{"id":1487,"date":"2015-08-17T22:30:31","date_gmt":"2015-08-18T01:30:31","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/carlinhosveiga\/?p=1487"},"modified":"2015-08-18T11:30:39","modified_gmt":"2015-08-18T14:30:39","slug":"pega-a-viola-e-sapeca-uma-moda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/carlinhosveiga\/2015\/08\/17\/pega-a-viola-e-sapeca-uma-moda\/","title":{"rendered":"Pega a viola e sapeca uma moda&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Engana-se quem pensa que a viola nasceu no Brasil. Ela chegou por aqui trazida pelos religiosos no in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o, por volta de 1549 \u2013 data da chegada do primeiro grupo de seis jesu\u00edtas, sob o comando do padre Manoel da N\u00f3brega. Chegou como viola de arame, uma prima da guitarra portuguesa. Era, inicialmente utilizada nos servi\u00e7os religiosos dos padres empenhados na catequiza\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Com o passar do tempo a viola adquiriu nuances pr\u00f3prias nessas terras. Nas m\u00e3os de artes\u00e3os locais foram introduzidas pequenas altera\u00e7\u00f5es na sua constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_1488\" style=\"width: 209px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1488\" class=\"wp-image-1488 size-medium\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/carlinhosveiga\/files\/2015\/08\/viola-e1439860863588-199x300.jpg\" alt=\"viola\" width=\"199\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/carlinhosveiga\/files\/2015\/08\/viola-e1439860863588-199x300.jpg 199w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/carlinhosveiga\/files\/2015\/08\/viola-e1439860863588-678x1024.jpg 678w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/carlinhosveiga\/files\/2015\/08\/viola-e1439860863588-99x150.jpg 99w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/carlinhosveiga\/files\/2015\/08\/viola-e1439860863588.jpg 1060w\" sizes=\"auto, (max-width: 199px) 100vw, 199px\" \/><p id=\"caption-attachment-1488\" class=\"wp-caption-text\">Um modelo contempor\u00e2neo baseado na viola de Queluz<\/p><\/div>\n<p>\u201cNascia assim um dos mais importantes instrumentos da m\u00fasica brasileira: viola de dez cordas, viola de arame, viola de pinho, viola cantadeira, viola pantaneira, viola cabocla, viola sertaneja, viola nordestina, viola tropeira, viola campeira, viola caipira ou, simplesmente, viola brasileira\u201d (Angelim, no livro \u201cUma viola rio abaixo\u201d, Thesaurus Editora).<\/p>\n<p>Na verdade n\u00e3o podemos dizer que exista apenas um tipo de viola no Brasil. S\u00e3o v\u00e1rios. Mudam desde o formato do corpo, \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do n\u00famero de cordas (agrupadas em ordens de duas cordas ou n\u00e3o), e especialmente na diversidade de afina\u00e7\u00f5es. Por exemplo, a chamada viola caipira, derivada da viola de Queluz (antiga cidade de Minas Gerais, hoje Conselheiro Lafaiete), comumente agrega cinco ordens de duas cordas. No nordeste encontramos com dois pares de ordens e mais tr\u00eas cordas: \u00e9 um dos modelos da chamada viola nordestina, adaptada por alguns repentistas a partir do viol\u00e3o. Existem ainda instrumentos com 6 ordens de duas cordas, e outros, encontrados no sul do pa\u00eds, com \u201cum pequeno cravelhal \u2013 com apenas uma cravelha \u2013 ao lado do tampo, afixado entre este e a lateral do bra\u00e7o\u201d (Roberto Corr\u00eaa, no livro \u201cTocadores \u2013 homem, terra, m\u00fasica e cordas\u201d, Olaria Projetos de Arte e Educa\u00e7\u00e3o). Isso sem contar a viola de cocho, encontrada no pantanal mato-grossense, a viola de caba\u00e7a, a viola de bambu, entre outras.<\/p>\n<p>A viola caipira se popularizou atrav\u00e9s do r\u00e1dio, a partir dos anos 50, por meio de famosas duplas como Tonico e Tinoco, Ti\u00e3o Carreiro e Pardinho. Adentrou por outras linhas da m\u00fasica popular brasileira sendo utilizada nos festivais dos anos 60 e, depois, por artistas que mesclavam o regionalismo em suas can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"750\" height=\"563\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/K-vkWkEsd04?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Hoje \u00e9 poss\u00edvel ver a viola caipira presente inclusive em trabalhos de artistas crist\u00e3os que difundem sua f\u00e9 por meio das artes. Quem acompanha minha trajet\u00f3ria musical sabe da import\u00e2ncia da viola caipira para mim. Ela \u00e9 um instrumento presente em toda a minha produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Marco Neves, um grande instrumentista, incentivado pela Comunidade de Jesus, no interior de S\u00e3o Paulo, gravou dois volumes do \u201cViola Louvadeira\u201d, causando uma grande repercuss\u00e3o nacional. Neles, interpretava hinos e conhecidos c\u00e2nticos ao som das dez cordas, acompanhado por percuss\u00f5es, rabecas e viol\u00f5es. Segundo me confidenciou, disse que certa feita iria dirigir a m\u00fasica no culto de sua igreja, mas, confundido, esqueceu o viol\u00e3o. O que tinha ficado no porta-malas do carro, ap\u00f3s a grava\u00e7\u00e3o num est\u00fadio, era o case com a viola. Sem sa\u00edda, resolveu arriscar e dirigiu todos os c\u00e2nticos no estilo caipira. N\u00e3o deu outra! A comunidade amou e decidiram gravar os CDs.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"750\" height=\"563\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zk5BVAOV1TI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Nessa lista de artistas da viola ainda encontramos Silvestre Kuhlmann, Roberto Diamanso (com uma linguagem violeira mais nordestina que caipira), o casal Wesley e Marlene, Vav\u00e1 Rodrigues, que inclusive est\u00e1 com um maravilhoso CD caipira \u00e0s portas de ser lan\u00e7ado, entre alguns outros.<\/p>\n<p>Percebo que uma nova gera\u00e7\u00e3o come\u00e7a a se interessar pela viola e por outros instrumentos caracter\u00edsticos de ritmos brasileiros regionalistas. O uso do acordeom, ou sanfona, tem crescido bastante nas produ\u00e7\u00f5es atuais. Esses dias conheci uma mo\u00e7a em S\u00e3o Paulo que est\u00e1 estudando a rabeca. Aulas de pandeiro, de zabumba e de percuss\u00e3o em geral conquistam cada vez mais adeptos.<\/p>\n<p>Aos que se interessam no aprendizado e aprofundamento da viola caipira tenho uma boa not\u00edcia. O violeiro Roberto Corr\u00eaa acaba de lan\u00e7ar um material de estudo de muita qualidade. \u00c9 o DVD \u201cA Arte de Pontear Viola\u201d, que vem na linha do livro de mesmo nome.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"750\" height=\"563\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Os_ElZO38QE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Considero o Roberto Corr\u00eaa como uma das pessoas que mais contribuiu e ainda contribui para o aprimoramento do estudo da viola caipira no Brasil e no mundo. Descendente de violeiro, ele buscou conhecimento na fonte, entre os que vivem no sert\u00e3o. Mesclou esse saber popular com a t\u00e9cnica do viol\u00e3o erudito que j\u00e1 possu\u00eda. Sistematizou pr\u00e1ticas, registrou-as em partituras e tablaturas e gravou estudos, compartilhando seus conhecimentos. E n\u00e3o parou por a\u00ed: juntamente com admirados construtores de instrumentos de cordas trabalhou no aperfei\u00e7oamento de escalas, pontes, bra\u00e7os etc. Em contato com representantes de f\u00e1bricas de encordoamentos nos EUA, pesquisou jogos de cordas que se adaptassem bem \u00e0s violas, o que culminou com o lan\u00e7amento de marcas importadas voltadas para esse instrumento. Percebeu que a afina\u00e7\u00e3o cebol\u00e3o em R\u00e9 poderia somar na melhoria da sonoridade e na populariza\u00e7\u00e3o do instrumento entre outros estilos musicais, passando a utiliz\u00e1-la e difundi-la. Repartiu tudo isso com in\u00fameros alunos que hoje se tornaram igualmente mestres e instrumentistas reconhecidos. O DVD &#8220;A arte de pontear viola&#8221; \u00e9 praticamente o coroamento de todo esse trabalho \u00edmpar. Segundo Roberto, \u201ccreio que com este trabalho finalizo minha contribui\u00e7\u00e3o no repasse do que aprendi com violeiros da tradi\u00e7\u00e3o e violeiros da duplas caipiras. Agora vou cuidar de facilitar, expandir e difundir o repert\u00f3rio da viola caipira\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"750\" height=\"422\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZGdNXWwTzoQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Fica a dica aos interessados. Vamos tornar a viola cada vez mais conhecida e utilizada. \u00c9 realmente um instrumento fant\u00e1stico!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Engana-se quem pensa que a viola nasceu no Brasil. Ela chegou por aqui trazida pelos religiosos no in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o, por volta de 1549 \u2013 data da chegada do primeiro grupo de seis jesu\u00edtas, sob o comando do padre Manoel da N\u00f3brega. Chegou como viola de arame, uma prima da guitarra portuguesa. 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