{"id":1550,"date":"2016-04-14T16:33:49","date_gmt":"2016-04-14T19:33:49","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/carlinhosveiga\/?p=1550"},"modified":"2016-04-14T16:39:05","modified_gmt":"2016-04-14T19:39:05","slug":"o-ressurgimento-do-ep","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/carlinhosveiga\/2016\/04\/14\/o-ressurgimento-do-ep\/","title":{"rendered":"O ressurgimento do EP"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/carlinhosveiga\/files\/2016\/04\/musica-digital.jpg\" rel=\"attachment wp-att-1551\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-1551 size-medium\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/carlinhosveiga\/files\/2016\/04\/musica-digital-300x149.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"149\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/carlinhosveiga\/files\/2016\/04\/musica-digital-300x149.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/carlinhosveiga\/files\/2016\/04\/musica-digital-768x382.jpg 768w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/carlinhosveiga\/files\/2016\/04\/musica-digital-1024x509.jpg 1024w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/carlinhosveiga\/files\/2016\/04\/musica-digital-150x75.jpg 150w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/carlinhosveiga\/files\/2016\/04\/musica-digital.jpg 1847w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>H\u00e1 poucos anos atr\u00e1s ouvi pela primeira vez falar desse tal de EP. De in\u00edcio me soou como mais uma das modernidades na ind\u00fastria da m\u00fasica. Depois, pesquisando, fiquei sabendo que \u00e9 uma abreviatura de \u201c<em>Extended Play<\/em>\u201d e que remonta os tempos do vinil. As categorias daquela \u00e9poca, mais conhecidas, eram basicamente os <em>Compactos Simples e Duplos<\/em> (que cabiam de uma a duas faixas por lado do disco, durando em m\u00e9dia at\u00e9 15 minutos) e o <em>Long Play<\/em> ou LP (que cabiam quantas faixas pudessem ser administradas naquele espa\u00e7o \u2013 quase sempre de 4 a 6 de cada lado, numa dura\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 60 minutos). O EP era exatamente o formato utilizado entre o Compacto e o LP. Tinha em m\u00e9dia de duas a oito faixas, com uma dura\u00e7\u00e3o de 3 a 40 minutos.<\/p>\n<p>Nos tempos do vinil era uma op\u00e7\u00e3o, apesar de n\u00e3o muito utilizada, para aqueles que gravavam uma quantidade de m\u00fasicas insuficientes para um LP e mais do que pudesse conter num Compacto.<\/p>\n<p>Os tempos passaram. Presenciamos uma revolu\u00e7\u00e3o com o surgimento da m\u00fasica digital. Uma s\u00e9rie de inova\u00e7\u00f5es foram incorporadas neste processo, reinventando as formas de capta\u00e7\u00e3o, edi\u00e7\u00e3o, mixagem, masteriza\u00e7\u00e3o, fabrica\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o, sem falar dos novos formatos dispon\u00edveis ao p\u00fablico e das intera\u00e7\u00f5es artista-artista e artista-p\u00fablico. Possibilidades inimagin\u00e1veis agora eram realidades dispon\u00edveis a um custo acess\u00edvel.<\/p>\n<p>No meio de tudo isso, vimos o ressurgimento do EP. \u00c9 claro, debaixo de um novo conceito. Se antes, o que estava em jogo era o espa\u00e7o f\u00edsico dispon\u00edvel no vinil, agora o EP ressurge por outras raz\u00f5es.<\/p>\n<p>Eu particularmente entendo que o EP \u00e9 fruto dessa ansiedade que nos atinge a todos, viventes do mundo p\u00f3s-moderno. A tecnologia trouxe enormes avan\u00e7os no que tange a equipamentos e possibilidades de produ\u00e7\u00e3o de um \u00e1lbum. Se antigamente, para se produzir um trabalho era preciso pagar caro por algumas poucas horas de est\u00fadio, hoje \u00e9 poss\u00edvel ter um est\u00fadio de qualidade no quarto dos fundos de casa a um custo razo\u00e1vel (considerando os pre\u00e7os dos equipamentos de anos atr\u00e1s).<\/p>\n<p>Assim, as possibilidades de grava\u00e7\u00e3o foram democratizadas. Existem in\u00fameras op\u00e7\u00f5es para se produzir um \u00e1lbum, de acordo com o or\u00e7amento dispon\u00edvel. Op\u00e7\u00f5es que v\u00e3o do mais simples ao mais complexo, do totalmente eletr\u00f4nico ao totalmente ac\u00fastico, do barato e econ\u00f4mico ao caro e sofisticado.<\/p>\n<p>Acho que o retorno do EP surge especialmente como op\u00e7\u00e3o para aquele que tem poucos recursos financeiros, insuficientes para bancar a produ\u00e7\u00e3o de um trabalho com 12 ou mais faixas, mas que tem m\u00fasicas em estoque. Com o EP ele vislumbra a possibilidade de lan\u00e7ar um \u00e1lbum por partes. \u00c9 uma maneira que o artista encontrou para conter a ansiedade que antes precisava ser dominada por longos meses e anos de produ\u00e7\u00e3o de um \u00e1lbum completo. Por outro lado o EP \u00e9 a forma encontrada para saciar um p\u00fablico cada vez mais ansioso por novidades. Talvez em nome dessa ansiedade mercadol\u00f3gica, vemos que artistas renomados tamb\u00e9m partiram para a produ\u00e7\u00e3o de EPs, obviamente por raz\u00f5es diferentes do curto or\u00e7amento para a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O certo \u00e9 que o mercado da m\u00fasica se adaptou ao novo momento. O p\u00fablico mais antenado j\u00e1 n\u00e3o compra mais o CD f\u00edsico, nem mesmo se liga em comprar um \u00e1lbum completo, se as m\u00fasicas n\u00e3o lhe agradam. Hoje compra apenas as faixas que lhe interessa nos sites de m\u00fasica digital ou as curte atrav\u00e9s dos aplicativos que oferecem m\u00fasica em streaming, como o Spotify, Deezer, Rdio, entre in\u00fameros outros.<\/p>\n<p>\u00c9 coisa do passado ficar aguardando o lan\u00e7amento de um novo trabalho do artista preferido a cada ano, ou a cada dois anos. Hoje o mercado \u00e9 t\u00e3o din\u00e2mico que algumas poucas can\u00e7\u00f5es s\u00e3o produzidas e lan\u00e7adas em prazo de poucas semanas ou meses, sistematicamente, no mercado fonogr\u00e1fico. O EP se encaixa perfeitamente nisso.<\/p>\n<p>Eu sou artista dos tempos do vinil. Estou nessa praia desde os anos 80, quando participei de minha primeira grava\u00e7\u00e3o num est\u00fadio de 4 canais. Confesso que preciso me esfor\u00e7ar, e muito, para acompanhar toda essa evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 poucos anos atr\u00e1s ouvi pela primeira vez falar desse tal de EP. De in\u00edcio me soou como mais uma das modernidades na ind\u00fastria da m\u00fasica. Depois, pesquisando, fiquei sabendo que \u00e9 uma abreviatura de \u201cExtended Play\u201d e que remonta os tempos do vinil. 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