em> pode<\/em> como <em>deve ser.<\/em> Ao final do est\u00e1gio da Dial\u00e9tica, as crian\u00e7as provavelmente parecer\u00e3o estar muito atrasadas em rela\u00e7\u00e3o aos colegas que foram educados conforme os bons e velhos m\u00e9todos &#8220;modernos&#8221;, pelo menos, no que diz respeito ao conhecimento detalhado de disciplinas espec\u00edficas. Mas depois dos 14 anos eles dever\u00e3o ser capazes de superar os outros com facilidade. N\u00e3o estou defendendo que um aluno, que tenha atingido profici\u00eancia completa no <em>Trivium<\/em> seja capaz de prosseguir imediatamente para a universidade, aos16 anos de idade, provando assim estar \u00e0 altura de seus colegas medievais, cuja precocidade tanto elogiamos no in\u00edcio desta discuss\u00e3o. Isto, com certeza, jogaria \u00e0s tra\u00e7as todo sistema de escola p\u00fablica brit\u00e2nico, e desconcertaria em muito as universidades. Isto mudaria muitas coisas como, por exemplo, as competi\u00e7\u00f5es a remo entre Oxford e Cambridge<a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn44\">[44]<\/a>.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o estou aqui para me preocupar com os sentimentos dos docentes: preocupo-me apenas com a prepara\u00e7\u00e3o mais apropriada da mente, para encarar e lidar com o volume vertiginoso de problemas indigestos que o mundo moderno lhe apresenta. Pois as ferramentas de estudo da educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o as mesmas para todos e para qualquer disciplina; e a pessoa de qualquer idade, que souber manej\u00e1-las, se tornar\u00e1 mestre de uma disciplina nova, na metade do tempo e com um quarto do esfor\u00e7o despendido pela pessoa que n\u00e3o tem essas ferramentas sob seu controle. \u00a0Quem j\u00e1 deu conta de seis mat\u00e9rias, sem lembrar <em>como<\/em> foi que as aprendeu, n\u00e3o ter\u00e1 como facilitar a abordagem de uma s\u00e9tima. Quem <em>aprendeu<\/em> e se lembra da <em>arte de aprender<\/em> faz com que cada nova mat\u00e9ria, cada novo assunto seja um livro aberto.<\/p>\n<p>Antes de concluir estas sugest\u00f5es que tiveram que ser bastante esquem\u00e1ticas, preciso explicar o motivo porque julgo necess\u00e1rio, nos dias de hoje, voltar a falar numa disciplina, que t\u00ednhamos descartado. A verdade \u00e9 que passamos os \u00faltimos trezentos anos mais ou menos, vivendo do nosso capital educacional acumulado. O mundo p\u00f3s renascentista, confuso e aturdido pela profus\u00e3o de novas &#8220;conte\u00fados&#8221; que lhe foram sendo oferecidos, afastou-se da velha <em>disciplina<\/em><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftn45\">[45]<\/a> (que, na verdade, tinha se tornado miseravelmente ma\u00e7ante e estereotipada em sua aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica), imaginando que daqui para frente pudesse brincar com o seu novo e ampliado <em>Quadrivium,<\/em> feliz da vida, sem ter passado pelo <em>Trivium<\/em>. Mas a tradi\u00e7\u00e3o escol\u00e1stica, embora mutilada e distorcida, ainda perdura nas escolas p\u00fablicas e universidades: Milton, por mais que tenha protestado contra ela, foi formado por ela &#8211; o debate sobre Anjos Ca\u00eddos e a disputa de Abdiel com Sat\u00e3 carregam nelas as marcas das suas respectivas Escolas, e pode, de repente, figurar positivamente como textos indispens\u00e1veis aos nossos estudos Dial\u00e9ticos. At\u00e9 o s\u00e9culo dezenove, o debate a respeito da coisa p\u00fablica; os livros e as revistas eram liderados ou escritos por pessoas educadas em casas, e treinadas em lugares, onde aquela tradi\u00e7\u00e3o ainda estava viva na mem\u00f3ria e quase que no sangue. Tanto, que muitas pessoas de hoje, que se dizem ateus ou agn\u00f3sticas, no que tange \u00e0 religi\u00e3o, conduzem suas vidas de acordo com um c\u00f3digo de \u00e9tica Crist\u00e3o, com ra\u00edzes t\u00e3o profundas que nunca lhes ocorreu question\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Mas ningu\u00e9m pode viver de capital acumulado para sempre. Por mais s\u00f3lidas que sejam as ra\u00edzes de uma tradi\u00e7\u00e3o, se ela nunca for regada com \u00e1gua fresca, ela morre, e morre com firmeza. Hoje em dia um grande n\u00famero &#8211; talvez a maioria &#8211; dos homens e mulheres, formadores de opini\u00e3o, que escrevem nossos livros e nossos jornais, que conduzem nossas pesquisas, que atuam em nossas pe\u00e7as teatrais e nossos filmes, que nos falam das plataformas e dos p\u00falpitos &#8211; sim, e que educam nossos jovens &#8211; t\u00eam uma lembran\u00e7a, ainda que vaga, de ter experimentado a <em>disciplina<\/em> Escol\u00e1stica. \u00c9 cada vez mais raro ver as crian\u00e7as trazendo consigo qualquer tra\u00e7o daquela tradi\u00e7\u00e3o para a sua forma\u00e7\u00e3o. Dispensamos as ferramentas de estudo da educa\u00e7\u00e3o \u00a0&#8211; o machado e a cunha, o martelo e a serra, o cinzel e a plaina &#8211; que eram t\u00e3o adapt\u00e1veis a todo o tipo de tarefa. Em seu lugar, restou-nos nada mais do que um conjunto de gabaritos complicados, cada qual servindo somente para uma prova apenas e nada mais; nem o olho nem a m\u00e3o recebem qualquer prepara\u00e7\u00e3o para seu uso, de modo que ningu\u00e9m jamais consiga mais enxergar o trabalho como um todo ou &#8220;enxergar a obra acabada&#8221;.<\/p>\n<p>Que proveito h\u00e1 no empilhar prova sobre tarefa e prolongar os dias de labuta, se ao final, n\u00e3o se alcan\u00e7a o objetivo principal? N\u00e3o \u00e9 culpa dos professores &#8211; eles j\u00e1 trabalham duro demais. A estupidez acumulada por uma civiliza\u00e7\u00e3o que se esqueceu das suas pr\u00f3prias ra\u00edzes, est\u00e1 se for\u00e7ando a escoar o peso de uma estrutura educacional cambaleante, que est\u00e1 constru\u00edda sobre a areia. Est\u00e3o realizando por seus alunos o trabalho que eles pr\u00f3prios devem fazer por si mesmos. Porque o \u00fanico e verdadeiro fim da educa\u00e7\u00e3o \u00e9 este: ensinar os homens como educar-se por si mesmos; e qualquer forma de instru\u00e7\u00e3o que falhe em faz\u00ea-lo, ser\u00e1 esfor\u00e7o em v\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/em>:<\/p>\n<p>Como \u00a0o leitor deve ter notado, al\u00e9m da contribui\u00e7\u00e3o ineg\u00e1vel dessa palestra para os estudos medievais, liter\u00e1rios e ling\u00fc\u00edsticos, mais precisamente para os estudos da tradu\u00e7\u00e3o, a autora antecipa tem\u00e1ticas muito importantes na educa\u00e7\u00e3o at\u00e9 os dias de hoje:<\/p>\n<p>A inclus\u00e3o, n\u00e3o-exclusiva, n\u00e3o apenas de g\u00eanero, ao demonstrar o cuidado de incluir o g\u00eanero feminino, ao comunicar-se diretamente com seus ouvintes, mas tamb\u00e9m, quebrando os preconceitos elitistas dos eruditos da modernidade, que nem suspeitavam ou sequer se perguntavam sobre o que possa aprender aquele que n\u00e3o tem estudo.<\/p>\n<p>Temos ainda uma importante discuss\u00e3o sobre interdisciplinaridade, que j\u00e1 foi moda entre os educadores brasileiros, mas que, ou por desacordo sobre seu conceito e forma de execu\u00e7\u00e3o, ou por falta de habilidade de traduzir teoria em pr\u00e1tica, foi e continua sendo, at\u00e9 hoje, raramente praticado.<\/p>\n<p>Sayers tange ainda a quest\u00e3o da diversidade e do pluralismo, que assola os educadores, principalmente da Europa e dos Estados Unidos, que v\u00eaem seus pa\u00edses transbordantes por legi\u00f5es de estrangeiros, enquanto a popula\u00e7\u00e3o nativa decresce, o que traz conseq\u00fc\u00eancias importantes para a educa\u00e7\u00e3o desses pa\u00edses.<\/p>\n<p><em>Refer\u00eancias:<\/em><\/p>\n<p>HART, Randall D. <strong>Increasing Accademic Achievement with the Trivium of Classical Educacion<\/strong>, Linconl &#8211; NE: Iuniverse, 2006. Dispon\u00edvel em &lt;http:\/\/books.google.com.br\/&gt;, acesso em 26 Mar, 2010.<\/p>\n<p>MINIST\u00c9RIO DA EDUCA\u00c7\u00c3O. Par\u00e2metros <strong>de L\u00edngua Portuguesa das S\u00e9ries Iniciais (1\u00aa a 4\u00aa s\u00e9rie)<\/strong>. Dispon\u00edvel em &lt;http:\/\/portal.mec.gov.br\/seb\/arquivos\/pdf\/livro02.pdf&gt;. Acesso em 23 Mar., 2010.<\/p>\n<p>SAYERS, Dorothy, \u201cThe Lost Tools of Learning\u201d, Dispon\u00edvel em &lt;http:\/\/64.226.138.70\/artilces\/Sayers1.htm#sayers&gt;, acesso em 23\/03\/2010.<\/p>\n<p>http:\/\/books.google.com.br\/books?id=vMSBPyDDnTQC&#038;pg=PA112&#038;lpg=PA112&#038;dq=%22procrustean+bed+of+Augustan+Age%22&#038;source=bl&#038;ots=o8LW4fNQ75&#038;sig=rV4R2zpb2vw4Eu_4e8JRRovMkD0&#038;hl=pt-BR&#038;ei=FQetS57cG82ztgfNroD2CA&#038;sa=X&#038;oi=book_result&#038;ct=result&#038;resnum=2&#038;ved=0CAoQ6AEwAQ#v=onepage&#038;q=&#038;f=false<\/p>\n<hr size=\"1\" \/><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref1\">[1]<\/a> N.T. A obra que ficou inacabada, foi completada por sua disc\u00edpula, B\u00e1rbara Reynolds, que tamb\u00e9m \u00e9 escritora.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref2\">[2]<\/a> N.T. Somente no t\u00edtulo encontramos nosso primeiro desafio: Traduzir \u201clearning\u201d por <em>estudo<\/em> ou <em>aprendizagem<\/em>? Ap\u00f3s considerar pr\u00f3s e contras e pesquisar outras tradu\u00e7\u00f5es livres existentes, chegamos \u00e0 conclus\u00e3o de que as ferramentas \u00e0s quais a autora se refere, s\u00e3o mais de <em>estudo<\/em>, do que j\u00e1, de aprendizado, que \u00e9 uma decorr\u00eancia. O estudo, ao contr\u00e1rio da aprendizagem, pode ser manejado e submetido a ferramentas. Se h\u00e1 algo pass\u00edvel de manejo, \u00e9 o estudo, e n\u00e3o o aprendizado, que sempre envolve uma dimens\u00e3o de mist\u00e9rio e da imprevisibilidade, mesmo independente do estudo, qualquer que seja o m\u00e9todo. Assim, <em>The Tools of Learning<\/em> diz respeito mais \u00e0 did\u00e1tica ou de uma metodologia, mas entendida em um sentido ainda n\u00e3o divorciado da filosofia, de modo que, de maneira equivalente, \u201cestudo\u201d e\/ou \u201caprendizado\u201d podem ser entendidos sin\u00f4nimos na palavra \u201c<em>learning<\/em>\u201d. Esse \u00e9 um dos aspectos que cativam o leitor, particularmente o tradutor (mais do que o ouvinte original) desde o come\u00e7o. A aprendizagem \u00e9 o resultado desse \u201cuso\u201d (estudo) te\u00f3rico e especulativo, em outras palavras, <em>filos\u00f3fico<\/em>. Esse \u00e9 precisamente o diferencial t\u00e3o oposto \u00e0s \u201cdid\u00e1ticas\u201d da modernidade, que at\u00e9 hoje se revelam excessivamente burocratizadas e \u201cinchadas\u201d, do ponto de vista de <em>conte\u00fados sobre<\/em> a did\u00e1tica. Assim, elas muitas vezes se tornam <em>incompreens\u00edveis<\/em> para pessoas n\u00e3o iniciadas em pedagogia, pelo que se tornam <em>odiosas<\/em> \u00e0s mesmas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m destas duas significa\u00e7\u00f5es, de <em>estudo<\/em> e <em>aprendizado<\/em>, o ingl\u00eas \u201c<em>learning<\/em>\u201d \u00e9 <em>sin\u00f4nimo<\/em> ainda de <em>knowledge<\/em> (conhecimento), <em>erudition<\/em> (erudi\u00e7\u00e3o), <em>scholarship<\/em> (estudo acad\u00eamico), <em>culture<\/em> (cultura), e, para surpresa do leitor desavisado, tamb\u00e9m encontramos nos dicion\u00e1rios de l\u00ednguas <em>descoberta<\/em>, <em>experi\u00eancia <\/em>e at\u00e9 de <em>wisdom <\/em>(sabedoria). Isso aproxima <em>learning<\/em> do que o historiador Werner Jaeger, em sua obra om\u00f4nima, do conceito Greco-judaico de <em>Paid\u00e9ia<\/em> e mostra a preserva\u00e7\u00e3o da complexidade e escopo do sentido dessa palavra complexa, que traduzimos, no t\u00edtulo, por educa\u00e7\u00e3o. Optamos por essa solu\u00e7\u00e3o no t\u00edtulo (ver nota acima), dado que a autora limita \u00e0s \u201cferramentas\u201d da educa\u00e7\u00e3o, sem deixar de mencionar, que al\u00e9m dessas \u201cdisciplinas\u201d existem ainda os <em>conte\u00fados<\/em> propriamente ditos. Ent\u00e3o, reservamo-nos o direito de variar a tradu\u00e7\u00e3o da palavra, entre estudo, aprendizagem e educa\u00e7\u00e3o, de acordo com o contexto. Vale notar que no alem\u00e3o, o verbo <em>lernen<\/em> pode significar o estudo ou o aprendizado, dependendo do contexto. J\u00e1 o substantivo <em>gelernt<\/em>, significa culto, estudado, erudito.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref3\">[3]<\/a>N.T. \u00c0 primeira vista, consideramos a hip\u00f3tese de usar, ao inv\u00e9s de alunos, que \u00e9 mais comum no Brasil, pupilos, palavra j\u00e1 bastante esquecida e distorcida. Ao inv\u00e9s do disc\u00edpulo, afilhado e protegido; ou seja o que \u00e9 amparado e acudido por pessoa de maior autoridade e influ\u00eancia,\u00a0 o sentido pejorativo daquele \u00f3rf\u00e3o ou abandonado, que tem com outra pessoa, mais velha, por tutor parece predominar, raz\u00e3o pela qual n\u00e3o o usamos. Tamb\u00e9m optamos por n\u00e3o usar \u201cestudantes\u201d, por sua associa\u00e7\u00e3o e limita\u00e7\u00e3o muitas vezes ao ensino superior.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref4\">[4]<\/a> N.T. Sayers parece estar aqui, valendo-se precisamente da ambig\u00fcidade comentada na nota anterior, usando de ironia, para deixar claro: mesmo quem n\u00e3o aprendeu nada com a escola que a\u00ed est\u00e1, ou mesmo quem nunca teve a oportunidade de estudar com as ferramentas certas, tem uma contribui\u00e7\u00e3o a dar \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Com isso, mesmo sem ser entendida, Sayers prova sua intui\u00e7\u00e3o do sentido mais abrangente em inclusivo da educa\u00e7\u00e3o, com toda a sua complexidade.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref5\">[5]<\/a> N.T. Sayers n\u00e3o se limita a esse cuidado da inclus\u00e3o dos sexos somente aqui em todo o seu discurso, como o leitor haver\u00e1 de observar. Isso \u00e9 not\u00e1vel, se considerarmos que, pela falta de declina\u00e7\u00f5es masculinas e femininas no ingl\u00eas ou mesmo de pronomes diferenciados quanto ao g\u00eanero, parece surpreendente a autora lembrar-se de ter esse cuidado inclusivo. E isso, muito antes da Paulo Freire ter inventado ou trazido esse cuidado e respeito para o discurso educacional brasileiro.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref6\">[6]<\/a> N.T. Essa palavra \u00e9 muito utilizada em v\u00e1rios sentidos no texto. Hoje em dia, chamar\u00edamos esses \u201csubjects\u201d mais de \u201cconte\u00fados\u201d como rezam os Par\u00e2metros Curriculares Nacionais (PCN). Nos Par\u00e2metros de L\u00edngua Portuguesa das S\u00e9ries Iniciais (1\u00aa a 4\u00aa s\u00e9rie), por exemplo, n\u00e3o encontramos a palavra \u201cmat\u00e9ria\u201d. Para isso, nota-se uma abund\u00e2ncia de \u201cassunto\u201d, ao qual demos prioridade, e, um pouco mais modesta, de \u201cconte\u00fado\u201d. Da\u00ed que nos limitemos a essas duas palavras para \u201c<em>subject<\/em>\u201d. A palavra \u201ct\u00f3pico\u201d \u00e9 usada poucas vezes, mas muito ligada \u00e0 \u201cdisciplina\u201d de L\u00edngua Portuguesa, que tamb\u00e9m s\u00e3o usadas poucas vezes, mas sempre no sentido t\u00e9cnico da disciplina. Ent\u00e3o, mais uma vez, procuraremos nos adaptar ao contexto.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref7\">[7]<\/a> N.T. A palavra language do ingl\u00eas \u00e9 particularmente dif\u00edcil de traduzir, uma vez que ela pode significar l\u00edngua, que podemos entender como um idioma espec\u00edfico, e linguagem, pela qual nos referimos usualmente \u00e0s l\u00ednguas em geral, no seu sentido ling\u00fc\u00edstico-liter\u00e1rio. A distin\u00e7\u00e3o j\u00e1 provocou v\u00e1rias discuss\u00f5es entre os ling\u00fcistas e letrados, \u00e0 semelhan\u00e7a do que acontece, entre aprendizado e aprendizagem, mas como essas discuss\u00f5es n\u00e3o \u00e9 nosso foco aqui, usamos do uso mais comum para a decis\u00e3o sobre uma ou outra tradu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref8\">[8]<\/a> N.T. Mais uma vez, Sayers parece se antecipar a seu tempo (<em>avant l\u2019\u00e9ttre<\/em>), quando se refere a algo que os pedagogos costumam chamar de interdisicplinaridade, mesmo que entendendo coisas bem diversas sob essa palavra.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref9\">[9]<\/a> N.T. Ou seja, sua forma de escrever segue a mesma l\u00f3gica aleat\u00f3ria e \u00e0 revelia da l\u00f3gica da Sele\u00e7\u00e3o Natural. Ora, com isso ele coloca a sele\u00e7\u00e3o natural como pressuposto comum entre criacionistas e evolucionistas, o que \u00e9 uma fal\u00e1cia flagrante. De quebra, ele ainda d\u00e1 a entender que, eles, que n\u00e3o se importam com a verdade, escrevendo ao acaso, o que lhe vier \u00e0 telha, est\u00e3o igualmente submetidos \u00e0s \u201cleis\u201d da sele\u00e7\u00e3o natural, pelo que tornam absurdo e sem sentido tudo o que escrevem, que dif\u00edcilmente resistir\u00e1 \u00e0 lei do mais forte, pelo que tornam as suas pr\u00f3prias vidas ef\u00eameras e desprovidas de sentido, o que, por sua vez, pesa contra a lei da sele\u00e7\u00e3o da sele\u00e7\u00e3o natural e, assim, do pr\u00f3prio pensamento evolucionista.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref10\">[10]<\/a> N.T. Termo t\u00e9cnico da filosofia ligado \u00e0 causalidade.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref11\">[11]<\/a> N.T. N\u00e3o \u00e9 apenas de um \u201ccampo\u201d a outro que h\u00e1 o mito de que conhecimentos e habilidades possam transferidas. Quando se fala que \u201ceducar \u00e9 \u201ctransmitir\u201d (ou pior \u201cpassar\u201d) conhecimentos, revela-se a id\u00e9ia de que o conhecimento possa ser transferido at\u00e9 de uma <em>mente<\/em> para a outra, numa esp\u00e9cie de <em>telepatia<\/em>, t\u00e3o presente no ensino tradicional, mas tamb\u00e9m no comportamentalismo, foi amplamente refutada por educadores, como Sayers, que defendem a import\u00e2ncia do aluno n\u00e3o ser passivo no processo, mas sim, que v\u00e1 conquistando uma crescente <em>autonomia<\/em>, como comentaremos mais adiante. A diferen\u00e7a entre os tradicionais e os comportamentalistas, que, portanto tamb\u00e9m s\u00e3o ambos <em>conteudistas<\/em>, \u00e9 que nos \u00faltimos acrescentam-se ainda fortemente as tecnologias e produtos da ci\u00eancia do comportamento, pautados em Skinner, entre outros. A id\u00e9ia de telepatia ou de capta\u00e7\u00e3o de freq\u00fc\u00eancias da mente do professor, pela mente do aluno, \u00e9 por eles avan\u00e7ada at\u00e9 o limite da id\u00e9ia de que um dia toda a educa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 resolvida pela implanta\u00e7\u00e3o de um chip no c\u00e9rebro. Esse \u00e9 o chamado tecnicismo que mais do que nunca toma conta da educa\u00e7\u00e3o no mundo tecnologizado.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref12\">[12]<\/a> N.T. Piaget chamava esse fen\u00f4meno de transfer\u00eancia de \u201cracioc\u00ednio revers\u00edvel\u201d, considerado um dos ind\u00edcios de alcance do <em>est\u00e1gio m\u00e1ximo <\/em>de desenvolvimento cognitivo como um todo e que acontece em cada momento de real \u201csupera\u00e7\u00e3o\u201d de um est\u00e1gio para outro, ou seja, de real <em>acomoda\u00e7\u00e3o<\/em> daquele saber, para al\u00e9m da mera <em>assimila\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref13\">[13]<\/a> Interdisciplinaridade, o qu\u00ea e o como.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref14\">[14]<\/a> A modalidade de ensaio n\u00e3o \u00e9 costumeira no Brasil, em que as escolas t\u00e9cnicas, faculdades e universidades costumam aceitar apenas monografias, disserta\u00e7\u00f5es e teses.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref15\">[15]<\/a> Ou escol\u00e1stica&#8230;.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref16\">[16]<\/a> Milton<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref17\">[17]<\/a> O Brains Trust era nome popular e informal para a radio brit\u00e2nica BBC e que mais tarde se tornou o programa de televis\u00e3o, marca registrada do Reino Unido ao longo dos anos 1940 e 50. C.S. Lewis, que era amigo de Dorothy Sayers por v\u00e1rios anos, a quem cabia a honra de ser praticamente a \u00fanica mulher participante mais est\u00e1vel do clube de professores a que pertenciam Lewis, seu irm\u00e3o, J.R.R. Tolkien, entre outras celebridades da literatura crist\u00e3, teve uma atua\u00e7\u00e3o importante na r\u00e1dio. Dela surgiram cl\u00e1ssicos do cristianismo como <em>Cristianismo Puro e Simples<\/em> e os <em>Quatro Amores<\/em>.<\/p>\n<table border=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\u00a0<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref18\">[18]<\/a> Sobre Williams<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref19\">[19]<\/a>[19] N.T. O estudo dos anjos, <em>angelologia<\/em> \u00e9 uma parte da teologia, campo do conhecimento s\u00f3 recentemente reconhecido pelo governo federal brasileiro como digno de reconhecimento oficial como \u201cacad\u00eamico\u201d. Isso mostra o car\u00e1ter tempor\u00e3o da pol\u00edtica educacional brasileira, principalmente no ensino superior, uma vez que a teologia est\u00e1 na raiz de grande parte dos pensadores e institui\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas de renome por todo o mundo. Nas livrarias, na internet, na m\u00eddia em geral, e, portanto, na cabe\u00e7a da maior parte das pessoas, esse assunto est\u00e1 atrelado ao esoterismo e auto-ajuda, e n\u00e3o, \u00e0 ci\u00eancia.\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref20\">[20]<\/a> NT<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref21\">[21]<\/a>NT Embora \u201chair-splitting\u201d fosse uma express\u00e3o associada \u00e0 pontualidade, julgamos que o contexto merecia um equivalente em termos de aspecto enfadonho, insosso e moralista.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref22\">[22]<\/a> NT A express\u00e3o paradoxal \u201carmado de forma defensiva\u201d, que lembra a express\u00e3o \u201cestar na defensiva\u201d, tem valor negativo na sociedade moderna ocidental. Mas o adjetivo \u201cdefensivo\u201d tem recentemente sido resgatada pela educa\u00e7\u00e3o contra a viol\u00eancia no tr\u00e2nsito, principalmente nos grandes centros urbanos. As auto-escolas falam em \u201cdire\u00e7\u00e3o defensiva\u201d; mas mesmo sem policiais de todos os tipos recomendam a n\u00e3o-rea\u00e7\u00e3o a assaltos; os educadores nas escolas s\u00e3o orientados a tomar medidas defensivas e preventivas contra a viol\u00eancia escolar, que tem crescido assustadoramente, ao inv\u00e9s de medidas repressivas.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref23\">[23]<\/a> N.T. A palavra \u00e9 derivada de<em> <a title=\"dis-\" href=\"http:\/\/en.wiktionary.org\/wiki\/dis-\">dis-<\/a><\/em>+<em> <a title=\"stinguere\" href=\"http:\/\/en.wiktionary.org\/wiki\/stinguere\">stinguere<\/a><\/em>, do latim, que significa, <em>distinguir<\/em>, <em>discernir<\/em>,<em> <\/em>Que tem o mesmo efeito que a express\u00e3o \u201cEureka!\u201d, do grego, ou seja, \u201cdescobri!\u201d, o que em filosofia e na ci\u00eancia em geral, \u00e9 sinal da descoberta, do \u201c<em>insight<\/em>\u201d. Na filosofia cl\u00e1ssica, esse fen\u00f4meno \u00e9 um dos frutos da virtude da <em>sabedoria<\/em> e discernimento das coisas. Em outras palavras, para se passar por uma experi\u00eancia como essa, \u00e9 necess\u00e1rio, usando uma analogia b\u00edblica, saber \u201cseparar o joio do trigo\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref24\">[24]<\/a> Learning by heard &#8211; de cor.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref25\">[25]<\/a> Teut\u00f4nico:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref26\">[26]<\/a> N.T. Classicista:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref27\">[27]<\/a> N.T. A express\u00e3o usada no original \u00e9 \u201cprocrustean bed of Augustan Age\u201d, o que significa a cama de torturas da \u00e9poca do imperador romano Augustus, que de acordo com a lenda esticavam os baixinhos e encolhiam os mais altos. Para preservar esse significado, adaptamos a tradu\u00e7\u00e3o ao contexto brasileiro.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref28\">[28]<\/a> N.T. Essa no\u00e7\u00e3o equivocada de Idade M\u00e9dia como \u201cIdade das Trevas\u201d e o sentido pejorativo que costuma ser atrelado ao adjetivo \u201cmedieval\u201d, vem da \u201cIdade das Luzes\u201d, ou iluminista. Essa leitura etnoc\u00eantrica e anacr\u00f4nica de um per\u00edodo de aproximadamente mil anos da hist\u00f3ria do mundo ocidental, a que devemos a inven\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias foi refutada por especialistas e estudiosos da cultura medieval como Henri Marrou e Eti\u00e9nne Gilson. Infelizmente, a atitude preconceituosa e reducionista em rela\u00e7\u00e3o a essa fase ainda \u00e9 predominante no ensino de hist\u00f3ria praticado nas escolas brasileiras.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref29\">[29]<\/a> N.T. A can\u00e7\u00e3o original \u00e9 &#8220;eeny, meeny, miney, moe&#8221;, uma cantiga infantil bastante popular em pa\u00edses da l\u00edngua Inglesa.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref30\">[30]<\/a> N.T. No Brasil, em que n\u00e3o h\u00e1 uma tradi\u00e7\u00e3o de \u201cconta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias\u201d forte como o pais dos irm\u00e3os Grimm, ou de Andersen, entre outros. Infelizmente, o legado de autores brasileiros que, sem d\u00favida, contribu\u00edram enormemente para esse patrim\u00f4nio cultural da humanidade, tais como Monteiro Lobato, Malba Tahan, entre outros, est\u00e1 amea\u00e7ado. Mas j\u00e1 existe uma tradi\u00e7\u00e3o de pesquisadores brasileiros trabalhando em prol de seu resgate, nos campos das letras e da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref31\">[31]<\/a> N.T. Essa express\u00e3o \u00e9 espantosa para o leitor brasileiro, principalmente para aquele que tem horror da hist\u00f3ria, precisamente por seu excesso de datas, eventos e personagens que normalmente se exige que se decore. Entretanto, a proposta formulada por Sayers permite repensar o conceito de decorar, como coment\u00e1vamos alhures e tamb\u00e9m da pr\u00f3pria hist\u00f3ria, que, dotada de uma linguagem, se torna uma l\u00edngua. Enquanto gram\u00e1tica, ela dever\u00e1 seguir regras, mas que variam de idioma para idioma, o que desmistifica e relativiza o determinismo hist\u00f3rico. O mesmo acontece com a geografia, a ci\u00eancia e at\u00e9 a matem\u00e1tica e eventualmente, a teologia, como veremos mais adiante.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref32\">[32]<\/a> O leitor que ainda n\u00e3o se convenceu da atualidade da proposta de Sayers, ficar\u00e1 surpreso com esse detalhe da proposta. O ensino deve vir acompanhado de imagens. Mas n\u00e3o quaisquer imagens, como em algumas propostas de Educa\u00e7\u00e3o mediada por computador, que acabam exagerando o volume e qualidade que as imagens devem ter. As imagens devem vir do cotidiano, id\u00e9ia j\u00e1 defendida anteriormente por Com\u00eanio, mas que tem seus representantes modernos como Hannah Arendt e Phillipe \u00c0ries.\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref33\">[33]<\/a> N.T. A autora deve estar se referindo ao sentido figurado da express\u00e3o \u201cselo\u201d, que est\u00e1 associado \u00e0 imagem ou figuras, usadas anteriormente. Apesar da forte influ\u00eancia tecnicista que a autora revela pelas met\u00e1foras que usa (ferramentas, selos, ), que \u00e9 express\u00e3o de sua \u00e9poca, \u00e9 preciso considerar o m\u00e9rito de ter sido avant La lettre de muitas tend\u00eancias pedag\u00f3gicas e principalmente, do uso da tecnologia na educa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 uma realidade ineg\u00e1vel dos dias de hoje.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref34\">[34]<\/a> N.T. \u201cDevil\u2019s coach-horse\u201d, usado no original, foi o nome que deram a uma esp\u00e9cie de \u201cbesouro de jardim\u201d. Por sua apar\u00eancia escura e alongada, muitos t\u00eam medo do bicho.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref35\">[35]<\/a> N.T.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref36\">[36]<\/a> N.T. Kubla Kahn significa \u201cUma Vis\u00e3o num Sonho\u201d, poema escrito por Samuel Taylor Coleridge, um autor que \u00e9 uma refer\u00eancia para quem estuda tudo o que est\u00e1 ligado ao imagin\u00e1rio, entre 1797 e 1798 e publicado no in\u00edcio do s\u00e9culo seguinte.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref37\">[37]<\/a> N.T. \u201cQuicunque Vult\u201d s\u00e3o as palavras iniciais do \u201cCredo de Santo Atan\u00e1sio\u201d, que \u00e0s vezes eram usadas para referir a este tratado teol\u00f3gico do Per\u00edodo Medieval, acerca da trindade.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref38\">[38]<\/a> N.T. De acordo com amigo e colega de Sayers, C.S. Lewis, Raz\u00e3o e imagina\u00e7\u00e3o s\u00e3o dois \u201c\u00f3rg\u00e3os dos sentidos\u201d humanos, que precisam estar em equil\u00edbrio entre si, mas tamb\u00e9m com todo o resto do corpo. Enquanto a raz\u00e3o, \u00e9 o sentido da verdade, e imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 o sentido do sentido, ou seja, da nossa habilidade de interpreta\u00e7\u00e3o. Neste sentido, podemos considerar Lewis um importante precursor da psican\u00e1lise, que hoje, estuda os sonhos e imagin\u00e1rio a fundo. Mas essa id\u00e9ia tamb\u00e9m se tornou um ponto-chave da filosofia, principalmente da fenomenologia, como a de Paul Ricoeur. Conferir obra: Faith and Imagination de Schakel. Dispon\u00edvel em &lt;http:\/\/hope.edu\/academic\/english\/schakel\/tillwehavefaces\/contents.htm&gt;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref39\">[39]<\/a> N.T. Todo Deus \u00e9 infinito. Deus \u00e9 Deus. Portanto, Deus \u00e9 infinito.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref40\">[40]<\/a> N.T. A forma hipot\u00e9tica seria: Se todo A \u00e9 B&#8230; ou\u00a0 Na hip\u00f3tese de todo A ser B&#8230; Essa distin\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das mais raras nos cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, at\u00e9 mesmo nas disciplinas ditas \u201cMetodologia cient\u00edfica\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref41\">[41]<\/a> N.T. A interdisciplinaridade, conceito tido como muito recente e p\u00f3s-moderno, mas em alguns meios tema j\u00e1 deixado de lado, ou porque saiu de moda, por jamais ter sido compreendido, muito menos, praticado, ou porque foi carimbado de superado, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o recente, como se pode ver.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref42\">[42]<\/a> N.T. Esta senten\u00e7a certamente chocar\u00e1 alguns educadores e pais, mas o fato \u00e9 que se nenhum de n\u00f3s fosse obrigado a nada na escola e na fam\u00edlia no per\u00edodo de forma\u00e7\u00e3o, provavelmente a humanidade j\u00e1 teria se auto-destru\u00eddo, sem ter desfrutado das coisas que mal conhecia.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref43\">[43]<\/a> N.T. Tanto o Sistema de Ensino americano, quanto o ingl\u00eas atuais s\u00e3o formados por: 2-4 anos &#8211; pr\u00e9-escola; 5-10 anos &#8211; Escola de Gram\u00e1tica (Grammar School); 11-13 anos &#8211; Ensino M\u00e9dio (Middle School) e 14-18 anos &#8211; equivalente aos nossos cursos preparat\u00f3rios para o vestibular; e o restante para o n\u00edvel t\u00e9cnico, tecnol\u00f3gico ou Superior.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cslewis.com.br\/wp-admin\/post.php?post=437&amp;action=edit&amp;message=6#_ftnref45\">[45]<\/a> N.T. Reservamos para discutir a dificuldade em traduzir a palavra \u201csubject\u201d, que hoje, seria provavelmente traduzida por \u201cconte\u00fado, que foi nossa primeira tentativa, ou \u201cmat\u00e9ria\u201d, pela qual se preservaria a proximidade com a forma \u201cmaterial\u201d e aparentemente \u201cpr\u00e1tica\u201d com a qual a autora usa a palavra, usada mais de x vezes no texto, para n\u00e3o estragar o gosto da surpresa que nos ficou reservada at\u00e9 o final do trabalho. Agora, bem ao final, ao inv\u00e9s de subject, ela usa <em>discipline<\/em>. Essa palavra, uma das mais odiosas no contexto escolar atual, e evidentemente, ainda mais na \u00e9poca da autora, resume toda a proposta, que n\u00e3o \u00e9 inusitada. O que ela prop\u00f5e n\u00e3o \u00e9 que as \u201cmat\u00e9rias\u201d que temos a\u00ed, sejam substitu\u00eddas, mas apenas que as ferramentas para lidar com elas sejam oferecidas antes, e quem sabe, tamb\u00e9m ao longo do estudo, para evitarmos as longas horas de \u201cmetodologia de trabalho cient\u00edfico\u201d e outras metodologias sejam consideradas o piv\u00f4 e o grande salvador da p\u00e1tria de universidades e corpos docentes cada vez mais horrorizados com o estado de analfabetismo crescente, principalmente em termos dessas ferramentas de estudo, com que os estudantes t\u00eam chegado nas universidades.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resumo<\/p>\n<p>Dorothy Sayers, autora brit\u00e2nica de contos de detetive e especialista em medievalismo, brinda-nos com a transcri\u00e7\u00e3o de uma palestra sobre a educa\u00e7\u00e3o medieval, por ela proferida em 1947, na Universidade de Oxford. Ap\u00f3s uma cr\u00edtica \u00e0 escassez de bons escritores e bons textos na sua \u00e9poca, que saibam conduzir um debate, livre de fal\u00e1cias l\u00f3gicas, erros gramaticais, estilo e beleza, ela aborda a parte das artes liberais, denominada \u201cTrivium\u201d. Longe de serem conte\u00fados, como no caso do Quadrivium, tais disciplinas s\u00e3o como \u201cferramentas\u201d universais do estudo, que facilitam a aprendizagem e a tornam mais prazerosa. Embora elas tenham se perdido ao longo da hist\u00f3ria, elas t\u00eam tudo para serem resgatadas e adaptadas ao contexto atual. A autora encerra com uma chamada para o retorno \u00e0 \u201cvelha disciplina\u201d que se tornou t\u00e3o rara nas escolas, cada vez mais dominadas pelos conte\u00fados, e o desenvolvimento das mais variadas \u201ccompet\u00eancias\u201d e \u201chabilidades.\u201d<\/p>\n","protected":false},"author":46,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[29090],"tags":[29172,29186,131,29218,29319,29363],"class_list":["post-437","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dorothy-l-sayers","tag-curriculo-das-artes-liberais","tag-dorothy-sayers","tag-educacao","tag-filosofia-medieval","tag-quadrivium","tag-trivium"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/437","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/users\/46"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=437"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/437\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=437"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=437"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=437"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}