{"id":118,"date":"2010-02-05T13:21:15","date_gmt":"2010-02-05T13:21:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.mundonarnia.com\/cslewis\/?p=118"},"modified":"2010-02-05T13:21:15","modified_gmt":"2010-02-05T13:21:15","slug":"narnia-x-harry-potter-fantasias-boas-e-mas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/2010\/02\/05\/narnia-x-harry-potter-fantasias-boas-e-mas\/","title":{"rendered":"N\u00e1rnia X Harry Potter: Fantasias boas e m\u00e1s (?)"},"content":{"rendered":"<table border=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td valign=\"top\">\n<p style=\"text-align: right\">26 de novembro de 2007<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Por <em>Gene Edward Veith<\/em><\/p>\n<p>Os livros de Harry Potter   talvez sejam o maior sucesso at\u00e9 hoje na hist\u00f3ria da literatura infantil.   Essa s\u00e9rie, escrita por uma autora brit\u00e2nica chamada J. K. Rowling, foi   traduzida em 35 idioma e lida em 220 pa\u00edses. Chegou ao topo dos campe\u00f5es de   venda em todo o mundo com a marca de quarenta e um milh\u00f5es de exemplares   distribu\u00eddos. No Brasil, os livros da s\u00e9rie Harry Potter ocupam os tr\u00eas   primeiros lugares de venda. Os dois primeiros volumes, por exemplo, atingiram   a casa dos 200 mil exemplares vendidos. \u00c9 a primeira vez que um s\u00f3 autor   consegue conquistar tal posi\u00e7\u00e3o.Os maiores compradores desses livros campe\u00f5es   de venda s\u00e3o, obviamente, as crian\u00e7as. Muitas delas, segundo consta, ao   comprarem um exemplar dessa s\u00e9rie, est\u00e3o lendo pela primeira vez um livro na   vida. Pais e mestres afirmam que a s\u00e9rie Harry Potter est\u00e1 levando milhares e   milhares de jovens aos prazeres da leitura. Os meninos, em especial, que usualmente   s\u00e3o mais resistentes \u00e0 leitura que as meninas, est\u00e3o desligando a TV e os   videogames para dedicar tempo ao suposto bom livro. Os jovens que antes eram   condicionados a passar horas e horas em frente \u00e0 televis\u00e3o est\u00e3o se dedicando   intensamente \u00e0 leitura de uma s\u00e9rie com nada menos que 700 p\u00e1ginas. Quem v\u00ea   isso pensa logo em boas not\u00edcias. Mas n\u00e3o \u00e9 bem assim.<\/p>\n<p>Um dos aspectos das hist\u00f3rias   de Harry Potter faz com que os pais crist\u00e3os se sintam mal. A s\u00e9rie fala de   uma escola para bruxas. Harry \u00e9 um pr\u00e9-adolescente bobo e totalmente infeliz,   criado por padrastos que o desprezam. Por fim, ele vai para a Academia   Hogwarts [Verrugas de Javali], um internato m\u00e1gico. L\u00e1 aprende a lan\u00e7ar   sortil\u00e9gios e transforma-se num superatleta ao participar, voando, de uma corrida   de vassouras, al\u00e9m de desfrutar de aventuras fabulosas.Nestes tempos, quando   a verdadeira bruxaria est\u00e1 em voga, com as conven\u00e7\u00f5es de Wicca (bruxaria)   reconhecidas nos campus universit\u00e1rios da Europa e da Am\u00e9rica do Norte como   mais um minist\u00e9rio leg\u00edtimo entre estudantes, essa narra\u00e7\u00f5es passam a id\u00e9ia   de que a feiti\u00e7aria \u00e9 algo atraente. \u00c9 verdade que as bruxas que voam   montados em vassouras n\u00e3o deixam de ser uma ilustra\u00e7\u00e3o dos personagens das   hist\u00f3rias infantis. N\u00e3o se tratam, logicamente, das deusas neo-pag\u00e3s e dos   adoradores da natureza da Wicca. Mas n\u00e3o \u00e9 por isso que os pais crist\u00e3os   devem deixar de se preocupar com os seus filhos adolescentes: a leitura da   s\u00e9rie Harry Potter est\u00e1 a um pequeno passo entre o fasc\u00ednio pelo personagem   desses livros e o envolvimento aberto com o ocultismo.Harry Potter \u00e9 s\u00f3 um   exemplo de como a juventude de hoje est\u00e1 nadando na fantasia. Os videogames,   apesar de sua alta tecnologia, freq\u00fcentemente retratam \u00e2mbitos arcaicos de   espadas e feiti\u00e7aria. Na TV, envolvem-se com Xena, a princesa guerreira;   Buffy, a ca\u00e7a vampiros e Sabrina, a bruxa adolescente, al\u00e9m de programas e   novelas que evocam o ocultismo. Os filmes de grande popularidade entre as   crian\u00e7as, os adolescentes e os jovens s\u00e3o freq\u00fcentemente fantasias com toques   de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, como por exemplo, a s\u00e9rie Guerra nas Estrelas.Na   realidade, a fantasia sempre teve participa\u00e7\u00e3o fundamental no entretenimento   infantil, seja de modo mal\u00e9fico ou sadio. Hoje em dia, portanto, destaca-se   mais o seu lado mal\u00e9fico, infelizmente. A fantasia \u00e9 um recurso que, se n\u00e3o   for bem usado, prejudica, e muito. Se por um lado algumas hist\u00f3rias infantis   est\u00e3o eivada de insinua\u00e7\u00f5es feministas, por outro, muitos autores procuram   transmitir valores honestos, demasiadamente tradicionais.Alguns dos melhores   escritores crist\u00e3os, de John Bunyan a C. S. Lewis, t\u00eam empregado e defendido   o g\u00eanero liter\u00e1rio da fantasia. O Peregrino, de John Bunyan [publicado pela   Editora Mundo Crist\u00e3o], e as Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia [publicados pela editora   Martins Fontes], de Lewis, t\u00eam ajudado milhares de crian\u00e7as e seus pais a   compreender o evangelho.<\/p>\n<p>O problema n\u00e3o est\u00e1 na   fantasia, que nada mais \u00e9 do que um simples exerc\u00edcio de imagina\u00e7\u00e3o. Uma obra   que lan\u00e7a m\u00e3o desse recurso pode moldar a criatividade imagin\u00e1ria do p\u00fablico,   tanto para o bem quanto para o mal. O desafio \u00e9 saber discernir a diferen\u00e7a   entre a fantasia boa e a fantasia m\u00e1, e reconhecer n\u00e3o somente o seu   conte\u00fado, mas tamb\u00e9m o seu efeito sobre o leitor. O que torna uma fantasia   diferente da outra? Como o leitor ou seus pais podem perceber essa diferen\u00e7a?   Julgando o seu conte\u00fado. E isso envolve perspic\u00e1cia para entender como   funciona a fantasia e discernimento para reconhecer seus efeitos.<\/p>\n<p><strong>Fantasia e a realidade<\/strong>A solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 simplesmente   repudiar as obras de fantasia e favorecer as realistas. Poder\u00edamos argumentar   que livros realistas atuais para crian\u00e7as s\u00e3o mais negativos em seus efeitos   do que as fantasias da s\u00e9rie Harry Potter. Livros como Heather tem duas   mam\u00e3es, de Leslea Newman e Diana Souza, e O companheiro de quarto do papai,   de Michael Willhoite, s\u00e3o tentativas realistas de legitimar a pr\u00e1tica   homossexual entre crian\u00e7as de quatro a oito anos.Outras obras desse g\u00eanero   liter\u00e1rio lidam com div\u00f3rcio, abuso de crian\u00e7as e sexo. T\u00edtulos populares escritos   para adolescentes incluem tratamento favor\u00e1vel ao abuso de drogas, fuga de   casa, suic\u00eddio e rela\u00e7\u00e3o sexual extraconjugal em todas as suas formas. O   mundo realista de hoje \u00e9 constitu\u00eddo de pais cru\u00e9is, rebeli\u00e3o moral e   autocomisera\u00e7\u00e3o dos adolescentes. A moda do realismo nos livros infantis n\u00e3o   passa de um pretexto \u00e0 doutrina\u00e7\u00e3o politicamente correta, \u00e0 invectiva   anti-fam\u00edlia e \u00e0 narrativa eivada de problemas de ang\u00fastia.O psic\u00f3logo   crist\u00e3o William Kirk Kilpatrick demonstra como as hist\u00f3rias infantis podem   ajudar as crian\u00e7as em sua educa\u00e7\u00e3o moral. Elas aprendem que a virtude \u00e9   atraente e a iniq\u00fcidade, repulsiva. N\u00e3o assimilam isso pelos preceitos   abstratos das hist\u00f3rias, e muito menos pelos exerc\u00edcios de clarifica\u00e7\u00e3o de   valores ensinados nas escolas, mas ao torcerem por seus her\u00f3is virtuosos e   imitarem o comportamento deles.Parece que a proposi\u00e7\u00e3o inversa tamb\u00e9m \u00e9   verdadeira. Se algumas hist\u00f3rias tornam a virtude atraente, outras, no   entanto, elevam, de igual forma, o v\u00edcio. Assim como qualquer ferramenta, a   literatura tamb\u00e9m pode ser usada para o bem ou para o mal. Se o prop\u00f3sito \u00e9   ensinar a crian\u00e7a a n\u00e3o mentir, nada melhor do que o livro O menino que   gritava \u201clobo\u201d!, e outras f\u00e1bulas de Esopo que, apesar de seus animais   falantes, transmitem no\u00e7\u00f5es certas de trabalho esfor\u00e7ado (A formiga e a   cigarra) e da persist\u00eancia (A tartaruga e o coelho).N\u00e3o seria errado dizer   que os crist\u00e3os primitivos inventaram a fantasia, ou a fic\u00e7\u00e3o, por meio de   suas atitudes com os mitos. Para eles, os mitos n\u00e3o eram verdadeiros, e os   mantinham em seu curr\u00edculo educacional como meras hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>Conforme observa Werner Jaeger,   foram os crist\u00e3os que, finalmente, ensinaram aos homens a avaliar a poesia   por um padr\u00e3o puramente est\u00e9tico, padr\u00e3o este que os capacitou a rejeitar a maioria   dos ensinos morais e religiosos dos poetas cl\u00e1ssicos como falsos e \u00edmpios,   mas sem deixar de aceitar os elementos formais da sua obra como sendo   instrutivos e esteticamente agrad\u00e1veis.Os pag\u00e3os n\u00e3o acreditavam que as sagas   dos seus deuses n\u00e3o passavam de mitos, mas achavam-nas verdadeiras. Aos   crist\u00e3os, no entanto, seria idolatria acreditar que \u00cdcaro realmente voou t\u00e3o   alto em asas confeccionadas de cera, derretidas, depois, pela carruagem do   deus-sol. Uma vez que fique claro que o deus-sol n\u00e3o existe e que essa   hist\u00f3ria nunca aconteceu, ela pode ser apreciada de modo diferente, como uma   ilustra\u00e7\u00e3o do que pode acontecer com a soberba humana.As crian\u00e7as com forte   senso ficcional e sabedoria para distinguir a diferen\u00e7a entre a fantasia e o   mundo real est\u00e3o inoculadas contra a maioria dos efeitos nocivos desse tipo   de enredo. Quando, por\u00e9m, a crian\u00e7a passa a considerar o mundo real como   fantasia, a\u00ed sim surgem os problemas. Mas se ela compreender a diferen\u00e7a   entre fic\u00e7\u00e3o e realidade, ent\u00e3o as hist\u00f3rias de todos os tipos tornam-se   objeto de ensino e recrea\u00e7\u00e3o.<strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong>Os dois tipos de escape: o bom   e o mau<\/strong><br \/>\nA fantasia \u00e9 acusada de muitas coisas, e uma delas \u00e9 de ser mero escapismo.   No \u00e2mbito intelectual e cultural, que reconhece apenas aquilo que pode ser   visto, tocado e medido, talvez a fantasia seja um toque necess\u00e1rio e   especial. Isto porque ser\u00e1 um instrumento que despertar\u00e1 a imagina\u00e7\u00e3o das   pessoas para a saudade, a beleza, o hero\u00edsmo moral e os ideais   transcendentes. Ao agir na consci\u00eancia dessa maneira talvez o ser humano seja   acordado para a exist\u00eancia de alguma coisa a mais nesta vida do que apenas um   universo estreitamente material de \u00e1tomos zunindo.Na verdade, as hist\u00f3rias   infantis n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o-somente meros preceitos abstratos; pelo contr\u00e1rio, s\u00e3o   atitudes e percep\u00e7\u00f5es que penetram profundamente na imagina\u00e7\u00e3o e ajudam a   formar o car\u00e1ter.O psic\u00f3logo infantil Bruno Bettelheim relata como descobriu   a utilidade das hist\u00f3rias infantis no tratamento de crian\u00e7as marcadas por   traumas a abusos. Ele sustenta que as partes assustadoras dessas narra\u00e7\u00f5es   prev\u00eaem os temores que as crian\u00e7as t\u00eam na realidade (como no caso de Jo\u00e3o e   Maria, cujos pais n\u00e3o podiam sustent\u00e1-los. As crian\u00e7as realmente se preocupam   com esse tipo de situa\u00e7\u00e3o!). Em seguida, o autor mostra que, a despeito das   prova\u00e7\u00f5es (perder-se no bosque) e das tenta\u00e7\u00f5es (n\u00e3o comer a cama feita de   doces!), as crian\u00e7as descobriram, por meio do cora\u00e7\u00e3o e da a\u00e7\u00e3o virtuosa (a   bruxa \u00e9 vencida pela esperteza deles), que poderiam viver felizes para   sempre.Embora boa parte da literatura infantil contempor\u00e2nea procure projetar   um mundo dom\u00e9stico seguro, e insista que as historinhas sejam depuradas de   suas partes assustadoras e de seus castigos severos, Bettelheim adota uma   posi\u00e7\u00e3o diferente: Os adultos acham freq\u00fcentemente que o castigo cruel de uma   pessoa maligna numa hist\u00f3ria infantil perturba e assusta desnecessariamente   as crian\u00e7as. A verdade \u00e9 bem contr\u00e1ria a esse conceito e semelhante   retribui\u00e7\u00e3o deixa a crian\u00e7a sentir confian\u00e7a de que cada crime receber\u00e1 seu   devido castigo. Muitas vezes, a crian\u00e7a se sente injusti\u00e7ada pelos adultos e   pelo mundo em geral, e parece-lhe que nada \u00e9 feito para remediar a situa\u00e7\u00e3o.   Baseando-se exclusivamente nessa experi\u00eancias, deseja que aqueles que   trapaceiam e degradam sejam castigados com a m\u00e1xima severidade. Caso   contr\u00e1rio, a crian\u00e7a acha que ningu\u00e9m leva a s\u00e9rio a id\u00e9ia de proteg\u00ea-la; mas   quanto mais severo o castigo aplicado \u00e0quelas pessoas m\u00e1s, tanto mais segura   a crian\u00e7a se sente.O mundo das hist\u00f3rias infantis \u00e9 um \u00e2mbito de ordem moral   rigorosa. Quando usadas corretamente, as fantasias podem ajudar a instilar a   ordem moral na personalidade da crian\u00e7a.<strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong>Fantasiando o mal<\/strong><br \/>\nPosto que as fantasias podem ter um efeito ben\u00e9fico ao estimular a imagina\u00e7\u00e3o   de modo construtivo, n\u00e3o podemos nos esquecer que seus efeitos tamb\u00e9m podem   ser negativos. Se certos contos passam a id\u00e9ia de que o hero\u00edsmo moral \u00e9 algo   atraente, outros, podem levar as pessoas a conceber pensamentos   malignos.Alguns pais levantam obje\u00e7\u00f5es contra o livro de C. S. Lewis, O le\u00e3o,   a bruxa e o guarda-roupa, simplesmente porque ele cont\u00e9m uma feiticeira. N\u00e3o   levam em conta em considera\u00e7\u00e3o o fato de que tal personagem \u00e9 descrita como   uma vil\u00e3 repulsiva, um s\u00edmbolo do diabo e suas tenta\u00e7\u00f5es. Esquecem-se de que   o livro \u00e9 uma poderosa alegoria do evangelho. Acreditam que a obra (por causa   da exist\u00eancia de uma bruxa) e seus leitores sejam defensores e participantes   do ocultismo. Ser\u00e1 que para tais pessoas um panfleto falando contra a   bruxaria \u00e9 uma obra do ocultismo s\u00f3 porque menciona essa palavra: bruxaria?O   mesmo acontece com as hist\u00f3rias que cont\u00e9m viol\u00eancia. Pode haver uma trama   sem algum tipo de conflito? N\u00e3o existe hist\u00f3ria em que todos vivem felizes   para sempre. For\u00e7osamente, tem de haver algum tipo de problema, algum   obst\u00e1culo a ser vencido, algum embate, quer seja externo (os bons contra os   maus), quer seja interno (uma decis\u00e3o do personagem), ou os dois. As   fantasias tendem a exteriorizar os estados interiores e\/ou a simbolizar as   id\u00e9ias de forma concreta.Assim, o conflito \u00e9 sempre apresentado como algo   externo nas hist\u00f3rias infantis. Ou seja, ele \u00e9 manifestado atrav\u00e9s das lutas   contra os monstros, nas batalhas e duelos de cavaleiros com armaduras. Tudo   isso, portanto, pode ser caracterizado como viol\u00eancia. Mas, sem conflitos, s\u00f3   podem haver descri\u00e7\u00f5es insignificantes. Os conflitos imaginativos das   hist\u00f3rias ensinam a moralidade e edificam o car\u00e1ter.Atualmente, s\u00e3o os   humanistas liberais que negam a diferen\u00e7a real entre o certo e o errado, e o   conflito entre eles. E por isso levantam as obje\u00e7\u00f5es mais vociferantes contra   a viol\u00eancia nas hist\u00f3ria infantis. Matar um drag\u00e3o viola os direitos dos   animais; o salvamento de uma princesa nada mais \u00e9 do que interesse sexual.As   fantasias, juntamente com todas as demais formas de literatura, devem ser   avaliadas segundo seu significado e efeito. Que tipo de relev\u00e2ncia a   viol\u00eancia possui? Ela dramatiza o conflito entre o bem e o mal ou glorifica o   papel dos fortes que aterrorizam os fracos?Que efeito a viol\u00eancia tem sobre o   leitor? Deixa-o menos propenso a lesar as pessoas na vida real? Ou, pelo   contr\u00e1rio, desperta os prazeres da crueldade ou do sadismo?O ponto de vista   do personagem principal da hist\u00f3ria \u00e9 digno de uma an\u00e1lise apurada. As   hist\u00f3rias tradicionais quase sempre representam o ponto de vista do mocinho,   do homem bom (Nas hist\u00f3rias realistas mais complexas, com algum conflito   interno, o personagem talvez n\u00e3o seja t\u00e3o singelo, e o enredo pode fixar-se   apenas em luta moral. As trag\u00e9dias retratam um personagem nobre cuja   derrocada foi provocada por uma falha moral; mas, nas fantasias, os   personagens normalmente s\u00e3o mais simples). As hist\u00f3rias contempor\u00e2neas   dificilmente prendem o leitor ao pondo de vista de um personagem maligno.Nos   videogames modernos, destaca-se o jogo do Atirador na Primeira Pessoa. Esse   tipo de jogo interativo apresenta a a\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s dos olhos de um personagem   da hist\u00f3ria, que \u00e9 justamente o jogador. O v\u00eddeo procura retratar aquilo que   o personagem estaria vendo. O jogador \u00e9 um atirador porque \u00e9 colocado no   papel de um assassino em s\u00e9rie que anda a passos largos por uma paisagem   virtual, levantando sua arma e alvejando suas v\u00edtimas, detonando-as.Alguns   desses jogos se acham nos sal\u00f5es de tiro com alta tecnologia, visando alvos   humanos. Ao participar desse jogo, o atirador sente a sensa\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria de   ser assassino em s\u00e9rie. Ali\u00e1s, conforme j\u00e1 foi bastante noticiado, os   assassinos columbinos gostavam de jogos desse tipo e, posteriormente,   encenaram esses jogos na vida real.Dizem que o n\u00famero de jogadores que   literalmente encena esses jogos na vida real \u00e9 min\u00fasculo. Os crist\u00e3os,   entretanto, sabem que n\u00e3o s\u00e3o apenas as a\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m os pensamentos e   imagina\u00e7\u00f5es do cora\u00e7\u00e3o que corrompem moralmente. O pr\u00f3prio Jesus enfatizava   que Deus julga os pensamentos da mesma forma que julga as a\u00e7\u00f5es. O adult\u00e9rio   cometido no cora\u00e7\u00e3o viola o mandamento de Deus, ainda que jamais seja posto   em pr\u00e1tica. Ouvistes que foi dito aos antigos: N\u00e3o matar\u00e1s; mas qualquer que   matar ser\u00e1 r\u00e9u de ju\u00edzo; e qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu   irm\u00e3o, ser\u00e1 r\u00e9u de ju\u00edzo; e qualquer que disser a seu irm\u00e3o: Raca, ser\u00e1 r\u00e9u   do sin\u00e9drio; e qualquer que lhe disser: Louco, ser\u00e1 r\u00e9u do fogo do inferno   (Mt 5.21-22). Ouviste que foi dito aos antigos: N\u00e3o cometereis adult\u00e9rio. Eu,   por\u00e9m, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobi\u00e7ar, j\u00e1 em   seu cora\u00e7\u00e3o cometeu adult\u00e9rio com ela (Mt 5.27-28).As nossas fantasias   pessoais, tais como as liter\u00e1rias, s\u00e3o de suma import\u00e2ncia espiritual. As   fantasias pornogr\u00e1ficas e as imagina\u00e7\u00f5es sobre como machucar as pessoas s\u00e3o   extremamente prejudiciais a n\u00f3s mesmos. Elas corrompem o cora\u00e7\u00e3o.<strong> O caso   de Harry Potter<br \/>\n<\/strong><br \/>\nO que, portanto, os crist\u00e3os devem pensar do grande sucesso da moda Harry   Potter? Entre outros motivos, as crian\u00e7as se apaixonam por esses livros porque   suas mentes est\u00e3o subnutridas e, empregando a met\u00e1fora de Tolkien, suas   imagina\u00e7\u00f5es est\u00e3o como que aprisionadas, ansiosas por uma via de escape.As   escolas, muitas vezes, trancam as crian\u00e7as num curr\u00edculo politicamente   correto, esfor\u00e7ando-se zelosamente para inculcar na consci\u00eancia delas   problemas sociais reais e deprimentes. Seus livros-textos s\u00e3o materialistas.   Os textos cient\u00edficos asseveram o sistema naturalista do evolucionismo. Os   hist\u00f3ricos atacam as \u00faltimas sobras dos ideais crist\u00e3os. Os liter\u00e1rios   desenvolvem hist\u00f3rias de problemas e dilemas morais. N\u00e3o \u00e9 por nada que as   crian\u00e7as odeiam ler.A popularidade dos livros Harry Potter n\u00e3o est\u00e1   simplesmente no fato de eles serem fantasias (literaturas como esta existem   muitas, mas n\u00e3o com tamanha proje\u00e7\u00e3o e popularidade). A s\u00e9rie fala de escola,   de educa\u00e7\u00e3o. Eis o motivo de seu grande sucesso. Ao lerem a respeito da   Academia Verrugas de Javali, as crian\u00e7as se identificam com o ambiente, e   isso lhes d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de conhec\u00ea-la. Ao viajarem na leitura, encontram-se   com as panelinhas, as press\u00f5es estudantis e, acima de tudo, a luta pela   popularidade entre os amigos, algo com que est\u00e3o bem familiarizadas.A   Academia Verrugas de Javali \u00e9 uma escola diferente, interessante. N\u00e3o \u00e9 como   as escolas comuns. Ao inv\u00e9s de simplesmente colocar as crian\u00e7as sentadas em   grupos para que compartilhem seus sentimentos, ensina-lhes coisas   maravilhosas: tornar-se invis\u00edvel, mudar a forma dos objetos com vara de   cond\u00e3o (vara m\u00e1gica) e voar!As crian\u00e7as, especialmente as mais perceptivas,   podem identificar-se com Harry Potter que, no in\u00edcio, est\u00e1 preso no mundo de   Muggle (\u00e2mbito material comum e ins\u00edpido daqueles que n\u00e3o conseguem enxergar   o sobrenatural), marginalizado na escola e desprezado pelos padrastos. O   desenrolar da hist\u00f3ria revela que ele era realmente um m\u00e1gico desde o come\u00e7o.   Mas na Academia, o menino bobo de \u00f3culos alcan\u00e7a popularidade! Os f\u00e3s de   Harry Potter n\u00e3o est\u00e3o interessados no enredo fantasioso sobre bruxas, mas em   se tornarem populares e bem-sucedidos.O argumento crist\u00e3o contra Harry Potter   \u00e9 o fato de estar ele em uma escola para feiticeiros. Sabemos que as bruxas   n\u00e3o s\u00e3o meras personagens dos enredos fantasiosos. Elas s\u00e3o reais. Sejam elas   adoradoras de Satan\u00e1s ou devotas neo-pag\u00e3s de Wicca. N\u00e3o importa.Os defensores   de Harry Potter podem ressaltar que as bruxas da Academia Verrugas de Javali   nada t\u00eam a ver com Wicca ou com algum tipo de feiti\u00e7aria de magia negra. N\u00e3o   s\u00e3o in\u00edquas, de modo nenhum, e muito menos pregam qualquer tipo de religi\u00e3o   da natureza, como, por exemplo, a Nova Era. As bruxas aqui envolvidas s\u00e3o   tiradas das hist\u00f3rias infantis, com suas vassouras e sortil\u00e9gios. S\u00e3o   bondosas (assim como a bruxa virtuosa no M\u00e1gico de Oz). A verdade, para tais   defensores, \u00e9 que Harry est\u00e1 aprendendo a ser um m\u00e1gico, e n\u00e3o um   feiticeiro.Mas isso n\u00e3o importa. Como crist\u00e3os, devemos desaprovar esses   livros. Nas hist\u00f3rias infantis, as bruxas s\u00e3o tipicamente malignas, o que   refor\u00e7a as n\u00edtidas linhas distintivas entre o mal e o bem; ou seja, entre as   for\u00e7as das trevas e as for\u00e7as da luz. Qualquer coisa que borrar essas linhas   \u00e9 motivo de preocupa\u00e7\u00e3o.Harry Potter, no entanto, n\u00e3o apaga totalmente essas   linhas distintivas. Existe um poder abertamente maligno na pessoa de   Valdemort, uma bruxa realmente \u00edmpia contra a qual Harry e seus colegas de   escola est\u00e3o em conflito durante a s\u00e9rie inteira. Alguns enxergam desrespeito   para com os pais no p\u00e9ssimo relacionamento de Harry e seus padrastos. Os   verdadeiros pais desse personagem foram mortos pelo bruxo Valdemort. O amor e   a admira\u00e7\u00e3o por seus pais s\u00e3o sentimentos importantes no car\u00e1ter de   Harry.Todavia, essa literatura n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 altura de ser ideal. Ela apresenta   um perigo n\u00edtido e atual da bruxaria. Os pais crist\u00e3os t\u00eam raz\u00e3o ao orientar   seus filhos a evitar essa s\u00e9rie. Se a coqueluche Potter j\u00e1 afetou seus   filhos, caro leitor, voc\u00ea deve lidar cuidadosamente com a situa\u00e7\u00e3o.Os pais   devem deixar bem claro que os crist\u00e3os n\u00e3o s\u00e3o Muggles. Em outras palavras, o   cristianismo n\u00e3o \u00e9 uma cosmovis\u00e3o bitolada, materialista e enfadonha, tal   como satirizada nas novelas Potter e ensinada nas escolas. O cristianismo tem   um universo aberto, com espa\u00e7o para o natural e o sobrenatural, para o   corriqueiro e o milagroso. O cristianismo reconhece as verdades invis\u00edveis da   bondade e da beleza, e acredita numa batalha genu\u00edna entre as for\u00e7as das   trevas e as for\u00e7as da luz. Os relatos b\u00edblicos sobre como Deus se tornou   homem, atrav\u00e9s de Jesus Cristo, a derrota de Satan\u00e1s, a expia\u00e7\u00e3o pelos nossos   pecados, mediante seu sacrif\u00edcio na cruz, a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo comp\u00f5em a   hist\u00f3ria mais maravilhosa de todas as hist\u00f3rias.A melhor maneira de evitar   que as nossas crian\u00e7as sejam confundidas por Harry Potter e seduzidas pelas   fantasias m\u00e1s, o que \u00e9 muito pior, \u00e9 colocar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o delas a boa   literatura, e tamb\u00e9m a fantasia boa, como por exemplo, o livro O Peregrino,   de John Bunyan. Nenhuma literatura, portanto, substitui a B\u00edblia Sagrada, a   poderosa Palavra de Deus.Veja que maravilha: <em>Educa a crian\u00e7a no caminho em   que deve andar; e at\u00e9 quando envelhecer n\u00e3o se desviar\u00e1 dele<\/em> (Pv 22.6).<\/p>\n<p>Fonte:<\/p>\n<p>Blog Can\u00e7\u00e3o Nova,   dispon\u00edvel em <span style=\"text-decoration: underline\"><a href=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/sergiofernandes\/2007\/11\/page\/6\/\">http:\/\/blog.cancaonova.com\/sergiofernandes\/2007\/11\/page\/6\/<\/a><\/span>,   acesso em 01\/01\/2009.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u00daltima   atualiza\u00e7\u00e3o em Ter, 20 de Outubro de 2009 15:17<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Copyright \u00a9 2010. cslewis.com.br.<\/p>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"overflow: hidden;width: 1px;height: 1px\"><!--[if !mso]&gt; &lt;!  v:* {behavior:url(#default#VML);} o:* {behavior:url(#default#VML);} w:* {behavior:url(#default#VML);} .shape {behavior:url(#default#VML);} --> <!--[endif]--><!--[if gte mso 9]&gt;  Normal 0        21   false false false  PT-BR X-NONE X-NONE              MicrosoftInternetExplorer4              &lt;![endif]--><!--[if gte mso 9]&gt;-->                                                                                                                                            <!--  \/* Font Definitions *\/  @font-face \t{font-family:\"Cambria Math\"; \tpanose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4; \tmso-font-charset:0; \tmso-generic-font-family:roman; \tmso-font-pitch:variable; \tmso-font-signature:-1610611985 1107304683 0 0 159 0;} @font-face \t{font-family:Calibri; \tpanose-1:2 15 5 2 2 2 4 3 2 4; \tmso-font-charset:0; \tmso-generic-font-family:swiss; \tmso-font-pitch:variable; \tmso-font-signature:-1610611985 1073750139 0 0 159 0;}  \/* Style Definitions *\/  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal \t{mso-style-unhide:no; \tmso-style-qformat:yes; \tmso-style-parent:\"\"; \tmargin:0cm; \tmargin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:11.0pt; \tfont-family:\"Calibri\",\"sans-serif\"; \tmso-ascii-font-family:Calibri; \tmso-ascii-theme-font:minor-latin; \tmso-fareast-font-family:Calibri; \tmso-fareast-theme-font:minor-latin; \tmso-hansi-font-family:Calibri; \tmso-hansi-theme-font:minor-latin; \tmso-bidi-font-family:\"Times New Roman\"; \tmso-bidi-theme-font:minor-bidi; \tmso-fareast-language:EN-US;} a:link, span.MsoHyperlink \t{mso-style-priority:99; \tcolor:blue; \ttext-decoration:underline; \ttext-underline:single;} a:visited, span.MsoHyperlinkFollowed \t{mso-style-noshow:yes; \tmso-style-priority:99; \tcolor:purple; \tmso-themecolor:followedhyperlink; \ttext-decoration:underline; \ttext-underline:single;} .MsoChpDefault \t{mso-style-type:export-only; \tmso-default-props:yes; \tmso-ascii-font-family:Calibri; \tmso-ascii-theme-font:minor-latin; \tmso-fareast-font-family:Calibri; \tmso-fareast-theme-font:minor-latin; \tmso-hansi-font-family:Calibri; \tmso-hansi-theme-font:minor-latin; \tmso-bidi-font-family:\"Times New Roman\"; \tmso-bidi-theme-font:minor-bidi; \tmso-fareast-language:EN-US;} @page Section1 \t{size:595.3pt 841.9pt; \tmargin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; \tmso-header-margin:35.4pt; \tmso-footer-margin:35.4pt; \tmso-paper-source:0;} div.Section1 \t{page:Section1;} --><!--[if gte mso 10]&gt; &lt;!   \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable \t{mso-style-name:&quot;Tabela normal&quot;; \tmso-tstyle-rowband-size:0; \tmso-tstyle-colband-size:0; \tmso-style-noshow:yes; \tmso-style-priority:99; \tmso-style-qformat:yes; \tmso-style-parent:&quot;&quot;; \tmso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; \tmso-para-margin:0cm; \tmso-para-margin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:11.0pt; \tfont-family:&quot;Calibri&quot;,&quot;sans-serif&quot;; \tmso-ascii-font-family:Calibri; \tmso-ascii-theme-font:minor-latin; \tmso-hansi-font-family:Calibri; \tmso-hansi-theme-font:minor-latin; \tmso-fareast-language:EN-US;} --> <!--[endif]--><\/p>\n<table class=\"MsoNormalTable\" border=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"padding: 0.75pt\" valign=\"top\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 2.5pt;text-align: center\"><strong><span>N\u00e1rnia X Harry   Potter: Fantasias boas e m\u00e1s (?) <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span> <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>26 de novembro de 2007<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: right\"><span><br \/>\nPor <em>Gene Edward Veith<\/em><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Os livros de Harry Potter   talvez sejam o maior sucesso at\u00e9 hoje na hist\u00f3ria da literatura infantil.   Essa s\u00e9rie, escrita por uma autora brit\u00e2nica chamada J. K. Rowling, foi   traduzida em 35 idioma e lida em 220 pa\u00edses. Chegou ao topo dos campe\u00f5es de   venda em todo o mundo com a marca de quarenta e um milh\u00f5es de exemplares   distribu\u00eddos. No Brasil, os livros da s\u00e9rie Harry Potter ocupam os tr\u00eas   primeiros lugares de venda. Os dois primeiros volumes, por exemplo, atingiram   a casa dos 200 mil exemplares vendidos. \u00c9 a primeira vez que um s\u00f3 autor   consegue conquistar tal posi\u00e7\u00e3o.Os maiores compradores desses livros campe\u00f5es   de venda s\u00e3o, obviamente, as crian\u00e7as. Muitas delas, segundo consta, ao   comprarem um exemplar dessa s\u00e9rie, est\u00e3o lendo pela primeira vez um livro na   vida. Pais e mestres afirmam que a s\u00e9rie Harry Potter est\u00e1 levando milhares e   milhares de jovens aos prazeres da leitura. Os meninos, em especial, que usualmente   s\u00e3o mais resistentes \u00e0 leitura que as meninas, est\u00e3o desligando a TV e os   videogames para dedicar tempo ao suposto bom livro. Os jovens que antes eram   condicionados a passar horas e horas em frente \u00e0 televis\u00e3o est\u00e3o se dedicando   intensamente \u00e0 leitura de uma s\u00e9rie com nada menos que 700 p\u00e1ginas. Quem v\u00ea   isso pensa logo em boas not\u00edcias. Mas n\u00e3o \u00e9 bem assim. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Um dos aspectos das hist\u00f3rias   de Harry Potter faz com que os pais crist\u00e3os se sintam mal. A s\u00e9rie fala de   uma escola para bruxas. Harry \u00e9 um pr\u00e9-adolescente bobo e totalmente infeliz,   criado por padrastos que o desprezam. Por fim, ele vai para a Academia   Hogwarts [Verrugas de Javali], um internato m\u00e1gico. L\u00e1 aprende a lan\u00e7ar   sortil\u00e9gios e transforma-se num superatleta ao participar, voando, de uma corrida   de vassouras, al\u00e9m de desfrutar de aventuras fabulosas.Nestes tempos, quando   a verdadeira bruxaria est\u00e1 em voga, com as conven\u00e7\u00f5es de Wicca (bruxaria)   reconhecidas nos campus universit\u00e1rios da Europa e da Am\u00e9rica do Norte como   mais um minist\u00e9rio leg\u00edtimo entre estudantes, essa narra\u00e7\u00f5es passam a id\u00e9ia   de que a feiti\u00e7aria \u00e9 algo atraente. \u00c9 verdade que as bruxas que voam   montados em vassouras n\u00e3o deixam de ser uma ilustra\u00e7\u00e3o dos personagens das   hist\u00f3rias infantis. N\u00e3o se tratam, logicamente, das deusas neo-pag\u00e3s e dos   adoradores da natureza da Wicca. Mas n\u00e3o \u00e9 por isso que os pais crist\u00e3os   devem deixar de se preocupar com os seus filhos adolescentes: a leitura da   s\u00e9rie Harry Potter est\u00e1 a um pequeno passo entre o fasc\u00ednio pelo personagem   desses livros e o envolvimento aberto com o ocultismo.Harry Potter \u00e9 s\u00f3 um   exemplo de como a juventude de hoje est\u00e1 nadando na fantasia. Os videogames,   apesar de sua alta tecnologia, freq\u00fcentemente retratam \u00e2mbitos arcaicos de   espadas e feiti\u00e7aria. Na TV, envolvem-se com Xena, a princesa guerreira;   Buffy, a ca\u00e7a vampiros e Sabrina, a bruxa adolescente, al\u00e9m de programas e   novelas que evocam o ocultismo. Os filmes de grande popularidade entre as   crian\u00e7as, os adolescentes e os jovens s\u00e3o freq\u00fcentemente fantasias com toques   de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, como por exemplo, a s\u00e9rie Guerra nas Estrelas.Na   realidade, a fantasia sempre teve participa\u00e7\u00e3o fundamental no entretenimento   infantil, seja de modo mal\u00e9fico ou sadio. Hoje em dia, portanto, destaca-se   mais o seu lado mal\u00e9fico, infelizmente. A fantasia \u00e9 um recurso que, se n\u00e3o   for bem usado, prejudica, e muito. Se por um lado algumas hist\u00f3rias infantis   est\u00e3o eivada de insinua\u00e7\u00f5es feministas, por outro, muitos autores procuram   transmitir valores honestos, demasiadamente tradicionais.Alguns dos melhores   escritores crist\u00e3os, de John Bunyan a C. S. Lewis, t\u00eam empregado e defendido   o g\u00eanero liter\u00e1rio da fantasia. O Peregrino, de John Bunyan [publicado pela   Editora Mundo Crist\u00e3o], e as Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia [publicados pela editora   Martins Fontes], de Lewis, t\u00eam ajudado milhares de crian\u00e7as e seus pais a   compreender o evangelho.<br \/>\n<!--[if !supportLineBreakNewLine]--><br \/>\n<!--[endif]--><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>O problema n\u00e3o est\u00e1 na   fantasia, que nada mais \u00e9 do que um simples exerc\u00edcio de imagina\u00e7\u00e3o. Uma obra   que lan\u00e7a m\u00e3o desse recurso pode moldar a criatividade imagin\u00e1ria do p\u00fablico,   tanto para o bem quanto para o mal. O desafio \u00e9 saber discernir a diferen\u00e7a   entre a fantasia boa e a fantasia m\u00e1, e reconhecer n\u00e3o somente o seu   conte\u00fado, mas tamb\u00e9m o seu efeito sobre o leitor. O que torna uma fantasia   diferente da outra? Como o leitor ou seus pais podem perceber essa diferen\u00e7a?   Julgando o seu conte\u00fado. E isso envolve perspic\u00e1cia para entender como   funciona a fantasia e discernimento para reconhecer seus efeitos.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><br \/>\n<strong>Fantasia e a realidade<\/strong> <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>A solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 simplesmente   repudiar as obras de fantasia e favorecer as realistas. Poder\u00edamos argumentar   que livros realistas atuais para crian\u00e7as s\u00e3o mais negativos em seus efeitos   do que as fantasias da s\u00e9rie Harry Potter. Livros como Heather tem duas   mam\u00e3es, de Leslea Newman e Diana Souza, e O companheiro de quarto do papai,   de Michael Willhoite, s\u00e3o tentativas realistas de legitimar a pr\u00e1tica   homossexual entre crian\u00e7as de quatro a oito anos.Outras obras desse g\u00eanero   liter\u00e1rio lidam com div\u00f3rcio, abuso de crian\u00e7as e sexo. T\u00edtulos populares escritos   para adolescentes incluem tratamento favor\u00e1vel ao abuso de drogas, fuga de   casa, suic\u00eddio e rela\u00e7\u00e3o sexual extraconjugal em todas as suas formas. O   mundo realista de hoje \u00e9 constitu\u00eddo de pais cru\u00e9is, rebeli\u00e3o moral e   autocomisera\u00e7\u00e3o dos adolescentes. A moda do realismo nos livros infantis n\u00e3o   passa de um pretexto \u00e0 doutrina\u00e7\u00e3o politicamente correta, \u00e0 invectiva   anti-fam\u00edlia e \u00e0 narrativa eivada de problemas de ang\u00fastia.O psic\u00f3logo   crist\u00e3o William Kirk Kilpatrick demonstra como as hist\u00f3rias infantis podem   ajudar as crian\u00e7as em sua educa\u00e7\u00e3o moral. Elas aprendem que a virtude \u00e9   atraente e a iniq\u00fcidade, repulsiva. N\u00e3o assimilam isso pelos preceitos   abstratos das hist\u00f3rias, e muito menos pelos exerc\u00edcios de clarifica\u00e7\u00e3o de   valores ensinados nas escolas, mas ao torcerem por seus her\u00f3is virtuosos e   imitarem o comportamento deles.Parece que a proposi\u00e7\u00e3o inversa tamb\u00e9m \u00e9   verdadeira. Se algumas hist\u00f3rias tornam a virtude atraente, outras, no   entanto, elevam, de igual forma, o v\u00edcio. Assim como qualquer ferramenta, a   literatura tamb\u00e9m pode ser usada para o bem ou para o mal. Se o prop\u00f3sito \u00e9   ensinar a crian\u00e7a a n\u00e3o mentir, nada melhor do que o livro O menino que   gritava \u201clobo\u201d!, e outras f\u00e1bulas de Esopo que, apesar de seus animais   falantes, transmitem no\u00e7\u00f5es certas de trabalho esfor\u00e7ado (A formiga e a   cigarra) e da persist\u00eancia (A tartaruga e o coelho).N\u00e3o seria errado dizer   que os crist\u00e3os primitivos inventaram a fantasia, ou a fic\u00e7\u00e3o, por meio de   suas atitudes com os mitos. Para eles, os mitos n\u00e3o eram verdadeiros, e os   mantinham em seu curr\u00edculo educacional como meras hist\u00f3rias.<br \/>\n<!--[if !supportLineBreakNewLine]--><br \/>\n<!--[endif]--><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Conforme observa Werner Jaeger,   foram os crist\u00e3os que, finalmente, ensinaram aos homens a avaliar a poesia   por um padr\u00e3o puramente est\u00e9tico, padr\u00e3o este que os capacitou a rejeitar a maioria   dos ensinos morais e religiosos dos poetas cl\u00e1ssicos como falsos e \u00edmpios,   mas sem deixar de aceitar os elementos formais da sua obra como sendo   instrutivos e esteticamente agrad\u00e1veis.Os pag\u00e3os n\u00e3o acreditavam que as sagas   dos seus deuses n\u00e3o passavam de mitos, mas achavam-nas verdadeiras. Aos   crist\u00e3os, no entanto, seria idolatria acreditar que \u00cdcaro realmente voou t\u00e3o   alto em asas confeccionadas de cera, derretidas, depois, pela carruagem do   deus-sol. Uma vez que fique claro que o deus-sol n\u00e3o existe e que essa   hist\u00f3ria nunca aconteceu, ela pode ser apreciada de modo diferente, como uma   ilustra\u00e7\u00e3o do que pode acontecer com a soberba humana.As crian\u00e7as com forte   senso ficcional e sabedoria para distinguir a diferen\u00e7a entre a fantasia e o   mundo real est\u00e3o inoculadas contra a maioria dos efeitos nocivos desse tipo   de enredo. Quando, por\u00e9m, a crian\u00e7a passa a considerar o mundo real como   fantasia, a\u00ed sim surgem os problemas. Mas se ela compreender a diferen\u00e7a   entre fic\u00e7\u00e3o e realidade, ent\u00e3o as hist\u00f3rias de todos os tipos tornam-se   objeto de ensino e recrea\u00e7\u00e3o.<strong><br \/>\n<!--[if !supportLineBreakNewLine]--><br \/>\n<!--[endif]--><\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span>Os dois tipos de escape: o bom   e o mau<\/span><\/strong><span><br \/>\nA fantasia \u00e9 acusada de muitas coisas, e uma delas \u00e9 de ser mero escapismo.   No \u00e2mbito intelectual e cultural, que reconhece apenas aquilo que pode ser   visto, tocado e medido, talvez a fantasia seja um toque necess\u00e1rio e   especial. Isto porque ser\u00e1 um instrumento que despertar\u00e1 a imagina\u00e7\u00e3o das   pessoas para a saudade, a beleza, o hero\u00edsmo moral e os ideais   transcendentes. Ao agir na consci\u00eancia dessa maneira talvez o ser humano seja   acordado para a exist\u00eancia de alguma coisa a mais nesta vida do que apenas um   universo estreitamente material de \u00e1tomos zunindo.Na verdade, as hist\u00f3rias   infantis n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o-somente meros preceitos abstratos; pelo contr\u00e1rio, s\u00e3o   atitudes e percep\u00e7\u00f5es que penetram profundamente na imagina\u00e7\u00e3o e ajudam a   formar o car\u00e1ter.O psic\u00f3logo infantil Bruno Bettelheim relata como descobriu   a utilidade das hist\u00f3rias infantis no tratamento de crian\u00e7as marcadas por   traumas a abusos. Ele sustenta que as partes assustadoras dessas narra\u00e7\u00f5es   prev\u00eaem os temores que as crian\u00e7as t\u00eam na realidade (como no caso de Jo\u00e3o e   Maria, cujos pais n\u00e3o podiam sustent\u00e1-los. As crian\u00e7as realmente se preocupam   com esse tipo de situa\u00e7\u00e3o!). Em seguida, o autor mostra que, a despeito das   prova\u00e7\u00f5es (perder-se no bosque) e das tenta\u00e7\u00f5es (n\u00e3o comer a cama feita de   doces!), as crian\u00e7as descobriram, por meio do cora\u00e7\u00e3o e da a\u00e7\u00e3o virtuosa (a   bruxa \u00e9 vencida pela esperteza deles), que poderiam viver felizes para   sempre.Embora boa parte da literatura infantil contempor\u00e2nea procure projetar   um mundo dom\u00e9stico seguro, e insista que as historinhas sejam depuradas de   suas partes assustadoras e de seus castigos severos, Bettelheim adota uma   posi\u00e7\u00e3o diferente: Os adultos acham freq\u00fcentemente que o castigo cruel de uma   pessoa maligna numa hist\u00f3ria infantil perturba e assusta desnecessariamente   as crian\u00e7as. A verdade \u00e9 bem contr\u00e1ria a esse conceito e semelhante   retribui\u00e7\u00e3o deixa a crian\u00e7a sentir confian\u00e7a de que cada crime receber\u00e1 seu   devido castigo. Muitas vezes, a crian\u00e7a se sente injusti\u00e7ada pelos adultos e   pelo mundo em geral, e parece-lhe que nada \u00e9 feito para remediar a situa\u00e7\u00e3o.   Baseando-se exclusivamente nessa experi\u00eancias, deseja que aqueles que   trapaceiam e degradam sejam castigados com a m\u00e1xima severidade. Caso   contr\u00e1rio, a crian\u00e7a acha que ningu\u00e9m leva a s\u00e9rio a id\u00e9ia de proteg\u00ea-la; mas   quanto mais severo o castigo aplicado \u00e0quelas pessoas m\u00e1s, tanto mais segura   a crian\u00e7a se sente.O mundo das hist\u00f3rias infantis \u00e9 um \u00e2mbito de ordem moral   rigorosa. Quando usadas corretamente, as fantasias podem ajudar a instilar a   ordem moral na personalidade da crian\u00e7a.<strong><br \/>\n<!--[if !supportLineBreakNewLine]--><br \/>\n<!--[endif]--><\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span>Fantasiando o mal<\/span><\/strong><span><br \/>\nPosto que as fantasias podem ter um efeito ben\u00e9fico ao estimular a imagina\u00e7\u00e3o   de modo construtivo, n\u00e3o podemos nos esquecer que seus efeitos tamb\u00e9m podem   ser negativos. Se certos contos passam a id\u00e9ia de que o hero\u00edsmo moral \u00e9 algo   atraente, outros, podem levar as pessoas a conceber pensamentos   malignos.Alguns pais levantam obje\u00e7\u00f5es contra o livro de C. S. Lewis, O le\u00e3o,   a bruxa e o guarda-roupa, simplesmente porque ele cont\u00e9m uma feiticeira. N\u00e3o   levam em conta em considera\u00e7\u00e3o o fato de que tal personagem \u00e9 descrita como   uma vil\u00e3 repulsiva, um s\u00edmbolo do diabo e suas tenta\u00e7\u00f5es. Esquecem-se de que   o livro \u00e9 uma poderosa alegoria do evangelho. Acreditam que a obra (por causa   da exist\u00eancia de uma bruxa) e seus leitores sejam defensores e participantes   do ocultismo. Ser\u00e1 que para tais pessoas um panfleto falando contra a   bruxaria \u00e9 uma obra do ocultismo s\u00f3 porque menciona essa palavra: bruxaria?O   mesmo acontece com as hist\u00f3rias que cont\u00e9m viol\u00eancia. Pode haver uma trama   sem algum tipo de conflito? N\u00e3o existe hist\u00f3ria em que todos vivem felizes   para sempre. For\u00e7osamente, tem de haver algum tipo de problema, algum   obst\u00e1culo a ser vencido, algum embate, quer seja externo (os bons contra os   maus), quer seja interno (uma decis\u00e3o do personagem), ou os dois. As   fantasias tendem a exteriorizar os estados interiores e\/ou a simbolizar as   id\u00e9ias de forma concreta.Assim, o conflito \u00e9 sempre apresentado como algo   externo nas hist\u00f3rias infantis. Ou seja, ele \u00e9 manifestado atrav\u00e9s das lutas   contra os monstros, nas batalhas e duelos de cavaleiros com armaduras. Tudo   isso, portanto, pode ser caracterizado como viol\u00eancia. Mas, sem conflitos, s\u00f3   podem haver descri\u00e7\u00f5es insignificantes. Os conflitos imaginativos das   hist\u00f3rias ensinam a moralidade e edificam o car\u00e1ter.Atualmente, s\u00e3o os   humanistas liberais que negam a diferen\u00e7a real entre o certo e o errado, e o   conflito entre eles. E por isso levantam as obje\u00e7\u00f5es mais vociferantes contra   a viol\u00eancia nas hist\u00f3ria infantis. Matar um drag\u00e3o viola os direitos dos   animais; o salvamento de uma princesa nada mais \u00e9 do que interesse sexual.As   fantasias, juntamente com todas as demais formas de literatura, devem ser   avaliadas segundo seu significado e efeito. Que tipo de relev\u00e2ncia a   viol\u00eancia possui? Ela dramatiza o conflito entre o bem e o mal ou glorifica o   papel dos fortes que aterrorizam os fracos?Que efeito a viol\u00eancia tem sobre o   leitor? Deixa-o menos propenso a lesar as pessoas na vida real? Ou, pelo   contr\u00e1rio, desperta os prazeres da crueldade ou do sadismo?O ponto de vista   do personagem principal da hist\u00f3ria \u00e9 digno de uma an\u00e1lise apurada. As   hist\u00f3rias tradicionais quase sempre representam o ponto de vista do mocinho,   do homem bom (Nas hist\u00f3rias realistas mais complexas, com algum conflito   interno, o personagem talvez n\u00e3o seja t\u00e3o singelo, e o enredo pode fixar-se   apenas em luta moral. As trag\u00e9dias retratam um personagem nobre cuja   derrocada foi provocada por uma falha moral; mas, nas fantasias, os   personagens normalmente s\u00e3o mais simples). As hist\u00f3rias contempor\u00e2neas   dificilmente prendem o leitor ao pondo de vista de um personagem maligno.Nos   videogames modernos, destaca-se o jogo do Atirador na Primeira Pessoa. Esse   tipo de jogo interativo apresenta a a\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s dos olhos de um personagem   da hist\u00f3ria, que \u00e9 justamente o jogador. O v\u00eddeo procura retratar aquilo que   o personagem estaria vendo. O jogador \u00e9 um atirador porque \u00e9 colocado no   papel de um assassino em s\u00e9rie que anda a passos largos por uma paisagem   virtual, levantando sua arma e alvejando suas v\u00edtimas, detonando-as.Alguns   desses jogos se acham nos sal\u00f5es de tiro com alta tecnologia, visando alvos   humanos. Ao participar desse jogo, o atirador sente a sensa\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria de   ser assassino em s\u00e9rie. Ali\u00e1s, conforme j\u00e1 foi bastante noticiado, os   assassinos columbinos gostavam de jogos desse tipo e, posteriormente,   encenaram esses jogos na vida real.Dizem que o n\u00famero de jogadores que   literalmente encena esses jogos na vida real \u00e9 min\u00fasculo. Os crist\u00e3os,   entretanto, sabem que n\u00e3o s\u00e3o apenas as a\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m os pensamentos e   imagina\u00e7\u00f5es do cora\u00e7\u00e3o que corrompem moralmente. O pr\u00f3prio Jesus enfatizava   que Deus julga os pensamentos da mesma forma que julga as a\u00e7\u00f5es. O adult\u00e9rio   cometido no cora\u00e7\u00e3o viola o mandamento de Deus, ainda que jamais seja posto   em pr\u00e1tica. Ouvistes que foi dito aos antigos: N\u00e3o matar\u00e1s; mas qualquer que   matar ser\u00e1 r\u00e9u de ju\u00edzo; e qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu   irm\u00e3o, ser\u00e1 r\u00e9u de ju\u00edzo; e qualquer que disser a seu irm\u00e3o: Raca, ser\u00e1 r\u00e9u   do sin\u00e9drio; e qualquer que lhe disser: Louco, ser\u00e1 r\u00e9u do fogo do inferno   (Mt 5.21-22). Ouviste que foi dito aos antigos: N\u00e3o cometereis adult\u00e9rio. Eu,   por\u00e9m, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobi\u00e7ar, j\u00e1 em   seu cora\u00e7\u00e3o cometeu adult\u00e9rio com ela (Mt 5.27-28).As nossas fantasias   pessoais, tais como as liter\u00e1rias, s\u00e3o de suma import\u00e2ncia espiritual. As   fantasias pornogr\u00e1ficas e as imagina\u00e7\u00f5es sobre como machucar as pessoas s\u00e3o   extremamente prejudiciais a n\u00f3s mesmos. Elas corrompem o cora\u00e7\u00e3o.<strong> O caso   de Harry Potter<br \/>\n<\/strong><br \/>\nO que, portanto, os crist\u00e3os devem pensar do grande sucesso da moda Harry   Potter? Entre outros motivos, as crian\u00e7as se apaixonam por esses livros porque   suas mentes est\u00e3o subnutridas e, empregando a met\u00e1fora de Tolkien, suas   imagina\u00e7\u00f5es est\u00e3o como que aprisionadas, ansiosas por uma via de escape.As   escolas, muitas vezes, trancam as crian\u00e7as num curr\u00edculo politicamente   correto, esfor\u00e7ando-se zelosamente para inculcar na consci\u00eancia delas   problemas sociais reais e deprimentes. Seus livros-textos s\u00e3o materialistas.   Os textos cient\u00edficos asseveram o sistema naturalista do evolucionismo. Os   hist\u00f3ricos atacam as \u00faltimas sobras dos ideais crist\u00e3os. Os liter\u00e1rios   desenvolvem hist\u00f3rias de problemas e dilemas morais. N\u00e3o \u00e9 por nada que as   crian\u00e7as odeiam ler.A popularidade dos livros Harry Potter n\u00e3o est\u00e1   simplesmente no fato de eles serem fantasias (literaturas como esta existem   muitas, mas n\u00e3o com tamanha proje\u00e7\u00e3o e popularidade). A s\u00e9rie fala de escola,   de educa\u00e7\u00e3o. Eis o motivo de seu grande sucesso. Ao lerem a respeito da   Academia Verrugas de Javali, as crian\u00e7as se identificam com o ambiente, e   isso lhes d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de conhec\u00ea-la. Ao viajarem na leitura, encontram-se   com as panelinhas, as press\u00f5es estudantis e, acima de tudo, a luta pela   popularidade entre os amigos, algo com que est\u00e3o bem familiarizadas.A   Academia Verrugas de Javali \u00e9 uma escola diferente, interessante. N\u00e3o \u00e9 como   as escolas comuns. Ao inv\u00e9s de simplesmente colocar as crian\u00e7as sentadas em   grupos para que compartilhem seus sentimentos, ensina-lhes coisas   maravilhosas: tornar-se invis\u00edvel, mudar a forma dos objetos com vara de   cond\u00e3o (vara m\u00e1gica) e voar!As crian\u00e7as, especialmente as mais perceptivas,   podem identificar-se com Harry Potter que, no in\u00edcio, est\u00e1 preso no mundo de   Muggle (\u00e2mbito material comum e ins\u00edpido daqueles que n\u00e3o conseguem enxergar   o sobrenatural), marginalizado na escola e desprezado pelos padrastos. O   desenrolar da hist\u00f3ria revela que ele era realmente um m\u00e1gico desde o come\u00e7o.   Mas na Academia, o menino bobo de \u00f3culos alcan\u00e7a popularidade! Os f\u00e3s de   Harry Potter n\u00e3o est\u00e3o interessados no enredo fantasioso sobre bruxas, mas em   se tornarem populares e bem-sucedidos.O argumento crist\u00e3o contra Harry Potter   \u00e9 o fato de estar ele em uma escola para feiticeiros. Sabemos que as bruxas   n\u00e3o s\u00e3o meras personagens dos enredos fantasiosos. Elas s\u00e3o reais. Sejam elas   adoradoras de Satan\u00e1s ou devotas neo-pag\u00e3s de Wicca. N\u00e3o importa.Os defensores   de Harry Potter podem ressaltar que as bruxas da Academia Verrugas de Javali   nada t\u00eam a ver com Wicca ou com algum tipo de feiti\u00e7aria de magia negra. N\u00e3o   s\u00e3o in\u00edquas, de modo nenhum, e muito menos pregam qualquer tipo de religi\u00e3o   da natureza, como, por exemplo, a Nova Era. As bruxas aqui envolvidas s\u00e3o   tiradas das hist\u00f3rias infantis, com suas vassouras e sortil\u00e9gios. S\u00e3o   bondosas (assim como a bruxa virtuosa no M\u00e1gico de Oz). A verdade, para tais   defensores, \u00e9 que Harry est\u00e1 aprendendo a ser um m\u00e1gico, e n\u00e3o um   feiticeiro.Mas isso n\u00e3o importa. Como crist\u00e3os, devemos desaprovar esses   livros. Nas hist\u00f3rias infantis, as bruxas s\u00e3o tipicamente malignas, o que   refor\u00e7a as n\u00edtidas linhas distintivas entre o mal e o bem; ou seja, entre as   for\u00e7as das trevas e as for\u00e7as da luz. Qualquer coisa que borrar essas linhas   \u00e9 motivo de preocupa\u00e7\u00e3o.Harry Potter, no entanto, n\u00e3o apaga totalmente essas   linhas distintivas. Existe um poder abertamente maligno na pessoa de   Valdemort, uma bruxa realmente \u00edmpia contra a qual Harry e seus colegas de   escola est\u00e3o em conflito durante a s\u00e9rie inteira. Alguns enxergam desrespeito   para com os pais no p\u00e9ssimo relacionamento de Harry e seus padrastos. Os   verdadeiros pais desse personagem foram mortos pelo bruxo Valdemort. O amor e   a admira\u00e7\u00e3o por seus pais s\u00e3o sentimentos importantes no car\u00e1ter de   Harry.Todavia, essa literatura n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 altura de ser ideal. Ela apresenta   um perigo n\u00edtido e atual da bruxaria. Os pais crist\u00e3os t\u00eam raz\u00e3o ao orientar   seus filhos a evitar essa s\u00e9rie. Se a coqueluche Potter j\u00e1 afetou seus   filhos, caro leitor, voc\u00ea deve lidar cuidadosamente com a situa\u00e7\u00e3o.Os pais   devem deixar bem claro que os crist\u00e3os n\u00e3o s\u00e3o Muggles. Em outras palavras, o   cristianismo n\u00e3o \u00e9 uma cosmovis\u00e3o bitolada, materialista e enfadonha, tal   como satirizada nas novelas Potter e ensinada nas escolas. O cristianismo tem   um universo aberto, com espa\u00e7o para o natural e o sobrenatural, para o   corriqueiro e o milagroso. O cristianismo reconhece as verdades invis\u00edveis da   bondade e da beleza, e acredita numa batalha genu\u00edna entre as for\u00e7as das   trevas e as for\u00e7as da luz. Os relatos b\u00edblicos sobre como Deus se tornou   homem, atrav\u00e9s de Jesus Cristo, a derrota de Satan\u00e1s, a expia\u00e7\u00e3o pelos nossos   pecados, mediante seu sacrif\u00edcio na cruz, a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo comp\u00f5em a   hist\u00f3ria mais maravilhosa de todas as hist\u00f3rias.A melhor maneira de evitar   que as nossas crian\u00e7as sejam confundidas por Harry Potter e seduzidas pelas   fantasias m\u00e1s, o que \u00e9 muito pior, \u00e9 colocar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o delas a boa   literatura, e tamb\u00e9m a fantasia boa, como por exemplo, o livro O Peregrino,   de John Bunyan. Nenhuma literatura, portanto, substitui a B\u00edblia Sagrada, a   poderosa Palavra de Deus.Veja que maravilha: <em>Educa a crian\u00e7a no caminho em   que deve andar; e at\u00e9 quando envelhecer n\u00e3o se desviar\u00e1 dele<\/em> (Pv 22.6).<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 15.6pt\"><span>Fonte:<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 15.6pt\"><span>Blog Can\u00e7\u00e3o Nova,   dispon\u00edvel em <span style=\"text-decoration: underline\"><span style=\"color: blue\"><a href=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/sergiofernandes\/2007\/11\/page\/6\/\">http:\/\/blog.cancaonova.com\/sergiofernandes\/2007\/11\/page\/6\/<\/a><\/span><\/span>,   acesso em 01\/01\/2009.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span> <\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"padding: 0.75pt\">\n<p class=\"MsoNormal\"><span>\u00daltima   atualiza\u00e7\u00e3o em Ter, 20 de Outubro de 2009 15:17 <\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"MsoNormal\"><span> <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span lang=\"EN-US\">Copyright \u00a9 2010. cslewis.com.br.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><br \/>\n<span><!--[if gte vml 1]&gt;                  &lt;![endif]--><!--[if !vml]--><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"\/DOCUME%7E1\/Usuario\/CONFIG%7E1\/Temp\/msohtmlclip1\/01\/clip_image001.gif\" border=\"0\" alt=\"\" width=\"32\" height=\"32\" \/><!--[endif]--><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de Gene E. Veith, autor de alguns livros, comparando a s\u00e9rie Harry Potter de J.K. Rowling com as Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia de C.S. 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