{"id":1725,"date":"2018-09-26T16:16:26","date_gmt":"2018-09-26T19:16:26","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/carlinhosveiga\/?p=1725"},"modified":"2018-09-26T16:54:29","modified_gmt":"2018-09-26T19:54:29","slug":"o-cezar-do-acordeom-fara-muita-falta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/carlinhosveiga\/2018\/09\/26\/o-cezar-do-acordeom-fara-muita-falta\/","title":{"rendered":"O Cezar do Acordeom far\u00e1 muita falta"},"content":{"rendered":"<p>Era noite do dia 25 de agosto, s\u00e1bado. Acontecia em Aruj\u00e1, S\u00e3o Paulo, o Nossa M\u00fasica Brasileira. Mais uma vez eu teria a oportunidade de ouvir o poeta e cantor\u00a0Roberto Diamanso acompanhado do fant\u00e1stico Cezar Abianto, o Cezar do Acordeom. No repert\u00f3rio, m\u00fasicas autorais e cl\u00e1ssicos nordestinos. Foi uma noite inesquec\u00edvel. A banda sob a batuta do mestre Cezar tocou magistralmente. O que eu n\u00e3o poderia imaginar \u00e9 que seria a \u00faltima vez que veria a apresenta\u00e7\u00e3o daquele extraordin\u00e1rio m\u00fasico.<\/p>\n<p>H\u00e1 anos o Cezar n\u00e3o gozava de boa sa\u00fade. Perdera praticamente toda a vis\u00e3o. Tinha muitas limita\u00e7\u00f5es f\u00edsicas. A diabetes havia se instalado e afetado seu corpo por inteiro. Mas naquela noite, apesar do corpo combalido, o Cezar tocava como nunca. Era colocar o fole na sua m\u00e3o e ele se transformava. Exibia destreza com notas r\u00e1pidas, precisas, extremamente bem colocadas e uma harmonia complexa e impec\u00e1vel.<\/p>\n<p>Abianto Valdevino Leite, o Cezar do Acordeom, era cearense de Cedro. Nascido em 1950, veio para S\u00e3o Paulo com o fim de disseminar a cultura musical nordestina. Mas, virtuose como era, acabou adquirindo um vocabul\u00e1rio musical imenso e vers\u00e1til. Navegou por diversos estilos: chorinho, bossa nova, caipira, tango e v\u00e1rias outras facetas da m\u00fasica mundial. Acompanhou nomes como Cam\u00e9lia Alves \u2013 cognominada por Luiz Gonzaga como a rainha do bai\u00e3o, Inezita Barroso, Jair Rodrigues, Elba Ramalho, Almir Sater, Renato Teixeira, Raimundo Fagner entre in\u00fameros outros. Tocou com os geniais Luiz Gonzaga e Dominguinhos. Fez um som at\u00e9 com o Bobby Keys, conhecido saxofonista que acompanhou os Rolling Stones, George Harrison, John Lennon, Eric Clapton, Joe Cocker, entre outros. Participou em turn\u00eas por diversos pa\u00edses.<\/p>\n<p>Lembro-me de ver o Cezar na TV, acompanhando a Air\u00f4 Barros, no Sr Brasil. A pedido do Rolando Boldrim, a Air\u00f4 apresentava um por um dos m\u00fasicos que a acompanhava. Quando chegou no Cezar, o Boldrim disse: \u201cesse caboclo a\u00ed voc\u00ea n\u00e3o precisa apresentar n\u00e3o; ele tem uma hist\u00f3ria muito antiga comigo, desde os tempos da Rede Globo\u201d. Era um m\u00fasico muito conhecido no meio art\u00edstico.<\/p>\n<p>A convers\u00e3o do C\u00e9zar se deu em setembro de 1998. Marta, sua esposa, o convidou para um culto na Igreja Batista. Ele ficou encantado com a m\u00fasica e, especialmente, com um tecladista que tocava os hinos. Foi a porta que Deus usou para que o Evangelho entrasse no seu cora\u00e7\u00e3o. Ele respondeu positivamente \u00e0 mensagem e em dezembro do mesmo ano foi batizado nas \u00e1guas. Desde ent\u00e3o nunca abandonou a f\u00e9. Seguiu tocando o melhor da m\u00fasica brasileira, mas agora, movido por outra inspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Conheci o Cezar Abianto atrav\u00e9s do Diamanso. Os dois haviam formado uma dupla incompar\u00e1vel: a poesia extraordinariamente &#8220;fora da curva&#8221; havia encontrado uma m\u00fasica correspondente. Ver os dois juntos era sempre muito bom. \u00c9 claro que haviam algumas tens\u00f5es, coisas que comumente surgem na conviv\u00eancia dos geniais.<\/p>\n<p>Na fria noite de agosto, no NMB, ouvimos uma m\u00fasica alegre e maravilhosa. Sem nos darmos conta, era tamb\u00e9m uma despedida. Em determinado momento, n\u00e3o consegui me conter; me aproximei do Cezar. Ele percebeu o meu vulto, mas sua vis\u00e3o n\u00e3o permitia mais identificar quem estava ali. No p\u00e9 do ouvido disse: \u201cSou eu, o Carlinhos Veiga!\u201d. Ele soltou um sorriso largo, inclinando a cabe\u00e7a pra tr\u00e1s, enquanto seus dedos desenhavam agilmente nas teclas brancas e pretas um bai\u00e3o de Dominguinhos.<\/p>\n<p>Trago essa imagem comigo. Recordo o generoso Cezar que incont\u00e1veis vezes acompanhou tantos artistas, inclusive a mim, sempre prestativo e atencioso. Um dia estaremos todos juntos numa festa muitas vezes mais linda do que essa do agosto passado. Ela j\u00e1 foi agendada, no reino dos C\u00e9us. E o Cezar do Acordeom, cujos pecados foram lavados no sangue do Cordeiro, estar\u00e1 por l\u00e1 com seu acordeom. Vai ser um forr\u00f3 aben\u00e7oado como nunca!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ou\u00e7a o podcast Novos Acordes com Cezar Abianto e Roberto Diamanso <a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/carlinhosveiga\/2009\/10\/07\/podcast-1-emcomoutro-roberto-diamanso-e-cezar-do-acordeon\/\">aqui<\/a>\u00a0publicado em outubro de 2009.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era noite do dia 25 de agosto, s\u00e1bado. Acontecia em Aruj\u00e1, S\u00e3o Paulo, o Nossa M\u00fasica Brasileira. Mais uma vez eu teria a oportunidade de ouvir o poeta e cantor\u00a0Roberto Diamanso acompanhado do fant\u00e1stico Cezar Abianto, o Cezar do Acordeom. No repert\u00f3rio, m\u00fasicas autorais e cl\u00e1ssicos nordestinos. Foi uma noite inesquec\u00edvel. 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