{"id":186,"date":"2010-03-22T17:06:54","date_gmt":"2010-03-22T17:06:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cslewis.com.br\/?p=186"},"modified":"2010-03-22T17:06:54","modified_gmt":"2010-03-22T17:06:54","slug":"carta-as-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/2010\/03\/22\/carta-as-mulheres\/","title":{"rendered":"Carta \u00e0s mulheres"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\">S\u00e3o Paulo, 8 de mar\u00e7o de 1999.<\/p>\n<p>Cara Leitora,<\/p>\n<p>Nesse dia internacional da mulher, convidada para escrever sobre o tema &#8220;educa\u00e7\u00e3o&#8221;, resolvi tomar a liberdade de usar uma via menos formal, por meio desta carta, seguindo, na pr\u00e1tica o exemplo do autor a quem dedico o artigo, que escrevia para todo o tipo de leitores de todo o mundo: eruditos e n\u00e3o t\u00e3o eruditos; pessoas pr\u00e1ticas e te\u00f3ricas; homens, mulheres e at\u00e9 crian\u00e7as (mesmo sem ter tido a experi\u00eancia de uma paternidade imediata, ele se dava bem com crian\u00e7as), revelando um profundo conhecimento do ser humano. Ali\u00e1s, o colorido e a capacidade de criar imagens ricas e muito vivas \u00e9 a marca registrada do autor.<\/p>\n<p>Trata-se do hoje mundialmente famoso pensador brit\u00e2nico e professor de Oxford e Cambridge, C. S. Lewis (1898-1963), cujo centen\u00e1rio comemoramos h\u00e1 poucos meses atr\u00e1s. No Brasil, \u00e9 mais conhecido entre leitores crist\u00e3os, por seus livros teol\u00f3gicos, traduzidos pela Editora Mundo Crist\u00e3o e ABU Editora (<em>O Problema do Sofrimento<\/em>,<em> O Grande Abismo<\/em>, <em>Os Quatro Amores<\/em>,<em> O Peso da Gl\u00f3ria<\/em>,<em> Cristianismo Puro e Simples <\/em>(2).<\/p>\n<p>Para dar uma id\u00e9ia melhor da hist\u00f3ria deste, cr\u00edtico liter\u00e1rio e catedr\u00e1tico de Oxford (Magdalene College, de 1925 at\u00e9\u00a0 1954) e Cambridge (como professor de Literatura inglesa medieval e renascentista), recomendo a leitura de sua autobiografia <em>Surpreendido pela Alegria<\/em> (3) e o v\u00eddeo <em>Shadowlands (Terra das Sombras)<\/em>, de Richard Attenborough, inspirado na obra escrita escrita por Lewis logo ap\u00f3s a morte de Joy, sua esposa (estrelando Anthony Hopkins).<\/p>\n<p>O sucesso de vendas deve-se tamb\u00e9m ao fato de ser leitura obrigat\u00f3ria para crist\u00e3os e estudantes universit\u00e1rios por todo o mundo, al\u00e9m de ser um \u00f3timo meio para alcan\u00e7ar n\u00e3o-crist\u00e3os de todos os tipos, pois conta a trajet\u00f3ria de um ateu convicto para te\u00edsta e crist\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o podemos esquecer as mais populares e amadas obras de fic\u00e7\u00e3o cien t\u00edfica (<em>As Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia, Cartas do Coisa Ruim, Longe do Planeta Silencioso e Perelandra<\/em>), recomendadas no curr\u00edculo das escolas regulares, escolas dominicais e grupos familiares de diversas igrejas nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Entre as raz\u00f5es para a celebra\u00e7\u00e3o de sua obra por todo o mundo, est\u00e1 a sua pr\u00f3pria vida, marcada pela dor desde menino. A morte da m\u00e3e, que narra como tendo sido a sua primeira &#8220;experi\u00eancia religiosa&#8221;, levou-o \u00e0 conclus\u00e3o de que n\u00e3o h\u00e1 Deus,\u00a0 dando in\u00edcio \u00e1 sua busca por <em>joy<\/em>, a alegria (e, curiosamente, Joy viria a ser tamb\u00e9m o nome de sua futura esposa). \u00c9 curioso ainda notar que nessa sua busca, Lewis sempre especulava sobre &#8220;Deus e o mundo&#8221; desde o seu primeiro poema publicado quando ainda era ateu, at\u00e9 a sua \u00faltima carta, escrita para uma crian\u00e7a, que havia lido <em>O Le\u00e3o, a Feiticeira e o Guarda-Roupas<\/em>.<\/p>\n<p>Tudo leva a crer que o que atrai na vida desse autor \u00e9 a forma simples com que encara e lida com a dor, o sofrimento e a busca pela alegria, com seu estilo inconfund\u00edvel, pautado pela franqueza e abertura.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 pelas milhares de cartas que escreveu que se pode melhor notar a simplicidade de sua perspectiva de vida. Os conselhos que d\u00e1 aos amigos expressam essa tese fundamental da saudade que inspira toda a sua vida e obra, podem, subitamente, abrir uma portas insuspeitas no fundo do velho e abandonado guarda-roupas da nossa espiritualidade.<\/p>\n<p>Essa busca pela <em>alegria<\/em> (<em>joy<\/em>, que \u00e9 mais do que isso, \u00e9 a busca, ou desejo por realiza\u00e7\u00e3o) tamb\u00e9m chamada de <em>longing, <\/em>fica especialmente clara em sua primeira <em>Cr\u00f4nica<\/em><em> de N\u00e1rnia<\/em>, O Le\u00e3o a Feiticeira e o Guarda-Roupas (2) . Ela cont\u00e9m, de forma resumida, todos os elementos essenciais da doutrina crist\u00e3, expressos atrav\u00e9s do uso da imagina\u00e7\u00e3o, como Lewis mesmo admite numa de suas cartas. \u00c9 pelas cartas tamb\u00e9m que descobrimos que as Cr\u00f4nicas, apesar de terem sido escritas para crian\u00e7as, s\u00e3o obras do seu &#8220;eu&#8221; amadurecido, sendo lidas e apreciadas tamb\u00e9m pelos adultos.<\/p>\n<p>Pelas cartas ainda podemos ter uma melhor id\u00e9ia do que Lewis entendia por educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e da percep\u00e7\u00e3o que tinha do universo feminino. Em <em>Letters to an American Lady <\/em>(1), escritas para uma senhora americana que ele nunca conheceu pessoalmente encontramos alguns dos mais profundos <em>insight&#8217;s <\/em>de quem leva uma vida de puro cristianismo, marcada pela simplicidade e intimidade com Deus, que \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para toda e qualquer educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3.<\/p>\n<p>Para termos uma id\u00e9ia da riqueza destes pensamentos, inspirados no cotidiano de um homem comum (e por isso mesmo not\u00e1vel), tomei a liberdade de traduzir alguns trechos particularmente exemplares da did\u00e1tica lewisiana. Gra\u00e7as a ela, o autor consegue comunicar-se \u00e0 dist\u00e2ncia, estabelecendo uma rela\u00e7\u00e3o de ensino-aprendizagem, marcada pela compreens\u00e3o, equil\u00edbrio, bom-senso busca do <em>com-senso, <\/em>livre de todo tipo de extremos: do preconceito ou da unanimidade acr\u00edtica.<\/p>\n<p>Considerando a atual divis\u00e3o que h\u00e1 entre os crist\u00e3os, penso que os que se colocam no centro de cada tend\u00eancia est\u00e3o muito mais pr\u00f3ximos uns dos outros do que os que est\u00e3o nos extremos. Esse princ\u00edpio \u00e9 aplic\u00e1vel para al\u00e9m at\u00e9 mesmo das fronteiras do cristianismo: quanta coisa n\u00e3o temos em comum com o judeu ou mu\u00e7ulmano, mais do que com aquele tipo de sujeitinho mesquinho, liberalizado e ocidentalizado da nossa pr\u00f3pria cultura&#8230; (11-12, 10.11.52)<\/p>\n<p>Para manter essa postura, Lewis usa um s\u00f3 e bem definido modelo, que \u00e9 Cristo mesmo: &#8220;Ele dignou-se a compartilhar nossa humanidade, presumo que, em parte, porque toda criatura est\u00e1 mais pr\u00f3xima do seu criador do que pode estar de qualquer outra criatura superior.&#8221; (13, 4,3,53)<\/p>\n<p>Por mais deca\u00eddo que esteja o homem, Lewis nunca recai no extremo ceticismo, ignorando o fato de ter sido criado \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a do pr\u00f3prio Deus. Por isso, o fato da queda traz consigo uma surpresa: a encarna\u00e7\u00e3o, que abriu a possibilidade da reconcilia\u00e7\u00e3o com Deus, que \u00e9 o que, no fundo, estamos buscando todo o tempo. \u00c9 esse fato: de sermos criaturas e criaturas perdidas \u00e9 que nos une a todos, independente de ra\u00e7a, cor, g\u00eanero, etc.<\/p>\n<p>A perspectiva de ser humano como criatura tamb\u00e9m muda toda a postura diante do sobrenatural e do relacionamento com Deus, que se expressa numa atitude completamente contr\u00e1ria \u00e0 egoc\u00eantrica. Trata-se de uma perspectiva autenticamente centrada em Cristo, como voc\u00ea poder\u00e1 observar no trecho a seguir:<\/p>\n<p>Nossas ora\u00e7\u00f5es muitas vezes d\u00e3o errado, porque n\u00f3s insistimos em tentar falar com Deus quando, na verdade, ele \u00e9 que est\u00e1 querendo falar conosco. Joy contou-me que, certa vez, anos atr\u00e1s, foi surpreendida de manh\u00e3 pela impress\u00e3o de que Deus queria algo dela, at\u00e9 tornar-se uma press\u00e3o persistente, como o peso de um dever negligenciado. E at\u00e9 tarde da manh\u00e3 continuou perguntando-se o que era. Mas, no momento em que parou de se preocupar, a resposta surgiu t\u00e3o clara quanto em viva-voz. `N\u00e3o quero que fa\u00e7a nada. Quero \u00e9 dar-lhe algo &#8216;; e imediatamente seu cora\u00e7\u00e3o encheu-se de paz e luz. Santo Agostinho diz que &#8216; Deus d\u00e1 a quem tem as m\u00e3os vazias&#8217;. Ningu\u00e9m que est\u00e1 com as m\u00e3os cheias de pacotes pode receber um presente. (73, 31,3,58)<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 preciso lembr\u00e1-lo de que essas s\u00e3o, precisamente as palavras do Mestre, quando diz que somente perdendo nossa vida, podemos ganh\u00e1-la (Lucas 9: 23-24) e quando diz que a cada dia basta o seu\u00a0 pr\u00f3prio mal (Mat. 6:34). Trata-se, isso mesmo, de um &#8220;pl\u00e1gio&#8221;, de uma imita\u00e7\u00e3o santa, daquele que \u00e9 nosso modelo:<\/p>\n<blockquote><p>suponho que viver a vida a cada dia (&#8230;) \u00e9 precisamente o que n\u00f3s temos que aprender &#8211; mesmo quando o velho Ad\u00e3o em mim \u00e0s vezes alega que, se Deus quisesse me fazer viver como os l\u00edrios do campo, por\u00a0 que n\u00e3o me d\u00e1 a mesma dose de nervos e imagina\u00e7\u00e3o que eles! Ou ser\u00e1 esse precisamente o ponto, o prop\u00f3sito exato deste paradoxo divino e audacioso chamado ser humano &#8211; fazer, dotado de raz\u00e3o, tudo aquilo que outros seres fazem sem ela? (79, de 30,10,58)<\/p><\/blockquote>\n<p>A simplicidade desses pensamentos do autor, que \u00e9 a marca registrada dos &#8220;cl\u00e1ssicos&#8221;, d\u00e1 a Lewis o equil\u00edbrio necess\u00e1rio para &#8220;considerar todas as coisas e reter o que \u00e9 bom&#8221; (cf. I Tess. 5:21), como vemos no trecho a seguir: \u00a0&#8220;N\u00f3s que ainda apreciamos os contos de fada temos menos raz\u00e3o para realmente desejarmos voltar \u00e0 inf\u00e2ncia. Conservamos seus prazeres, acrescidos de certos prazeres adultos. &#8221; (16, 22,6,53)<\/p>\n<p>Esta postura equilibrada diante das express\u00f5es &#8220;pag\u00e3s&#8221; desta busca, pela via da imagina\u00e7\u00e3o (que n\u00e3o se confunde absolutamente com o fingimento, a engana\u00e7\u00e3o, a aliena\u00e7\u00e3o, nem mesmo para a crian\u00e7a) permite-lhe dar um tratamento aberto e honesto \u00e0s pessoas: &#8220;medo \u00e9 uma sensa\u00e7\u00e3o horr\u00edvel, mas isso n\u00e3o \u00e9 raz\u00e3o para vergonha. Nosso Senhor sentiu-se atemorizado (&#8230;) no Gets\u00eamani. Essa lembran\u00e7a sempre me parece um fato muito confortante.&#8221; (41, 2,4,55)<\/p>\n<p>Quando Lewis fala em sensa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o se refere aquele tipo de subjetivismo que considera &#8220;cada cabe\u00e7a, uma senten\u00e7a&#8221;, mas a sentimentos que se referem a coisas reais. E o que temos que aprender \u00e9 de lidar com as coisas concretas, muito mais do que com as sensa\u00e7\u00f5es: &#8220;\u00c9 para a presen\u00e7a real, e n\u00e3o, para a mera sensa\u00e7\u00e3o de presen\u00e7a do Esp\u00edrito Santo que Cristo apela em n\u00f3s &#8220;(38, 20,2,55)<\/p>\n<p>Lewis adverte contra todo o tipo de extremismo que nos distrai dessa presen\u00e7a real, como, por exemplo, o ativismo:<\/p>\n<blockquote><p>lembre-se de que acreditar na virtude do &#8216;fazer pelo fazer&#8217; \u00e9 um tra\u00e7o do car\u00e1ter feminino, do americano e do moderno: o sentimento de cuidado pode n\u00e3o passar de inquieta\u00e7\u00e3o ou oscila\u00e7\u00f5es auto-lisonjeiras da nossa auto-estima. Como Mac Donald j\u00e1 dizia &#8216;o sagrado pode conter avidez profana&#8217;. E, ao nos empenharmos em cumprir deveres desnecess\u00e1rios, podemos estar nos tornando menos dispostos para cumprir com os verdadeiros deveres, cometendo, assim, um tipo de injusti\u00e7a. Por que n\u00e3o d\u00e1 uma s\u00f3 chance \u00e0 Maria4, e tamb\u00e9m \u00e0 Marta! (53, 19,3,56).<\/p><\/blockquote>\n<p>Como voc\u00ea pode ver a partir desse exemplo, sempre que exorta sua amiga, Lewis o faz com uma atitude de amor, nunca de forma soberba ou de pouco caso pela dificuldade e sofrimento que est\u00e3o em jogo (atitude \u00e0 qual alude at\u00e9 com ironia). Pois, como bons crist\u00e3os: &#8220;\u00e9 l\u00f3gico que fomos instru\u00eddos em como lidar com o sofrimento &#8211; oferecendo-o a Deus em Cristo, como muito singela, modesta mesmo, participa\u00e7\u00e3o do sofrimento de Cristo &#8211; contudo: como \u00e9 duro pratic\u00e1-lo, n\u00e3o?&#8221; (55, 26,4,56).<\/p>\n<p>A mesma simplicidade honesta, combinada com seu bom-humor, \u00e9 aplicada tamb\u00e9m no seguinte trecho, referente ao seu casamento:<\/p>\n<blockquote><p>n\u00e3o h\u00e1 nenhum mist\u00e9rio quanto \u00e0 minha uni\u00e3o. Eu j\u00e1 a conhecia h\u00e1 muito tempo: ningu\u00e9m pode definir o momento exato em que a amizade se transformou em amor. Voc\u00ea deve imaginar tamb\u00e9m, que a doen\u00e7a &#8211; o fato de que ela estava enfrentando dor e morte e preocupa\u00e7\u00e3o com o futuro de seus filhos &#8211; tornou-se uma raz\u00e3o a mais para eu casar-me com ela ou pelo menos, uma raz\u00e3o para casar logo.<\/p><\/blockquote>\n<p>Ao falar do seu sofrimento, de ver Joy morrendo e de suas pr\u00f3prias dores, decorrentes do c\u00e2ncer, Lewis admite quase para si mesmo: &#8220;se n\u00f3s realmente acreditamos naquilo em que dizemos acreditar &#8211; se realmente cremos que o nosso lar est\u00e1 em outro lugar e que esta vida \u00e9 uma &#8216;peregrina\u00e7\u00e3o em sua busca&#8217;, por que n\u00e3o olhamos para frente, rumo \u00e0 chegada?&#8221; (84, 7,6,59)<\/p>\n<p>Com isso Lewis faz uma cr\u00edtica contra toda esp\u00e9cie de imediatismo materialista (como a teoria de prosperidade), endere\u00e7ada aos pr\u00f3prios crist\u00e3os, a quem ama como irm\u00e3os. Esta postura cr\u00edtica pode ser observada tamb\u00e9m na sua rea\u00e7\u00e3o, extremamente consciente e sincera, \u00e0 morte de Joy: &#8220;Joy morreu no dia 13. A aparente virtualidade da minha vida desde ent\u00e3o \u00e9 simplesmente indescrit\u00edvel. Ela foi absolvida, morreu na santa paz, est\u00e1 com Deus. Tentarei escrever outro dia, quando tiver maior autocontrole. No momento, sinto-me como um son\u00e2mbulo. Deus te aben\u00e7oe&#8221; (91, 15,7,60).<\/p>\n<p>N\u00e3o fica claro, nesse trecho, que a consci\u00eancia da dor, longe de torn\u00e1-lo um c\u00e9tico, por extrema que seja, vem sempre acompanhada de um pren\u00fancio cheio de esperan\u00e7a, de um ser que saber que n\u00e3o \u00e9 perfeito mas que se sabe &#8220;a caminho&#8221; de um lugar maior:<\/p>\n<blockquote><p>as coisas que se encontram adiante s\u00e3o muito melhores do que qualquer uma que deixamos para tr\u00e1s. Lembre-se: quanto mais lutamos contra as coisas das quais temos medo, mais experimentamos o que tememos: ficamos com medo pelo simples fato de estar lutando. Voc\u00ea est\u00e1 lutando, resistindo? Voc\u00ea n\u00e3o percebe que o nosso Senhor est\u00e1 lhe dizendo &#8216;Paz, filha, paz. Relaxe. Deixe acontecer. Embaixo de voc\u00ea encontram-se bra\u00e7os eternos. Pode soltar-se, que eu te pego. Ser\u00e1 que voc\u00ea poderia confiar um pouco em mim? (117, 17,6,63).<\/p>\n<p>\u00c9 esta perspectiva sobrenatural, aberta para o que transcende &#8220;aqui e agora&#8221;, que motiva o autor , nos \u00faltimos dias antes de sua morte, a superar-se, chegando ao ponto de resolver um problema que carregava no cora\u00e7\u00e3o desde a sua inf\u00e2ncia: &#8220;.. voc\u00ea sabe, h\u00e1 algumas semanas atr\u00e1s somente, eu me dei conta, de repente, de que finalmente tinha perdoado o cruel diretor que tanto obscureceu minha inf\u00e2ncia. Estava tentando h\u00e1 anos; e, como no seu caso, toda vez que eu pensava ter conseguido, percebia, depois de mais ou menos uma semana, que precisava come\u00e7ar tudo de novo. &#8221; (120, 6,7,63)<\/p><\/blockquote>\n<p>Aqui voc\u00ea pode ver, a enorme import\u00e2ncia que o autor atribui \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Sua m\u00e1goa contra o sistema brit\u00e2nico, carregada de liberalismo e elitismo, n\u00e3o o impede repensar e refletir sobre a escola.<\/p>\n<p>Certamente ainda haveria muito a escrever a respeito deste importante autor, procurando traduzir suas id\u00e9ias para a nossa realidade, como mulheres. Que tal voc\u00ea mesma contribuir, mencionando como foi que Deus usou estas breves reflex\u00f5es no seu dia-a-dia?<\/p>\n<p>Fico no aguardo da sua resposta<\/p>\n<p>Um abra\u00e7o<\/p>\n<p>Gabriele Greggersen<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p>(1) Hoje, traduzido para \u00a0<em>Cartas a uma Senhora Americana<\/em> \u2013 Ed. Vida.<\/p>\n<p>(2) Cf. tradu\u00e7\u00e3o da Editora Mundo Crist\u00e3o, 1998.<\/p>\n<p>(3) Apesar de <em>O Le\u00e3o, a Feiticeira e o Guarda-Roupa<\/em>s ter sido cronologicamente a primeira das sete <em>Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia<\/em>, a atual editora (Martins Fontes), que lan\u00e7ou nova revis\u00e3o na bienal do Rio em 1997, segue a ordem l\u00f3gica, come\u00e7ando por <em>O Sobrinho do Mago<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Breve biografia do autor e resenha de uma de suas obras: Cartas a uma Senhora American (Ed. 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