{"id":1162,"date":"2025-07-03T10:05:59","date_gmt":"2025-07-03T13:05:59","guid":{"rendered":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/?p=1162"},"modified":"2025-07-03T10:05:59","modified_gmt":"2025-07-03T13:05:59","slug":"c-s-lewis-e-j-r-r-tolkien-alegoria-intertextualidade-biblica-e-imaginacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/2025\/07\/03\/c-s-lewis-e-j-r-r-tolkien-alegoria-intertextualidade-biblica-e-imaginacao\/","title":{"rendered":"C.S LEWIS E J.R.R TOLKIEN ALEGORIA, INTERTEXTUALIDADE B\u00cdBLICA E IMAGINA\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p><em>Cleber Santos Oliveira<\/em><\/p>\n<p><em>Revis\u00e3o Gabriele Greggersen<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Notadamente, tanto a inf\u00e2ncia de Tolkien nas Midlands inglesas, quanto a de Lewis, em Belfast, foram vividas sobrepujadas pela imagina\u00e7\u00e3o. Os pais de Tolkien eram cidad\u00e3os ingleses, de Birmingham, cidade localizada no norte da Inglaterra, no entanto, John Ronald Reuel Tolkien nasceu em Bloemfontein, cidade da regi\u00e3o central da \u00c1frica do Sul, no dia 3 de janeiro de 1892. Bloemfontein conhecida como \u201cfonte das flores\u201d \u00e9 a capital judici\u00e1ria, considerada a sexta maior cidade do pa\u00eds, rica em diamantes, sede de vastas edifica\u00e7\u00f5es de pr\u00e9dios p\u00fablicos e s\u00edtio de importantes propriedades hist\u00f3ricas como o \u201c<em>Raadsaal<\/em>\u201d, antigo local de encontro do Conselho do Estado de Orange, o Museu Nacional e o Museu da Guerra dos B\u00f4eres.<\/p>\n<p>Quando Arthur Reuel, pai de Tolkien, faleceu, sua m\u00e3e, Sra. Mabel, voltou com seus filhos para Birmingham e as belas paisagens campestres da \u201ccidade das rosas\u201d foram substitu\u00eddas \u201cpor casas dispostas em terra\u00e7os e chamin\u00e9s de tijolos, quintais de concreto e a fuma\u00e7a das f\u00e1bricas\u201d (WHITE, 2001, p. 28).<\/p>\n<p>Desde a inf\u00e2ncia Tolkien tornou-se um \u00e1vido leitor, recebendo de sua m\u00e3e v\u00e1rios livros infantis, como o ent\u00e3o rec\u00e9m publicado <em>Ilha do Tesouro<\/em>, <em>Alice no Pa\u00eds das Maravilhas<\/em>, <em>O Flautista de Hamelin<\/em> e, \u201co mais importante para Tolkien, ent\u00e3o com sete anos de idade, o livro chamado \u2018<em>Red Fary Book\u2019<\/em> [Livro vermelho de fadas] de Andrew Lang\u201d (WHITE, 2001, p. 30).<\/p>\n<p>Clive Staples Lewis nasceu em 29 de novembro de 1898, em Belfast, cidade do norte da Irlanda. Filho de Albert J. Lewis, advogado do Conselho da Cidade, e da Sra. Florence Augusta Hamilton, vinda do Condado de Cork, prov\u00edncia hist\u00f3rica de Munster, no sudoeste do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O est\u00edmulo imaginativo de C.S. Lewis teve como pano de fundo a paisagem f\u00edsica da Irlanda permeada de chuva e c\u00e9u cinzento.<\/p>\n<p>Uma casa abarrotada de livros, as distantes colinas de Castlereagh, a paisagem f\u00edsica do condado de Down, por detr\u00e1s as montanhas Mourne, cen\u00e1rio inspirativo que aflorou sua atividade art\u00edstica e que mais tarde ganhou adaptabilidade est\u00e9tica na paisagem da cordilheira de Arquel\u00e2ndia no conto infantil As<em> Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia<\/em>, foram ambientes prop\u00edcios para o florescimento de sua voca\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria. As n\u00e9voas e os elevados \u00edndices pluviom\u00e9tricos da Ilha Esmeralda vistas pelas lentes liter\u00e1rias do pequeno \u201cJack\u201d, como ele se auto apelidou ainda pequeno, agora era um local m\u00e1gico que proporcionava tanto a ele quanto a seu irm\u00e3o Warren uma \u201cporta de entrada para reinos distantes\u201d (Mcgrath, 2013).<\/p>\n<p>Os interesses em comum e a concord\u00e2ncia quanto \u00e0 verdade do Cristianismo foram elementos essenciais para a amizade dos dois, inclusive para a forma\u00e7\u00e3o do grupo de amigos liter\u00e1rios chamado O<em>s Inklings<\/em>.<\/p>\n<p>Deveu-se \u00e0 influ\u00eancia de Tolkien a persuas\u00e3o de Lewis no tocante \u00e0 verdade do cristianismo. Durante v\u00e1rios anos ele havia sido um ateu. Antes da amizade entre eles, Lewis era um poeta e acad\u00eamico de pouca import\u00e2ncia. Ap\u00f3s conhec\u00ea-lo, Lewis derivou para a fic\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o popular da f\u00e9 crist\u00e3 pela qual ficou t\u00e3o famoso. <em>As Cr\u00f4nicas<\/em> foram inspiradas pela escuta da leitura de Tolkien dos cap\u00edtulos de <em>O Senhor dos An\u00e9is<\/em> \u00e0 medida que eram escritos, e pelo conceito not\u00e1vel de Tolkien sobre subcria\u00e7\u00e3o (DURIEZ, 2005, p. 71).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cr\u00edticos e resenhistas divergem com respeito \u00e0 atividade ficcional de J.R.R Tolkien e C.S. Lewis, contudo, tanto o fil\u00f3logo sul-africano quanto o cr\u00edtico liter\u00e1rio brit\u00e2nico conheciam o poder das palavras. Tolkien era \u201cum amante da palavra\u201d e um fil\u00f3logo catedr\u00e1tico de Oxford dedicado \u00e0 l\u00edngua inglesa e literatura. Lewis foi catedr\u00e1tico de filosofia, diplomado em literatura grega e latina, estudioso da Literatura Medieval e Renascentista em Oxford, poeta, preletor e romancista. N\u00e3o raro \u201cdiscutiam a natureza da linguagem, suas mudan\u00e7as ao longo do tempo e o modo como a linguagem conduzia e era moldada pelo mito\u201d (DURIEZ, 2003, p. 83).<\/p>\n<p>De acordo com a professora Rosa S\u00edlvia L\u00f3pez (2004), estudiosa do autor, apesar do desacolhimento como ficcionista entre a comunidade acad\u00eamica em raz\u00e3o da grande popularidade de <em>O Hobbit<\/em> e <em>O<\/em> <em>Senhor dos An\u00e9is<\/em>, as hist\u00f3rias ficcionais de Tolkien resgatam quest\u00f5es prementes, tamb\u00e9m para os adultos, como fantasia, regenera\u00e7\u00e3o e consola\u00e7\u00e3o, demonstrando assim que suas narrativas fant\u00e1sticas n\u00e3o s\u00e3o uma literatura alienante e muito menos um modo de fugir da realidade. Na verdade, Tolkien \u201cfixou um padr\u00e3o de literatura de fantasia, que mesmo hoje, cinquenta anos ap\u00f3s o lan\u00e7amento de <em>O Senhor dos An\u00e9is<\/em>, ainda n\u00e3o foi superado\u201d (IVES GRANDA, 2006, p.8).<\/p>\n<p>Do mesmo modo, as sete hist\u00f3rias de N\u00e1rnia, a obra mais famosa e lida de C.S. Lewis, desde que foram publicadas entre 1950 e 1956, tornaram-se parte da vida de gera\u00e7\u00f5es de crian\u00e7as.<\/p>\n<p>C.S. Lewis morreu em 22 de novembro de 1963. J.R.R. Tolkien, em 2 de setembro de 1973.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Alegoria, intertextualidade b\u00edblica e imagina\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Numa busca pela defini\u00e7\u00e3o do termo Alegoria no <em>Larousse \u2013 \u00e1tica: Dicion\u00e1rio da L\u00edngua Portuguesa<\/em> ficamos sabendo que a palavra vem do grego <em>allegor\u00eda<\/em> e consiste numa \u201crepresenta\u00e7\u00e3o de conceitos abstratos por figuras simb\u00f3licas\u201d (2001, p. 30). A alegoria pode ser encontrada em todos os g\u00eaneros liter\u00e1rios. Numa obra de fic\u00e7\u00e3o, por exemplo, a alegoria exprime uma ideia por meio de ret\u00f3ricas ou figuras de linguagem, e por diversas vezes ela assume a forma de par\u00e1bola, f\u00e1bulas, serm\u00e3o, etc. \u00c9 comumente presente na literatura medieval e nos textos de alcance \u00e9tico moral. A concretiza\u00e7\u00e3o da alegoria por meio de imagens, pessoas, figuras, ideias ou qualidades abstratas funcionam como \u201cdisfarce das ideias apresentadas\u201d (Michaelis, online). Para a professora Daniela Diana, Licenciada em letras, (Toda Mat\u00e9ria, s\/a, online), a alegoria,<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[&#8230;] pode abrigar diversos significados que transcendem seu sentido literal (denotativo, real), de modo que ela utiliza s\u00edmbolos para representar uma coisa ou uma ideia atrav\u00e9s da apar\u00eancia de outra. Em outras palavras, a alegoria representa a linguagem figurativa, para descrever algo (pessoa, objeto, etc.) com a imagem de outro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Salienta-se que Tolkien n\u00e3o se agradava do uso de alegorias na literatura. Tratava-se, para ele, de uma pseudo-arte, pois a arte n\u00e3o deveria \u201cser apenas o sustent\u00e1culo da Igreja\u201d, mas uma cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica divertida: arte por puro prazer. Tolkien denominava esse tipo de divertimento como \u201csubcria\u00e7\u00e3o\u201d: \u201co trabalho divertido e criativo de um artista imitando o divino\u201d (O\u2019HARA, 2012, p. 150). Assim, o fil\u00f3logo brit\u00e2nico seguramente procurou eliminar qualquer tipo de d\u00favida que houvesse a respeito do significado da hist\u00f3ria <em>O Senhor dos An\u00e9is <\/em>e escreveu no pref\u00e1cio de sua obra que:<\/p>\n<p>O motivo principal foi o desejo de um contador de hist\u00f3ria de tentar fazer uma hist\u00f3ria realmente longa, que prendesse a aten\u00e7\u00e3o dos leitores, que os divertisse, que os deliciasse e \u00e0s vezes, quem sabe, os excitasse ou emocionasse profundamente. [&#8230;]<\/p>\n<p>Quanto a qualquer significado oculto ou \u201cmensagem\u201d, na inten\u00e7\u00e3o do autor estes n\u00e3o existem. O livro n\u00e3o \u00e9 nem aleg\u00f3rico nem se refere a fatos contempor\u00e2neos. Conforme a hist\u00f3ria se desenvolvia, foi criando ra\u00edzes (no passado) e lan\u00e7ou ramos inesperados: mas seu tema principal foi definido no in\u00edcio pela inevit\u00e1vel escolha do Anel como o elo entre este livro e O Hobbit (TOLKIEN, 2001, p. XIV).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jim Ware, escritor, salienta que Tolkien n\u00e3o tinha a pretens\u00e3o de converter as massas \u201cescrevendo tratados evang\u00e9licos disfar\u00e7ado\u201d (2012, p. 19-20). Segundo Kurt Bruner, pastor de forma\u00e7\u00e3o espiritual na <em>Lake Pointe Church em Rockwall<\/em>, <em>Texas<\/em> \u201c<em>O Senhor dos An\u00e9is<\/em> n\u00e3o \u00e9, como alguns sugeriram, uma alegoria encoberta do Evangelho\u201d (2012, p. 19-20). Entretanto, Bruner adverte: \u201cN\u00e3o fiquem surpresos ao encontrar Deus em lugares inesperados\u201d. Para Gabriele Greggersen, mestre e doutora em Hist\u00f3ria e Filosofia da Educa\u00e7\u00e3o, \u201c[&#8230;] nenhum autor crist\u00e3o ou n\u00e3o, pode negar sua vis\u00e3o de mundo quando escreve\u201d (2003, p. 72). Para Greggersen \u201c[&#8230;] \u00e9 na moral que melhor se pode reconhecer o fundamento b\u00edblico presente em <em>O Senhor dos An\u00e9is<\/em>, ou seja, na concep\u00e7\u00e3o do mal como busca desvairada do interesse pr\u00f3prio e, consequentemente, do exerc\u00edcio irrestrito do poder e da posse\u201d (2003. p. 71). Portanto, observa Greggersen, por mais que Tolkien quisesse escrever uma hist\u00f3ria sem segundas inten\u00e7\u00f5es, a arte pela arte mesmo; ele n\u00e3o p\u00f4de negar as suas ra\u00edzes e influ\u00eancias crist\u00e3s, da mesma forma que Lewis, que o faz de forma mais aberta e assim, quem sabe, tamb\u00e9m mais honesta.<\/p>\n<p>Alister McGrath, professor de Teologia Hist\u00f3rica na Universidade de Oxford, comenta que foi de uma maneira muito criativa e atrativa que Lewis colocou as ideias b\u00e1sicas da f\u00e9 crist\u00e3 em suas obras. Em seu livro <em>Conversando com C.S. Lewis, <\/em>McGrath disse: \u201cTalvez um dos aspectos mais originais da escrita de Lewis seja seu apelo persistente e poderoso \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o religiosa\u201d. (MACGRATH, 2014, p. 25).<\/p>\n<p>Para McGrath, N\u00e1rnia \u00e9 um estudo de caso teol\u00f3gico. \u00c9 por meio da explora\u00e7\u00e3o de uma narrativa de suposi\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica, sem usar de recursos argumentativos, mas valendo-se da boa fantasia, confiando no poder de suas imagens e seu estilo narrativo que C.S. Lewis \u201cconvida seus leitores a entrar num mundo de suposi\u00e7\u00f5es\u201d (MACGRATH, 2013, p. 293).<\/p>\n<p>Nesse sentido, embora muitas vezes N\u00e1rnia seja considerada uma alegoria religiosa (\u00e9 preciso enfatizar, n\u00e3o pelo pr\u00f3prio Lewis), a suposi\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica difere de uma alegoria. Conforme Macgrath (2013, p. 293),<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel ler N\u00e1rnia como uma alegoria; contudo, como Lewis observou certa vez: &#8220;o mero fato de <em>se poder<\/em> alegorizar a obra que se tem diante dos olhos n\u00e3o \u00e9 por si s\u00f3 uma prova de que se trata de uma alegoria\u201d. A diferen\u00e7a, de acordo com Lewis, \u00e9 que uma suposi\u00e7\u00e3o \u00e9 um convite a tentar ver as coisas de outra maneira, e imaginar como elas funcionam se fossem verdadeiras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A alegoria, no entanto, \u00e9 uma linguagem totalit\u00e1ria, que admite s\u00f3 uma moral e n\u00e3o d\u00e1 liberdade ao leitor de at\u00e9 n\u00e3o ver rela\u00e7\u00e3o nenhuma, no caso, com o cristianismo, como muitas pessoas fazem com as Cr\u00f4nicas.<\/p>\n<p>Mas de que maneira especifica Lewis trata desse aspecto? Pela pr\u00f3pria explica\u00e7\u00e3o sobre como a figura de Aslam deve ser interpretada. Em s\u00edntese: suponhamos como teria sido se o Filho de Deus, que se tornou homem em nosso mundo, tivesse nascido como um le\u00e3o num mundo chamado N\u00e1rnia. Como seria esse mundo? Conforme o te\u00f3logo Alister Macgrath, Lewis nos leva a refletir como seria a encarna\u00e7\u00e3o de Deus num mundo como N\u00e1rnia e ao inv\u00e9s de \u201cresponder a pergunta\u201d, N\u00e1rnia nos conduz a refletir, exigindo que elaboremos nossas pr\u00f3prias conclus\u00f5es ao \u201cpermitir que nossa imagina\u00e7\u00e3o complemente o que a raz\u00e3o sugere\u201d. (MACGRATH, 2013,p. 293). Para Lewis, isso n\u00e3o \u00e9 absolutamente alegoria.<\/p>\n<p>Desse modo, \u201cpercorrer seus escritos \u00e9 uma forma divertida e efetiva de aprofundar o interesse pela teologia\u201d (2008, p. 68) escreve\u00a0 Macgrath.<\/p>\n<p>Ives Granda Martins Filho, jurista e professor de Filosofia do Direito, ressalta que a cosmovis\u00e3o crist\u00e3 ou pontos de semelhan\u00e7as entre a saga tolkiana e a \u201cHist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o\u201d, ainda que velada, pode ser percebida de forma difusa nas principais obras de Tolkien <em>\u2013 O Silmarillion<\/em>, <em>O Hobbit<\/em> e <em>O Senhor dos An\u00e9is<\/em>, tais como: a perspectiva criacionista (o ato criador de um Deus \u00danico); a queda, a perspectiva \u00e9tica, miseric\u00f3rdia e perd\u00e3o; e como um simbolismo crist\u00e3o velado, podemos encontrar, dentre outros, o paralelismo do sacrif\u00edcio redentor para a salva\u00e7\u00e3o dos homens, como de Jesus Cristo na Cruz, no di\u00e1logo final entre Sam e Frodo (2010, p. 94,97).<\/p>\n<p>Para Ives Granda, mesmo n\u00e3o podendo procurar um paralelismo mais abrangente que possa acarretar em pretender forjar um \u201censaio teol\u00f3gico\u201d de mundivid\u00eancia crist\u00e3, \u201cn\u00e3o se pode deixar de perceber que justamente por ter assumido esses valores b\u00e1sicos, intr\u00ednsecos ao cristianismo, \u00e9 que [Tolkien] chegou a produzir uma obra de valor perene e de atrativo universal\u201d (2010, p. 97). Para Jim Ware (2012, p.20), \u201cpoucos negariam que suas hist\u00f3rias [as de Tolkien] s\u00e3o ricas de significado espiritual e cheias de imagens de verdades transcendentes\u201d. Entretanto, \u201cnum certo n\u00edvel, o car\u00e1ter e a vis\u00e3o de um artista s\u00e3o mais importantes do que seus objetivos e inten\u00e7\u00f5es declaradas. [&#8230;] E as cren\u00e7as e convic\u00e7\u00f5es mais profundas do escritor est\u00e3o geralmente em sua hist\u00f3ria\u201d, destaca Jim Ware (2012, p.20). Para a escritora e conferencista Christin Ditchfield, Lewis tinha uma imagina\u00e7\u00e3o b\u00edblica. Mesmo n\u00e3o tendo a inten\u00e7\u00e3o de fazer isso, \u201cconsciente, \u00e0s vezes, inconscientemente, Lewis intercalou verdades b\u00edblicas poderosas, em cada cap\u00edtulo e em cada cena em <em>As Cr\u00f4nicas<\/em>\u201d (DITCHFIELD, 2003, p. 17). Segundo Ditchfield a narrativa de C.S. Lewis traz uma mensagem de liberta\u00e7\u00e3o, salva\u00e7\u00e3o, resgate, restaura\u00e7\u00e3o e reden\u00e7\u00e3o. As hist\u00f3rias que C.S. Lewis escreveu nada mais s\u00e3o que reflexos de uma mente habilitada no escopo da Palavra de Deus.<\/p>\n<p>Como aponta o fil\u00f3sofo holand\u00eas, Herman Dooyeweerd (2010, p. 264), \u201ca raz\u00e3o humana n\u00e3o \u00e9 uma subst\u00e2ncia independente; \u00e9 antes um instrumento\u201d. A motiva\u00e7\u00e3o que est\u00e1 por tr\u00e1s dos empreendimentos do homem est\u00e1 em \u00faltima an\u00e1lise relacionada ao que Dooyeweerd apontou como o \u201cimpulso religioso no cora\u00e7\u00e3o humano\u201d (2010, p. 40). Quem sabe, ent\u00e3o, o segredo de compreendermos obras como as <em>Cr\u00f4nicas<\/em> e <em>O Senhor dos an\u00e9is<\/em> n\u00e3o esteja no g\u00eanero liter\u00e1rio ao qual pertencem, mas na metodologia de sua abordagem, observa Greggersen.<\/p>\n<p>No livro <em>Pedagogia Crist\u00e3 na Obra de C.S. Lewis<\/em>, Greggersen explica o conceito de intertextualidade, cujo termo foi introduzido pela cr\u00edtica liter\u00e1ria francesa J\u00falia Kristeva na d\u00e9cada de 1960 e que resumidamente \u00e9 um empr\u00e9stimo de outros textos no texto de um determinado autor. Pode apresentar uma manifesta\u00e7\u00e3o expl\u00edcita na extens\u00e3o do texto como, por exemplo, a cita\u00e7\u00e3o, ou pode acontecer de forma impl\u00edcita como uma par\u00e1frase ou uma alus\u00e3o. Levando-se em conta que para Kristeva o termo intertextualidade tem essa ideia de abrang\u00eancia, um texto n\u00e3o existe e nem pode ser analisado corretamente se for visto separadamente dos outros textos.<\/p>\n<p>Assim sendo, \u201ca intertextualidade pode ser usada como uma forma de aproxima\u00e7\u00e3o do conto <em>O Le\u00e3o, a Feiticeira e o guarda-roupa<\/em>, uma vez que o nosso autor (C.S. Lewis) alude a uma variedade de textos b\u00edblicos em seu texto\u201d (2006, p. 67). De acordo com Gabriele Greggersen \u201cna par\u00e1bola de Lewis [<em>O le\u00e3o, a feiticeira e o guarda-roupa<\/em>], deparamos com uma trama que resgata uma teologia crist\u00e3, apresentada por meio das personagens e dos acontecimentos em toda a narrativa do in\u00edcio ao fim\u201d e isso \u201cexige que o leitor, no m\u00ednimo, v\u00e1 al\u00e9m da f\u00e1bula e chegue \u00e0 trama\u201d [&#8230;] (2006, p. 28).<\/p>\n<p>Greggersen acentua que o pr\u00f3prio C.S. Lewis aprovou em uma de suas cartas esse modo de leitura porque ela elucida razoavelmente a percep\u00e7\u00e3o de imagens que muitas vezes parecem patentes outras n\u00e3o. Para Greggersen, o apelo \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o em <em>As Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia<\/em> s\u00e3o portas abertas que conduzem o leitor a um manancial de recursos pedag\u00f3gicos. Vale a pena registrar o livro <em>O outro nome de Aslam <\/em>escrito por Gabriele Greggersen e Vin\u00edcius A. Miranda, (2019), em que os autores esclarecerem as simbologias b\u00edblicas e n\u00e3o b\u00edblicas presentes nas sete hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>O professor e pastor Glauco Magalh\u00e3es Filho tra\u00e7a uma perspectiva semelhante em seu livro \u201c<em>O Imagin\u00e1rio em As Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia<\/em>\u201d. Glauco Magalh\u00e3es explica que C.S. Lewis apresentou o evangelho \u00e0s crian\u00e7as de maneira brilhante por meio da perspectiva dos contos infantis e, \u201cutilizando-se de imagens oriundas da mitologia grega e n\u00f3rdica, e dos contos de fadas, Lewis sempre procurou transmitir valores crist\u00e3os em seus escritos\u201d (2005, p.18), destacando, dentre outros pontos, a influ\u00eancia de autores como George MacDonald e G. K Chesterton, cujas obras professam f\u00e9 crist\u00e3 e foram importantes fontes de inspira\u00e7\u00e3o para Lewis.<\/p>\n<p>C.S. Lewis acreditava que era necess\u00e1rio estabelecer uma distin\u00e7\u00e3o entre mundo fantasioso e mundo imaginativo que Glauco Magalh\u00e3es tamb\u00e9m chama de \u201cverdadeira fantasia\u201d. Aquele n\u00e3o tem uma contrapartida da realidade. \u00c9 algo imaginado falsamente e para C.S. Lewis esse tipo de realidade inventada \u00e9 uma porta aberta para a decep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com isso em mente podemos citar, como por exemplo, a s\u00e9rie <em>Harry Potter<\/em> de J. K. Rowling e a trilogia <em>Fronteiras do Universo<\/em> de Phillip Pullman como obras de fic\u00e7\u00e3o puramente fantasiosas,\u00a0 sem sentido e que n\u00e3o aponta para lugar algum. Por mais que Rowling tenho dito em entrevistas que sua inspira\u00e7\u00e3o tenha sido C.S. Lewis ou que Pullman tenho recorrido a elementos de fantasia de N\u00e1rnia, com um enredo complicado, podemos categorizar as suas hist\u00f3rias mais como fantasia escapista do que como obras de imagina\u00e7\u00e3o cuja trama consistente conduz o leitor a reflex\u00f5es s\u00e9rias, como \u00e9 o caso do mundo imaginativo criado por C.S. Lewis em <em>As Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia<\/em> ou como nas aventuras de Bilbo Bolseiro, \u201co her\u00f3i de p\u00e9s peludo e de meia idade\u201d criado por J.R.R Tolkien em O<em> Hobbit<\/em> e<em> O Senhor dos An\u00e9is<\/em>. Est\u00e1 claro, portanto, a espantosa incompatibilidade de Rowling e Pullman com a arte de Lewis \u201cque sempre afirma a exist\u00eancia comum como algo bom, saud\u00e1vel e preciso\u201d (VEITH, 138); que aponta para a qualidade da simplicidade; que contribui para o enraizamento da f\u00e9 crist\u00e3 e moldam a consci\u00eancia espiritual de uma crian\u00e7a preparando-a para reconhecer os drag\u00f5es que est\u00e3o \u00e0 espreita ou ainda como os her\u00f3is de Tolkien que \u201cpodem ser personagens de fic\u00e7\u00e3o, mas as li\u00e7\u00f5es que aprendemos com suas aventuras s\u00e3o maravilhosamente reais e significativas para as nossas vidas\u201d. (SMITH, 2012, p. 18).<\/p>\n<p>O imaginativo, explica Alister McGrath, \u201c\u00e9 algo produzido pela mente humana em sua tentativa de responder a algo maior do que ela mesma, lutando para descobrir imagens adequadas da realidade\u201d. Segundo McGrath a conclus\u00e3o \u00e9 a seguinte: \u201co imaginativo [para Lewis] deve ser visto como um uso legitimo e positivo da imagina\u00e7\u00e3o humana, desafiando os limites da raz\u00e3o e abrindo a porta para uma apreens\u00e3o mais profunda da realidade\u201d (2013, p. 279 e 280). Alister McGrath enfatiza que uma boa hist\u00f3ria tem uma especificidade potencialmente criadora e isso pode ser visto na crescente percep\u00e7\u00e3o de C.S. Lewis em explorar assuntos filos\u00f3ficos e teol\u00f3gicos por meio de contos infantis, tais como a origem do mal, a natureza da f\u00e9 e o desejo humano de Deus. A hist\u00f3ria de qualidade \u00e9 uma porta que d\u00e1 acesso a outro mundo \u2013 um limiar que pode ser atravessado usando a imagina\u00e7\u00e3o criadora como possibilidade para\u00a0 reflex\u00f5es s\u00e9rias.<\/p>\n<p>De acordo com professor Glauco Magalh\u00e3es (2008, p. 17)<\/p>\n<p>O sobrenatural, quando se manifesta, faz apelo \u00e0 nossa imagina\u00e7\u00e3o, pois pertence a uma dimens\u00e3o da realidade que n\u00e3o conseguimos conceituar. [&#8230;] a verdadeira fantasia nunca deve ser associada ao escapismo, pois ela n\u00e3o \u00e9 uma fuga, mas um aprofundamento do \u00a0 mundo real, tanto de seu terror como de sua beleza.<\/p>\n<p>Para Magalh\u00e3es ela n\u00e3o serve exclusivamente para a divers\u00e3o, como escreve a seguir:<\/p>\n<p>A verdade, por\u00e9m, \u00e9 outra. A imagina\u00e7\u00e3o assinala que o homem foi feito \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus, trazendo uma faculdade criativa. Por outro lado, ela evidencia uma intui\u00e7\u00e3o do sobrenatural. Certos arqu\u00e9tipos universais presentes em v\u00e1rios mitos apontam para verdades transcendentes que adquiriram concre\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica na pessoa de Jesus Cristo e nos fatos da reden\u00e7\u00e3o. \u00c9 atrav\u00e9s da linguagem imaginativa (met\u00e1foras, analogias e s\u00edmbolos) que podemos falar da dimens\u00e3o mais profunda da realidade (2008, p. 27).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Desse modo, as verdades transcendentes que J.R.R Tolkien e C.S. Lewis tentam expressar, que s\u00e3o como \u201creflexos da realidade superior\u201d, promovem uma experi\u00eancia encantadora de leitura e oportunizam uma maneira maravilhosa de explorar quest\u00f5es teol\u00f3gicas e filos\u00f3ficas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/p>\n<p>C.S. Lewis confessou certa vez que a imagina\u00e7\u00e3o dele s\u00f3 floresceu depois de sua convers\u00e3o ao cristianismo. O compromisso com o ate\u00edsmo n\u00e3o satisfazia seus anseios mais profundos. Sua express\u00e3o art\u00edstica era sombria. Apoiado em seu pr\u00f3prio entendimento era impedido de ver o verdadeiro significado das coisas. \u00c9 neste ponto que muitas pessoas falham: substituir o que a Palavra de Deus diz por sua pr\u00f3pria opini\u00e3o. Contudo, a f\u00e9 crist\u00e3 colocou as coisas em foco e o libertou da pris\u00e3o racionalista. Jo\u00e3o 8.32 diz que verdade \u2013 a Palavra de Deus \u2013 o liberar\u00e1. Sua alma foi liberta do jugo da ilus\u00e3o e do absurdo. Tal como disse certo amigo \u201cquando voc\u00ea conhece a Palavra de Deus, essa Palavra ungida vai aben\u00e7o\u00e1-lo <em>permanentemente<\/em>, libertando-o!\u201d. Em exemplos como Tolkien e Lewis podemos reconhecer o que Deus faz com a imagina\u00e7\u00e3o de uma pessoa: ele a faz germinar e dar frutos, como os frutos do Esp\u00edrito. Ningu\u00e9m melhor do que o Criador para nos inspirar a criar e produzir arte para a gl\u00f3ria e louvor do seu nome!<\/p>\n<p>Podemos ver isso nos grandes nomes da m\u00fasica cl\u00e1ssica como Mozart, Beethoven e Bach e nos grandes artistas de todos os tempos, muitos dos quais eram e s\u00e3o crist\u00e3os.<\/p>\n<p>Somos imagem e semelhan\u00e7a de Deus e como tais, imitamos o seu poder criativo quando vivemos para glorific\u00e1-lo. A piedade (viver para Deus) para tudo \u00e9 proveitosa (1 Tim\u00f3teo 4.8). Nesta vida. E na que h\u00e1 de vir.<\/p>\n<p>Portanto, sejamos bons imitadores de Lewis e Tolkien para sermos bons imitadores do pr\u00f3prio Filho de Deus, como ele nos designou para ser.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p>DOOYEWEERD, Herman. <em>No crep\u00fasculo do pensamento ocidental: estudos sobre a pretensa autonomia do pensamento filos\u00f3fico<\/em>. Traduzido por Guilherme Vilela Ribeiro, Rodolfo Amorim Carlos de Souza. S\u00e3o Paulo: Hagnos, 2010.<\/p>\n<p>DURIEZ, Colin. <em>O Dom da amizade \u2013 Tolkien e C.S. Lewis. <\/em>Traduzido por Ronald Kyrmse. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006.<\/p>\n<p>GREGGERSEN, Gabriele. <em>Filosofia, literatura e imagina\u00e7\u00e3o<\/em>. Revista Caminhando,\u00a0 2010 [2\u00aa ed. on-line 2010; 1\u00aa ed. 2006].<\/p>\n<p>______. <em>Pedagogia Crist\u00e3 na obra de C.S. 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Lewis: do ate\u00edsmo \u00e0s terras de N\u00e1rnia. Traduzido por Almiro Pisetta. S\u00e3o Paulo, 2013, Editora Mundo Crist\u00e3o.<\/p>\n<p>______. <em>Creio: um estudo sobre as verdades essenciais da f\u00e9 crist\u00e3 no Credo Apost\u00f3lico.<\/em> Traduzido por James Reis. S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 2013.<\/p>\n<p>______. <em>Teologia para amadores. <\/em>Traduzido por Rachel Vieira Belo de Azevedo. S\u00e3o Paulo: Mundo Crist\u00e3o, 2008.<\/p>\n<p>OLSEN, Corey. <em>Explorando o universo do Hobbit: todos os significados da hist\u00f3ria de Bilbo, Elfos e a terra m\u00e9dia.<\/em> Traduzido por Carlos Szalak. S\u00e3o<\/p>\n<p>SMITH, Noble. <em>A Sabedoria do Condado: tudo sobre o estilo de vida dos Hobbits para uma vida longa e feliz.<\/em> Trad. Cibele da Silva Costa. Ribeir\u00e3o Preto (SP): Novo Conceito Editora, 2012.<\/p>\n<p>TOLKIEN, J.R.R. <em>O senhor dos an\u00e9is. <\/em>Traduzido por Lenita Maria R\u00edmoli Esteves e Almiro Pisetta. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2001.<\/p>\n<p>WARE, Jim. <em>Encontrando Deus em O Hobbit.<\/em> Traduzido por Manuel Buenayre.. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2012.<\/p>\n<p>WHITE, Michael. <em>Tolkien: uma biografia. <\/em>Traduzido por Alda Porto. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2002, p. 30 e 31.<\/p>\n<p>Sites<\/p>\n<p>Alegoria. Infop\u00e9dia Dicion\u00e1rios Porto Editora. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.infopedia.pt\/artigos\/$alegoria&gt; Acesso em: 29 nov. 2024.<\/p>\n<p>______. Michaelis Dicion\u00e1rio Brasileiro da L\u00edngua Portuguesa. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/michaelis.uol.com.br\/moderno-portugues\/busca\/portugues-brasileiro\/alegoria&gt;. Acesso em: 29 no. 2024.<\/p>\n<p>______. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.todamateria.com.br\/alegoria\/&gt;. Acesso em: 29 nov. 2024.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cleber Santos Oliveira Revis\u00e3o Gabriele Greggersen \u00a0 \u00a0 Notadamente, tanto a inf\u00e2ncia de Tolkien nas Midlands inglesas, quanto a de Lewis, em Belfast, foram vividas sobrepujadas pela imagina\u00e7\u00e3o. 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