{"id":869,"date":"2011-07-28T12:13:04","date_gmt":"2011-07-28T15:13:04","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/carlinhosveiga\/?p=869"},"modified":"2011-07-28T12:16:28","modified_gmt":"2011-07-28T15:16:28","slug":"a-cigarra-e-a-chuva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/carlinhosveiga\/2011\/07\/28\/a-cigarra-e-a-chuva\/","title":{"rendered":"A cigarra e a chuva"},"content":{"rendered":"<p>Foi um amigo quem me chamou a aten\u00e7\u00e3o. Eu ainda n\u00e3o havia percebido, mas  num fim de tarde desses, ouvi pela primeira vez um t\u00edmido coro delas.  Um pouco mais e Bras\u00edlia ser\u00e1 tomada pela sinfonia-zumbido, unissonante e  monot\u00f4nica. S\u00e3o as cigarras que est\u00e3o chegando. Elas v\u00eam sempre depois  dos sabi\u00e1s. H\u00e1 uma diferen\u00e7a muito grande entre os cantos desses dois  personagens da nossa cidade: o sabi\u00e1 tem uma musicalidade invej\u00e1vel,  arrebata multid\u00f5es. Vez por outra vemos algu\u00e9m parado, entre as quadras,  olhando para as \u00e1rvores e se deliciando com o solo harmonioso e  envolvente do sabi\u00e1. O canto da cigarra, ao contr\u00e1rio, n\u00e3o tem beleza,  muito menos riqueza. Mas \u00e9 um canto de esperan\u00e7a \u2013 si si si si si si&#8230; a  chuva se aproxima!<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/carlinhosveiga\/files\/2011\/07\/cigarras.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-873\" title=\"cigarras\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/carlinhosveiga\/files\/2011\/07\/cigarras-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/carlinhosveiga\/files\/2011\/07\/cigarras-300x225.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/carlinhosveiga\/files\/2011\/07\/cigarras-150x112.jpg 150w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/carlinhosveiga\/files\/2011\/07\/cigarras.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A ci\u00eancia explica: Tradicionalmente, nessa  \u00e9poca do ano, a cigarra sai do solo. O macho vai para as \u00e1rvores, canta e  atrai a f\u00eamea para o ritual do acasalamento. Logo depois, ele morre e  as f\u00eameas saltam para as \u00e1rvores, colocam seus ovos que viram larvas, e  que depois caem no solo, penetram na terra e ficam sugando a seiva da  \u00e1rvore durante tr\u00eas a quatro anos, at\u00e9 recome\u00e7arem seu ciclo. O homem do  campo tem outra explica\u00e7\u00e3o: quando a cigarra come\u00e7a a cantar, \u00e9 sinal  que a chuvarada n\u00e3o demora a vir, no m\u00e1ximo um m\u00eas. O canto da cigarra  chama a chuva.<\/p>\n<p>Eu particularmente, gosto das duas explica\u00e7\u00f5es.  Uma satisfaz o meu intelecto, a outra a minha percep\u00e7\u00e3o humana que  integra Criador e criatura. O canto do acasalamento e o canto da  esperan\u00e7a. Deus fez a cigarra para preceder a chuva e nos lembrar: um  pouco mais e derramarei \u00e1gua sobre voc\u00eas.<\/p>\n<p>A chuva, na B\u00edblia, tem  um significado de b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus para aquelas sociedades iminentemente  agr\u00edcolas e pastoris. O trigo e a uva encabe\u00e7avam a agricultura de  subsist\u00eancia dos judeus. Por isso era importante chover na hora certa  (Zc 10.1). C\u00e9u limpo e ausente de nuvens era sinal de fome e desola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa  realidade \u00e9 t\u00e3o marcante para o povo nas Escrituras que se torna uma  figura de linguagem para distinguir o homem insensato do justo.  Prov\u00e9rbios compara o homem que se gaba dos presentes que n\u00e3o deu a  ventos e nuvens que n\u00e3o trazem chuva (Pv 25.14), enquanto que Salmos  compara a presen\u00e7a do homem justo que tem a sua for\u00e7a em Deus \u00e0 a\u00e7\u00e3o da  chuva que transforma o vale \u00e1rido em manancial (Sl 84.6).<\/p>\n<p>Os  israelitas dependiam da chuva para que houvesse estabilidade e  prosperidade entre o povo. E como quem manda a chuva \u00e9 Deus, isso os  tornava ainda mais dependentes do Senhor. Por isso \u00e9 que os profetas  muitas vezes v\u00eaem a chuva como a visita do Alto. \u00c9 Deus aben\u00e7oando o Seu  povo (Isa\u00edas 55.10,11; Jl 2.23). O Senhor promete \u00e0s suas ovelhas, Seu  povo-rebanho: \u201cEu as aben\u00e7oarei&#8230; na esta\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria farei descer  chuva; haver\u00e1 chuvas de b\u00ean\u00e7\u00e3os\u201d (Ez 34.26). Deus est\u00e1 dizendo ao seu  povo que os visitaria com as chuvas de b\u00ean\u00e7\u00e3os, isto \u00e9, n\u00e3o s\u00f3 com a  \u00e1gua que molha o solo seco e esturricado, mas tamb\u00e9m com sua presen\u00e7a  que rega o cora\u00e7\u00e3o sedento de um verdadeiro e \u00edntimo relacionamento com o  Senhor.<\/p>\n<p>Numa de minhas viagens mission\u00e1rias a \u00c1frica, tive o  privil\u00e9gio de conhecer a Nam\u00edbia. A capital Windhoek (que significa  literalmente \u201co gancho do vento\u201d ou \u201conde o vento faz a curva\u201d) est\u00e1  plantada em pleno deserto. Na verdade, todo o pa\u00eds \u00e9 um deserto. Os rios  secos e a vegeta\u00e7\u00e3o acinzentada transmitiam um aspecto de morte. A  respira\u00e7\u00e3o ali era dif\u00edcil e ardia os pulm\u00f5es. A \u00e1gua para o consumo  humano era, em grande parte, reciclada. Os efeitos de uma terra seca s\u00e3o  terr\u00edveis para a vida. Nam\u00edbia me fez pensar no que significa um  cora\u00e7\u00e3o seco, numa vida sem a Vida. Todavia, a B\u00edblia me fez lembrar que  Deus pode transformar a realidade de uma vida assim, atrav\u00e9s da chuva  que Ele faz cair: \u201cConhe\u00e7amos o Senhor; esforcemo-nos por conhec\u00ea-lo.  T\u00e3o certo como nasce o sol, ele aparecer\u00e1; vir\u00e1 para n\u00f3s como as chuvas  de inverno, como as chuvas de primavera que regam a terra\u201d (Os 6.3).<\/p>\n<p>O  canto das cigarras anuncia: a chuva que Bras\u00edlia tanto anseia se  aproxima. Assim como a m\u00fasica da cigarra \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o de esperan\u00e7a,  fa\u00e7amos da nossa vida um constante canto de louvor ao nosso Deus,  rogando-lhe: Senhor, n\u00e3o demore&#8230; Vem sobre n\u00f3s!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi um amigo quem me chamou a aten\u00e7\u00e3o. Eu ainda n\u00e3o havia percebido, mas  num fim de tarde desses, ouvi pela primeira vez um t\u00edmido coro delas.  Um pouco mais e Bras\u00edlia ser\u00e1 tomada pela sinfonia-zumbido, unissonante e  monot\u00f4nica. S\u00e3o as cigarras que est\u00e3o chegando. Elas v\u00eam sempre depois  dos sabi\u00e1s. 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