{"id":1158,"date":"2024-06-10T14:15:30","date_gmt":"2024-06-10T17:15:30","guid":{"rendered":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/?p=1158"},"modified":"2024-06-10T14:15:30","modified_gmt":"2024-06-10T17:15:30","slug":"helen-joy-davidman-1915-1960-um-perfil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/2024\/06\/10\/helen-joy-davidman-1915-1960-um-perfil\/","title":{"rendered":"Helen Joy Davidman (1915-1960): um perfil"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Lyle Dorsett<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Traduzido por<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Gabriele Greggersen<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Depois que C.S. Lewis tornou p\u00fablica a sua convers\u00e3o e o seu compromisso com Jesus Cristo, a controv\u00e9rsia o perseguiu at\u00e9 sua morte. Os agn\u00f3sticos da moda o apelidaram de &#8220;Heavy Lewis&#8221; [\u201cLewis pesado\u201d], os crist\u00e3os liberais o injuriaram por sua falta de sofistica\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica e os fundamentalistas atacaram sua interpreta\u00e7\u00e3o das escrituras e sua caridade ecum\u00eanica para com a maioria das tradi\u00e7\u00f5es crist\u00e3s. Mas nem essas quest\u00f5es nem uma s\u00e9rie de outras pol\u00eamicas provocaram nada parecido com o furor que cercou seu casamento com Helen Joy Davidman. Na opini\u00e3o de muitos amigos de C.S. Lewis, j\u00e1 era suficientemente grave o fato de um solteir\u00e3o de quase sessenta anos tivesse se casado com uma mulher de quarenta. Mas, para piorar a situa\u00e7\u00e3o, ela era uma americana divorciada que, por acaso, tamb\u00e9m era judia e m\u00e3e de dois meninos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A mulher brilhante e atraente com quem o Professor Lewis se casou em 1956 j\u00e1 possu\u00eda uma merecida reputa\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria por si s\u00f3, anos antes de conhecer o c\u00e9lebre professor de Oxford. Nascida na cidade de Nova York, em 1915, filha de pais judeus de educa\u00e7\u00e3o primorosa, Joy Davidman frequentou escolas p\u00fablicas e depois se formou no Hunter College e fez mestrado na Universidade de Columbia. Desde a inf\u00e2ncia, Joy demonstrou grande capacidade intelectual. Ela obteve nota excepcional em um teste de QI no ensino fundamental e, quando jovem, adorava livros e, normalmente, lia v\u00e1rios volumes por semana. Um prod\u00edgio flagrante, Joy manifestou habilidades cr\u00edticas e anal\u00edticas incomuns, al\u00e9m de talento musical. Criada em um bairro de classe m\u00e9dia do Bronx, Joy Davidman chegou a surpreender seu brilhante e exigente pai ao ser capaz de ler uma partitura de Chopin e depois toc\u00e1-la ao piano sem olhar para a partitura. Da mesma forma, ao assumir um papel em uma pe\u00e7a de Shakespeare, ela memorizava suas falas ap\u00f3s a primeira leitura. Howard Davidman, irm\u00e3o de Joy e quatro anos mais novo que ela, lembrava que os impressionantes poderes intelectuais e a personalidade agressiva dela despertavam sua admira\u00e7\u00e3o devotada, mas ao mesmo tempo o intimidavam. Diga-se de passagem, que Howard n\u00e3o era um intelectual displicente. Verdade seja dita, ele se destacou na Universidade da Virg\u00ednia, tornando-se m\u00e9dico e exercendo a psiquiatria em Manhattan depois de servir na Segunda Guerra Mundial. No entanto, ele confessou que se sentia t\u00e3o intimidado pela escrita de Joy que nunca tentou publicar nada antes da morte de sua irm\u00e3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Joy Davidman formou-se em uma exigente escola de ensino m\u00e9dio aos quatorze anos. Ela dedicou-se a leitura de livros em casa no ano seguinte e se matriculou na Hunter College aos quinze anos. Com dezenove anos de idade, Joy se formou em Ingl\u00eas e Literatura Francesa com honras, tornando-se professora de ensino m\u00e9dio ap\u00f3s a formatura. Enquanto lecionava em seu primeiro ano fora da faculdade, ela obteve um mestrado na Columbia num prazo de apenas tr\u00eas semestres.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na faculdade, Joy Davidman manifestou uma paix\u00e3o pela escrita. Publicou algumas poesias como estudante de gradua\u00e7\u00e3o e, em janeiro de 1936, a <em>Poetry<\/em>, uma prestigiada revista de Chicago editada pela vener\u00e1vel Harriet Monroe, comprou v\u00e1rios de seus poemas. Monroe publicou mais alguns trabalhos de Joy e depois pediu que ela atuasse no conselho consultivo e como editora da revista. Em decorr\u00eancia disso, Joy renunciou ao cargo de professora depois de um ano e se dedicou em tempo integral \u00e0 escrita e \u00e0 edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sua op\u00e7\u00e3o por escrever acabou se revelando como sendo s\u00e1bia. Aos vinte e tr\u00eas anos, sua poesia chamou a aten\u00e7\u00e3o de Stephen Vincent Benet. Ele publicou o seu trabalho, <em>Letters to a Comrade<\/em> [Cartas a um camarada], na s\u00e9rie <em>Younger Poet<\/em> [Poetas mais jovens] que ele editava para a Yale University Press. Essa colet\u00e2nea de quarenta e cinco poemas foi celebrada por Benet e recebeu excelentes cr\u00edticas. Gra\u00e7as aos seus sucessos iniciais e \u00e0 sua conex\u00e3o com membros influentes do <em>establishment<\/em> liter\u00e1rio oriental, ela se tornou cliente da Brandt and Brandt, uma das melhores ag\u00eancias liter\u00e1rias de Nova York, e a Macmillan a incluiu em seu grupo de escritores. Em 1940, <em>Anya<\/em>, seu primeiro romance, foi publicado pela Macmillan e bem recebido. Ela contribuiu e editou <em>War Poem of the United Nations <\/em>[Poemas de guerra das Na\u00e7\u00f5es Unidas], publicado pela <em>Dial<\/em> em 1943, e depois passou quatro ver\u00f5es na <em>MacDowell Colony<\/em> para escritores nas White Mountains de New Hampshire. L\u00e1 ela escreveu artigos, poesias e editou outra colet\u00e2nea de versos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sempre radical e com uma personalidade um tanto obsessiva, Joy Davidman, como muitos intelectuais nas d\u00e9cadas de 1930 e 1940, declarou-se desiludida com o capitalismo e o \u201csistema americano\u201d. Joy flertou com o comunismo durante esses anos tumultuados. E, embora nunca tenha chegado perto de se tornar uma marxista doutrin\u00e1ria, ela defendia o socialismo em detrimento do capitalismo, especialmente porque o \u00faltimo sistema, em sua opini\u00e3o, havia fracassado e causado a Grande Depress\u00e3o. Joy chegou a se filiar ao Partido Comunista, mas achava as reuni\u00f5es e a maioria dos membros bastante entediantes. Embora nunca tenha defendido ou esperado a derrubada do capitalismo, ela de fato gostava de criticar tanto os democratas quanto os republicanos, que ela acreditava serem menos esclarecidos do que os socialistas supostamente heroicos que lideravam a URSS.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em \u00faltima an\u00e1lise, Joy Davidman era inteligente demais para acreditar nas no\u00e7\u00f5es romantizadas da URSS que circulavam entre a <em>intelligentsia<\/em> americana durante a d\u00e9cada de 1930 e o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1940. Na verdade, a \u00fanica coisa que Joy conseguiu com seu breve flerte com o comunismo foi um emprego de meio per\u00edodo como cr\u00edtica de cinema, revisora de livros e editora de poesia do <em>New Masses<\/em>, um jornal comunista, al\u00e9m de conhecer outro escritor de esquerda que viria a ser seu marido e pai de seus dois filhos inteligentes e saud\u00e1veis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>J\u00e1 em 1942, Joy Davidman, aos 27 anos, observou que o Partido Comunista nos Estados Unidos tinha apenas uma raz\u00e3o v\u00e1lida para existir: &#8220;\u00e9 um grande casamenteiro&#8221;. Em agosto daquele ano, Joy se casou com William Lindsay Gresham, romancista, jornalista, veterano da Guerra Civil Espanhola, talentoso contador de hist\u00f3rias e, ocasionalmente, guitarrista e vocalista em bares do Greenwich Village. Bill havia se desiludido com os comunistas e seus discursos grandiosos durante seu tempo na Espanha. Sua vis\u00e3o obscura do movimento esquerdista fez com que Joy sa\u00edsse rapidamente do partido especialmente quando ela deu \u00e0 luz David no in\u00edcio de 1944 e Douglas menos de um ano e meio depois.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como ela mesma admitiu, Joy Davidman Gresham estava buscando realiza\u00e7\u00e3o h\u00e1 anos. A faculdade e a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, a escrita e a edi\u00e7\u00e3o, o conv\u00edvio social com alguns dos editores e autores mais famosos de Nova York, bem como o ativismo pol\u00edtico, eram bons at\u00e9 certo ponto, mas ela se sentia vazia por dentro. Ela ingressou na vida familiar com seu marido nutrindo as mais altas expectativas. Enquanto Bill Gresham escrevia e vendia romances, incluindo um (<em>Nightmare Alley<\/em> [Beco do pesadelo]) que se tornou um filme estrelado por Tyrone Power, Joy ficava em casa, escrevia como freelancer e cuidava de seus filhos pequenos, da casa e do jardim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O casamento dos Gresham foi problem\u00e1tico desde o in\u00edcio. Bill tinha um s\u00e9rio problema com a bebida. As bebedeiras e ressacas dificultavam a sua escrita, justamente quando a fam\u00edlia em crescimento exigia mais tempo e dinheiro. Bill n\u00e3o s\u00f3 desperdi\u00e7ou tempo e ganhava pouco dinheiro, como tamb\u00e9m embarcou em uma s\u00e9rie de casos extraconjugais que, ao mesmo tempo, partiram o cora\u00e7\u00e3o de Joy e a levaram a acessos de raiva e desespero. Para piorar a situa\u00e7\u00e3o, ela tinha poucos amigos e absolutamente nenhuma religi\u00e3o \u00e0 qual recorrer para se fortalecer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>C.S. Lewis comentou certa vez que \u201ctoda hist\u00f3ria de convers\u00e3o \u00e9 uma hist\u00f3ria de fracasso aben\u00e7oado\u201d. No final de 1945, come\u00e7aram a aparecer grandes rachaduras em sua armadura protetora. Mais instru\u00edda e mais inteligente do que a maioria das pessoas, intensamente publicada e altamente respeitada para uma pessoa de apenas trinta anos de idade, Joy raramente, ou nunca, havia pensado seriamente em fraqueza ou fracasso. Mas as longas aus\u00eancias de Bill de casa e a aparente falta de preocupa\u00e7\u00e3o com ela e com os meninos deixaram-na arrasada. Uma noite, na primavera de 1946, Bill ligou de Manhattan e anunciou que estava tendo um colapso nervoso. Se era verdade ou se era apenas mais uma hist\u00f3ria para encobrir uma de suas escapadas, n\u00e3o vem ao caso. Em resumo, ele n\u00e3o estava voltando para casa e n\u00e3o podia prometer quando, ou se \u00e9 que voltaria. Bill ent\u00e3o desligou o telefone e Joy foi at\u00e9 o quarto de beb\u00ea onde seus filhos dormiam. Em suas palavras, ela estava sozinha com seus medos e com o sil\u00eancio. Tempos mais tarde, ela lembrou que \u201cpela primeira vez, apesar do meu orgulho, fui for\u00e7ada a admitir que, afinal de contas, eu n\u00e3o era \u2018dona do meu destino\u2019\u2026 Todas as minhas defesas \u2013 todos os muros de arrog\u00e2ncia, convencimento e amor-pr\u00f3prio atr\u00e1s dos quais eu me escondia de Deus \u2013 ca\u00edram momentaneamente \u2013 e Deus entrou em cena\u201d. Ela continuou descrevendo sua percep\u00e7\u00e3o do encontro m\u00edstico da seguinte forma:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>\u00c9 infinito, \u00fanico; n\u00e3o h\u00e1 palavras, n\u00e3o h\u00e1 compara\u00e7\u00f5es\u2026 Aqueles que j\u00e1 conheceram Deus me entender\u00e3o\u2026 Havia uma pessoa comigo naquela sala, diretamente presente em minha consci\u00eancia &#8211; uma pessoa t\u00e3o real que toda a minha vida anterior n\u00e3o passava, em compara\u00e7\u00e3o, de um mero jogo de sombras. E eu mesma estava mais viva do que jamais estivera; era como acordar de um sonho. Uma vida t\u00e3o intensa n\u00e3o podia ser suportada por muito tempo por carne e sangue; normalmente, levamos nossa vida dilu\u00edda, dilu\u00edda, por assim dizer, pelo tempo, pelo espa\u00e7o e pela mat\u00e9ria. Minha percep\u00e7\u00e3o de Deus durou, quem sabe, meio minuto.<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Joy concluiu que, j\u00e1 que Deus aparentemente existia, n\u00e3o h\u00e1 nada mais importante do que aprender quem Ele \u00e9 e o que Ele exige de n\u00f3s. Consequentemente, a ex-ateia embarcou em uma jornada para conhecer mais sobre Deus. No in\u00edcio, ela explorou o juda\u00edsmo reformado, mas n\u00e3o conseguiu encontrar paz interior. Sempre voraz leitora, ela devorou livros e versos sobre espiritualidade, incluindo o longo poema de Francis Thompson &#8220;The Hound of Heaven&#8221; [\u201cO c\u00e3o dos C\u00e9us\u201d]. Foi primeiro a poesia de Thompson e, depois, tr\u00eas livros de C.S. Lewis \u2013 <em>O Grande Div\u00f3rcio<\/em>, <em>Milagres<\/em> e <em>Cartas de um Diabo a seu aprendiz<\/em> \u2013 que a levaram a ler a B\u00edblia. E quando ela chegou aos Evangelhos, de acordo com seu testemunho, aquele que havia aparecido para ela apareceu novamente: &#8220;Era Jesus&#8221;.<\/p>\n<p>Joy Davidman encontrou rico alimento espiritual na B\u00edblia e nos escritos de C.S. Lewis. Por causa de seu interesse em Lewis, as publica\u00e7\u00f5es de um professor universit\u00e1rio de artes liberais e poeta, Chad Walsh, que tamb\u00e9m havia se convertido na meia idade, chamaram sua aten\u00e7\u00e3o. Walsh escreveu um artigo biogr\u00e1fico sobre C.S. Lewis para o <em>New York Times<\/em> em 1948 e publicou a primeira biografia do Sr. Lewis alguns meses depois, intitulada<em> C.S. Lewis: Apostle to the Skeptics<\/em> [C.S. Lewis: Ap\u00f3stolo dos C\u00e9ticos]. Joy se correspondia com Chad Walsh sobre suas muitas perguntas relacionadas aos livros de Lewis e sua f\u00e9 rec\u00e9m-descoberta. Walsh entendia e respeitava a peregrina\u00e7\u00e3o de Joy, por isso ele e sua esposa, Eva, frequentemente recebiam Joy e seus filhos em sua casa de veraneio no Lago Iroquois, em Vermont.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A conex\u00e3o entre C.S. Lewis e Walsh forneceu o alimento certo para a alma sedenta de Joy. Por sugest\u00e3o de Chad, ela leu tudo o que Lewis escreveu, bem como alguns livros de Charles Williams, George MacDonald, G. K. Chesterton e Dorothy Sayers. Em 1948, Joy buscou instru\u00e7\u00e3o em uma igreja presbiteriana perto de sua casa no norte do estado de Nova York. Logo em seguida, ela e os meninos foram batizados. Sob tutela do pastor de Nova York e de seu mentor, Chad Walsh, Joy cresceu na f\u00e9 e come\u00e7ou a manifestar sinais de convers\u00e3o e arrependimento genu\u00ednos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A pedido de Chad Walsh, Joy escreveu para C.S. Lewis sobre alguns de seus pensamentos a respeito dos livros dele. Embora Walsh tenha assegurado a Joy que Lewis sempre respondia suas correspond\u00eancias, ela levou dois anos para ter coragem de escrever. Quando ela o fez, em janeiro de 1950, o irm\u00e3o de Lewis anotou em seu di\u00e1rio que Jack havia recebido uma carta fascinante de uma mulher americana muito interessante, a Sra. Gresham.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nos dois anos e meio seguintes, Joy e C.S. Lewis mantiveram uma rica correspond\u00eancia que os encorajou intelectual e espiritualmente. Durante esse quarto de d\u00e9cada, os problemas de sa\u00fade e familiares de Joy abriram caminho para que o famoso autor ingl\u00eas e sua talentosa amiga americana se encontrassem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No final da d\u00e9cada de 1940, a sa\u00fade de Joy se deteriorou. Ela sofria de exaust\u00e3o nervosa enquanto tentava criar os filhos e escrever o suficiente para pagar todas as contas. Com certeza, Bill Gresham ficava s\u00f3brio por breves per\u00edodos e comparecia e sumia de casa dependendo de seu humor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Joy concluiu v\u00e1rios projetos de escrita, inclusive um romance, <em>Weeping Bay <\/em>[Ba\u00eda das lamenta\u00e7\u00f5es], que foi lan\u00e7ado pela Macmillan no in\u00edcio de 1950. Ela deu uma longa entrevista a um rep\u00f3rter do <em>New York Post<\/em> e ele publicou uma s\u00e9rie de depoimentos de Joy em v\u00e1rias partes, chamada \u201cGirl Communist\u201d. Ent\u00e3o, enquanto escrevia um livro com a interpreta\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3 dos Dez Mandamentos, ela ficou gravemente doente com icter\u00edcia. Seu m\u00e9dico pediu repouso, de prefer\u00eancia longe das press\u00f5es de sua casa e fam\u00edlia ca\u00f3ticas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em meio a esse tumulto, Joy recebeu um pedido de ajuda de sua prima de primeiro grau, Ren\u00e9e Pierce. Ren\u00e9e tinha dois filhos pequenos, um marido alco\u00f3latra e uma necessidade desesperada de viver separada de seu c\u00f4njuge afastado at\u00e9 que o div\u00f3rcio pudesse ser finalizado. Sem dinheiro e com poucas alternativas, ela se jogou para cima dos Greshams em busca de compaix\u00e3o. Joy a acolheu e, depois de alguns meses, Ren\u00e9e concordou entusiasticamente em cuidar da casa para que Joy pudesse descansar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com a ajuda financeira de seus pais, Joy embarcou para a Inglaterra em agosto de 1950. Ela encontrou um quarto em Londres, descansou bem e deu os retoques finais em <em>Smoke on the Mountain: An Interpretation of the Ten Commandments<\/em> [Fuma\u00e7a na Montanha: Uma Interpreta\u00e7\u00e3o dos Dez Mandamentos]. Enquanto esteve em Londres por quatro meses, os irm\u00e3os Lewis convidaram Joy para ir a Oxford. De fato, houve v\u00e1rias visitas em que Joy Gresham e Jack Lewis tiveram a oportunidade de se conhecer melhor. Joy exp\u00f4s seus problemas a Jack Lewis. Ele a ouviu, lamentou por ela e ficou triste ao se despedir quando ela voltou para Nova York em janeiro de 1951.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Durante os quatro meses em que Joy morou em Londres, Bill escrevia de tempos em tempos, mantendo-a informada sobre os meninos. Pouco antes do retorno dela, por\u00e9m, ele anunciou que ele e Ren\u00e9e estavam apaixonados e tendo um caso. Ele queria saber se Joy consideraria a possibilidade de viver sob o mesmo teto, apesar da mudan\u00e7a de circunst\u00e2ncias. Joy n\u00e3o tinha a menor inten\u00e7\u00e3o de fazer isso, mas voltou com alguma esperan\u00e7a de que a situa\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica pudesse ser redimida.<\/p>\n<p>Meses de discuss\u00f5es n\u00e3o resultaram em reconcilia\u00e7\u00e3o. Nove meses depois, Bill pediu o div\u00f3rcio a Joy, alegando que ela o havia abandonado quando foi para a Inglaterra. Nesse meio tempo, C.S. Lewis e seu irm\u00e3o, Warren, ambos extremamente afei\u00e7oados a Joy, insistiram para que ela voltasse \u00e0 Inglaterra e trouxesse os meninos. Ela estava de volta \u00e0 Inglaterra com David e Douglas antes do Natal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Joy morou em Londres por quase dois anos, tentando se sustentar como datil\u00f3grafa e escritora aut\u00f4noma para complementar os cheques err\u00e1ticos de Bill para a pens\u00e3o aliment\u00edcia dos filhos. Os meninos foram colocados em escolas particulares gra\u00e7as \u00e0 generosidade de C.S. Lewis. Por quase dois anos, Joy e Jack se visitaram regularmente. Quando a situa\u00e7\u00e3o financeira de Joy piorou em agosto de 1955, Lewis conseguiu um lugar para ela em Oxford, n\u00e3o muito longe de sua pr\u00f3pria casa. Ele pagava o aluguel e ele e Warren a enchiam de manuscritos para editar e datilografar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando chegou o Natal de 1955, havia ficado claro para todos que os conheciam que a amizade havia se transformado em amor. Lewis visitava Joy quase diariamente e ela e os meninos passavam os feriados e ocasi\u00f5es especiais com Warren e Jack em sua casa, <em>The Kilns<\/em>. Como Joy agora era uma mulher divorciada, n\u00e3o havia nenhuma impropriedade \u2013 pelo menos na opini\u00e3o deles \u2013 que eles se vissem regularmente. Mas Joy disse a seus amigos mais pr\u00f3ximos que, embora eles se vissem com frequ\u00eancia e andassem de m\u00e3os dadas, o casamento estava fora de quest\u00e3o. Como ela era divorciada, at\u00e9 mesmo a amizade deles parecia escandalosa para algumas pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em abril de 1956, o governo brit\u00e2nico, talvez por causa da filia\u00e7\u00e3o anterior de Joy Davidman ao Partido Comunista, recusou-se a renovar o visto dela. C.S. Lewis ficou arrasado. Como essa mulher poderia ser mandada de volta para os Estados Unidos, onde seus filhos possivelmente seriam maltratados pelo pai alco\u00f3latra que, mais de uma vez, havia os agredido fisicamente? E como ele poderia se virar sem Joy por perto? Afinal de contas, ela era a primeira mulher com quem ele tinha sido realmente pr\u00f3ximo. Ela era igual a ele, se n\u00e3o superior em termos de intelecto, e eles eram o ep\u00edtome de duas pessoas que realmente eram como ferro afiando ferro,<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A verdade era que C.S. Lewis n\u00e3o conseguia se imaginar vivendo longe de Joy Davidman. Foi ent\u00e3o que ele jogou a cautela e as apar\u00eancias para o alto. Eles se casaram discretamente em uma cerim\u00f4nia civil em 23 de abril de 1956. Agora Joy podia permanecer legalmente na Inglaterra, com seus filhos, pelo tempo que quisesse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>C.S. Lewis a consultou sobre um casamento religioso na Igreja Anglicana porque, em sua opini\u00e3o, o casamento civil era uma conveni\u00eancia legal, mas n\u00e3o um casamento real. Lewis buscou a b\u00ean\u00e7\u00e3o da igreja com base no fato de que Joy tinha motivos legais para se divorciar e se casar novamente devido \u00e0 infidelidade de Bill, e tamb\u00e9m porque ele havia sido casado antes de se casar com Joy, e nenhum dos dois era crist\u00e3o quando se uniram em um casamento civil anos antes. Mas o bispo de Oxford se recusou. Joy era divorciada. A Igreja n\u00e3o tolerava o div\u00f3rcio e ele n\u00e3o quis dar a sua b\u00ean\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Joy e Jack viviam separados, mas continuavam a se ver. Tanto que algumas pessoas criticavam o relacionamento deles, apesar do fato de que eles honravam a orienta\u00e7\u00e3o da Igreja. Mas tudo mudou no in\u00edcio de 1957. Joy estava em sua cozinha, ela quebrou a perna e, com uma dor excruciante, ela conseguiu se arrastar at\u00e9 um lugar para pedir ajuda. Ela foi levada \u00e0s pressas para o hospital, onde radiografias e exames revelaram que seu corpo estava cheio de c\u00e2ncer. O m\u00e9dico de C.S. Lewis, que cuidou dela no hospital, me disse na d\u00e9cada de 1980 que ela estava terrivelmente doente. Havia tumores malignos em seu seio e seus ossos estavam repletos de c\u00e2ncer. O Dr. Humphrey Havard disse a Jack que se preparasse para sua morte. Ela n\u00e3o poderia viver mais do que alguns dias ou semanas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o professor Lewis pediu um favor a um homem a quem ele havia ajudado depois da guerra. O padre Peter Bide, um sacerdote anglicano com uma par\u00f3quia ao sul de Londres, supostamente tinha o dom espiritual da cura. Lewis ligou para ele e perguntou se ele poderia ir at\u00e9 Oxford, ungir Joy com \u00f3leo e orar por ela. O padre Bide chegou a Oxford \u00e0 noite. Ele e Jack conversaram longamente sobre a situa\u00e7\u00e3o de Joy, e Lewis lhe contou sobre o desejo de Joy, que estava morrendo, de se casar na Igreja. O Padre Bide lembrou-se de que n\u00e3o sentia que poderia, em s\u00e3 consci\u00eancia, negar a essa pobre alma o seu desejo, mesmo que ela n\u00e3o estivesse em sua diocese. Portanto, no dia seguinte, 21 de mar\u00e7o de 1957, ele a ungiu com \u00f3leo, orou pela cura e, em seguida, na presen\u00e7a de Warren Lewis e de uma das irm\u00e3s do hospital, ele administrou os sacramentos do Santo Matrim\u00f4nio e da Santa Comunh\u00e3o. Em poucos minutos, uma Joy Davidman aparentemente moribunda tornou-se a Sra. C.S. Lewis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O casamento crist\u00e3o foi apenas o primeiro efeito inesperado da doen\u00e7a de Joy. Para espanto dos m\u00e9dicos e enfermeiras, ela se recuperou rapidamente depois de ser mandada do hospital para casa para morrer. Ela entrou em uma remiss\u00e3o de quase tr\u00eas anos. Ela e Jack viajaram para a Irlanda e o Pa\u00eds de Gales e fizeram uma viagem memor\u00e1vel \u00e0 Gr\u00e9cia com seus amigos, June e Roger Lancelyn Green. Os amigos mais pr\u00f3ximos dos Lewises, os Green e George e Moira Sayers \u2013 todos disseram que Joy n\u00e3o apresentava sinais de sa\u00fade debilitada, exceto por um pequeno edema. Na verdade, Joy e Jack eram como dois jovens em idade escolar que estavam se divertindo muito. O fato de Joy ter trazido grande felicidade a Jack ficou evidente pelo que ele escreveu a um amigo: \u201c\u00c9 engra\u00e7ado ter aos 59 anos o tipo de felicidade que a maioria dos homens tem aos 20 anos\u2026 [elipses dele] \u2013 Voc\u00ea guardou o bom vinho at\u00e9 agora\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O relacionamento de C.S. Lewis e Joy durou apenas uma d\u00e9cada. Ela escreveu para Jack pela primeira vez em janeiro de 1950, e o c\u00e2ncer voltou com for\u00e7a total na primavera de 1960. Joy morreu em julho e suas cinzas (ela pediu que fosse cremada) foram espalhadas em um jardim de rosas no cremat\u00f3rio. Embora seja imposs\u00edvel quantificar o impacto de qualquer relacionamento amoroso, h\u00e1 muitas evid\u00eancias que mostram que esses dois peregrinos eram excepcionalmente importantes um para o outro. Por parte de Jack, seus primeiros livros ajudaram Joy a ter f\u00e9 em Cristo. Suas cartas e seu relacionamento pessoal a ajudaram a amadurecer espiritualmente em Cristo, e ele a ajudou a se desenvolver profissionalmente como escritora. Lewis ajudou Joy a aprimorar <em>Smoke on the Mountain<\/em>. Ele tamb\u00e9m escreveu um pref\u00e1cio para a edi\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica, ajudou a promover o livro e interveio para garantir a ela um bom contrato com uma editora brit\u00e2nica. De sua parte, Joy teve um impacto sobre C.S. Lewis que raramente foi reconhecido. Lewis admitiu que, quando ela e os meninos entraram em sua vida, foi extremamente dif\u00edcil para um solteir\u00e3o idoso ter uma fam\u00edlia instant\u00e2nea em sua casa. Mas o resultado foi que tanto ele quanto Warren foram for\u00e7ados a sair de dentro de si mesmos, e isso era exatamente o que esses solteiros egoc\u00eantricos estavam precisando fazer. Al\u00e9m desses benef\u00edcios intang\u00edveis, Joy ajudou Lewis com sua escrita. Ela escreveu para uma pessoa dizendo que se sentia cada vez mais chamada a desistir de sua pr\u00f3pria escrita para poder ajudar Jack em seu trabalho. Lewis desistiu de escrever livros de n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o e apolog\u00e9ticos depois de publicar <em>Milagres<\/em>, em 1947. Algumas pessoas argumentam que isso se deveu ao fato de Elizabeth Anscombe ter atacado de forma t\u00e3o devastadora uma parte do livro. De qualquer forma, Joy Davidman o incentivou a retomar a n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o e, como resultado, ela o ajudou a produzir <em>Reflections on the Psalms<\/em> [Lendo os Salmos] (1958) e o livrou com entusiasmo de um bloqueio de escritor para que ele pudesse finalmente avan\u00e7ar com o seu livro p\u00f3stumo <em>Letters to Malcolm, Chiefly on Prayer <\/em>[Ora\u00e7\u00e3o: Cartas a Malcolm].<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lewis acreditava que seu melhor livro era <em>Till We Have Faces<\/em> [At\u00e9 que tenhamos rostos], e a maioria dos estudantes de seus livros concorda. Ele dedicou esse cl\u00e1ssico explicitamente a Joy Davidman e muitos a viram na personagem Orual do romance. Lewis acreditava que Joy o ajudou a ser uma pessoa mais completa, e ela reconheceu que ele fez o mesmo por ela. Um leitor atento tamb\u00e9m encontrar\u00e1 as impress\u00f5es digitais de Joy em v\u00e1rias de suas outras obras, desde o t\u00edtulo de duplo sentido de <em>Surprised by Joy<\/em> [Surpreendido pela Alegria] at\u00e9 algumas palavras e frases nas <em>Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia<\/em>. Mas a evid\u00eancia mais clara do impacto dela em seu pensamento e escrita est\u00e1 em <em>The Four Loves<\/em> [Os quatro amores] e <em>A Grief Observed<\/em> [A anatomia de um luto]. Lewis poderia ter escrito <em>Os quatro amores<\/em> sem Joy como sua esposa, mas teria sido muito menos profundo e certamente mais te\u00f3rico do que experimental. E, finalmente, <em>A Anatomia de um luto<\/em> nunca poderia ter sido escrito sem o amor e a dor da vida de Jack com Joy.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em \u00faltima an\u00e1lise, portanto, aqueles de n\u00f3s que agradecem a Deus pela maneira como C.S. Lewis tem sido nosso mestre por meio de seus livros, tamb\u00e9m devem ser gratos a Joy Davidman Lewis. Sem ela, a cole\u00e7\u00e3o de Lewis n\u00e3o teria sido um sucesso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Observa\u00e7\u00e3o: Este artigo baseia-se na biografia de Joy Davidman, escrita por Lyle W. Dorsett: <em>And God Came In<\/em> [E Deus entrou em cena] (Macmillan, 1983) e uma revis\u00e3o desse livro intitulada <em>A Love Observed: Joy Davidman&#8217;s Life and Marriage to C.S. Lewis<\/em> [Anatomia de um amor: A vida e casamento de Joy Davidman com C.S. Lewis] (Northwind, 1998), bem como as entrevistas de hist\u00f3ria oral do autor armazenadas no Marion E. Wade Center, Wheaton College, Wheaton, Illinois. O livro de Dorsett sobre Joy Davidman est\u00e1 dispon\u00edvel em formato de \u00e1udio como <em>Surprised By Love: The Life of Joy Davidman: Her Life and Marriage to C.S. Lewis<\/em> [Anatomia de um amor: A vida de Joy Davidman: sua vida e casamento com C.S. Lewis (Hovel Audio).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Escrito por:<\/p>\n<p>Lyle Dorsett<\/p>\n<p>Professor, <em>Senior Fellow for Spiritual Formation<\/em>, CSLI<\/p>\n<p>Lyle Dorsett, que \u00e9 docente, ocupa a C\u00e1tedra Billy Graham de Evangelismo na <em>Beeson Divinity School<\/em> da <em>Samford University<\/em>. Ele lecionou cursos de evangelismo, forma\u00e7\u00e3o espiritual e hist\u00f3ria da igreja. Ele tamb\u00e9m atua como pastor da <em>Christ the King Anglican Church<\/em> em Homewood, Alabama. Lyle recebeu seu PhD em hist\u00f3ria americana e publicou diversos livros, incluindo v\u00e1rias biografias crist\u00e3s e tr\u00eas obras sobre C. S. Lewis.<\/p>\n<p>Fonte:<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.cslewisinstitute.org\/resources\/helen-joy-davidman-mrs-c-s-lewis-1915-1960-a-portrait\/\">https:\/\/www.cslewisinstitute.org\/resources\/helen-joy-davidman-mrs-c-s-lewis-1915-1960-a-portrait\/<\/a>. Acesso em 06 jun. 2024.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lyle Dorsett Traduzido por Gabriele Greggersen &nbsp; Depois que C.S. Lewis tornou p\u00fablica a sua convers\u00e3o e o seu compromisso com Jesus Cristo, a controv\u00e9rsia o perseguiu at\u00e9 sua morte. Os agn\u00f3sticos da moda o apelidaram de &#8220;Heavy Lewis&#8221; [\u201cLewis pesado\u201d], os crist\u00e3os liberais o injuriaram por sua falta de sofistica\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica e os fundamentalistas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":46,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[29424],"tags":[],"class_list":["post-1158","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-joy-davidman"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1158","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/users\/46"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1158"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1158\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1159,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1158\/revisions\/1159"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1158"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1158"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/cslewis\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1158"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}