{"id":157,"date":"2010-02-05T17:19:40","date_gmt":"2010-02-05T17:19:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.mundonarnia.com\/cslewis\/?p=157"},"modified":"2010-02-05T17:19:40","modified_gmt":"2010-02-05T17:19:40","slug":"apresentando-j-r-r-tolkien","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/2010\/02\/05\/apresentando-j-r-r-tolkien\/","title":{"rendered":"Apresentando J.R.R. Tolkien"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\">por Gabriele   Greggersen<\/p>\n<p>O em\u00e9rito professor de   filologia da universidade de Oxford viveu entre 1892 a 1973. Al\u00e9m de obras   acad\u00eamicas, foi autor de obras consagradas de fic\u00e7\u00e3o, tais como <em>O Senhor   dos An\u00e9is <\/em>(SenA), <em>O Hobbit<\/em> e <em>Silmarillion<\/em>, j\u00e1 traduzidas   para o portugu\u00eas, al\u00e9m de contos e poemas, ainda pouco conhecidos no Brasil.<\/p>\n<p>Uma primeira curiosidade quanto ao nome da fam\u00edlia \u201cTolkien\u201d \u00e9 a sua origem   pouco usual. Ela procede da antiga Sax\u00f4nia, regi\u00e3o que j\u00e1 pertenceu ao   Imp\u00e9rio Germ\u00e2nico. O nome provavelmente deriva da palavra alem\u00e3 <em>tollk\u00fchn<\/em>, que quer dizer \u201carrojado\u201d,   \u201caudacioso\u201d ou \u201ctemer\u00e1rio\u201d. Por coincid\u00eancia ou n\u00e3o, as obras de Tolkien   demonstram precisamente este tra\u00e7o caracter\u00edstico.<\/p>\n<p>Dizem ainda que o seu terceiro nome, <em>Reuel<\/em>, igualmente pouco comum,   que foi herdado do seu av\u00f4, tem alguma origem hebraica. Ele aparece no Antigo   Testamento como equivalente de Revel, aparentemente foi o mesmo nome do sogro   de Mois\u00e9s (Nr 10, 29), filho de Esa\u00fa (Gn 36,4) que significa \u201camigo de Deus\u201d.<br \/>\nSua terra natal tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 menos estranha. Apesar da tradi\u00e7\u00e3o inglesa da   fam\u00edlia, Tolkien nasceu em 1892, na \u00c1frica do Sul, como filho primog\u00eanito de   um banc\u00e1rio. Sua estada ali n\u00e3o durou muito e tamb\u00e9m n\u00e3o foi muito   emocionante, exceto por um &#8220;pseudo sequestro&#8221; que sofreu da parte   um empregado negro. Tudo se esclareceu como uma simples tentativa do mesmo de   apresentar a sua fam\u00edlia e casa a Tolkien. Outro epis\u00f3dio bastante bizarro,   foi o seu encontro com uma enorme aranha, que viria a se tornar um personagem   importante de SenA.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a morte prematura do pai e um per\u00edodo de afastamento dele, sua m\u00e3e   decide retornar a Birmingham na Inglaterra, junto com ele e o seu irm\u00e3o mais   novo Hilary. A vi\u00fava passou ent\u00e3o a assumir toda a educa\u00e7\u00e3o dos filhos.<\/p>\n<p>Desde pequeno, Tolkien tinha caracter\u00edsticas e h\u00e1bitos bastante peculiares   como o de observar e atentar para todos os detalhes das paisagens e   particularmente da topografia dos lugares. Ele jamais esquecia um cen\u00e1rio j\u00e1   visitado e certamente todos eles influenciaram a cria\u00e7\u00e3o da geografia do seu   mundo imagin\u00e1rio. Alguns atribuem seu interesse pela geografia e inspira\u00e7\u00e3o   para a cria\u00e7\u00e3o de certos territ\u00f3rios de Terra-M\u00e9dia \u00e0 sua capacidade de   captar diferentes paisagens e cen\u00e1rios, que s\u00e3o igualmente uma marca poderosa   de toda sua obra.<\/p>\n<p>Outra paix\u00e3o que lhe foi desperta desde cedo, particularmente por sua m\u00e3e,   foi o das l\u00ednguas, especialmente as germ\u00e2nicas, o gal\u00eas e o finland\u00eas, que   aparentemente formaram a base para o desenvolvimento das l\u00ednguas de Terra   M\u00e9dia. Esta tend\u00eancia ficou ainda mais acentuada com o seu ingresso na escola   de gram\u00e1tica St. Philip&#8217;s, onde costumava engajar-se bastante nas atividades   culturais e organizar clubes de leitura. O mais importante foi o T.C.B.S: (<em>Tea   Club, Barrovian Society<\/em>). [1] Ele manteve todas as amizades que fez ali   at\u00e9 a fase adulta. Infelizmente, todos os seus amigos de l\u00e1, para sua grande   tristeza e sofrimento, morreu na Primeira Guerra Mundial exceto um. Foi   naquele clube que ele teve o seu primeiro contato com a filologia, que acabaria   elegendo como sua \u00e1rea de especializa\u00e7\u00e3o e carreira. Mas ele tamb\u00e9m cultivava   um especial interesse pela leitura, particularmente, pelos romances e pela   mitologia.<\/p>\n<p>Tolkien costumava observar que as crian\u00e7as frequentemente t\u00eam uma fase,   usualmente depois de terem tido contato com a literatura, na qual come\u00e7am a   inventar l\u00ednguas pr\u00f3prias. No seu caso, ele confessa que, desde ent\u00e3o, nunca   mais conseguiu parar com este tipo de \u201cinven\u00e7\u00e3o\u201d, que acabou se tornando a   sua grande obsess\u00e3o.<\/p>\n<p>Infelizmente, a m\u00e3e de Tolkien n\u00e3o viria a presenciar o extraordin\u00e1rio   desenvolvimento do filho, falecendo de forma precoce, aos 34 anos de idade,   em decorr\u00eancia de diabetes, que ainda n\u00e3o tinha tratamento na \u00e9poca.<\/p>\n<p>Tolkien tinha certo ressentimento contra a Igreja da Inglaterra, pois   suspeitava que a debilidade da sa\u00fade de sua m\u00e3e estivesse relacionada ao   sofrimento que a sua fam\u00edlia, de confiss\u00e3o protestante, passou a lhe infligir   ap\u00f3s a sua ades\u00e3o ao catolicismo romano. Os pais acusavam a sua irm\u00e3, que   havia aderido ao catolicismo antes dela, de ter influenciado a sua decis\u00e3o.   Como se sabe, infelizmente, a rivalidade entre cat\u00f3licos e protestantes \u00e9   antiga na Inglaterra. Suas lembran\u00e7as da devo\u00e7\u00e3o da sua m\u00e3e \u00e0 igreja tiveram   grande influ\u00eancia sobre a convers\u00e3o de Tolkien e de seu irm\u00e3o ao catolicismo   em 1900.<\/p>\n<p>Pouco antes de morrer, sua m\u00e3e confiou os filhos \u00e0s boas m\u00e3os de um padre   muito amigo, Francis Morgan. Ela lhe passou a incumb\u00eancia de proporcionar a   melhor educa\u00e7\u00e3o poss\u00edvel a eles.<\/p>\n<p>Os \u00f3rf\u00e3os passaram ent\u00e3o a morar em um lar de crian\u00e7as, no qual vieram a   conhecer e fazer amizade com outra \u00f3rf\u00e3, Edith Bratt. Tolkien apaixonou-se   imediatamente por ela. Mas o padre manifestou grande oposi\u00e7\u00e3o ao namoro,   proibindo Tolkien de sequer comunicar-se com ela. Depois de muita   insist\u00eancia, finalmente ele concordou com o namoro, desde que Tolkien n\u00e3o se   encontrasse com ela, antes de formar-se no <em><a href=\"http:\/\/www.exeter.ox.ac.uk\/\">Exeter College<\/a><\/em>,   e se a pedisse posteriormente em casamento.<\/p>\n<p>Depois de longos anos de paciente   espera, Tolkien voltou a procurar Edith depois de conclu\u00eddo o seu curso.   Acontece que \u00e0quelas alturas ela j\u00e1 estava noiva: Ela acabou desmanchando o   noivado, quando viu o sentimento por ele reavivado. Decidiram ent\u00e3o se casar   no ano seguinte \u00e0 cola\u00e7\u00e3o de grau de Tolkien, oito anos ap\u00f3s o primeiro   encontro entre os dois. Entretanto o casal foi logo separado pela guerra.   Tolkien foi convocado para servir \u00e0 sua p\u00e1tria.<\/p>\n<p>Inconformada com a situa\u00e7\u00e3o, Edith muda-se para perto do alojamento do marido   e tem um encontro memor\u00e1vel com ele em um bosque, onde dan\u00e7ou para ele. O   romantismo da situa\u00e7\u00e3o inspirou Tolkien a escrever um conto, que viria a   publicar posteriormente e que chamou de <em>Beren<\/em> <em>e L\u00fathien<\/em>. Estes   nomes encontram-se inscritos no t\u00famulo do casal at\u00e9 os dias de hoje. Como se   pode inferir de cartas e biografias, o casamento n\u00e3o foi nada f\u00e1cil, devido \u00e0   enorme diferen\u00e7a entre os gostos, interesses e n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o do casal.<\/p>\n<p>Por sorte ou n\u00e3o, Tolkien acabou contraindo a famosa \u201cfebre de trincheira\u201d.   Gra\u00e7as a ela, ele p\u00f4de ao menos regressar logo ao lar. Foi assim que ele foi agraciado,   em 1917, com a possibilidade de presenciar o nascimento do seu primeiro   filho, no mesmo ano em que fazia os seus primeiros ensaios e incurs\u00f5es pelo   mundo de Terra-M\u00e9dia, na forma de contos esparsos. Mal sabia ele na \u00e9poca,   que jamais pararia de escrever estas hist\u00f3rias que, ironicamente,   permaneceriam inacabadas. O t\u00edtulo original que ele deu \u00e0quelas hist\u00f3rias   reunidas foi <em>The Book of Lost Tales<\/em>. Anos mais tarde, elas viriam a   ser compiladas e editadas postumamente pelo seu filho, Christopher, sob o   t\u00edtulo de <em>O Silmarillion<\/em>. Esta impressionante obra retrata o trabalho   de uma vida toda de dedica\u00e7\u00e3o minuciosa e revis\u00e3o paciente. \u00c9 curioso   observar que Tolkien come\u00e7ou a escrev\u00ea-la, antes mesmo da publica\u00e7\u00e3o de <em>O   Hobbit<\/em>, uma tentativa de traduzir o mundo de Terra-M\u00e9dia para crian\u00e7as. A   obra tamb\u00e9m est\u00e1 muito relacionada a SenA.<\/p>\n<p>Sua carreira docente teve in\u00edcio logo ap\u00f3s a I Guerra Mundial, quando ele   come\u00e7ou a fazer leituras p\u00fablicas, assumindo a cadeira de Literatura Inglesa   na <em>Leeds University<\/em>. Apesar da resist\u00eancia de certos professores, ele   acabou sendo chamado para a cadeira de L\u00edngua anglos sax\u00f4nica na Universidade   de Oxford. E viria a dedicar todo o resto da sua vida acad\u00eamica a esta   mundialmente renomada institui\u00e7\u00e3o, uma das primeiras deste n\u00edvel da hist\u00f3ria,   pelo menos at\u00e9 quando se aposentou, em 1959. Grande parte da dedica\u00e7\u00e3o e   zelo, criatividade e filosofia refletida nas suas obras devem-se \u00e0s   experi\u00eancias e oportunidades para estudos e contatos com colegas que teve ao   longo da sua vida acad\u00eamica. Isto pode vir a tornar a leitura um tanto   dif\u00edcil para alguns leitores, desprovidas do mesmo background. Mas na   verdade, basta ter uma boa capacidade de observa\u00e7\u00e3o e um esp\u00edrito de aventura   para apaixonar-se logo por aquele mundo.<\/p>\n<p>Pois, se considerarmos o que e   como escreviam os seus colegas naqueles tempos, temos boas raz\u00f5es para   afirmar, que Tolkien foi um dos poucos intelectuais de sua \u00e9poca, preocupados   em falar ao homem comum. Ele se empenhava em unir a teoria que ensinava, \u00e0   pr\u00e1tica, criando mundos que v\u00e3o muito al\u00e9m do campus universit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do aspecto acad\u00eamico, outro elemento muito importante para entendermos o   autor \u00e9 sua vida familiar, que, como n\u00e3o podia deixar de ser, teve grande   influ\u00eancia sobre ele. Muitos dos seus contos, como o Hobbit, por exemplo,   foram inspirados nas hist\u00f3rias que ele costumava contar aos seus filhos,   h\u00e1bito infelizmente j\u00e1 bastante esquecido entre n\u00f3s.<\/p>\n<p>Depois que Edith deu \u00e0 luz \u00e0 sua \u00faltima filha, \u00fanica mulher entre tr\u00eas   rapazes, em 1929, Tolkien tamb\u00e9m come\u00e7ou a escrever todos os anos um tipo de   \u201cliteratura de cordel\u201d na \u00e9poca do Natal. Ele tamb\u00e9m costumava ilustrar estas   hist\u00f3rias. Tratava-se de uma esp\u00e9cie de \u201ccartas\u201d onde ele fazia o papel do   Papai Noel. Uma sele\u00e7\u00e3o das mesmas foi publicada em 1976, sob o t\u00edtulo <em>Cartas   do Papai Noel<\/em> (<em>Father Christmas Letters<\/em>). Tudo indica ainda que   ele tamb\u00e9m costumava contar hist\u00f3rias de ninar aos seus filhos, que   permanecem, em sua maioria, an\u00f4nimas.<\/p>\n<p>Somente um dos seus filhos seguiu os passos do pai pelo mundo da literatura,   Christopher, que tamb\u00e9m se tornou conhecido. John, o mais velho, optou pela   batina. Depois de servirem \u00e0 for\u00e7a a\u00e9rea durante a guerra, os outros dois   filhos seguiram a carreira de professores. Michael dedicou-se ao ensino   fundamental, enquanto Christopher optou por lecionar em n\u00edvel universit\u00e1rio e   tornando-se editor e compilador das obras do pai. Priscilla decidiu   dedicar-se ao servi\u00e7o social. Nenhum deles saiu da cidade em que moravam em   Headington, ao norte de Oxford.<\/p>\n<p>Outra influ\u00eancia forte na vida e obra de Tolkien, que aprofundaremos mais   adiante, foi a sua amizade com C.S. Lewis[2], um colega seu em Oxford, que   passou a lecionar mais tarde em Cambridge. Como veremos com maiores detalhes   adiante, eles compartilhavam o gosto pela mitologia e fic\u00e7\u00e3o. Lewis tamb\u00e9m se   destacou no campo da apolog\u00e9tica, tornando-se conhecido no mundo crist\u00e3o por   sua defesa da f\u00e9 no contexto universit\u00e1rio. Ele influenciou e continua   influenciando a f\u00e9 de v\u00e1rios professores, te\u00f3logos e ministros de renome   neste meio. O que a maioria dos leitores n\u00e3o sabe, \u00e9 que Tolkien teve um   importante papel na pr\u00f3pria convers\u00e3o de Lewis, como ficou registrado na sua   autobiografia, Surpreendido pela Alegria[3].<\/p>\n<p>A amizade entre os dois iniciou-se no ano seguinte ao ingresso de Lewis como   professor em Oxford e perdurou at\u00e9 a morte do \u00faltimo. Interessante neste   sentido, \u00e9 o registro que Lewis faz em seu di\u00e1rio das primeiras impress\u00f5es,   n\u00e3o muito favor\u00e1veis que teve de Tolkien:<\/p>\n<p>Ele \u00e9 um sujeitinho lustroso,   p\u00e1lido e carrancudo. Devia ser chato demais para ler um Spenser \u2013 que s\u00f3 deve   interessar para as aulas de ingl\u00eas &#8211; na concep\u00e7\u00e3o dele, a literatura s\u00f3 deve   servir para a divers\u00e3o de pessoas entre seus trinta e quarenta anos de   idade&#8230; No fundo \u00e9 gente boa: s\u00f3 est\u00e1 precisando de uns bons corretivos.[4]<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que muito dos seus   leitores e quem assistiu \u00e0 vers\u00e3o cinematogr\u00e1fica levantariam a mesma   acusa\u00e7\u00e3o contra Tolkien, queixa-se da grande quantidade de min\u00facias nas suas   descri\u00e7\u00f5es. Outros reclamam da grande quantidade de poemas que aparecem em   SenA. \u00c9 claro que ningu\u00e9m \u00e9 obrigado a apreciar poesia ou o tipo de   literatura extensa e refinada que Tolkien escrevia. Temos fortes raz\u00f5es para   a suspeita de que h\u00e1 cada vez menos leitores do tipo de literatura peculiar a   Tolkien. Entretanto, como procuraremos mostrar mais adiante, sua obra   permanece viva. Qual pode ser a explica\u00e7\u00e3o para este persistente sucesso e   para a tentativa de resgate da sua obra nos \u00faltimos tempos?<\/p>\n<p>Grande parte do mist\u00e9rio \u00e9 esclarecida por Lewis. Em suas cartas, ele revela   sua vis\u00e3o de Tolkien, como o grande homem que foi, mas tamb\u00e9m aponta para   alguns defeitos. Lewis o julgava pouco sistem\u00e1tico e excessivamente \u201cturr\u00e3o\u201d,   praticamente imperme\u00e1vel \u00e0 influ\u00eancia de quem fosse nas suas obras.[5]<\/p>\n<p>Al\u00e9m destes pequenos defeitos em Tolkien, seus amigos e principalmente seus   alunos repararam muito na dic\u00e7\u00e3o do autor. Ele tinha o costume de falar   bastante r\u00e1pido e de modo pouco articulado. Quem n\u00e3o estava habituado, tinha   dificuldade de acompanhar ou entender o que ele dizia. \u00c9 que a sua maneira de   falar era muito pr\u00f3xima a de escrever. Ele jamais conseguiu se livrar deste   seu estilo \u201cnarrativo\u201d de falar. Mesmo quando comentava coisas triviais do   cotidiano, nunca conseguia negar o seu tom de verdadeiro contador de hist\u00f3rias.   Mas, de uma maneira geral, seus alunos gostavam das suas aulas e o   consideravam um professor dedicado, bem humorado e cativante, o que tamb\u00e9m se   reflete em sua obra.<br \/>\nNo auge de sua carreira em Oxford, Tolkien tornou-se uma figura pol\u00eamica.   Muitos o criticavam por sua deficit\u00e1ria produ\u00e7\u00e3o no campo estritamente   \u201cacad\u00eamico\u201d. Nos seus poucos escritos de cr\u00edtica liter\u00e1ria, ele n\u00e3o resistia   a falar em contos de fada (fairy tales) e hist\u00f3ria do g\u00eanero, que eram   desprezadas pela academia como \u201cliteratura para crian\u00e7as\u201d, ou seja, na que se   devesse levar muito a s\u00e9rio.<\/p>\n<p>Como lembra muito bem Penteado, Tolkien acabou notabilizado assim, como:<br \/>\nrecriador contempor\u00e2neo dos mitos fant\u00e1sticos, descreve as facetas que s\u00e3o   necess\u00e1rias num bom conto de fadas: fantasia, recupera\u00e7\u00e3o, escape e consolo \u2013   recupera\u00e7\u00e3o de um desespero profundo, escape de algum grande perigo, mas,   acima de tudo, consolo, para Tolkien, \u00e9 o principal componente das hist\u00f3rias   de fadas completas.[6]<\/p>\n<p>Mais adiante ele comentar\u00e1,   inspirado igualmente em Tolkien, que o adulto n\u00e3o deve responder \u00e0 pergunta   \u201cisto \u00e9 verdade?\u201d, pois \u00e9 a crian\u00e7a mesma que deve perguntar-se acerca dela e   da quest\u00e3o ainda mais importante do que esta: \u201cisto \u00e9 bom?\u201d<\/p>\n<p>Muitos dos colegas de Tolkien tamb\u00e9m o criticavam ou invejavam por sua   \u201cpopularidade\u201d. Seus editores o pressionavam muito, porque ele   sistematicamente deixava de cumprir com os prazos. Mesmo a passo de   tartaruga, suas obras de fic\u00e7\u00e3o eram consideradas um enorme sucesso, j\u00e1 em   1960, pois aliavam talento art\u00edstico e poder imaginativo \u00e0 excel\u00eancia   acad\u00eamica.<\/p>\n<p>Movidos pela necessidade de trocar ideias com os colegas sobre as suas   cria\u00e7\u00f5es, Tolkien, Lewis e mais alguns amigos escritores, decidiram fundar um   clube, que denominaram <em>Inklings<\/em> [7]. Ele se reunia uma vez por semana   no escrit\u00f3rio de Lewis e outra, usualmente em um pub de Oxford, chamado <em>Eagle   and Child<\/em>. Todos os membros que j\u00e1 fizeram parte deste clube, composto,   em sua maioria, por eminentes catedr\u00e1ticos e autores tiveram grande   influ\u00eancia m\u00fatua sobre as suas respectivas obras. Ap\u00f3s a morte de Charles   Williams, uma das figuras que mais alimentou o entusiasmo do grupo, os   participantes mais ativos do clube voltaram a ser Tolkien e Lewis. O que os   unia era o gosto pela mitologia e pelos contos de fadas. Devido a isso eles   s\u00e3o muitas vezes considerados rom\u00e2nticos ou plat\u00f4nicos.<\/p>\n<p>Particularmente depois do sucesso de <em>O Hobbit<\/em>, Tolkien decidiu revelar   o seu maior trunfo, <em>O Silmarillion<\/em>. A rea\u00e7\u00e3o dos colegas do clube foi   de euforia, j\u00e1 que todos j\u00e1 estavam se perguntavam curiosos, o que tanto o   estava ocupando nas horas vagas. Mas ele havia feito quest\u00e3o de manter a   hist\u00f3ria e geografia do mundo de Terra-M\u00e9dia longe do p\u00fablico, enquanto a   mesma n\u00e3o estivesse bem estruturado e passado pelo crivo de Lewis.[8]<\/p>\n<p>Todos os Inklings compartilhavam a aprecia\u00e7\u00e3o de mitos, lendas e contos de fadas,   que Tolkien cultivava desde a inf\u00e2ncia, particularmente lendas n\u00f3rdicas. Elas   os inspiravam e motivavam a aventurar-se pelo mundo do imagin\u00e1rio. Seu sonho   era nada mais, nada menos, o de criar, ou melhor \u201cdescobrir\u201d um mundo   mitol\u00f3gico, que na realidade, n\u00e3o \u00e9 mais do que a pr\u00f3pria Terra. E o realismo   do mundo por ele criado era tal, que sempre que ele discutia detalhes ou at\u00e9   inconsist\u00eancias na sua hist\u00f3ria, ele falava, como se estivesse se referindo a   fatos da vida real. Esta sua postura quase que neur\u00f3tica em rela\u00e7\u00e3o ao seu   mundo imagin\u00e1rio chegou a despertar suspeitas e cr\u00edticas em alguns leitores,   preocupando os seus familiares e colegas. E acreditamos que n\u00e3o estejam   totalmente errados aqueles que atribuem a Tolkien certa obsess\u00e3o pela   Terra-M\u00e9dia.<br \/>\nEm todos os casos, Tolkien buscava ser coerente com as suas convic\u00e7\u00f5es e   particularmente com o seu pressuposto, de que a literatura mitol\u00f3gica \u00e9 a que   melhor integra hist\u00f3ria e l\u00edngua, realidade e fic\u00e7\u00e3o. Sua hip\u00f3tese, como   aprofundaremos mais adiante, era de que as verdades expressas pela linguagem   mitol\u00f3gica, t\u00eam a mesma racionalidade que aquelas expressas pela linguagem   cient\u00edfica. Mas ela tem a vantagem de apelar tanto para a raz\u00e3o, quanto para   a imagina\u00e7\u00e3o e emo\u00e7\u00f5es, campos dificilmente expressos pela linguagem formal.   Para Tolkien, o mito permite uma vis\u00e3o da realidade negada \u00e0 ci\u00eancia, numa   perspectiva hol\u00edstica e n\u00e3o fragment\u00e1ria, aberta para a totalidade do real.   Da\u00ed que ele o tenha escolhido como modelo para o seu tipo de literatura. Foi   precisamente a sua concep\u00e7\u00e3o de mito e particularmente a forma como ele o   relacionava ao cristianismo que tanto chamou a aten\u00e7\u00e3o e fascinou Lewis, como   veremos a seguir.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do gosto b\u00e1sico pela mitologia e das convic\u00e7\u00f5es essenciais do   cristianismo, os Inklings compartilhavam ainda de uma grande toler\u00e2ncia e   respeito \u00e0 liberdade de pensamento e cultivo das virtudes intelectuais. Em   seus escritos, eles costumavam destacar os temas da justi\u00e7a e do respeito   entre os homens, e em rela\u00e7\u00e3o a outros seres da natureza e meio ambiente.   Tanto que diversas sociedades alternativas, \u00e0 revelia do autor, mostraram-se   simpatizantes das suas obras, como veremos mais adiante.<\/p>\n<p>Somente estes valores, altamente educativos, n\u00e3o somente para o educador   crist\u00e3o, mas para o educador em geral, s\u00e3o bons motivos para se ler Tolkien.   Isto, independente da profiss\u00e3o religiosa, da cultura, do g\u00eanero do leitor,   j\u00e1 que se trata de valores humanos transculturais e plenamente universaliz\u00e1veis.<\/p>\n<p>Pois Tolkien acreditava que todo ser humano \u00e9 criado \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de   Deus e somente por isso j\u00e1 nasceu com o dom da \u201csub-cria\u00e7\u00e3o\u201d. Esta habilidade   nada mais \u00e9, do que o dom dado a todos, de inven\u00e7\u00e3o de um mundo secund\u00e1rio   dotado da mesma consist\u00eancia interna da realidade. Longe de querer fazer   apologia do cristianismo, Tolkien pretendia simplesmente exercitar este dom,   concebendo \u201cmundos\u201d. E assim, a nosso ver ele acaba, como que \u201cpor acaso\u201d,   por glorificar o seu Criador da forma mais honesta e bonita, num tributo \u00e0   sua simplicidade e soberania sem fim.<br \/>\nOutro conceito importante para se entender Tolkien \u00e9 o da alegoria, como   veremos em detalhe mais adiante. Ela \u00e9 recurso mais usado nas religi\u00f5es   primitivas e que se caracteriza pela &#8220;sacraliza\u00e7\u00e3o&#8221; da realidade,   ou seja, a interpreta\u00e7\u00e3o m\u00edstica e mistificadora do real, pautada pela   substitui\u00e7\u00e3o do s\u00edmbolo pela coisa simbolizada. \u00c9 o que se pode observar, nas   nossas terras, em \u00e9pocas de carnaval, onde os \u201ccarros aleg\u00f3ricos\u201d servem para   transportar verdadeiros mundos, com exist\u00eancia quase pr\u00f3pria e que evocam a   devo\u00e7\u00e3o quase religiosa de muitos. \u00c9 o que se observa ainda nas chamadas   novelas ou romances de cavalaria, t\u00e3o criticados por Cervantes, atrav\u00e9s da   sua \u201ctriste figura\u201d, Dom Quixote. \u00c9 finalmente o tipo de recurso   freq\u00fcentemente utilizado nas novelas atuais, ou nas chamadas \u201cnovelas   mexicanas\u201d.<\/p>\n<p>A alegoria tamb\u00e9m pode ocorrer nas leituras \u201cfor\u00e7adas\u201d de autores,   interessados em impor-lhes sentidos jamais pretendidos por eles, gerando   controv\u00e9rsias sem fim. Mais adiante, estaremos nos aprofundando em algumas   delas, em torno de SenA.<\/p>\n<p>Depois de lan\u00e7ar mais alguns contos de sucesso, como Tom Bombadil, Tolkien   aposentou-se e foi morar no interior junto com sua esposa, falecida em 1971.   A solid\u00e3o o leva a voltar para o seu apartamento na Universidade de Oxford   (seus filhos j\u00e1 haviam sa\u00eddo de casa). Em 1972 ele recebe o t\u00edtulo de doutor <em>honoris causa<\/em> em Letras pela   Universidade de Oxford. Ele passou o resto dos seus dias ali, onde tamb\u00e9m   conquistou o seu mais importante t\u00edtulo (Ordem do Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico), das   m\u00e3os da Rainha Elizabeth, uma das maiores gl\u00f3rias para os ingleses.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a sua morte em 1973, aos 81 anos de idade, depois de contrair uma doen\u00e7a   grave, foram criadas in\u00fameras sociedades, que passaram a cuidar da   preserva\u00e7\u00e3o da sua mem\u00f3ria, como a Sociedade de Tolkien Brasileira, entre   outras tantas [9]. Elas se encarregaram da divulga\u00e7\u00e3o e reedi\u00e7\u00e3o permanente   das suas obras por todo o mundo.<\/p>\n<p>Em suma, nada melhor, do que as palavras do pr\u00f3prio autor, para sintetizar a   ess\u00eancia da sua vida e obra:<br \/>\nNasci em 1892 e passei toda a   inf\u00e2ncia numa regi\u00e3o chamada \u201c<em>The Shire<\/em>\u201d[10], numa \u00e9poca anterior \u00e0   mecaniza\u00e7\u00e3o da lavoura. Em outras palavras, e o que importa ressaltar \u00e9 que   sou crist\u00e3o (o que se pode inferir muito bem das minhas hist\u00f3rias), na   verdade sou cat\u00f3lico romano. J\u00e1 este segundo \u201cfato\u201d pode n\u00e3o ser t\u00e3o   facilmente inferido&#8230; na verdade o que sou mesmo \u00e9 um hobbit (em todos os   aspectos, exceto pelo tamanho[11]). Gosto muito dos jardins, \u00e1rvores e lavouras   n\u00e3o mecanizadas; fumo cachimbo e aprecio boa comida caseira&#8230; gosto dos   trajes alinhados e tenho a pachorra de usar coletes, numa era t\u00e3o sem gra\u00e7a,   quanto a nossa. Amo cogumelos (colhidos diretamente do campo); meu senso de   humor \u00e9 coloquial (mesmo os meus cr\u00edticos mais simp\u00e1ticos costumam   considera-lo tedioso); costumo ir dormir tarde e (de prefer\u00eancia) acordo   tarde. N\u00e3o sou de viajar muito.[12]<\/p>\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n<p>DURIEZ,   Colin, The J.R.R. <strong>Tolkien Handbook<\/strong>, Grand Rapids (MI): Baker Book,   1992.<strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong>___,   The C.S. Lewis, <\/strong>Grand Rapids (MI): Baker   Book, 1990.<\/p>\n<p>LEWIS, C.S. <em>Surpreendido pela Alegria<\/em>, S\u00e3o   Paulo: Mundo Crist\u00e3, 1998.<\/p>\n<p>PENTEADO, J. Roberto Whitaker, <strong>Os Filhos de   Lobato<\/strong>, Rio de Janeiro: Qualymark\/Dunya, 1997.<strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong>NOTAS<\/strong><br \/>\n[1] Por mais estranho que possa parecer este h\u00e1bito ao p\u00fablico de hoje, \u00e9   interessante notar que ele tamb\u00e9m j\u00e1 foi praticado no Brasil em tempos de   Monteiro Lobato, por exemplo. Ali\u00e1s, h\u00e1 diversos pontos de contato e   coincid\u00eancias entre as duas biografias e obras.<br \/>\n[2] Catedr\u00e1tico de literatura inglesa medieval e renascentista e cr\u00edtico   liter\u00e1rio das universidades de Oxford e Cambridge, C.S. Lewis viveu entre   1898 e 1963. \u00c9 autor de obras acad\u00eamicas da \u00e1rea e foi um dos participantes   da elabora\u00e7\u00e3o do Dicion\u00e1rio de Oxford e de livros sobre cr\u00edtica liter\u00e1ria e   literatura. \u00c9 autor ainda de livros teol\u00f3gicos e contos, poesias e obras de   fic\u00e7\u00e3o de grande repercuss\u00e3o internacional como as <em>Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia, Cartas   de um Diabo a seu Aprendiz<\/em> (Vozes) entre outros.<br \/>\n[3] Lewis, C.S. <em>Surpreendido pela Alegria<\/em>, S\u00e3o Paulo: Mundo Crist\u00e3,   1998.<br \/>\n[4] Duriez, 1992, 256.<br \/>\n[5] Lewis, Letters, 1966, 287.<br \/>\n[6] Penteado, J. Roberto Whitaker, <em>Os Filhos de Lobato<\/em>, Rio de   Janeiro: Qualymark\/Dunya, 1997,122.<br \/>\n[7] Inkling, no ingl\u00eas, significa, ao mesmo tempo, borr\u00e3o, mancha e intui\u00e7\u00e3o,   no\u00e7\u00e3o ou id\u00e9ia.<br \/>\n[8] Interessante notar, neste sentido, que a descri\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o de N\u00e1rnia   feita por em <em>O Sobrinho do Mago<\/em> tem claros paralelos com o   Silmarillion, que Lewis j\u00e1 conhecia em parte na \u00e9poca.( Cf. Duriez, 1990,   123)<br \/>\n[9] O endere\u00e7o da homepage da sociedade \u00e9 http:\/\/www.jrrtolkien.com.br\/. Ela   cont\u00e9m dados atualizados sobre premia\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de uma excelente biografia,   lista de obras, entretenimento e dados para maiores estudos.<\/p>\n<p>[10]   Este foi o nome dado tamb\u00e9m ao territ\u00f3rio ocupado pelos hobbits em   Terra-M\u00e9dia. Na tradu\u00e7\u00e3o brasileira, a regi\u00e3o foi chamada de \u201cCondado\u201d.<br \/>\n[11]Os hobbits, seres que sempre s\u00e3o os personagens principais das obras de   Tolkien, caracterizam-se, entre outras coisas, por sua estatura quase que   nanica, eles moram em tocas bem confort\u00e1veis e caseiras e, como Tolkien   mesmo, n\u00e3o gostam muito de viajar.<br \/>\n[12] Tolkien, J.R.R. Letters of Tolkien, Carta de 25 de outubro, 1958, em   Duriez, <em>Manual de J.R.R. Tolkien<\/em>, 1992, 253. (Martins Fontes)<\/p>\n<p>\u00daltima   atualiza\u00e7\u00e3o em Qua, 21 de Outubro de 2009 00:47<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O em\u00e9rito professor de   filologia da universidade de Oxford, autor de obras consagradas de fic\u00e7\u00e3o, tais como O Senhor   dos An\u00e9is<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[29083],"tags":[29242,29287,29290,29344],"class_list":["post-157","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-de-gabriele","tag-j-r-r-tolkien","tag-o-hobbit","tag-o-senhor-dos-aneis","tag-silmarillion"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/157","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=157"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/157\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=157"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=157"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=157"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}